Nevoeiro

86 Jacob - Sequestro


Cheguei à sede da Black Motors em Seattle com uma mistura de sentimentos. Cada vez que vinha para cá, sentia um orgulho imenso pelo que havíamos construído. A empresa crescia a passos largos, e eu sabia que grande parte disso era fruto do trabalho árduo e da dedicação de todos os que estavam comigo desde o início. Mas, ao mesmo tempo, havia uma sensação de urgência em mim, sempre pensando em Nessie e nos nossos filhos. Estar longe deles, mesmo que por algumas horas, me deixava inquieto.

Passei pela recepção e acenei para a Helena, a secretária que estava conosco há anos.

— Bom dia, senhor Black! — ela sorriu, sempre simpática.

— Bom dia, Helena. Como está? — Perguntei, tentando manter a conversa casual.

— Tudo ótimo! Estão todos aguardando você na sala de reuniões. Vou avisar que chegou.

Assenti e continuei pelo corredor, cumprimentando alguns dos funcionários pelo caminho. Era uma rotina que eu fazia questão de manter — sempre conversar com quem trabalhava na empresa, saber como estavam e o que precisavam. Gente feliz produzia bons resultados, e eu sabia disso melhor do que ninguém.

Passei pela oficina e vi John, um dos mecânicos mais antigos, trabalhando em um carro esportivo.

— E aí, John, como está indo? — Perguntei, parando por um segundo.

Ele levantou a cabeça, enxugando o suor da testa com as costas da mão.

— Tudo certo, chefe! Esse aqui vai ficar pronto hoje à tarde. Cliente vai adorar.

— Sabia que podia contar com você. — Sorri e segui em frente, sentindo o clima de eficiência que sempre quis que nossa empresa transmitisse.

Chegando à sala de reuniões, a porta já estava entreaberta, e eu ouvi vozes lá dentro. Empurrei-a suavemente e entrei. Ao redor da grande mesa de vidro, estavam meus sócios e parceiros de negócios: Mark, Paul e Carol. Todos levantaram a cabeça quando me viram entrar.

— Finalmente! — Disse Embry, com um sorriso no rosto, levantando-se para me cumprimentar.

— Chefe chegou! — Paul brincou, apertando minha mão com força.

— Boa tarde, Black. — Carol foi a última a falar, mais séria, mas com um sorriso discreto.

— Boa tarde, pessoal. Prontos para mais um dia de trabalho? — Perguntei, tentando manter o tom leve, mesmo sabendo que a reunião de hoje seria importante para definir alguns rumos.

Sentei-me na cadeira à cabeceira da mesa, enquanto todos faziam o mesmo.

— Então, vamos começar? — Perguntei, olhando para eles enquanto ajustava alguns papéis à minha frente.

Carol foi a primeira a falar, como sempre, direta ao ponto.

— Precisamos discutir as novas contratações para a filial de Nova York. Está havendo um aumento significativo na demanda, e precisamos de mais mãos qualificadas por lá.

Paul concordou, mas logo acrescentou:

— E não podemos esquecer do desenvolvimento do novo modelo. As vendas estão ótimas, mas já começamos a sentir que os clientes querem algo novo, algo diferente. Precisamos dar um salto.

Enquanto ouvia as sugestões, pensamentos sobre Nessie e o pequeno Will ainda rondavam minha mente. Eu sabia que ela estava bem na casa dos tios, mas sempre havia aquela pontada de ansiedade em mim quando ficávamos separados por muito tempo.

Eu estava imerso nos meus pensamentos, quando fui interrompido por Paul.

— Jake, antes de passarmos para o próximo ponto, tem outro assunto pendente. — Ele folheava alguns documentos. — Os dados daquele pendrive que você trouxe foram usados a favor da empresa. Os bancos já estão processando a devolução dos valores que o Alex transferiu indevidamente.

Assenti, sentindo uma mistura de alívio e frustração. Finalmente estávamos conseguindo recuperar o que era nosso por direito, mas a lembrança de como meu meio-irmão havia traído nossa confiança ainda era dolorosa.

— Que bom que isso está finalmente acontecendo. — Falei, tentando manter a calma, mas a mágoa era evidente na minha voz.

Carol, sempre pragmática, aproveitou a deixa para perguntar:

— E sobre as investigações? Alguma novidade de onde ele possa estar?

Suspirei, balançando a cabeça.

— Ele foi engolido pela terra, Carol. Ninguém sabe de nada. As últimas pistas indicavam que ele poderia ter fugido para fora do estado, mas até agora, nada concreto.

Houve um silêncio pesado na sala. Todos sabiam o quanto essa situação tinha abalado não só a empresa, mas também minha família. Alex não era apenas um golpista qualquer — era meu meio-irmão, embora não fosse alguém com quem eu tinha crescido, e a traição ainda era difícil de digerir.]

— Bom, vamos mudar de assunto. — Sugeri, tentando dissipar o clima pesado. — Precisamos discutir quem vai para a filial em Paris. Estamos expandindo rápido, e quero alguém de confiança lá.

Enquanto começávamos a debater possíveis nomes, senti meu celular vibrar no bolso. Peguei o aparelho e, ao ver o nome “Amor” no display, um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. Era Nessie. Sempre que ela ligava, eu sentia aquela onda de tranquilidade, como se tudo estivesse bem no mundo.

— Desculpem, pessoal. — Falei, levantando a mão. — Só um segundo.

Atendi a ligação com um sorriso.

— Oi, amor. — Eu disse, esperando ouvir a voz suave de Renesmee.

Mas, em vez disso, ouvi a voz tremida e nervosa de Lily.

— Jacob, é a Lily. Aconteceu uma coisa terrível. O Alex... — A voz dela falhou por um segundo. — O Alex esteve aqui. Ele... ele levou a Nessie!

Meu coração parou por um segundo. O ar foi sugado dos meus pulmões, e tudo à minha volta pareceu desvanecer.

— O quê? — Minha voz saiu num sussurro incrédulo. — Como assim, ele levou a Nessie?

— Ele apareceu do nada, empurrou-a... Eu tentei, Jake, eu tentei! Mas ele... ele a forçou a sair com ele! — Lily estava em pânico, e cada palavra dela era como uma faca sendo cravada no meu peito.

— Onde vocês estão? Como ele fez isso? Ele machucou ela? — Minha mente estava acelerada, milhões de pensamentos passando ao mesmo tempo, mas todos giravam em torno de uma coisa: encontrar Nessie.

— Eu não sei... Ele disse que ia levar ela para alguém... Jacob, ele estava transtornado! Você precisa encontrá-los! — A voz de Lily estava à beira do desespero.

Levantei da cadeira com tanta força que ela tombou para trás, batendo no chão com um estrondo. Meus sócios ficaram me olhando, confusos.

— Lily, fica calma. Eu já estou indo. Fica com Will. Avisa a polícia, avisa quem puder. Eu vou encontrá-la, custe o que custar. — Minha voz soava mais determinada do que eu me sentia por dentro. O medo de perder Nessie, de que algo acontecesse com ela, me consumia.

— Eu vou ligar para o Matt agora mesmo! — Ouvi Lily dizer, mas desliguei antes que ela continuasse.

— O que aconteceu? — Paul perguntou, alarmado, mas eu já estava saindo da sala, o celular apertado na mão como se fosse uma tábua de salvação.

— O Alex... Ele levou a Nessie. — Minha voz estava rouca de choque e raiva. — Eu vou encontrá-la.