Nevoeiro
65 Jacob- Juntos
— Me beija.
O olhar dela era suplicante, embora não fosse necessário ela me pedir por aquilo. Eu desejava aquilo. Aproximei nossos lábios e a beijei demonstrando tudo que eu sentia, enquanto nossas bocas se encaixavam eu a peguei no colo e me levantei sentando na cama.
Nossos lábios se afastaram e eu a olhei nos olhos, um novo beijo foi iniciado cheio de intensidade e desejo mas quando senti suas pequenas mãos abrindo os botões da minha camisa eu a parei.
Ela é tudo para mim, e, por mais que o desejo de tê-la por completo me consuma, sei que preciso ser paciente. Quando finalmente nos separamos, ainda a mantendo em meus braços, acaricio seu rosto com cuidado.
— Desculpa. Ela pareceu decepcionada.
— Não é nada disso Nessie... — começo, minha voz baixa, mas carregada de emoção. — Eu te desejo, sim, mas não agora é desse jeito.
Ela me olha com aqueles olhos profundos, e eu acariciei seus cabelos cheios de compreensão e carinho.
— Você precisa de um banho e lavar esses olhos lindos, e depois vamos comer alguma coisa e conversar.
Ela assente, com um pequeno sorriso, e nos acomodamos na cama. Passo um braço ao redor dela, puxando-a para perto enquanto comemos o lanche que preparei. Fico ali, sentindo o calor dela contra mim, e por um momento, todos os problemas parecem distantes.
Mas sei que eles ainda estão lá, à espreita, esperando o momento certo para voltar à tona. E quando esse momento chegar, estarei pronto para enfrentá-los ao lado da mulher que amo.
Quando saí do quarto, eu ainda estava imerso nos pensamentos sobre tudo o que havia acontecido naquele dia. Minhas emoções estavam à flor da pele, mas o sorriso de Nessie ao me ver na cozinha trouxe um pouco de paz ao meu coração. Eu sabia que precisava lidar com as coisas com calma, principalmente agora, com tantas revelações e desafios pela frente.
Preparo um lanche simples e subo as escadas, sentindo o peso do dia nas minhas costas. Quando entro no quarto, Nessie já está esperando, envolta em uma aura de serenidade que me faz sorrir.
— Bem melhor assim — comento, colocando a bandeja sobre a cama.
Antes que eu possa fazer qualquer outra coisa, ela se joga nos meus braços, seus lábios encontrando os meus com uma urgência que me surpreende. Eu a beijo de volta, profundo e apaixonado, permitindo-me sentir tudo o que venho reprimindo há tanto tempo.
—Lanche e conversa.
As palavras saíram dos meus lábios em um sussurro, mas o peso do carinho que eu sentia por ela estava presente em cada sílaba. Eu a puxei gentilmente pela mão até a cama, onde nos sentamos de frente um para o outro, com a bandeja entre nós. O silêncio se estendeu enquanto comíamos, mas eu sabia que logo teria que quebrá-lo. O sanduíche estava bom, simples, mas não conseguia tirar da cabeça o que aconteceu na casa dos Cullen.
— O que aconteceu hoje na casa dos Cullen? — Perguntei, tentando manter a voz firme, mas sentindo a tensão se espalhar pelo meu corpo.
Ela me olhou enquanto mastigava, claramente buscando as palavras certas. Depois de engolir, ela respondeu, direta:
— Eliot.
Suspirei, sentindo a irritação crescer dentro de mim. Ele de novo. Mantive a calma, mas a tensão em minha mandíbula denunciava meu desconforto.
— O que o projeto de sanguessuga fez dessa vez? — Perguntei, tentando esconder o desdém na minha voz.
Ela hesitou por um momento, como se estivesse organizando os pensamentos, e eu esperei pacientemente, mas cada segundo parecia uma eternidade.
— Ele... se aproximou de mim apenas para se vingar do Riley — admitiu, sua voz tingida de dor.
Eu não queria pressioná-la, mas não podia simplesmente deixar isso passar. Segurei seu queixo, forçando-a a olhar diretamente para mim.
— Você ama o Eliot? — A pergunta saiu com uma intensidade que eu mesmo não esperava, mas eu precisava saber. Precisava ouvir da boca dela.
Ela me encarou, e eu vi o conflito em seus olhos, mas também percebi quando a decisão foi tomada.
— Não, eu não amo mais o Eliot — respondeu, com uma certeza que me surpreendeu.
Observei-a por um momento, tentando decifrar as emoções que ela escondia tão bem. Mas eu não queria duvidar dela. Eu precisava acreditar, e, ao ver a convicção em seus olhos, senti uma onda de alívio.
— Tem certeza? — Sussurrei, minha voz mais suave agora, quase temendo a resposta.
— Tenho — disse ela, com mais firmeza. — Tudo o que eu sentia por ele... acabou. Não há mais nada.
Soltei um suspiro que nem percebi estar segurando. Puxei-a para mais perto, sentindo o corpo dela relaxar contra o meu, como se finalmente estivéssemos onde deveríamos estar.
— Eu estou aqui, Ness. Sempre estarei. — Beijei o topo de sua cabeça, tentando passar para ela toda a segurança e proteção que eu queria oferecer.
Fechamos o assunto ali, e terminamos o lanche em um silêncio confortável. Deitei-me na cama, puxando-a para se aconchegar em meu peito. A sensação de tê-la ali, comigo, era o que eu precisava para me acalmar, para me lembrar de que, apesar de tudo, havia algo de bom em nossas vidas.
Enquanto acariciava seus cabelos, senti que ela estava prestes a adormecer, mas então, ouvi sua voz suave:
— Promete uma coisa? — Pergunteie e a vi, erguendo a cabeça para me olhar.
— O quê? Nessie perguntou enquanto nossos olhares se encontravam.
— Que você nunca mais vai chorar por causa do Eliot ou do seu irmão.
Ela sorriu levemente, mas eu sabia que o pedido dela carregava muito mais do que parecia. Eu queria ser o único a cuidar dela, a garantir que ela nunca mais sofresse. Ergui a cabeça e olhei profundamente nos olhos dela.
— Eu prometo — disse, mas hesitou por um segundo antes de continuar. — Mas com uma condição.
— Que condição?
— Que você me diga o que sente por mim.
— Você acha que preciso dizer? Não está óbvio?
Ela balançou a cabeça, sorrindo.
— Preciso ouvir, Jake.
Suspirei, sabendo que não havia mais volta. Sentei-me na cama, puxando-a para que sentasse ao meu lado, nossos olhares se encontrando mais uma vez.
— Nessie, eu sei que a diferença de idade entre nós é grande, mas isso não muda o que sinto. — Fiz uma pausa, tentando encontrar as palavras certas. — Eu te amo. Você é a minha vida, a minha felicidade, o meu...
Antes que eu pudesse terminar, ela me surpreendeu ao inclinar-se para frente e me beijar, derrubando-me na cama com a força do impulso. Não hesitei nem por um segundo. Reencontrei seus lábios com a mesma intensidade, deixando que todo o meu desejo, o meu amor, fluísse naquele beijo. Minhas mãos encontraram as dela, puxando-a ainda mais para perto, e senti, naquele momento, que não precisava de mais nada.
Acordei cedo, sentindo o peso confortável de Nessie adormecida em meu peito. O quarto estava mergulhado na penumbra, o sol ainda tímido, lutando para atravessar as cortinas. Ela estava tranquila, o rosto relaxado, a respiração suave. Fiquei ali por alguns minutos, apenas a observando, deixando que a paz daquele momento se gravasse na minha mente.
Com cuidado, deslizai para fora da cama, deitando-a gentilmente entre os travesseiros. Puxei o cobertor para cobri-la, certificando-me de que estivesse confortável. Ela se mexeu levemente, mas não acordou, e eu saí do quarto em silêncio, sem querer perturbar o sono dela.
Ao abrir a porta, fui surpreendido por Rebecca, que estava parada no corredor, o rosto tingido de constrangimento.
— Desculpa — ela murmurou, desviando os olhos.
— Você não deveria estar dormindo? — Perguntei, tentando manter a voz suave.
— Eu precisava ir à cozinha beber água — respondeu, ainda evitando me encarar. — Como está a Nessie?
— Está melhor — disse simplesmente, mantendo a voz baixa para não acordar Nessie.
Um silêncio estranho se instalou entre nós, e Rebecca parecia desconfortável. Finalmente, ela balançou a cabeça e disse:
— Melhor eu voltar a dormir. Ainda está cedo.
— Sim, vai descansar — concordei, observando-a caminhar de volta ao quarto. Esperei até ouvir a porta dela se fechar antes de soltar um suspiro pesado.
Saí da casa e deixei o ar frio da manhã me envolver, clareando meus pensamentos. Caminhei pela trilha até a floresta, e assim que me senti seguro, deixei o lobo emergir. A transformação foi instantânea, liberando a energia acumulada em cada célula do meu corpo.
O lobo correu pela floresta com força e velocidade, as patas pesadas batendo no chão, impulsionando-me para frente. O mundo ao meu redor virou um borrão de verde e marrom, as árvores passando por mim em alta velocidade. O vento cortava meu pelo, trazendo o cheiro de terra e folhas molhadas, intensificando cada um dos meus sentidos.
Enquanto corria, deixei meus pensamentos se dissiparem, focando apenas na sensação de liberdade. O sol começava a surgir no horizonte, tingindo o céu de tons suaves de laranja e rosa. Eu sabia que estava me aproximando do meu destino antes mesmo de avistar a casa dos Cullen entre as árvores.
Quando finalmente parei, Edward e Bella estavam me esperando, já sabendo o que eu pretendia. Edward me encarou com uma expressão séria, e ouvi sua voz em minha mente.
— Eu te entendo, Jacob, mas esse não é o momento para uma guerra entre nós.
Minha raiva ainda fervia, mas eu precisava manter o controle. “Onde está o covarde do seu filho? Diga a ele para aparecer,” projetei meus pensamentos na direção de Edward.
Bella deu um passo à frente, a determinação clara em seu rosto.
— Você não vai encostar em Eliot — ela disse, sua voz firme, embora eu pudesse perceber o leve tremor de preocupação.
Antes que eu pudesse responder, uma voz familiar e arrogante ecoou atrás deles.
— Saiam da frente e deixem o lobo chegar até mim. Estou pronto para ele.
Um sorriso feroz surgiu em meus lábios ao ver Eliot Cullen se aproximando. Mas antes que eu pudesse agir, senti que algo estava acontecendo. Eliot havia invadido minha mente, buscando algo que eu não estava disposto a esconder.
Ele viu os momentos que tive com Nessie, cada toque, cada beijo, cada suspiro que compartilhamos na noite anterior. A expressão dele mudou instantaneamente, a arrogância dando lugar a uma frustração palpável. Vi em seu rosto a mistura de dor e raiva, e soube que, para ele, aquilo doía mais do que qualquer golpe que eu pudesse dar.
Eu sorri, satisfeito ao perceber que minhas ações com Nessie haviam ferido Eliot de uma maneira que ele nunca esperaria. Sua frustração era visível, e por hora, isso era o suficiente para mim.
O lobo em mim queria mais, queria derrubá-lo ali e agora, mas o homem sabia que essa pequena vitória já era o bastante. Recuei, minha expressão carregada de um misto de satisfação e controle.
“Por hoje, Eliot,” pensei, “você vive mais um dia.”
Sem mais uma palavra, virei-me e comecei a me afastar da casa dos Cullen, sabendo que a batalha estava longe de acabar. Mas ao menos por agora, eu havia ganhado mais do que suficiente para manter Eliot no seu devido lugar.
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