Nevoeiro

34 Jacob - Imprinting


Notas iniciais
Chegou o momento esperado.

Após a nossa conversa, a relação com Olivia se tornou mais amena. Já se passara um mês desde a revelação feita por Ayla, e eu havia decidido adiar o exame de paternidade até o nascimento da criança. Queria garantir que Olivia tivesse uma gravidez tranquila, sem mais estresse ou preocupações.

Naquele dia, eu havia acabado de encerrar uma reunião na empresa e estava saindo da sala quando dei algumas orientações à minha secretaria. Ela anotou tudo com precisão e, ao me ver se direcionar ao elevador, me avisou que Alex estava na minha sala à minha espera.

Suspirei e dei meia volta, entrando novamente na minha sala. Alex estava sentado na minha cadeira e se levantou ao me ver.

— Você tem poucos minutos — eu disse, tentando manter a calma. — O que você quer?

Alex olhou para mim com uma expressão de desafio.

— Apenas vim te avisar que estou voltando — ele disse, com um tom de desdém.

Ri ironicamente e respondi:

— Você nem deveria ter voltado. Sua presença aqui não faz a menor diferença.

Ele me confrontou, com um olhar desafiador.

— Eu também sou um Black, goste você ou não. Não tenho culpa se a Olivia prefere o Black mais velho.

Sem pensar, agarrei Alex pela camisa e o puxei para perto.

— Eu não vou te arrebentar, porque hoje é o aniversário da minha filha e não quero dar esse desgosto a ela passando a noite em uma cela. Mas é bom você andar na linha. Você pode ser o filho bastardo de Billy Black, mas a empresa ainda é de Jacob Black.

Soltei Alex com força e, sentindo a raiva ferver dentro de mim, saí da sala. Peguei o elevador, tentando acalmar meus pensamentos.

Ao sair da empresa, olhei para meu celular e vi uma ligação perdida de Seth. Retornei à chamada, e ele atendeu rapidamente.

— Já está em La Push? — Perguntou Seth.

— Estou retornando agora. — Respondi. — A Ayla pediu algo de Seattle?

— Não, mas preciso da sua ajuda. Estou em Seattle. — Seth disse, com um tom de urgência. — Estou na casa de Renesmee. Ela ligou e disse que vai a festa. Vai ser o presente dela de aniversário para mim.

Sorrí largamente ao ouvir isso.

— A Ayla vai ficar feliz em saber disso. — Eu disse, contente com a notícia.

— Preciso que você ocupe a Ayla até eu chegar. Nós chegaremos na hora da festa.

— Isso vai ser impossível, mas vou tentar. — Eu disse, sorrindo, sabendo que a missão de substituir Seth seria um desafio.

Desliguei o celular e dei partida na moto, retornando para casa. A ideia de que Seth e Renesmee estavam planejando algo especial para Ayla me deixou animado. No fundo, eu sabia que isso traria um pouco de alegria e distração para minha filha, o que era exatamente o que ela precisava.

O retorno a La Push foi um alívio para mim. A estrada sinuosa e a paisagem tranquila sempre me proporcionavam uma sensação de paz, uma pausa da tensão que me cercava. O verde das árvores e o som suave do vento eram um bálsamo para minha mente agitada.

Ao chegar em casa, fui recebido por um clima festivo. No lado de fora, a casa estava decorada com mesas e cadeiras, cada uma adornada com toalhas de mesa em tons pastéis e balões coloridos. O tema escolhido por Ayla era contos de fadas, e a decoração refletia isso com elegância. Havia guirlandas de flores artificiais entrelaçadas com fitas brilhantes, e pequenas lanternas em forma de castelo iluminavam o ambiente. Os jardins estavam repletos de balões em forma de estrelas e corações, e mesas eram decoradas com centros de mesa que imitavam castelos encantados e florestas mágicas.

Ao entrar na casa, o mesmo tema continuava. A sala estava transformada em um reino de conto de fadas, com painéis de papel de parede que evocavam florestas mágicas e estrelas cintilantes. Eu não pude deixar de sorrir ao ver o esforço que Ayla tinha colocado na decoração.

Quando Ayla me viu, seu rosto se iluminou, mas logo ela franziu a testa ao me ver.

— Onde está o Seth? — Ela perguntou e eu a encarei tentando pensar rapidamente em uma desculpa.

— Ele teve que ir resolver um imprevisto de última hora, mas vai chegar um pouco mais tarde.

Ayla fez um bico, claramente desapontada, mas não questionou mais. Eu a abracei, tentando transmitir um pouco de conforto e tranquilidade.

— O que devo usar? — Perguntei, curioso.

— Eu já separei sua fantasia — Ayla respondeu, com um sorriso travesso.

Fiz uma cara de dor, e Rachel, que estava ajudando com os preparativos, riu.

— São os ossos do ofício — disse ela, com um tom divertido.

Ayla me indicou o quarto e eu suspirei, indo para lá. Ao entrar, encontrei uma calça e uma camisa estilo medieval, uma fantasia que me fez questionar se eu seria um príncipe ou um soldado. Olhei para as roupas e ri balançando a cabeça. A ideia de vestir uma fantasia era um sacrifício pequeno comparado ao que eu estava disposto a fazer por Ayla.

Deixei a roupa sobre a cama e abri o notebook, decidido a terminar o trabalho antes do início da festa. Enquanto digitava, pensei em como, apesar de todas as dificuldades e desafios, momentos como esse eram preciosos. Eu estava disposto a enfrentar qualquer coisa para garantir a felicidade de minha filha.

Enquanto eu passava o restante da tarde concentrado em minhas planilhas, o bater na porta do quarto me trouxe de volta à realidade. Fechei o notebook e abri a porta para encontrar Rachel quase em pânico.

— Os convidados estão chegando, e o pai da aniversariante nem está pronto! — Ela exclamou, com um tom de desespero.

— Não demora — eu disse, fechando a porta atrás de mim. Me lamentava por ter perdido a hora. Olhei para a fantasia que Ayla havia escolhido e fiz uma careta, mas a vesti de qualquer forma. No espelho, não pude deixar de rir do que via, um príncipe medieval que não era exatamente o que eu tinha em mente. Mas, por minha filha, qualquer coisa.

Quando saí do quarto, a casa estava vibrante com a festa, e ao avistar minha filha, meu coração parou por um momento. Ayla estava deslumbrante em um vestido de princesa que ia até os joelhos, feito de um tecido rosa suave que brilhava sob as luzes da sala. A saia volumosa e as delicadas mangas bufantes conferiam um toque encantador, e a cor e o estilo do vestido realçavam a beleza dela, que se transformava de uma garotinha em uma mulher linda. Saber que em breve ela seria parte da vida de Seth, alguém que eu considerava quase como um filho, apertava meu coração.

Ayla me viu e seu rosto se iluminou com um sorriso radiante. Ela correu até mim e me abraçou, e eu a rodeei com meus braços, dizendo:

— Você está linda.

— Você também está! — Ela respondeu. — É o rei mais lindo de meu reino!

Eu ri, dizendo:

— Eu achei que era um soldado.

Ayla riu e, com uma preocupação visível, perguntou sobre Seth. Eu disse que ia ligar para ele e, enquanto ela se afastava para falar com Rachel, peguei meu celular e liguei para Seth. Ele estava na estrada de La Push e disse que chegaria em cinco minutos. Desliguei o celular e disse a Ayla que ela não podia sair da casa no momento, pois Seth tinha uma surpresa.

Ela olhou para mim com uma mistura de curiosidade e excitação, perguntando qual era a surpresa. Eu disse que não sabia, pois Seth não me havia contado. Ayla ficou ainda mais ansiosa e pediu um refrigerante. Chamei Rachel para que ela ficasse na porta e não deixasse ninguém entrar até Seth chegar. Rachel sorriu e assentiu, saindo para cumprir a tarefa.

Enquanto Ayla, animada, conversava com Billy e Sue, eu fui até a cozinha, peguei uma garrafa de cerveja e tirei o rótulo, tentando me distrair. Foi então que ouvi o grito de felicidade de Ayla chamando o nome da amiga. Levantei meu olhar da cerveja para a porta e sorri ao ver Ayla abraçada com a jovem de cabelos ruivos.

Seth estava ao lado das duas, e quando nossos olhos se encontraram, eu parei. A jovem de cabelos ruivos, vestida com um vestido de princesa que rivalizava com o de Ayla, tinha um olhar que instantaneamente me fez sentir uma conexão profunda e inexplicável.

Foi como se uma corrente elétrica tivesse passado por mim. O mundo ao meu redor se desfez e, no momento em que nossos olhares se cruzaram, senti uma onda de calor, uma sensação de completude e pertencimento que eu nunca tinha experimentado antes. Ela era a visão de tudo o que eu havia desejado com Olivia, para Ayla ou qualquer outra pessoa que eu tinha amado, e, ao mesmo tempo, era alguém que agora fazia parte de minha vida de uma maneira que eu não conseguia descrever.

Aos poucos, percebi que o vínculo que eu sentia não era apenas por causa do sangue compartilhado, mas algo muito mais profundo. Ela tinha mais do que o meu sangue correndo em suas veias; agora, ela tinha meu coração e minha vida. E naquele momento, tudo o que eu sabia era que ela estava destinada a ser uma parte essencial de minha existência, de uma forma que eu jamais poderia ter previsto.