Nevoeiro
64 Renesmee- Black's Motors
Jacob e eu chegamos à sede da Black Motors em Seattle, e Angela nos recebeu com um sorriso acolhedor.
— Bom dia, senhor Black — disse ela, antes de se virar para mim com o mesmo sorriso caloroso. — Bom dia, Renesmee.
Enquanto caminhávamos pelo prédio, Jacob não perdeu tempo em perguntar:
— Quais são os compromissos do dia, Angela?
— Além da reunião com o financeiro, o senhor precisa confirmar a viagem para Paris para a conferência empresarial — respondeu ela.
Jacob lançou um olhar para mim e perguntou:
— Pode cuidar disso para mim?
— Claro — assenti, percebendo o quanto ele confiava em mim para essas coisas.
— Angela, ajude-a com os detalhes enquanto eu converso com o financeiro — ele disse, antes de se despedir de mim no elevador com um beijo que fez minhas bochechas corarem, especialmente porque foi na frente de todos.
Mesmo envergonhada, sorri e entrei no elevador com Angela. Assim que as portas se fecharam, ela sorriu de forma conspiratória.
— Então, Renesmee, quando será o casamento?
Virei-me para ela, surpresa.
— Que casamento?
— O seu com o senhor Black. Ele já disse a todos na empresa que você é sua noiva.
Fiquei sem reação, tentando processar a informação. Disfarcei o melhor que pude e gaguejei uma resposta:
— Ah...é que... que, bom, ainda não marcamos nada.
Saímos do elevador e seguimos para a sala da presidência. Angela e eu nos sentamos em uma mesa, e ela começou a explicar o itinerário da viagem a Paris.
— Teremos conferências na Torre Eiffel e no Museu do Louvre. E ficaremos hospedados no Hôtel Plaza Athénée — disse ela.
Anotei tudo no meu tablet, tentando me concentrar, apesar da minha mente ainda estar cheia de perguntas sobre o "noivado". Angela então perguntou:
— Posso fazer a reserva do hotel?
— Sim, por favor — respondi.
Enquanto acertávamos os últimos detalhes, a porta da sala se abriu de repente. Alex entrou, interrompendo nossa conversa.
— Renesmee — cumprimentou ele, com uma expressão tensa. — Onde está Jacob?
— Está no financeiro — respondi, notando o ar preocupado dele.
Sem dizer mais nada, Alex saiu apressado, deixando Angela e eu trocando olhares curiosos.
— Não gosto do Alexander — disse Angela, quebrando o silêncio.
— Por quê? — Perguntei, intrigada.
— Ele tem umas atitudes suspeitas. Há um mês, recebeu um médico aqui. Ouvi algo sobre DNA.
Fiquei pensativa, ponderando sobre o que aquilo poderia significar.
— Ele conversou com o médico na sala dele? — Perguntei.
— Sim — Angela confirmou.
Mordi o lábio, tentando decidir o que fazer. Olhei para Angela, decidida.
— Você estaria disposta a me ajudar a descobrir quem é esse médico?
Ela me olhou desconfiada, medindo as consequências.
— Isso será arriscado?
— Sim — admiti, sabendo que estávamos entrando em um terreno perigoso.
Angela respirou fundo, mas seus olhos mostraram determinação.
— Com certeza, eu ajudo.
Eu respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado antes de entrar na sala de Alex. A sala estava silenciosa, vazia, e isso me deu uma sensação estranha de estar invadindo um território perigoso. Mas eu sabia que precisava descobrir o que estava acontecendo, especialmente depois de todas as suspeitas que vinham se acumulando em minha mente.
Caminhei até a mesa de Alex, liguei o notebook e esperei impacientemente que ele inicializasse. Quando a tela de login apareceu, meu coração bateu mais rápido. Lembrei-me da senha que Jacob havia me dado para acessar os computadores da empresa e a digitei, rezando para que funcionasse. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios quando o sistema aceitou a senha e o desktop foi carregado.
Vasculhei rapidamente os arquivos e e-mails de Alex, procurando por qualquer coisa que pudesse esclarecer o que estava acontecendo. Quando encontrei um e-mail do laboratório, meus olhos se arregalaram. O assunto era claro: “Resultado de DNA”. Abri o e-mail e, ao ler a mensagem, senti o chão desmoronar sob meus pés.
"O teste de DNA confirma que Jacob Black é o pai do bebê."
Minha mente começou a girar. Isso não fazia sentido. Jacob nunca mentiria para mim sobre algo assim. Sussurrei para mim mesma, ainda em choque:
— Isso não faz sentido...
Sem perder tempo, imprimi o e-mail e guardei a cópia em minha bolsa. Eu precisava de mais informações, mais evidências. Voltei ao computador e comecei a copiar alguns arquivos suspeitos para o meu pendrive. Enquanto fazia isso, uma sensação de urgência tomou conta de mim. Eu sabia que estava correndo contra o tempo.
De repente, a porta se abriu e Angela entrou apressada.
— Renesmee, eles estão voltando! — Ela sussurrou, a urgência em sua voz refletindo a situação.
Olhei para a tela, o pendrive ainda estava copiando os arquivos, faltavam apenas alguns segundos. Olhei para Angela, que me apressava com os olhos.
— Falta pouco, só mais alguns segundos — murmurei, tentando manter a calma enquanto o progresso da cópia se completava.
Assim que o download terminou, puxei o pendrive e fechei rapidamente o notebook. Sem tempo para desligá-lo, saímos da sala às pressas.
Enquanto saíamos, ouvimos o som do elevador se abrindo no corredor. Alex e Jacob saíram juntos, conversando casualmente, sem notar o nervosismo em nosso rosto. Eu mantive meu rosto neutro, tentando não mostrar o quão perto havíamos chegado de ser pegas.
— Tudo bem por aqui? — Jacob perguntou com um sorriso.
— Sim, tudo tranquilo — respondi, forçando um sorriso de volta. — Estava ajudando Angela com algumas coisas.
Ele assentiu, satisfeito, e seguiu com Alex. Eu e Angela trocamos um olhar de alívio, mas o peso da descoberta ainda estava sobre meus ombros. Eu sabia que precisava descobrir a verdade por trás desse e-mail e, mais importante, precisava entender se Jacob sabia ou não disso.
Jacob retornou alguns minutos depois, com uma expressão de irritação evidente em seu rosto. Eu o observei enquanto ele se aproximava, notando o maxilar tenso e os olhos fixos em algo distante.
— Está tudo bem? — Perguntei, tentando esconder a preocupação em minha voz.
— Sim, está — ele respondeu, embora o tom sugerisse o contrário. — Mas às vezes, Alex consegue me irritar de um jeito... — Ele balançou a cabeça, tentando afastar a frustração. — Como foi o trabalho com Angela? — Ele mudou de assunto, tentando parecer despreocupado.
— Ela é ótima — respondi, sorrindo para Angela que estava ao nosso lado.
— Renesmee é uma ótima assistente — Angela acrescentou com um sorriso cúmplice.
— Tenho certeza disso — Jacob disse, olhando para mim com um brilho de orgulho nos olhos.
Nos despedimos de Angela, e Jacob segurou minha mão enquanto começávamos a caminhar pelo prédio. O calor da sua palma contra a minha me dava uma sensação de segurança, mas ao mesmo tempo, meu estômago se revirava com as descobertas recentes.
— Todos estão olhando — sussurrei, sentindo os olhares curiosos dos funcionários enquanto passávamos.
— Isso te incomoda? — Jacob perguntou, lançando-me um olhar de canto, com um meio sorriso.
Balancei a cabeça, negando, mas sem dizer nada. Ele apertou minha mão com mais força e continuamos andando saindo do prédio e nos dirigindo ao carro.
— Precisamos retornar a La Push — Jacob disse, um tom de desculpa em sua voz. — E sinto muito, mas vamos ter que cancelar o almoço.
— Tudo bem — respondi rapidamente, tentando não deixar transparecer a decepção. — Aconteceu alguma coisa?
— Precisamos nos reunir com os Cullen — ele explicou, o que me fez suspirar de leve.
— Quando isso vai terminar? — Perguntei, sentindo um cansaço que ia além do físico. Havia tantas coisas acontecendo, tantas preocupações e segredos.
Entramos no carro, e enquanto eu colocava o cinto de segurança, percebi que Jacob me observava atentamente. Quando terminei, ele não desviou o olhar, e a intensidade em seus olhos me deixou nervosa.
— Então, o que você descobriu no computador do meu meio-irmão? — Ele perguntou de repente, sua voz era calma, mas havia uma expectativa perigosa em suas palavras.
Fiquei completamente surpresa, meu coração disparou e meu estômago deu um nó.
— Do que você está falando? — Tentei disfarçar, mas a surpresa estava clara na minha voz.
Jacob segurou meu queixo gentilmente, virando meu rosto para que eu o olhasse diretamente. Ele então mostrou o celular, revelando que ele estava ciente de tudo o que eu havia feito usando a senha de acesso que ele me dera.
— Eu sei de tudo que você faz com minha senha, Nessie — ele disse com um sorriso que era ao mesmo tempo divertido e provocador.
Antes que eu pudesse responder, ele selou seus lábios nos meus, um gesto que misturava amor e uma suave provocação.
— Então, minha pequena hacker — ele murmurou contra meus lábios, ainda com aquele sorriso enigmático. — Vai me contar o que encontrou ou não?
Eu o encarei, meu coração ainda batendo forte, tentando decidir o que exatamente deveria dizer. A linha entre confiança e segredo era cada vez mais tênue, e eu sabia que estava prestes a cruzá-la de alguma forma.
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