Nevoeiro

35 Jacob - A festa


Assim que meus olhos encontraram os de Renesmee, senti que algo profundo havia mudado em mim, algo que eu ainda estava tentando entender. A sensação foi avassaladora, mas eu percebi que Seth, Ayla, Rachel e Embry me observavam atentamente. Tentei disfarçar o que estava sentindo, mas não consegui esconder por muito tempo. Ayla, sempre perspicaz, rapidamente puxou Nessie pela mão e a trouxe até mim, com um sorriso no rosto.

— Pai, essa é a Renesmee, minha melhor amiga. — Ayla me apresentou, com um brilho nos olhos.

Renesmee me olhou com um sorriso calmo, mas havia algo mais em seu olhar, algo que fez meu coração disparar.

— É um prazer conhecer o famoso senhor Black — disse ela, com uma voz suave que ressoou em meu peito.

Gaguejei, sentindo-me como um adolescente de quinze anos novamente:

— O prazer é todo meu, Renesmee. Finalmente conhecendo a famosa amiga da minha filha.

Ayla olhou de um para o outro, claramente contente com a interação.

— Agora que meu rei e minha sereia Ariel já estão aqui, minha festa está completa — ela disse, puxando Seth pela mão e nos deixando a sós.

O nervosismo tomou conta de mim, como se eu não soubesse o que dizer ou como agir.

— Eu... ainda acho que minha fantasia é de soldado — falei, tentando quebrar o gelo.

Renesmee riu, e o som de sua risada foi como música para meus ouvidos.

— E eu achei que a minha fosse de Rapunzel — ela respondeu, rindo junto comigo.

Ela então me olhou de um jeito mais sério, mas ainda com um toque de suavidade.

— Então, finalmente estou conhecendo o homem que salvou a minha vida?

Aquelas palavras me pegaram de surpresa.

— Se há uma heroína aqui, é você. — Olhei diretamente para ela, sentindo a sinceridade em minhas palavras. — Obrigado por ter protegido minha filha.

Nessie balançou a cabeça — Ayla é minha melhor amiga. Eu faria qualquer coisa por ela.

Eu sorri, sentindo uma onda de gratidão e algo mais que eu ainda não conseguia definir.

— Você também é a melhor amiga dela, disso não tenho dúvidas — acrescentei.

Ayla, cheia de energia, voltou correndo e puxou Nessie pelo braço.

— Venha, Nessie! Preciso te apresentar a todos — ela disse, antes de olhar para mim e me deixar com Seth.

Eu respirei fundo, sentindo o peso daquela nova realidade. Precisava me recompor, então fui para a cozinha, onde peguei uma cerveja e dei um gole generoso, tentando processar tudo. Seth e Sam me seguiram, claramente preocupados.

— Sabemos o que aconteceu — disse Sam, quebrando o silêncio.

Caminhei de um lado para o outro, tomando mais um gole da cerveja. Meu coração ainda estava batendo acelerado, e a imagem de Renesmee não saía da minha cabeça.

— Eu não esperava por isso — falei, ainda atordoado.

Seth assentiu— Ninguém nunca espera por isso, Jake.

Sam colocou uma mão no meu ombro.

— Você está bem? — Ele perguntou.

Concordei com a cabeça, mas, para ser honesto, não sabia ao certo. Eu estava em um estado de choque, meus pensamentos voltados apenas para Renesmee. Olhei na direção da sala, tentando localizá-la, mas ela não estava à vista.

Seth percebeu minha inquietação e tentou me acalmar.

— Ayla já percebeu, Jake. Por isso pediu para que você desse um tempo.

Eu balancei a cabeça, ainda tentando absorver tudo.

— Eu não sei o que fazer. Tenho medo de assustá-la.

Sam sugeriu:

— Talvez seja melhor você dar uma volta, clarear a cabeça.

Mas eu recusei, determinado a não fugir — Só preciso de alguns minutos para absorver tudo isso.

Meus amigos me observaram em silêncio, oferecendo seu apoio, enquanto eu tentava processar o que tinha acabado de acontecer. A verdade é que, por mais que tentasse, eu sabia que nada mais seria igual. Renesmee não era apenas a melhor amiga de Ayla, alguém importante na vida da minha filha. Agora, ela era parte de mim, de um jeito que eu jamais poderia ter imaginado.

Depois de passar um tempo na cozinha, absorvendo tudo que estava acontecendo e tomando uma décima garrafa de cerveja, me forcei a retornar para a sala. Agradeci internamente por meu organismo não ser afetado pelo álcool; precisava de toda a clareza possível. Quando cheguei, vi que Ayla já estava reunindo todos para cantar parabéns. Renesmee estava ao lado dela e, quando me coloquei do outro lado da minha filha, Nessie me lançou um sorriso suave, que mexeu comigo de novo, do mesmo jeito que antes.

As vozes começaram a entoar "Parabéns pra Você," e eu me deixei levar pelo momento, embora minha mente estivesse a mil. Quando a música terminou, Ayla, com o bolo na mão, olhou para todos nós e começou a falar. A sala ficou em silêncio, todos atentos ao que ela tinha a dizer.

— Bem, sempre me disseram que o primeiro pedaço do bolo deve ir para a pessoa mais importante na sua vida — começou Ayla, com um sorriso, mas também com uma certa seriedade na voz. — Desde pequena, eu sempre fiquei dividida entre dar esse pedaço para minha mãe, meu pai... ou para o Seth, que sempre esteve ao meu lado. Mas hoje... hoje é diferente. — Ela fez uma pausa, olhando de mim para Seth, e depois para Renesmee. — Muita coisa aconteceu nos últimos meses, e eu conheci alguém que agora significa muito, não apenas para mim, mas para todos nós.

Meu coração bateu mais rápido quando vi Ayla sorrir para mim, e então ela voltou seu olhar para Renesmee.

— Hoje é um dia muito especial, e vocês nem imaginam o quanto. — Ayla deu um passo adiante e entregou o primeiro pedaço de bolo para Renesmee. — Nessie, você merece isso e muito mais.

Renesmee sorriu, e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela abraçou Ayla com força, e a sala explodiu em aplausos. Eu bati palmas também, sentindo um calor no peito, mas também uma pontada de preocupação, imaginando o que viria a seguir.

A festa continuou com música, bebidas, e comida, e o tempo passou rápido. Quando a noite caiu, eu me peguei observando Renesmee de longe, sem coragem de me aproximar. Cada vez que a olhava, sentia como se algo estivesse mudando em mim, algo profundo e inevitável, mas o medo de assustá-la me mantinha à distância.

Decidi sair da casa para tomar um pouco de ar e acabei me unindo a Paul e Quil, que conversavam com Rachel e Claire. Assim que me viu, Rachel veio me abraçar, sempre a irmã protetora.

— E aí, como você está, Jake? — Ela perguntou, a preocupação evidente em sua voz.

Eu sorri de leve, tentando esconder a confusão que ainda fervilhava dentro de mim.

— Confuso, mas feliz, eu acho.

Quil deu um risinho, claramente divertido.

— Bem-vindo ao clube dos imprintingados! — Brincou ele, arrancando risadas de todos.

Eu ri junto com eles, mas meus olhos logo se desviaram para Olivia, que estava sentada em uma mesa mais afastada, conversando com Sue e Leah. Respirei fundo e decidi ir até ela. Quando me aproximei, ela levantou o olhar e me viu, um sorriso tranquilo nos lábios.

— Olivia, estou surpreso de te ver aqui — falei, genuinamente curioso.

Ela deu uma risada leve,

— Ayla me convidou dizendo que não tinha como seu irmãozinho vir sem que a mãe viesse junto, não é?

Ri da resposta, sentindo uma leveza na forma como ela falou.

— Faz sentido. — Eu concordei, sentindo-me um pouco mais à vontade.

Eu me aproximei de Olivia, observando-a por um momento antes de perguntar:

— Como está o bebê?

Ela sorriu suavemente, uma expressão que misturava carinho e melancolia.

— Está crescendo. — Ela fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras. — Vou fazer um ultrassom na próxima semana. Se quiser, e se puder, você pode vir junto.

Antes que eu pudesse responder, ela começou a caminhar, se afastando da mesa onde Sue e Leah estavam sentadas.

— Fiquei sabendo que você teve sua impressão — ela comentou, sem rodeios, me surpreendendo.

Olhei para ela, surpreso.

— As notícias correm depressa demais — murmurei. — Isso aconteceu há menos de duas horas.

Olivia sorriu, um sorriso que parecia carregar um toque de resignação.

— No final das contas, minha irmã tinha razão. Eu faço parte da maldição das Clearwater, de perder o homem que amam para a "impressão".

Eu sorri de volta, tentando aliviar o peso do momento.

— Você não me perdeu para a impressão, Olivia. Me perdeu quando me traiu com meu irmão.

Ela parou de caminhar e me olhou nos olhos, como se procurasse algo que talvez já soubesse.

— E se isso não tivesse acontecido... seria diferente agora?

Eu mantive meu olhar firme no dela e respondi, com sinceridade:

— Não.

Olivia suspirou, parecendo aceitar a verdade que já conhecia. Ela deu um pequeno sorriso, mais triste dessa vez.

— Então, não há mais motivos para julgamentos, certo? Você está feliz, e a garota não tira os olhos de você.

Segui o olhar de Olivia e vi Renesmee na varanda, virando o rosto rapidamente, tentando disfarçar que estava olhando na nossa direção.

— Ela não estava olhando para nós — disse, tentando aliviar o momento.

Olivia balançou a cabeça, parecendo decidida.

— Acho que vou embora. Foi um erro vir à festa.

Suspirei, observando enquanto ela se afastava, a sensação de um ciclo se fechando. Quando ela se foi, caminhei até a varanda, onde Renesmee ainda estava. Ela se virou para mim com um sorriso tímido.

— A conversa foi difícil? — Perguntou, com uma preocupação genuína.

— Um pouco — respondi. Ela continuou, apressadamente:

— Desculpa, eu não estava espionando... só...

Ela enxugou uma lágrima que escorreu pelo rosto, e isso imediatamente acendeu minha preocupação.

— Você está bem, Nessie?

Ela sorriu, mas havia uma tristeza no fundo dos seus olhos.

— Estou, sim. Só que... enquanto eu estava te olhando, lembrei de Aaron.

Suspirei, entendendo a dor que ela sentia. Aaron tinha sido alguém especial, e perdê-lo havia sido um golpe duro para todos.

— Aaron era engraçado e divertido — disse, lembrando-me dos momentos em que ele me fazia rir quando ia ao SU falar com Ayla.

Renesmee sorriu com uma certa nostalgia.

— Ele sempre dizia: “Renesmee, você perdeu aquele Deus grego, homem lindo. ”

Nós rimos juntos, compartilhando essa lembrança que trouxe um pouco de conforto em meio à tristeza.

Eu a encarei por um momento, notando a vulnerabilidade que ela tentava esconder. Levei minha mão até sua bochecha e gentilmente enxuguei suas lágrimas.

— E agora que finalmente me conheceu está decepcionada? — Perguntei, a preocupação tomando conta de mim.

Ela balançou a cabeça, com um sorriso que me desarmou.

— Não. Pelo contrário, Jacob. Aaron sempre esteve certo.