Nevoeiro
78 Jacob- Meses
A viagem a Paris foi mais do que perfeita. Cada detalhe havia saído conforme o planejado, e eu sentia uma felicidade que há muito tempo não experimentava. Renesmee e eu tivemos o tempo que precisávamos, longe de tudo e de todos. O pedido de casamento foi o ponto alto, um momento que ficará gravado na minha memória para sempre. O brilho nos olhos dela quando disse "sim" foi suficiente para apagar qualquer sombra do passado.
Mas, como tudo na vida, o tempo de tranquilidade tinha que chegar ao fim. Ao retornarmos a La Push, fui informado de que o plano para capturar Katherine havia falhado. Isso era frustrante, mas, segundo Riley, agora ela estava sozinha. Alice a monitorava de perto, e, por algum motivo, Katherine havia recuado, como se estivesse reorganizando suas forças ou, quem sabe, tramando algo. Decidi que o melhor a fazer era relaxar um pouco e focar nos preparativos do nosso casamento, deixando Renesmee tranquila e feliz.
Três meses se passaram sem nenhum sinal de Katherine, o que, para ser sincero, era um alívio. Durante esse tempo, mergulhei de cabeça nos negócios, especialmente na auditoria que estava sendo realizada na Black Motors. Os resultados definitivos chegaram, e eu me preparei para o que sabia que seria uma conversa difícil.
Na reunião, todos estavam presentes, exceto Alex, meu meio-irmão. Eu sabia que sua ausência não era por acaso. A equipe de auditoria apresentou os números de forma clara e concisa, sem rodeios.
— Senhor Black, os desvios foram significativos — começou o auditor-chefe, um homem de meia-idade com olhos cansados, mas que não deixavam passar nada. — Estimamos que os valores desviados somam cerca de dez milhões de dólares nos últimos três anos. Esses montantes foram transferidos para contas em paraísos fiscais, principalmente nas Ilhas Cayman e em Singapura.
Eu escutei em silêncio, mantendo uma expressão neutra enquanto cada detalhe era exposto. Mas por dentro, minha mente estava a mil. Eu já tinha suspeitado que algo não estava certo, mas ouvir os números exatos me atingiu como um soco no estômago.
— É necessário abrir um inquérito policial — disse um dos acionistas, um homem magro e de voz grave, que parecia quase pesar cada palavra antes de falar. — Lamentamos profundamente, senhor Black, mas o envolvimento de seu irmão é inevitável neste caso. Não podemos ignorar isso.
Olhei para ele, depois para os outros ao redor da mesa. A realidade era que eles estavam certos. Não havia como evitar o que estava por vir, e o fato de Alex ser meu meio-irmão tornava tudo ainda pior.
— Concordo — disse, minha voz saindo firme, apesar do turbilhão de emoções que sentia. — Vamos abrir o inquérito. Peço à equipe jurídica que tome as medidas corretas, sem exceções.
Com isso, encerrei a reunião. Saí da sala com a cabeça cheia de pensamentos, sabendo que, ao contar a Billy, isso o devastaria. Ele sempre teve um carinho especial por Alex, e isso seria um golpe duro.
Enquanto dirigia de volta para casa, tentei afastar esses pensamentos. Não queria que nada interferisse no meu casamento, que estava marcado para o dia seguinte. Mas era difícil. Tudo parecia se misturar, como se os problemas pessoais e profissionais estivessem em rota de colisão, e eu estava bem no meio disso.
O som do celular me tirou desses pensamentos. Sorri ao ver o nome de Renesmee na tela e atendi de forma carinhosa.
— Oi, amor — disse, tentando deixar o cansaço de lado.
— Jake, Olivia entrou em trabalho de parto — ela respondeu, sua voz cheia de urgência e um toque de preocupação. — Ela foi levada para o hospital de La Push agora.
A notícia me pegou de surpresa, mas ao mesmo tempo trouxe uma sensação de normalidade, algo com o que eu poderia lidar. E isso, de alguma forma, me ajudou a focar no que realmente importava.
— Estou indo para lá agora — respondi, já mudando o curso do carro. — Nos vemos no hospital.
Desliguei o telefone e acelerei, deixando os problemas da Black Motors para trás, pelo menos por enquanto. Havia outras coisas que precisavam da minha atenção agora, e eu não deixaria que nada atrapalhasse o nosso momento, nem a alegria do nascimento de um novo membro da nossa família.
Quando cheguei ao hospital, meu coração batia rápido, mas por razões diferentes das que eu normalmente enfrentava. Era uma mistura de preocupação e antecipação que me deixava à beira dos nervos. Assim que entrei na recepção, avistei Nessie ao lado de Rachel e Ayla. O olhar de preocupação no rosto delas me deixou ainda mais inquieto.
— Leah está lá dentro com a Olivia há alguns minutos — disse Rachel, notando minha ansiedade.
Eu tentei manter a calma, mas era impossível. Cada minuto que passava parecia uma eternidade. Nessie se aproximou e envolveu seus braços ao redor da minha cintura, me puxando para perto. Senti seu toque suave, e de alguma forma, aquilo me ajudou a respirar um pouco melhor.
— Vai ficar tudo bem, Jake — ela sussurrou, tentando me acalmar. Eu me segurei na sua presença, usando sua força para manter os nervos sob controle.
Quase uma hora depois, uma médica surgiu na recepção. Ela olhou ao redor e, ao me ver, sorriu. Imediatamente, senti meu coração pular uma batida.
— Parabéns, papai — disse ela, com um sorriso caloroso. — Foi tudo bem. É uma linda menina.
Ayla sorriu amplamente, com os olhos brilhando de alegria.
— Eu ganhei uma irmãzinha! — exclamou ela, feliz, enquanto Rachel dava um leve sorriso, aliviada.
Eu olhei para Nessie, que me retribuiu com um sorriso suave. Ela selou meus lábios com um beijo leve, transmitindo tranquilidade e alegria.
— Vai, Jake — disse ela, os olhos cheios de amor. — Vá ver sua filha.
A médica me guiou até a enfermaria, e conforme me preparava para entrar, senti uma onda de emoção tomar conta de mim. Ao atravessar a porta, vi Olivia deitada na cama, segurando a pequena bebê nos braços. Quando ela me viu, sorriu, exausta, mas radiante.
— Jake — disse Olivia, sua voz suave e carinhosa. — Ela é a sua cara.
Eu me aproximei devagar, meu coração apertando no peito ao ver aquele pequeno ser em seus braços. Perguntei com a voz entrecortada:
— Posso pegá-la?
Olivia assentiu e com cuidado, entregou a bebê para mim. Quando senti aquele peso leve em meus braços, uma onda de felicidade me invadiu. Olhei para a pequena menina, que parecia tão frágil e perfeita, e soube naquele momento que minha vida mudaria mais uma vez.
— Ela é linda — murmurei, ainda maravilhado. — Qual é o nome dela?
Olivia sorriu, os olhos cheios de ternura.
— Sarah, como sua avó.
O nome dela me tocou profundamente, e por um momento, tudo ao meu redor parecia sumir, deixando apenas eu e aquela pequena vida em meus braços. As lembranças de minha mãe vieram à tona, e lágrimas encheram meus olhos, mas eram lágrimas de felicidade.
— Sarah... — repeti suavemente, com a voz embargada. — É perfeito.
Segurei minha filha com todo o amor que sentia, prometendo a mim mesmo que faria tudo para protegê-la, assim como estava determinado a proteger Renesmee e nossa futura família.
Fale com o autor