Never It's Late.
3 O contato.
Notas iniciais
O contato.
Pov Bella.
Caminhei pela loja, ajeitando algumas roupas que estavam fora de seus lugares e guardando as novas encomendas que chegaram hoje cedo. Peguei algumas roupas novas e fui até a vitrine, mudando as coisas dali.
Suspirei ao ajeitar o manequim e mordi meus lábios, lembrando-me do desperdício de pensamentos que eu estava tendo por um mês.
Claro, porque pensar em alguém completamente desconhecido e que nunca mais irá ver, com certeza é desperdício de tempo. Eu nem pensava em outra coisa, ficava avoada em maior parte do meu tempo, ainda bem que Rose me distraía por alguns momentos, ou esta hora já estaria em um hospício por ser completamente louca e idiota.
Afinal, qual era meu problema?
Ficar remoendo pensamentos de quem nem conhece? Só poderia ser problemas e sérios.
Só que eu não podia nem tentar deter nada, já que eu nem controlava mais minha mente. Mas as imagens daquele belo homem sempre vinha automaticamente, praticamente as minhas 24 horas. Os olhos verdes brilhantes, o cabelo revolto, a mandíbula quadrada sexy que pedia para ser lambida, e os lábios... Deus, os lábios! Eram finos e muito bem desenhados, e com toda a certeza aquela boca vermelha ficava ótima em um sorriso e ainda mais beijando...
Oh, céus.
— Bella! – Pulei de susto com o grito e segurei rapidamente o manequim que quase foi com tudo para a vidraça da loja, tamanha força que usei para soltá-lo de repente.
— Caramba, Rose! Quer me matar? – Perguntei ainda assustada, engolindo em seco e tentando acalmar meu coração. Parecia que eu tinha sedo pega no flagra em alguma coisa, mas eu tinha sorte que minha amiga não lia pensamentos.
O que eu estava pensando? Pelo amor de Deus, o senhor tem que tirar esse homem da minha cabeça!
— Eu estava chamando-a faz um tempo. – Olhei para a loira, remoendo meus pensamentos. Eu só poderia estar louca, era isso, eu estava deveras louca.
— Você me assustou. – Arrumei o manequim e ajeitei a roupa que eu tinha colocado na boneca, organizando-a ao lado das restantes. – Não pode chegar de fininho e ainda por cima gritar com os outros. – Olhei-a acusadora e ela riu, cruzando seus braços.
— Você anda estranha, Bella, sempre distraída e assustada com tudo. O que está aprontando? – Arqueou uma sobrancelha e bufei, saindo da vitrine e pegando a caixa que estava no chão cheia de sapatos.
— Não estou aprontando nada. – Bufei com sua hipótese e caminhei até as prateleiras vazias, colocando alguns sapatos ali, femininos e masculinos. Olhei de canto de olho e franzi o cenho ao ver Rose me seguindo e olhando-me de forma estranha. – O que foi?
— Está muito esquisita e estranha. – Repetiu e ri, continuando meu trabalho. Eu era uma péssima mentirosa, se Rosalie olhasse nos meus olhos ela iria ver a culpa por mentir estampado ali.
— Estou ótima, Rose. – Dei de ombros, fingindo que nem ouvi seu bufar. – O mesmo de sempre, eu juro.
— Nem adianta jurar, você está me escondendo algo. – Ela pegou a caixa da minha mão e a colocou no chão, cruzando os braços ao dirigir seus olhos azuis para mim, cheios de curiosidade. – Qual é, Bella, somos melhores amigas, se está com algum problema, pode contar comigo. – Sorri e segurei sua mão, dando-lhe um aperto gentil.
Eu amava Rose como uma irmã, eu confiava muito nela, porém essas coisas absurdas que eu venho pensamento eu tinha que manter para mim, era algo... confuso, eu precisava descobrir o que estava acontecendo primeiro.
— Obrigada. – Suspirei e ela arqueou a sobrancelha de novo. – É sério, não tem nada. Estou perfeitamente normal. – Dirigi-lhe mais um sorriso e ela respirou fundo.
— Ainda desconfio de algo, mas esperarei seu tempo. – Assenti soltando suas mãos.
— Tudo bem.
Ela ainda me dirigia um olhar desconfiado, então apenas sorriso amarelo e pedi para ela continuar a organizar os sapatos. Eu tinha que arrumar alguns vestidos nas araras de roupas sociais.
Rosalie ficou de arrumar os sapatos e eu fugi o mais rápido que pude dali ou então ela arrancaria algo de mim, eu querendo ou não. Aquela loira era esperta e eu uma idiota para mentiras, então era bom eu escapar por enquanto, até eu desvendar algo desses pensamentos ridículos que eu estou tendo. Quando eu me organizar com isso, falarei com Rose. Preciso de um tempo para me colocar no lugar.
Jessica passou por mim com uma cliente e revirou seus olhos, indo com sua cliente para algum canto de vestidos. Eu ainda nem sabia o que aquela mulher tinha contra mim. Tanya deveria estar envenenando-a ainda mais.
Ela atendia uma cliente e felizmente Tanya não estava aqui hoje, ligou alegando que estava mal e nem colocaria os pés para fora da casa quente dela. Bem, se eu tivesse sorte, ela não apareceria por alguns dias.
O movimento da loja estava fraco hoje, então Rosalie e eu ficamos de arrumar todas as encomendas novas e a Clone, apelido que eu tive o prazer de colocar em Jessica, ficou de cuidar dos clientes, já que pelo menos para isso ela abria a boca e sabia ser simpática. Acho que era por isso que Tanya ficava no caixa, aquela vadia não conseguiria ser simpática nem no inferno.
Sorte dos clientes que Angela tinha bom senso em deixar ela só para receber pagamentos.
Por mais que tivesse que ficar no caixa e arrumar as encomendas da loja, eu preferia mil vezes ter mais trabalho do que ter a loira lambisgoia aqui. Eu faria vinte serviços, se a recompensa fosse não ver a cara dela.
Percebi a senhora que estava sendo atendida por Jessica se despedir dela e ir até o caixa com um sorriso simpático. Larguei o que eu fazia e fui para trás do balcão, desejando-lhe boa tarde e somando suas compras. Ela me deu o pagamento das peças e sorriu brilhantemente, me desejando um bom final de semana. Graças à Deus hoje era sexta-feira.
A senhora acenou para Rose e saiu da loja.
Estava pronta para sair de trás do balcão, quando o telefone começou a tocar. Provavelmente encomendas. Voltei para o local e peguei o telefone sem fio do gancho, atendendo-o antes que eu perdesse a chamada.
— Fashion Space, boa tarde.
— Olá! Eu queria fazer a encomenda de um terno. — Uma voz monótona e fina demais para meu gosto falou do outro lado.
— Claro, só preciso de alguns detalhes e dia da busca ou entrega, caso preferir. – Já peguei a agenda da gaveta e uma caneta, esperando a boa vontade da mulher que falava comigo.
— Eu preciso que entregue ainda hoje, é urgente. Lembre-se, preciso disso para o presidente da empresa da maior Editora desse país. — Falou com sua voz arrogante.
Presidente.
Angela nos mataria se não fizéssemos algo por ele. Eu conhecia a maior Editora desse país, nem sei se ela era só importante nos Estados Unidos, parecia ser famosa em todo o mundo.
— Só um minuto. – Suspirei e coloquei o telefone do mudo, olhando em volta, assim que achei Rose, a chamei com a mão.
Rosalie colocou algumas calças sociais na poltrona e caminhou até onde eu estava, olhando-me confusa.
— Algum problema?
— Uma mulher ligou pedindo um terno para a entrega, precisa ser hoje. – A loira respirou fundo.
— Nosso entregador já foi. Ele fica por aqui só até as três da tarde. Impossível.
— Ela dizia ser urgente e é para a maior Editora que temos por aqui. – Dei de ombros e Rosalie arregalou os olhos.
— Oh, meu Deus! É sério? – Assenti e ela passou a mão pelos cabelos loiros. – Droga! Precisamos entregar isso, nossa loja precisa de mais prestígio e se não fizermos algo, Angela irá pirar.
— Mas não temos entregador. — Rose mordeu os lábios indecisa, olhando em volta.
— Daremos um jeito. – Ela fechou os olhos e respirou fundo. – Eu tenho um compromisso com Emmett, então vou sai mais cedo. – Ergueu um dedo, contando. – Angela está cuidando de umas papeladas fora da cidade. – Levantou o segundo dedo. – E em Jessica não confio nem morta... – Bufou ao fazer o número três. – ... então... – Suspirou auditivamente, parecendo pensar e assim que chegou em uma conclusão, sorriu brilhantemente para mim, com os olhos brilhosos. Vai dar merda. – ...Você fará a entrega! – Arregalei os olhos, já negando com a cabeça.
— Nem morta! – Bati o pé no chão e ela fez um beicinho. – Rose, nem sei dirigir!
— Você vai de táxi.
— Nem pensar. – Balancei a cabeça.
— Bella. – Olhou-me com seus olhos azuis brilhantes e suspirei. – Faça isso por mim, por favorzinho... – Juntou as mãos e continuei negando. – Se você não for, eu terei que ir, não posso desmarcar com Emmett de novo, seria a terceira vez na semana!
— Jessica vai, ela dirige.
— Mas ela é doida! Não posso confiar nela para uma entrega, Bella. Aqui eu a vigio, mas comigo longe, ela pode surtar.
— Eu não vou.
— Por favor, vá! – Bateu o pé no chão e arqueou uma sobrancelha. – Você é a minha melhor amiga, precisa me ajudar com isso! Bella, eu te amo demais, me ajude, por favor, por favor, por favor... – Respirei fundo ao perceber que eu cederia.
Eu ainda me arrependerei disso.
— Rose, eu sou um desastre com essas coisas! Vai dar alguma coisa errado. – Ela revirou os olhos.
— Não surta, Bella, tudo dará certo, confio em você. – Sorriu. Chantagem emocional. – Eu preciso que faça isso. Por mim. – Seu sorriso aumentou ao ver-me suspirar. – Sou sua melhor amiga...
— Está bem! – Grunhi antes que ela disparasse um monte de coisas de novo. Ela riu satisfeita e gritou animada, correndo para me abraçar apertado.
— Você salvou minha vida! Obrigada, Bella! – Balançou-me em seus braços e gargalhei, afastando-me um pouco de seu aperto.
— Ok, ok, sou demais. – A loira fez um joia com seu dedão. – Agora deixa eu falar com a mulher antes que ela desista.
— Tudo bem. Vou te dever uma, obrigada. – Ela me deu um beijo na bochecha. – Ah! Eu deixo o dinheiro do táxi para você, até para você ir para sua casa depois de entrega, sua recompensa!
— Obrigada. – Sorri e ela saiu animada, saltitando enquanto voltava ao seu trabalho. Rolei os olhos rindo com sua atitude e peguei o telefone de volta. – Desculpe a demora. – Falei já com o telefone no ouvido e uma caneta nas mãos, pronta para anotar qualquer coisa.
— Já era hora! — Bufou e encostei-me no balcão, bufando baixinho. Eu mereço essas pessoas soberbas. – Não tenho o dita todo, pode ser mais rápida com as coisas?
— Precisei revolver o problema da entrega, pois não a fizemos depois das três. – Exclamei, já me irritando. – Mas terá uma exceção hoje.
— Tanto faz. Anote tudo o que eu disser, com todas as coisas certas ou você pode não ter um emprego depois. — Suspirei confirmando, me contendo, porque na verdade queria gritar com ela. — Quero um terno todo branco. Precisa de todo o conjunto, com gravata cinza escura, sapatos pretos..
Continuei anotando as coisas que ela me dizia, revirando os olhos quando ela falava alguma petulância. Pelo amor de Deus, que mulher mais insuportável, eu torcia para outra pessoa me atender quando fosse levar o terno.
Odiava entregas. E odiava ainda mais que eu tivesse que fazê-la agora.
Quando finalmente todos os detalhes foram acertados, eu quase cantei aos céus, porque parei de ouvir aquela voz enjoativa, assim que ela me deu o endereço para entregar.
Adivinhe onde é? Centro. Com toda certeza era.
Desliguei o telefone e Rose veio até mim animada, tendo a decência de ao menos me ajudar a organizar tudo. Fomos buscar o terno e ela pegou os apetrechos pedidos, tudo no tamanho que eu tinha anotado, conferi isso umas três vezes, caso eu mandasse algo errado, era capaz de eu estar ferrada.
Arrumamos tudo na capa especializada de ternos, onde continha o logo da loja. Peguei minhas coisas, a máquina de cartões portátil, afinal eu fui avisada que o pagamento seria com cartão de crédito, e o dinheiro que Rosalie me deu para a viagem do táxi, colocando tudo em uma grande bolsa da loja. Apenas fiquei com o terno e uma caixa nas mãos, já que nenhum cabia na bolsa.
Fiquei imensamente feliz por uma coisa nessa entrega, não precisaria voltar de metro para casa.
Me despedi de minha melhor amiga e ela me agradeceu pela milésima vez por eu estar fazendo isso por ela. Na despedida eu suspirei e sorri, parando de ser chata, Rosalie me ajudou em momentos diversos desde que nos conhecemos, eu não precisava ser uma idiota e lhe negar um momento com seu namorado.
Afastei-me da loira quando o táxi chegou e ela sorriu brilhantemente para mim, acenando enquanto eu descia as escadas. Entrei no veículo amarelo e a motorista me cumprimentou, perguntando meu destino. Peguei o papel com o endereço e a entreguei, recebendo um sorriso simpático.
A viagem foi silenciosa, mas não durou muito, pois a loja de Angela tinha uma boa localização perto do grande Centro de Manhattan. Depois de alguns minutos no confinamento daquele carro, eu suspirei aliviada quando vi que o táxi estacionava em um meio fio.
— Hmm, você se importaria em esperar? – Questionei a mulher. – Só vou fazer uma entrega e logo vou embora, precisaria de seus serviços para ir até em casa.
— Claro, eu posso esperar alguns minutos, porém o taxímetro continuará rodando. – Eu já esperava por essa.
— Não tem problema, eu já volto. – Ela assentiu, desligando o motor. Antes que eu saísse, ela me entregou o papel do endereço e a agradeci, afinal tinha algumas informações do cliente.
Segurei com cuidado a capa do terno, ajeitei a bolsa em meu ombro e abri a porta, saindo do carro e puxando em seguida a caixa dos apetrechos pedidos juntos. Empurrei a porta do veículo com o quadril e respirei fundo, olhando ao meu redor.
Consegui manobrar-me com as coisas e segurei tudo com uma mão, olhando as informações em meu papel. Olhei em volta e percebi que eu tinha que atravessar a rua para chegar até o destino. Guardei o papel no bolso do meu casaco e segurei a capa com o terno em uma mão e a caixa em outra, caminhando até a faixa de pedestres que tinha ali próximo.
Felizmente não foi tão complicado e logo consegui atravessar. Caminhei um pouco mais e parei em frente ao prédio que eu tinha o nome no papel. Franzi o cenho olhando para o local, abrindo minha boca em choque, enquanto meus olhos subiam cada andar espelhado devagar, indo até o último. Respirei fundo e fechei minha boca, suspirando enquanto fazia uma pequena conta e percebia que o enorme prédio espelhado deveria passar de seus trinta andares.
Por Deus, quem gosta de tanta altura assim?
Engoli em seco e adentrei a recepção, vendo a correria de funcionários altamente vestidos e apressados, com celulares nos ouvidos a toda hora. Olhei em volta e quando achei o balcão da recepcionista, caminhei até lá, desviando-me das pessoas apressadas que murmuravam uma desculpa ou outra, quando trombavam comigo.
— Boa tarde, o que deseja? – A ruiva de trás do balcão sorriu para mim, dirigindo seus bonitos olhos acinzentados em minha direção.
— Boa tarde. Eu vim para fazer uma entrega ao presidente da empresa. – Murmurei e estranhei quando seu cenho franziu.
— Tem certeza? O nosso presidente dificilmente pede entregas por aqui. Na verdade, ele quase nem fala com ninguém, nem parece estar na empresa. – Falou confusa e aproximou-se, falando baixinho: — A não ser quando grita com todos, daí sabemos de sua presença. – Disse de forma conspiradora e ri baixinho. Recepcionistas fofoqueiras, quem diria que realmente existiam?
Resolvi não me prolongar muito ou eu pagaria uma fortuna ao taxista. Então, meramente dei de ombros.
— Enfim... recebemos uma ligação na loja de roupas e uma Senhorita Johnson deu-me o endereço. – Esclareci com o nome que a mulher tinha me dado pelo telefone. Ou sobrenome, no caso.
— Ah, ela é a secretária dele, então posso te liberar sim. – A ruiva levantou-se de seu lugar e foi até o armário que continha ali. Ela abriu uma gaveta e retirou um crachá de lá, vindo me entregar em seguida. – É o que mostra que você é uma visitante e está liberada para subir, caso contrário, os seguranças não a deixariam passar no elevador.
— Tudo bem. – Assenti e ela sorriu, vendo que eu tinha minhas mãos ocupadas, então aproximou-se e pendurou o crachá que dizia “Visitante” em meu casaco. – Poderia me dizer exatamente o andar que eu devo ir? Não recebi essa informação.
— O trigésimo sexto. – Arregalei meus olhos, dando uma para os elevadores que abriam e fechavam toda hora. Por Deus! Eu odiava alturas. Notando minha respiração acelerar-se, a recepcionista olhou-me solidária. – Fique calma, temos três elevadores diferentes e nunca teve defeito algum.
— O que me preocupa é a altura e não o elevador. – Ela riu balançando sua cabeça.
— Não se preocupe, nada acontece. Bem, você vai até o trigésimo sexto andar e lá terá uma secretária, você a informa que veio fazer a sua entrega, então ela liberará você para a sala do chefe.
— Ah, ok. – Olhei na direção dos elevadores de novo e respirei fundo, segurando com força as coisas em minhas mãos. – Eu... eu acho que já vou.
— Tudo bem. – Abriu um grande sorriso, vendo minha hesitação. – Eu acharia melhor você não demorar muito.
— Não vou... eu... obrigada.
Ela balançou a cabeça e tomando uma longa puxada de ar, caminhei rapidamente para o primeiro elevador disponível. As portas abriram-se e engoli em seco diversas vezes, olhando lá para dentro. Eu tinha pavor de grandes alturas, mas eu tinha que ir até lá.
Respirei fundo e entrei na caixa de metal, apertando o botão do andar que eu tinha que ir. As portas fecharam-se e para me acalmar um pouco, me encostei no fundo do elevador, sentindo-o subir cada vez mais.
Em nenhum momento o elevador parou, então a viagem passou a ser mais rápida. Depois de poucos minutos, ouvi o barulhinho anunciando meu andar e respirei fundo, quando as portas abriram e eu avistei as enormes janelas pelo local. Mordi meu lábio e saí da caixa de metal, desviando meu olhar da vista das janelas ou era capaz de eu fugir para o elevador novamente e descer o mais rápido possível.
Assim que pisei no local, avistei uma mesa de mármore e atrás dela estava situada uma moça morena que fazia bolhas de chicletes, estourando-as em seguidas e rodava uma caneta em seus dedos, parecendo desinteressada com as coisas que lia em seu computador.
Puxei o ar algumas vezes e caminhei até ficar de frente para a mesa dela. Notando a minha presença, a mulher ergueu os olhos e fez uma careta, estourando a bolha que tinha feito.
— O que deseja?
— Vim para fazer a entrega. – Respondi mecanicamente, porque o olhar de desdém que ela me dirigia chegava a ser irritante. Olhei rapidamente para as minhas roupas e felizmente eu até que estava bem arrumada, com uma calça jeans clara, tênis e meu casaco de inverno. Não era roupas de classe alta como vestidos e ternos, como as pessoas daqui vestiam, mas estava boa. – Você é a Senhorita Johnson? – Chamei sua atenção.
— Sou sim. – Empinou o nariz e checou as horas em seu computador. – Eu disse exatamente um horário para você estar aqui, no entanto, está atrasada cinco minutos. – Arqueei uma sobrancelha.
— Eu não tenho culpa do trânsito ser caótico. Mas aqui estou eu, não é mesmo? – Sorri cinicamente e ela revirou os olhos.
— Tanto faz. – Fez uma bolha, estourando-a, enquanto pegava o telefone de sua mesa. – Vou avisar que está aqui.
Ignorante demais. — Resmunguei em pensamentos, desviando meu olhar das bolhas de chiclete que aquela mulher irritante fazia.
A secretária falou algumas coisas no telefone e fez uma careta, rolando seus olhos enquanto colocava o aparelho no gancho.
— Ele está bravo por sua demora. – Estourou o chiclete e bufei baixinho. Eu estava ficando sem paciência. – E está me culpando! Por sua culpa! – Grunhiu, apontando um dedo. – Entre e não faça mais besteiras, queridinha.
— Não fiz de propósito! – Rebati, porém respirei fundo depois, não poderia complicar a imagem da loja.
— Com certeza não fez. – Debochou. – Eu deveria ter buscado! Uma simples vendedora, por que fui confiar? – Bufou e revirei meus olhos.
Acho que rolei os olhos hoje mais do que toda a minha vida, culpa da secretária arrogante.
— Me desculpe, Senhorita, mas não sei se percebeu, você é apenas uma secretária. Não é muito melhor do que o meu cargo. – Desdenhei seu emprego, mesmo sendo injusto com muitas outras, mas queria atingi-la também.
— Como ousa? – Colocou-se de pé e bateu suas mãos na mesa de mármore. – Você não pode falar comigo assim!
— E nem você comigo da maneira que está fazendo! – Ela semicerrou os olhos e antes que falasse outra coisa, seu telefone tocou e ela respirou fundo.
— Sim, senhor? – Suspirou pesadamente. – Claro que ela ainda está, só tivemos um contratempo. – Olhou-me acusadora e desviei o olhar. – Tudo bem, mandarei. – Ela desligou e apontou para as portas duplas. – Ande, ele não tem o dia todo.
Resolvi não retruca-la outra vez, então segurei as coisas em uma mão e fui em direção que ela tinha indicado. Com a mão livre segurei a maçaneta e a abri devagar, entrando no recinto e fechando a porta em seguida.
— Está atrasada! – Uma voz profunda grunhiu irritado e levantei meus olhos, arfando quando eu reconheci a pessoa.
Ele levantou aos poucos de sua mesa e meus olhos acompanharam todos os seus mínimos movimentos enquanto ele fechava seu terno e caminhava para minha direção. O corpo muito bem desenhado hoje estava em um terno todo cinza, com uma gravata vermelha perfeitamente arrumada. Engoli em seco algumas vezes ao sentir minha respiração acelerar ao encará-lo. Definitivamente ele era sexy, sexy demais!
Olhei em seus olhos e ele parou no momento em que o tom esverdeado de seu olhar encontrou com o meu. Um lampejo de reconhecimento passou por suas orbes e um suspiro escapou de meus lábios, quando minha mente começou a trabalhar novamente e os arrepios que senti na primeira vez que eu o vi, há um mês, voltaram com força total.
Mais fortes do que nunca.
— Eu... – Minha voz saiu estranha e pigarreei, recompondo-me. – Trouxe suas coisas. – Levantei as compras em meus braços e ele voltou a piscar, olhando-me atentamente.
— Claro. Fez-me esperar o dia todo! – Bufou e pegou tudo de minhas mãos, levando-as para colocar em sua mesa. – Não sabe cumprir um horário? – Cruzou os braços irritado e arqueei uma sobrancelha, não acreditando que ele estava falando comigo daquela maneira. Eu tive que aguentar a secretária insolente e agora ele?
— Desculpe-me, senhor, mas o trânsito...
— Deveria ter se planejado e chegado antes! – Interrompeu minha fala e bufei outra vez, agora alto, fazendo-o olhar-me com sua sobrancelha arqueada.
Merda de homem sexy!
Não poderia ser real, eu ainda não acreditava que ele realmente existia.
Foco, Bella, foco!
— Não trabalho exclusivamente para o senhor. – Cruzei meus braços também, espelhando sua forma. Eu poderia ser uma mera vendedora, mas eu não deixaria ninguém ser rude comigo. Não mais. – Faço coisas mais importantes na minha vida, muito obrigada! E se tinha tanta pressa, por que causa não foi o senhor mesmo buscar sua encomenda? – Dei um passo à frente, erguendo a cabeça. – Levante-se de seu lugar, caminhe até seu carrinho importado e faço suas coisas por si mesmo! – Grunhi irritada, apontando um dedo em sua direção.
— Você só pode estar louca para falar comigo desta maneira! – Rosnou aproximando-se mais de mim. Tive vontade de dar um passo para trás com sua aparente ameaça e tom elevado, mas me detive. – Eu sou a porra do CEO mais importante desse país e você fala desse jeito comigo? – Engoli em seco, mas minha cabeça continuava erguida, desafiando-o. – Perdeu o medo do perigo... – Olhou-me de cima a baixo, soltando uma risada sem humor. – ...garota? – Revirei os olhos com seu deboche.
— Posso ser uma garota. – Repeti seu tom debochado. – Mas sei fazer as coisas por mim mesmo, não fico atrás de ninguém e muito menos da droga de uma mesa de presidente! – Dessa vez não me segurei e dei um passo para trás, quando o vi fechar seus olhos e depois encarar-me com a fúria brilhando no verde intenso.
— Você é uma insolente!
— E você um babaca! – Retribuí seu xingamento sem me segurar. Seus olhos se estreitaram e engoli minha saliva, temendo o que viria a seguir. – Acho melhor o senhor pagar pelas compras e eu ir embora logo.
Ele bufou raivoso e nem esperou eu pegar a máquina de cartões. O vi caminhar até sua mesa e tirar uma chave pequena de seu bolso, abrindo uma gaveta e tirando de lá um talão. Observei ele assinar algum papel e parecia sentir ódio, pois segurava a caneta com força e parecia que rasgaria a folha a qualquer minuto com sua brutalidade.
— E não volte mais aqui! – Caminhou até mim e esticou-me algo, fazendo-me ver que era um cheque. – O que foi, não aceitam cheques? – Riu debochado.
— Fui informada sobre um cartão. – Falei petulante, da mesma forma que ele fazia.
— Não me importa, ande, pegue seu pagamento e vá logo! Não preciso suportá-la, ou esqueceu-se que eu tenho que me esconder atrás de minha mesa de presidente? – Bateu o pé irritado no chão e grunhi puxando o papel de sua mão com força, praticamente o rasgando.
— Muito bem, vejo que o senhor se ocupa muito desrespeitando todo mundo. – Olhei-o nos olhos, não me intimidando com a fúria ali contida.
— Como é? – Ele deu um passo à frente e eu um atrás. Ok, me intimidei um pouco. – Você acha que é quem, hein? Não sabe respeitar alguém? – Bufou. – Sabe ao menos com quem está falando?
— Não me importo nenhum pouco, obrigada. – Sorri cínica. – Não preciso saber quem o senhor é, suas atitudes brutas já me dão alerta para ficar longe.
— Você vai me pagar por essas falas afiadas, ouvi-me? – Seu olhar gritava ódio e meus olhos se reviraram mais uma vez naquele dia, fazendo pouco caso de suas palavras. A raiva subia-me a cabeça, não aguentava nem olhar para aquele homem.
Como eu tinha pensado: Bonito por fora, só por fora.
— Pode cumprir com sua promessa, como eu disse, não me importo. – Levantei uma sobrancelha, deixando o sorriso mais irado e cínico do mundo aparecer em meus lábios. – Passar bem, senhor presidente. – Eu esperava que ele capitasse a mensagem.
— Está me chamando de velho? – Sua voz elevou-se mais e acenei, indo em direção à porta.
— Se a carapuça serviu. – Dei de ombros e girei a maçaneta, saindo da sala antes que ele explodisse de ódio. Olhei para a secretária e ela continuava com as bolhas de chicletes. – Até nunca mais, queridinha.
Seus olhos ergueram-se e dei um sorriso, encaminhando-me para o elevador. Apertei o botão e respirei aliviada por ele estar no andar, muito mais rápido para mim. Engoli em seco quando as portas se fecharam e encostei-me ao fundo, fechando meus olhos e colocando a mão em meu peito.
Puta merda, o que foi que eu fiz naquela sala? Desafiei o presidente de uma das maiores e melhores Editoras do mundo inteiro. Onde eu estava com a minha cabeça? Ok, não aceito que falem comigo naquele tom, mas eu não podia ser tão petulante como fui.
Bufei.
Eu só retribuí o favor da secretária soberba e do chefe arrogante.
Agora eu me sentia vitoriosa, por isso deixei um pequeno sorriso se abrir em meus lábios. Eu sabia muita coisa sobre a Publisher E. Cullen, porém o presidente era um troglodita e eu nunca deixaria ninguém falar naquele tom comigo, muito menos um desconhecido como ele.
Alguém tão bonito e tão babaca ao mesmo tempo.
Quando uma coisa piscou em minha mente, meu pequeno sorriso se desfez e meus olhos se arregalaram de repente, assim que lembrei que eu vim aqui a trabalho, por mais que eu não quisesse. Oh, meu Deus! O que eu fiz? Angela irá me matar se receber alguma reclamação.
Eu estava demitida.
[...]
— VOCÊ O QUÊ? — Rosalie gritou do outro lado da linha e engoli em seco, respirando fundo enquanto eu me jogava no sofá do meu apartamento.
— Foi sem querer! – Bufei, esfregando meu rosto. – Eu não queria gritar com eles, mas fui ofendida por aqueles dois soberbos e nem consegui me conter. Me desculpe.
— Droga, Bella, você ficou maluca?— Suspirou do outro lado. — Se ele reclamar com Angela por sua conduta, você estará encrencada, sabe disso?
— Eu sei, eu sei. – Soltei um longo suspiro. – Eu só... – Balancei a cabeça. — ...fiquei desequilibrada.
— Percebi.— Riu e rolei os olhos. Só ela para rir em um momento desses! Eu estava com meu coração quase saindo pela boca de nervosismo.
— Obrigada pelo apoio, Rose, valeu mesmo. – Ironizei e ela respirou fundo.
— Me desculpe.— Pelo tom, dava para notar que ela segurava uma risada.
— Oh, sim, percebi o quão arrependida você está. – Ela ofegou risonha. – Rose, eu quase morrendo de preocupação por perder meu emprego e você está assim?
— É sem querer! Qualquer coisa eu conversarei com Angela, ela não irá te demitir, ela gosta de você.
— Mas gosta mais de sua loja! E me odiará por ofender um cliente tão importante. – Choraminguei. – Até você deve me odiar, afinal, é sócia.
— Ei, Bella.— Chamou-me mais calma. — Não fique assim, ok? Eu irei conversar com ela caso aconteça alguma coisa. E sobre mim, bem, eu não estou chateada e muito menos e odiando, não seja absurda.— Bufou. – Está tudo bem, qualquer coisa daremos um jeito. Mas eu ainda estou incrivelmente estupefata.— Soltou uma risadinha. — Quem diria que você enfrentaria o CEO mais importante do país? Céus, eu queria ter visto a cena!
— Bem, eu liguei para você para ganhar algum apoio, mas você só ri da minha cara. – Rose gargalhou de volta. – Rosalie! – Gritei indignada.
— Foi mal! É que eu estou imaginando tudo.— Suspirou. — Oh, céus, aquele homem deve ficar gostoso irritado.
Pior que ficava.
Apesar de eu estar mais com medo do que com vontade de verifica-lo, mas não dava para negar, ele ficava muito gostoso quando estava com raiva.
Merda, no que eu estou pensando agora?
— Rose! – A repreendi.
— O que foi? Não sou cega. Ele é aqueles homens que nos deixam formigando só com um olhar, com aqueles olhos e boca... Caralho, ele deve fazer um trabalho incrível com seus longos dedos!
— Tchau, Rose.
Desliguei antes de dar tempo de ela falar mais alguma de suas loucuras. Por Deus, eu pensando que ela me jogaria lições de moral de como tratar um cliente corretamente e ela só ria e falava do homem mais sexy que eu já vi.
Sexy e troglodita, Bella, não se esqueça.
Respirei fundo e joguei minha cabeça para trás, fechando meus olhos. Esfreguei meu rosto, grunhindo de ódio pelo rumo de meus pensamentos.
Eu preciso tirar esse homem da cabeça.
Pov Edward.
Agarrei meu cabelo e grunhi de raiva, caminhando até minha cadeira giratória e jogando-me nela. Dei um soco na mesa e empurrei todas as folhas de cima, espumando de ódio por aquela garota gostosa.
— Porra! – Joguei minha cabeça para trás e esfreguei meus olhos. Eu não estava em meu juízo perfeito, não poderia estar!
Eu passei a merda do mês inteiro pensando naquela vendedora, daí quando ela aparece, fica toda nervosinha e joga a culpa sobre mim, sendo que foi aquela petulante que se atrasou para o compromisso?
Eu nem me toquei quando mandei minha secretária ligar para aquela loja e encomendar um terno branco para o jantar de ensaio do casamento de Alice. Só mandei ela fazer naquela loja, nem percebi o nome ou o interliguei com a loja onde minha irmã buscou seu vestido e consequentemente trabalhava a vendedora que estava presa em meus pensamentos em todos os instantes.
Como aquela insolente teve a petulância para falar comigo daquela maneira?
Puta que pariu, se qualquer um falasse comigo daquela maneira que ela fez, eu faria um escândalo maior e tiraria a pessoa à força da empresa, assim como fiz com Anthony. Mas eu me refreava de alguma forma, enquanto a ouvia falar com a cabeça erguida e olhos ferozes, desafiando-me e não temendo nada que eu pudesse fazer. Eu poderia fazer qualquer coisa com ela, mas alguma maneira, eu não queria fazê-la mal, de nenhuma forma.
Grunhi com os olhos fechados e abaixei minha cabeça, apoiando-a na mesa. Porra, o que essa garota tinha?
Certo, ela terrivelmente sexy e linda, mas eu sabia que não era só isso. Eu já achei diversas mulheres bonitas, porém nenhuma ocupou meus pensamentos só pela beleza, e tenho certeza que aquela criatura petulante estava na minha mente por alguma coisa. Eu só precisava descobrir o porquê.
É, Edward, você está bem fodido com essa garota.
Bufei.
Como se eu já não soubesse.
[...]
Abri a porta do quarto azul devagar, entrando no cômodo e indo diretamente para a janela. Abri as cortinas e a janela em seguida, deixando algum ar entrar no quarto que já começava a esfriar pelo tempo da manhã, como todos os dias, o frio se mostrava cortante.
Olhei para ao redor do quarto e revirei os olhos ao ver que minha irmã tinha se metido por aqui de novo. O quarto do menino já era azul e cheio de figurinhas de super heróis, mas o famoso Capitão América era seu favorito, então ele tinha mais objetos dele. Só que olhando ao redor agora, eu podia ver mais desenhos do personagem pelas paredes do quarto, o escudo e as cores na cor da bandeira dos Estados Unidos espalhados.
Alice esteve redecorando o quarto de Andrew, era impossível não ver algumas mudanças ao redor. á desisti de tentar fazê-la parar, Andrew ama quando ela faz essas coisas por ele e imagino que isso dá ainda mais combustível para Baixinha desgovernada.
Suspirei e fui até a cama do meu pequeno garoto, que também tinha a animação do Capitão, tendo sua cabeceira em forma de escudo. Sentei-me na beirada do colchão, massageando suas costas, já que ele encontrava-se virado para a parede. Era injusto chama-lo tão cedo em uma manhã tão fria, mas eu precisava sair e resolver algumas coisas antes de ir para a empresa. Sem contar que Alice tinha que leva-lo ao doutor e fazer alguns exames de rotina, ele teve muita febre nas últimas semanas e isso me deixava preocupado.
— Campeão. – Chamei-o baixinho, levando minha mão para os terríveis fios loiros que nunca ficavam arrumados, mesmo com gel. – Ei, Andrew, você precisa acordar.
— Hmmm, eu não preciso não. – Ri revirando os olhos e inclinei-me, dando um beijo em sua bochecha. – Papai. – Resmungou ainda de olhos fechados.
— Você tem que levantar, eu preciso ir fazer algumas coisas e logo tia Alice vai estar aqui. – Ele suspirou alto e virou-se na cama, esfregando seus olhos antes de abri-los. – Dormiu bem?
— Uhum. – Bocejou. – Eu não posso ir com você?
— Não, campeão, são coisas sérias. E além disso, você tem uma consulta hoje. – Uma careta formou-se em seu rosto e respirei fundo, sabia o quanto ele odiava médicos. – É necessário.
— Mas é chato. – Bufou. – Eu tenho que andar para lá e para cá, e ainda tirar sangue! Aquela agulha dói, pai. – Um bico se formou em seus lábios.
— Eu sei, eu sei. Mas eu preciso que faça isso por mim, ok? – Sua careta se suavizou e sorri, eu amava quando ele fazia as coisas por mim, isso demonstrava que eu era importante em sua vida e isso... Deus, isso era fantástico demais. – Muito bem, agora levante-se. – Dei um tapa leve em sua perna. – Eu preparei o café. – Pisquei e um enorme sorriso abriu em seus lábios.
— Panquecas? – Gritou animado e tive que rir.
— Com certeza. Suas preferidas.
— Uau, isso é demais!
Pulou animado do cama e nem parecia que tinha acabado de acordar, tamanha era a agitação.
Eu estava deixando-o preso demais com Alice, as loucuras dela já estavam contagiando o garoto.
Andrew bocejou e pediu-me para usar o banheiro. O ajudei e depois liguei a água quente da torneira, lavando seu rosto e colocando seu banquinho de sempre ali, para que ele pudesse escovar seus dentes. Deixaria para Alice dar banho nele mais tarde, estava frio demais para isso agora, e ainda era bem cedo.
Depois de ajeitá-lo, levei-o para o closet e arrumei-o, para em seguida descermos e tomarmos café. Como eu não comia muito de manhã, apenas belisquei algumas coisas e depois deixei Andrew vendo TV, enquanto eu ia terminar de me arrumar e esperar que minha irmã viesse busca-lo.
Parei em frente ao espelho da minha suíte e dei um nó na minha gravata, ajeitando-a em meu pescoço. Desarrumei mais meu cabelo e peguei meu perfume, espichando em meu pescoço e em meu terno, colocando o frasco no lugar logo em seguida.
Eu estava completamente louco com as possibilidades passando-se em minha cabeça, mas eu tinha que fazer isso, passei praticamente toda a noite pensando naquilo e mesmo frustrado e irritado com tudo, a decisão tomara era certa, bem, em partes.
Suspirando, peguei meu celular sobre a cômoda e disquei o número do telefone da minha secretária.
— Publisher E. Cullen, bom dia. — Sua voz fina soou e peguei minha carteira e chaves do carro.
— Senhorita Johnson, sou eu.
— Senhor Cullen! Bom dia, em que eu posso ser útil? — Rolei os olhos com o duplo sentindo da frase e saí do meu quarto, descendo as escadas. Eu avisei para Alice, uma mulher de vinte e cinco anos não servia para ser minha secretária.
— Eu só quero informar que chegarei algumas horas mais tarde hoje, então remarque todos os meus compromissos para hoje à tarde e para o resto da semana.
— Mas... Senhor Cullen, o senhor tem uma reunião com acionistas em alguns minutos.
— Remarque. – Revirei os olhos. Eu já não tinha mandado ela fazer isso?
— Mas é que está em cima da hora...
— E, nada! Você é paga para trabalhar como minha secretária, então seja uma maldita secretária e remarque a porcaria da reunião! – Desliguei o celular irritado e o guardei no bolso interno do meu terno.
Fui assistir algum desenho com Andrew até dar a hora de Alice chegar. Respirei fundo e sorri para ele, quando o pequeno aproximou-se de mim e deitou sua cabeça em meu colo, conversando comigo e planejando algumas coisas.
Passamos alguns minutos ali, até eu ouvir o interfone e ser avisado que minha irmã tinha chegado. Desliguei tudo e fui fechar as janelas dos quartos, eu tinha aberto a do meu e a do Andrew. Depois de tudo arrumado e eu com todas as minhas coisas, desci com meu filho até o saguão e minha irmã sorriu animada ao nos ver.
Abracei Andrew apertado e pedi para ele se comportar no consultório, eu sabia o quanto ele poderia ser inconveniente com médicos, já que os odiava. Ele sorriu para mim, prometendo-me que não faria nada, então se despediu, juntamente com Alice, e ambos se foram.
Dei a volta e fui para o estacionamento, porém meu celular tocou e bufei, pegando-o de volta e vendo o nome de Jenks piscando na tela. Atendi a chamada e continuei a andar, caminhando pelo estacionamento, procurando minha vaga.
— Jenks. – O cumprimentei.
— Bom dia, Senhor Cullen. Eu descobri tudo o que pude da garota que o senhor tinha me pedido.
— Ótimo, agora me fale. – Pedi impaciente. Era isso, eu saberia de tudo sobre ela e essa minha euforia acabaria e eu poderia me acalmar de vez.
— Não tinha muita coisa para descobrir sobre ela. Ela chama-se Isabella, e como eu suspeitava Bella é seu apelido bem utilizado. É apenas uma garota de dezenove anos e trabalha na Fashion Space desde setembro de 2015, ela foi abandonada por seus pais quando tinha seus cinco anos e morou em um orfanato até completar a maioridade. Após sair de onde morava, alugou um apartamento em uma parte bem precária de Manhattan, indo todo dia para a loja em que trabalha de metrô. Ah, e ela trabalha o dia inteiro lá, desde quando a loja abre, até o fechamento.
As informações rondavam minha mente. Mas uma em especial chamou minha atenção: Ela era órfã? Eu de certa forma também era, não considerava Anthony e Elizabeth meus pais desde meus cinco anos de idade, cresci sem pai e nem mãe, eles só moravam na mesma casa que eu e abasteciam a geladeira, nada a mais do que isso. Fui renegado a minha vida inteira e quando fiz meus dezoito anos, mudei-me e comecei a cuidar de mim, tornando-me um homem frio e fechado.
E porra! Ela tinha somente dezenove anos? Dez anos mais nova do que eu, dez!
Eu queria me socar por não dar importância para isso e sentir uma euforia maior do que eu sentia, nascer dentro de mim. Mas que merda! O que estava acontecendo comigo? O que aquela garota jogou sobre mim? Não podia ser normal, sentir-me assim, sendo que eu tinha a visto duas vezes na minha vida, duas!
Eu estava animado internamente pelas respostas de Jenks, porque eu imaginava que quando eu ficasse sabendo de tudo sobre a vida de Bella, eu finalmente poderia esquecê-la e continuar com a minha vida normal de antes. Só que eu não esperava ficar ainda mais eufórico sobre ela, assim que as informações foram digeridas pela minha mente.
Mas que merda!
Talvez minha decisão de hoje ajudasse em alguma coisa, o que eu duvidava, porque aparentemente nada tira aquela petulante de minha cabeça.
— Senhor Cullen?— A voz de Jenks me tirou do transe e balancei a cabeça, respirando fundo.
— Entendo. – Suspirei frustrado e parei em frente ao meu carro. – Você conseguiu o endereço dela?
— Sim.
— Mande-me por mensagem então, estou saindo de casa.
— Já estou digitando. — Sorri com o jeito apressado dele. Jenks era competente, isso era ótimo. — Ah! Também tenho o número do celular dela.
— Passe-o também. Obrigado, Jenks, era disso que eu precisava. Vou mandar um e-mail para minha secretária e pedir para ela depositar seu dinheiro.
— Eu agradeço, senhor Cullen. Estou as ordens.
Encerrei a chamada e cumprimentei George e Daniel, meus seguranças.
Após eu ter sofrido um quase sequestro, Alice contratou dois seguranças para andarem na minha cola. Eles ficavam sempre no carro e estacionados perto do meu, só cuidando da onde eu entrava e saia. Era irritante ter pessoas seguindo você para todos os lados, mas como eu era o homem mais rico de Manhattan e tinha a maior editora do mundo inteiro, era de certa forma bom ter seguranças, não precisava ser morto agora. Teve o quase sequestro e também um carro me perseguindo, meses atrás, depois disso Alice me fez prometer andar com seguranças e ela sendo minha irmã, também tinha um em sua cola.
George e Daniel me desejaram bom dia e eu entrei em meu veículo, digitando rapidamente o número da conta de Jenks e a quantidade que era para a senhorita Johnson depositar. Enviei o e-mail e coloquei meu celular sobre o painel, ouvindo ele tocar assim que liguei o carro, deveria ser o endereço e o telefone que Jenks me mandaria.
Coloquei o cinto e manobrei o carro para fora do estacionamento, apertando o botão para abrir o portão do prédio. Após sair dele, o carro dos meus seguranças me seguia e como eles também tinham o controle, eles mesmo fecharam o portão. Dirigi rapidamente pelas ruas lotadas de Manhattan e parei o carro meia hora depois, assim que estacionei em frente ao local que eu necessitava ir.
Eu já tinha decido tudo na noite passada e agora sabendo todos os mínimos detalhes da vida dela, eu vi que minha decisão era mais do que certa. Alice tinha razão, eu não precisava ser um babaca o tempo todo. Claro, ela não disse nessas palavras, mas eu as interpretava assim. Era o modo que eu me sentia. Mas alguns realmente mereciam esse meu lado e eu nem dava importância o quão bruto ou grosseiro eu parecesse.
Isabella.
Ah, agora é que ela não sairia mais da minha mente. Eu realmente pensei que se eu soubesse de tudo o que eu queria, essas coisas em minha cabeça sairiam em um passe de mágicas, mas me enganei erroneamente, parece que as informações só me serviram para ficar ainda mais maluco.
Fechei meus olhos, batendo os dedos no volante e apertando-o fortemente contra minhas mãos. Respirei fundo e abri os olhos, dando uma olhava no retrovisor e vendo o carro dos meus seguranças estacionado a poucos metros de mim. Olhei para a fachada em minha frente e grunhi, soltando meu cinto.
Eu tinha que fazer isso. De alguma maneira, era o certo, mesmo eu sendo frio e calculista, aquela garota tinha mudado alguma coisa em mim e eu tinha que descobrir o que era.
Mas que diabos! Da onde aquela mulher saiu para me deixar tão louco em meus próprios pensamentos?
“Continua...”
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