Nevoeiro

69 Jacob- Insegurança


Depois que destruímos Marco, os lobos se dispersaram. Sabíamos que o desaparecimento dele provavelmente colocaria Katherine em alerta. A vitória era pequena, mas serviu para nos dar algum tempo e espaço para respirar.

Eu segui para a casa dos Cullens para buscar Renesmee. Tinha prometido que ela ficaria lá apenas o tempo necessário e nem um minuto a mais. Enquanto dirigíamos de volta pela estrada de La Push, percebi que Nessie estava distante, perdida em pensamentos.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, tentando captar seu olhar. — Eliot fez alguma coisa?

Ela negou com um leve aceno de cabeça.

— Não, Jake. Eliot Cullen não se aproximou de mim.

Havia algo na maneira como ela falou que me deixou desconfiado, então insisti.

— Isso te incomodou?

Ela desviou o olhar, focando a janela ao seu lado.

— Não, foi um alívio. — A resposta dela foi firme, mas a hesitação em sua voz me fez pensar que havia algo mais.

O silêncio que seguiu foi pesado, e eu estava prestes a perguntar de novo quando ela quebrou o gelo.

— Você já conversou com Olivia sobre o bebê? — Nessie perguntou, ainda olhando para fora, como se as árvores que passavam rapidamente pudessem lhe dar alguma resposta.

Suspirei antes de responder.

— Não ainda. Marquei para conversarmos à noite. — Eu sabia que essa conversa precisava acontecer, mas adiá-la parecia mais fácil. — Olivia ficou surpresa e pediu ao laboratório uma nova análise, com outro médico, e pediu sigilo.

Nessie assentiu, mas não disse nada. O silêncio voltou a preencher o carro, me deixando inquieto.

— Fiz algo que te magoou? — Perguntei, temendo a resposta.

Ela negou com a cabeça.

— Não, Jake. É só cansaço. Eu tive que absorver muita coisa nos últimos dois meses... Às vezes, sinto que vou surtar.

— Isso vai passar. — Eu disse, tentando tranquilizá-la. — Muito em breve, você poderá ter sua vida normalizada.

— Espero que sim. — Ela sussurrou, e o silêncio voltou a reinar entre nós.

Ao chegarmos em casa, Ayla foi a primeira a nos receber, com um sorriso brilhante e um abraço caloroso em Nessie.

— Deu tudo certo! — Ayla exclamou, os olhos brilhando de excitação.

Nessie sorriu, abraçando-a de volta.

— Fiquei sabendo que você deu a Marco o que ele merecia.

Ayla riu, mas logo sua expressão ficou mais séria.

— Minha mãe está triste.

Suspirei, sabendo que precisava lidar com isso também.

— Vou conversar com a Rebecca.

Subi as escadas, sentindo o peso de todas essas situações sobre mim. Quando cheguei ao quarto de Rebecca, a porta estava entreaberta, e a voz dela me chamou antes que eu pudesse bater.

— Pode entrar, Jake.

Empurrei a porta suavemente e a encontrei chorando. Sem hesitar, cruzei o quarto e a abracei calorosamente, sentindo o corpo dela tremer contra o meu. Beijei seus cabelos, tentando transmitir algum conforto.

— Quero que você seja feliz, Rebecca. — Eu sussurrei, com sinceridade.

Ela assentiu, enxugando as lágrimas.

— Vou para a casa da minha mãe. — Disse com a voz fraca, mas determinada. — Sempre virei visitar Ayla.

— Você sempre será bem-vinda. — Respondi, o carinho em minha voz era sincero.

Enquanto estávamos ali, abraçados, senti um par de olhos nos observando. Levantei o olhar e percebi que a porta ainda estava aberta. Nessie estava parada ali, sem dizer nada. Seus olhos estavam fixos em mim e Rebecca, uma expressão que eu não consegui decifrar no rosto.

O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de sentimentos não expressos. Mesmo com todas as nossas vitórias e derrotas, algumas feridas ainda estavam longe de cicatrizar.

Nessie parou na porta, hesitando por um momento antes de falar.

— Eu vim saber como a Rebecca está. — Sua voz soou gentil, mas havia um tom sutil de tensão. — Ela sempre foi muito acolhedora comigo.

Rebecca sorriu, afastando-se de mim e enxugando as últimas lágrimas.

— Estou bem, querida. — Disse, em um tom mais leve, quase maternal. — Agradeço por se preocupar. Você é muito gentil.

Nessie retribuiu o sorriso, mas algo em seus olhos me dizia que havia mais por trás de sua visita.

— Preciso de um banho. — Disse ela de repente, com uma expressão que parecia desconfortável. Antes que eu pudesse responder, ela se virou e saiu do quarto, deixando-me com uma sensação inquietante.

Rebecca olhou para mim, um sorriso conhecedor nos lábios.

— Nessie está com ciúmes, Jake. — Ela disse sem rodeios. — Você ainda não contou a ela sobre o imprinting, não é?

Suspirei, sentindo o peso da situação.

— Não contei. — Admiti, sentindo a pressão aumentar. — Nessie já tem muita coisa para absorver. Não quero sobrecarregá-la ainda mais.

Rebecca cruzou os braços, o olhar firme.

— É melhor você falar a ela. — Sua voz era séria, mas havia um toque de preocupação. — Está bem claro que ela está insegura, e eu não a julgo. Eu sou sua ex, tem a Olivia e o bebê... Saber sobre o imprinting vai deixá-la mais segura, Jake.

Passei a mão pelos cabelos, lutando contra a confusão que essa conversa me trazia.

— Nessie precisa confiar em mim sem saber do imprinting. — Respondi, tentando me convencer de que essa era a melhor abordagem. — Vou conversar com ela, mas no meu tempo. Quando você pretende ir?

Rebecca suspirou, soltando um sorriso triste.

— No final de semana. — Respondeu com um tom resignado.

Assenti, reconhecendo que nossa conversa havia chegado ao fim. Saí do quarto e fui atrás de Nessie, decidido a tentar acalmá-la. Chegando à porta do quarto dela, bati algumas vezes, mas não obtive resposta.

Suspirei, sentindo a frustração crescer. Talvez fosse melhor dar um tempo para ela, deixá-la processar as coisas à sua maneira. Eu sabia que precisava ter essa conversa com ela, mas precisava ser no momento certo. Por enquanto, o melhor que eu podia fazer era esperar.

O resto da tarde foi um tormento. Nessie não quis falar comigo, e o silêncio entre nós só aumentava a tensão. Eu não sabia o que fazer para quebrar essa barreira que parecia se erguer entre nós.

Ayla, sempre perceptiva, veio falar comigo depois de conversar com Nessie.

— Ela está chateada com você, pai. — Disse, a voz cheia de preocupação.

Suspirei, passando a mão pelos cabelos.

— Eu sei o motivo, mas ela não quer me ouvir. — Respondi, sentindo o peso da situação.

Ayla mordeu o lábio, hesitando antes de continuar.

— Ela acha que você só está com ela por proteção. — Disse finalmente, os olhos dela cheios de sinceridade. — Mas, por favor, não diga a ela que eu te contei isso. Ela pode não confiar mais em mim.

Olhei para minha filha, admirado com a sensibilidade e lealdade que ela tinha com Nessie.

— Não vou contar, prometo. — Disse, passando a mão pelo cabelo dela em um gesto de carinho. — Vou conversar com ela quando eu voltar da casa da Olivia. Recebemos o novo resultado do DNA.

Ayla assentiu, mas antes de se afastar, disse:

— Vou com você. Seth vai treinar os novatos com Sam e eu vou participar.

Sorri diante do entusiasmo dela. Coloquei um dos braços ao redor do pescoço da minha filha e caminhamos juntos em direção ao carro. Mas, enquanto seguiamos para a casa dos Clearwater, meus pensamentos estavam em Nessie. Precisava conversar com ela, precisava explicar tudo. A distância que ela havia criado nas últimas horas era torturante.

Chegamos à casa dos Clearwater e encontramos Seth esperando por Ayla na entrada. Olivia apareceu logo em seguida, segurando um envelope nas mãos. Ela nos olhou com uma expressão séria e disse:

— Ouvi sua voz, Jacob.

Seth e Ayla se afastaram, nos deixando a sós. Olhei para Olivia, sentindo meu coração acelerar.

— Esse é o resultado? — Perguntei, apontando para o envelope.

Ela assentiu, entregando-o para mim.

— Está lacrado. — Disse com um tom de nervosismo. — O médico que realizou o primeiro exame está de férias, o que tornou tudo mais fácil.

Respirei fundo antes de romper o lacre e abrir o envelope. Meu coração disparou ao ler o resultado.

— Está dizendo que eu sou o pai do bebê. — Disse, a voz carregada de surpresa e confusão.

Olivia pegou o papel das minhas mãos, os olhos se arregalando ao ler o que estava escrito.

— Isso não faz sentido. — Murmurou, balançando a cabeça. — Por que Alex compraria o médico e mudaria os resultados?

Eu a observei, sentindo um misto de frustração e compreensão.

— Porque ele quer tudo que é meu. — Respondi, o tom amargo da minha voz revelando o quanto essa situação me incomodava.

Olivia olhou para mim, os olhos marejados.

— Sinto muito, Jake. — Disse, a voz trêmula. — Fui tola em acreditar nas palavras de Alex quando ele dizia que você me traía com outras nas viagens.

Senti um aperto no peito ao ver a dor nos olhos dela.

— Eu errei com você, Olivia. — Admiti, sentindo o peso da culpa. Eu sabia que ela merecia a verdade, mesmo que fosse dolorosa.

Olivia me olhou, as lágrimas finalmente escorrendo por seu rosto.

— Então era verdade... — Sussurrou, mais para si mesma do que para mim.

Eu me aproximei, querendo de alguma forma aliviar sua dor.

— Aconteceu uma vez, mas foi antes de termos algo verdadeiro entre nós. — Expliquei, esperando que isso pudesse diminuir a mágoa que ela sentia.

Ela assentiu lentamente, como se estivesse processando tudo.

— Mas ainda assim, isso me machucou. — Disse, a voz cheia de uma dor contida.

Eu só pude concordar, sentindo que, apesar de tudo, não havia nada mais que pudesse ser feito para consertar o passado. O que importava agora era o futuro, para todos nós. E, com Nessie esperando por mim, eu sabia que precisava colocar as coisas em ordem, tanto aqui quanto com ela.

— Olivia, — comecei, tentando soar o mais sincero possível, — eu quero estar presente para você e o bebê, seja ele meu filho ou não. Mas preciso resolver as coisas com Nessie primeiro. Ela está insegura, e eu não posso deixá-la nesse estado.

Ela olhou para mim, um misto de gratidão e tristeza em seus olhos.

— Eu entendo, Jake. Vá até ela. — Disse, enxugando as lágrimas e tentando sorrir. — Nós podemos conversar mais tarde.

Olivia me abraçou e eu retribui ao abraço, porém ao me afastar vi Nessie de costas, o coração apertou. A última coisa que eu queria era machucá-la ainda mais.