Nevoeiro

28 Jacob - O plano


Notas iniciais
Amorecos eu sei que estão ansioso pelo encontro do Jake com a Nessie, mas preciso mostrar esses acontecimentos aleatórios aos dela para que o enredo fique completo. Eu tô ansiosa para postar isso também kkk e olha que eu quem escrevo, mas antecipo que será ainda com Jacob narrando e pelos meus cálculos faltam uns quatro capitulos.

A manhã seguinte foi tensa, o ar pesado com a expectativa. Quando finalmente entrei na minha casa, encontrei todos já aguardando, suas expressões sombrias refletindo a gravidade da situação. O segredo dos lobos não era algo que pudesse ser discutido levianamente; envolvia todos nós, não apenas como indivíduos, mas como uma comunidade, uma família unida por laços mais profundos que o sangue.

Assim que a reunião começou, Sam foi o primeiro a falar, a irritação evidente em sua voz. — Como você deixou aquele babaca te filmar se transformando, Seth? — Ele não estava gritando, mas a fúria contida em suas palavras era clara.

Seth, visivelmente desconfortável, balançou a cabeça. — Eu não sabia que ele estava nos seguindo, Sam. Juro que não percebi.

Interrompi antes que a culpa começasse a se espalhar. — Marco não vale nada. Não podemos culpar o Seth por isso. Ele fez o que pôde.

Embry, sempre prático, levantou uma questão válida. — Tudo bem, mas o que faremos? Se o cara foi capaz de chantagear Ayla, ele pode fazer qualquer coisa.

Paul, mais otimista ou talvez simplesmente mais cínico, deu de ombros. — Talvez estejamos nos preocupando à toa. Se ele jogar o vídeo na rede, podem pensar que é montagem. Ninguém vai acreditar.

Sam, porém, não estava convencido. — E se ele provar que não é? Primeiro irão atrás do Seth, depois chegarão em nós. — Ele fez uma pausa, deixando o peso de suas palavras assentar antes de concluir. — E nós viraremos ratos de laboratório.

O silêncio que seguiu foi pesado. Todos sabiam o que estava em jogo. Olivia, que havia permanecido em silêncio até aquele momento, finalmente se manifestou. Apesar de não ser uma loba, seus laços comigo a tornavam parte dessa discussão, e suas palavras refletiam uma clareza que talvez todos nós estivéssemos perdendo.

— Estão preocupados com o safado do Marco — começou ela, olhando em volta para cada um de nós — e esquecendo que agora a garota, a amiga da Ayla, sabe. E sabe muito, pois Seth teve que falar.

Todos os olhos se voltaram para Seth, que levantou as mãos defensivamente. — Ayla quem disse... Quer dizer, eu não fui a Ayla.

Suspirei, sentindo uma mistura de exasperação e compreensão. — Claro, a minha pequena que fala demais. — Olhei para Olivia, que me deu um sorriso compreensivo, como se entendesse exatamente o que eu estava sentindo.

Seth, tentando aliviar a tensão, disse com firmeza. — Nessie não representa perigo. Mas Marco... ele sim. O que faremos com Marco?

Sam, que estava em silêncio, de repente deu um sorriso que chamou minha atenção. Olhei para ele, curioso. — Está pensando em algo, Sam?

Ele assentiu, o sorriso ganhando um tom quase predatório. — Sim, estou. — Ele olhou para todos nós, sua voz assumindo um tom decidido. — Vamos dar um susto no canalha. Um susto que ele não vai esquecer tão cedo. E, ao mesmo tempo, protegeremos as meninas dele. Porque se a garota chamada Nessie descobriu isso por meios ilícitos, Marco pode muito bem fazer algo com ela.

Eu confirmei com um aceno de cabeça. — Concordo. Precisamos agir, e rápido.

Os outros começaram a murmurar, concordando com a ideia de Sam. O plano começou a se formar rapidamente, com cada um oferecendo sugestões e estratégias para garantir que Marco entendesse o erro que cometeu. Ninguém ali estava disposto a arriscar a segurança de Ayla, Nessie, ou de qualquer um de nós.

Enquanto a reunião continuava, senti uma onda de alívio. Não era só a questão de Marco que estava sendo resolvida, mas a reafirmação de que, independentemente do que acontecesse, estávamos todos juntos nisso. E, com essa união, eu sabia que poderíamos enfrentar qualquer coisa que viesse pela frente.

Eu sabia que não havia volta quando liguei para Marco. A desconfiança em sua voz era evidente, mas eu conhecia bem o seu ponto fraco: dinheiro. Bastou oferecer uma quantia alta para ele se dobrar, como sempre.

Quando o sol começou a se esconder atrás das árvores em La Push, vi o carro de Marco estacionar ao lado da minha casa. Eu estava na varanda, lutando para manter a raiva sob controle. Olivia estava ao meu lado, apertando meu braço de leve, sussurrando para eu não deixar a raiva atrapalhar nossos planos. Assenti, tentando absorver a calma que ela transmitia, e retribuí o beijo que me deu antes de entrar na casa, deixando-me sozinho para enfrentar Marco.

Dei uma olhada rápida para a floresta ao redor, percebendo o brilho de olhos que me observavam entre as samambaias. Com um movimento sutil, o lobo desapareceu na vegetação densa, pronto para agir quando necessário. Marco, por outro lado, estava ocupado olhando para minha casa, o sorriso de sempre brincando em seus lábios.

— Black, você mora bem — disse ele, com aquele tom de inveja na voz. — Quanto vale essa casa? Uns milhões?

— Não faço ideia — respondi, mantendo a voz fria. — Não estou interessado em vender.

— Então, o que você quer saber sobre Ayla? — continuou ele, sua voz carregada de insinuações. — Algum namoradinho, ou é sobre o Seth? Sempre digo à Rebecca que ela devia proibir essas visitas semanais. O cara é muito mais velho que ela, você não acha?

Meu sangue ferveu por dentro, mas me controlei. — Seth é a pessoa mais confiável para cuidar da minha filha. Quero que você me siga.

Marco levantou as mãos, fingindo uma inocência que não me convenceu nem por um segundo. — Tudo bem, se é isso que você quer.

Seguimos pela trilha que levava à floresta, com Marco falando sem parar, jogando besteiras no ar, claramente tentando me irritar. Cada palavra dele era como uma agulha enfiada no nervo, mas eu mantive o foco, guiando-o até a clareira que eu sabia estar segura.

Quando finalmente chegamos, ele parou, olhando em volta com desconfiança. — Por que diabos precisamos falar tão longe? — Perguntou, começando a perceber que algo não estava certo.

Eu sorri, mas antes que pudesse responder, Seth surgiu das sombras, caminhando rápido em nossa direção. Marco, percebendo a mudança no ambiente, começou a entender que essa "conversa" não era sobre negócios.

— Por que será que estou começando a achar que essa conversa não é de negócios? — Ele perguntou, recuando alguns passos.

Foi aí que Seth se transformou em lobo bem na frente dele. Marco soltou um grito, recuando assustado. — O lobo vai me devorar! — Ele gritou, olhando para mim com desespero nos olhos.

Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, os outros lobos da matilha apareceram, nos cercando. O lobo Seth avançou, derrubando Marco no chão, enquanto ele tremia de medo.

Me aproximei devagar, olhando para aquele verme caído no chão. — Me dá o celular, Marco — ordenei, sem dar margem para negociações. Tremendo, ele me entregou o aparelho, e eu rapidamente apaguei os vídeos e fotos. — Onde mais você guardou essas imagens? — Perguntei, olhando nos olhos dele.

— Estão na minha nuvem — gaguejou ele, com medo.

Abri o aplicativo e apaguei tudo. — Tem mais algum lugar? — Questionei.

Ele negou com a cabeça, suplicando para que o lobo não o devorasse. Dei um sinal para Seth, que tirou a pata do corpo de Marco. Ele se levantou, ainda apavorado, e olhou para mim como se estivesse diante de um lunático.

— Escuta bem, Marco. Se você se aproximar de Ayla ou Nessie de novo, o alpha da matilha vai caçar você até o fim do mundo. Entendeu? — Disse, encarando-o nos olhos antes de me transformar em lobo na frente dele.

Marco gritou, correndo como um louco de volta para seu carro. Os lobos, incluindo eu, o seguiram, rosnando e fazendo com que ele saísse em disparada, cantando pneus. Olivia, que observava tudo de longe, riu ao vê-lo passar feito um furacão. Quando me aproximei dela, ainda em forma de lobo, esfreguei meu focinho em seu braço, enquanto os outros lobos riam e faziam piadas sobre Marco.

Transformando-me de volta em humano, Olivia me olhou com uma expressão mista de diversão e preocupação. — Você acha que deu certo? — Perguntou.

Eu não tinha certeza, mas tentei transmitir confiança. — Espero que sim. Caso contrário, a gente pode ter piorado tudo.