Nevoeiro

58 Renesmee- Meu lobo favorito


Jantamos no The Beachside Grill em La Push, e devo admitir, foi uma das noites mais agradáveis que tive em muito tempo. Jacob estava relaxado, e sua companhia me fez esquecer, mesmo que por um breve momento, de todo o caos sobrenatural que vinha me cercando. Conversamos sobre tantas coisas — desde as pequenas lembranças da infância em Forks até as mudanças que a vida nos trouxe. O tempo passou rápido, e antes que percebêssemos, estávamos terminando nossa refeição, ainda imersos na conversa.

Depois do jantar, decidimos caminhar na praia. O ar estava fresco e a brisa do mar carregava consigo o som das ondas quebrando na areia. Era um silêncio confortável entre nós, interrompido apenas pelos ruídos naturais ao nosso redor. Eu estava perdida em meus pensamentos, aproveitando o momento, quando Jacob quebrou o silêncio.

— Nessie, posso te perguntar uma coisa? — ele começou, a voz baixa e tranquila.

— Claro, Jake. O que é? — perguntei, curiosa

Ele hesitou por um segundo antes de continuar. — O que há entre você e Eliot?

A pergunta me pegou de surpresa. Eu não esperava que Jacob estivesse interessado em algo assim. Por um momento, meu coração disparou, e fiquei me perguntando por que ele queria saber. Será que Ayla havia comentado algo? Ou era outra coisa?

— Se você não quiser falar sobre isso, tudo bem — ele acrescentou rapidamente, percebendo meu desconforto.

— Não, está tudo bem — respondi, tentando soar natural. — Ayla já me contou tanto sobre sua vida pessoal, então acho justo que você saiba um pouco sobre a minha.

Jacob ficou em silêncio, esperando que eu continuasse. Mas antes que eu pudesse dizer algo mais, ele me surpreendeu.

— Na verdade, eu quero saber porque quero entender se tenho algum concorrente — disse ele, com um sorriso brincalhão nos lábios.

Senti minhas bochechas queimarem instantaneamente. Meu coração deu um salto, e eu quase tropecei na areia ao lado dele. Eu não esperava essa confissão vinda de Jacob, e a ideia de que ele pudesse me ver de outra forma me deixou sem palavras por alguns segundos.

— Bem... — comecei, tentando recompor meus pensamentos. — Conheci Eliot na SU e me apaixonei por ele. Achei que ele sentia o mesmo por mim. Mas… aconteceu uma coisa entre nós, e ele simplesmente desapareceu.

Jacob assentiu, parecendo entender, e havia uma ternura em seus olhos que me fez sentir menos vulnerável.

— E o que ele fez depois? Jacob perguntou.

— Ele terminou comigo. Disse que tinha sido só uma noite.

— Você não tem por que se envergonhar disso, Nessie — disse ele, sua voz carregada de sinceridade. — Na vida, existem homens e existem moleques, até mesmo quando se trata de… bem, sanguessugas ou projetos deles.

— Projeto de sanguessuga.

Eu ri, aliviada, e a tensão que sentia antes desapareceu. Ele sempre sabia como me fazer sentir melhor, como transformar meus medos em algo menor.

Ficamos em silêncio novamente, mas dessa vez, era um silêncio carregado de significados não ditos. Jacob parou de caminhar e se virou para mim, me olhando nos olhos.

— Nessie... você é incrível — disse ele, a voz grave e séria. — E se você está pensando que estou dando em cima de você...

Eu o interrompi antes que ele pudesse continuar, sentindo meu coração acelerar ainda mais.

— Seria tentador — falei, com um sorriso tímido, tentando aliviar o peso daquelas palavras.

Jacob riu, um som caloroso que me fez sorrir também. O momento se prolongou, e eu percebi que algo estava mudando entre nós. Algo que eu ainda não conseguia nomear, mas que era impossível ignorar.

Voltamos para casa em silêncio, o motor do carro ronronando suavemente enquanto eu observava a estrada pela janela. Minha mente estava a mil, tentando processar tudo o que havia acontecido, mas Jake respeitou meu espaço, o que me deu algum alívio. Quando finalmente chegamos, ele estacionou o carro na frente da casa, e eu saí, parando perto da varanda. Havia algo que me incomodava, algo que eu precisava confirmar, então fiquei parada ali, pensando.

— Preciso ver uma coisa — disse eu, tentando esconder a hesitação na minha voz.

Jake franziu a testa, claramente curioso.

— Que coisa? — Ele perguntou, inclinando a cabeça para me observar melhor.

Eu sorri, um pouco envergonhada pela minha curiosidade.

— Pode parecer bobagem, eu sei. Ainda estou tentando digerir essa história de lobos e vampiros, mas… tenho uma curiosidade.

Ele cruzou os braços, como se tentasse parecer sério, mas eu sabia que estava curioso sobre o que eu ia pedir.

— Pode pedir — ele disse, com um sorriso que me encorajou.

Mordi o lábio, me sentindo um pouco constrangida, e então fiz um pequeno sinal com o dedo indicador, tentando indicar o que queria sem realmente dizer as palavras. Mas, eventualmente, suspirei e disse:

— Você pode… — hesitei por um segundo, mas continuei, sabendo que ele entenderia — se transformar em lobo, sabe, como naquele dia.

Jake sorriu, o que me fez relaxar um pouco.

— Claro, mas não aqui — respondeu ele, fazendo um sinal para que eu o seguisse.

Caminhamos até o bosque, entrando na floresta até chegarmos a uma clareira iluminada pelo luar. Era um lugar calmo, onde o som das folhas ao vento e o brilho suave da lua criavam uma atmosfera quase mágica. Paramos no centro da clareira, e eu olhei para ele, ansiosa e impaciente.

— Então? — Perguntei, esperando por sua resposta.

— Bem, eu preciso tirar a roupa para isso. Não é como uma mágica onde as roupas permanecem intactas — explicou ele, rindo um pouco.

Eu ri junto, aliviada pela leveza do momento. Mas quando ele começou a se preparar para se despir, lancei um olhar envergonhado.

— Pode virar de costas? — ele perguntou.

— Mas se eu virar de costas, não vou ver se transformar! — Protestei, com um tom divertido.

Jake deu um passo à frente, brincando, o que me fez sorrir.

— A menos que você queira me ver sem roupas — provocou ele, com aquele tom brincalhão que eu já estava começando a conhecer bem.

Meu rosto ficou quente, e eu sorri, tentando disfarçar.

— Não seria algo ruim — respondi, olhando para o chão, sem coragem de encará-lo.

Ele riu, tirando a camisa com um movimento rápido.

— Tudo bem — ele disse, percebendo que eu rapidamente cobri os olhos com as mãos.

Eu ri um pouco da situação, mas logo ouvi o som de suas roupas sendo jogadas no chão.

— Pode abrir os olhos agora — disse ele.

Tirei as mãos dos olhos e o vi se transformar diante de mim. Foi impressionante. Senti meu coração acelerar, uma mistura de surpresa, medo e algo mais que eu ainda não conseguia nomear. O lobo gigante que agora estava diante de mim era imponente e, ao mesmo tempo, de uma beleza assustadora.

Me aproximei devagar, meus olhos brilhando sob a luz do luar enquanto eu murmurava:

— É incrível… e real.

Estendi a mão trêmula, e quando toquei sua pelagem, uma onda de felicidade me invadiu. Seu pelo era macio, e o calor de seu corpo era reconfortante. De repente, ele me deu uma lambida no rosto, me pegando de surpresa e me fazendo recuar com uma careta.

— Para com isso! — Exclamei, rindo.

Mas ele fez de novo, provocando mais risadas. E, antes que eu percebesse, Jake me derrubou gentilmente no chão, continuando com as lambidas até que eu estivesse rindo tão alto que o som ecoava na clareira.

Era como se eu estivesse brincando com um cachorro gigante, um que estava decidido a me encher de carinho. O lobo Jacob pulava de um lado para o outro, a língua de fora, como se estivesse se divertindo tanto quanto eu. Eu ri até ficar sem fôlego, mas finalmente consegui me levantar, notando que minha roupa e rosto estavam completamente molhados da saliva dele.

— Ah, ótimo, agora vou precisar de um banho! — reclamei, tentando limpar o rosto com as mãos, mas só piorando a situação.

O lobo Jacob me olhou por um segundo, então, de repente, correu para as sombras das árvores. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ele desapareceu e, no instante seguinte, Jacob reapareceu em sua forma humana, vestindo apenas uma calça comprida.

Ele sorriu para mim enquanto se aproximava, seus olhos brilhando com diversão.

— Sabe que você fica linda assim, toda molhada e reclamando — disse ele, com um tom brincalhão.

Eu não pude evitar rir da situação, ainda tentando me secar inutilmente.

— Muito engraçado, Jake. — Brinquei, revirando os olhos.

Ele se aproximou e, antes que eu percebesse, segurou minha mão, entrelaçando os dedos nos meus. Fiquei surpresa com o gesto, mas não me afastei. Em vez disso, senti uma estranha sensação de conforto.

— Vamos voltar para casa? — Ele perguntou, sua voz suave.

Assenti, ainda sorrindo, e juntos começamos a caminhar de volta para casa. O silêncio que se instalou entre nós era confortável, o tipo de silêncio que não precisa ser quebrado, porque diz tudo o que as palavras não conseguem.

A cada passo, sentia que algo estava mudando dentro de mim. Talvez fosse a maneira como ele me olhava, ou como a mão dele se encaixava perfeitamente na minha. Eu não sabia ao certo o que era, mas havia algo ali, algo que não conseguia mais ignorar.

E, pela primeira vez em dias, me senti em paz.