Nevoeiro

29 Jacob - O negativo


Todos estavam cientes da gravidez de Olivia, e, embora a notícia tenha trazido uma alegria genuína para a família, a situação não era fácil. A família de Jacob estava animada com a chegada de mais um membro, mas Sue não havia reagido bem. Isso criou um atrito entre ela e Olivia, o que fez com que as tensões aumentassem. Leah, apesar de ter sempre demonstrado descontentamento com o relacionamento de Olivia e Jacob, e de ter alertado sobre os possíveis problemas futuros, manteve-se ao lado da irmã. Ela disse que, como mulher, precisava dar apoio e até confessou que, no fundo, invejava a irmã pelo bebê.

Naquela tarde, Olivia estava terminando de arrumar suas malas no quarto de Jacob. Havíamos decidido morar juntos, embora houvesse uma questão pendente: Ayla ainda não sabia da gravidez. Como ela era contrária ao nosso relacionamento, eu precisava preparar o terreno antes de dar a notícia. Seth havia se oferecido para ajudar, mas ambos sabíamos que seria uma tarefa difícil.

Marco havia viajado há alguns dias, alegando a Rebecca que era uma viagem de trabalho. Ayla, de acordo com suas palavras, esperava que ele não voltasse. Para ela, sua mãe merecia alguém melhor. O simples fato de Marco ter saído de cena era um alívio temporário, mas sabíamos que teríamos que enfrentar a verdade eventualmente.

Depois de ajudar Olivia a organizar a última mala, perguntei:

— Não quer comer alguma coisa? Estamos há horas com a mudança e eu estou preocupado com o bebê.

Olivia sorriu, tocada pela minha preocupação e cuidado. Aproveitou o momento para me lembrar do macarrão que eu fazia e que ela estava desejando. Eu sorri, beijando-a nos lábios antes de me dirigir para a cozinha. Coloquei o avental e comecei a preparar a massa.

Enquanto estava na cozinha, Olivia ligou a TV e se acomodou no sofá. Eu estava focado no preparo do almoço quando ouvi o som da TV aumentando, seguido pelo chamado de Olivia:

— Jake, venha aqui!

Corri para a sala e vi Olivia, pálida e com os olhos fixos na tela da TV. O volume estava alto e a imagem mostrava uma notícia urgente.

"Interrompemos nossa programação para trazer uma notícia urgente. Uma tragédia abalou a Universidade de Seattle nas primeiras horas da manhã. Um atentado violento deixou vários estudantes gravemente feridos e outros em estado crítico. As autoridades ainda estão tentando identificar os responsáveis por esse ato cruel e desumano."

— O que está acontecendo? — Perguntei, sentindo meu coração acelerar.

"Segundo testemunhas, os tiros começaram por volta das 8 horas da manhã, causando pânico entre os alunos que estavam indo para as aulas. Equipes de resgate e forças policiais foram imediatamente deslocadas para o local, mas infelizmente, várias vidas foram perdidas. Entre as vítimas, estão muitos jovens que tinham um futuro promissor pela frente."

Olivia, ainda em estado de choque, balançou a cabeça e me apontou para a tela. Meu olhar seguiu o dela, e o que vi me fez parar por um instante

— Ayla — Sussurrei sentindo meu coração explodir em meu peito.

Pedi a Olivia que avisasse Seth sobre o ocorrido enquanto eu começava a fazer algumas ligações. A sensação de pânico não me deixava. Não havia tempo para perder; cada minuto contava. Quando recebi a confirmação de que Ayla estava no hospital, minha mente estava uma tempestade de pensamentos confusos e preocupações.

Minutos depois, nós pegamos a estrada para Seattle. Devido ao meu nervosismo e à necessidade de chegar o mais rápido possível, Olivia insistiu que não fosse de moto. Nós seguimos de carro, a viagem durou cerca de duas horas e meia, e durante todo o percurso, meu pensamento estava focado em Ayla e na situação que ela poderia estar enfrentando.

No meio da viagem, meu telefone tocou. Era Rebecca, e suas palavras foram um alívio e uma preocupação ao mesmo tempo. Ela confirmou que Ayla estava no Hospital de Seattle, o Harborview Medical Center, e que, fisicamente, ela estava bem. Pelo menos isso era uma boa notícia em meio a tudo.

Finalmente, chegamos ao hospital. Estacionei o carro e, sem perder tempo, Seth saiu feito um louco, correndo para dentro do prédio. Olivia e eu o seguimos, com o coração acelerado. Assim que entramos, Rebecca estava à nossa espera, seu rosto marcado pela preocupação.

— Ayla está na enfermaria — Rebecca nos disse, a voz tremendo. — Ela está sendo atendida por uma psicóloga no momento.

Seth, impaciente, pediu para vê-la imediatamente. Rebecca informou que apenas os responsáveis podiam entrar naquele momento. Olivia tentou acalmar Seth, mas eu sabia que precisávamos resolver isso de outra forma. Olhei para Seth e disse:

— Deixa comigo. Eu vou resolver isso.

Seth concordou com um aceno de cabeça e eu entrei ao lado de Rebecca. Seguimos pelo corredor do hospital, meu coração batendo forte a cada passo. Quando finalmente chegamos à sala onde Ayla estava, a cena que encontrei me cortou o coração.

Ayla estava deitada na cama, suas roupas estavam sujas de sangue, e ela imediatamente levantou ao me ver. Correu para os meus braços, e eu a abracei apertado, sentindo o peso das suas lágrimas em meu peito. Ela estava soluçando, e suas palavras entrecortadas foram um soco no estômago:

— Ele feriu a Nessie... Por favor, salve-a, papai...

O pânico se agravou ainda mais. A dor em seus olhos e o desespero em sua voz eram indescritíveis. Eu a segurei com mais firmeza, sussurrando palavras de conforto.

— Vai ficar tudo bem, filha. Sua amiga vai ficar bem. Eu prometo.

Enquanto tentava acalmá-la, olhei para Rebecca. Ela também estava chorando, a tristeza compartilhada entre nós era palpável. Eu precisava ser forte agora, por Ayla e por todos nós. O que quer que tivesse acontecido, eu teria que enfrentar com coragem e garantir que a segurança de minha filha e de sua amiga fosse nossa prioridade.

Enquanto Ayla dormia profundamente após a medicação, eu saí do quarto para que Rebecca pudesse trocar suas roupas por algo limpo. Caminhei pelo corredor, com a mente agitada e os pensamentos voltados para as famílias dos outros alunos da universidade. A dor e o medo eram compartilhados por todos nós, e eu sabia que estávamos todos no mesmo barco.

Ao me aproximar da recepção, percebi um casal visivelmente abalado conversando com um médico. A confusão no hospital estava em alta, e era difícil encontrar clareza em meio ao caos. Aproximando-me da recepcionista, perguntei como poderia conseguir uma autorização para que Seth visse Ayla.

Foi então que ouvi o homem perguntar ao médico sobre sua filha, Renesmee Biers. O médico informou que Renesmee havia sido levada ao centro cirúrgico e precisava urgentemente de um transplante de sangue. No entanto, o estoque do hospital estava sem o tipo sanguíneo O negativo, que era o dela.

Instintivamente, eu me intrometi e me apresentei ao casal:

— Olá, eu sou Jacob Black. Sou pai de Ayla, amiga de Renesmee. Eu tenho o tipo sanguíneo compatível com o dela.

O médico sorriu aliviado, e o homem, que se apresentou como Matthew Biers, implorou:

— Por favor, ajude nossa filha.

O alívio e a urgência nas palavras dele eram evidentes. O momento estava carregado de uma intensidade que parecia conectar nossas histórias de uma forma inesperada. Encerrando a conversa, eu me preparei para ajudar e fazer o que fosse necessário para garantir que Renesmee recebesse o sangue que precisava.