Nevoeiro
70 Renesmee- A semente da dúvida
Ayla tinha um plano, e para ser sincera, eu achava aquilo uma grande loucura. Mesmo que agora ela fosse uma loba, e tivesse chances de se defender, Marco era um recém-criado, e segundo Jasper, vampiros recém-criados eram ainda mais fortes por ainda terem sangue humano nas veias. A ideia de enfrentá-lo era perigosa demais.
— Isso não faz sentido, Ayla. — Eu insisti, tentando convencer minha amiga. — Você pode ser uma loba agora, mas ele é extremamente forte. É arriscado demais.
— Sei que parece loucura, Nessie, mas confia em mim. — Ayla respondeu com uma determinação que me preocupava. — O plano é perfeito. A matilha inteira concordou.
Mas, no fim, não consegui fazer com que mudassem de ideia. Apesar dos meus apelos, e dos de Jake e Seth, a matilha decidiu seguir o plano de Ayla. Eles estavam convencidos de que era a melhor chance que tinham de finalmente capturar Marco. E como precisavam de total foco para isso, eu fui deixada sob a proteção dos Cullen.
No início, recusei. Eu não queria ficar afastada, me sentindo inútil enquanto todos os outros estavam em perigo. Mas Jake insistiu, e, no final, eu acabei cedendo. Ele alegou que ficaria mais tranquilo se eu estivesse segura com os Cullen, e, querendo ou não, eu não podia negar esse pedido.
Agora, aqui estava eu, sentada no grande sofá da sala dos Cullen, folheando uma revista de moda enquanto Alice comentava sobre as últimas tendências. Anna e Eliot estavam na casa também, o que não me deixava exatamente confortável. Eliot estava mantendo distância, o que eu apreciava, mas sabia que não duraria muito tempo.
Anna entrou na sala e se juntou a nós. Ela parecia relaxada, talvez até um pouco entediada, mas eu não consegui deixar de sentir que havia algo mais por trás de sua expressão tranquila.
— Nessie, você está com o lobo, não é? — Anna perguntou de repente, quebrando o silêncio.
Eu a encarei, surpresa com a pergunta direta.
— Acho que você já sabe a resposta para isso — respondi, tentando manter a voz neutra.
— Não, eu realmente não sei. — Anna folheava a revista, mas o tom em sua voz era levemente desafiador. — Eu não leio mentes como o Eliot.
Suspirei, deixando a revista de lado. Estava cansada desses jogos.
— Não sei o que deve ter rolado entre você e o seu namorado lá fora, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Alice lançou um olhar para Anna, claramente tentando evitar uma discussão.
— Anna, talvez seja melhor você deixar Renesmee em paz.
Mas Anna parecia decidida a continuar.
— Eu só estou curiosa. Sabe, Nessie, sempre pensei que você tinha sentimentos por Eliot. Então, estou tentando entender o que mudou.
— Talvez porque você estava com Riley na época — rebati, sem esconder o desagrado em minha voz. — Mas é bom que meu irmão tenha acordado e percebido que estava se metendo em uma grande furada.
Anna estreitou os olhos para mim, claramente irritada. Alice se levantou, posicionando-se entre nós.
— Anna, acalme-se — Alice disse, com a voz firme.
— Nessie, está com ciúmes de Eliot, não está? — Anna provocou, ignorando Alice.
Eu ri, mas sem humor.
— Você pode ficar com Eliot, Anna. Eu realmente não o quero. Se você está sem Eliot e sem Riley agora, isso é problema seu. Ao contrário de você, eu sei o que quero, e não é Eliot Cullen.
Nesse momento, Eliot apareceu na porta da sala, seus olhos fixos em mim.
Eliot me olhou com uma expressão que eu já havia visto antes – aquela mistura de frustração e algo mais sombrio. Alice tentou intervir, sua voz suave, mas firme.
— Eliot, esse não é o momento. Você prometeu aos seus pais que não faria nada.
— Eu só quero conversar — ele respondeu, a voz fria, mas surpreendentemente calma.
Meu coração disparou. Eu não queria essa conversa, não com ele, não agora.
— Não tenho nada para falar com você — disse, tentando manter minha voz firme, mas sentindo a tensão em cada palavra.
Eliot sorriu, um sorriso que não tinha nada de amigável.
— Por que não? É porque você está com Jacob?
A pergunta me pegou desprevenida, mas eu mantive minha postura.
— Você sabe a resposta, Eliot.
— Sei, sim. Sei tudo que se passa na cabeça dele e na sua — ele deu alguns passos na minha direção, e instintivamente, recuei, me aproximando de Alice. — Você já se perguntou se Jacob lhe disse que ele perdeu minha mãe Bella, para o meu pai, Edward?
A confusão tomou conta de mim.
— Do que você está falando?
Alice se adiantou, sua voz firme.
— Chega, Eliot.
Ela segurou minha mão, tentando me tirar da sala, mas algo me fez hesitar. Eu queria saber mais, por mais que soubesse que ouvir Eliot não me faria bem.
— Espere, Alice.
Eliot sorriu de novo, aquele sorriso que parecia saber mais do que deveria.
— Vejo tudo na cabeça de Jacob. Ele está com você, Nessie, mas não por amor. Ele não quer perder novamente para um Cullen. Ele já tem Olivia, a mãe da filha dele. Mas ele não aceita perder, então dessa vez, ele vai fazer de tudo para sair vitorioso.
As palavras de Eliot ecoaram em minha mente, me atingindo como um soco no estômago. Alice não perdeu tempo, puxando-me para fora da casa com mais força dessa vez, sem me dar a chance de responder.
Enquanto caminhávamos para longe, eu me mantive em silêncio, minha mente um turbilhão. O que Eliot disse não fazia sentido… ou fazia? Eu sabia que não devia dar ouvidos a ele, mas a semente da dúvida já havia sido plantada, e por mais que eu tentasse afastá-la, ela insistia em crescer.
Alice apertou minha mão.
— Não escute o que ele disse, Nessie. Ele só quer te confundir.
Assenti, mas as palavras de Eliot continuavam a ecoar em minha mente. Será que havia alguma verdade no que ele disse? Será que Jacob estava apenas tentando vencer uma batalha que ele acreditava ter perdido antes? Eu queria acreditar que não, mas a dúvida, uma vez plantada, era difícil de ignorar.
As horas que se seguiram foram estranhas, uma mistura de espera tensa e tentativas de distração. Alice, sempre tão gentil, fez de tudo para me tranquilizar. Ela conversava comigo sobre coisas banais, mostrava vestidos novos que havia desenhado, e até tentou me convencer a assistir a um filme com ela. Mas, por mais que eu tentasse, minha mente continuava a vagar de volta para as palavras de Eliot. Aquilo me corroía por dentro, e por mais que eu quisesse ignorar, não conseguia.
Finalmente, Jacob e os outros retornaram. O alívio estava estampado em seus rostos, e ficou claro que o plano havia funcionado. Assim que Jacob me viu, veio direto até mim, os olhos brilhando com uma mistura de cansaço e alegria.
— O plano deu certo, Ness — ele disse, me puxando para um abraço forte e caloroso.
Senti seu corpo contra o meu, e por um momento, todos os meus medos e inseguranças pareciam se dissipar. Ele beijou minha testa, um gesto tão simples, mas que sempre me trazia conforto.
— Está tudo bem? — Jacob perguntou, sua voz suave, mas atenta.
— Sim — respondi, forçando um sorriso. Eu não queria preocupá-lo, não agora, depois de tudo o que ele havia passado. Precisava de tempo para processar o que Eliot havia dito, para entender como me sentia em relação a tudo.
Jacob pareceu aceitar minha resposta, mesmo que seus olhos tenham me analisado com cuidado, como se procurasse algo que eu não estava pronta para compartilhar. Ele assentiu, e juntos, nos despedimos dos outros e seguimos para casa.
O caminho de volta foi silencioso. Jacob dirigia com uma mão no volante e a outra segurando a minha, um gesto reconfortante que normalmente me faria sentir segura. Mas agora, minha mente estava em conflito, os pensamentos se misturando em uma confusão de dúvidas e incertezas. Eu queria confiar em Jacob, acreditar que ele estava comigo por mim, e não por alguma competição mal resolvida com os Cullen.
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