Nevoeiro
31 Jacob - Encontro inusitado
Uma semana se passou desde a tragédia na Universidade de Seattle, e tudo parecia envolto em uma espécie de neblina densa. As feridas físicas começavam a cicatrizar, mas as emocionais ainda estavam abertas e sangrando, tanto para Ayla quanto para mim. Olivia, sempre sensível, percebeu a tensão que a presença dela causava em Ayla. Mesmo sem entender completamente o motivo, ela decidiu voltar para a Reserva, me deixando livre para me concentrar inteiramente na minha filha. E era isso que eu fazia: adiei reuniões, compromissos, qualquer coisa que me afastasse de Ayla naquele momento delicado.
Naquela tarde, como nos últimos dias, levei Ayla ao hospital. Renesmee havia melhorado significativamente, e a visita diária de Ayla se tornou um ritual que parecia ajudar as duas a processar o que aconteceu. No entanto, quando nos aproximamos do hospital, algo estava diferente. Seth e eu trocamos um olhar de entendimento imediato. Havia um cheiro no ar, um cheiro que conhecíamos muito bem. Vampiros. E não eram quaisquer vampiros.
— Entra com Ayla — pedi a Seth, sentindo a urgência crescente no meu peito. — Vou dar uma olhada.
Seth assentiu, conduzindo Ayla para dentro do hospital enquanto eu me afastava, seguindo o cheiro até um pequeno bosque próximo. O silêncio ali era quase opressor, mas logo foi quebrado por uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar.
— Bella? — Chamei, surpreso ao vê-la emergir das sombras das árvores. Seu rosto, sempre tão sereno, parecia esboçar um sorriso ao me ver.
— Bem que Ayla disse que Renesmee Biers tem uma ligação com os Cullen. — Comentei, tentando soar despreocupado, embora meu coração estivesse acelerado.
— Ela é importante para nós... e parece que para você também. — Bella respondeu, sua voz suave, mas com um tom que eu não conseguia decifrar completamente.
— Qualquer pessoa que se coloque na frente de uma bala por minha filha se torna importante para mim. — Respondi sinceramente.
— Soube que você ajudou a salvá-la. — Bella começou a dizer, mas antes que ela pudesse continuar, fomos interrompidos.
Eliot apareceu ao lado de Edward, que me cumprimentou com um aceno de cabeça. O olhar de Eliot era penetrante, e ele parecia pronto para ir direto ao ponto.
— Melhor irmos. Ela me pediu para nunca mais procura-la — Eliot disse, suas palavras soando como uma lâmina afiada.
Fiquei surpreso com a afirmação. O que diabos o garoto poderia ter feito para Nessie não querer mais vê-lo nem pintado de ouro? A pergunta pairou no ar, mas logo lembrei que estava diante de dois leitores de mente. Claro, eles já sabiam no que eu estava pensando.
— Não é da sua conta. — Eliot respondeu antes de desaparecer na escuridão do bosque.
Bella lançou-me um último olhar, um misto de saudade e despedida.
— Foi bom vê-lo, Jacob. — Disse ela antes de desaparecer junto com Edward, deixando-me sozinho com meus pensamentos.
Suspirei, sentindo o peso da situação cair sobre mim. Havia tanto que eu não entendia, tanto que estava fora do meu controle. No entanto, o que eu podia fazer era proteger minha filha, estar ao lado dela e dos meus. Com esse pensamento, voltei ao hospital, determinado a enfrentar o que viesse pela frente.
Ao chegar à recepção do hospital, fui recebido por Matt e Lily, os rostos deles marcados pelo cansaço, mas também por uma gratidão palpável.
— Jacob, obrigado por tudo que fez por Nessie. — Matt começou estendendo a mão para mim.
Apertei a mão dele firmemente, sentindo o peso das palavras que trocávamos.
— Nunca serei capaz de retribuir o que Nessie fez por Ayla. — Respondi sinceramente, lembrando-me de como Renesmee se colocou na frente de uma bala por minha filha.
Matt balançou a cabeça, um sorriso triste nos lábios.
— Desde a morte dos pais nossa sobrinha sempre foi muito solitária — Ele disse, os olhos voltados para o chão. — Ayla lhe deu uma nova motivação de vida. Essa amizade está ajudando ambas a lidar com tudo que aconteceu... principalmente com a perda do amigo.
Meu peito apertou ao ouvir isso. Tantas vidas afetadas, tantas perdas que deixariam cicatrizes profundas.
— Só lamento não tê-la conhecido ainda. — Comentei, tentando manter o tom leve. — As visitas são restritas, mas espero conhecer em breve a famosa Renesmee Biers.
Lily sorriu e assentiu.
— Você a conhecerá, com certeza. Ayla já a convidou para ir à reserva. — Ela respondeu.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, vi Ayla aparecer na recepção, o rosto dela iluminado por um sorriso que há muito eu não via.
— Nessie está muito bem, pai. — Ayla disse, os olhos brilhando de alívio. — Ela adorou o presente que você comprou para ela.
O alívio tomou conta de mim, e sem pensar duas vezes, abracei minha filha. Era um momento pequeno, mas de uma felicidade imensa.
— Fico feliz em saber disso, minha querida. — Disse, dando-lhe um beijo na testa. — Mas infelizmente precisamos ir. Vamos pegar a estrada.
Ayla se despediu de Matt e Lily, pedindo que avisassem assim que Nessie tivesse alta.
— Assim que ela estiver bem o suficiente, avisaremos. — Matt prometeu.
Enquanto Ayla se afastava, me virei para Matt e Lily.
— Como Nessie está lidando com tudo que aconteceu? — Perguntei, a preocupação ainda evidente na minha voz.
Matt suspirou profundamente, trocando um olhar com Lily antes de responder.
— Ela está sofrendo muito, principalmente pela morte de Aaron e dos outros. — Ele admitiu, a dor em seus olhos espelhando a minha. — E não quer retornar à Universidade de Seattle.
— Ayla também não quer. — Eu disse, compreendendo perfeitamente o sentimento. — Talvez seja melhor as meninas trancarem a faculdade por um tempo. Ainda são jovens e têm uma vida inteira pela frente. O mais importante agora é o bem-estar delas.
Lily assentiu, claramente aliviada por ouvir alguém expressar o que ela mesma parecia estar pensando.
— Também acho. — Ela concordou, e Matt fez o mesmo.
— Aqui está meu cartão. — Disse, entregando-o a Matt. — Se precisarem de qualquer coisa, não hesitem em ligar.
Nos despedimos, e eu me afastei, sentindo o peso de todas aquelas palavras enquanto caminhava em direção ao veículo. Ao entrar, ouvi a risada de Ayla, tão leve e contagiante que por um momento todas as preocupações desapareceram.
— Qual é a piada? — Perguntei, lançando um olhar divertido para ela.
— Seth contou uma coisa muito engraçada. — Ela respondeu, ainda rindo.
Sorri enquanto dava a partida no carro, sentindo um alívio indescritível ao ver minha filha sorrir novamente. Naquele momento, agradeci por Ayla ter Seth. Ele era, sem dúvida, a pessoa no mundo que a amava tanto quanto, ou talvez até mais, do que eu.
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