Nevoeiro

33 Jacob - Crise Familiar parte II


Notas iniciais
Amores eu postei errado e precisei repostar, me perdoem.

Passei o dia todo trancado no quarto, tentando processar tudo o que havia acontecido. A fúria e a dor me consumiam, mas havia algo mais complexo que me assombrava: Olivia estava esperando um filho meu—ou pelo menos era o que eu acreditava. Não queria duvidar disso, mas a traição dela tornava essa dúvida difícil de ignorar.

Por volta do meio-dia, a porta do quarto se abriu devagar. Olhei e vi Ayla parada ali, com um olhar incerto.

— Posso entrar? — Ela perguntou, com a voz hesitante.

Suspirei e acenei com a cabeça. Não queria que Ayla se envolvesse mais do que o necessário, mas ela estava apenas tentando ajudar.

— Desculpa por não ter dito antes... — Ela começou, encostando-se na parede ao lado da porta. — Eu não queria te magoar, mas...

— Ayla, você não precisa se desculpar. — Interrompi, tentando manter a voz firme, mas sem qualquer tom de reprovação. — Essa era uma revelação que Olivia deveria ter feito, não você. Não se sinta culpada por isso.

Ayla suspirou e se aproximou de mim, me abraçando com força. Retribuí o abraço, sentindo um breve alívio na proximidade dela.

— Eu te amo, pai. E vou amar meu irmão ou irmã, não importa o que aconteça. — Ela disse com convicção.

— Eu sei que vai. Você é esperta e amável, Ayla. — Respondi, beijando sua testa. — Vai passar o dia com Seth?

— Vou, sim. — Ela confirmou, soltando-me e se preparando para sair.

Observei Ayla deixar o quarto, sentindo um misto de alívio e dor. Sabia que a conversa que eu precisava ter com Olivia não poderia ser interrompida. Fiquei o resto do dia no quarto, refletindo sobre tudo, até que a noite chegou.

Quando finalmente saí do quarto, a casa estava silenciosa. Olivia estava na sala, sentada no sofá, mas levantou-se assim que me viu.

— Precisamos conversar. — Falei, tentando manter a voz firme, mas sem ser agressivo.

— Eu sei. — Olivia respondeu com um tom resignado. — Levei minhas coisas para a casa de Sue.

— É melhor assim. — Concordei, mantendo uma distância segura entre nós. — Mas preciso fazer apenas uma pergunta: isso aconteceu mais de uma vez?

Ela me encarou por um momento, como se estivesse pesando suas palavras.

— O que houve com Alex terminou. — Respondeu, com um tom de finalização.

— Não estou perguntando se terminou. — Repeti, tentando manter a calma. — Aconteceu mais de uma vez?

Olivia balançou a cabeça, negando. Mas eu notei a raiva em seus olhos.

— Não, não aconteceu mais de uma vez.

Passei as mãos pelos cabelos, tentando organizar meus pensamentos. A traição era dolorosa, mas a dúvida sobre a paternidade era o que mais me atormentava.

— E o bebê... eu realmente sou o pai? — Perguntei, sentindo a voz quase vacilar.

A irritação de Olivia transbordou, e ela deu um passo em direção à porta.

— Se você dúvida disso, pode pedir um teste de DNA. — Ela disse, a voz cortante. — Eu estou saindo. Não posso mais continuar aqui.

Antes que eu pudesse responder, Olivia abriu a porta e saiu, batendo-a com força. O som ecoou pela casa, me deixando ali, parado, encarando o vazio.

Me senti exausto, como se tivesse sido drenado por uma avalanche de emoções. A traição, a dúvida, o medo do futuro—tudo parecia se amontoar no meu peito. No fundo, sabia que essa conversa era só o começo de uma longa e complicada jornada que eu teria que enfrentar, tanto por mim quanto pelos meus filhos.

Alguns dias se passaram desde a nossa conversa explosiva, e a convivência com Olivia não estava sendo nada fácil. A tensão entre nós pairava no ar, e o desconforto só se intensificava com a situação que envolvia Billy, meu pai, e Alex. Ao saber do que aconteceu, Billy afastou Alex da empresa, temendo um confronto entre irmãos, e isso me deixou bastante irritado com ele. As dúvidas e a incerteza sobre a paternidade da criança que Olivia esperava me atormentavam, e a situação estava começando a me consumir.

Decidi seguir o conselho de Rachel e pedir um teste de paternidade. Era um passo que eu precisava dar para aliviar a tormenta interna, para ter certeza sobre algo que estava me corroendo por dentro. Saí de casa determinado a resolver essa situação com Olivia de uma vez por todas, tentando manter a calma e a compostura durante o trajeto pela reserva.

Ao chegar na casa de Sue, encontrei Leah saindo pela porta. Ela me cumprimentou com um olhar preocupada.

— Posso entrar? — Perguntei, tentando controlar a ansiedade.

Leah hesitou por um momento e então assentiu. — Olivia está na sala. — Ela fez uma pausa e me olhou com uma expressão de pesar. — Sinto muito por tudo isso.

Brinquei com a situação para aliviar a tensão. — Ah, então você estava errada. Não fui eu quem destruiu o coração da Clearwater dessa vez.

Leah riu, um pouco aliviada. — Acho que me sinto vingada então.

Agradeci e entrei na casa. Quando vi Olivia na sala, ela parecia surpresa ao me ver. A tensão entre nós estava palpável.

— O que você quer? — Ela perguntou, a voz um pouco hesitante.

— Quero conversar. — Respondi, mantendo a firmeza. — Podemos sentar?

Olivia assentiu e se sentou, enquanto eu me acomodava na cadeira à frente dela. Era o momento de esclarecer as coisas.

— Ainda temos uma coisa que nos liga, Olivia. A criança que você está esperando. — Comecei, tentando manter a calma. — Eu tenho dúvidas sobre a paternidade, mas estou aqui disposto a ouvir o que você tem a dizer. Essa é a chance que você tem de salvar, ao menos, a nossa amizade para que essa criança tenha um ambiente saudável.

Olivia olhou para mim, um pouco surpresa. — Você ainda tem dúvidas? — Perguntou, com um tom de tristeza.

— Tenho. — Confirmei. — Mas estou disposto a acreditar no que você disser. Só peço que pense somente na criança.

Ela suspirou, parecendo um pouco aliviada. — O filho é seu, Jacob. Eu terminei com Alex muitos meses antes de engravidar. Eu sei que você pode duvidar, mas eu jamais faria algo assim.

Olhei para ela, tentando ler em seu rosto a sinceridade de suas palavras. — Eu acredito em você. Mas uma relação entre nós é impossível agora. A confiança foi quebrada.

Olivia assentiu, compreendendo a gravidade da situação. — Entendo.

— Eu quero acompanhar a gestação e ser um bom pai para o bebê. — Continuei. — Peço que me permita isso.

Ela me olhou com um olhar terno. — Eu jamais impediria seu bebê de ter um pai como você.

Senti um alívio ao ouvir isso e sorri para ela. — Agradeço. E, pela criança, eu te perdoo.

Olivia acenou com a cabeça, aceitando meu perdão. Me levantei e comecei a me dirigir para a porta. Antes que eu saísse, ela se levantou e me seguiu até lá.

— Posso te pedir um abraço? — Ela pediu, a voz um pouco trêmula.

Sem hesitar, a puxei para meu peito e a abracei. — Nada faltará a você e ao bebê. — Eu disse, tentando transmitir alguma segurança.

— Eu sei disso. — Ela respondeu, com um tom de gratidão. — Espero que você fique bem.

Sorri e, com um último olhar, saí da casa. O peso da situação ainda estava presente, mas pelo menos agora havia um caminho claro a seguir. Eu precisava me concentrar no que era mais importante: o meu futuro filho.