Nevoeiro
52 Jacob- O pedido do irmão
Ao chegar na casa de Billy, fiquei surpreso ao ver o carro de Alexandre estacionado na frente. Uma parte de mim já sabia que algo assim estava por vir, mas a irritação subiu pela minha espinha ao perceber que meu pai tinha planejado esse encontro. Ele sempre teve um jeito de tentar resolver as coisas da maneira dele, e sabia que não seria diferente agora.
Entrei na casa, tentando manter a calma. Billy e Alexandre estavam na sala, em uma conversa que parecia séria. Cumprimentei-os brevemente e fui direto ao ponto:
— O que foi dessa vez?
Billy olhou para mim com aquele olhar firme, mas paternal. Ele pediu para que eu ouvisse o que Alexandre tinha a dizer antes de tomar qualquer atitude. Assenti, embora o desconforto fosse palpável.
— Eu vou pedir um exame de DNA do bebê de Olivia — disse Alexandre, com um tom que misturava determinação e hesitação. — Se a criança for minha, eu quero assumir a responsabilidade.
Por um momento, fiquei sem palavras. A ideia de que a paternidade do bebê pudesse ser questionada nunca tinha passado pela minha cabeça.
— Olivia me deu a palavra de que sou o pai — respondi, tentando manter a voz firme, mas sabendo que essa situação era delicada demais para ser resolvida com palavras duras.
Alexandre me encarou, seus olhos demonstrando que ele entendia a complexidade da situação, mas ainda assim, ele queria ter certeza.
— Sei que é complicado, Jake, mas se existe uma chance de que esse bebê seja meu, eu preciso saber. Eu tenho direito a isso, e o bebê também.
Fiquei em silêncio por um momento, sentindo o peso de tudo o que estava acontecendo. Nessie, a ameaça de Katherine, os recém-criados, e agora essa bomba pessoal jogada no meu colo. Billy observava em silêncio, provavelmente esperando que eu reagisse de forma explosiva, como era meu costume. Mas, pela primeira vez em muito tempo, me senti cansado. Cansado de lutar em tantas frentes, cansado de me manter firme quando tudo ao meu redor estava em caos.
— Eu entendo — respondi, finalmente. — Mas saiba que, independentemente do resultado, esse bebê terá tudo de mim. Não vou fugir das minhas responsabilidades.
Alexandre assentiu, percebendo que aquele era o máximo que ele conseguiria de mim naquele momento. A tensão na sala permaneceu, mas senti que, de alguma forma, havíamos alcançado um acordo silencioso.
Billy nos observava, seus olhos movendo-se entre mim e Alexandre, como se estivesse analisando o resultado daquela conversa. Ele sabia que essa situação ainda estava longe de ser resolvida, mas por enquanto, a tempestade havia passado. Ao menos, dentro daquela sala.
— Tenho que voltar — disse, me levantando.
Meus pensamentos já estavam longe quando Billy me chamou, mas antes de sair, ele me deu um olhar que me lembrou que, não importa o que aconteça, ele estava ali, como sempre esteve.
— Se precisar de qualquer coisa, você sabe onde me encontrar, filho.
Assenti e deixei a casa, minha mente voltando ao caos que estava por vir. O peso da responsabilidade, tanto pessoal quanto da matilha, estava sobre meus ombros. E eu tinha que estar preparado para enfrentar tudo isso.
Transformei-me em lobo assim que saí da casa de Billy, a raiva e a frustração borbulhando dentro de mim. As patas bateram contra o solo com força, levando-me para o encontro com o restante da matilha. O vento frio da floresta varria meu pelo, mas não era suficiente para dissipar o turbilhão de pensamentos que me assolavam. Não demorou muito para os pensamentos de Leah invadirem os meus.
*Olivia não vai aceitar isso, Jake.* Sua voz mental carregava uma mistura de preocupação e frustração.
*Se há essa possibilidade, Leah, ela terá que aceitar.* Respondi, com mais firmeza do que realmente sentia. Mesmo no fundo sabendo que seria uma batalha difícil, a ideia de alguém contestar minha paternidade ainda me deixava em um estado de inquietação.
Continuamos correndo até que, finalmente, chegamos aos limites dos dois territórios. Lá, Edward e Riley já nos esperavam. Assim que nos aproximamos, Edward se adiantou.
— Podemos dividir a tarefa de proteger Renesmee enquanto caçamos Marco — disse Edward, com aquela calma característica que às vezes irritava. Era como se ele já soubesse qual seria a resposta.
Sam estava ao meu lado, seus pensamentos alinhados com os meus. Não tínhamos escolha, não se tratava apenas de Renesmee, mas de Ayla também. Ele falou mentalmente comigo, *Precisamos proteger Ayla, Jake.*
Olhei para Edward, sabendo que era a decisão certa, mesmo que isso significasse depender dos Cullen.
*Aceito a proposta,* pensei, deixando que Edward lesse meus pensamentos. Ele assentiu, transmitindo a mensagem para Riley, que estava ao lado.
Os outros lobos se dispersaram, cada um assumindo sua posição. Fiquei para trás, sozinho com Riley e Edward. A tensão era palpável, mas Edward logo se afastou, nos deixando a sós.
Voltei à forma humana, minhas roupas sempre prontas para serem usadas após a transformação. Não perdi tempo e perguntei, direto como sempre:
— O que você quer, Riley?
Ele me olhou, o peso de tudo o que havia acontecido nos últimos dias refletido em seus olhos.
— Como está minha irmã? — perguntou, a preocupação evidente em sua voz.
Suspirei, esfregando a nuca enquanto buscava as palavras certas.
— Ela não sai do quarto há três dias. — Minha voz saiu mais grave do que eu pretendia, carregada com a preocupação que eu vinha tentando ignorar.
Riley assentiu, absorvendo a informação.
— É muita coisa para ela processar, Jake. Eu sei que ela é forte, mas... vai levar tempo para ela superar tudo isso. — Ele fez uma pausa, o peso de suas palavras caindo sobre nós dois. — Mas eu preciso que você faça mais do que apenas protegê-la.
Franzi o cenho, cruzando os braços sobre o peito.
— Eu já disse que vou proteger a Nessie.
— Não é só isso. — Riley olhou para mim, a seriedade em seus olhos crescendo. — Sei da ligação que você tem com ela, e por isso mesmo estou pedindo a sua ajuda para afastá-la de Eliot Cullen.
Aquilo me pegou de surpresa. Fiquei um momento em silêncio, tentando processar o pedido. Eliot... claro que eu já tinha percebido o interesse dele por Renesmee, mas não sabia que isso preocupava Riley a esse ponto.
— Afastá-la? — Repeti, mais para ganhar tempo enquanto tentava decidir o que pensar sobre aquilo.
Riley assentiu.
— Eliot pode parecer inofensivo, mas... ele não tem o mesmo carater que Edward Cullen. Ele vai machuca-la mais do que machucou a alguns meses atrás, e depois de tudo que aconteceu... ela não precisa disso.
Olhei para Riley, estudando sua expressão. Havia sinceridade no que ele dizia, uma preocupação genuína por sua irmã. Ele não queria que Nessie sofresse mais do que já estava sofrendo.
— Eu vou ajudar no que puder — prometi, finalmente. — Mas você sabe que não posso controlar tudo. Se ela quiser ficar perto dele, vai ser difícil convencê-la do contrário.
— Só preciso que você esteja lá para ela, Jacob. — Riley deu um passo para trás, como se estivesse prestes a se transformar e partir. — Sei que ela confia em você, e é por isso que estou pedindo isso. Proteja-a de todos, inclusive dele.
Eu assenti, ciente da responsabilidade que estava sendo colocada sobre mim. Riley se afastou, e eu o observei se transformar e desaparecer na floresta. Fiquei ali por um momento, sozinho, tentando processar tudo o que havia acontecido e o que ainda estava por vir.
As palavras de Riley ecoavam na minha mente enquanto eu voltava a minha forma lupina e me preparava para retomar a vigília. A segurança de Renesmee, o que quer que aconteça com o bebê de Olivia, as recém-criadas de Katherine... tudo isso estava caindo sobre meus ombros. E eu sabia que, de alguma forma, teria que encontrar uma maneira de proteger a todos.
Quando voltei para casa, senti o peso da responsabilidade em cada passo que dava. Transformei-me de volta em humano antes de entrar, e o familiar cheiro de comida caseira encheu minhas narinas. O som de risadas e botões sendo pressionados veio da sala de estar, trazendo um leve sorriso aos meus lábios. Ayla e Seth estavam jogando videogame, totalmente imersos na competição. Era uma visão reconfortante em meio ao caos que envolvia nossas vidas recentemente.
Rebecca, por outro lado, estava na cozinha, organizando a mesa para o jantar. Eu havia pedido para ela ficar enquanto Marco ainda estivesse à solta; não podia arriscar a segurança dela e de Ayla. Quando entrei, ela levantou o olhar e me deu um pequeno sorriso.
— Vai jantar com a gente, Jake? — ela perguntou, um leve tom de esperança em sua voz.
Eu neguei com um aceno de cabeça, tentando manter a voz neutra.
— Vou sair com Renesmee — respondi, observando como seu sorriso murchou um pouco, um misto de surpresa e constrangimento passando por seu rosto.
— Entendi. — Ela voltou a focar nos talheres, organizando-os na mesa.
Eu sabia que essa situação era estranha para ela, para todos nós, na verdade. A dinâmica entre mim e Renesmee estava mudando, e Rebecca estava tentando entender seu lugar nesse novo cenário. Não era algo fácil para ninguém.
— Nessie ainda está no quarto? — perguntei, tentando aliviar o momento.
Ayla, sem tirar os olhos da tela, respondeu:
— Sim, mas ela está bem.
Assenti, sentindo um alívio que não queria demonstrar. Era bom saber que Renesmee estava se adaptando, pelo menos um pouco, ao novo ambiente. Subi as escadas correndo, decidido a vê-la antes de sairmos. Bati na porta do quarto e, após alguns segundos, ouvi a voz dela do outro lado.
— Pode entrar.
Abri a porta e a encontrei sentada diante do notebook, focada nas planilhas da Black Motors. Não pude deixar de sorrir ao vê-la tão concentrada.
— Estou atrapalhando? — perguntei, inclinando-me contra o batente da porta.
Ela levantou o olhar e deu um pequeno sorriso.
— Alguém precisa trabalhar na Black Motors, né?
Ri suavemente e caminhei até ela, deixando-me cair na cadeira ao lado.
— Verdade, mas... hoje à noite você vai ter que fazer uma pausa. — Meu tom era meio brincalhão, mas firme o suficiente para que ela soubesse que eu estava falando sério.
Renesmee ergueu uma sobrancelha, curiosa.
— Pausa para quê?
— Nós temos um jantar marcado — respondi me aproximando e oferecendo minhlevantando-mea levantar.
Ela hesitou por um momento, o olhar curioso, mas acabou segurando minha mão e se levantando. Seus dedos estavam ligeiramente frios ao toque, e senti um leve arrepio percorrer minha espinha.
— Um jantar? — Ela parecia desconfiada, mas não completamente contra a ideia.
— É isso mesmo — confirmei, sorrindo de leve. — Agora vá se arrumar. Temos que sair logo.
Ela assentiu, ainda um pouco intrigada, mas pegou suas coisas e se dirigiu ao banheiro. Enquanto ela se preparava, eu me aproximei da janela, olhando para a escuridão lá fora. Havia muita coisa em jogo, mas naquele momento, eu estava determinado a aproveitar o tempo que tinha com Renesmee, mesmo que fosse apenas um jantar.
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