Nevoeiro

53 Jacob - Noite de amigos


Estacionei o carro em frente ao "The Beachside Grill," um restaurante acolhedor com vista para o mar em La Push. Saí do carro rapidamente e dei a volta para abrir a porta para Renesmee. Ela sorriu e agradeceu, aceitando meu braço quando o ofereci. A noite estava fria, mas o calor da presença dela ao meu lado parecia aquecer o ambiente.

Dentro do restaurante, fomos recebidos por uma mistura agradável de aromas e um ambiente descontraído. Sentamo-nos em uma mesa com vista para a praia, e o jantar fluiu de maneira surpreendentemente divertida. Nessie estava rindo, relaxada, e eu não conseguia parar de sorrir ao vê-la assim.

Quando terminamos, saímos para caminhar na praia. O som das ondas quebrando suavemente na areia parecia acalmar qualquer inquietação que eu pudesse ter sentido mais cedo. Enquanto andávamos, decidi que era o momento de abordar o assunto que estava me incomodando.

— Nessie — Comecei tentando manter a voz casual — O que há entre você e Eliot Cullen?

Ela me olhou por um momento, surpresa, mas então sorriu de um jeito compreensivo.

— Se não quiser me falar tudo bem. Completei.

— Está tudo bem, Jake — Disse ela. — Ayla me contou muito sobre sua vida pessoal. É justo que você conheça um pouco da minha também.

Agradeci internamente por sua disposição em ser honesta. — É que preciso saber se tenho algum concorrente — Acrescentei, meio brincando, meio sério.

Nessie riu suavemente e começou a explicar.

— Conheci Eliot na SU e me apaixonei por ele. Achei que ele sentia o mesmo por mim. Mas… aconteceu uma coisa entre nós, e ele simplesmente desapareceu.

Eu a olhei nos olhos, percebendo a vergonha que ela sentia ao falar sobre isso. — E o que ele fez depois? Perguntei, tentando manter a calma, mesmo que a raiva estivesse começando a subir dentro de mim.

— Ele terminou comigo— Ela respondeu, com a voz trêmula e os olhos brilhando. — Disse que tinha sido só uma noite.

Suspirei, tentando controlar minha fúria. Meu primeiro instinto era correr até a casa dos Cullen e confrontá-lo, mas me segurei. — Nessie, você não tem por que se sentir mal ou envergonhada— Disse, a voz firme. — Na vida, existem homens e existem moleques, até mesmo quando se trata de… bem, sanguessugas ou projetos deles.

Ela riu, repetindo — Projeto de sanguessuga— E nós dois rimos juntos, o peso da conversa anterior se dissipando um pouco.

— Você é incrível, Nessie. — Falei, olhando nos olhos dela. — E se estiver pensando que estou dando em cima de você…

Ela ficou vermelha, mas sorriu timidamente. — Seria tentador, — Respondeu, com sua voz suave, mas cheia de sinceridade.

Aquelas palavras me atingiram de uma maneira que eu não esperava. Eu queria ser mais do que apenas uma figura protetora em sua vida. Eu queria estar ao seu lado, não só para protegê-la, mas também para vê-la feliz. Nessie era especial para mim de uma maneira que eu ainda estava tentando entender.

Continuamos andando pela praia, o som das ondas quebrando na costa proporcionando um fundo tranquilo para a nossa conversa. Não precisava de palavras; o momento por si só era suficiente. Quando ela deslizou a mão na minha, não resisti e entrelacei nossos dedos, uma promessa silenciosa de que eu estaria ali, não importa o que acontecesse.

Enquanto caminhávamos pela praia, o som das ondas ao fundo parecia acalmar o ambiente tenso depois de nossa conversa. A brisa do mar era refrescante, mas não conseguia apagar o calor crescente que sentia em meu peito ao olhar para Renesmee. Suas palavras ecoavam na minha mente, e era difícil não pensar no que Eliot tinha feito a ela. Eu queria protegê-la de qualquer dor, mas sabia que, para isso, precisaria ser paciente e respeitar seu espaço.

Decidi quebrar o silêncio. — Sabe, Nessie, você é muito mais forte do que pensa. Eu vejo isso em você todos os dias, e é por isso que eu confio tanto em você na Black Motors. Não é só por causa do seu trabalho, mas pela pessoa que você é.

Ela olhou para mim, surpresa, como se estivesse processando o que eu tinha acabado de dizer. —Eu... agradeço por isso, Jake. Eu nunca pensei que seria capaz de trabalhar em algo tão grande quanto a sua empresa, mas você sempre acreditou em mim.

Eu balancei a cabeça, sorrindo. — Claro que acredito em você. Sempre acreditei. E quero que saiba que, independentemente de qualquer coisa, eu estarei aqui para o que precisar.

Ela parou de andar por um momento, virando-se para mim. —Você realmente é um amigo incrível, Jacob.

O jeito que ela disse isso, com tanta sinceridade, me fez sentir que, talvez ela me visse de uma forma que ia além do que apenas amizade. Mas ao mesmo tempo, eu sabia que precisávamos ir com calma. Havia muita coisa acontecendo ao nosso redor—Marco, Katherine, Riley... Eu não poderia permitir que algo a machucasse novamente, e isso incluía proteger seu coração, mesmo que isso significasse manter distância.

Ela se aproximou um pouco mais de mim, e em silêncio, continuamos nossa caminhada. O som das ondas quebrando na areia era nosso único companheiro, enquanto a lua iluminava nosso caminho. Mesmo em meio a tanta incerteza, havia uma sensação de paz ao estar ao lado de Renesmee, como se, por um breve momento, tudo estivesse em seu devido lugar.

Voltamos para casa em silêncio, o motor do carro ronronando suavemente enquanto Renesmee observava a estrada pela janela. Eu me perguntava o que se passava na cabeça dela, mas decidi não pressioná-la. Quando finalmente chegamos, estacionei o carro na frente da casa, e ela saiu, parando perto da varanda. Havia algo no seu olhar que me fez parar também.

— Preciso ver uma coisa — disse ela, sua voz suave, quase hesitante.

Franzi a testa, curioso.

— Que coisa? — Perguntei, inclinando a cabeça.

Ela sorriu, meio envergonhada.

— Parece bobagem, eu sei. Ainda estou tentando digerir essa história de lobos e vampiros, mas… tenho uma curiosidade.

Cruzei os braços, tentando parecer sério, embora estivesse curioso sobre o que viria a seguir.

— Pode pedir — incentivei, com um sorriso.

Ela mordeu o lábio, claramente constrangida, e então fez um pequeno sinal com o dedo indicador, como se estivesse tentando indicar algo sem realmente dizer as palavras.

— Pode… — Ela hesitou, e eu continuei a olhar para ela, tentando entender. Finalmente, ela suspirou e completou: — Virar um lobo, sabe, como naquele dia.

Não pude evitar sorrir.

— Claro, mas não aqui — respondi, sinalizando para que ela me seguisse.

Caminhamos até o bosque, entrando na floresta até chegarmos a uma clareira iluminada pelo luar. Era um lugar calmo, onde o som das folhas ao vento e o brilho suave da lua criavam uma atmosfera mágica.

Parando no centro da clareira, ela olhou para mim, expectante.

— Então? — Perguntou, impaciente.

— Bem, eu preciso tirar a roupa para isso. Não é como uma mágica onde as roupas permanecem intactas — expliquei, rindo um pouco.

Ela riu de volta, o que era bom de ver. Mas quando me preparei para começar a me despir, ela me lançou um olhar envergonhado.

— Pode virar de costas? — Perguntei.

— Mas se eu virar de costas, não vou vê-lo se transformar! — Protestou ela, divertida.

Dei um passo para frente, brincando.

— A menos que você deseje me ver sem roupas — provoquei, com um tom brincalhão.

Ela ficou vermelha e sorriu, tentando disfarçar.

— Não seria algo ruim — respondeu, olhando para o chão.

Ri e tirei a camisa.

— Então, está bom — falei, percebendo que ela rapidamente cobriu os olhos com as mãos.

Com um sorriso nos lábios, tirei o resto das roupas e disse:

— Pode abrir os olhos agora.

Assim que ela abriu os olhos, me transformei diante dela. Senti o olhar dela se fixar em mim, uma mistura de surpresa e medo. Era o mesmo olhar que já tinha visto antes, mas havia algo de diferente agora, algo mais profundo.

Ela se aproximou lentamente, seus olhos brilhando na luz do luar, enquanto murmurava:

— É incrível… e real.

Ela estendeu uma mão trêmula e, quando tocou minha pelagem, senti uma onda de felicidade. Seu toque era suave, quase reverente. Não pude evitar e dei uma lambida em seu rosto, fazendo-a recuar e fazer uma cara de nojo.

— Para com isso! — Exclamou, rindo.

Mas eu fiz de novo, provocando ainda mais risadas. Logo, a derrubei gentilmente no chão, continuando com as lambidas até que ela estivesse rindo tão alto que ecoava na clareira.

Era um som que eu nunca me cansaria de ouvir.