Nevoeiro

54 Jacob - DNA


Nos dias que se seguiram, a caçada por Marco tornou-se uma rotina para a matilha. O rastro do vampiro surgia nos limites de Forks e La Push, mas ele sempre desaparecia antes que conseguíssemos alcançá-lo. A paisagem da floresta, com suas árvores altas e musgo espesso cobrindo o chão, era o nosso cenário constante. O cheiro de terra úmida e a brisa fresca da manhã eram nossos companheiros silenciosos enquanto rastreávamos Marco.

Os lobos, incluindo Leah, Seth e eu, movíamo-nos com precisão pelos terrenos irregulares, cruzando riachos e subindo encostas íngremes. Passávamos por clareiras banhadas pela luz do sol, onde os raios penetravam a copa das árvores, criando sombras dançantes no chão. Ao anoitecer, o vento frio soprava através dos galhos, e o som das corujas ao longe era o único som além de nossas patas esmagando o solo.

Enquanto isso, o grupo liderado por Riley não teve tanta sorte. Marco parecia ter uma habilidade irritante de escapar dos dons de Edward e Eliot, sempre evitando confrontá-los. Era como se ele soubesse exatamente quando e onde estar para permanecer fora de alcance.

Riley e eu continuávamos a seguir o plano. Quando os lobos precisavam descansar, Nessie ficava com seu irmão na casa dos Cullen. E quando eles precisavam se alimentar, ela estava comigo. A tensão e a preocupação com Ayla e Nessie eram constantes, mas não podíamos nos dar ao luxo de deixar a guarda baixa.

Nos últimos três dias, Marco e Katherine não deram sinal de vida. Aproveitei esse intervalo para resolver problemas mais mundanos. Nessie ficaria com Riley e os Cullen, enquanto a matilha descansava. Ayla estava segura em casa com Seth e Paul, o que me deu algum tempo para ir a Seattle.

Alex havia cumprido o pedido de exame de DNA, e Olivia não teve outra opção senão realizá-lo. Assim, peguei o carro e dirigi até Seattle, com a cabeça cheia de pensamentos. Estacionei em frente ao *Swedish Medical Center*, um dos maiores hospitais da cidade, onde Olivia já me aguardava com Alex.

Ao entrar no hospital, o ambiente estéril e o cheiro de desinfetante me atingiram imediatamente. As luzes fluorescentes davam ao lugar um brilho clínico, quase opressivo. Alex estava encostado na parede ao lado de Olivia, os dois em silêncio, mas o clima era pesado.

— Jacob — Alex me cumprimentou com um aceno de cabeça, a expressão no rosto dele séria.

— Alex, Olivia — respondi, me aproximando dos dois.

Olivia estava inquieta, seus dedos entrelaçados em um gesto nervoso. Seus olhos, porém, estavam fixos no chão.

— Então, já estamos prontos para isso? — Perguntei, tentando manter minha voz calma, mesmo que o peso da situação estivesse pressionando meus ombros.

— Sim, o médico deve estar vindo com os resultados a qualquer momento — Olivia respondeu, finalmente levantando os olhos para me encarar. Havia uma mistura de emoções em seu olhar que eu não conseguia decifrar completamente.

Aguardei ao lado deles, os sons do hospital ao nosso redor — o murmúrio de conversas distantes, o ruído dos passos dos enfermeiros, e o som constante dos monitores médicos. Meu coração batia um pouco mais rápido do que o normal, a tensão em meu peito crescendo a cada segundo.

Finalmente, a porta se abriu, e o médico entrou na sala com uma expressão neutra, carregando um envelope nas mãos. Ele olhou para nós três antes de falar:

— Os resultados do exame de DNA estão aqui.

O silêncio na sala parecia pesado, denso como uma neblina que se recusava a dissipar. Eu, Alex, e Olivia aguardávamos, nossos olhares fixos no médico que segurava o envelope com os resultados. O tempo parecia se arrastar, cada segundo se alongando em uma eternidade de incertezas.

O médico finalmente abriu o envelope e leu o conteúdo com uma expressão profissionalmente neutra. Ele então levantou os olhos para nós, segurando o olhar de Alex por um momento antes de falar.

— Os resultados confirmam que Alexander Black é o pai biológico da criança — anunciou ele, com a voz firme e clara.

Olivia não pareceu surpresa. Na verdade, seus olhos refletiam uma calma que me incomodava profundamente. Alex, por outro lado, sorriu, seus olhos brilhando com uma alegria que eu não podia compartilhar. Senti um peso afundar ainda mais no meu peito enquanto Olivia desviava o olhar de Alex para mim, com uma expressão que dizia "Eu sabia".

Alex deu um passo em direção a mim, hesitando por um momento antes de falar.

— Jacob, não é nada pessoal — ele disse, com uma honestidade que eu não esperava. — Eu cresci sem pai, e não quero que meu filho passe pelo mesmo.

Eu assenti, sentindo minha própria frustração e decepção se misturarem com um lampejo de compreensão. Talvez eu tivesse julgado Alex errado, mas isso não diminuía o amargor da situação.

— Vai esperar lá fora? — Olivia pediu a Alex, com a voz mais suave do que eu havia ouvido em muito tempo.

— Claro — ele respondeu, lançando-me um último olhar antes de sair da sala. O barulho da porta se fechando atrás dele soou como um ponto final em uma história que eu não queria ler.

Ficamos a sós, eu e Olivia. Ela abriu a boca para tentar se explicar, mas eu a interrompi antes que ela pudesse começar.

— Dois anos de mentiras e traições, Olivia — minha voz estava carregada de uma raiva contida, mas também de uma dor que não consegui esconder. — Se você acha que estou feliz com esse resultado, está muito enganada.

Ela baixou os olhos, e por um momento, pareceu que ia chorar. Mas quando levantou a cabeça, havia uma expressão resignada em seu rosto.

— Jacob, é melhor assim — disse ela suavemente. — Agora você pode ser feliz com Renesmee.

Eu ri, um som sem humor, antes de responder:

— Mesmo que essa criança fosse minha, eu faria de tudo para que ela fosse feliz. Jamais atrapalharia minha vida, Olivia. Mas agora, quem não quer te ver nunca mais sou eu. Estamos terminados aqui.

Sem esperar pela resposta dela, virei as costas e saí apressado, ignorando os gritos que ela lançou em minha direção. Cada passo que eu dava para longe dela era um esforço consciente de manter minha raiva sob controle.

Entrei no carro, ligando o motor com força, e saí cantando pneus, deixando para trás o hospital, a cidade e, com sorte, aquela parte da minha vida. O caminho de volta para casa foi uma tortura. Cada quilômetro percorrido era uma lembrança dolorosa de tudo o que eu havia perdido. Mas forcei-me a concentrar em outras questões: o perigo que ainda cercava minha filha e a mulher que amava.

Quando finalmente cheguei em casa, a noite já havia caído, e a escuridão parecia espelhar meu humor sombrio. Ao entrar, fui recebido por Ayla, que parecia aflita.

— Liguei para você durante toda a manhã, pai — ela disse, com preocupação evidente em sua voz.

Eu tirei o celular do bolso e percebi que ele estava descarregado. Droga, não deveria ter deixado isso acontecer.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei, sentindo meu coração acelerar com a possibilidade de mais problemas.

Rebecca, que estava ao lado de Ayla, parecia ainda mais preocupada.

— Nessie não está bem, Jacob — Disse ela, antes que Ayla pudesse responder.

Não esperei para ouvir mais. Subi as escadas correndo, meu coração disparado, e entrei no quarto de Nessie sem sequer bater. O que vi fez meu estômago revirar. Ela estava sentada no chão ao lado da cama, o rosto escondido entre os joelhos, seu corpo encolhido como se tentasse se proteger do mundo.

Me ajoelhei à sua frente, o pânico e a preocupação tomando conta de mim.

— Nessie, o que aconteceu? — Perguntei, minha voz falhando enquanto tentava não transparecer o medo que sentia.

Ela levantou o olhar, e os olhos inchados de tanto chorar me atingiram como um soco no estômago. Sem dizer uma palavra, ela se lançou em meus braços, desabando em lágrimas.

Abracei-a com força, sentindo seus soluços sacudirem seu corpo contra o meu. Beijei seus cabelos, segurando-a firme como se pudesse protegê-la de toda a dor que ela estava sentindo.

— Vai passar, Nessie — murmurei, a voz rouca de aflição. — Não importa o que seja, eu prometo que farei passar.

E naquele momento, enquanto segurava Nessie em meus braços, tudo o que eu queria era ser capaz de cumprir essa promessa.