Never It's Late.

2 Pensamentos turbulentos.


Notas iniciais
SEGUNDO CAPÍTULO! Como prometido, voltei nessa semana com a continuação de Never It's Late! Pessoal, vocês são leitores maravilhosos! Pelo amor de Deus, quase me mataram de tanta alegria com a chuva de comentários e elogios que eu tive só no primeiro capítulo da fanfic! Saibam que eu estou feliz demais e agradecida também, obrigada por todo o carinho, cada uma de vocês é demais ♥ Espero que continuem lendo e que gostem ainda mais da estória! Enjoy. ~~21/01/17~~

Pensamentos turbulentos.

Pov Bella.

Ainda estava escutando Tanya falar suas asneiras e respirei fundo, olhando para minha revista. Essa mulher não se tocava? Pelo amor de Deus, ela pode ser rica e tudo o mais, mas não passa de uma vadia que quer se passar por uma “dama da sociedade”.

Ouvi o sino da porta soar e desviei minha atenção das merdas que Tanya falava e deixei minha revista de lado, ficando de pé logo em seguida. Vi uma mulher morena passar pela porta e olhar sorridente para todos os lados, como se fosse uma criança em um parque de diversão. A morena com cabelos até abaixo de seus ombros, olhava para todos os lados animada. Ela era bem baixinha, até sendo menor do que eu que tinha 1,64 de altura, apesar de sua altura ser pouca, ela tinha um corpo muito bonito e cheio de curvas. Seus olhos castanhos brilhavam e o sorriso não saia de seu rosto.

Sorri com seu entusiasmo e caminhei até a porta, chamando sua atenção assim que parei na sua frente.

— Posso ajuda-la? – Perguntei com um pequeno sorriso e ela sorriu ainda mais, olhando-me.

— Céus, claro que sim! – Bateu as palmas animadas. – Fiz uma encomenda semana passada e vim buscar meu vestido.

— Você tem o cartão de registro? – Perguntei e ela assentiu, tirando o pequeno cartão da bolsa e entregando-me. Vi seu nome, o número do pedido e a data em que ela encomendou. – Certo, Alice Masen, venha comigo para pegarmos seu vestido.

— Ótimo! Além disso, eu queria comprar um terno branco também, sabe, meu irmão diz que não precisa, mas eu faço questão que ele esteja de branco no jantar! – Pontuou determinada e eu ri.

— Tudo bem, passaremos na sessão de ternos também. Aliás, sou Bella, sua atendente. – Estiquei uma mão e ela apertou.

— É um prazer, querida. Sou Alice, uma noiva nervosa demais. – Ri com suas gesticulações, mas praguejei baixinho ao ser empurrada com força para lado.

— Eu ficarei imensamente feliz em atendê-la. – Olhei para o lado e rolei os olhos ao ver Tanya. É claro que ela não deixaria passar mais uma, Alice vestia roupas lindas de grife e como sempre, isso não passava despercebido por Tanya. Mas ela nem precisava ajudar, afinal, ela era a caixa e eu estava disponível para atender.

— Tanya, deixe-me atender ela, você não precisa dar-se ao trabalho que nem é o seu. – Chamei sua atenção e tive que recuar um passo, vendo o olhar furioso e que ela me dirigiu.

— Eu vou atendê-la e não se intrometa. Você pode cuidar do caixa. – Balançou suas mãos. – Vá, Bella!

— Não! – Alice gritou interrompendo e olhou para Tanya séria. – Obrigada, mas eu realmente prefiro ser atendida por Bella.

— Eu trabalho a mais tempo que ela por aqui e eu sou a mais recomendada! – Tanya elevou o tom e rolei os olhos com sua ousadia.

— Tanya, saiba que ninguém é mais ou menos recomendada, por favor, somos atendentes! – Grunhi para ela.

— Eu quero a Bella, ok? – Alice intrometeu-se e interrompeu qualquer coisa que Tanya falaria. – Eu sou a cliente e não dizem que os clientes sempre têm razão? – A baixinha ergueu o queixo e sorriu para mim brilhantemente. – Eu tenho razão e quero escolher quem vai me atender. Atenda-me, Bella.

— Será um prazer. – Sorri e Tanya bufou, retirando-se como um furacão de perto de nós, indo para seu posto, que era o caixa. – Siga-me.

Caminhamos até a sessão de vestidos e Alice parecia animada demais para quem apenas veio pegar alguma encomenda, pedindo-me cada vez mais por diversos vestidos. Eu ri e tirei as cores que ela tinha apontado, entregando todos os modelos para a mesma. Enquanto pegava o vestido cor pastel para entregá-lo para Alice, ouvi o sino da porta soar, o que chamou minha atenção. Virei-me para ver se era um novo cliente e franzi o cenho, vendo um pequeno garoto entrar correndo na loja e gargalhar, indo para todos os cantos.

— Céus, é Andrew! – Ouvi Alice murmurar e deixar alguns vestidos que segurava, na poltrona que tinha perto da arara de roupas. – Edward irá me matar! Já volto, Bella.

Antes que eu falasse qualquer coisa, ela correu atrás do garoto gritando pelo nome dele. Crianças, elas sempre aprontavam. Será que era filho de Alice?

Rolei os olhos, vendo Tanya lixar as unhas despreocupada e coloquei o vestido que eu segurava, sobre os que Alice tinha colocado na poltrona. Sai da parte dos vestidos e andei pela loja, vendo se eu conseguia ajudar Alice a encontrar o garotinho. Dei a volta pelas araras de roupas e sorri, assim que vi um menino baixinho, olhar-se na frente de um espelho e mexer a cabeça de um lado para o outro.

— Oi. – Parei atrás dele e vi seu olhar se erguer, até encontrar os meus. Ele sorriu para mim através do espelho.

— Olá, sou Andrew. – Virou-se para mim. – Você viu meu papai?

— Não sei quem é ele. Você não estava correndo de alguém? – Abaixei-me até estar a sua altura.

— Papai estava travando o carro, então corri para achar minha tia, mas não acho nenhum deles agora. – Bufou e cruzou seus braços, fazendo-me rir.

— Eu posso ajudar.

— Você é uma estranha, não posso confiar em uma estranha. – Resmungou, olhando-me de cima a baixo.

— Está tudo bem, eu sou uma pessoa do bem. – Fiquei de pé e estiquei meus braços para ele. – Quer que eu o carregue?

— Ok. – Mudou sua expressão para animação. Gargalhei e com um pouco de dificuldade, peguei o garoto em meu colo. Nunca tinha pegado uma criança no colo, era meio estranho, mas o Andrew sorriu mexendo em meu cabelo. – Posso confiar em você, você é bem linda.

— Oh, obrigada. – Sorri. – Mas não se confia em uma pessoa pela beleza.

— Você é legal. – Deu de ombros e ri balançando minha cabeça.

— Tudo bem, vamos ver se encontramos seu pai. – Caminhei com ele de volta ao centro da loja e a todo momento, o garoto mexia em meu cabelo.

— Você é baixa. – Comentou. – Meu papai é bem grandão, você vai ver, se sentirá uma formiga perto dele.

— Você sempre é falador assim? – Deu de ombros outra vez e quando eu tropiquei no tapete da loja, ele gargalhou. – Ei, isso não é nada educado.

— Desculpe, você é bonita e desaltrada. – Tive que rir ao ouvi-lo falar errado e com a minha risada, ele riu novamente.

— Não faça tanto drama, ele está aqui na loja. – Acho que era a voz de Alice. – Viu, ali está ele!

Ergui meu olhar e Alice apontava para mim sorrindo e tinha um homem alto parado ao seu lado. Fui até mais perto deles, mas quando senti a fragrância masculina e olhei atentamente para o homem parado ali, estaquei na hora.

Meus olhos com certeza não estavam preparados para enxergar algo tão... perfeito na minha frente. Senti minha respiração mudar e engoli em seco, encarando o homem ao lado de Alice, vendo-o olhar atentamente para mim ou para quem estava em meu colo, não fazia a mínima ideia também, eu o encarava petrificada. Na verdade, eu estava praticamente em transe encarando o homem mais lindo que eu já vi em minha vida inteira. Eu poderia ser nova, mas eu assistia muita coisa e lia muitas revistas, mas nada era comparado a perfeição que estava a poucos metros de mim.

O homem com um terno perfeitamente e impecavelmente alinhado ao seu corpo, tinha mais ou menos uns 1,85 de altura, possuía braços fortes que estavam em contraste ao seu paletó, um peito e abdômen definido conforme dava para notar através da camiseta social que estava colada ao seu corpo, pernas grossas que eram agarradas por sua calça social e um rosto completamente divino. Ele tinha perfeitos olhos verdes, de uma cor esmeralda que eu nunca tinha visto, mas infelizmente parecia que o brilho era apagado daquele olhar, mas mesmo assim, ele continuava muito belo. Seu queixo quadrado era sexy, seus lábios finos e bem desenhados davam-me água na boca, o nariz pontudo e firme, ah... o cabelo. Céus, aquele cabelo de uma cor diferente, marrom misturado com loiro e ruivo, deixando em uma cor... cobre, talvez? Seu cabelo era bagunçado para todos os lados, dando-lhe um jeito jovial e merda, sexy demais.

— Pode entregar-me ele? – Aproximou-se de mim e puxei o ar com força, voltando a realidade.

— O quê? – Olhei confusa para seu rosto sério e o mesmo respirou fundo, esticando seus braços.

— Andrew, vem. – O garoto que eu nem lembrava que estava no meu colo, jogou-se no colo do homem mais perfeito que eu já tinha visto. – Não fuja deste jeito, assim você me assusta.

— Desculpa, não fugi, só queria encontrar tia Alice.

— Só não faça mais, ok?

— Sim. – Ele assentiu sorrindo e depois virou-se para mim. – Mas não precisa de tanto, tia Bella foi muito legal comigo. – O homem que o segurava desviou o olhar do pequeno garoto e olhou-me atentamente, fazendo-me engolir em seco com a intensidade de seu olhar.

Prendi minha respiração para seu olhar que percorria-me inteira e mordi o lábio, atraindo seu olhar para meu rosto novamente. Seu rosto estava sério, mas seus olhos verdes brilhavam de uma maneira intensa, tão intensa que minhas mãos coçavam para tocar em volta de seus olhos. Abaixei meu olhar um pouco e seu peito movia rapidamente, mostrando o quão rápido e forte ele respirava, isso poderia ser um espelho, porque eu encontrava-me da mesma maneira.

Ficamos nos encarando por um longo tempo, tanto que só saímos desse transe, quando Alice pigarreou e isso fez com que eu olhasse para ela completamente constrangida, fazendo-a sorrir.

— Hmm... pode me mostrar os vestidos? – Pediu risonha e pigarreei, sentindo-me corar, enquanto fechava a minha boca que estava malditamente aberta.

— Me desculpe. – Pedi envergonhada, afinal, encarava a bela espécime de homem em minha frente, sem nem notar o que na verdade deveria estar fazendo. Ela deu uma risadinha, assentindo.

— Não tem problema, acontece mais do que imagina. – Certo, isso poderia ser verdade, afinal, que mulher iria segurar seu olhar quando aquele belíssimo homem estava em sua frente?

Eu mal podia acreditar que aquilo era mesmo real, parecia mais um sonho bem fantasioso, porém minha mente não teria tanta capacidade de criar um homem daqueles.

— Eu esperarei no carro, Alice. – Olhei para o ruivo e Alice o olhava confusa, mas quando ele mandou um olhar significativo, que provavelmente ela entendeu, a mesma suspirou e ele se afastou de nós.

— Mas... – Ele nem deu tempo para ela lhe responder algo concreto, simplesmente arrumou Andrew em seu colo, virou-se e saiu rapidamente de dentro da loja. Através do vidro, o vi descer as escadas com pressa e o pequeno menino acenou para mim, para logo depois ambos sumirem da minha vista. – Me desculpe por isso, Edward é... – Ela pareceu procurar palavras, por fim deu de ombro. — ... difícil.

— Tudo bem. – Retornei a sorrir, tentando me desligar do homem atraente, e completamente confuso, que acabou de sair daqui. – Vamos aos vestidos?

Alice riu animada e fomos em direção aos vestidos que estávamos olhando antes de tudo acontecer. Ela experimentou vários modelos e cores, carregando-me junto até o provador e pedindo minha opinião sincera, mas sempre bufava quando eu dizia que ela estava linda. E mesmo atendentes sempre dizendo isso para o cliente comprar algo na loja, eu estava falando a verdade, cada vestido que Alice provava, ficava maravilhoso nela.

Ao final ela pareceu acreditar em mim, então disse-me que levaria todos os vestidos que tinha experimentado, e o que já tinha encomendado há algum tempo. Com sua ajuda, pois eram muitas peças, levamos tudo para o balcão e Tanya assim que nos viu, saiu de nariz empinado, como se não trabalhasse ali.

— Me desculpe por ela. – Bufei e fui para trás do balcão. Peguei as etiquetas e fui olhando os preços, enquanto somava na calculadora. – À vista?

— Cartão de Crédito. – Ela mexeu em sua bolsa e tirou um cartão prata, entregando-me assim que lhe disse o preço total. Realmente, Alice deveria ter dinheiro, a conta não saiu nenhum pouco barata. – Não se preocupe com a loira, mulheres como ela duram pouco. – Deu de ombros e franzi o cenho, passando o cartão na máquina.

— Como assim?

— Ela acha ter tudo, acha ser melhores que todos, porém o momento de glória dela dura pouco, logo alguém irá ser realmente melhor que ela, sem precisar ser esnobe por isso, então seu momento acaba. – Mostrou-me um sorriso meio maligno, mas tinha tanta verdade ali que me fez estremecer.

— Ok. – Sussurrei, desligando-me do momento estranho que si instalou por ali. Virei a máquina de cartões para Alice e voltei a sorrir, fingindo que aquelas palavras não tinham saído de sua boca. – Sua senha.

— Você é muito legal, Bella. – Digitou a senha, olhando para mim depois e sorrindo abertamente, apoiando-se no balcão.

— Obrigada. – Lhe retribuí o sorriso e embalei todas suas roupas, assim que a senha do cartão foi confirmada na máquina e a compra bem sucedida. – Você consegue ir com tudo? – Perguntei, olhando a imensidão de sacolas em cima do balcão.

— Consigo sim, meu irmão está com o carro estacionado bem perto. – Assenti e tirei o cartão da máquina, esticando-o para ela. Alice o guardou na bolsa, pegando suas coisas depois. – Espero lhe ver, vejo algo em você, especial, eu acho.

— Você é meio... confusa? – Falei em forma de pergunta e saí de trás do balcão, indo abrir a porta para ela, afinal, eram infinitas sacolas em suas pequenas mãos.

— Pode falar, sei que sou meio estranha. – Riu e nem pareceu se importar. Seus olhos castanhos voltaram-se para mim. – Mas continue sempre em frente, querida, lute e não desista por ninguém.

— Alice? – Olhei-a alarmada e completamente confusa com suas palavras. Minha mente dizia-me para ficar longe dela, ela parecia ser meio maluca.

— Só siga meus conselhos. Você tem um ótimo futuro. – Suspirou sorridente. – Até mais.

Somente acenei e olhei ela descer as escadas, praticamente saltitando até o lado do estacionamento. Era tão estranho, ela parecia ser maluca com suas palavras, mas por que eu sentia-me atentada a acreditar nela?

— Loucura, Bella, loucura. – Sussurrei para mim mesmo e fechei a porta, respirando fundo.

Olhei no relógio e percebi que até passamos de nossa hora de fechar a loja. As últimas sempre fechavam e eram Angela ou Rose, já que as duas eram as donas, então saíam depois de nós, as atendentes.

Peguei meu casaco e já o vesti, puxando meu capuz para a cabeça e fechando o zíper. Aqui dentro poderia estar quentinho, mas tenho certeza que quando colocar meus pés na rua, o vento gelado vai me atingir.

Busquei meu celular e já coloquei o fone por dentro da minha blusa, conectando-o ao aparelho e dando play na playlist. Coloquei o celular no bolso e deixei os fones por dentro do casaco, eu tinha que fechar o caixa, já que a idiota que cuida disso sumiu, e ainda precisava me despedir de Rose e Angela.

Tanya e Jessica não mereciam nenhum cumprimento ou despedida, de minha parte, ao menos. Mas do jeito que ambas são, posso ter certeza que Rosalie também nem se dá ao trabalho. Elas continuam na loja por causa de Angela, porque ela conhecia as duas há muito tempo, então não faria nada contra ambas.

Fiz tudo o que precisava e após dar tchau para a loira e a morena, retirei-me do estabelecimento. Coloquei meus fones e abracei meu corpo, por causa do frio, caminhando rapidamente para o metrô, descendo as escadarias e indo esperar o que passava lá em casa. Sentei-me no banco da estação para esperar, sabendo que demoraria algum tempo.

Fechei meus olhos e encostei a cabeça no banco, engolindo em seco quando em minha mente veio a imagem do ruivo da loja. Deus, como alguém daquela maneira poderia existir? Era lindo demais para alguém humano.

Lindo, atraente, sexy, mas pelo visto, grosseiro e fechado.

Bonito por fora e cheio de amargura por dentro.

Eu sabia disso. Eu convivi com muitas pessoas no orfanato, as mais bonitas eram as que tinham uma amargura profunda por dentro, história de infância ou adolescência muito traumática, algo inacabado, uma morte ou coisas piores. Todos que sofriam se fechavam de alguma maneira.

Eu quis ser assim, mas uma mulher no orfanato cuidou muito de mim, deu-me atenção quando era adolescente, coisas que muitas não faziam, pois adolescentes não mereciam tanto cuidado ou carinho. Mas eu era carente. Então ela me ajudou, mandando-me nunca perder a fé e nunca fechar-me para as coisas, só dessa maneira eu aprenderia as maravilhas que existiam no mundo, apesar de poder me deparar com coisas terríveis também. Mas ela morreu quando eu tinha meus dezesseis anos e em seu leito de morte, prometi para Amber que faria o possível para dar chance à todas as oportunidades que me aparecessem.

Enfim... eu via algo no ruivo, ele tinha cicatrizes por dentro e o único que o livrava disso e alcançava seu coração, era o pequeno garotinho que sorria maravilhado para ele, vendo-o como a melhor pessoa do mundo. Acredito que para ele, o homem era seu herói de todas as formas.

Abri meus olhos suspirando quando os olhos incrivelmente belos surgiram em minhas memórias. Seu bonito rosto apareceria para mim, eu imaginava como deveria ser seus lábios repuxados em um sorriso, ele sorrindo deveria ser a oitava maravilha do mundo.

Bufei balançando minha cabeça. Por que eu estava pensando nessas coisas? Era loucura, por Deus, eu deveria estar embriagada de alguma forma. Eu não deveria imaginar nada e nem podia ficar pensando no homem ruivo, era perturbante.

O homem tinha três coisas que eu estava convicta:

Sexy;

Amargurado;

E completamente inalcançável.

Pov Edward.

Olhava para a avenida atento, manobrando o carro com uma mão no volante. A outra mão estava fechada fortemente, como se eu despejasse toda a minha força nela e eu mordia o nó de meus dedos, deixando-me beirando a loucura com o rumo de meus pensamentos.

Caralho, eu não era assim e nem deveria ficar me perdendo na porcaria de pensamentos. Eu era Edward Cullen, o CEO mais importante do mundo, um homem centrado e sério, buscando cada vez mais por sua carreira. Mas o que eu faria para me lembrar mais disso se aqueles olhos profundos e sorriso deslumbrante não saíam de minha mente?

— Merda. – Bufei agoniado, dando um soco no volante do carro. Que porra eu estava pensando?

— Edward? – Dei uma olhada em Alice e ela olhava-me de sobrancelha arqueada, confusa com minha atitude. – O que está pensando?

— Nada demais. – Suspirei e olhei pelo retrovisor, ficando mais aliviado ao ver Andrew dormindo serenamente em sua cadeirinha. Ele não precisava saber de meus surtos agora, nem dos palavrões que ele nem deveria aprender, muito menos comigo.

— Você está meio avoado. – Dei de ombros, segurando com força o volante, agora com minhas duas mãos. – Foi grosseria sua lá na loja, quando saiu de repente, deveria tentar ser mais...

— Alice, você sabe do meu jeito com os outros. Andrew e você são minhas exceções, os outros não me importam nenhum pouco, então trato de qualquer maneira. – Eu era assim, porra, mas meus pensamentos estavam desconcertando-me.

— Você não era assim. – Engoli em seco e pelo canto de olho, pude vê-la sentar-se de lado no banco do passageiro, da melhor maneira que o cinto permitia. – Quando mais jovem era um amor, com todos e suas exceções também eram duas pessoas. – Sabia de quem ela falava. – Era ao contrário, você era bom com todos e rude com dois.

— Eu mudei.

— Percebi. – Riu sem humor. – Mas ninguém é culpado por eles, Edward.

— Eu sei, Alice, mas acho que posso sobreviver da maneira que eu sou. Não adianta, não vou mudar.

— Tudo bem. – Minha irmã suspirou. – Sabe, você era pior antes, destratava muito mais as pessoas, mas quando Andrew entrou em sua vida, algumas coisas ajustaram-se e você melhorou, pouca coisa, mas já foi significante.

Dirigi meu olhar para o retrovisor e um pequeno sorriso brotou em meus lábios, olhando a pequena pessoa com a cabeça de lado e olhos fechados, que tremiam em seu sono, quando ele balbuciava algo. Seu cabelo estava despenteado e em suas mãos ele agarrava o boneco de mais cedo, suspirando em meio ao sono.

Andrew era minha razão de viver agora, ele merecia carinho, eu nunca poderia tirá-lo daquele local deprimente e fazê-lo ter uma vida ainda pior. Eu sei o quanto criança sentia, eu sentia demais quando novo, não faria ninguém passar por aquilo, muito menos alguém tão puro e inocente. Ele já foi infeliz, solitário e agora eu faria de tudo para as coisas serem diferente e ele poder ser feliz, nunca iria desejar que Andrew ficasse como eu, fechado, porque se ele não recebesse o que merecia, iria ficar na mesma que eu, um homem amargurado e cheio de cicatrizes.

Andrew merecia o mundo e eu daria para ele.

— Eu o amo, faria qualquer coisa por ele. – Murmurei para Alice, focando minha visão na estrada, dirigindo para a casa dela.

— Tenho certeza que sim. – Senti uma mão sua vir até a minha e ela tocou a que estava no volante. – Mas você precisa se abrir, pode perder algo fechando-se desta maneira. Talvez com algo diferente, você consiga mudar, como fez quando Andrew entrou em sua vida.

— Alice... – Repreendi ela. Sempre que dava, Alice voltava nesse assunto sobre mudar um pouco, mas era irredutível, eu sempre seria assim.

— Por mim e por Andrew, ao menos pense. – Suspirei assentindo, mesmo tendo certeza que nada iria mudar, nunca daria certo uma mudança, mas eu precisava compensar minha irmã, ela fez muito por mim. Pensar era um avanço, por mais que a mudança não viesse. – Assim já está ótimo.

Ela afastou sua mão e depois de mais cinco minutos, estacionei o carro em frente a mansão que Alice morava, obra dos pais dela. Bufei reconhecendo o veículo que estava estacionado um pouco em frente da onde eu parei.

— Eles ainda estão aí. – Resmunguei. Alice tirou o cinto e veio para perto de mim, dando-me um abraço aperto.

— Eu te amo. – Sorri abraçando o pequeno corpo da minha irmã. Ela era uma das pessoas mais importantes para mim, mesmo sendo uma lista de duas, por ela e Andrew eu faria qualquer coisa. – Vou entrar antes que eles venham aqui.

— Por favor, faça isso, algo que eu não preciso lidar é com pessoas como eles. Muito menos Andrew. – Dei um beijo em seu cabelo escuro. – Também amo você.

Alice se afastou e me dirigiu um grande sorriso. Ela inclinou-se e deu um beijo no Andrew, me prometendo que amanhã cedo iria busca-lo, como todos os dias. Após ela sair do carro e acenar mais uma vez, liguei o motor e dirigi rumo a meu apartamento.

Ativei o câmbio automático do carro, para que eu pudesse dirigir apenas com minha mão. Minha cabeça fervilhava e meus pensamentos tiravam minha concentração, tanto que eu nutria agora um esforço muito grande para guiar o carro com cuidado.

Duas coisas piscam em minha mente como flashes.

Em uma parte tinha a raiva que eu sentia de Anthony e Elizabeth, eu mal podia pensar neles, sabendo o quão crápulas os dois eram. Nunca foram pais o suficiente. Nem para Alice, eles lhe compravam com dinheiro, presentes e mimos, mas nunca um amor verdadeiro fraternal, acho que era o modo deles conseguirem lidar com uma criança. Eu sentia ódio deles continuarem importunando minha irmã, mesmo que ela não se importe e jure para mim que eles só estão sendo pais, ok, como se eles conseguissem ser algo parecido com familiares. Eu sabia que eles pediam favores à ela e Alice era boa, não negava. Eu queria poder proteger minha irmã, ela era uma de minhas razões, mas eu a deixava lidar com eles, porque ela sabia fazer isso, de alguma forma.

Bufei tirando aqueles degenerados da minha mente. Só que a outra parte de meus pensamentos envolviam a atendente da loja, a linda e atraente atendente. Merda, merda! Eu só posso estar ficando louco.

Agarrei meu cabelo, respirando fundo e parando no sinal vermelho. Eu não servia para isso, pensamentos longes e homem do bem, eu não servia para receber amor desse tipo ou talvez até nutrir algo parecido. Eu era calculista, amando meu dinheiro e carreira, tendo apenas duas pessoas que eu amaria e faria qualquer coisa: Andrew e Alice.

O resto era resto.

Olhei para o retrovisor e dei um sorriso triste para meu filho.

— Desculpe, garotão, o papai nunca poderá mudar com os outros. – O sinal ainda não abriu, então virei para trás e acariciei seu bagunçado cabelo loiro. – Ninguém estrará em nossas vidas para ir embora depois, deixando estragos. Eu sei como é isso. Será só você e eu.

Belisquei seu queixo e suspirei, arrumando-me em meu acento e colocando o carro em movimento, notando o semáforo mudar para verdade.

Eu conhecia o tipo daquela garota da loja:

Apaixonante;

Linda;

Gostosa pra caralho;

Servia para alguém bom;

E era terrivelmente inalcançável.

Nem no inferno algo mudaria.

Um mês depois.

Após alimentar Andrew, dar banho nele e colocá-lo para deitar, fiquei ao seu lado na cama, mexendo em seu cabelo. Aquele garoto me fascinava.

— Papai? – Olhei em seus olhos, vendo-os bem abertos ainda. Sorri e passei meus dedos em suas madeixas.

— O que foi?

— Por que não podemos passear juntinhos? – Olhou-me triste e franzi o cenho, vendo-o engolir o choro. – Você... você tem vergonha por eu não ser seu filho? – Meu coração praticamente morto batia por aquele garoto e eu suspirei alto ouvindo suas palavras. Ele era a pessoa mais vital para mim, era a minha razão de viver.

— Ei! – Fui para mais perto dele e toquei seu rosto. – Nunca repita isso, está bem? Você é meu filho, sempre vai ser.

— Mas...

— Campeão. – Beijei sua testa. – Eu nunca teria vergonha de um menino adorável como você, eu só quero te proteger do mundo real, é o meu dever manter você longe das coisas ruins.

— Eu só tinha medo. – Olhou para seu edredom grosso de personagens e suspirou. – Eu nunca quero me separar de você, pai. – Engoli o nó em minha garganta ao vê-lo dirigir-me um olhar triste e cheio de lágrimas.

— E você nem vai, filho. – Abracei-o e fechei os olhos forte, sentindo os pequenos braços me apertarem. – Eu sempre vou cuidar de você.

— Eu amo você, papai. – Sorri e separei-me dele, dando mais um beijo em sua testa.

— Eu também te amo. – Ele me dirigiu um brilhante sorriso e ao ver aquilo, eu soube mais uma vez que sempre faria tudo por ele, só para vê-lo sorridente e com os olhos brilhantes. – Agora durma, está tarde.

— Tudo bem. – Assenti e olhou-me mais uma vez sorrindo, só assim fechou os olhos e suspirou.

Narrei uma curta estória enquanto mexia nos fios loiros. Depois de um tempo eu tive certeza que ele estava dormindo, então o desejei uma boa noite, mesmo que ele não ouvisse, deixei o abajur ligado e aumentei o aquecedor, era uma das noites mais frias que tinha. Apertei minhas mãos juntas e olhei outra vez para meu filho, suspirando. Ele não era de sangue, mas era meu, de coração.

Apaguei a luz do quarto e deixei uma fresta da porta aberta, saindo para o corredor e deixando a luz dali ligada, se Andrew me procurasse a noite, não tinha perigo de se machucar.

Fui para meu quarto e nem me importei em trocar de roupa, joguei-me em minha cama de terno mesmo e cobri meu rosto com um braço, respirando profundamente. Andrew estava crescendo e suas perguntas aumentariam, eu tinha certeza, mas eu faria de tudo para cuidar dele, de qualquer forma.

Engoli em seco, lembrando da minha tormenta de todos os dias. Eu cuidava de Andrew e ele ocupava todos meus pensamentos, mas quando eu ficava sozinho no meu quarto, só uma coisa aparecia em minha mente.

Eu queria o controle de meus pensamentos de volta.

Um mês. Alguém sabe o que é passar a porra de um mês inteiro pensando em alguém que você tinha visto uma única vez na vida?

Merda, eu sei que ela era gostosa, mas é demais ter passado essa droga de mês pensando somente nela. Eu sentia-me avoado e até Andrew, meu filho de 6 anos, perguntava-me todos os dias se estava tudo bem comigo. Caralho, ela tem que ter feito algum tipo de feitiço, é impossível eu pensar nela desta maneira, nem falei direito com a garota!

Bufei lembrando-me da morena da loja. Por que diabos ela tinha que me afetar desta forma? Ela parecia ser tão diferente de qualquer uma, até porque Alice gostou dela e isso era completamente difícil vindo de minha irmã. Como ela tinha esse dom assustador de decifrar qualquer um, era mais fácil vendo-a afastar qualquer um que chegava perto de mim e dela, pois a mesma sabia quando a pessoa era falsa e interesseira e isso existia de montes perto de nós. Agora eu só queria descobrir o que aquela vendedora tinha, para dominar até a minha irmã. Porra, eu não podia negar, eu tinha ficado fascinado com ela, de uma maneira que nunca fiquei, era bem por isso que eu não queria nem chegar perto dela, era o cúmulo eu sentir essas coisas!

Só de lembrar-me daquele corpo delicioso que ela tinha e do sorriso que ela me dirigia...

— Merda, Edward! – Grunhi comigo mesmo.

Abri meus olhos e olhei para meu celular que estava jogado ao meu lado na cama, merda! Eu a queria longe de mim, então por que diabos eu me sentia atentado a ligar para meu detetive e querer saber dos mínimos detalhes daquela mulher?

Sem me segurar e mesmo estando irritado comigo mesmo, eu peguei meu celular e disquei o número de J. Jenks, meu detetive particular. Bufei com a demora e no sexto toque ele me atendeu.

— Jenks falando. — A voz mal-humorada do detetive atendeu e contive a vontade de rolar os olhos.

— Jenks, eu quero tudo sobre uma garota que trabalha na Fashion Space. – Ouvi um barulho do outro lado da linha e um sussurro.

— Senhor Cullen. — Ele cumprimentou. — É uma honra falar com o senhor.

— Não quero bajulações, quero tudo sobre ela. – Ouvi um suspiro e barulho de papéis.

— Tudo bem, mas qual o nome dela? — Parei para pensar um pouco. Merda! Eu não sabia a porcaria do nome da garota. Como Andrew tinha a chamado?

Pense Edward.

Era um nome como se fosse um adjetivo para sua beleza...

— É Bella. – Lembrei-me rapidamente, falando sem nem tentar me deter.

— Parece-me um apelido, mas sem nada a mais fica difícil, Senhor Cullen. Porque obviamente Bella é apelido de algo.

— Eu definitivamente não sei, Jenks. A única coisa que sei é que ela trabalha na Fashion Space, é só isso, se soubesse de mais alguma coisa, não precisaria de seus serviços. – Murmurei irritado.

— Vai ser muito difícil, mas farei o possível para saber tudo sobre ela.

— Não, Jenks, eu quero que faça o impossível e é urgente.

— Ok. Bella e serviço na Fashion Space?

— Isso. Quero tudo para no máximo amanhã e nem um dia a mais.

— Tudo bem.

Desliguei a chamada e joguei o celular no meu lado. Talvez quando eu soubesse os mínimos detalhes de sua vida, essa obsessão passasse e eu finalmente poderia ficar em paz novamente, sem ela atormentando cada pensamento meu.

Fechei meus olhos e um grunhido escapou de meus lábios, assim que imagens da garota gostosa da loja vieram em minha mente. Eu não fazia a mínima ideia do porquê de eu querer saber tudo sobre aquela garota, mas de alguma forma, eu tinha que saber.

Droga, o que estava acontecendo com o prepotente Edward Cullen?

“Continua...”

Notas finais
N/A (Cintia Cullen): Então, por favor, me digam o que estão achando, ainda estou trêmula de felicidade por todos os leitores adquiridos na estória e todos os comentários maravilhosos que recebi no capítulo passado! Sei que já agradeci nas Notas Iniciais, mas realmente preciso falar ainda mais de todo aquele carinho. Gente, ainda estou admirada, porque só no primeiro capítulo da fanfic, recebi 26 comentários, 26! Isso foi fantástico, fiquei feliz demais quando li cada palavra de cada leitor novo e amores, vocês são maravilhosos demais, nem tenho palavras para agradecer por todo aquele carinho e pela felicidade que eu senti em ler os comentários. Realmente amei, amei muito! ♥ Espero e torço muito para que a continuação de Never It's Late esteja sendo como esperavam e do gosto de vocês. Deem-me suas opiniões, elas são valiosas para mim. Volto em breve com mais um capítulo! Adorei cada um de vocês, obrigada por tudo mesmo! Beijos. ♥