Nevoeiro

44 Renesmee- A Proposta


O almoço foi tranquilo e divertido, com conversas animadas e risadas que ecoaram pela cozinha. Principalmente depois que Jacob descobriu que Ayla e Seth quase haviam incendiado a cozinha. A maneira como ele levantou uma sobrancelha e brincou sobre contratar um chef profissional fez todos rirem ainda mais.

Quando o almoço terminou, eu insisti em cuidar das louças. Jacob tentou intervir, mas eu deixei claro que era uma forma de agradecer pela hospitalidade.

— Não há outra alternativa? — Ele perguntou, meio sério, meio brincando.

— Nenhuma — respondi, sorrindo para ele.

Como não havia outra opção, ele resolveu me ajudar. Enquanto lavávamos as louças juntos, senti algo diferente na maneira como Jacob me olhava. Era uma atenção que eu não esperava, mas disfarcei, acreditando que talvez ele só estivesse sendo gentil e hospitaleiro.

O som da água corrente preenchia o silêncio confortável entre nós, até que Jacob, com a voz casual, perguntou:

— Então, quanto tempo você pretende ficar em La Push?

Eu sorri e brinquei:

— Você já quer me ver indo embora?

Ele riu, e o som de sua risada foi reconfortante.

— Muito pelo contrário, Nessie. Eu gostaria que você ficasse... bastante tempo.

Desviei os olhos dos dele por um momento, tentando processar o que acabara de ouvir. Não era exatamente o que eu esperava, mas havia algo na sinceridade de sua voz que me tocou.

— Eu estava pensando em ficar por aqui, talvez em Forks ou La Push — respondi, voltando a olhar para ele.

Jacob pareceu ficar satisfeito com a ideia. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, e ele assentiu.

— Isso é ótimo. — Ele enxugou um prato e o colocou no escorredor. — Mas você sabe que vai precisar de um lugar para morar e de um emprego.

— Sim, estou ciente. — Brinquei, tentando aliviar a tensão que eu sentia crescer em meu peito. — Se você souber de um apartamento barato e um trabalho, estou aceitando sugestões.

Jacob parou por um momento e olhou diretamente para mim, seus olhos fixos nos meus.

— Na verdade, eu tenho uma proposta melhor.

Eu o olhei surpresa, sem saber o que ele estava prestes a dizer.

— O que você acha de morar comigo e com Ayla? E trabalhar comigo? — Ele sugeriu, seu tom de voz calmo, mas havia um brilho em seus olhos que indicava que ele estava falando sério.

Fiquei atônita, sem saber o que responder imediatamente. Morar com Jacob e Ayla? E trabalhar com ele? Era uma oferta inesperada e, ao mesmo tempo, incrivelmente tentadora.

Antes que eu pudesse absorver a proposta de Jacob, Ayla nos interrompeu com um sorriso travesso.

— Ela vai aceitar, não vai? — Ayla perguntou, os olhos brilhando de empolgação.

Olhei para ela, meio confusa.

— Você estava ouvindo a conversa? — Perguntei, tentando esconder meu constrangimento.

Ayla riu, sem nem tentar disfarçar.

— Eu não queria perder por nada o meu pai e a minha melhor amiga flertando.

Meu rosto ficou vermelho na hora.

— Não estávamos flertando! — Jacob respondeu, rindo. Eu tentei acompanhá-lo, mas estava nervosa demais para ser convincente.

— Não estávamos... estávamos? — As palavras saíram meio atrapalhadas, e isso só fez Jacob parecer ainda mais divertido com a situação.

Eu olhei de Jacob para Ayla e comecei a desconfiar que eles estavam juntos nessa brincadeira. Eles pareciam muito à vontade.

— Espera aí... Seth te contou, não contou? — Perguntei a Ayla, estreitando os olhos para ela.

Ayla fez uma expressão de culpa e entregou o jogo.

— Talvez... — Ela riu, sem jeito.

Suspirei, percebendo que estava sendo encurralada.

— A oferta é tentadora, mas eu preciso pensar — respondi, tentando ganhar um pouco de tempo.

Ayla não deixou barato.

— Vai ser bom, Nessie! Nós vamos poder passar mais tempo juntas! — Ela insistiu, quase pulando de alegria.

Jacob entrou na conversa, com um sorriso tranquilo.

— E eu pagarei um excelente salário. — Seus olhos me encararam, deixando claro que ele estava falando sério.

Eu olhei para os dois, percebendo que não iam desistir. Suspirei, aceitando que estava cercada.

— Vocês não vão desistir, vão?

— Não! — Responderam em uníssono, sorrindo como se já tivessem vencido.

Não consegui conter um sorriso.

— Certo, eu aceito... com uma condição.

Jacob levantou uma sobrancelha, curioso.

— Qual condição?

— Que a moradia seja descontada do meu salário — respondi, cruzando os braços, tentando manter a firmeza.

Jacob me olhou por um segundo, como se ponderasse, e então estendeu a mão para mim.

— Negócio fechado.

Apertei a mão dele, e me assustei com a temperatura. Era como tocar fogo. Mas eu disfarcei, mantendo o contato. Nossos olhos se encontraram, e por um instante, tudo ao nosso redor pareceu desaparecer.

Então, Ayla soltou um gritinho de felicidade, quebrando o momento. Eu e Jacob rimos, ainda de mãos dadas, cientes de que aquele era o início de uma nova fase para todos nós.

Depois que terminamos de lavar as louças, os três saíram da cozinha e Ayla, sempre cheia de ideias, sugeriu:

— Nessie, você pode ficar no quarto ao lado do meu. Está vazio e seria perfeito para você!

Jacob, que parecia realmente querer me agradar, concordou rapidamente.

— Excelente ideia. E você pode decorá-lo como quiser. Hoje mesmo vou providenciar alguns móveis para o quarto.

Sorri, meio incrédula. Jacob Black parecia um sonho, alguém que fazia de tudo para me deixar confortável, quase como se quisesse me convencer de que estar ali era o certo.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o celular de Jacob vibrou. Ele fez uma expressão de desgosto e murmurou que precisava atender. Com uma desculpa, se afastou, falando ao telefone. Enquanto ele estava ocupado, Ayla puxou meu braço e me levou para o quarto ao lado do dela.

Ao entrar no quarto, fiquei surpresa com o tamanho e a sofisticação. As paredes eram de um tom suave de cinza, e as cortinas azul-escuras davam um toque elegante. O quarto tinha uma suíte com uma hidromassagem que me fez sorrir ao imaginar relaxando ali. Mas o que mais me encantou foi a varanda, que dava para uma vista incrível da floresta de La Push. A natureza parecia invadir o ambiente, e por um momento, me senti em paz.

— Eu tinha pensado em reformar este quarto para mim, mas Olivia disse que seria do bebê — Ayla comentou casualmente, enquanto eu ainda admirava a vista.

Senti uma leve tensão no ar ao ouvir o nome de Olivia. Voltei a olhar para Ayla, percebendo que havia mais nessa história do que eu imaginava.

— Ayla, você acha que Olivia não vai se incomodar com a minha presença aqui? — Perguntei, tentando ser delicada.

Ayla balançou a cabeça, como se quisesse afastar qualquer dúvida.

— Eles se separaram. A única coisa que liga meu pai a Olivia é o bebê. Não precisa se preocupar com ela. Está bem longe daqui.

Mesmo assim, uma sensação de desconforto tomou conta de mim. Entendia a situação delicada, e por um momento, tentei me colocar no lugar de Olivia, grávida e longe de quem deveria ser seu parceiro.

— Ainda acho que não é uma boa ideia eu morar aqui. Posso trabalhar com seu pai, mas acho melhor alugar um apartamento — sugeri, tentando encontrar um meio-termo.

Ayla franziu a testa, claramente não gostando da ideia.

— Meu pai vai ficar chateado se você fizer isso. Além disso, não precisa se preocupar com Olivia. Ela não faz mais parte da nossa vida.

A leve risada que escapou dos meus lábios não afastou o desconforto. Mesmo que Ayla estivesse tentando me convencer, algo dentro de mim ainda relutava em aceitar tão facilmente.

Nesse momento, Jacob entrou no quarto, e seus olhos buscaram os meus.

— E então, gostou do quarto?

— Sim, é lindo. — Respondi com um sorriso.

— Ótimo. Vou pedir os móveis mais tarde. Mas agora, preciso colocar o trabalho em dia. E, por sorte, tenho uma nova funcionária para ajudar.

Olhei para ele, tentando entender se estava brincando ou falando sério. Ele apenas sorriu e fez sinal para que eu o seguisse até o escritório.

Ao entrar no escritório, vi uma pilha de pastas empilhadas umas sobre as outras. Jacob gesticulou em direção à montanha de papéis e perguntou:

— Você entende de planilhas?

Soltei uma risada, lembrando de meu passado em Seattle.

— Está falando com a garota que conseguiu entrar no sistema da polícia de Seattle.

Jacob sorriu, claramente satisfeito.

— Ótimo. Precisamos informatizar tudo isso em cinco dias.

Assenti, sentindo o desafio que estava por vir.

— Então, vamos começar, Jacob.

Ele parou por um instante e, com um sorriso, corrigiu-me gentilmente.

— Pode me chamar de Jake. Apenas Jake.