Nevoeiro

60 Renesmee- Sentimentos


Eu não consegui ir muito longe. Meus pés pareciam pesar uma tonelada, e o tumulto de emoções dentro de mim era como um mar revolto. Antes que eu percebesse, Riley e Eliot já estavam me alcançando. Riley foi o primeiro a falar.

— Nessie, você não pode se afastar assim — disse ele, a voz suave, mas cheia de preocupação.

Eu me virei para Eliot, com raiva queimando em meus olhos. Cada vez que olhava para ele, sentia como se estivesse sendo rasgada por dentro, traída e usada de uma maneira que nunca imaginei.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei, minha voz carregada de revolta.

Meus pensamentos estavam a mil, as imagens e memórias correndo pela minha mente a uma velocidade impossível de acompanhar. Cada vez que eu olhava para Eliot, a dor aumentava, e o sentimento de traição se intensificava.

— Não foi nada disso, Nessie — Eliot começou, tentando se aproximar.

— Sai de dentro da minha cabeça! — gritei, meu coração batendo descontroladamente.

Riley se aproximou, lançando um olhar fulminante para Eliot.

— Eliot, vá embora. Você está piorando as coisas.

Mas Eliot não cedeu, seu rosto determinado.

— Nessie vai me ouvir, queira ela ou não.

Riley estava claramente aborrecido, os punhos cerrados, mas antes que ele pudesse reagir, eu levantei a mão, pedindo que ele se afastasse.

— Deixa eu falar com ele sozinha, Riley.

Ele hesitou por um momento, seus olhos buscando os meus em busca de certeza.

— Tem certeza disso? — perguntou, sua voz preocupada.

Eu assenti, e ele finalmente deu um passo para trás, deixando-nos a sós.

Cruzei os braços, mantendo uma distância segura de Eliot, e ergui o queixo com firmeza.

— Pode falar, Eliot.

Ele respirou fundo, os olhos cheios de um misto de desespero e sinceridade.

— Nessie, eu me apaixonei de verdade por você — começou ele, a voz baixa, quase implorando. — Eu fiquei confuso, mas o que aconteceu entre nós foi real. Eu fui embora porque precisei caçar, porque naquela noite... eu quase te matei.

Eu ri, uma risada amarga e sem humor.

— Você espera que eu acredite nisso? — perguntei, sem esconder o sarcasmo na minha voz. — Você sumiu por sete dias, Eliot.

Ele fechou os olhos por um momento, como se estivesse tentando manter a calma.

— Eu realmente fiquei furioso por causa de Anna — admitiu ele, com os olhos pesados de culpa. — Mas me afastei de você para não te machucar ainda mais. Eu me importo com você, Nessie. Quero te proteger.

Antes que eu pudesse responder, Annastasia apareceu, sua presença silenciosa interrompendo a nossa conversa.

— Desculpa interromper, Nessie, mas Riley faria isso se eu não viesse. — Ela olhou para Eliot e depois para mim, com uma expressão neutra.

Eu olhei de Eliot para Anna, e de volta para Eliot, sentindo meu coração se apertar ainda mais.

— Eu não vou ficar entre vocês — disse, minha voz decidida, mesmo que por dentro tudo estivesse se despedaçando.

Virei-me e comecei a caminhar de volta para a casa dos Cullen. Quando cheguei, encontrei Ayla na porta, seus olhos cheios de preocupação.

— Você está bem? — perguntou ela, me puxando para um abraço.

Eu respirei fundo, sentindo a familiaridade do conforto em seu abraço.

— Vamos voltar para casa, não quero ficar mas nem um segundo aqui — respondi, minha voz soando mais firme do que eu realmente me sentia.

Ayla assentiu e me informou que já havia ligado para Seth. Antes que Riley pudesse se oferecer para nos levar, eu levantei a mão e perguntei:

— Alice pode nos levar? — Preferia qualquer coisa a ter que encarar Eliot ou Riley por mais tempo.

Ayla pareceu entender, e Riley, relutante, deu um passo para trás. Alice, sempre perceptiva, apareceu com um sorriso suave, como se já soubesse o que eu pediria.

— Eu levo elas Riley.

Chegamos em casa com Seth, e antes mesmo de eu poder me recompor, Rebecca apareceu, sua expressão cheia de preocupação.

— Está tudo bem? — ela perguntou, seus olhos percorrendo meu rosto em busca de qualquer sinal que contradissesse minha resposta.

— Sim — respondi rapidamente, sentindo que a qualquer momento iria desabar. — Só... preciso ficar sozinha.

Eu mal esperei pela reação dela antes de subir as escadas correndo, a urgência de estar sozinha tomando conta de mim. Entrei no quarto e me sentei na cama, e foi como se toda a força que eu tinha desmoronasse. As lágrimas vieram antes que eu pudesse segurá-las, quentes e pesadas, deslizando pelo meu rosto enquanto soluços abafados escapavam dos meus lábios.

A sensação era horrível. Tudo dentro de mim parecia despedaçado. O amor que eu um dia senti por Eliot estava em pedaços, espalhados pelo meu coração como cacos de vidro. Eu mal conseguia entender o que sentia. Tudo estava tão confuso, tão doloroso.

Foi então que ouvi a voz suave de Ayla.

Ela se aproximou e se sentou ao meu lado, seu olhar cheio de compaixão.

— Não quer conversar? — perguntou, sua voz baixa e gentil.

Sem pensar, deitei minha cabeça no colo dela, buscando algum tipo de conforto.

— Estou tão infeliz, Ayla — murmurei, as palavras quase sendo sufocadas pelos soluços.

Ela começou a acariciar meus cabelos, seus dedos correndo suavemente pelas mechas, como se tentasse aliviar minha dor com aquele gesto simples.

— Isso vai passar, Nessie — ela disse, sua voz cheia de certeza. — Você vai ser feliz de novo, mas não com Eliot Cullen. Ele não merece as suas lágrimas.

Eu assenti, ainda sem conseguir parar de chorar, e fechei os olhos, tentando absorver as palavras dela.

Ayla ficou comigo por mais alguns minutos, em silêncio, apenas me dando o apoio silencioso que eu tanto precisava. Finalmente, ela suspirou e disse que precisava ligar para o pai dela.

Eu assenti e, quando ela se levantou para sair do quarto, perguntou:

— Você vai ficar bem?

Eu tentei sorrir, mesmo que fosse apenas para tranquilizá-la.

— Vou, sim — respondi, tentando parecer mais forte do que realmente estava.

Assim que Ayla fechou a porta atrás de si, a solidão me atingiu com força. Escorreguei para o chão, onde as lágrimas voltaram com intensidade renovada. Eu me senti tão pequena, tão desamparada. Não sabia por quanto tempo fiquei ali, afundada na minha dor, até que uma voz familiar e cheia de preocupação quebrou o silêncio.

— O que aconteceu?

A voz de Jacob era como uma dose de morfina, suavizando a dor que queimava no meu peito. Eu olhei para ele, e sem pensar, me joguei nos braços dele, buscando o conforto que só ele poderia me dar.

Ele me acolheu, seus braços fortes e seguros envolvendo meu corpo trêmulo. Aquele gesto simples, mas cheio de carinho, começou a acalmar a tempestade dentro de mim.

— Vai passar, Nessie. Não importa o que seja, eu farei passar — ele sussurrou, sua voz firme, mas gentil.

Naquele momento, eu soube que ele estava falando a verdade. O calor do abraço dele começou a amenizar minha dor, e pela primeira vez, senti que poderia ser capaz de respirar novamente.

Ergui meus olhos para encontrar os dele, e as palavras escaparam dos meus lábios antes que eu pudesse pensar.

— Me beija.

Jacob hesitou por um segundo, mas então ele aproximou seus lábios dos meus, e me beijou. O mundo parou, e tudo o que existia era aquele momento. O beijo dele era suave, mas carregado de um carinho e uma paixão que me envolveu completamente, afastando toda a dor e deixando em seu lugar uma sensação de conforto e segurança.