Nevoeiro

85 Renesmee- Acidente


Seis meses haviam se passado desde o nascimento de William, ou melhor, do pequeno Will, como todos em La Push o chamavam. Ele era, sem dúvida, o bebê mais fofo que já vi. Sua pele clara e bochechas rosadas eram irresistíveis, e seus cabelos castanhos tinham a mesma textura macia que os meus. Mas o olhar, os olhos profundos e expressivos, eram de Jacob. Ayla costumava dizer, com um sorriso largo, que Will era uma mistura perfeita de nós dois.

Eu estava terminando de organizar a bolsa do Will, checando se não havia esquecido nada, enquanto conversava com Lily. Aproveitei que Jacob tinha uma reunião na sede da Black’s Motors em Seattle para visitar meus tios. Eu fazia questão de que Will crescesse com a presença daqueles que foram tão importantes na minha vida, pessoas que eu via como pais. Lily, balançando Will em seus braços, começou a me contar sobre a nova viagem que faria com Matt.

— Você não faz ideia, Ness — Lily disse, os olhos brilhando de empolgação. — A Holanda é um lugar mágico. Estive lendo sobre Amsterdã, com seus canais, pontes, e aqueles campos infinitos de tulipas. Já imagino as fotos incríveis que vou tirar. Você deveria ver, é simplesmente lindo. E as pequenas vilas com seus moinhos de vento? Parece até um conto de fadas.

Eu sorri, imaginando as paisagens que Lily descrevia. Enquanto ela falava, Will começou a fazer alguns sons, como se estivesse tentando participar da conversa. Ele balbuciava e agitava as mãozinhas, seu olhar fixo em Lily, como se ele estivesse entendendo cada palavra.

— Ah, Nessie, olha só como ele é fofo! — Lily riu, olhando para Will. — Você está tentando contar pra gente o que acha da Holanda, bebê? Talvez você seja nosso futuro guia turístico!

— Quem sabe, né? — respondi, rindo junto com ela. — Talvez ele já esteja planejando a primeira viagem internacional dele.

Will soltou um som adorável, algo entre um balbucio e uma risadinha, que nos fez rir ainda mais. Ele era um bebê que iluminava qualquer ambiente, sempre alegre e curioso.

Enquanto organizávamos tudo e conversávamos, o som da campainha nos interrompeu. Lily e eu trocamos um olhar curioso.

— Será que é o Jake? — perguntei, já me levantando para ir até a porta. — A reunião terminou mais cedo?

— Ou pode ser seu tio que esqueceu as chaves de novo — Lily respondeu com um sorriso travesso.

Ri da possibilidade enquanto caminhava até a porta. Estava prestes a abrir a boca para fazer alguma piada quando puxei a porta. Mas assim que a abri, todo o humor do momento desapareceu. Meus olhos se arregalaram e meu corpo estremeceu ao ver quem estava parado na minha frente.

Alex.

Por um segundo, eu congelei. Meu instinto imediato foi tentar fechar a porta, mas ele foi mais rápido. Com uma força que me pegou desprevenida, ele empurrou a porta, impedindo que eu a fechasse.

— Olá cunhada, que saudade de você — ele disse, a voz baixa e ameaçadora, os olhos fixos nos meus mostrando a arma que tinha em sua cintura.

O pânico tomou conta de mim. Eu precisava pensar rápido, mas meu corpo parecia paralisado pelo medo. Não podia deixar que ele me levasse, não podia deixar que ele me separasse de Will e de Jacob. Precisava encontrar uma forma de ganhar tempo, de alertar Lily sem que Alex percebesse.

O coração batia descompassado, e tudo o que eu conseguia pensar era que precisava proteger meu filho a qualquer custo.

Alex me empurrou com uma força brutal, e senti meu corpo ser lançado na direção do sofá. O impacto foi tão repentino que quase perdi o fôlego. Antes que eu pudesse me recompor, ouvi o grito de Lily.

— Ai meu Deus, Nessie!

O grito dela ecoou pela sala, assustando o pequeno Will, que imediatamente começou a chorar, seus soluços cortando o ar como facas. Lutei contra a dor e o medo que tomavam conta de mim e me levantei, correndo para o lado de Lily. Peguei meu filho nos braços, tentando acalmá-lo, mas o pânico em meu peito tornava tudo mais difícil.

— O que você quer, Alex? — perguntei, minha voz trêmula, enquanto embalava Will.

— O que eu quero? — Ele riu, mas era um som frio e amargo. — Jacob tirou tudo de mim. Primeiro meu pai, depois a empresa, minha filha, Olivia… e agora até o dinheiro. Ele me deixou sem nada. E agora, Renesmee, eu vou tirar tudo dele também.

Ele deu um passo em minha direção, o olhar fixo em Will, o que fez meu coração gelar. O desespero cresceu dentro de mim, e, enquanto tentava acalmar meu bebê, senti o pânico me dominar.

— Por favor, Alex — implorei, tentando manter a voz firme. — Ele é só um bebê. Não machuque meu filho.

— Faça a criança parar de chorar — ele ordenou, a voz dura como pedra.

Tentei, mas Will estava aterrorizado, seus pequenos olhos cheios de lágrimas enquanto ele soluçava desesperadamente. Alex se aproximou ainda mais, e eu me encolhi, o medo tomando conta de mim.

— Por favor, Alex, não faça isso — implorei, segurando meu filho com mais força, tentando protegê-lo. — Ele é inocente. Só um bebê.

Alex olhou para Will com uma frieza que me apavorou.

— Entregue-o à sua tia — ele ordenou, a voz cortante.

Eu estava à beira das lágrimas, o terror me consumindo. Sabia que não podia arriscar a vida do meu filho, então, com o coração despedaçado, olhei para Lily e assenti. Com lágrimas escorrendo pelo rosto, entreguei Will para ela.

— Vai ficar tudo bem — menti, tentando acalmar tanto a mim quanto a Lily, que parecia prestes a desmoronar.

Lily me segurou pelo braço, a voz desesperada.

— Não, Nessie. Ele não vai levar você. Não pode deixar isso acontecer.

Eu sabia que não tinha escolha. Se não cooperasse, Alex poderia machucar Will. Então, para proteger meu filho, forcei um sorriso e abracei Lily, sussurrando em seu ouvido.

— Avise o Jake.

Lily ficou petrificada, mas sabia que era nossa única esperança. Eu me afastei dela, tentando manter a calma, e caminhei até a porta, onde Alex me esperava. Seu olhar era cheio de triunfo, e isso me fez tremer por dentro.

— Vamos — ele disse, segurando meu braço com firmeza e me arrastando para fora da casa.

Ele me empurrou para dentro do carro dele, o terror pulsando em cada fibra do meu ser. Ao entrar, ele ordenou com frieza.

— Dirija.

Com mãos trêmulas, liguei o carro e coloquei-o em movimento. Enquanto dirigia, uma parte de mim estava paralisada pelo medo, mas outra parte estava lutando, desesperadamente, para encontrar uma forma de escapar e proteger meu filho.

Dirigia em pânico pelas ruas de Seattle, minhas mãos suadas escorregando no volante. A voz de Alex ecoava como um pesadelo no carro, cada palavra que ele proferia aumentava ainda mais meu terror. Eu sabia que não podia deixá-lo perceber o quão apavorada eu estava, mas meu corpo tremia tanto que parecia impossível manter a calma.

— Para onde estamos indo? — perguntei, a voz saindo mais fraca do que eu esperava.

— Preciso te levar para alguém — respondeu Alex, o tom frio e ameaçador.

Minha mente corria com possibilidades terríveis. Tentei manter a voz firme, mas o pânico transpareceu nas palavras.

— Quem, Alex? Para quem você vai me levar?

Ele riu, uma risada insana que me fez gelar.

— Para a mulher.

O corpo todo se enrijeceu, e o pavor subiu pela minha garganta.

— Que mulher? — murmurei, temendo a resposta.

— A ruiva — ele respondeu, sua risada macabra ecoando pelo carro, um som que me fez tremer de medo.

— Katherine...

Sussurrei e o horror se apoderou de mim. Sem pensar, pisei no freio com força, o carro parou bruscamente, e Alex foi jogado para frente, batendo no painel com um baque surdo. O som de um disparo ecoou no ar, e de repente eu estava de volta ao dia do incidente na SU, as memórias invadindo minha mente como um pesadelo vívido. O som, o cheiro, o medo... tudo voltou com uma intensidade paralisante.

— Não! — gritei, o pânico dominando minha voz enquanto tentava sair do carro, a porta quase cedendo sob minha força.

Mas Alex me agarrou, seu rosto contorcido em raiva. Ele me empurrou de volta para o assento com brutalidade, me ofendendo com palavras que mal conseguia processar. Antes que eu pudesse reagir, senti o golpe em minha cabeça, me jogando contra o volante. A dor pulsava no meu crânio, e por um momento, o mundo ficou turvo.

— Dirija! — ele gritou, sua voz cortando através da dor, me trazendo de volta à realidade.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu sabia que não tinha escolha. Com as mãos tremendo, voltei a dirigir. Olhei para Alex, notando o sangue manchando sua camisa, pingando de uma ferida em seu abdômen. Ele estava ferido, gravemente.

— Você precisa de um médico — murmurei, minha voz falhando.

— Cale a boca e aumente a velocidade! — Ele gritou, sua respiração pesada enquanto encostava a cabeça no banco, o olhar vazio fixo no teto do carro.

Peguei a estrada para La Push, minha mente correndo em busca de uma saída. Se houvesse alguma chance de escapar, seria lá. Eu sabia que Jacob já estava atrás de nós, e a única esperança era que ele e a matilha nos encontrassem a tempo. Mas Alex começou a suspeitar, seus olhos se estreitando enquanto me encarava.

— O que você está fazendo? — perguntou, o tom carregado de desconfiança.

Antes que eu pudesse responder, algo colidiu com o carro, e o mundo virou de cabeça para baixo. O veículo começou a capotar, o som de metal retorcendo e vidro quebrando enchendo meus ouvidos. Fui jogada violentamente para todos os lados, cada golpe trazendo uma nova onda de dor e desespero. Minha única preocupação, no meio do caos, era sobreviver para poder ver meu filho novamente.

Tudo parou tão de repente quanto começou. O silêncio caiu sobre mim, interrompido apenas pelo som do meu próprio coração batendo descontrolado. Eu estava de cabeça para baixo, presa pelo cinto de segurança, a cabeça latejando de dor. Tentei me mexer, mas o mundo parecia girar ao meu redor, e tudo começou a escurecer enquanto a consciência me abandonava.

— Acorde...acordei criança...

Meus olhos se abriram e eu vi a imagem embaçada da mulher a minha frente— Uma irmã pela outra — Disse ela sorrindo.