Nevoeiro
71 Renesmee- Eu te amo, Jacob
Ao chegarmos em casa, Ayla estava radiante, eufórica com o sucesso de seu plano. Eu consegui sentir um pequeno alívio em meio à tempestade que estava dentro de mim. Pelo menos uma parte dos meus problemas parecia estar solucionada, ao menos por enquanto. Ayla falava animadamente sobre como tudo correu bem, mas logo sua expressão mudou, ficando mais séria.
— Minha mãe está triste — disse Ayla, suas palavras carregadas de uma preocupação silenciosa. — Apesar de tudo, ela foi casada com Marco por mais de dez anos. É normal que ela se sinta assim.
Eu suspirei, tentando ignorar a pontada de desconforto que sentia em relação àquela situação.
— Você está bem? — Ayla me perguntou, seus olhos analisando meu rosto. — Você parece distante.
— Estou só cansada — respondi, forçando um sorriso. — Vou ver Rebecca antes de tomar um banho.
Ayla assentiu, e eu subi as escadas. Quando passei pela porta do quarto de Rebecca, vi que estava aberta e, sem querer, acabei testemunhando algo que fez meu coração apertar. Jacob e Rebecca estavam abraçados, suas expressões carregadas de emoções que eu não conseguia decifrar de imediato.
Senti uma sensação ruim crescer dentro de mim, algo parecido com ciúmes, embora eu não quisesse admitir. Quando notaram minha presença, eles se afastaram, um tanto apressadamente.
— Vim ver como você está, Rebecca — disse eu, tentando manter a voz firme. — Você sempre foi muito acolhedora comigo.
Rebecca sorriu, um sorriso carinhoso, mas havia algo em seus olhos que não me deixava tranquila.
— Estou bem, querida — respondeu ela, mas seu tom parecia contradizer suas palavras.
Eu olhei para Jacob, mas ele apenas me observava em silêncio, sem dizer nada. Uma parte de mim queria perguntar o que exatamente estava acontecendo ali, mas as palavras de Eliot ainda ecoavam na minha cabeça, confundindo tudo.
— Vou tomar um banho — disse, tentando manter minha voz estável enquanto me afastava.
Entrei no meu quarto e tranquei a porta atrás de mim. A sensação de desconforto não me abandonou enquanto tirava minhas roupas apressadamente e entrava debaixo do chuveiro. A água quente batia contra minha pele, mas não conseguia lavar o turbilhão de emoções que sentia. Foi só então, ali, sozinha, que deixei as lágrimas caírem, sem tentar segurá-las. Chorei por tudo: pela confusão em meu coração, pelas palavras de Eliot que insistiam em me atormentar, pela distância que parecia crescer entre mim e Jacob, e pelo medo de que talvez, apenas talvez, eu estivesse sendo ingênua em acreditar que tudo ficaria bem.
As lágrimas misturavam-se com a água do chuveiro, e por alguns minutos, me permiti ser vencida pela tristeza. Eu sabia que precisava ser forte, que precisava enfrentar esses sentimentos, mas ali, naquele momento, tudo o que eu queria era fugir da realidade, ao menos por um breve instante.
Jacob bateu na porta do meu quarto repetidamente durante toda a tarde, mas eu não queria falar com ele. Cada batida parecia ecoar dentro de mim, trazendo à tona uma mistura de raiva, tristeza e confusão. Eu me recusei a responder, deixando que o silêncio entre nós se alongasse, até que, finalmente, ele desistiu.
Algum tempo depois, ouvi uma batida mais suave na porta. Desta vez, era Ayla. Relutante, abri a porta, e ela entrou, fechando-a suavemente atrás de si.
— Quer conversar? — perguntou Ayla, sua voz calma, mas cheia de preocupação.
Eu suspirei, tentando organizar meus pensamentos, mas tudo parecia um emaranhado impossível de desenrolar.
— Eu não sei o que sinto, Ayla. É tudo tão confuso...
— Você está duvidando dos sentimentos do meu pai? — Ayla perguntou, sua voz cheia de sinceridade, mas sem julgamento.
— Eu acredito que ele só quer me proteger — respondi, sabendo que minhas palavras não faziam justiça ao turbilhão que acontecia dentro de mim.
Ayla balançou a cabeça, seus olhos brilhando com uma certeza que eu não conseguia compartilhar naquele momento.
— Não, Nessie. Meu pai te ama, de verdade. Há muitas coisas que você precisa saber, mas só ele pode te contar.
Minhas sobrancelhas se franziram em confusão, o coração acelerando.
— Que coisas? — perguntei, minha voz soando mais desesperada do que eu gostaria.
— Ele vai te dizer, quando estiver pronto — respondeu Ayla, e saiu do quarto antes que eu pudesse insistir.
Fiquei sozinha com meus pensamentos, as palavras de Ayla ecoando na minha mente, lutando contra as dúvidas que me assombravam. Uma batalha interna começou a se desenrolar dentro de mim, alimentada pelo que eu tinha visto e pelo que Ayla havia dito.
Eu não conseguia mais ficar presa ali. Saí do quarto, esperando encontrar Jacob em algum lugar da casa, mas tudo estava vazio. Deduzindo que ele tinha ido ver Olivia para tratar do teste de DNA, a curiosidade começou a crescer dentro de mim. Sem pensar muito, decidi segui-lo até a casa dos Clearwater.
Quando me aproximei, o que vi fez meu coração despencar. Jacob e Olivia estavam abraçados, suas figuras se fundindo em uma cena que eu não conseguia suportar. O ciúme me atormentou, queimando minha pele como se fosse fogo. O que quer que eu estivesse sentindo se intensificou, criando uma dor quase física.
Sem fazer barulho, dei as costas e fui embora, tentando manter a calma, mas por dentro eu estava em pedaços. Cada passo que me afastava deles parecia mais pesado, e tudo o que eu queria era desaparecer naquele momento, fugir da dor que estava me consumindo.
O som da voz de Jacob me alcançou, cortando o silêncio da noite. Não consegui me conter, minhas emoções transbordaram e comecei a correr, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Mas, antes que pudesse me distanciar, senti sua mão grande e quente segurando meu braço, parando-me no meio do caminho.
— Me solta, Jake! — pedi, com a voz trêmula, tentando me libertar de seu aperto. Mas ele não cedeu.
— Não — respondeu ele, sua voz firme, mas carregada de preocupação.
Jacob me puxou para perto, e eu me rendi, caindo em seu abraço. Encostei meu rosto em seu peito, os soluços escapando sem controle. Ele me envolveu com seus braços fortes, me segurando como se nunca fosse me deixar ir.
— Nessie, me escuta... — ele começou, mas eu o interrompi, a dor e o amor se misturando em um turbilhão dentro de mim.
— Eu te amo, Jake... — admiti, minha voz saindo entrecortada pelas lágrimas. — Não queria, mas eu te amo...
Jacob se afastou ligeiramente, apenas o suficiente para que pudesse olhar nos meus olhos, os dele intensos, carregados de uma mistura de emoções que eu não conseguia decifrar.
— O que você disse? — perguntou ele, como se precisasse ouvir novamente para acreditar.
— Eu te amo — repeti, a verdade crua e dolorosa saindo de meus lábios.
Um segundo se passou, talvez dois, antes que ele agisse. De repente, seus lábios estavam nos meus, o beijo começando suave, mas rapidamente se tornando mais intenso, como se ele estivesse tentando expressar tudo o que sentia em um único gesto.
Eu me entreguei completamente, esquecendo tudo o que me assombrava, todo o medo e as dúvidas. Naquele momento, nada mais importava além de nós dois, e o calor de seu corpo contra o meu, a segurança que ele me transmitia, e o amor que finalmente deixei escapar. Estávamos ali, juntos, e nada mais parecia capaz de nos separar.
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