Never It's Late.
1 Quando tudo mudou.
Notas iniciais
Quando tudo mudou.
Pov Bella.
Manhattan, início de janeiro.
Ah, o ano novo. Fazia apenas alguns dias que estávamos em 2017 e eu ainda não tinha dado um jeito na minha vida, que parecia desandar cada vez mais. Certo, saí há mais de um ano do orfanato que eu vivia, agora eu morava em um pequeno apartamento alugado na parte mais precária de Manhattan, mas era o máximo que eu tinha conseguido com a junção das economias que eu tinha conseguido. Antes de sair do orfanato, eu ajudava as mulheres das casas vizinhas, de todos os jeitos, limpava jardins, cuidava de animais ou até bebês, eu fazia o que podia para conseguir alguns trocados. Foram esses trocados que me ajudaram quando eu completei dezoito anos e tive que começar a cuidar mais ainda de minha vida.
Meu apartamento era pequeno, consistia em uma sala com um sofá de três lugares e uma pequena televisão, uma cozinha com fogão, dois armários e uma geladeira, onde tinha pouca comida, um banheiro no corredor, o meu quarto com uma cama de casal que tive a sorte de comprar e um roupeiro.
Eu trabalhava em uma loja de roupas, a “Fashion Space”, onde Angela Weber era dona. A mulher de vinte e cinco anos ficou meio desconfiada por eu ser tão nova e querer tanto um emprego, fora que eu era e sou simples demais, mas assim que expliquei toda a minha situação, ela abriu um grande sorriso e disse-me que estava contratada, sim, ela disse isso na hora, acho que acabou comovida.
Na loja trabalhava também Rosalie, minha melhor amiga de vinte e dois anos, uma loira alta, sofisticada e completamente deslumbrante, a mulher tinha olhos azuis, cabelos longos dourados, seios grandes e um corpo de dar inveja. Porém, apesar de tudo, Rose simpatizou-se comigo no primeiro dia e viramos ótimas amigas, isso já se estende há mais de um ano, porque consegui o emprego duas semanas depois que saí do orfanato. Tinha Jessica Stanley, com vinte e dois anos, uma mulher que nem gosta de mim e nem me odeia, mas me olha com um ar de superioridade, sem contar que ela é amiga da loira morango. Ah! É claro, também tem a loira arruivada, Tanya Denali. A loira alta, com cabelos loiros meio arruivados, pernas longas, seios tão siliconados, que se você apertar, parece que vai explodir, sem contar os olhos azuis. Parecida com Rose, mas minha amiga conseguia ser mais gostosa, sem contar que Rosalie não era uma vadia metida, como Tanya era. Tanya tinha vinte e três anos e a cada vez que me via, soltava um comentário enojado e se achava superior demais, bem mais do que Jessica, já que ela me olhava com desdém e jogava tudo na minha cara. Sim, ela odiava-me e muito.
Balancei minha cabeça para sair de meus pensamentos e dei uma olhada no relógio da parede, arregalando meus olhos ao notar que se eu não saísse rapidamente, perderia o metrô. Coloquei minha xícara na pia e corri para meu quarto, eu ainda usava meu moletom pesado de dormir, aliás, Manhattan estava um frio do caramba.
Fui para o grande espelho que Rosalie fez questão de comprar e colocar no meu quarto. É, eu tinha que agradecer muito à loira, afinal, ela sempre compra as coisas que preciso, mesmo eu não pedindo e negando, mas ela é ótima e me dá as coisas que eu sequer poderia comprar. Igual ao celular de última geração que ela me deu em meu último aniversário, eu vivia sem celular algum, porque mesmo o mais barato, complicaria minha renda, pois meu salário vai quase todo em contas. Então como eu não tinha dinheiro para o celular mais barato, no meu aniversário Rose chegou esbanjando felicidades na loja e entregou-me uma caixinha com pacote de presente. Quando eu abri e vi o celular moderno e caro, eu neguei mil vezes, dizendo que não poderia aceitar um presente tão caro, mas ela fez um discurso tão grande que até me deu sono e depois de levar um tapa no braço, eu aceitei, recebendo um abraço apertado em seguida.
Peguei um prendedor e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo, alisando em seguida a blusa preta do meu uniforme, que tinha em vermelho o nome da loja escrito bem no centro. Vesti minha calça jeans azul, também do uniforme, e depois calcei uma meia e meus all star surrados. Coloquei um casaco grosso, que eu fui obrigada a comprar com meu último salário, foi caro, mas o frio estava tão rigoroso que tive que comprar.
Como sempre, peguei meu fone de ouvido e o conectei no celular, colocando o fio por dentro da blusa. Selecionei a playlist que eu queria escutar e coloquei os fones no ouvido, guardando o celular no bolso do meu casaco. Peguei o dinheiro do metrô e minhas chaves, saindo rapidamente de dentro do apartamento, trancando-o. Desci os dois lances de escadas, no meu prédio não tinha elevador, afinal, ele era bem estreito e tinha somente três andares, então não teria condições para um elevador e também, nem era necessário. Eu morava no segundo andar e para a minha correria do dia a dia, era bem mais fácil descer rapidamente as escadas.
Coloquei o capuz e empurrei a porta de vidro, enfiando minhas mãos no casaco assim que senti o vento frio bater em mim. Andei rapidamente até as escadarias e as desci, entrando na estação de metrô quase correndo, o que eu pegava sairia dentro de cinco minutos e se eu perdesse esse, chegaria mais tarde do que o meu normal.
Respirei fundo e paguei a entrada, indo para o metrô bem na hora que ele estava fechando as portas. Tirei meu capuz e sentei-me em um local vago, fechando meus olhos e jogando a cabeça para trás, enquanto eu ouvia música.
Minha viagem sempre era bem demorada e depois da longa uma hora que eu passava dentro do metrô, eu o senti parando. Abri meus olhos e como suspeitava, era a estação que eu descia para ir para a loja. Suspirei e bocejei em seguida, esperando ele terminar de parar. Mais um bocejo escapou da minha boca enquanto eu esperava, pois, o sono me consumia muito, já que Angela abria sua loja cedo e agora deveria estar passando da seis e quarenta.
Bocejei outra vez e levantei do meu lugar, saindo do metrô. Ajeitei os fones de ouvido em minhas orelhas e caminhei devagar pela estação, colocando minhas mãos nos bolsos de meu casaco, era inverno e o frio estava realmente bem forte. Subi as escadas da estação e o vento quase congelante atingiu-me em cheio, fazendo-me estremecer um pouco. O ar super gelado vinha de encontro ao meu rosto e até ardia.
Por causa do frio, aumentei a velocidade de meus passos e depois de andar as duas quadras de sempre, avistei a grande placa iluminada da “Fashion Space”. Era minha rotina todos os dias: Acordar bem cedo, tomar um gole de café, pegar o metrô, caminhar duas quadras e ir trabalhar. Era uma rotina monótona e chata, mas infelizmente, era assim que eu seguia minha vida.
Subi os degraus da loja e empurrei a porta de vidro, suspirando contente ao sentir o aquecedor ligado. Tirei meu grosso casaco e o pendurei no cabide, indo para trás do balcão deixar meu celular e fones. Eu sempre era a última a chegar, visto que eu pegava metrô e caminhava mais duas quadras, mas Angela era ótima e nem ligava que eu chegava um pouco atrasada, afinal o horário era às sete e eu sempre estipulava isso.
Tanya era quem cuidava do balcão, claro, até alguém rico e bonito aparecer, daí ela me jogava para seu lugar e ia atender a pessoa. Rose, Jessica e eu éramos as atendentes e Angela sempre ficava em seu escritório, no segundo andar da loja.
Saí do lugar de Tanya, antes que a megera me visse ali e começasse a me encher o saco logo cedo. Alisei meu cabelo e o senti meio úmido, pela cerração que havia lá fora.
— Bella! Bom dia. – Rosalie caminhou contente até minha direção e apertou-me em um abraço.
— Ei, loira. – Ela separou-se de mim e pelo seu grande sorriso, ela tinha uma novidade. – O que foi?
— O que foi, o quê? – Cruzou os braços e olhou para seus pés, fazendo-me rir e rolar os olhos.
— Conheço esse sorriso, parece que você tem algo para me contar. – Ela bufou ao erguer seu olhar.
— Céus, Bella, você conhece-me muito bem. – Sorri e arqueei uma sobrancelha. – Ok! Eu te conto a novidade. Hmmm... – A vi morder a boca e suspirei.
— Qual é, Rose? Sabe que pode confiar em mim.
— Eu sei, mas bem, eu era uma mulher sem compromissos. – Ao ouvi-la dizer isso, eu rolei os olhos. Rosalie acreditava que sexo era a base de tudo, então nem ligava para relacionamentos sérios.
— Espera! – Abri a boca em choque, assim que notei seu verbo no passado. – Você era?
— Sim. – Ela bateu suas mãos animadas. – Lembra do moreno que eu estava saindo?
— O do mês passado? – Rose assentiu. – Lembro sim. Você disse que no primeiro encontro ele não quis sexo e então nem queria sair mais com ele.
— Eu sei! Mas... bem, ele ligou-me algumas vezes e eu fiquei tipo... encantada com as coisas que ele me dizia. – Suspirou abobalhada e eu gargalhei. Rosalie encantada era uma coisa rara de acontecer. – Bella! Não ria.
— Desculpe-me. – Respirei fundo e controlei meu riso. – Mas diga-me, o que aconteceu?
— Nós fizemos sexo anteontem. – Falou baixinho para mim. – E não te contei, porque como ontem era domingo, eu fiquei trancada em um jantar com meus pais. Mas enfim... ontem pela noite ele apareceu em minha casa e bem, você sabe o que deve ter acontecido e após isso, o mesmo pediu-me em namoro.
— Oh, meu Deus! – Arregalei os olhos e ela assentiu, sorrindo brilhantemente.
— Eu aceitei! Estou namorando, Bella, namorando. Sabe, eu gosto de dizer isso. – Ri e abracei. – Descobri com ele, que namorar é bem melhor do que ter sexo com Manhattan inteira. – Tive que gargalhar com essa e afastei-me de Rose, beijando-lhe na bochecha.
— Parabéns, Rose, fico feliz por você!
— Obrigada! Ah, saiba que você é a primeira a saber disso!
— Sério? – Ela concordou. – Obrigada, sabe, por confiar em mim. – Abracei-a rapidamente novamente.
— Você é a melhor amiga que eu tive em todos meus vinte e dois anos, Bella, então eu quem devo lhe agradecer. – Sorrimos uma para outra.
— Digo-lhe o mesmo.
— Ah, droga! Chegou a favelada. – Suspirei fechando meu sorriso, assim que ouvi a voz anasalada de Tanya. Olhei para o lado e a loira encarava-me de braços cruzados e tinha seu clone, Jessica, ao seu lado.
— Bom dia para você, Tanya, como foi seu final de semana? – Sorri debochada e ela grunhiu revirando os olhos.
— Olhe o deboche, garota. Ninguém te ensinou a ter respeito com os mais velhos? – Engoli em seco, quando ela abriu um sorriso diabólico e estalou seus dedos. – Esqueci-me que você é uma órfã, então é claro que não teve seus pais para lhe ensinar alguma coisa.
— Tanya! – Rose grunhiu e ficou ao meu lado. Respirei fundo e fechei meus olhos, segurando as lagrimas. Eu sabia bem da minha realidade, mas quando qualquer pessoa jogava isso sobre mim ou ainda pior, a Tanya, doía bem lá no fundo. – Pare de ser uma vadia e vá trabalhar!
— Você acha que manda em mim? – Perguntou e mesmo com os olhos fechados, senti ela se aproximando e dei um passo para trás.
— Mando, porque sou sócia de Angela, então posso lhe despachar em um piscar de olhos! – Reabri os olhos e Tanya olhou-me com ódio, afastando-se, sendo seguida por Jessica. Era sempre assim, Jessica nem me dirigia a palavra, acho que ela nunca conversou comigo. – Bella, não liga para ela.
— É um pouco difícil. – Respirei fundo e Rose olhou-me solidária, passando seu dedo em minha bochecha.
— Não precisa chorar por causa de Tanya, ela é superficial e uma vadia, suas palavras nem tem valor.
— Obrigada. – Sorri para a minha melhor amiga e sequei meu rosto, tirando o resto das lágrimas que nem percebi ter derramado.
— Não seja por isso. – Ouvimos o sino soar e Rose sorriu ao olhar para a porta. – Sei o quanto isso a abala, então deixa que eu atendo ao primeiro cliente.
Assenti e me afastei, indo pegar um pouco de água. Segurei o copo plástico e o enchi com a água do bebedouro, tomando o líquido. Respirei fundo mais algumas vezes e tive que balançar minha cabeça, porque as palavras de Tanya giravam sobre mim.
Bebi mais um pouco de água e assim que estava sentindo-me um pouco melhor, respirei fundo outra vez e fui para o meu lugar, que era perto da porta, com Jessica ao meu lado. Sempre ficávamos ali, cuidando de qualquer cliente que entrasse.
A porta abriu-se e uma mulher sorridente entrou, cumprimentando Jessica e eu. Jessica passou em minha frente e foi atender a mulher, sorrindo para sua cliente. Era estranho ver Jessica sorrindo, ela sempre andava de cara fechada e conversava somente com Tanya, trocando algumas palavras com Rose, só quando precisava também.
A porta abriu-se novamente e suspirei, sorrindo ao ver uma senhora entrar na loja. Caminhei para próximo dela e desejei bom dia, sendo retribuída com o cumprimento. Ela pediu-me alguns vestidos para casamentos e a pedi para me seguir, indo até a parte de festa para mulher, no lado esquerdo da loja.
O dia passou normal como sempre. Eu revezava com Jessica e Rosalie nos clientes, sempre atendendo um quando eu estava disponível. As vezes a loja enchia tanto que Tanya tinha que ajudar como atendente, claro, ela ia sempre nas pessoas aparentando ter mais dinheiro. Céus, essa mulher era repugnante.
No almoço, Rose e eu fomos ao Starbucks que sempre íamos. Lá ela contou-me mais de seu namorado, soltando todas as qualidades dele e me fazendo sorrir para sua felicidade. Era bom que ela estava desta maneira, antes ela pensava em somente sexo e nunca querer se amarrar, então vendo-a tão empolgada com seu novo namorado, era algo fascinante. Enquanto Rose falava, suspirei bebendo um pouco do meu café, felicidade era algo que eu queria na minha vida e não tinha. A minha única amiga era Rose e fora isso, eu não tinha ninguém e acho que nunca teria, muito menos um interesse romântico, quem iria querer ficar com uma garota pobre como eu? Eu não teria nada a oferecer em troca.
Após o almoço, pensamentos ficavam corroendo em minha mente. Céus, era tão difícil levar a vida que eu levava. Eu sorria e fingia que nada me atingia, eu era alegre e tentava sonhar que um dia tudo isso melhoria, mas por dentro era tudo completamente diferente, eu me sentia só e frágil, era como se eu nem controlasse, o sentimento de solidão aflorava-se em mim. Meus pais me abandonaram naquele orfanato com quase cinco anos de idade e a única coisa que deixaram, era um bilhete dizendo que não poderiam ficar comigo e com o meu nome escrito. Isabella. Eu preferia somente Bella e sem sobrenome, porque nem isso meus “pais” me informaram e eu preferia ficar sem algum, mesmo as mulheres do orfanato querendo colocar algo. A verdade é que eu não tinha de quem herdar um sobrenome e eu deixava que a realidade batesse, ficando sem nenhum.
Ao voltarmos para a loja, não deu nem dois minutos e várias clientes entraram no estabelecimento, fazendo com que nós rapidamente voltássemos ao nosso trabalho. Volte e meia Tanya andava para lá e para cá, esbarrando em mim de propósito e destilando seu veneno sobre mim. Eu somente respirava fundo e continuava a trabalhar ou era capaz de eu me jogar em cima dela e arrancar aqueles fios nojentos que ela chamava de cabelo.
No final do dia a loja estava bem mais calma que o normal, Jessica atendia o único cliente que procurava por ternos e Rosalie conversava com Angela em seu escritório, afinal elas eram sócias e sempre tinham essas conversas no final do dia. Peguei uma revista e sentei-me nas poltronas perto da porta, foleando as páginas, esperando que a hora passasse. Faltava menos de meia hora para meu turno acabar e eu contava cada segundo, porque não aguentava mais a voz de Tanya.
Pov Edward.
Seja mais homem.
A frase que Anthony soltou quando foi me importunar na empresa, ainda rondava em minha mente. Eu ainda não podia acreditar que ele foi na minha editora exigir 40% das ações da empresa, alegando que ele estava precisando de dinheiro e algo para se ocupar, então como um bom filho eu devia isso a ele. Ele realmente estava muito maluco quando foi me fazer a merda desta proposta. Eu abri as editoras Publisher E. Cullen e todas as suas filiais, sempre com o dinheiro de meus trabalhos desde jovem e agora que eu tinha a formado na melhor editora do mundo, Anthony vem me exigir porcentagem das ações para ele e para Elizabeth? Nem ferrando!
Discutamos bastante na sala de reuniões e mesmo ele sendo quem ele é, eu não me segurei quando ele me disse para ser mais homem e cuidar das pessoas que me deram a vida. Eu o acertei em cheio no rosto com um soco e logo após isso, um segurança o levou para fora do prepotente prédio de vidro onde eu trabalhava.
Eu não podia nem sequer pensar na possibilidade de chamar Anthony e Elizabeth de meus pais. Eles foram meus pais até meus cinco anos de idade, depois disso, eu passei a ser um menino órfão. Alice nasceu em março do ano em que eu faria seis e a partir daí eu não tinha mais pais. Anthony e Elizabeth passaram a me ignorar solenemente, acho que eles pensavam que só tinham Alice como filha, pois eles paparicavam ela e davam tudo para ela, largando-me nas mãos de diversas babás no decorrer da minha infância. Eles fizeram de tudo para que eu não fosse mais um Masen e de repente, eu me vi com um sobrenome completamente diferente e estranho de toda a minha família. Eu era um garoto excluído e um Cullen, no meio de todos os Masen, eu era o único com um sobrenome diferente, mas acho que hoje em dia eu agradeço por não ter essa herança vindo de Anthony e Elizabeth.
Eu nem sei se era legalmente possível fazer isso, porém não ficaria impressionado se eles sujassem as mãos de advogados para conseguir algo assim para mim. E eu nem me importava, para dizer a verdade.
Afinal, por que eu me importaria em ter um sobrenome diferente? Eles esqueceram completamente de mim, tanto que enquanto Alice ia para colégios particulares, eu ia para públicos, porque meus queridos pais, se negavam a ter-me como filho. Eu não tinha pais ou somente uma babá, eu tinha milhares de babás que nunca ficavam muito tempo comigo, porque Elizabeth sempre as demitia quando via que eu me apegava demais com uma. Ninguém foi bom para mim em minha infância, então eu não me importava em ser diferente deles, eu só queria distância.
Mas eu realmente não entendia o ódio que eles sentiam por um pequeno garoto, olhavam-me com olhos frios e nunca mais encostaram em mim. Porra! Eu tinha cinco anos de idade, cinco! Por que aqueles malucos me tratavam daquela maneira?
Eu nunca tive amor em minha volta, acho que deve ser por isso que eu não acredito neste sentimento, ele passou a ser inexistente para mim. Eu passei a minha vida inteira sendo renegado por tudo e por todos, Elizabeth e Anthony nem me deixavam chegar perto de Alice e eu ficava extremamente confuso com isso. Alice foi crescendo e tornando-se uma ótima garota, mesmo com toda a atenção e mimos que ela ganhava. Mesmo indo contra os pais dela, quando completou dez anos e eu com dezesseis ainda era um garoto que chorava por ser renegado, ela simplesmente me abraçou e falou que estaria sempre ali por mim. Alice e eu fomos nos aproximando e quando completei dezoito, saí da casa em que eu morava e aluguei um quarto para mim, enquanto trabalhava por aí para ganhar a minha vida e tinha minha irmã como apoio.
Alice e eu criamos um enorme laço e afeto, éramos irmãos inseparáveis e até hoje éramos assim. Ela sempre me apoiou em tudo, como me prometeu. Quando começou a trabalhar em uma grande empresa, por influência dos pais dela, ela passou a me ajudar com minha faculdade de jornalismo. Os anos passaram e quando eu terminei a faculdade, eu tinha um bom dinheiro guardado. Foi graças à Alice, porque ela praticamente pagou a faculdade por mim e os salários que eu recebia, foram sendo guardados. Quando me formei, peguei o dinheiro e abri uma pequena editora.
A pequena editora tinha se transformado em uma enorme, ocupando um prédio de vidro com 36 andares. Meus pais tinham se tornado ninguém para mim e Alice estava sempre comigo. E o pequeno garoto renegado? Bem, esse tinha se tornado um homem frio e amargurado, de 29 anos.
Saí dos meus pensamentos, ouvindo o telefone da minha sala soar alto. Respirei fundo massageando minhas têmporas e peguei o telefone sem fio, atentando a chamada, sabendo que era minha secretária, afinal, todas as ligações passavam primeiro por ela.
— Fale, senhorita Johnson. – Pedi curto e grosso, enquanto com a minha mão livre, digitava um rápido e-mail para alguns acionistas.
Eu não precisava ser simpático com ninguém, eram meus funcionários e só isso, nada de apago ou qualquer outra coisa. Para mim o que importava era a minha carreira e conseguia passar por cima das pessoas para concluir meu objetivo, sem algum remorso. Eu definitivamente tinha poucos sentimentos, fui criado para algo assim.
Porém, duas pessoas importavam para mim nesta vida e somente elas.
— Senhor Cullen, sua irmã está aqui fora e bem... não sei, traz um garoto com ela, eu nunca o vi. — Sua voz mostrava a curiosidade dela e suspirei, agarrando meu cabelo. Merda! Por que Alice tinha que o trazer aqui?
— Mande-os entrar em cinco minutos e quando eu estiver com eles, não quero interrupções. Fui claro?
— Sim, senhor.
Desliguei o telefone e o coloquei com força no gancho, puxando o ar com força. Mas que porra! Alice sabia que ninguém sequer poderia sonhar com a existência de Andrew, então por que diabos ela o trazia aqui, justamente na empresa, onde vários jornalistas estão todos os dias?
Andrew era um garoto de seis anos e meu filho. Sim, eu tinha um filho, adotado, mas eu tratava-o como eu. Com ele e Alice eu era um homem bom e gentil, mas somente com eles, para o resto do mundo, eu era grosso e um “ogro”, mas eu fazia isso para o meu bem e de meu filho e irmã, desde criança eu sabia o quão ruim e mal o mundo poderia ser.
Após toda a renegação que eu tive de meus pais e toda a solidão que eu sentia morando em uma imensa cobertura, eu parei para pensar que muitas crianças sofriam da mesma coisa que eu tinha sofrido, sendo renegado ou tendo seus pais tirados deles. Após passar semanas pensando muito bem sobre minha decisão, eu resolvi adotar uma criança que deveria ter passado pela mesma coisa do que eu, para estar abandonada em um orfanato. Ao falar isso para minha irmã, Alice dizia-me que era loucura eu adotar uma criança enquanto eu não sabia ser gentil com ninguém, mas eu ignorei ela e quando fiz vinte e seis anos, resolvi ir adotar alguém e fazer a criança ter uma vida descente com um amor paterno, coisa que eu nunca tive.
Depois de eu ter explicado para Alice o porquê da minha decisão repentina de ter um filho, ela chorou e me abraçou, dizendo que me apoiaria em tudo. Então minha irmã foi comigo no orfanato e assim que eu coloquei meus olhos no pequeno menino de três anos sentado sozinho no canto de uma sala, eu sabia que ele precisaria de mim. Andrew Kyle teve seus pais mortos em um assalto, quando tinha apenas seis meses de vida e então teve que ir parar em um orfanato, tornando-se isolado de tudo e de todos, assim que começou a crescer e a notar que não tinha alguém importante com ele.
O menino magrelo, com cabelo de cor loiro claro e olhos acinzentados, cativou-me no mesmo momento que eu o vi pela primeira vez. Foi difícil conversar com ele, pois o mesmo era recluso com qualquer coisa, mas quando eu consegui, pude ver os olhos dele brilharem com as lágrimas não derramadas, quando eu contei um pouco sobre a minha vida, mesmo tão novo ele pareceu compreender minha dor. Contei meus planos de querer leva-lo para casa e cuidar dele, o menino a princípio não queria, mas depois de uma hora conversando com ele, Andrew assentiu chorando e me abraçou, dizendo que era o primeiro abraço que ele recebia desde que chegou ali.
Para mim conseguir a custódia de Andrew foi completamente difícil, visto que eu era um homem solteiro e mais trabalhava do que parava em casa, sem contar que eu saia com diferentes mulheres sempre, sem ter algum compromisso. O juiz e a guarda de menores não queria me deixar com um pequeno menino de três anos e ressentido, então um ano se passou até que eu consegui que o juiz liberasse Andrew para ficar um mês morando comigo.
Depois da experiência de morar com um menino pequeno e ter que cuidar dele como se eu fosse mesmo seu pai, parece que eu mudei um pouco, segundo Alice. Eu não parei de ser grosseiro com os outros, mas desisti de ficar tanto tempo na empresa e ainda não bebia mais e era rara as vezes que eu me encontrava com mulheres. Cuidei de Andrew somente por um mês e foi uma experiência inesquecível.
Depois disso, tivemos uma audiência e Andrew conversou sozinho com o juiz, contando toda sua experiência ao morar comigo. Pelo o que eu pude notar pelo rosto do juiz, Andrew disse coisas completamente boas ao meu respeito. Depois de muitas especulações, eu acabei conseguindo a guarda de Andrew e tornava-me legalmente responsável por ele e um pai.
Andrew Kyle passou a ser Andrew Thomas Cullen. Eu cuidava dele mais do que a minha própria vida e apesar de eu ter uma armadura em minha volta, ele conseguia me fazer ser diferente quando estava em sua presença. Me emocionei quando Andrew chamou-me de pai pela primeira vez, eu, mesmo querendo negar, chorei naquele dia e até o assustei um pouco, fazendo-o pensar que eu não tinha gostado de que ele me chamou daquela maneira, e ficou pedindo desculpas por algum tempo. Depois disso, eu apenas sorri, mesmo chorando, fiquei de joelhos e o abracei com força e sem aguentar, o pedi para me chamar novamente de pai e ele fez, rindo e chorando enquanto abraçava-me.
Depois daquele dia, nós éramos pai e filho, eu não me importava que ele não era meu sangue, eu o criava como um filho e dava todas as coisas que eu nunca tive quando criança, eu dava atenção e amor para o pequeno menino. Eu cuidava dele mais do que qualquer coisa e o protegia de tudo, tanto que a imprensa e ninguém no mundo, além de Alice, meus seguranças e Jasper, o noivo de minha irmã, sabia de sua existência.
Mas parece que minha irmã resolveu aparecer com ele, depois de eu ter o escondido do mundo fodido e real, durante três anos.
— Senhor Cullen, sua irmã. – Levantei a cabeça ouvindo a voz da minha secretária e ela permanecia dentro da sala, segurando a porta aberta. Respirei fundo e Alice entrou no recinto, trazendo com ela o garoto de seis anos, que olhava para todos os lados com curiosidade.
— Pode se retirar, Srta. Johnson e lembre-se: Sem interrupções.
— Mas... – Ela deu mais um olhar ansioso para o menino e grunhi.
— Eu acho que fui bem claro com meu pedido, senhorita, retire-se e não quero ser interrompido! – Ela arregalou os olhos com meu tom brusco e a percebi respirar fundo.
— Pode deixar, senhor Cullen. – Ela assentiu e ainda dando um olhar curioso para Andrew, retirou-se da sala e fechou a porta.
— Poderia ser mais educado? – Alice olhou-me brava e nem me dei a importância de responder sua pergunta.
— Alice, pode me explicar o que é isso? – Perguntei nervoso e ela respirou fundo. – Você sabe que eu o busco no final do expediente e não é para sair de casa com ele! Droga! Tem repórteres por toda a parte!
— Calma, ok? – Suspirou. – Desculpe-me, Edward, mas acontece que lá em casa eu não podia ficar. Meus pais apareceram por lá e eu tive que sair com Andrew, presumo que você não quer que eles saibam dele, não é?
— Óbvio que não! Eles não podem nem sonhar que Andrew existe! – Grunhi irritado e saí de trás da minha mesa e na mesma hora, senti braços pequenos rodearem minhas pernas.
Nem ferrando que aqueles filhos da puta saberiam da existência de meu filho, seria uma coisa a mais para eles infernizarem a minha vida. Sem contar que Andrew não precisava conhecer o tipo de pessoas que eles são, eu o mantive escondido do mundo justamente para não precisar liderar com crápulas, ainda mais tão novo.
— Papai! – Chamou-me e suspirei, olhando para baixo e vendo-o sorrir. – Senti sua falta. – Sorri para ele, esquecendo-me um pouco de meus problemas, da mesma maneira que sempre acontecia quando eu estava na presença dele. O peguei em meu colo, beijando sua testa. Deus, como poderia resistir àquela garoto?
— O que houve, Andrew? – Passei minha mão sobre sua testa e franzi o cenho, notando o calor vindo dali. – Alice, ele está quente!
— Eu sei, por isso eu o trouxe. Assim que Anthony e Elizabeth chegaram lá em casa, pedi para Jasper atendê-los e saí com ele pela porta dos fundos. Andrew passou a tarde inteira chamando por você e quando saímos lá de casa, eu tive que trazê-lo, assim que notei a febre.
— É grave? – Perguntei preocupado e minha irmã riu.
— Não, Edward, ele só sentiu sua falta. – Suspirei e beijei outra vez a testa de Andrew.
— Diga para o papai o que sente. – Pedi para ele. Eu era pai de primeira viagem, então é claro que eu surtava com qualquer coisa que Andrew sentia, sim, maluquice, mas eu me preocupava demais com ele.
— Frio. – Arrumei-o em meu colo, fazendo-o abraçar meu pescoço com seus pequenos braços.
— Preciso ligar para o médico? – Apoiei-me contra minha mesa e olhei para Alice, fazendo-a sorrir e negar.
— Não é necessário, seu filho só sentiu saudades. É birra de criança, Edward, você é o pai dele e ele sente sua falta, apenas está dengoso. Não preocupe-se.
— Tudo bem, garotão? – Perguntei para Andrew e ele sorriu assentindo, brincando com minha gravata.
— Edward, eu preciso urgentemente ir a uma loja buscar meu vestido. – Olhei debochado para minha irmã, que respirou fundo ao pegar meu olhar. – Eu sei que neste momento lojas não são importante, mas é o vestido que usarei sábado na festa de noivado.
— Eu não posso ir com você, Andrew está quente e ele não pode ser visto por aí comigo! Não quero ninguém sabendo dele. – Abracei mais meu filho, passando proteção, e ele encostou sua cabeça em meu ombro.
— Eu saí às pressas de casa, para esconder ele de meus pais, então vim de táxi. – Olhou-me pidona e rolei os olhos.
— Alice, você tem vinte e quatro anos, não me olhe como se pedisse doce.
— Por favor, é uma rápida passada na loja aqui de perto, além do mais, Andrew precisa andar em algum lugar. – Juntou as mãos e abriu um sorriso. – Ele vive trancafiado na minha casa e em seu apartamento, isso não é bom para o garoto. – Suspirou, sorrindo ainda mais. – Por favor, por favorzinho...
— Alice... O diminutivo de por favor não mudará a minha ideia.
— Vamos! – Andrew agitou-se em meu colo. – Quero ir. – Segurou meu rosto e sorriu olhando-me. – Podemos, papai? – Suspirei e olhei Alice, que sorria triunfante.
— Mas Andrew pode mudar sua ideia, ele é o único que consegue. – Arqueou uma sobrancelha e rolei os olhos.
— Alice. – Chamei minha irmã. – Eu tenho medo que descubram dele e aconteça alguma coisa, você sabe que é possível.
— Edward, por favor, você tem dois seguranças toda hora em sua cola, nada acontecerá. Andrew precisa de um pouco de ar.
— Sim! – Meu filho gritou sorridente. – Por favor!
— Tudo bem. – Andrew se mexeu para sair do colo e quando ficou no chão, começou a pular. Nem parecia que estava com febre, tamanha era a agitação. – Menos, Andrew.
— Deixe o garoto ser feliz, agora vamos! A loja fecha em pouco tempo.
— Você segura na mão dele, quanto menos contato comigo é melhor, não irão fazer ligação entre ele e eu. – Fui até meu computador e mandei o e-mail que tinha digitado e depois o desliguei. – Certo, Alice? – Olhei para ela, notando o silêncio.
— Ok! Mas se falarem que eu tenho um filho, você verá! – Ri com sua repreensão e peguei minha carteira e chaves. – Vem com a tia, pequeno.
— Mas eu quero o colo do papai. – Olhou-me com seu cenho franzido e agachei-me, beijando sua bochecha.
— É para sua proteção, Andrew, por favor, vá com a tia Alice.
— Em casa você pode me pegar? – Pediu com seus olhos brilhando e ri assentindo.
— Claro.
— Então tudo bem. – Ele correu até estar ao lado de Alice e agarrou a mão dela.
Saí na frente deles e falei para minha secretária que eu não voltaria mais hoje e que ela também já estava liberada. Andrew parecia estar melhor de sua febre, porque foi o caminho inteiro falando sobre seu dia para mim.
Descemos de elevador até o estacionamento e caminhamos até meu carro. Coloquei Andrew na cadeirinha dele e fui para o lado do motorista, enquanto Alice entrava no lado do passageiro.
Alice foi me passando as instruções do caminho da tal loja que era fabulosa para ela e ainda ouvíamos Andrew tagarelar animado no banco de trás, agarrando o boneco que minha irmã tinha entregado para ele.
Depois de vinte minutos, estacionei o carro em uma vaga no estacionamento para clientes da loja que tinha uma enorme placa com os dizeres “Fashion Space”. Alice saiu rapidamente do carro, alegando que tinha que entrar na loja antes que ela fechasse, porque só tinha dez minutos para dar o horário de fechamento.
Andrew gargalhou vendo Alice correr desesperada e eu ri, saindo do carro. Abri a porta traseira e desprendi o cinto da cadeirinha dele, tirando-o do carro e colocando ele de pé ao meu lado. Olhei em volta e vi o carro dos meus seguranças estacionado a poucos metros de onde estávamos. Respirei aliviado por ter segurança em volta e fechei a porta do carro, ativando o alarme dele.
— Andrew? – Olhei para os lados não o vendo perto de mim. – Merda! – Dei uma olhada para a entrada da loja e o vi correndo as escadas, entrando no local logo em seguida. Como ele chegou lá tão rápido?
— Senhor Cullen, tudo bem? – Daniel, um dos seguranças, perguntou quando correu até estar ao meu lado.
— Sim, fiquem aqui para não chamarmos mais atenção, preciso ir atrás de Andrew. – Ele assentiu e andei rapidamente para a escadaria da loja, subindo os degraus rápido e empurrando a porta de vidro.
Bufei quando entrei na loja e não vi nem Alice, nem Andrew e nem qualquer pessoa por perto. Grunhi exasperado e olhei em volta, caminhando pela loja para ver se eu encontrava qualquer ser humano aqui dentro. Porra! Essa loja não tem atendentes?
— Edward, você viu Andrew? – Alice parou ao meu lado e arqueei uma sobrancelha.
— Ele entrou aqui! Onde é que ele está, porra? – Olhei para todos os lados, não vendo nenhum sinal do meu filho. – Alice!
— Calma, ele estava correndo entre as araras de roupas.
— Calma? Droga, ele tem seis anos, Alice, seis! Pode sumir com facilidade, merda!
— Não faça tanto drama, ele está aqui na loja. – Ouvimos uma gargalhada e Alice sorriu, olhando para trás de mim. – Viu, ali está ele!
Quando minha irmã apontou para algo atrás de mim, suspirei aliviado e virei-me para encontrar-me com Andrew, mas ao invés de ele estar correndo em minha direção, ele vinha no colo de uma morena que sorria ao conversar com ele e o fazia gargalhar alto, balançando-se em seu colo.
A morena caminhou mais alguns metros e ao erguer seu olhar e encontrar-me olhando para ela, a mesma estacou no mesmo lugar. Minha atenção desviou-se de Andrew para ela, encarando os olhos da bela garota que me olhava de uma maneira intensa.
Ela tinha torneadas pernas agarradas pelo jeans apertado, quadris largos, seios que caberiam exatamente em minhas mãos e pelo o que eu notava com o decote V da sua blusa, eles eram bem cheios e suculentos. Seu cabelo era longo com a cor castanho avermelhado, seus bonitos olhos tinham uma cor diferente do castanho normal, era como se eu estivesse olhando para um chocolate derretido. Possuía um nariz pequeno e arrebitado, o rosto no formato de coração e caralho! Seus lábios sem batom algum, eram cheios e avermelhados, parecendo implorar para que eu os devorasse. Sua estatura não passaria de 1,65. Eu conheci muitas mulheres, mas foda-se! Ela era a mais gostosa e perfeita que eu já tive o prazer de olhar.
Mesmo não notando isso agora, somente ao olhar aqueles olhos castanhos profundos, aquela garota tinha virado meu mundo de cabeça para baixo.
“Continua...”
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