Nevoeiro
41 Renesmee- La Push
Enquanto me olhava no espelho, ajustando a peruca ruiva, senti uma mistura de ansiedade e empolgação. A imagem refletida era quase estranha — uma versão de mim que eu ainda estava tentando entender. Era como se aquela nova aparência fosse um símbolo da nova fase que eu estava prestes a iniciar.
Meu tio Matt entrou no quarto, parando abruptamente ao me ver.
— Você pintou o cabelo? — Perguntou, surpreso, mas com um sorriso de aprovação. — Ficou linda ruiva!
Antes que eu pudesse responder, Lily entrou logo atrás dele, soltando uma risada suave.
— É uma peruca, Matt — disse ela, rindo da confusão dele.
Matt balançou a cabeça, ainda sorrindo, e pegou a mala que estava perto da cama. — Bem, vou levar isso lá para baixo. Seth já está colocando as outras no carro.
Assenti, enquanto Lily se aproximava para me ajudar com o vestido. Ela deslizava os dedos pelo tecido, preocupada se a roupa não amassaria durante o trajeto.
— Tem certeza de que não vai amassar até chegarem à festa? — Perguntou, ajeitando os últimos detalhes.
Sorri, tentando acalmá-la. — Não vai dar tempo de me trocar quando chegarmos, então vou assim mesmo. Além disso, é um vestido resistente.
Lily me olhou com olhos cheios de carinho e um toque de melancolia. — Você está linda, Nessie.
Antes que pudéssemos nos emocionar demais, Matt reapareceu na porta, desta vez pegando outra das malas.
— Tenho que concordar com a Lily — disse ele, com um sorriso travesso, antes de sair novamente, fazendo-nos rir juntas.
Aquele momento de leveza foi quebrado pelo olhar de Lily, que agora estava cheio de emoção. — Vou sentir sua falta.
Senti um aperto no peito ao ouvir aquelas palavras. Era difícil dizer adeus, mesmo que La Push fosse logo ali.
— Eu também vou sentir sua falta, mas La Push é logo ali — respondi, tentando manter o tom leve. Ela assentiu, e então nos abraçamos com força, como se isso pudesse prolongar o momento e amenizar a dor da despedida.
De mãos dadas, saímos do quarto e descemos as escadas até a sala, onde Seth já nos esperava. Ele sorriu ao me ver.
— Precisamos ir, ou vamos nos atrasar — disse ele, com a calma habitual, mas eu percebi a urgência em seus olhos.
Despedir-me dos meus tios foi um dos momentos mais difíceis, especialmente quando Matt beijou minha testa e disse que estava orgulhoso de mim. Aquilo me tocou profundamente, como se suas palavras fossem o empurrão final de que eu precisava para enfrentar o que viria a seguir.
Caminhei até o carro, tentando absorver cada detalhe, cada sentimento, sabendo que essa partida marcava um novo capítulo na minha vida. Seth abriu a porta para mim, e eu agradeci antes de entrar no carro.
Olhei pela janela, acenando para meus tios, e então virei-me para Seth, que me observava com um sorriso.
— Está pronta para sua nova aventura na terra dos lobos? — Perguntou ele, com um brilho divertido nos olhos.
— Espero não ser devorada — respondi, tentando fazer piada, mas sentindo a seriedade da situação.
Seth riu e ligou o carro, o motor ronronando suavemente antes de começarmos a nos mover. Enquanto nos afastávamos, observei as ruas familiares, as memórias de tudo o que vivi ali ficando para trás. Sabia que minha vida estava prestes a mudar drasticamente. O que exatamente o futuro reservava, eu não sabia. Mas, pela primeira vez em muito tempo, senti que estava no controle do meu próprio destino.
E isso era assustador e empolgante ao mesmo tempo.
Quando saímos de Seattle, me dei conta de que, apesar de La Push ser tão perto, eu nunca havia realmente me aventurado até lá. Sempre ouvi falar do lugar, mas nunca pensei em visitá-lo. As ruas familiares da cidade rapidamente se transformaram em estradas ladeadas por árvores que se estendiam até onde meus olhos podiam ver. A densidade da vegetação aumentava à medida que nos afastávamos da cidade, e eu não pude deixar de me sentir encantada pelo cenário. As árvores, tão altas e robustas, pareciam sussurrar segredos antigos enquanto o vento soprava através de seus galhos.
Passamos por pequenas cidades, cada uma com seu próprio charme peculiar. As casas eram aconchegantes, muitas com jardins floridos na frente e cercas baixas que pareciam convidar os visitantes a entrar. As ruas eram calmas, quase desertas, como se o tempo passasse mais devagar ali. Havia algo de tranquilizador em ver essas pequenas comunidades, onde a vida parecia mais simples e o ritmo mais suave.
Quando finalmente chegamos a Forks, Seth fez uma pausa na casa de um homem chamado Charlie Swan, que ele me explicou ser o marido de sua mãe. Fiquei esperando no carro enquanto Seth entrava, observando a casa modesta, mas acolhedora, com sua varanda coberta e uma caminhonete velha estacionada na entrada. Tudo parecia tão tranquilo, tão diferente do ritmo acelerado de Seattle.
Alguns minutos depois, Seth voltou ao carro, agora vestindo uma fantasia elaborada. Eu ri ao vê-lo.
— Você é um príncipe? — Perguntei, ainda rindo.
— Sim! — Ele respondeu, empolgado. — E a Ayla é a princesa.
A ideia de Seth em um traje de príncipe me divertiu, mas também me fez perceber o quão sério ele estava levando a festa de Ayla. Retomamos a estrada, e a vegetação ao redor parecia ficar ainda mais densa, as árvores mais próximas umas das outras, criando um túnel verde que me deixava maravilhada.
No meio do caminho, o celular de Seth tocou, e ele rapidamente atendeu. Pela forma como sua expressão mudou, sabia que era algo importante.
— Jake? — Ele disse. — Estamos chegando em cinco minutos.
Após desligar, ele olhou para mim com um sorriso.
— Ayla está ansiosa, e nem imagina qual é a surpresa. — Ele parecia mal conseguir conter sua empolgação.
Eu sorri, imaginando a reação de Ayla quando visse o que ele havia preparado. — Ela vai ficar muito feliz.
Poucos minutos depois, o carro começou a desacelerar ao entrarmos em La Push. As casas ali eram simples, mas cheias de personalidade, com varandas espaçosas e muitas com decorações que revelavam o caráter dos moradores. Eram casas de madeira, muitas pintadas em tons neutros, rodeadas por árvores que pareciam parte do próprio quintal. Algumas crianças brincavam na rua, enquanto adultos conversavam animadamente nas varandas.
Mas foi uma casa maior, mais afastada, que chamou minha atenção. Quando estacionamos, notei que o jardim da casa estava cheio de convidados. O tema "conto de fadas" estava por toda parte, desde as luzes cintilantes penduradas nas árvores até as mesas cobertas com toalhas brancas e detalhes em dourado. Havia castiçais altos, flores em tons de rosa e branco, e até uma carruagem de papelão decorativa que parecia saída de um livro de histórias. Era como se eu tivesse entrado em um mundo mágico.
Segurei meu vestido enquanto saía do carro, tentando não tropeçar, e Seth se virou para mim.
— Bem-vinda a La Push — disse ele, com um sorriso acolhedor.
Olhei ao redor, encantada. — É lindo... e mágico.
Caminhamos lentamente até a porta da casa, onde encontramos uma mulher que sorriu ao ver Seth.
— Meu irmão pediu que eu não deixasse ninguém sair ou entrar — disse ela, ainda sorrindo.
Seth fez as apresentações. — Nessie, essa é Rachel Lahote.
Cumprimentei Rachel, que parecia calorosa e amigável. — Prazer em conhecê-la.
Seth pediu que eu esperasse enquanto ele entrava primeiro. Segundos depois, a porta se abriu novamente, e ele me fez sinal para entrar.
Ao cruzar a entrada, meus olhos encontraram Ayla, que sorriu largamente ao me ver. Ela correu até mim e me abraçou com tanta força que quase me desequilibrei.
— Você está linda, Ayla — disse eu, retribuindo o abraço com carinho.
Quando nos separamos, meus olhos foram atraídos para o homem parado próximo à sala. Seus olhos encontraram os meus, e por um momento, o mundo ao redor pareceu parar. Havia algo nele, uma presença que me fez sentir algo profundo e inexplicável.
Fale com o autor