Nevoeiro

42 Renesmee - Jacob Black


Ayla me puxou pela mão com aquele entusiasmo característico dela, e eu me vi sendo levada em direção ao homem que até então só existia nas histórias que ela contava. Quando ela o chamou de pai e me apresentou a ele, senti um nervosismo inesperado. Tentei disfarçar, mas meu rosto deve ter traído a surpresa que sentia ao estar frente a frente com Jacob Black.

— É um prazer finalmente conhecer o famoso Jacob Black — consegui dizer, tentando manter a voz firme.

Ele sorriu, um sorriso que exalava força e calor ao mesmo tempo. — O prazer é todo meu em finalmente conhecer a famosa amiga da minha filha.

Senti meu rosto queimar de leve, e soltei uma risada nervosa enquanto olhava para Ayla. Ela, no entanto, estava radiante, sem a menor intenção de aliviar meu constrangimento.

— Agora que meu Rei e minha sereia Ariel estão presentes, a festa está completa! — Ayla disse, piscando para mim antes de se afastar e nos deixar sozinhos.

Tentei pedir silenciosamente para Ayla não fazer isso, mas ela já estava longe, ignorando completamente meu apelo mudo. Fiquei parada, um pouco desconcertada, tentando descobrir o que dizer, até que Jacob quebrou o silêncio.

— Pensei que sua fantasia fosse de soldado — ele comentou, um sorriso brincando em seus lábios.

Soltei uma risada genuína dessa vez, aliviada por ele ter mencionado algo leve. — Você não é o único. Também achei que fosse a Rapunzel.

A descontração do momento ajudou a aliviar a tensão. Decidi aproveitar a oportunidade para falar algo que estava em minha mente desde que ouvi sobre ele.

— Então, finalmente estou conhecendo o homem que salvou minha vida — disse, observando sua reação.

Jacob pareceu surpreso e, por um momento, fiquei preocupada se tinha dito algo errado. Mas então, ele sorriu, um sorriso mais suave, quase introspectivo.

— Se há uma heroína aqui, é você. Obrigado por ter protegido minha filha.

Fiquei sem palavras por um segundo, mas logo recuperei a compostura. — Ayla é minha melhor amiga. Eu faria qualquer coisa por ela.

Ele assentiu, como se compreendesse perfeitamente o que eu sentia. — E ela também é a melhor amiga dela, disso não tenho dúvidas.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável, mas sim cheio de uma compreensão mútua. Fiquei pensando em puxar outro assunto, mas antes que pudesse decidir, Ayla reapareceu, me puxando novamente pelo braço e me levando para conhecer mais pessoas.

Olhei para trás, um pouco relutante em me afastar, e vi Jacob de costas, acompanhado de Seth e outro homem que eu não reconheci. Eles se afastavam da sala, e por um momento, senti uma pontada de curiosidade. Mas logo Ayla me chamou novamente, e me concentrei na apresentação.

— Nessie, esse é o vovô Billy! — Disse Ayla, com a voz animada, me apresentando a um senhor em uma cadeira de rodas.

Billy sorriu para mim, um sorriso caloroso que mostrava toda a sabedoria de seus anos. — Prazer em conhecê-la, Nessie. Eu sou Billy Black.

— O prazer é meu, senhor Billy — respondi, apertando a mão dele. Seu aperto era firme, mas gentil, e senti uma onda de respeito por ele.

Ayla continuou me apresentando aos outros convidados, e todos foram extremamente receptivos. Mas, enquanto eu sorria e apertava mãos, meus pensamentos frequentemente retornavam ao homem que finalmente conheci depois de ouvir tanto sobre ele. Jacob Black. O nome agora tinha um rosto, uma presença. E, por algum motivo, isso me deixou mais intrigada do que eu esperava.

Ayla chamou todos para a frente do bolo, anunciando que era hora de cantar o "parabéns." Jacob Black se posicionou ao lado de Ayla, e eu percebi que ele estava olhando para mim. Eu sorri para ele, tentando esconder o nervosismo que sua presença me causava. A canção foi entoada com entusiasmo, e logo depois, Ayla fez um lindo discurso que me deixou com os olhos marejados. Para minha surpresa, ela me deu o primeiro pedaço de bolo, um gesto que me emocionou profundamente.

A festa continuou com novas apresentações. Nessas alturas, Ayla já tinha me apresentado a várias pessoas: Sam Uley e sua esposa Emily, Quil e Claire Ateara, Embry Call e sua namorada, e Paul Lahote, o marido de Rachel. Todos me receberam com sorrisos calorosos, e eu fiz o meu melhor para ser simpática, apesar do cansaço que começava a se instalar.

Sentei-me por alguns minutos em uma cadeira próxima à mesa de doces, sentindo uma leve dor no abdome que me lembrou dos conselhos médicos. Peguei um doce e comi, tentando disfarçar a dor com um sorriso. Foi nesse momento que Ayla se aproximou, com aquela preocupação nos olhos que só as amigas mais próximas têm.

— Está tudo bem? — Ela perguntou, sua voz cheia de cuidado.

— Estou bem — respondi, tentando parecer convincente. — Só preciso tomar um pouco de ar.

Ayla me olhou por um momento, avaliando, mas acabou assentindo. — Certo, mas se precisar de algo, me avise, ok? É o meu aniversário, mas não quero que você se sinta mal.

— Não se preocupe, Ayla. Aproveite sua festa — eu disse, forçando um sorriso.

Deixei Ayla e caminhei até a varanda da casa. O ar fresco me envolveu, e eu respirei fundo, sentindo-me um pouco mais leve. Olhei para o céu de La Push e fiquei maravilhada com a quantidade de estrelas visíveis. Era diferente de Seattle, onde as luzes dos prédios ofuscavam as estrelas. Aqui, em La Push, o céu parecia mais vasto, mais próximo e cheio de promessas.

Encostei-me no cercado da varanda, perdida em meus pensamentos, quando meus olhos se fixaram em Jacob Black. Ele estava conversando com uma mulher grávida, e deduzi que ela era Olivia, sua namorada, ou talvez ex-namorada. Era estranho saber tanto sobre a vida de um homem que eu mal acabara de conhecer. A conversa entre eles parecia calorosa, mas eu não conseguia ouvir o que diziam.

De repente, uma lembrança de Aaron me veio à mente. Aaron sempre brincava que Jacob Black era bonito, lindo, como um deus grego. Observando Jacob agora, não pude deixar de concordar com ele. Jacob era grande, com músculos bem definidos e uma presença que era impossível ignorar. Seus traços fortes e olhos profundos exalavam uma confiança natural que, ao mesmo tempo, intrigava e intimidava.

Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto enquanto pensava em Aaron. Eu estava tão perdida em meus pensamentos que não percebi quando o olhar de Jacob se encontrou com o meu. Senti meu rosto esquentar de vergonha ao perceber que ele havia me flagrado observando-o. Desviei o olhar rapidamente e me afastei, indo para o outro lado da varanda.

Segundos depois, ouvi passos se aproximando. Meu coração acelerou, e, antes que pudesse me preparar, Jacob estava ao meu lado. O calor em meu rosto aumentou.

— A conversa foi difícil? — Perguntei, tentando disfarçar o nervosismo.

Jacob me olhou por um momento antes de responder. — Um pouco, sim.

Envergonhada por ter escutado a conversa dele, tentei me justificar. — Eu... não queria ouvir... sinto muito.

Ele pareceu não se importar e me observou com atenção. — Você está bem?

Eu respirei fundo antes de responder, ainda sentindo as lágrimas ameaçando voltar. — Estava pensando em Aaron... e como ele sempre dizia que você era... lindo, bonito, um deus grego.

Jacob me olhou nos olhos, e, para minha surpresa, ele levantou a mão e tocou minha bochecha, enxugando as lágrimas que insistiam em cair.

— E agora que me conheceu, está decepcionada? — Ele perguntou, sua voz baixa e gentil.

Senti meu rosto queimar com aquele contato repentino, mas balancei a cabeça, negando. — Não, pelo contrário... Aaron sempre esteve certo.

Jacob sorriu, e foi nesse momento que percebi que talvez tivesse falado demais. Um pânico súbito me invadiu, acompanhado por uma sensação de enjoo que subiu rapidamente do meu estômago para a garganta. Sem pensar, virei-me e corri para dentro da casa, mal conseguindo murmurar uma desculpa.

Atravessando o corredor, consegui chegar ao banheiro a tempo. Mal fechei a porta antes de me inclinar sobre a pia, vomitando tudo o que havia comido durante a festa. Minhas mãos tremiam enquanto eu me apoiava no mármore frio, tentando acalmar a náusea que parecia não ter fim.

Quando o pior passou, olhei para o espelho, vendo meu reflexo pálido e suado. Respirei fundo, tentando recuperar o controle, mas então tudo ao meu redor começou a girar. O chão parecia se inclinar sob meus pés, e a última coisa que senti antes de tudo escurecer foi a sensação de meu corpo caindo no vazio.