Nevoeiro
59 Renesmee- A maior decepção de todas
A situação estava cada vez mais tensa, mas parecia que os vampiros e lobos finalmente tinham se organizado para proteger Ayla e eu, enquanto caçavam Marco e Katherine. Os vampiros precisavam se alimentar, e os lobos descansar, então fizeram um rodízio. Durante o descanso dos lobos, Ayla e eu ficaríamos sob a proteção de Riley e dos Cullen. Eu não estava muito satisfeita com o plano, e pelo olhar de Ayla, ela também não, mas Jacob nos convenceu de que era temporário e necessário.
Naquela manhã, era o turno de descanso dos lobos, e Jacob tinha que ir a Seattle para receber o resultado do exame de DNA do bebê da Olivia. Então, Seth ficou encarregado de nos levar até os limites das terras dos quileutes, onde Riley estaria à nossa espera.
O caminho até lá foi silencioso, cada uma perdida em seus próprios pensamentos. Quando finalmente chegamos e Seth estacionou o veículo, Riley já estava nos esperando, encostado em seu carro com os braços cruzados.
Antes de sairmos, Ayla se virou para mim, com um olhar que eu reconheci como sendo algo importante.
— Nessie, você sabe que Eliot e Edward leem mentes, certo? — Ela perguntou, como se estivesse me contando algo trivial.
Eu a encarei, surpresa, com a boca entreaberta.
— Você está brincando comigo? — Perguntei, esperando que fosse uma piada.
Seth, que até então estava em silêncio, respondeu em um tom sério.
— Não, é verdade. Eles têm habilidades mentais.
Soltei um longo suspiro, tentando digerir mais essa descoberta. Quantas vezes Eliot tinha lido a minha mente sem que eu soubesse? Era uma sensação invasiva e perturbadora.
— Ótimo, mais uma coisa para eu me preocupar — murmurei, enquanto pegava minha bolsa no banco ao lado.
Ayla e eu saímos do carro e fomos em direção a Riley. Assim que me viu, ele abriu um sorriso e me chamou de "baixinha" antes de me envolver em um abraço caloroso. Eu correspondi ao abraço, sentindo um misto de conforto e saudade.
— Seth virá buscá-las no fim do dia — disse Riley, lançando um olhar de agradecimento a Seth, que acenou em resposta.
Ayla abraçou Seth rapidamente, e ele sussurrou algo que a fez sorrir.
— Logo estaremos juntos, Ayla — disse Seth, acariciando o cabelo dela.
Ayla assentiu, tentando esconder a preocupação nos olhos.
Entramos no carro de Riley, e enquanto ele nos levava para a casa dos Cullen, eu não conseguia parar de pensar na quantidade de segredos que ainda estavam sendo revelados. Cada nova descoberta parecia me afastar ainda mais da normalidade, me jogando ainda mais fundo nesse mundo sobrenatural que agora fazia parte da minha vida.
Mas, enquanto Riley dirigia, percebi que, de alguma forma, aquele mundo não me parecia tão estranho mais. Eu tinha pessoas ao meu lado, dispostas a me proteger e me ajudar a entender tudo. E, de alguma forma, isso me dava uma pequena dose de conforto em meio ao caos.
Mesmo assim, eu não conseguia tirar da cabeça a ideia de que Eliot podia ter lido meus pensamentos. E pior ainda, a pergunta que ficava martelando na minha mente era: o que ele realmente sabia sobre mim que eu mesma ainda não tinha descoberto?
Ao chegarmos à casa dos Cullen, minha tensão começou a diminuir ao encontrar apenas Alice nos esperando. Mesmo sendo uma vampira, Alice tinha uma aura tão encantadora que sempre me fazia pensar nela como uma fada, não como uma criatura da noite. Seu sorriso caloroso e acolhedor me fez sentir um pouco mais à vontade.
— Bom dia, meninas! — Alice nos cumprimentou, com aquela leveza característica. — O que acham de termos uma manhã só nossa?
Eu ainda estava processando toda a situação, mas a ideia de passar um tempo com Alice não parecia tão ruim. Olhei para Riley, esperando que ele me explicasse o motivo de estarmos sozinhas ali.
— Onde estão os outros? — perguntei, ainda um pouco desconfiada.
— Eles acharam melhor dar espaço para que vocês fiquem mais confortáveis — explicou Riley, seus olhos transmitindo uma segurança que, aos poucos, eu começava a aceitar. — Mas não se preocupem, eles estão por perto, caso precisem de algo.
Assenti, apreciando o cuidado deles em tentar nos fazer sentir bem-vindas, mesmo que a situação fosse completamente anormal.
— Então, topam ou não? — Alice insistiu, com aquele sorriso contagiante que tornava difícil dizer não.
Ayla, que parecia mais relaxada, respondeu animada:
— Claro! — E então olhou para mim, esperando minha resposta.
Eu suspirei, percebendo que, por mais estranho que fosse, estava em boas mãos.
— Por mim, tudo bem — respondi, tentando sorrir de volta para Alice.
Riley, cumprindo o papel de protetor, anunciou:
— Ficarei na sala se precisarem de mim.
Eu sorri em resposta, agradecida pela constante vigilância, mas sentindo que talvez não fosse tão necessária naquele momento. Com isso, subi as escadas ao lado de Alice e Ayla, sentindo uma estranha sensação de normalidade naquele cenário bizarro.
Entramos em uma pequena biblioteca, e meu queixo quase caiu ao ver as estantes repletas de livros antigos. Alguns eram tão raros que, mesmo sem ser uma especialista, eu podia dizer que eram exemplares únicos. Eu mal podia acreditar no que via.
— Uau... — murmurei, admirando as prateleiras abarrotadas de volumes encadernados em couro, muitos dos quais deviam ter séculos de existência.
— Carlisle é um colecionador — explicou Alice, com um toque de orgulho na voz. — Ele adora preservar essas relíquias.
— Podemos ler algum deles? — perguntei, incapaz de conter a curiosidade.
Alice sorriu, satisfeita com meu interesse.
— Fiquem à vontade — disse ela, fazendo um gesto que parecia nos dar permissão para explorar aquele pequeno tesouro literário.
Ayla e eu trocamos olhares antes de nos aproximarmos das estantes, começando a explorar os títulos que, até então, só existiam nos meus sonhos. Era uma sensação surreal, mas reconfortante, estar ali, imersa na história, ao lado de duas pessoas que, apesar de serem diferentes, me faziam sentir que eu pertencia àquele lugar de alguma forma.
Aquela manhã, envolta em livros e conversas leves, foi um lembrete de que, apesar de todo o caos ao nosso redor, ainda havia momentos de paz e normalidade a serem aproveitados.
Ayla e eu estávamos tão imersas nos livros que perdemos completamente a noção do tempo. Cada página que virávamos nos transportava para diferentes épocas e mundos, como se pudéssemos escapar da realidade em que vivíamos, mesmo que só por um momento. Estávamos absortas em uma antiga edição de contos góticos quando Alice se levantou com sua habitual graça.
— Vou providenciar algo para vocês comerem — anunciou ela, sorrindo enquanto saía da biblioteca.
— Obrigada, Alice! — dissemos em uníssono, ainda encantadas pela gentileza dela.
Quando a porta se fechou atrás dela, Ayla se virou para mim com uma expressão curiosa.
— E aí, Nessie, o que você está achando de tudo isso? — perguntou ela, baixando o livro que tinha nas mãos.
Eu suspirei, tentando organizar meus pensamentos.
— É assustador — admiti, olhando em volta. Apesar do ambiente aconchegante, o peso da situação não deixava de pairar sobre nós.
Ayla soltou uma risada leve.
— Estamos no covil dos vampiros, afinal. — Rimos juntas, mas a leveza daquele momento foi interrompida pelo som da voz de Riley, em um tom mais alto do que o habitual.
— Isso parece uma discussão — sussurrou Ayla, levantando-se ao mesmo tempo que eu. Uma sensação de apreensão tomou conta de mim.
Deixamos a biblioteca em silêncio e nos aproximamos da escada. Conforme nos aproximávamos, a discussão se tornava mais intensa e clara. As vozes de Eliot e Riley ecoavam pela casa, carregadas de tensão.
— Nessie é adulta e pode decidir por ela mesma! — Eliot exclamava, sua voz cheia de frustração.
— Não vou permitir que você a machuque novamente! — retrucou Riley, em um tom firme, quase protetor. — Você a usou como parte do seu joguinho sujo, tudo para se vingar de mim por causa de Annastasia!
Parei de repente, sentindo meu coração disparar no peito. Aquelas palavras me atingiram como uma pancada, e minhas pernas fraquejaram. Eliot percebeu minha presença e se virou, os olhos arregalados de surpresa e talvez até de medo.
— Nessie, não é o que parece... — começou ele, dando um passo em minha direção.
— É verdade o que eu acabei de ouvir? — interrompi, minha voz saindo mais firme do que eu imaginava possível. Meus olhos o perfuravam, buscando desesperadamente alguma mentira que pudesse desmentir as palavras de Riley.
Eliot hesitou, mas antes que pudesse responder, Riley o cortou sem piedade.
— Sim, Nessie, é verdade. — Sua voz era dura e cheia de mágoa. — Eliot usou você para se vingar de mim. Tudo por causa de Annastasia, a mulher com quem eu ia me casar.
Um buraco se abriu sob meus pés. A sala ao meu redor parecia girar enquanto a realidade daquela revelação se instalava em mim. Minha mente girava, tentando processar a crueldade da situação. Não podia ser verdade, não o Eliot que eu conhecia... mas o olhar de Riley e o silêncio de Eliot diziam o contrário.
— Nessie, me escuta... — Eliot tentou novamente, a voz embargada de desespero.
Mas eu já não podia ouvi-lo. Não depois do que acabara de descobrir. O mundo que eu conhecia, a confiança que eu tinha, tudo parecia se desintegrar naquele instante. O ar me faltava, e tudo o que eu queria era desaparecer, fugir daquela dor esmagadora.
— Como você pôde? — sussurrei, incapaz de manter o controle das lágrimas que começaram a rolar pelo meu rosto. Eu me sentia traída, usada, como se todos os momentos que tínhamos compartilhado não passassem de uma grande mentira.
Eliot tentou se aproximar, mas eu recuei, levantando a mão como um sinal para que ele parasse.
— Não chega perto de mim! — gritei, minha voz tremendo. Ele parou, o rosto contorcido pela dor, mas não era nada comparado ao que eu estava sentindo.
— Nessie... — começou ele novamente, mas eu já não estava mais ali, emocionalmente. Me virei e saí correndo, sem me importar com o que ele diria. Tudo o que eu queria era fugir, escapar da dor que agora parecia consumir meu peito.
Eu não sabia para onde estava indo, só sabia que precisava sair dali, longe deles, longe de tudo.
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