Never It's Late.

35 Sempre ao seu lado.


Notas iniciais
Eeei, meus amores, lá vamos nós para mais um capítulo de NIL! o / Sim, estou postando de madrugada dessa vez, afinal, terminei de escrever e já quis deixar postado para poderem ler :D Estou torcendo muito para que gostem das novidades neste capítulo e que mais uma vez, emocionem-se com os sentimentos transpassados por nossos personagens. Enjoy ;) ~~08/10/17~~

Sempre ao seu lado.

Pov Edward.

Com meu coração palpitante e todos os arrepios estranhos passando por mim, a única coisa que eu consegui pensar em fazer foi agachar-me e puxar a pequena garota assustada para perto de mim, segurando seu rosto com minhas duas mãos, mantendo seus grandes olhos verdes em minha direção. O olhar dela transmitia-me um grande pânico e com todas as lágrimas acumuladas, eu podia visualizar-me no reflexo delas. Suspirei pesadamente e passei meus dedos embaixo de seus olhos, secando as lágrimas que pareciam nunca ter fim.

Eu estava assustado, completamente sem ações e praticamente de mãos atadas. Jamais havia passado por algo assim e os sentimentos invadindo-me eram fortes e faziam-me ficar ainda mais aterrorizado que já estava. Minhas mãos moviam-se rapidamente pelo rosto pálido, tentando passar-lhe alguma calma, mesmo que eu nem estivesse sentindo isso no momento, porém eu apenas queria ajudar a tirar todo aquele pavor que eu reconhecia em seus bonitos olhos. Quando aprofundava meus olhos no rosto infantil, ouvia seus soluços desesperados e todo seu pranto, eu não conseguia ter qualquer reação negativa, nunca que eu a deixaria naquele estado, sem contar que algo em meu inconsciente dizia-me que valeria muito à pena fazer algo por ela.

— Venha, querida, irei ajudar-lhe. – Minha voz saiu baixa, demonstrando todo meu desespero, por mais que eu quisesse escondê-lo no momento. Funguei baixinho e estiquei minhas mãos em sua direção, vendo-a aproximar-se rapidamente de mim, dando-me um forte abraço, conforme escondia seu rosto em meu peito, continuando a soluçar profundamente. Engoli em seco com sua reação, percebendo que apesar de todo seu medo, ela não temia em abraçar-me, nem mesmo em confiar em mim, muito pelo contrário, aquela garotinha parecia depositar toda sua confiança no que eu pudesse fazer por ela. – Daniel! Daniel! – Gritei repetidas vezes, olhando para os lados e procurando meu segurança. Não precisou de muito e logo ouvi a porta de algum carro bater, para logo em seguida Daniel aparecer desesperado em minha frente, arregalando seus olhos ao ver-me agachado no chão, abraçando com toda a minha força aquela menina indefesa. – Eu preciso que dirija meu carro. – Lancei a chave que estava em minha mão e ele pegou-a no ar, olhando-me deveras confuso. – Eu explico mais tarde, Daniel, só leve-me até a loja de minha namorada.

— Claro, Sr. Cullen. – Segui seus movimentos e o vi caminhar até meu carro, abrindo a porta traseira para mim. Respirei fundo e segurando a garota desesperada com força entre meus braços, ergui-me com cuidado do chão, vendo-a afastar seu rosto de meu peito e olhar-me com seus grandes olhos apavorados.

— Vamos para um lugar mais calmo. – Disse-lhe. – Confia em mim? – Esfreguei seu bonito rosto, retirando os vestígios de lágrimas.

— Acho que sim. – Falou com sua voz fraca e rouca. Sorri-lhe um pouco, vendo-a suspirar e olhar-me encantadoramente. – Sinto algo aqui. – Tocou seu peito, respirando fundo. Ajeitei-a em meu colo, suspirando baixinho. – Algo bom, uma coisa que jamais senti em toda a minha vida. – Seus bonitos olhos voltaram a brilhar com as lágrimas formando-se. – Você parece ser uma pessoa maravilhosa. – Atrapalhou-se em sua fala, porém, por fim, dirigiu-me um pequeno sorriso, mesmo com seu rosto coberto por lágrimas. – Só ajude-me. – Pediu novamente.

— Eu irei, querida. – Olhei para Daniel, como se pedisse alguma ajuda para o que fazer. Eu não sabia o que fazer, mas eu sentia em meu coração que deveria fazer de tudo para tirá-la dali e ajuda-la, por mais que eu não soubesse o que tenha acontecido com uma garota tão jovem e inocente. Mas eu pensava que também adoraria ter uma ajuda quando eu precisei, na minha infância, e eu sempre faria qualquer coisa para tirar crianças de uma vida infeliz, jamais desejaria que passassem pelas minhas dores.

— Faça o que seu coração dizer-lhe, Senhor. – Meu segurança tirou-me de meus pensamentos. Respirei fundo e ele sorriu minimamente para mim, dirigindo-me um breve aceno, como se estivesse respondendo à pergunta muda em meu olhar. – Vamos, tenho certeza que a Srta. Isabella começará a ficar preocupada com sua demora para o almoço.

— Claro. – Engoli em seco e caminhei rapidamente para meu carro, esgueirando-me para o banco de couro na parte de trás. Ajeitei-me no estofado e Daniel bateu a porta, caminhando para o lado do motorista, sentando-se em seu lugar e colocando a chave na ignição, para logo em seguida ligar o veículo e começar a manobrar para fora do estacionamento. – Diga-me seu nome, pequena. – Olhei-a, notando que mais uma vez ela encostara sua cabeça em meu peito, passando seus pequenos braços em minha volta, apertando-me como se eu fosse seu salva vidas. Ao ouvir a minha voz, seus olhos ergueram-se e senti meu estômago revirar-se ao ver a dor nítida presente ali, tão apavorante para uma garota com aquela inocência encantadora.

— Pode me chamar de Chloe. – Fungou baixinho, dirigindo-me um pequeno sorriso tímido.

— Eu sou o Edward. – Pisquei-lhe, arrumando os fios ruivos de seu cabelo enrolado, vendo-a franzir o cenho, encarando-me ansiosamente. – O que foi? – Arqueei a sobrancelha e observei-a erguer uma mão até seu rosto, secando o canto de seu olho direito.

— Edwald?— Perguntou confusa, torcendo seu nariz. Soltei uma risada, balançando a cabeça ao ver os grandes olhos semicerrarem-se em dúvida. – Então?

— Edward. – Falei mais devagar, tendo sua completa atenção em mim. Sentia-me bem ao poder distraí-la de qualquer que fosse seu medo anterior, porque agora conseguia ver que seu olhar não estava totalmente amedrontado e também estava arrancando pequenos sorrisos dela, isso já era um grande avanço para poucos minutos. Eu sabia que deveria buscar informações, porém no momento, a única coisa que estava importando-me era fazê-la sorrir e tirar o pavor dos olhos claros. – R no lugar do L.— Expliquei-lhe, vendo seu cenho franzir-se. Sorri e desfiz a ruga que se formou em sua testa. – Tente.

— Edwald. — Repetiu, abrindo um sorriso maior do que o anterior. Ri baixinho, encarando seus lábios entreabertos com o lindo sorriso que ela mandava-me.

— Quase lá. – Belisquei levemente seu queixo, vendo-a assentir animadamente. Dei uma olhada para fora, avistando a paisagem que transcorria. Ao perceber para onde meus olhos dirigiam-se, Chloe virou-se para a janela, arregalando os bonitos olhos ao ver todos os carros que passavam por nós. Franzi o cenho ao ver a curiosidade em seu rosto, enquanto a mesma ajeitava-se em meu colo e inclinava-se para mais perto do vidro, apoiando suas pequenas mãos no local. – O que foi, querida? – Ela soltou um longo suspiro, dando de ombros.

— É tão rápido. – Comentou curiosa, encarando todo o movimento com fascinação. Pisquei meus olhos, ainda encarando-a confusamente. Resolvi deixa-la entretida, percebendo a tranquilidade em que a mesma encontrava-se, preferia vê-la assim, não queria olhar todo aquele pavor transbordando-se em seu olhar.

— Vou fazer uma rápida ligação. – Avisei-a e a pequena assentiu rapidamente, movendo seus longos cabelos ruivos com a movimentação. Sorri com seu entusiasmo e puxei meu celular, discando o número do meu irmão. Levei o aparelho até meu ouvido, ouvindo a chamada completar-se.

— Alô? — Ouvi a voz grossa de Emmett, seguida de um longo bocejo.

— Ei, Emmett. – Cumprimentei-o. – Acordei você?

— Não, estava entretido em alguns arquivos científicos. — Sorri ao ver o entusiasmo tomar conta da voz de meu irmão. Emmett, apesar de todos brincarmos de ele ser um sem noção, era uma das pessoas mais espertas que eu conhecia e adorava estudar, mesmo que nunca tenha tido sua chance completa. Sabia que seria difícil, mas meu próximo passo era ingressá-lo em uma faculdade, ajudando-o a finalizar o curso que nunca teve condições de terminar. E ele merecia, estava na hora de dar-lhe essa chance. — Está precisando de alguma coisa, irmão? — Perguntou-me de repente, tirando-me de meus breves devaneios. Olhei brevemente para a garota em meu colo, esfregando meu rosto em seguida. – Edward? Está tudo bem?

— Sim, sim... eu só... – Suspirei, engolindo em seco. – Preciso que faça-me um favor. – Pedi-lhe.

— Primeiro conte-me o que está acontecendo, porque eu estou percebendo algo de diferente em sua voz, Edward. Isso não é comum. — Ouvi-o mover-se pelo local em que estava. — Por favor, sabe que pode confiar em mim. — Puxei o ar com força para meus pulmões, sentindo-me mal por deixa-lo de lado por agora, mas eu tinha que resolver tudo o que estava acontecendo primeiro, depois abriria sobre os novos acontecimentos.

— Claro que sei que posso confiar em você, Emmett, por Deus, somos irmãos. – Exasperei, chamando a atenção de Chloe. Seus olhos vieram em minha direção, olhando-me de forma preocupada, porém apenas sorri e acariciei seu rosto. – Eu conversarei com você mais tarde, prometo-lhe, mas saiba que nada de errado está acontecendo, tudo bem? – Voltei a conversar com meu irmão, ouvindo-o respirar fundo.

— Tem certeza? — Sussurrei um ‘sim’, escutando seu bufo. — Edward, não insulte minha inteligência, eu te conheço e sei que alguma coisa está fora do lugar.

— Eu conversarei mais tarde. – Repeti-lhe. – Por favor, só faça o que eu irei pedir-lhe, é importante. – Supliquei. A chamada ficou muda por alguns segundos, mas por fim ouvi um longo suspiro.

— Irei aceitar, mas só porque eu sei que você não é uma pessoa mentirosa e cumpre com as coisas que diz. Faça-me seu pedido.

— Obrigado, Emmett. – Engoli em seco. – Normalmente, Bella e eu sempre buscamos Andrew e o levamos para almoçar, porém surgiu um imprevisto e eu peço-lhe que vá busca-lo, tentando mantê-lo entretido por algumas horas. – Falei, suspirando baixinho. – Sei que ele fará algumas perguntas, mas tente contornar isso, por favor.

— Claro, irmão, eu irei adorar passar uma tarde com aquele garoto incrível. — Soltou uma baixa risada e eu sorri, sentindo a ruiva afastar-se da janela, aconchegando-se novamente contra meu peito. Levei uma mão para seu cabelo e acariciei-o, olhando para seu rosto sereno. — Posso leva-lo ao McDonald’s? — A voz ansiosa de Emmett soou e eu revirei meus olhos.

— Lanches não são como almoço. – Repreendi-o.

— É uma única vez na semana, Edward, não seja um repreensor. — Brincou. — E lá conseguirei manter sua atenção totalmente em mim, porque aquele garoto é apaixonado por você e Bella, será difícil desviar de suas perguntas sobre os pais. — Cantarolou e eu ri.

— Tudo bem, leve-o para a lanchonete. – Ouvi-o virar animado. Emmett e Andrew formavam uma grande dupla. – Se ele ficar muito agitado, leve-o para a casa de nossos pais, com certeza Esme conseguirá contê-lo com suas estórias. – Sorri ao lembrar de minha mãe. Queria ter passado minha infância ao seu lado, ela era incrível com crianças.

— Eu consigo manter meu sobrinho entretido. — Gabou-se e eu arqueei uma sobrancelha para mim mesmo, sabendo que aquilo não daria certo, Emmett era tão animado quanto Andrew e sempre precisava de uma pessoa a mais para contê-los. — Dará tudo certo. — Disse-me. — Posso ir busca-lo agora?

— Claro. – Chequei as horas em meu relógio de pulso. – Ele sairá daqui a vinte minutos. Obrigado por fazer isso por mim, Emmett, prometo que teremos uma conversa sobre isso.

— Sem problemas, Edward, sei que não está fazendo nada de errado. — Muito pelo contrário, eu sentia que estava fazendo a coisa mais certa do mundo, e isso confirmava-se ao olhar os olhos perdidos da garota em meus braços. — Estou saindo de casa, sabe que qualquer coisa é só ligar-me.

— Sei sim. – Suspirei. – Se precisar de algo, pode me ligar também.

— Pode deixar que eu vou. Até mais, Edward, e cuidado, seja lá o que estiver fazendo.

Despedi-me de meu irmão e joguei o telefone no banco do carro, vendo Chloe apoiar seu queixo sobre meu terno, erguendo o rosto em minha direção. Sorri para a pequena e deslizei meus dedos por seu rosto macio, porém pálido, suspirando ao nota-la engolir em seco, o tremor voltando aos seus olhos.

— E se ele me achar? – Perguntou amedrontada, agarrando-se ao meu paletó. Franzi meu cenho e respirei fundo, notando seu corpo estremecer. – Estou com tanto medo, Edwald.

— Estou percebendo isso, pequena. – Abracei-a contra mim, deitando seu rosto contra meu tórax. – Pode ficar calma, Chloe, eu não vou deixar nada machucá-la. – Fechei meus olhos, encostando meu queixo nos fios ruivos de seu cabelo, sentindo um aperto em meu peito com as palavras que saíram da minha boca. O que eu disse parecia possuir tanta convicção que assustava-me.

— Tenho muito medo. – Sussurrou abafada, por conta de seu rosto estar escondido, mas já podia notar sua voz embargando novamente. – Quero te dizer tudo, Edwald, mas se eu não ficar pensando nisso, consigo me sentir tão bem, de uma forma que eu nem lembro de ter vivenciado. – Apertei meus olhos fechados, sentindo a enxurrada de emoções tomarem conta de mim, assim que ouvi as palavras saírem de sua boca.

Mais uma vez, uma criança conseguia tocar-me profundamente com suas frases. Ao ouvir Chloe falar daquela maneira, eu recordava-me do dia que encontrei meu pequeno tesouro, vendo-o sozinho em um canto, sofrendo em silêncio naquele orfanato enfadonho. Assim como Andrew, a ruiva parecia possuir uma história de vida difícil, e o que estava doendo-me é notar toda a dor em suas palavras, na mesma proporção que percebi nas de Andrew, anos atrás. Era doloroso vivenciar tudo novamente, mesmo que fosse com uma pessoa diferente. E era isso que dava-me raiva. Como alguém podia machucar pessoas tão novas, sendo capaz de tudo isso? Odiava quem maltratava crianças inocentes, fazendo-as amadurecerem tão cedo, apenas por causa do medo que sentiam.

— Não importa, Chloe. – Beijei os fios ruivos. – Fique tranquila e sinta-se da melhor forma que puder, quando estiver melhor, pode dizer-me tudo. Não precisa ser agora. – Respondi-lhe, apertando o pequeno corpo no nosso abraço.

Um pequeno soluço saiu dos lábios rosados e eu sussurrei palavras de conforto, embalando-a em meus braços, sacudindo-a devagar. Tudo o que era ouvido no carro era o choro baixinho de Chloe, porém eu fui reconfortando-a aos poucos, conseguindo deixá-la mais calma, afastando-a de todas as lembranças as quais pareciam ser um pesadelo para ela.

Senti-me ser observado e ergui meus olhos, vendo Daniel olhar-me pelo retrovisor, assentindo quando eu olhei-o, como se quisesse passar-me alguma forma. Falei-lhe um obrigado mudo e observei-o sorrir, voltando com sua atenção para a estrada, dirigindo o carro pelas ruas movimentadas.

Alguns minutos mais tarde, olhei para a fora da janela do carro e percebi as ruas conhecidas, vendo que estávamos perto da loja que Bella gerenciava. Respirei fundo e olhei para a pequena garota em meu colo, notando-a com os olhos presos na paisagem que passava por nós. Afastei minhas mãos de seu cabelo e no mesmo instante seus olhos vieram em minha direção, como se estivesse averiguando que eu ainda encontrasse-me perto dela.

— Você vai sair? – Perguntou em um sussurro e eu respirei fundo, tirando a franja de seus olhos.

— Vou buscar a minha namorada. – Respondi, vendo-a franzir seu cenho. – Sairei do carro por poucos minutos, você ficará com Daniel. – Apontei para meu segurança com meu queixo, fazendo com que Chloe olhasse para ele, parecendo notar sua presença.

— Eu... eu não quero sentir-me insegura. – Engoliu em seco, pegando em minha mão que estava ao lado de meu corpo. – Não quero que vá embora. – Piscou os olhos rapidamente, suspirando alto. – Não agora, quando eu consigo sentir um pouco de paz.

— Ei. – Ergui seu queixo, fazendo-a olhar-me em meus olhos. – Eu sairei por pouco tempo, não tem com o que se preocupar, tudo bem? – Ela assentiu devagar, soltando um suspiro baixo. – Preciso buscar minha namorada e dizer-lhe sobre você, não quero que ela assuste-se ao chegar no carro. – Tentei sorrir para acalmá-la, porém um brilho passou por seus olhos quando eu disse-lhe aquela frase.

— Sua namorada? – Questionou-me, parecendo atentar-se sobre isso somente agora. Confirmei com um aceno, percebendo um sorriso pequeno brincar em seus lábios. – Ela é bonita? – Perguntou interessada, olhando-me ansiosamente. Sorri com sua repentina alegria.

— É a mulher mais linda desse mundo. – Pisquei divertido, observando sua curiosidade, assim como o bonito sorriso que ela dava, apesar de ser pequeno, era um bom começo para fazê-la esquecer das coisas ruins.

— Será que ela gostará de me conhecer? – Largou minha mão que estava segurando, torcendo seus dedos, olhando para suas mãos unidas. – Ninguém gosta. – Suspirou pesadamente.

— Claro que ela gostará. – Seus olhos vieram em minha direção, assim que disse a frase. Sorri para ela, movendo meus dedos por seu rosto. – Bella é uma mulher incrível, Chloe, posso garantir-lhe isso. – Suspirei. – Ela só precisará entende-la. – Ela assentiu, parecendo compreender o que eu estava dizendo-lhe.

— Sua namorada parece ser maravilhosa, vejo um brilho em seus olhos ao tocar no nome dela. – Sorriu lindamente, tocando minha bochecha. – Gostei dela. – Isso fez-me soltar uma risada baixa, notando sua inocência.

O carro foi perdendo movimento aos poucos e então percebi que havíamos chegado em nosso destino. Tirei Chloe de meu colo deixei um beijo em sua testa, vendo-a sorrir minimamente para mim, mandando-me um aceno agitado. Pedi para Daniel ficar de olho nela e puxei o trinco da porta, abrindo-a e retirando-me do carro.

— Já volto. – Avisei a ruiva, sentindo um incômodo ao observá-la abraçar-se apertado, como se estivesse protegendo-se. – Fique tranquila. – Mandei-lhe uma piscadela e ela assentiu energicamente.

Encostei a porta do veículo e respirei fundo, esfregando meu rosto com as duas mãos, tentando ver se algum controle voltava para mim, mas eu parecia estar anestesiado com a aparição repentina daquela garota aterrorizada. Eu nem sabia a história dela e já sentia que seria dolorosa, conseguia perceber isso apenas ao olhar em seus olhos sem brilhos ou para o rosto e corpo pálidos, assim como as roupas completamente acabadas. Tinha medo do que eu fosse descobrir dela, mas eu tinha certeza que se Bella estivesse comigo, eu poderia sentir-me mais seguro e melhor, ela tinha o dom de melhorar as coisas em sua volta.

— Ei, querido. – Ouvi a voz doce ao longe e tirei as mãos de cima de meus olhos, vendo a figura animada sair pela porta transparente da loja. A morena sorriu maravilhosamente para mim e eu tentei retribuí-la, porém, a preocupação que me preenchia não deixava-me ser tão espontâneo. Bella franziu o cenho ao notar meu jeito e desceu os degraus com cuidado, caminhando a passos rápidos até estar em minha frente. – Está tudo bem? – Seus olhos achocolatados encaravam-me questionadores, tentando buscar qualquer coisa que estivesse de errado. – Amor, aconteceu alguma coisa com você? – Suas mãos macias seguraram meu rosto, fazendo-me olhá-la. – Conte-me.

— Estou bem. – Segurei em sua cintura, puxando-a para perto de mim. Uma de minhas mãos deslizou para seu estômago com uma pequena protuberância e eu consegui sorrir um pouco, pressionando minha palma no local. – Olá, bebê. – Encostei minha testa na de minha namorada, olhando em seus olhos. – Vocês estão bem? – Questionei preocupado e ela assentiu, dando-me um beijo rápido.

— Estávamos ótimos, há cinco segundos. – Arqueei uma sobrancelha. – Agora eu sinto-me aflita, Edward, alguma coisa está diferente. – Sua palma moveu-se em minha bochecha. – Sabe que pode dizer-me qualquer coisa, não é? – Assenti, cerrando meus olhos e plantando mais um beijo em seus lábios.

— Eu estava no elevador, enquanto falava com você pelo celular. – Relatei, abrindo meus olhos e fixando-os nos de Bella. Minha namorada assentiu, pedindo-me para continuar a falar. – Quando eu despedi-me de você e desliguei a chamada, o elevador chegou ao estacionamento e então eu caminhei para meu carro, desativando o alarme dele. – Engoli em seco, vendo a cena de meia hora atrás repetir-se em minha mente. – Foi aí que ela apareceu. – O cenho de Bella franziu-se, e os olhos arregalaram-se, encarando-me confusa e apavorada ao mesmo tempo. – Chloe. – Disse-lhe o nome. – Eu não sei onde ela estava escondida ou de onde ela veio, Bella, só sei que assim que cheguei perto do carro, senti-a agarrar minhas pernas com força, implorando-me para ajuda-la. – Senti meus olhos ficarem úmidos e respirei fundo, apertando o corpo da minha namorada contra o meu, puxando-a para mais perto, tentando ter algum contato maior, buscando suporte. – Eu ouvi-a soluçar e encarar-me com os grandes olhos chorosos. – Suspirei. – Eu não sabia o que fazer, mas a única coisa que eu tinha certeza é que eu precisava ajuda-la, eu não podia deixa-la soluçando com todo o medo que aparentava para mim. Ela é tão jovem, mas parece carregar tanto medo consigo, amor, eu... eu... – Um baixo soluço saiu de meus lábios e eu escondi meu rosto no ombro de Bella, o pranto saindo de mim com força, minhas lágrimas queimando em meus olhos, assim que eu deixei toda a realidade atingir-me. Eu segurei-me perto de Chloe, mas agora eu estava dando-me conta de tudo o que estava vivenciando e todo o pavor que aquela pequena garota possuía, eu não conseguia lidar com o medo dela, eu precisava ajudar, só não sabia como.

— Oh, querido. – Bella abraçou-me apertado e sua mão foi até meu cabelo, acariciando os fios entre seus dedos, enquanto eu tentava buscar algum suporte nela, mas agora eu nem conseguia controlar o meu choro. – Shiuuu, amor, acalme-se. – Senti um beijo na lateral de meu rosto e sua outra mão deslizou para minhas costas, massageando-a, tentando transmitir-me segurança. Eu sentia-me sem forças, porque possuía tantas regalias ao meu dispor, mas agora eu não sabia o que fazer para ajudar aquela garotinha tão assustada. – Ei, ei. – Bella afastou-me dela, segurando meu rosto com suas duas mãos, fazendo-me olhar em seus olhos. Vi o castanho brilhar com as lágrimas acumuladas, entretanto eu também vi a força ali. – Não fique assim, amor, tranquilize-se, nós vamos conseguir ajuda-la. – Fez um carinho em meu rosto, enquanto suspirava longamente. – Eu... de alguma forma, eu estava tendo algum pressentimento. – Respirou fundo. – Talvez fosse isso. – Mordeu o lábio inferior, olhando-me e secando meu rosto, tirando as lágrimas que queimavam em minhas bochechas. – Mas nós daremos um jeito, tudo bem? Não fique dessa forma, é doloroso vê-lo tão fraco, parecendo desnorteado com o que está acontecendo em sua volta.

— É assim que eu me sinto. – Engoli em seco, respirando profundamente. – Eu não sei o que fazer. – Disse-lhe, erguendo minhas mãos até seu rosto macio, segurando-o com cuidado. – Eu realmente não sei como cuidar dela, Bella, eu quero muito, todavia está doendo demais em mim, o olhar dela faz doer. Eu vejo muita dor no mar verde de seu olhar. – Puxei o ar. – Fique comigo. – Implorei e minha morena dirigiu-me um lindo sorriso, conforme ela fungava.

— Para onde eu iria, amor? – Ficou na ponta dos pés, beijando meus lábios deliciosamente. – Eu sempre estarei do seu lado. – Prometeu-me, suspirando. – E é claro que você sabe como cuidar da pequena Chloe, isso está em você, Edward. – Ela sorriu, tocando em meu peito. – Você é a pessoa mais incrível que eu conheço, amor, faz de tudo para ver todos bem, com ela não será diferente, eu sei disso. – Beijou-me mais uma vez. – Olhe, vamos fazer assim: Pelo pouco que falou-me, ela deve estar arrasada e com certeza machucada. – Assenti, lembrando-me de visualizar alguns ralados em seus joelhos e cotovelos. – Certo. – Respirou fundo. – Vou pegar algumas roupas aqui na loja e irei ajudar você, querido, vamos leva-la para o apartamento e cuidar dela. – Sorriu lindamente, mostrando-me, mais uma vez, o quão maravilhosa era. Bella conseguia ser doce como Esme, fazendo o bem sem olhar a quem. – Ligue para alguém pegar Andrew no colégio, não podemos deixá-lo nos esperar e temos que mantê-lo longe, pelo menos até conseguirmos ajeitar tudo.

— Eu conversei com Emmett, ele vai cuidar de nosso garoto por hoje. – Passei a mão por meu cabelo. – Obrigado, amor. – Bella soltou uma risada, movendo a cabeça para os lados.

— Você definitivamente não precisa agradecer-me, Edward. – Ela tocou meu rosto, suspirando ao sorrir para mim. – Eu já volto, sinto-me ansiosa para conhece-la. – Piscou animada.

— Você irá adorá-la. – Bella assentiu animada e deu-me um beijo no rosto, praticamente correndo de volta para a loja. Resolvi aguardá-la no mesmo lugar, então enfiei minhas mãos no bolso de minha calça social e respirei profundamente algumas vezes, tentando controlar e pensar em um jeito de organizar toda a confusão que estava acontecendo.

Bella tinha toda a razão, mesmo que eu não soubesse o que fazer agora, juntos conseguiríamos pensar em algo para ajudar Chloe. Minha namorada possuía o maior coração do mundo e faria de tudo para fazer algo bom para uma pessoa, ainda mais ela sendo uma criança tão encantadora como a pequena ruiva que nos aguardava dentro do carro. Eu não a conhecia direito, mas seu jeito maravilhoso, mesmo que meio escondido por seu medo, era incrível e fazia-me ficar fascinado por ela, com Bella não seria nenhum pouco diferente, ainda mais que ela amava ajudar quem pudesse.

Esfreguei meu peito, sentindo um sentimento novo invadir-me, e mesmo sendo estranho, não parecia ser algo ruim. Tudo estava acontecendo depressa, sabia disso, entretanto não havia forma alguma de eu deixar as coisas de lado, precisava fazer tudo o que estivesse ao meu alcance.

Ergui meu pulso para checar as horas, espantando-me ao notar que mais de vinte minutos haviam se passado. Balancei a cabeça e estava pronto para entrar na loja e procurar por minha namorada, mas antes que eu desse mais do que dois passos, eu notei-a aparecendo perto da porta, fazendo um esforço para abri-la e sair com várias sacolas em suas mãos. Corri para ajudá-la e peguei quase tudo que estava com ela, ajudando-a descer as escadas.

— Eu peguei tudo o mais rápido que pude. – Disse arfante, sorrindo para mim. – Espero que ela goste, escolhi as roupas mais bonitas para fazê-la ficar feliz, pelo menos um pouco. – Deu de ombros e eu sorri, caminhando até o porta malas do carro. – Será que exagerei? – Bella olhou preocupada para minhas mãos, mordendo seu lábio inferior.

— Acalme-se, amor, tenho certeza que Chloe ficará contente com sua atenção com ela, mesmo não a conhecendo. – Inclinei-me, beijando sua testa. Minha namorada suspirou, parecendo mais calma.

O porta malas abriu-se, provavelmente Daniel notou nossa movimentação, e então coloquei todas as sacolas ali, batendo a porta em seguida. Segurei na mão trêmula de minha namorada e puxei-a comigo, caminhando na direção da porta traseira do carro. Abri e entrei primeiro, vendo Chloe erguer seu rosto e olhar-me curiosamente. Dirigi-lhe um sorriso e depois virei-me para a entrada, esticando a mão para ajudar minha namorada a entrar e acomodar-se em seu lugar. Bella sentou-se e puxou a porta, fechando-a.

— Para meu apartamento, Daniel.

— Sim, Senhor Cullen. – Ouvi-o ligar o veículo e manobra-lo para longe do meio fio que estava estacionando.

Respirei fundo e olhei a pequena ruiva, vendo a ansiedade em seus bonitos olhos. Estiquei meus braços em sua direção e cautelosamente ela esgueirou-se para perto de mim, deixando-me puxá-la para meu colo em seguida. Acomodei Chloe sobre minhas pernas e ergui meu rosto para Bella, observando-a sorrir para mim e em seguida descer seus olhos para a garota desconhecida, olhando maravilhada para ela.

— Olá, Chloe. – Bella ergueu sua mão com cuidado, indo até o rosto da garota, empurrando sua franja para longe dos olhos. – Edward fez-me ficar ansiosa para conhecê-la, até comprei algumas coisas para poder cuidar de você, espero que goste. – Suspirou. – Eu fico feliz que esteja por aqui. – Confessou e eu franzi o cenho, sentindo-a encostar-se em mim.

— É mesmo? – Chloe interrompeu o silêncio, a curiosidade brilhando em seu olhar. Minha namorada assentiu animadamente, tocando seu rosto.

— Claro. Eu sinto-me bem por Edward tê-la ajudado, afastando-a de qualquer perigo. – Engoli em seco, concentrando-me na conversa delas. – Ah, eu sou a Bella.

— Oh, igual a Bela Adormecida? – Questionou um pouco mais animada, fazendo-me soltar uma risada baixa. Bella deu de ombros e sorriu para mim, antes de voltar com sua atenção para a garotinha ansiosa.

— Bem, eu chamo-me Isabella, porém prefiro que meus amigos chamem-me somente de Bella. – Explicou. – Mas se você quiser fazer alguma associação com a princesa, não vou opor-me. – Chloe soltou uma risadinha mais alegre.

— Que incrível! – Respirou fundo, sorrindo em direção à minha namorada. – Uau, você é mesmo muito bonita! – Sorri, vendo os olhos verdes brilharem. – Tão bonita como Edwald tinha me avisado.

— Ah, obrigada, querida, sinto-me lisonjeada. – Bella sorriu alegremente. – Você é linda também. – Piscou, levando uma mão até os fios ruivos de Chloe. – Parece uma pequena princesa. – A ruiva sorriu para ela, suspirando.

— Obrigada. – A pequena levantou a cabeça, olhando-me nos olhos. – Você tinha razão, Edwald, sua namorada é incrível. – Ri e beijei sua testa.

— Ela é sim. Você pode confiar nela também, pequena, Bella a entenderá como ninguém. – Chloe assentiu e a vi esgueirar-se para mais perto de minha namorada.

— Posso? – Pediu permissão e a morena sorriu maravilhada, puxando-a para seu colo, ajeitando-a.

— Quantos anos você tem, querida? – Bella questionou, movendo sua mão pelo cabelo de Chloe, arrumando-o entorno de seu rosto. Sorri para seu cuidado e aproximei-me delas, abraçando minha namorada pela cintura e encostando minha cabeça em seu ombro.

— Tenho assim. – Ergueu sua mão aberta, mostrando todos seus cinco dedos. – Mas faço mais um no final do ano. – Levantou a outra mão, erguendo somente um dedo, totalizando no número seis. Sorri para seu jeito, mas no fundo, eu preocupava-me um pouco, sua história era exatamente como a de Andrew no quesito idade, eram muito novos, mas a vida os fez amadurecerem muito cedo. – Vocês vão cuidar de mim? – Surpreendi-me com sua pergunta, ainda mais porque ela passara alguns minutos em silêncio.

— Vamos tentar, Chloe. – Respondi, esticando uma mão e massageando sua bochecha pálida. – Sei que deve ter passado por várias coisas, porém Bella e eu tentaremos ao máximo ajuda-la com isso, vamos esperar seu tempo de dizer-nos por que estava correndo e chorando tão desesperada. – Engoli em seco e a vi assentir, fungando baixinho.

— Mas fique sabendo que estaremos por perto, querida, iremos leva-la para nossa casa e eu vou dar-lhe um banho para cuidar de seus machucados. – Bella tocou seu cotovelo direito com cuidado, suspirando ao ver os arranhões. – Eu tenho certeza que deve ser difícil estar confiando em pessoas tão estranhas, mas eu prometo ser compreensível e cuidar de tudo o que precisar. – Minha namorada sorriu para ela.

— Eu não acho difícil confiar em vocês. – Deu de ombros, os olhos verdes olhando entre Bella e eu, enquanto Chloe deixava um pequeno sorriso aparecer. – Eu passei por diversas coisas, mas eu nunca me senti tão bem como estou sentindo-me agora. – Suspirou baixinho. – Edwald e você parecem ser pessoas maravilhosas, fazendo com que meu coração fique inteiramente alegre por estar ao lado de vocês. – Ela tocou minha mão e a de Bella, respirando fundo. – De algum jeito, eu sei que estou fazendo o certo em confiar em vocês, mesmo que eu tenha um medo horrível dentro de mim. – Respirou profundamente. – Obrigada por ajudarem-me, eu não sei como estaria agora, caso estivesse longe de vocês.

— Oh, querida, não pense nisso. – Minha namorada fungou e abraçou-a apertadamente, fazendo com que Chloe deitasse sua cabeça contra seu peito. Observei a garota ruiva fechar seus olhos e apertar seus dedos nos meus, suspirando auditivamente. Olhei minha namorada, vendo-a derramar algumas lágrimas em seu rosto e puxei-a para mais perto de mim, ficando ereto e deixando-a deitar seu rosto contra meu ombro.

— Fique calma, amor. – Sussurrei em seu ouvido, ouvindo-a segurar seu soluço e fechar os olhos, escondendo o rosto contra meu terno. – Ei, está tudo bem, Bella.

— Eu sei que sim. – Sussurrou de volta. – Mas meu coração aperta ao ver a fraqueza em seu olhar, Edward, assim como estou vendo no de Chloe. – Minha namorada olhou-me e eu suspirei. – Você sempre conseguiu tudo, amor, achará um jeito de ajudar a pequena, tenho certeza disso, confie em você. Confie em nós. – Assenti, inclinando-me para beijar seus lábios.

[...]

— Então você está divertindo-se, campeão? – Sorri ao perguntar, mas sabia a verdade, podia notar toda a alegria na voz de Andrew. Caminhei pela cozinha ao ouvir o micro-ondas apitar e abri a porta, retirando a xícara com o leite quente.

— Não sabe o quanto, papai! — Gritou energicamente. ­– Tio Emmett levou-me para almoçar na melhor lanchonete do mundo inteiro e depois foi comigo até o parque de diversões, brincamos por horas nos brinquedos totalmente maravilhosos! — Soltei uma risada com toda sua alegria e coloquei a xícara sobre o balcão, equilibrando o celular entre meu ombro e ouvido, conforme eu preparava o Nescau. — Por fim viemos até a casa da vovó, tio Emmett disse-me que não aguentava toda minha alegria, então precisava descansar. — Podia jurar que visualizava Andrew dando de ombros ao dizer isso. Eu sabia que Emmett não aguentaria o dia inteiro a imperatividade de Andrew. ­– Enquanto a vovó Esme fazia-me um bolo, o vovô Carlisle estava jogando videogame comigo. Foi incrivelmente incrível, venci dele nas cinco vezes!

— Não tenho culpa de estar velho para essas coisas! ­– Ao fundo meu pai resmungou e eu ri, encostando-me no balcão quando terminei de preparar o chocolate quente. — Fale ao seu pai sobre a proposta de sua avó, querido.

— Proposta? – Franzi meu cenho. – Que proposta?

­- Vovó Esme queria que eu dormisse na casa dela hoje. — Andrew respondeu-me. ­— Eu fiquei muitão feliz, porque ela prometeu-me colocar para dormir, amo você e a mamãe colocando-me para dormir, pai, mas a vovó tem alguma coisa de especial nela. — Sorri ao ouvi-lo falar de uma maneira tão amável. — Adoro passar a noite com meus avôs, eles sempre são maravilhosos comigo, posso ficar hoje? — Respirei fundo, passando a mão pelos fios de meu cabelo. Queria muito ter Andrew comigo hoje, Bella e ele tinham um dom incrível de fazer-me ficar melhor, tirando tantos medos e preocupações de minha cabeça, entretanto seria melhor para meu pequeno ficar na casa de meus pais hoje, eu não queria confundir a cabecinha dele com os acontecimentos de hoje. Eu ainda não tinha me recuperado de tudo, nem sabia como fazer Andrew entender tudo isso, eu mesmo não conseguia. — Pai?

— Ainda estou aqui, campeão. – Suspirei. – Claro que você pode, sei que meus pais têm tudo o que você precisará para a noite e irão leva-lo no horário certo para a escola amanhã. – Sorri, ouvindo-o agitar-se em seu lugar. – Mamãe e eu vamos busca-lo amanhã, Andrew, desculpe-nos por faltar hoje, tivemos alguns imprevistos.

­- Não tem problema, pai, sei que vocês sempre fazem o melhor, e eu jamais ficaria chateado por isso, ainda mais que pediram para tio Emmett fazer meu dia ser perfeitamente perfeito. ­– O sorriso veio para meu rosto involuntário. Amava a forma que Andrew conseguia compreender as coisas. — Vocês são os melhores pais do mundo, não precisam se preocupar, amo tanto tudo o que fazem por mim. ­– Engoli em seco, suspirando ao ouvi-lo dizer coisas tão maravilhosas. Passei anos ao lado de Andrew, mas nunca me acostumaria com seu jeito. – Ah, tio Emmett, vovô e a vovó mandaram beijos para vocês.

— Mande outro para eles, querido. – Respirei fundo. – Mamãe está ocupada agora, mas pedirei para ela ligar para dar-lhe boa noite.

— Sei que ela deseja-me boa noite, mamãe é maravilhosa! ­­– Ri com sua inteligência, sorrindo. – Ei, eu também estou mandando beijos, papai, não se esqueça de mim. Amo muitão vocês.

— Também amamos muito você, campeão. – Esfreguei meu rosto. – Nos veremos amanhã. Durma bem, Andrew.

Despedi-me de meu pequeno e desliguei a chamada, bloqueando o celular e colocando-o sobre o balcão. Sorria sozinho, lembrando-me de toda a alegria de Andrew, jamais tinha visto uma criança tão maravilhosa como ele era, sempre enfrentando todas as coisas com um sorriso no rosto. Meu campeão era forte demais e muito maduro para sua idade, isso assustava-me um pouco, mas amava vê-lo tão alegre com as coisas, isso era o mais importante: Sempre tê-lo feliz.

Ouvi passos na escada e então despertei de meus devaneios, colocando-me ereto novamente. Enfiei minhas mãos em meus bolsos e caminhei para fora da cozinha, observando Bella trazer Chloe em seu colo, sorrindo conforme conversava com a ruiva, fazendo-me ficar contente ao ver ambas alegres, após todos os acontecimentos de mais cedo. A garota ruiva encantadora agora encontrava-se com roupas confortáveis e mais quentes, visto que o dia havia esfriado enquanto entardecia, e seu longo cabelo estava molhado e penteado, por causa do banho que Bella tinha prometido dar-lhe. Demorou para fazermos as coisas, porque quando chegamos no apartamento, a pequena tinha caído no sono e eu achei melhor deixa-la descansar, tirando o cansaço físico e mental que deveria estar sentido. Minha namorada também adormeceu após algum tempo e eu fiquei velando seu sono, tentando achar mil soluções para o que estava acontecendo, todavia nada parecia concreto em minha mente.

— Oi, Edwald. — Chloe acenou animadamente e eu sorri com a pronúncia de meu nome, caminhando até onde Bella tinha parado. A ruiva jogou-se para meu colo e eu beijei sua testa, arrumando-a entre meus braços. – Bella é maravilhosa, deu-me um banho quente e ainda cuidou de todos meus arranhões. – Mostrou-me seus braços que estavam com curativos, assim como seu joelho direito.

— Que ótimo, Chloe, fico feliz ao ver esse bonito sorriso em seu rosto. – Beijei sua bochecha, vendo, com satisfação, elas avermelharem-se de vergonha.

— Oh, Deus, você cora! – Bella disse entusiasmada, apertando levemente as bochechas avermelhadas da pequena. – Você é encantadora, Chloe. – Minha namorada sorriu para ela e depois inclinou-se, beijando-me brevemente. – Amor, eu liguei para Kate e avisei que não vou comparecer a faculdade hoje, acho melhor ficar em casa com você e Chloe. – Avisou-me, massageando meu braço.

— Sabe que não precisaria, não é? – Bella riu e beliscou meu queixo.

— Eu sempre estarei ao seu lado, querido, não há discussões quanto a isto. – Piscou e afastou-se, caminhando em direção da cozinha. Ainda olhava meio abobalhado para Bella, até ela sumir de minhas vistas, Chloe pareceu perceber isso e soltou uma risadinha, fazendo-me rolar os olhos e seguir para a cozinha também, ouvindo-a sorrir pelo caminho.

— Seu chocolate quente. – Apontei para xícara e sentei Chloe no lugar de Andrew, afinal era a única cadeira alta da casa. Ajudei-a a ficar confortável no lugar e entreguei-lhe a xícara que saía fumaça, ganhando um maravilhoso sorriso em troca.

— Obrigada, Edwald, você é realmente muito atencioso. – Seu sorriso infantil fez-me suspirar baixinho e eu apoiei-me na bancada, olhando de relance para minha namorada, vendo-a piscar um olho para mim, conforme pegava algumas coisas da geladeira para preparar os sanduíches para comermos.

— Andrew estava falando comigo, Emmett ligou para mim a pedido dele. – Avisei a Bella, fazendo-a olhar-me atentamente. – Ele parecia tão animado com o dia divertido que teve. – Soltei um sorriso, vendo-a fazer a mesma coisa, balançando a cabeça.

— Quando é que ele não parece animado, amor? – Brincou, rindo baixinho. – Adoro saber que ele sente-se alegre assim, faz com que eu sinta-me ótima. – Disse-me, continuando seu trabalho na comida.

– Sei como sente-se, amor. – Toquei sua mão, suspirando. – É a mesma coisa comigo, em relação a Andrew. Não há nada melhor do que saber que ele está feliz. – Ela assentiu, sorrindo. – Enfim, nosso pequeno também pediu-me para dormir na casa de meus pais, afinal Esme queria-o por lá esta noite. – Falei, observando-a e seus olhos ergueram-se até os meus. – Eu permiti, pois Andrew estava ávido por querer ficar lá, dizendo que adoraria receber o boa noite de Esme. – Bella sorriu. – E também, achei melhor, não queria deixa-lo confuso com tudo o que está acontecendo. – Chloe ergueu seus olhos para nós e eu sorri, limpando o bigode de chocolate que havia se formado sobre seus lábios.

— Fez bem, Edward, Andrew é esperto demais, porém nem sei como ele reagiria. – Suspirou longamente.

— Quem é Andrew? – A pergunta escapou dos lábios de Chloe e quando Bella e eu olhamos em sua direção, franzi meu cenho ao vê-la arregalar os grandes olhos verdes, olhando-nos assustada. – Desculpe, desculpe, eu... eu não queria me intrometer. – Engoliu em seco, respirando fundo. – A pergunta saiu antes que eu pudesse segurar. Sinto muito.

— Ei, ei, querida. – Bella largou tudo, caminhando rapidamente até a cadeira alta onde ela encontrava-se. A pequena piscou seus olhos rapidamente como se tentasse afugentar algo, mas foi em vão, pois as lágrimas já começaram a se formar. – Oh, linda, não precisa ficar dessa maneira, nem se desculpar por fazer alguma pergunta. – Engoli em seco e Bella abraçou-a carinhosamente, fazendo carinho em seu cabelo úmido. – Acalme-se, Chloe, está tudo bem. – Apertei a ponte de meu nariz, suspirando baixinho ao perceber o quão maltratada a pequena havia sido. Eu definitivamente estava por fora de sua história, entretanto não é difícil adivinhar as coisas que tinham sido negadas a ela, assim como os maus-tratos que deve ter sentido por causa de perguntas ou qualquer coisa superficial. Eu não sabia lidar com isso, ardia meu peito ao imaginar qualquer dor que ela tenha passado, queria muito saber o que fazer, mas ainda me encontrava sem rumo.

— Tanta coisa aconteceu, apenas porque eu quis perguntar algo. – Olhei-a, ouvindo sua voz embargada. Bella secou seu rosto, olhando atentamente para a pequena, parecendo conseguir visualizar além dela. – Só assustei-me. – Confessou, abaixando sua cabeça.

— Não precisa ficar assim. – Disse, caminhando até estar próximo dela. – Pergunte-nos o que quiser. – Sorri um pouco, suspirando ao tocar sua bochecha pálida novamente, porém úmida. – Andrew é o nosso filho. – Respondi à pergunta inicial, ganhando sua atenção. Bella sorriu um pouco e deu-lhe um beijo na testa, piscando para mim antes de concentrar-se novamente nos sanduíches. – Ele tem quase sua idade, sabia? – Chloe bebericou mais de seu chocolate, olhando-me com curiosidade, melhorando-me ao mostrar-me que já não se encontrava completamente assustada. Era estranho cuidar com qualquer coisa que fossemos dizer, porque uma palavra poderia fazer Chloe desmoronar, ainda não sabíamos por tudo o que ela tinha passado. – Um ano e alguns meses mais velho, afinal ele completou sete anos há algum tempo. – A ruiva sorriu interessada e eu retribui.

— Vou poder conhece-lo? Afinal, parece que qualquer pessoa que tenha passado por sua vida, é feliz e absurdamente legal. – Deu uma olhada para Bella, fazendo-a soltar uma risadinha envergonhada.

— Talvez conhecerá sim, pequena. – Ajeitei as mechas de seu cabelo ruivo. – Andrew é muito alegre e adora conhecer pessoas novas, irá impressioná-la com a imperatividade dele. – Pisquei e ela riu, tomando mais de sua bebida. – Sem contar, que ele é capaz de envolve-la no mundo animado em que vive.

— Irei adorar saber como é! – Saltitou em seu lugar, rindo alegremente. – Nunca tive amigos, talvez Andrew e eu possamos ser. – Senti a animação em sua voz, assim como podia ver a ansiedade brilhando nos profundos olhos verdes.

— Tenho certeza que poderão. – Belisquei sua bochecha delicadamente, ganhando um lindo sorriso em troca.

Bella terminou nossos lanches e eu arrumei o balcão com pratos e talheres, colocando café para mim em uma xícara e fazendo mais dois chocolates quentes, entregando-os para Bella e Chloe. Quando tudo estava organizado, sentamos juntos e nos alimentamos, tentando conversar coisas amenas, sem ter alguma direção específica, e tomando o máximo de cuidado para não tocar em nenhuma ferida da pequena, queríamos que ela sentisse-se bem e em paz, pela primeira vez em sua curta vida, da mesma maneira que ela tinha nos falado.

Quando terminamos, pedi para Bella levar Chloe para a sala de televisão e colocar um filme animado para vermos. Assim que elas foram, eu organizei toda a cozinha e em seguida peguei meu celular, discando ligeiramente para o número de minha irmã, eu precisava saber de tudo sobre nossas organizações para sábado.

— Está tudo ficando maravilhosamente maravilhoso! — Alice gritou animada, assim que atendeu a minha chamada. Sorri com a alegria dela e escorei-me no batente da porta.

— Eu fico feliz em ouvir isso, Alice, confesso que a cada vez que fica mais perto, eu tenho um pouco mais de medo de como as coisas acontecerão. – Suspirei fortemente, esfregando meu rosto com a mão vazia. – Será que tudo sairá como o planejado? – Perguntei inseguro.

— Claro que sim, Edward! Helloou, Rosalie e eu fizemos tudo da maneira mais perfeita possível, não existe possibilidade de alguma coisa sair errado. ­– Revirei os olhos para a modéstia das duas, mas por fim sorri, afinal, sabia como elas conseguiam ser incríveis para fazer o que mais queriam. — Ah, Rose e eu saímos agora da reunião com alguns músicos e como somos muito persuasivas, conseguimos os melhores para sábado! Até os fizemos desmarcar alguns compromissos, sabia? — Alice parecia saltitar em seu lugar.

— Imagino que tenham conseguido, vocês duas são terríveis. – Murmurei, ouvindo a risada de ambas. – Eu liguei para saber como estava indo a organização, mas pelo visto, tudo está saindo como nos conformes.

— Até melhor do que isso, cunhadinho. — Dessa vez a voz alegre de Rosalie soou. ­— Temos cartas na manga, é só dizer que estamos fazendo o evento que Edward Cullen mandou, e então todos aceitam as coisas na mesma hora. É incrível! — Riu.

— Bem, para alguma coisa meu nome deve servir. – Brinquei. – Enfim, vocês conversarão com a família?

— Estamos indo agora para o apartamento de nossos pais, maninho, descobri que Emmett está por lá e pedi para Jasper ir após a última consulta, então todos estarão juntos e dará para dizer para toda a família a grande novidade! — Falou alegremente, fazendo-me perceber o sorriso em sua voz. Assim que sua frase fez sentido, fechei meus olhos e grunhi contra a palma da minha mão. – O que foi, Edward?— Sua voz soou preocupada.

— Andrew estará passando a noite na casa de nossos pais hoje. – Avisei-a, suspirando alto. – Por favor, pode tentar não contar para ele? – Implorei, porque essa novidade eu queria contar pessoalmente para meu pequeno campeão, queria ver o sorriso estonteante dele quando disse-lhe meus planos para sábado. – Espere-o dormir ou marque para outro dia, Alice, mas não conte ao Andrew, eu quero falar com ele sobre isso. – Supliquei, soltando minha longa respiração.

— Eu compreendo completamente, Edward. — Suspirou. ­— Pode deixar, eu esperarei ele dormir para conseguir conversar com todos. Disse para Emmett pedir para Esme organizar um pequeno jantar, pois Rosalie e eu passamos o dia fora, mas não mencionei nada sobre novidades, então não devem esperar por muita coisa. — Explicou e isso fez-me sentir um alívio enorme na hora. Não havia problema em Alice contar, tinha certeza que Andrew ficaria feliz do mesmo jeito, mas era algo meu, e pessoalmente, eu queria ser a pessoa que deixaria Andrew sorridente por horas se possível. Sabia que meu pequeno alegrar-se-ia na hora com a novidade. — Fique tranquilo, maninho, faremos como o combinado. Andrew é todo seu para a novidade. ­­– Podia sentir o sorriso em sua voz e mordi meu lábio.

— Obrigado, Alice. Bem...

— Edward? — Minha irmã interrompeu-me antes que eu me despedisse dela. Fechei meus olhos e engoli em seco, prevendo o que seria. — Você percebe que eu sei que alguma coisa está acontecendo, não é? ­— Sua voz não passava de um sussurro e eu suspirei, assentindo para mim mesmo. Como eu já tinha dito diversas vezes, jamais me acostumaria com a ligação que Alice e eu possuíamos um com o outro, ela era capaz de saber quando alguma coisa estava acontecendo em minha volta ou diretamente comigo. Isso acontece desde que éramos mais novos e ainda não consegui lidar direito com tudo isso. Porém, apesar de ser assustador, ficava feliz por termos essa ligação, por mais que não fôssemos irmãos de sangue. — Olhe, eu entendo que queria deixar isso escondido por enquanto, querido, mas não demore muito para contar-me, eu... não sei, estou sentindo algo em meu peito. — Soltou um suspiro, seguido de uma risadinha. — Estou preocupada com o que seja, entretanto sinto que seja algo bom, meu coração alerta-me sobre isso. Então, seja o que for, estou feliz por você, maninho, todavia eu me sentirei menos apreensiva quando ouvir você dizer-me o que é.

— Eu direi logo, Allie, pode deixar, eu só preciso compreender tudo. – Suspirei longamente. – Só que eu fico feliz ao saber que sente algo bom, faz-me ficar mais tranquilo, obrigado.

— Sempre que precisar, Edward. Cuide-se, eu te amo.

— Também te amo, Alice, mande um beijo para todos quando chegar no apartamento de nossos pais. Ah, e dê um beijo de boa noite em Andrew por mim.

— Darei sim, maninho, fique tranquilo.

Sorri ao despedir-me de minha irmã e desliguei a chamada. Apaguei a luz da cozinha e caminhei para o hall de entrada, desligando tudo o que estivesse no primeiro andar, afinal agora ficaríamos na sala de TV e logo iríamos dormir, então não havia necessidade de deixar tudo aceso no andar debaixo.

Fui para as escadas e deixei apenas as luzes dos degraus acesas, subindo para o próximo andar. Caminhei em direção a sala de televisão e abri a porta devagar, sorrindo ao encontrar Chloe deitada com sua cabeça no colo de Bella, soltando risadas divertidas enquanto concentrava-se no programa que estavam assistindo. Entrei na sala e voltei a fechar a porta, caminhando para perto do sofá. Minha namorada sorriu lindamente para mim e eu sentei em seu lado direito, esgueirando-me para debaixo do edredom que ela compartilhava com Chloe, abraçando-a contra mim.

— Você demorou. – Os olhos castanhos avaliaram-me e eu dei de ombros, depositando um beijo em sua testa.

— Organizei tudo lá embaixo, assim poderia apagar tudo, afinal vamos ficar aqui ou ir para o terceiro andar, não havia necessidade de deixar tudo aceso. – Sorri para ela, acariciando seu braço. – Então, o que estamos assistindo? – Apoiei meu queixo em sua cabeça, olhando para a grande tela de TV.

— Chloe decidiu pelo filme A Era do Gelo, confesso que estou adorando também. – Soltou uma risada baixa. – É divertido assistir filmes de desenhos. – Levantou seus olhos para mim, sorrindo. – Mas confesso que sinto falta dos super-heróis de Andrew. – Piscou divertida e eu soltei uma risada baixa, balançando a cabeça pela fascinação que nosso pequeno tinha pelos filmes da Marvel. – Acho que decorei todas as falas do Capitão América. – Fez uma careta adorável e eu sorri, beijando seu rosto delicado.

— Acha que ela ficará bem, amor? – Perguntei baixinho, indicando Chloe com o queixo. Minha namorada mordeu seu lábio inferior e olhou para a pequena, sorrindo um pouco ao acariciar os fios ruivos de seu cabelo longo. – Eu tenho medo. – Confessei e Bella olhou-me, franzindo seu cenho. – Por ela. – Completei a frase, engolindo em seco. – Chloe parece ter tantas coisas guardadas, Bella, percebeu que qualquer coisa que nós falamos ou até mesmo ela, pode desengatilhar tantos traumas? – Minha morena assentiu devagar, suspirando baixinho. – Eu não sei as coisas pelas quais ela passou, porém deve ter sido difícil. – Olhei-a serena, seus olhos ligados a cada cena do filme que estava passando. – Acho fascinante vê-la tão alegre assim. – Olhamos para a pequena ruiva. – Queria conseguir mantê-la dessa forma.

— Nós vamos conseguir ajuda-la, querido. – A mão vazia de Bella foi até meu queixo e ela massageou minha mandíbula, sorrindo para mim. – Você faz tanto por todos, amor, não sabe o quão orgulhosa eu fico de você por isso. – Sorri e ela suspirou, inclinando-se para deixar um beijo no canto de minha boca. – Sei que fará tudo o que for possível para deixar Chloe em segurança, esse é você. – Sorriu. – Pode ser que esteja confuso no momento ou atordoado pelo choque que passou ao vê-la tão de repente, mas eu tenho certeza que será por pouco tempo. – Respirou fundo. – E mesmo que não consiga achar uma solução imediata, eu ajudarei você, porque não é seu dever saber sempre de tudo, querido. Então, sorria e não fique maltratando-se por isso, nós saberemos cuidar dela e fazê-la fechar todas suas feridas. – Seu maravilhoso sorriso poderia iluminar toda a sala. Encostei minha testa na dela e fechei meus olhos, sentindo sua respiração contra meu rosto. – Sei que poderemos ajeitar tudo para Chloe, fazendo-a esquecer de suas dores, é só uma questão de tempo. E enquanto não conseguimos, iremos mantê-la em segurança. – Meus olhos abriram-se, mergulhando no mar achocolatado que eram as orbes de Bella. – Iremos passar por tudo junto, querido, pois é assim que somos. Nós vencemos cada batalha por estarmos lado a lado. – Olhou-me profundamente, mostrando-me todos seus sentimentos, da melhor forma possível para fazer com que eu sentisse-me bem. – Eu te amo, Edward. – Sorri emocionado e suspirei contra sua pele, levando uma mão até sua bochecha.

— Assim como eu amo a você, Bella. – Mordisquei seu lábio inferior. – Você é a minha vida. – Minha mão desceu para sua barriga e sorri ao tocá-la, sentindo-a ganhando formato. – Andrew também é, exatamente como o nosso bebê que chegará em pouco tempo. – Sorrimos. – Vocês três são tudo para mim. – Beijei-a rapidamente, e em seguida Bella suspirou, deitando com sua cabeça contra meu peito, fazendo-me com que eu sentisse-me pleno ao tê-la ali, sempre tão próxima de mim, apoiando-me em todas as coisas. Assim que eu tornava-me forte: Tendo as pessoas que eu amava ao meu lado. Era difícil pensar em todas as coisas pelas quais passei, porém eu passaria por tudo novamente, apenas para estar feliz e realizado no dia de hoje.

Sorri para minha namorada e estiquei minha mão, tocando os fios do cabelo de Chloe, vendo-a mover-se no colo de Bella. Sua cabeça ergueu-se em minha direção e ela abriu os bonitos olhos, sorrindo de forma sonolenta para mim, fazendo-me retribuí-la, pois era impossível não fascinar-me com toda a doçura que ela conseguia transmitir-me. Senti-a pegar em minha mão e apertar seus dedos contra os meus, voltando a aconchegar-se contra Bella, soltando um longo suspiro de satisfação conforme fechava os maravilhosos olhos verdes, os quais pareciam ser os espelhos de sua alma.

Engoli em seco e sorria ao ver a tranquilidade em seu rosto sereno, tão diferente de horas atrás, quando ela suplicou-me ajuda no estacionamento de minha empresa. Algo deveras terrível deveria ter acontecido em sua vida, temia o que tenha sido, mas qualquer coisa que fosse, eu não desistiria de ajuda-la. Bella tinha razão, nós não precisávamos de soluções imediatas, apenas tínhamos que cuidar de Chloe e tirar as dores de seu peito, ajudando-a a cicatrizar suas feridas. Não sei quanto tempo levaria e muito menos como poderíamos fazer dar certo, a única coisa que eu tinha certeza é que eu faria com que Chloe sentisse-se plena outra vez, livre de todos os fantasmas que possuía em sua vida. Eu lutei contra os de Andrew e contra os meus, então ajudaria a batalhar contra os seus.

Apertei um braço em volta do corpo de Bella e aconcheguei-a contra mim, dando-lhe um demorado beijo na testa. Sorri ao ver seus olhos fechados e a respiração fraca, denunciando seu sono, demonstrando a serenidade enquanto dormia calmamente, assim como a pequena que estava adormecida conosco.

Sorri ao sentir um aperto em meus dedos que Chloe segurava. Meus olhos dirigiram-se para sua direção e o sorriso não deixava meu rosto, conforme eu lembrava-me de todo seu encanto e inocência. Eu sabia que ela guardava suas dores, entretanto era uma garota tão maravilhosa, que infelizmente temia em abrir-se, mas demonstrava tudo através dos grandes olhos verdes. Como eu disse, eram espelhos de sua alma. Chloe tinha sofrido, assim como muitos em minha família, porém eu batalharia com ela e por ela, ajudando-a a vencer qualquer dor que a machucasse.

“Continua...”

Notas finais
N/A (Cintia Cullen): Primeiramente, já quero deixar meus enormes agradecimentos por todo o carinho que recebi no capítulo passado. Sério, vocês são realmente incríveis com as palavras, conseguem emocionar-me de um jeito maravilhoso a cada comentário. Obrigada, de verdade, não imaginam o quão importante tudo isso é para mim, assim como essa estória que amo escrever. Agradeço-lhes, do fundo do meu coração, por serem tão perfeitamente perfeitos. Espero muito que tenham gostado desse capítulo, estou torcendo para respostas positivas quanto a todos os acontecimentos recentes. Ainda temos algumas coisas para desvendar, porém o rumo de nossa família batalhadora continua seguindo, mesmo com surpresas. Mais uma vez, obrigada por tudo, amores, adoro demais poder contar com vocês. Vou-me indo, desejo-lhes uma semana maravilhosamente incrível e um feriado regado de coisas boas. ♥