Nevoeiro
77 ( Especial Eliot) Aquilo que eu não queria ver
Jacob havia saído, deixando atrás de si um turbilhão de emoções e uma decisão que precisávamos tomar sem ele. O plano já estava em movimento, e cada segundo era crucial. Eu observava Anna com um olhar de incerteza enquanto ela pegava a roupa de Renesmee, que Jacob havia deixado, e começava a vesti-la.
— Não acredito que estamos realmente fazendo isso — eu disse, mais para mim mesmo do que para qualquer outra pessoa na sala.
Anna me olhou, o rosto sério, enquanto passava o perfume de Renesmee.
— Eu também não gosto disso, mas é o único jeito — respondeu ela, franzindo o nariz ao sentir o cheiro adocicado da fragrância. — Pelo menos espero que funcione.
Edward entrou na sala, a expressão calma, mas os olhos brilhando de determinação.
— Todos sabem o que fazer? — Ele perguntou, e todos assentimos.
Alice, ao seu lado, parecia concentrada em alguma coisa que só ela conseguia ver.
— Katherine está vindo — ela disse, a voz quase um sussurro, mas carregada de urgência. — Precisamos ir. Agora.
Não houve mais palavras trocadas. Cada um de nós sabia o que tinha que fazer, e sem perder tempo, nos apressamos para sair da casa dos Cullen. Eu e Jasper seguimos um caminho, enquanto Riley e Edward foram em outra direção. O plano era simples, mas perigoso. Atrair Katherine até onde acreditava estar Renesmee, para que pudéssemos capturá-la. Anna, vestida como Nessie, seria a isca.
Anna dirigia o carro de Jacob com precisão, saindo rapidamente da casa e pegando a estrada que levava à floresta onde o confronto estava marcado para acontecer. Meu coração estava acelerado, um misto de adrenalina e medo se agitando em meu peito. Edward olhou para Riley, que estava tenso ao meu lado.
— Katherine mordeu a isca — disse ele, com um tom que indicava tanto alívio quanto preocupação.
O resto do plano se desenrolou conforme o esperado, pelo menos até o momento em que Anna, vestida como Renesmee, estacionou o carro na entrada da floresta. Ela saiu do veículo, hesitante, mas determinada. Ao entrar na floresta, eu a seguia de longe, junto com Jasper, pronto para agir a qualquer sinal de perigo.
Mas foi aí que tudo começou a dar errado.
Um vampiro recém-criado, com olhos selvagens e cheios de sangue, surgiu das sombras e atacou Anna. Ela mal teve tempo de reagir antes de ser jogada ao chão.
— Droga! — exclamei, correndo em direção a ela enquanto Jasper saltava para intervir.
O som do combate encheu o ar, e a fúria de Jasper foi suficiente para afastar o recém-criado de Anna, que ainda lutava para se levantar. Então, a voz de Alice invadiu minha mente, carregada de pânico.
— Katherine descobriu o plano! — ela gritou, a imagem de sua visão se espalhando por nós como um raio. — Ela está fugindo, mas deixou o exército dela para trás!
Isso mudou tudo. Em segundos, a floresta estava tomada por recém-criados, um caos de sangue e dentes afiados que se lançavam contra nós. Eu e Jasper lutamos com tudo o que tínhamos, mas eram muitos. Edward, Bela e Riley chegaram logo em seguida, e o confronto se transformou em uma batalha brutal.
Eu podia sentir a presença de Riley ao meu lado, sua raiva fervendo ao perceber que Katherine não estava ali. Ele estava lutando com uma ferocidade que eu nunca tinha visto antes, mas mesmo assim, a frustração em seus olhos era clara.
No meio da batalha, o uivo de lobos ecoou pela floresta, e então a matilha apareceu, liderada por Sam. Eles se juntaram a nós, e juntos conseguimos dizimar o exército de recém-criados que Katherine havia deixado para trás.
Mas quando a luta finalmente terminou, e os corpos dos recém-criados estavam espalhados pelo chão, Katherine estava longe. Havia conseguido escapar.
Eu olhei para Riley, esperando que ele dissesse algo, mas o silêncio dele falou mais do que qualquer palavra poderia. A frustração era visível em cada linha do seu rosto, e eu sabia que a ideia de Katherine escapar de novo estava consumindo-o por dentro.
— Ela fugiu — ele murmurou, quase para si mesmo, antes de dar as costas para o campo de batalha e começar a caminhar para longe, a sombra da derrota pendendo sobre ele.
Eu não tinha palavras para consolar Riley. Não depois do que tinha acontecido. Só podia pensar no que viria a seguir, no próximo movimento de Katherine, e no que tudo isso significava para nós.
Porque uma coisa era certa: essa luta estava longe de acabar.
Os dias seguintes à batalha foram de um silêncio sombrio e opressor, interrompido apenas pelo eco das nossas frustrações. A matilha se reuniu do lado da linha que dividia o território dos Cullen da área deles, e o clima estava pesado, carregado de uma tensão mal resolvida.
Sam, em sua forma humana, estava à frente, com um olhar sério que não escondia a preocupação. Eu e meu pai, Edward, compartilhamos um olhar antes de mergulharmos na mente de Sam, captando as ordens que Jacob havia deixado caso o plano não tivesse sucesso. O silêncio em volta de nós parecia ainda mais sufocante enquanto Sam nos mostrava as ordens com clareza e determinação.
— Jacob os alertou — disse Edward, sua voz baixa e ponderada. — Mas agora Katherine está sozinha, e isso pode jogar a nosso favor.
Sam assentiu, a tensão em seus músculos visível, enquanto dava as costas para nós.
— Eu direi a Jacob o que ocorreu aqui — disse ele, antes de partir, seguido pelos outros lobos que desapareceram na floresta, como sombras em movimento.
Fiquei ali parado, observando a linha que dividia nossos territórios, sabendo que a batalha não havia terminado. Edward colocou uma mão no meu ombro, seu toque familiar trazendo um pouco de conforto na tempestade de emoções que sentia.
— Vamos para casa — ele disse, olhando para mim e para Bella.
Eu sabia que ele estava certo. Precisávamos voltar, reorganizar nossas forças, pensar no próximo passo. Mas havia algo dentro de mim que não conseguia se acalmar, um instinto primitivo que me puxava em uma direção diferente.
Os dias seguintes foram preenchidos por uma frustração surda. Carlisle, Esme, Rosalie e Emmett chegaram a Forks, trazendo consigo a segurança dos tios de Riley. Mas, apesar do reforço, o vazio deixado pela fuga de Katherine pairava sobre nós como uma nuvem escura.
Eu caminhava pela floresta quase todas as noites, buscando algo, qualquer coisa, que pudesse me trazer paz. Mesmo sabendo dos riscos, ultrapassei os limites do nosso território, deixando a raiva e a confusão me guiarem. Faziam oito dias desde que Renesmee havia viajado com Jacob, e a ausência dela era um buraco negro que consumia meu peito.
Quando me aproximei da casa dos Black, parei de repente ao avistar o veículo estacionado na frente. Meu coração deu um salto doloroso ao ver Renesmee do lado de fora, abraçando Ayla. Um sorriso escapou dos meus lábios ao vê-la tão linda, tão feliz, irradiando uma alegria que eu não tinha visto há muito tempo.
Mas então, a realidade me atingiu como um golpe. Meus olhos se encheram de lágrimas não derramadas, e a dor me consumiu por completo. Eu sabia que não podia ficar ali, observando-a como um espectador da felicidade que nunca seria minha. Me afastei, correndo sem direção, apenas querendo escapar da dor que queimava como fogo.
Corri por horas, sem saber para onde ia, até que finalmente parei, sem fôlego e exausto. Foi quando vi Riley diante de mim, parado, me observando em silêncio. A conexão entre nós era intensa, e mesmo antes de ele formular a pergunta em sua mente, eu já sabia o que ele queria saber.
— Eles vão se casar — respondi, minha voz quebrada pelo peso da verdade. — Renesmee e Jacob vão se casar.
A expressão de Riley permaneceu inalterada, mas eu podia ver uma felicidade em seus olhos, e ao mesmo tempo um turbilhão de emoções que me consumia. A diferença era que, enquanto a dor me destruía, ele parecia usa-la como combustível para algo mais.
Eu, por outro lado, me sentia perdido. Sabia que não havia mais nada que eu pudesse fazer para mudar isso, mas aceitar parecia impossível. E naquela noite, sob o céu estrelado e com a floresta ao nosso redor, me permiti sentir a profundidade da minha perda, sem esconder, sem disfarçar. Riley permaneceu ali, uma sombra na noite, enquanto eu me deixava ser consumido pela dor de um amor que nunca seria.
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