Nevoeiro
30 Jacob - Longa noite
Após me oferecer para doar sangue para Renesmee, fui levado rapidamente para a sala de coleta. O procedimento foi direto, mas a tensão no ar era palpável. A equipe médica trabalhou com precisão, inserindo a agulha na minha veia e conectando-a à bolsa de coleta. Enquanto o sangue fluía, senti uma leve pressão no braço e um formigamento que subia pelo corpo, mas meu foco estava em outra coisa. Eu só conseguia pensar na jovem que estava lutando pela vida a poucos metros de mim.
Enquanto o sangue enchia a bolsa, minha mente vagava entre a preocupação com Ayla e a gratidão por poder ajudar Renesmee. O procedimento levou alguns minutos, mas a espera parecia interminável. Quando finalmente terminou, a enfermeira retirou a agulha e me pediu para descansar um pouco antes de levantar. Agradeci a todos rapidamente e pedi que cuidassem bem do sangue que acabava de doar.
Assim que fui liberado, fui ao encontro do médico responsável por Ayla. Ele me disse que, fisicamente, ela estava bem e poderia ir para casa. Fui direto ao quarto dela. Ao entrar, a vi sentada na cama, mais calma, mas ainda com a expressão de quem passou por um verdadeiro inferno.
— Pai! — Ela exclamou, levantando-se para me abraçar.
Eu a acolhi em meus braços, sentindo a dor e o alívio se misturarem.
— A mamãe me disse que você doou sangue para a Nessie. — Ela olhou para mim com os olhos cheios de lágrimas. — Pai, ela se colocou na frente da bala para me proteger. Se não fosse por ela, eu que teria sido atingida.
Um misto de gratidão e medo tomou conta de mim. O pensamento de que algo ruim pudesse acontecer a Renesmee, uma jovem que mal conhecia, mas que já havia se sacrificado tanto, era esmagador.
Rebecca, que estava no quarto, se aproximou e sugeriu que voltássemos para casa. Concordei com um aceno de cabeça, sabendo que Ayla precisava descansar em um lugar seguro.
— Quero ver a Nessie — disse Ayla, olhando para mim com um pedido silencioso nos olhos.
— Agora é impossível, filha — expliquei, tentando ser o mais suave possível. — Ela está na sala de recuperação, mas os pais dela me avisarão assim que ela puder receber visitas.
Ayla assentiu, embora eu soubesse que ela estava ansiosa e preocupada. Saímos do quarto e, ao chegar à recepção, Ayla correu para os braços de Seth, que a apertou com força. Ele chorava como se estivesse abraçando seu mundo inteiro, e, de certa forma, ele estava.
Tentamos sair do hospital evitando a imprensa, que já estava lá fora, ávida por qualquer informação. Rebecca foi no próprio carro, enquanto Ayla preferiu vir no meu, pois não queria se separar de Seth.
Ao cair da noite, comecei a procurar um hotel para passarmos a noite em Seattle. Rebecca, no entanto, se adiantou:
— Não é necessário, Jacob. Esta casa foi você quem comprou, e Ayla precisa de você agora. Temos quartos suficientes para você, para Seth, e para a sua namorada.
Eu agradeci pela hospitalidade, mesmo com as diferenças que ainda existiam entre nós.
— Ayla é importante para mim. Ela te ama, Jacob — Rebecca continuou, visivelmente emocionada. — Acho que seria bom para ela passar um tempo em La Push, com você e Seth. Tudo isso que aconteceu foi pesado demais. E tem algo mais... uma notícia que precisamos dar a ela.
Senti um frio na espinha ao ouvir o tom na voz dela.
— Que notícia, Rebecca? — Perguntei, já temendo o pior.
Rebecca começou a chorar, e eu a puxei para um abraço, tentando oferecer algum consolo.
— Aaron... o amigo da Ayla... — ela disse entre soluços. — Ele está entre as vítimas fatais. Eu não sei como vamos dar essa notícia a ela.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu conhecia Aaron. Ele sempre estava com Ayla, trazendo alegria para onde quer que fosse, com suas piadas e elogios. A dor da perda era esmagadora.
Enquanto eu tentava consolar Rebecca, Olivia apareceu, interrompendo o momento.
— Desculpe, eu não queria atrapalhar — disse ela, percebendo o estado de Rebecca.
— Está tudo bem — respondeu Rebecca, enxugando as lágrimas e endireitando-se. — Vou esperar você no quarto da Ayla.
Assenti, e ela se afastou. Olivia se aproximou de mim.
— Eu só queria saber se conseguiu o hotel — disse ela, tentando parecer despreocupada.
— Vamos passar a noite aqui — respondi, com um suspiro pesado. — Preciso ajudar Rebecca a dar apoio à Ayla com a notícia que precisamos dar a ela.
Olivia assentiu, entendendo a gravidade da situação.
— Estou ao seu lado e ao lado de Rebecca, caso precisem de mim — disse ela, com um toque de carinho na voz.
Beijei sua testa e segui para encontrar Rebecca, preparando-me para o momento difícil que estava por vir. A noite seria longa, e o desafio de enfrentar a dor de Ayla, ainda maior.
A noite foi realmente longa. Ayla chorou por horas, e cada lágrima dela parecia cortar meu coração em pedaços. Rebecca e eu a observamos dormir finalmente, exausta, aninhada no peito de Seth. Ele permaneceu com ela no quarto, segurando-a como se pudesse protegê-la de qualquer coisa que tentasse machucá-la novamente.
Quando Rebecca e eu saímos do quarto, estávamos exaustos, física e emocionalmente. Ao caminhar pelo corredor, avistei Olivia dormindo no sofá da sala. Ela parecia tão cansada quanto eu, e isso só aumentou a culpa que eu sentia por tê-la deixado ali, sem qualquer conforto.
— Vou preparar o quarto de hóspedes para vocês — disse Rebecca, percebendo meu olhar preocupado.
— Obrigado, Rebecca — respondi, com um aceno de cabeça.
Caminhei até o sofá e me ajoelhei ao lado de Olivia. Toquei seu ombro suavemente, despertando-a com carinho. Seus olhos abriram-se lentamente, e ela piscou algumas vezes antes de se concentrar em mim.
— Como está Ayla? — Perguntou ela, ainda meio adormecida.
— Ela está com Seth agora. — Respondi, tentando manter a voz calma. — E me desculpe por não ter acomodado você melhor.
Olivia balançou a cabeça, afastando minha culpa com um gesto gentil.
— Eu entendo, Jake. Foi um momento difícil para todos. Eu chorei ouvindo os gritos de Ayla. — Ela me puxou para um abraço, tentando me consolar. — Sei o quanto você ama a Ayla e o pai maravilhoso que você é. Estou feliz que, independentemente do que aconteça, seja você o pai do meu bebê.
Senti um calor reconfortante se espalhar pelo meu peito com as palavras dela. Era exatamente o que eu precisava ouvir naquele momento.
Antes que eu pudesse responder, notei Rebecca parada à porta, sorrindo, mas com uma expressão um tanto embaraçada.
— Desculpem, eu ouvi sem querer — disse ela, um pouco sem jeito.
— Está tudo bem, Rebecca. — Respondi, dando de ombros. — Não estamos escondendo nada.
Rebecca se aproximou e sorriu para Olivia.
— Parabéns pelo bebê, Olivia. — Disse ela, com sinceridade. — É melhor você ir para o quarto agora. Eu sei, melhor do que ninguém, como é importante para uma grávida dormir bem.
— Obrigada, Rebecca. — Olivia respondeu, sorrindo e se levantando com a minha ajuda.
Enquanto passávamos por Rebecca, eu a toquei levemente no braço, chamando sua atenção.
— Se Ayla acordar, me chame, por favor — pedi.
— Pode deixar, Jake. — Respondeu ela, com um aceno de cabeça, antes de nos desejar boa noite.
Caminhei com Olivia até o quarto. Ela estava exausta, mas mesmo assim, me deu um sorriso antes de se deitar. Eu a observei por um momento, sentindo um misto de gratidão e preocupação. A noite havia sido difícil, e o peso das responsabilidades parecia cada vez mais esmagador.
Me deitei ao lado dela, mas o sono demorou a chegar. Meus pensamentos estavam em Ayla, em Renesmee, em todos os jovens que foram afetados por aquela tragédia. E, claro, no futuro incerto que me aguardava como pai de um novo bebê.
Eventualmente, o cansaço tomou conta, e, apesar de tudo, adormeci, sabendo que o dia seguinte traria mais desafios, mas também mais oportunidades de proteger aqueles que eu amava.
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