Nevoeiro
76 ( Especial Eliot) Eu a perdi
Eu estava sentado à mesa, encarando a xícara de café frio à minha frente enquanto Annastasia falava. Sua voz era suave, mas carregava o peso das decisões que precisávamos tomar.
— Eu sinto tanta culpa, Eliot — disse ela, com um suspiro pesado. — Eu fui a primeira a ter dúvidas sobre nós, a primeira a me afastar. Me envolvi com Riley e, no final, foi isso que abriu espaço para outra pessoa entrar na sua vida.
Ela olhava para as mãos entrelaçadas, evitando meu olhar. Eu sabia que ela estava certa, mas ainda assim, as palavras dela faziam um nó se formar no meu estômago.
— Eu te amei, Anna. Ainda amo, de certa forma. Mas fui um idiota ao me envolver com Renesmee — admiti, a voz saindo mais amarga do que eu pretendia. — Fiz isso para ferir Riley, e o que consegui? Acabei me ferindo também. O tiro saiu pela culatra, porque, no final, eu me apaixonei por Renesmee... mas agora ela ama outro.
Anna balançou a cabeça, um sorriso triste nos lábios.
— Foi uma sequência de erros, Eliot. Nós dois estávamos perdidos, confusos. Não soubemos lidar com nossos sentimentos.
Eu assenti, mas não consegui afastar a culpa que pesava sobre mim.
— A única inocente nisso tudo é Renesmee. Eu deixei o ciúme me cegar, agi como um estúpido. E agora, depois do que eu fiz ontem... Ela nunca mais vai querer olhar na minha cara.
O som de um veículo estacionando do lado de fora interrompeu nossa conversa. Nossos olhares se encontraram por um breve instante antes de nos levantarmos juntos, sabendo que aquele momento de paz estava prestes a acabar.
O cheiro do lobo encheu o ambiente assim que meu pai, Edward, abriu a porta para o Alpha entrar. Jacob cruzou a soleira com sua presença imponente, e seus olhos se fixaram diretamente em mim. Eu podia ver em sua mente o que já temia. A garota que eu amava agora pertencia a ele. E, pior, ela o amava de volta. Nada que eu fizesse poderia mudar isso.
Jacob segurava uma sacola, que ele jogou na direção de Riley. Riley a agarrou, mas o olhar de Jacob nunca se desviou de mim.
— Aí está o que você pediu — disse Jacob com firmeza. — Mas antes de acertarmos o plano, preciso saber uma coisa. Vocês dois estão realmente dentro? Ou vão continuar agindo como dois adolescentes do colegial?
Caminhei até Jacob, ficando frente a frente com ele. Podia sentir a tensão pulsando entre nós, como se cada palavra fosse uma faca afiada pronta para ser lançada.
— Ela é tão importante para mim quanto é para você — respondi, sem desviar o olhar.
Jacob arqueou uma sobrancelha, o desdém evidente em seu tom.
— Se é verdade, então por que você não age como seu pai agiu com Bella? — Ele pausou, lançando um olhar rápido para meu pai antes de continuar. — Esqueceu de contar essa parte da história para a Nessie?
Minha mãe, Bella, que até então permanecia em silêncio, virou-se para mim com os olhos cheios de preocupação.
— Eliot, o que você disse a Renesmee?
— Ele contou a sua versão dos fatos — respondeu Jacob, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. — Sobre Edward e eu disputarmos você, Bella.
Ele se virou para meus pais, o desapontamento evidente em sua expressão.
— Vocês erraram na educação desse moleque. Ele tem agido como um mimado, como se o mundo girasse ao redor dele.
Eu sempre impulsivo, dei um passo em direção a Jacob, mas Jasper e meu pai se colocaram entre nós ,prontos para intervir se necessário. Eu sabia que aquilo estava saindo do controle.
— Não deveria ter dito aquilo — murmurei, mais para mim mesmo do que para qualquer outra pessoa.
Jacob, no entanto, não deixou passar.
— Ah, então quer discutir o passado? Ótimo. Vamos discutir. Talvez você devesse aprender com seu pai.
De repente, minha mente foi inundada por imagens, memórias do passado. Eu vi tudo: as decisões difíceis, os sacrifícios, os erros e as vitórias. Vi meu pai e Jacob lutando por Bella, mas, acima de tudo, vi a dor que isso causou a todos os envolvidos. Entendi, finalmente, o peso das minhas próprias ações.
Jacob olhou para mim, sua expressão severa, mas havia algo mais em seus olhos agora. Não era apenas raiva, era uma lição que ele queria que eu aprendesse.
— Você precisa crescer, Eliot. Se você realmente ama Renesmee, então precisa aprender a colocar os sentimentos dela acima dos seus. Não cometa os mesmos erros que nós cometemos.
As palavras dele ressoaram dentro de mim, profundas e dolorosas, mas necessárias. Eu sabia que ele estava certo. Era hora de deixar para trás o garoto que eu vinha sendo e me tornar o homem que Renesmee merecia — mesmo que isso significasse deixá-la ir.
Eu observei Jacob dar um passo para trás, como se estivesse deliberadamente colocando uma distância entre ele e todos nós. Havia uma intensidade no olhar dele que deixava claro que ele já havia tomado uma decisão.
— Eu e Renesmee vamos viajar ainda hoje — ele anunciou, firme e inabalável.
Alice, que estava ao lado, assentiu, concordando com ele.
— Tirar a Nessie da cidade é uma ótima ideia. Assim, podemos focar totalmente em pegar Katherine.
Jacob acenou, seus olhos fixos em Riley. Eu podia sentir o peso do que ele estava prestes a dizer, e uma parte de mim já sabia o que viria.
— Foi exatamente nisso que pensei. Se esse plano falhar, a partir de agora, a matilha será totalmente responsável pela proteção de Renesmee. Ela não ficará mais com nenhum de vocês.
Riley avançou, o rosto dele era uma mistura de frustração e raiva.
— Você não tem o direito de afastá-la de mim, Jacob. Ela é minha irmã!
Eu senti o impacto das palavras de Riley como se fossem minhas, mas a resposta de Jacob foi fria, sem qualquer hesitação.
— Você a afastou quando forjou sua própria morte, Riley. Eu não vou cometer o mesmo erro. Renesmee poderá vê-lo sempre que quiser, mas apenas comigo por perto.
Jacob deu as costas para todos nós, e por um momento, eu senti um aperto no peito, sabendo que qualquer chance que eu tivesse com Renesmee estava se afastando junto com ele. Quando ele chegou à porta, parou, mas não se virou.
— Mantenham-me informado sobre tudo — ele disse, a voz carregada de uma autoridade que não deixava espaço para questionamentos.
Então, ele olhou para mim, um olhar que carregava uma carga emocional enorme, antes de sair e bater a porta com força.
O silêncio que se seguiu era sufocante. Tudo parecia paralisado, como se o ar estivesse carregado de eletricidade. Anna se aproximou de mim, sua voz suave, mas carregada de preocupação.
— Você está bem? — ela perguntou, mas eu não conseguia olhar para ela.
— Preciso ficar sozinho, Anna.
Subi as escadas, cada passo parecia pesar uma tonelada. O que eu deveria sentir agora? Raiva? Tristeza? Arrependimento? Tudo o que sabia era que, de alguma forma, eu havia perdido. E a culpa era toda minha.
Eu precisava de tempo. Tempo para processar tudo, para entender como cheguei a esse ponto. Mas no fundo, sabia que estava à beira de uma escolha que definiria meu futuro, e talvez, pela primeira vez em muito tempo, eu estava com medo do que viria a seguir.
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