Nevoeiro
43 Renesmee- Nova vida
A luz suave dos primeiros raios de sol filtrava-se pelas cortinas cinza-escuras, criando um ambiente acolhedor no quarto masculino e sofisticado, onde eu estava. As paredes eram de um tom azul profundo, transmitindo uma sensação de calma e conforto. Olhei ao redor, tentando lembrar como cheguei ali, e percebi que estava deitada em uma cama incrivelmente confortável, com lençóis macios que acariciavam minha pele.
Lentamente, me sentei, sentindo meu corpo ainda um pouco fraco, e meus olhos caíram sobre Jacob, que dormia de forma desconfortável em uma poltrona ao lado da cama. Ele parecia exausto, com a cabeça pendendo para o lado, os braços cruzados sobre o peito. A última coisa de que me lembrava era de ter ido ao banheiro durante a festa, mas tudo depois disso era um borrão.
Antes que eu pudesse processar mais, a porta do quarto se abriu, revelando Ayla. Ela entrou sorrindo, e seu rosto mostrava um alívio palpável ao me ver acordada.
— O que aconteceu? — Perguntei, minha voz soando fraca e rouca.
Ayla se aproximou da cama, sentando-se ao meu lado. — Você passou mal e desmaiou. Meu pai chamou um médico, e ele disse que é normal sentir mal-estar depois da cirurgia que você fez. Fiquei preocupada, todos ficaram.
Envergonhada, baixei o olhar para minhas mãos, sentindo minhas bochechas esquentarem. — Sinto muito por ter estragado a festa.
Ayla balançou a cabeça, tocando meu ombro de forma reconfortante. — Não se preocupe com isso. O importante é que você está bem.
Jacob se moveu na poltrona, e eu olhei para ele, sentindo uma pontada de culpa por tê-lo feito passar a noite ali.
— Não seria melhor acordá-lo? — Sugeri.
Ayla olhou para o pai com carinho antes de se levantar e se aproximar dele. — Ele passou a noite nessa poltrona, preocupado com você.
Ela tocou o braço de Jacob com suavidade, e ele acordou lentamente, piscando algumas vezes antes de focar o olhar em Ayla e depois em mim. Ele se levantou, esfregando os olhos enquanto se aproximava da cama.
— Como você se sente? — Perguntou, a preocupação evidente em sua voz.
Fiquei surpresa com o tom carinhoso dele, mas respondi rapidamente, sem querer causar mais problemas. — Estou melhor, obrigada. Sinto muito por causar toda essa confusão.
Jacob balançou a cabeça. — Não se preocupe com isso. O médico disse que você precisa repousar, especialmente porque ainda está no processo pós-cirúrgico.
Eu agradeci novamente, sentindo uma mistura de constrangimento e gratidão. Ayla se levantou, sorrindo. — Vou buscar seu café da manhã.
Ela saiu do quarto, deixando-me a sós com Jacob. Nós trocamos um olhar, e ele quebrou o silêncio com um comentário que me fez rir.
— Estou um pouco decepcionado que você não seja realmente ruiva.
Eu ri, tocando meus cabelos castanhos e tentando aliviar a tensão. — Sinto muito por não fazer o seu tipo.
Ele sorriu, e por um momento, o ambiente ficou mais leve. Ayla retornou ao quarto com uma bandeja nas mãos, e eu a agradeci, sentindo o estômago roncar de fome.
Jacob se espreguiçou, parecendo ainda mais cansado, e disse que precisava de um banho antes de sair do quarto, deixando-me a sós com Ayla.
— De quem é esse quarto? — Perguntei, curiosa.
Ayla sorriu, ajeitando a bandeja sobre o meu colo. — É do meu pai. Ele fez questão que você ficasse confortável aqui.
Fiquei em silêncio por um momento, digerindo essa informação. Jacob havia cedido seu próprio espaço para mim. Era um gesto de cuidado que eu não esperava, e me fez ver aquele homem com novos olhos.
O restante da manhã passou lentamente, o som constante da chuva batendo contra as janelas me acompanhando como uma melodia suave, não muito diferente do que eu estava acostumada em Seattle. O clima em La Push parecia uma extensão do que eu conhecia, mas com uma sensação diferente—mais acolhedora, talvez.
Jacob havia retornado brevemente ao quarto para buscar uma peça de roupa, trocando algumas palavras rápidas antes de sair para um compromisso pessoal. Ayla, por outro lado, estava ocupada ajudando sua tia Rachel a devolver os materiais da decoração da festa para a empresa de eventos. Eu me ofereci para ajudar, mas Ayla foi firme em dizer que eu precisava repousar, deixando-me sem muitas opções além de ficar na cama.
Passei boa parte da manhã trocando de canal na TV, tentando encontrar algo que me distraísse, mas nada parecia prender minha atenção por muito tempo. A monotonia do dia começou a me incomodar, e, finalmente, decidi sair da cama.
Caminhei pelo quarto, observando os detalhes que compunham o ambiente. O quarto de Jacob era um reflexo claro de sua personalidade: elegante, mas com um toque de simplicidade e praticidade. Em uma das prateleiras, reparei em alguns porta-retratos. Peguei um deles, observando a foto com cuidado. Era uma imagem de Jacob e Ayla, ambos sorrindo para a câmera, Ayla provavelmente mais nova. O sorriso de Jacob era caloroso, e o carinho entre os dois era evidente.
Segurei o porta-retratos por mais alguns segundos, sentindo uma mistura de emoções. Era estranho e assustador como, em menos de 24 horas, eu já começava a me sentir em casa naquele lugar. La Push, com suas árvores imponentes, o som da chuva e as pessoas acolhedoras, estava lentamente se infiltrando em meu coração, algo que eu nunca teria imaginado antes de chegar aqui.
Suspirei, devolvendo o porta-retratos ao seu lugar. Talvez fosse a calma do ambiente ou o fato de estar cercada por pessoas que, de alguma forma, já pareciam se importar comigo. De qualquer forma, havia uma sensação de pertencimento, algo que eu não sentia há muito tempo.
A chuva lá fora continuava, mas em vez de ser um som melancólico, começou a soar como um conforto, um lembrete de que, às vezes, mudanças inesperadas podem trazer consigo novos começos.
Decidi que já era hora de sair do quarto. A casa estava silenciosa, exceto pelo som suave da chuva lá fora, e eu queria sentir mais do que apenas o acolhimento do quarto. Caminhei lentamente pelo corredor, cada passo me levando mais longe da monotonia e mais perto do som de vozes e risadas que vinham do andar de baixo.
Ao descer as escadas, o som se intensificou. Ouvi a voz familiar de Seth e a risada animada de Ayla. Quando me aproximei da cozinha, não resisti e perguntei:
— Posso participar da conversa?
Ayla se virou abruptamente, seus olhos arregalados em surpresa e uma pitada de indignação.
— O que você está fazendo fora da cama? — Ela esbravejou, as mãos na cintura em uma pose teatral.
Sorri, me aproximando mais.
— Estou ótima, prometo.
Antes que ela pudesse protestar mais, me aproximei da bancada.
— Posso ajudar com alguma coisa?
Seth, que estava usando um avental engraçado, sorriu de volta para mim.
— Está tudo sob controle, Nessie. Pode relaxar.
Ayla assentiu, mas então eu senti o cheiro de algo ligeiramente queimado no ar. Levantei uma sobrancelha e olhei para os dois.
— Tem certeza?
Antes que Seth ou Ayla pudessem responder, Ayla soltou um grito:
— Ai meu Deus!
Ela correu para o fogão, e eu não consegui segurar o riso. A cena era hilária, e Seth parecia igualmente alarmado enquanto olhava para o desastre culinário.
— Acho que estragamos o almoço — Seth admitiu, com um sorriso culpado.
Revirei os olhos, ainda rindo, e ignorei os protestos de Ayla enquanto eu assumia a cozinha.
— Tudo bem, me deixem consertar isso.
Com um pouco de esforço e mais algumas risadas, o almoço foi salvo. Uma hora depois, Ayla estava organizando a mesa enquanto eu colocava o macarrão que havia preparado em uma travessa. O aroma delicioso preenchia o ambiente, afastando qualquer vestígio do cheiro de queimado de antes.
Estávamos prestes a nos sentar quando a porta da frente se abriu. Jacob entrou, carregando algumas pastas nas mãos. Ele parou no meio do caminho ao nos ver na cozinha, seu olhar imediatamente se fixando em mim.
— O que você está fazendo fora da cama? — Ele perguntou, seu tom misturando surpresa e reprovação.
Ayla olhou para mim e deu de ombros com um sorriso, antes de responder em meu lugar:
— Eu tentei, pai.
Sem perder tempo, ela pegou meu prato e começou a me servir o macarrão que eu havia feito. Jacob ainda me olhava com uma mistura de preocupação e leve exasperação, mas logo seu olhar suavizou. Ele soltou um suspiro, balançando a cabeça como se desistisse de insistir na ideia de repouso absoluto.
— Parece que o almoço está salvo, pelo menos — ele murmurou, um pequeno sorriso se formando em seus lábios.
Seth se aproximou de Jacob, tirando uma das pastas de suas mãos.
— É tudo graças à nossa chef aqui — disse ele, apontando para mim com o polegar.
Jacob finalmente relaxou, sentando-se à mesa conosco. Havia algo reconfortante em compartilhar essa refeição com eles, como se eu estivesse me integrando cada vez mais àquela nova vida. E, apesar de toda a confusão e reviravoltas, não pude deixar de me sentir feliz por estar ali, cercada de pessoas que já começavam a se tornar especiais para mim.
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