Never It's Late.

31 Perfeitamente perfeito.


Notas iniciais
Eeei, lindos! Estou de volta, um pouquinho mais cedo dessa vez, hein?! o / Fico sempre feliz ao deixar os capítulos fresquinhos para vocês. E esse, mais uma vez, está longo. Desculpas para quem não curte capítulos tão longos, mas eu precisa expressar todos os sentimentos nesse. E para quem gosta, só aproveitem. ♥ Enjoy ;) ~~26/08/17~~

Perfeitamente perfeito.

Pov Edward.

— Papai? – Levantei os olhos da tela do notebook ao ouvir a doce voz infantil de meu pequeno. Arqueei minha sobrancelha ao vê-lo empoleirar-se na cadeira de frente para a minha mesa do escritório, encarando-me com seus grandes olhos brilhantes.

— Diga-me, campeão. – Continuei digitando rapidamente as mudanças para minha reunião, porém meus ouvidos estavam atentos ao que Andrew diria. Esperei por alguns minutos, e então parei de digitar ao notar o silêncio repentino dele. Voltei a olhá-lo e franzi o cenho ao observá-lo torcer suas mãos juntas, enquanto ainda olhava-me curiosamente. – Andrew, sabe que pode dizer qualquer coisa para o papai, não sabe? – Questionei preocupado. Ele agitou a cabeça, concordando com minhas palavras, no entanto ainda continuava em silêncio. – Tudo bem. – Suspirei e salvei meus arquivos, fechando o notebook. Empurrei o aparelho para o lado e afastei a minha cadeira da mesa. – Vem até aqui, campeão. – Chamei-o, dando algumas palmadas em minha perna, pedindo para que ele se sentasse em meu colo.

Andrew dirigiu-me um pequeno sorriso e com cuidado saiu da cadeira em que estava de pé, dando a volta na mesa e caminhando até estar em minha frente. Sorri para meu filho e segurei-o com minhas mãos, puxando-o para meu colo. Ajeitei-o em minhas pernas e comecei a fazer carinho em nos fios de seu cabelo, aguardando pacientemente o que ele queria me falar.

Desde que Andrew passou a morar comigo definitivamente, há um ano, ele começou a abrir-se mais comigo, porém eu ainda conseguia ver receios em coisas que ele queria dizer-me ou me pedir. Pelo brilho em seus olhos, que eu conseguia definir ao vê-lo sorrir para mim daquele jeito inocente, podia jurar que ele tinha visto algo que queria pedir-me, só possuía vergonha para verbalizar seu pedido.

— Eu estava assistindo um filme. – Começou a falar, ganhando a minha atenção. Assenti, incentivando-o a continuar. Andrew brincou com a manga de seu pijama, enquanto respirava fundo. – Era sobre o Natal. – Continuou. – Acabou há alguns minutos, mas eu fiquei pensando nas coisas que eu percebi. – Levantou seus olhos para mim, parando de falar. Beijei sua testa e belisquei seu queixo, dirigindo-lhe um sorriso.

— Pode continuar, filho, quero saber o que estava pensando para ter tanto brilho em seus olhos. – Pisquei, ouvindo-o soltar uma risadinha no final. – Não precisa ter medo ou vergonha. O papai já disse que sempre irei ouvi-lo, só tem que contar-me.

— Eu sei. – Suspirou profundamente. – É só que... bem..., não sei se é algo que eu posso pedir. – Deu de ombros.

— Prometo que pode tentar, eu vejo o que posso fazer para você. – Respondi-o. – E também, podemos ver se isso pode ser seu desejo de Natal esse ano. – Sorri para ele. – Lembre-se que é nossa segunda vez nessa data, como pai e filho. – Relembrei-o. – Prometeu-me que sempre seria o melhor feriado de todos. – Brinquei e cutuquei-o na barriga, ouvindo alegremente sua risada, o som mais maravilhoso que existia para mim. Ver Andrew alegre e feliz era o que deixava-me feliz e realizado, eu vivia por ele agora, e sempre cuidaria de meu pequeno campeão.

— E sempre será, papai. – Segurou meu rosto entre suas pequenas mãos, sorrindo alegremente para mim. – Mas é como eu disse, o que eu estava pensando não parece algo que eu possa pedir, e muito menos fazer um pedido de Natal sobre isso. – Olhou para baixo e soltou meu rosto, voltando a torcer suas mãos. – Eu só pensei demais sobre o filme, acho. – Respirou fundo.

— Conte-me sobre o que assistiu, quem sabe eu desvende o que tem vergonha de me dizer. – Segurei em sua mão, apertando delicadamente seus dedos contra os meus. – Mesmo que eu diga que não necessita envergonhar-se, sei que tentará esconder, então ao menos conte-me do filme. Pode ser? – Abaixei um pouco a cabeça, sorrindo quando ele ergueu a sua e assentiu animadamente. – Ótimo, pode começar a dizer. – Apertei novamente seus dedos, vendo-o suspirar.

— Era sobre família. – Olhou para nossas mãos juntas. – Me lembrou muito nós dois, pai. – Continuei ouvindo, sua voz tornando-se melancólica aos poucos. – Eram dois garotos no orfanato, um lugar difícil e que mulheres os maltratavam, como faziam comigo. – Engoli em seco e fechei meus olhos, tentando não pensar em todas as dores que Andrew passou. – Mas com eles eram tapas, elas sempre batiam neles, por tudo o que faziam, não importava se era alguma coisa ruim. Os irmãos sempre estavam de bom humor, brincando e sorrindo, como se isso os fizesse esquecer das noites de tortura que passavam, parecia que eram o porto seguro um do outro. – Sorri, ainda de olhos fechados, achando incrível a forma que um menino tão novo tinha percepção das coisas. Andrew era maravilhoso, tão jovem e pequeno, mas era maduro demais ao mesmo tempo. – Passaram-se meses assim, até um homem aparecer e ir até aquele orfanato, perto do Natal. Na hora ele apaixonou-se pelos irmãos, assim como os meninos o adoraram. – Levantou sua cabeça, sorrindo brilhantemente para mim. – Como nós. – Retribuí seu sorriso e dei-lhe um demorado beijo na testa. – Foi fácil demais adotá-los, não demorou nem três semanas direito. – Continuou a relatar. – Mas parece que em filmes tudo é mais fácil mesmo. – Assenti e o vi dar de ombros. – Os três firmaram uma família incrível, sempre dando-se bem e conseguindo superar cada obstáculo que parecia querer detê-los de serem felizes. – Mordeu o lábio inferior. – Até que perto do Natal, o pai deles conheceu uma mulher muito bonita. – Abriu um grande sorriso. – Ela também era maravilhosa com as crianças, e então infiltrou-se naquela família, começando a fazer parte dela. O filme continuou assim, sempre mostrando o quanto um amor familiar é grande, por mais que o sangue das pessoas que a constitui não sejam o mesmo. – Ergueu seus olhos até os meus. Engoli em seco vendo toda a inocência presente ali, assim como o amor que Andrew sentia por mim, ele era tão transparente com os sentimentos, isso fazia-me amá-lo ainda mais, assim que eu via que nossos sentimentos eram recíprocos. – O final é que me fez pensar ainda mais. A mulher contou ao seu noivo que ela estava esperando um bebê. – Andrew ergueu sua mão até minha gravata, brincando com ela. – Ele não tinha reação por minutos, mas depois começou a chorar e a beijar sua mulher, dizendo-lhe o quanto estava feliz com tudo o que estava acontecendo com eles. – Soltou mais um suspiro. – Os irmãos, quando souberam da notícia, ficaram ainda mais felizes que seu pai, porque desejavam, mais do que tudo, aumentar a família e também serem irmãos mais velho de uma garotinha. – Ouvi-o rir. – Foi tão incrível, papai. – Seus olhos brilhavam nos meus. – O jeito que acabou. – Percebi-o engolir em seco. – Os quatro comemorando uma nova vida, uma pessoa a mais para amar. – Seus olhos começaram a brilhar e franzi o cenho, percebendo que eles estavam ficando lacrimejados. – Eu só fiquei pensando em tudo isso. – Ficou de pé em meu colo e abraçou-me apertado, fungando ao encostar seu rosto contra meu pescoço. – Você é a minha família, papai, te amo.

— Oh, querido, também amo demais você. – Acariciei seu cabelo, ouvindo-o chorar baixinho. Fechei meus olhos e apertei-o fortemente contra mim, guardando minhas próprias lágrimas quando sua falação começou a fazer sentido em minha mente.

Andrew não sabia muito sobre seus pais e tudo o que soube daquelas malditas do orfanato, eram mentiras e coisas horrendas, mas de alguma forma, eu tinha certeza que ele sentia falta de uma família completa. Nunca duvidaria do amor que Andrew sentia por mim, eu decifrava isso em seus olhos toda vez que ele sorria para mim ou somente encarava-me. Sabia o quanto ele também amava Alice e Jasper, o garoto era incrível e apaixonante, sempre sendo maravilhoso com todos ao seu redor. Mas como todas as crianças, ele sentia saudade de uma coisa maior.

Eu era pai de Andrew, nem ele e nem eu tínhamos dúvidas quanto a isto, só que a falta dele era de uma família grande constituída, assim como vê em seus filmes. Ele é um garoto que ama assistir tevê, principalmente filmes com finais felizes, porque como já ouvi diversas vezes, e até assustei-me na primeira vez, Andrew contou-me que era somente em TV que poderíamos ver tantas coisas darem certo, e assim sermos felizes ao imaginar quando aconteceria conosco. O jeito maduro em suas falas chegava a apavorar-me as vezes, porém entendia o que ele queria dizer, sempre. O problema de tantos filmes familiares, é que Andrew começava a desejar algo assim, mas eu sabia o quão complicado era possuir caminhos facilitados e cheio de felicidade. Sempre haveria alguma coisa para atrapalhar-me, por mais que eu corresse, sabia que algum dia teria que enfrentar “eles”.

— Eu amo você, muito, muito. – Saí de meus pensamentos ao ouvir sua voz novamente, totalmente embargada. – Você é o melhor pai do mundo, a pessoa que eu mais amo. – Suspirei, sentindo meu rosto molhado pelas lágrimas que caíram sem minha permissão. – Mas eu também queria isso que eu vejo em filmes. – Apertei meus olhos, sentindo dor por não poder dar isso a ele, jamais poderia ser possível eu evolver-me com alguém nesse nível, capaz de formar uma família. Seríamos sempre Andrew e eu. – O papai tem que ser feliz. – Sussurrou e eu soltei minhas mãos de seu corpo, vendo que ele queria afastar-se. Andrew apoiou-se em meu ombro e olhou em meus olhos. – Queria que você também tivesse alguém, pai, para ser apaixonado como os homens nos filmes. – Suspirei e comecei a brincar com seu cabelo, ouvindo-o falar. – Assim poderíamos construir algo grande, e eu também poderia ter uma mamãe, que amasse-me, assim como no filme que eu vi antes. – Pisquei meus olhos que ardiam pelas lágrimas que formavam-se, assim que observei seu olhar brilhante e ansioso. – Poderia ter irmãos, ou uma irmã. – Riu animado e eu funguei, sentindo meu coração afundar com sua perspectiva. Doía demais saber que isso nunca aconteceria, eu não servia para amar ou ser amado, isso já foi provado diversas vezes em minha infância. Havia Andrew e Alice, porém eram exceções. Mulher alguma suportaria toda a bagagem que eu possuía, ainda mais a emocional que era tão afetada.

— Campeão. – Interrompi-o. Segurei seu rosto entre minhas duas mãos e beijei sua bochecha, suspirando e tentando segurar minhas malditas lágrimas que não paravam de deslizar por meu rosto. – Eu aprecio muito seus sonhos, é bom sonhar. – Funguei. – E gosto ainda mais que conte-me as coisas, por mais que eu consegui desvendar, você falou-me tudo o que eu estava imaginando, mostrando que mais uma vez confia em mim. – Olhei-o e o vi assentir, olhando-me atentamente. – O filme que viu é maravilhoso, adoraria vê-lo com você. – Tentei sorrir, porém minhas lágrimas não cessavam. – Mas ouça-me com atenção, campeão, e por favor, não me leve a mal, já está doendo demais em mim. – Encostei minha testa na sua, sentindo meu coração martelando de dor. – Não posso dar-lhe isso o que está pedindo-me. Eu prometi que lhe daria todo o mundo, mas isso... – Suspirei auditivamente. – ...está completamente fora de meu alcance. – Encarei seus olhos chorosos, enquanto eu secava algumas lágrimas. – Seremos apenas nós dois, Andrew, é impossível que eu relacione-me com alguém dessa forma tão intensa. – Engoli em seco. – Eu sei que adoraria ter uma mãe ou irmãos, entretanto não será possível. – Ele continuou a chorar e eu fiz uma careta, abraçando-o fortemente. – Perdoe-me, por favor, me perdoe-me.

— Eu... eu... – Soluçou. – Eu só queria uma família grande. Queria irmãos...

— Eu sei, campeão, eu sei. – Apertei-o contra mim. – Essa é a única coisa que eu não poderei lhe dar. – Beijei seu cabelo. – Sempre seremos nós, e eu te amarei a cada instante da minha vida, e espero que isso baste para você, porque é tudo o que eu posso te dar. – Firmei meus braços ao seu redor. – Desculpe. – Repeti.

— Está tudo bem. – Disse com sua voz embargada. – Posso não ter o que eu queria, mas se eu tiver você comigo, papai, amando-me na mesma intensidade que eu te amo, eu serei o garoto mais feliz que existe. – Solucei baixinho e senti-o abraçar ainda mais forte, dando-me todas as forças que eu precisava.

Seríamos apenas nós, mas eu o amaria mais do que qualquer coisa nesse mundo, fazendo de tudo para sempre mantê-lo a salvo e feliz, afinal, Andrew era a minha razão de viver.

— ... E..., eu... eu acho que estou grávida, Edward.

Respirei profundamente, saindo de todas as minhas lembranças, como se a voz da mulher que eu amo tivesse me chamado de volta para a realidade. Tentei calibrar meus pulmões, porque parecia que durante minutos eu tinha deixado de respirar, desde que ouvi Bella falando aquela frase, fazendo-me voltar no tempo e ter todas as memórias de como Andrew pedia-me para que eu fosse feliz, para que eu me apaixonasse. Nem exatamente para ele ter uma mãe, como todas as crianças queriam, meu filho apenas desejava que eu fosse feliz com alguém, era somente isso que ele queria. E toda aquela dor do passado, quando eu não pude realizar esse pedido, e nem de ele poder possuir uma família maior com irmãos, chocava-se contra meu peito, lembrando-me de como as coisas eram, e de como toda a minha realidade modificou-se, desde que eu conheci Isabella.

Eu acho que estou grávida, Edward.

Não podia negar, estava apavorado demais com tudo o que estava passando por minha cabeça. Mas também não poderia decifrar toda a intensidade de sentimentos que estava atingindo-me no momento. A felicidade que me preenchia era... porra, era inexplicável! Eu sempre fugi da vida, enclausurando Andrew e eu, tentando veemente proteger-nos daqueles vermes que diziam ser meus pais, nós vivíamos de nosso jeito, sendo somente nós, Alice e Jasper. Nunca tentei nada de diferente, porque era como eu tinha dito, seriamos sempre meu campeão e eu, vivendo como pai e filho, amando-nos e sendo felizes de nosso jeito, pois eu garantiria que ele sempre estivesse a salvo e feliz, era meu lema e sempre foi, desde que eu olhei-o pela primeira vez e apaixonei-me no mesmo instante. Minha regra da vida era viver para ele e por ele.

Eu acho que estou grávida, Edward.

Sempre foi assim. Até que naquele dia, junto com minha irmã desgovernada e meu filho correndo para todos os lados, eu a conheci. Jamais vou conseguir verbalizar e decifrar todas as coisas que eu senti quando coloquei meus olhos sobre Isabella pela primeira vez. Nunca saberei explicar o jeito que ela mexeu comigo durante todo o maldito mês. De maneira alguma, vou identificar todos meus sentimentos pela mulher enfezada que foi até meu escritório para levar um terno, enfrentando-me da maneira que ninguém havia feito, de cabeça erguida e olhos ferozes. Não posso dizer como me senti quando corri atrás dela, chamando-a para jantar e insistindo cada vez mais nisso. Como explicarei a maneira que meu coração bateu quando meus olhos caíram sobre Isabella completamente arrumada, descendo as escadas de seu prédio para ir encontrar-me? Não existe um jeito de eu dizer todos os sentimentos que assolaram-me durante aquele jantar, quando fiquei ainda mais caído pela menina mulher, explicando-a porque eu comportava-me daquele modo frio, sempre tendo sua completa atenção, seus olhos interligados aos meus a todo instante. E o final da noite, quando pude vê-la mudar sua compostura ao meu lado, abaixando sua guarda após ouvir todas as minhas palavras durante o jantar, olhando-me de um jeito apaixonante, chamando-me cada vez mais para perto de si. Levei-a para meu apartamento, disse-lhe sobre Andrew e ao som de uma música que compus, beijei-a contra a parede da minha sala de estar, provando pela primeira vez o sabor dos lábios que me tentariam pelo resto dos meus dias. Como poderei decifrar e colocar para fora toda a felicidade que essa mulher proporcionou-me e todo o amor que ela fez-me sentir? Não há modo de explicar tudo isso, não posso dizer para ela ou para qualquer outra pessoa, é impossível conseguir esclarecer meus sentimentos, porque meu amor é inexplicável. Eu a amo demais, mais do que a mim mesmo, e com todas as forças que eu sou capaz de possuir.

Foi essa mulher quem trouxe-me toda a verdade. Após tanto tempo culpando-me por Anthony e Elizabeth, e perguntando-me como eu podia ser filho daqueles canalhas, Isabella trouxe-me para a luz, mostrando-me uma nova esperança. Foi ela quem desvendou sobre Esme e Carlisle serem meus pais, ela juntou todas as peças e os trouxe para mim, completando o buraco que havia em meu coração. Mais do que nunca, eu senti-me completo e com uma verdadeira família ao meu lado, e isso somente aconteceu porque eu a tinha comigo, enfrentando as coisas ao meu lado.

Eu acho que estou grávida, Edward.

Nós enfrentamos tantas coisas desde que começamos a nos relacionar, e em nenhum momento ela fraquejou, por mais que eu lhe pedisse, ela não saía do meu lado de forma alguma. Nunca vi uma pessoa com tanta força e personalidade como Isabella. É a única mulher que podia ser escolhida para fazer parte da minha vida para sempre, porque somente ela conseguiu dar-me mais razões de continuar em frente. Ninguém, além dela, teria a capacidade de ficar ao meu lado em todos aqueles momentos de angústias, sendo mais forte do que qualquer outro, cuidando de todos, por mais que quisesse desabar em sua dor.

Eu pensava que minha felicidade estava completa ao ter toda a minha família ao meu lado, juntamente com a mulher que eu amava, vendo-a ser feliz comigo. Em minha visão, tudo estava perfeito e não tinha outra forma para que isso melhorasse, pois, nossas felicidades estavam completas, afinal tínhamos uns aos outros, e não havia outros obstáculos para que tivéssemos que enfrentar. Tudo parecia completo e realizado. Nós éramos felizes, como eu sempre desejei.

Eu acho que estou grávida, Edward.

Isabella ajudou-me em tudo e passou por todas as dores ao meu lado, fazendo com que eu sentisse-me amado, mais do que nunca. Ela mudou tudo e eu pensei que não tinha outra coisa que ela pudesse fazer, porque estávamos juntos e com toda a felicidade do mundo sobre nós. Mas eis que me engano, porque Bella pode fazer de tudo, inclusive surpreender-me de uma forma completamente inesperada e da melhor forma do mundo. Ela, mais uma vez, estava dando-me o melhor presente que eu nem sabia precisar. O primeiro era amar-me, e agora, era dar-me mais um filho.

— Você... você... – Gaguejei, olhando em seus olhos, e vendo-a sobressaltar-se contra minhas mãos que estavam em sua volta. Seus bonitos olhos arregalaram-se em minha direção e podia perceber que ela havia chorado mais, por causa de meus minutos letárgico. Mas o que eu poderia fazer? Somente aquela frase despertou-me os mais intensos sentimentos e lembranças. Puxei mais ar para dentro de mim, tentando concentrar-me. – Bella. – Minhas mãos trêmulas foram para seu maravilhoso rosto de porcelana. Funguei, notando que por todo esse tempo eu também havia chorado. – Meu Deus. – Aproximei-me mais dela, deslizando sobre o banco da lanchonete. – Você disse... disse grávida? – Encostei nossas testas, olhando em seus olhos a todo o momento, captando o medo e uma felicidade que ela tentava esconder. Merda, ela desesperou-se por causa da minha demora em responde-la, conseguia captar isso.

— Sim. – Bella forçou as três letras, porém a palavra não saiu mais do que um sussurro. Fechei meus olhos por alguns segundos, respirando fundo outra vez. – Para mim é mais uma certeza, do que suspeita. – Disse devagar, chamando a minha atenção. Franzi o cenho e olhei-a. – Eu sinto coisas diferentes faz algum tempo. – Deu de ombros. – Eu não sei, parece que meu corpo está diferente e agora todos esses sintomas vieram com força total nessa semana. – Seus olhos brilharam ao ficarem com lágrimas nas bordas. – Estou... eu... – Mexeu sua cabeça depressa, fazendo-me segurá-la, mantendo seu rosto contra o meu e forçando-a a olhar-me.

— Como você pode fazer tudo isso comigo, Bella? – Seu cenho franziu-se, conforme seus olhos brilhosos continuavam interligados nos meus. – Em tão pouco tempo, você mudou toda a minha vida, de uma maneira que eu nem havia percebido. Agora, após você soltar essa frase, tudo estralou em minha mente, carregando-me para todos os momentos que eu passei ao seu lado. Levando-me a perceber que desde a primeira vez, meus sentimentos por você estavam ali, foi amor à primeira vista, querida, agora eu percebo isso. Eu sempre fui um cara carrancudo, você mesmo conheceu meu lado babaca. – Ela riu, deixando duas lágrimas caírem em seu rosto. – Mas olhe onde estamos, amor. Eu não acreditava em muitas coisas, antes de te conhecer, mas agora eu vejo a força do destino, porque é a única explicação para que eu tenha conhecido uma mulher tão incrível como você. – Suspirei. – Nunca entrei nas lojas de roupas que levava Alice, porque eu sabia o quão estressante minha irmã é quando encontra seu playground. – Revirei meus olhos, vendo o delicioso sorriso aparecer nos lábios de Bella. – Mas então, naquele dia, Andrew estava conosco, a primeira vez que eu saía junto com ele, porque antes morria de medo que aqueles crápulas tivessem conhecimento dele. – Continuei explicando. – E justamente nesse dia, quando várias coisas aconteceram pela primeira vez, eu te conheci, mas linda do que qualquer outra mulher que eu tenha conhecido em toda a minha vida. – Um pequeno sorriso brincou em seus lábios, fazendo-me retribui-la. – E então você atormentou-me por um mês inteiro, estando sempre em meus pensamentos, mexendo comigo completamente. Eu sabia que tinha alguma coisa diferente nisso tudo, jamais alguém tinha ficado em minha mente, e apesar de eu ter achado você deliciosa demais, não seria somente isso que me faria sentir coisas inexplicáveis. – Rimos juntos e eu escorreguei minhas mãos até as suas que estavam sobre seu colo. Ainda olhando em seus olhos, entrelacei nossos dedos e apertei-os, sentindo sua mão quente contra a minha e toda aquela eletricidade invadir-nos, como sempre. – Desde o dia da loja, você mudou-me, fazendo isso aos poucos. – Sussurrei, sorrindo para ela. – Você fez e até hoje faz-me o homem mais feliz do mundo, somente por estar ao meu lado, aceitando tudo o que eu sou, até meus piores defeitos. – Sentia apertar nossas mãos, fazendo-me sorrir mais. – Eu te amo, porém não posso explicar as dimensões desse amor, ainda mais agora que você deu-me uma das melhores notícias de toda a minha vida.

— Eu te amo. – Sussurrou com um sorriso, fazendo-me suspirar.

Beijei delicadamente a ponta de seu nariz arrebitado e desci minha boca por sua bochecha, espalhando beijos por sua pele quente, enquanto tirava as lágrimas dali. Finalmente, cheguei em seus lábios quentes, beijando-a com fervor e tirando-lhe o ar, enquanto tentava demostrar o quanto ela era importante para mim, o quanto eu a amava.

Senti seus dedos soltarem-se dos meus, subindo por meus braços até chegar ao meu pescoço, fazendo-a enrolar seus braços e puxar-me para mais perto, aumentando a pressão de nosso beijo. Mordisquei seu lábio inferior e em seguida o superior, abrindo meus olhos e vendo-a encarar-me com as grandes orbes achocolatadas.

— Nós vamos ter mais um filho. – Falei baixinho contra sua boca, experimentando as palavras e meus batimentos cardíacos, que pareciam aumentar por causa da perspectiva de um aumento em nossa família. Olhei atentamente para minha namorada e ela sorriu para mim, assentindo devagar. – Um bebê. – Minha mão desceu até seu estômago plano, porém pressionei a palma no local, imaginando como será daqui alguns meses. – Bella. – Sorri feliz, olhando em seus olhos. – Eu não posso explicar o tamanho da felicidade que eu estou sentindo.

— Aos poucos eu vou tendo mais certeza, Edward. – Sua mão desceu e cobriu a minha, apertando-as juntas sobre sua barriga. – Eu suspeitava, porém conforme os dias passaram-se, a certeza caía mais sobre mim e apavora-me. – Sussurrou, olhando-me nos olhos. – Eu... eu estava com medo de sua reação. – Soltou uma risada sem humor, dando de ombros. – Sim, foi idiotice, mas qualquer pessoa assusta-se ao pensar em uma gravidez repentina. Você é a melhor pessoa do mundo, e o melhor pai também, é claro que ficaria feliz com a notícia. – Rolou os olhos. – Mas eu fiquei com medo e muito, por isso não te disse nada. – Respirou fundo. – Porém, hoje quando perguntou-me e ficou assustado com minhas reações, eu tive que te contar, não conseguia mais suportar essa angústia, guardando as coisas só para mim. – Colocou sua mão livre sobre minha bochecha, fazendo-me sorrir e virar meu rosto, beijando sua palma. – Eu marquei uma consulta, para três horas. – Franzi o cenho. – Eu sei, escondi isso também. – Fez uma careta. – Mas eu daria um jeito de ir até lá para fazer os exames, e então contaria tudo somente quando eu tivesse certeza sobre estar grávida ou não.

— Eu vou com você. – Anunciei e ela riu, inclinando-se e dando-me um beijo demorado nos lábios.

— Eu sei que vai. – Olhou-me com seus grandes olhos. – É só uma confirmação, porque uma mulher sabe quando seu corpo muda drasticamente. – Riu. – E sem contar, as inúmeras vezes que fizemos sexo em proteção, nas primeiras vezes. – Sorri maliciosamente e movi minhas sobrancelhas sugestivamente, ganhando um soco no braço. – Edward!

— O que foi? Você só está colocando lembranças em minha mente. – Pisquei e ela rolou os olhos, suspirando.

— Eu sei que estou grávida, sinto isso. – Ouvi-la falando com tanta convicção só fez-me sorrir mais e sentir toda minha felicidade aumentar com isso. Era indescritível o que eu sentia. – Confesso que meu medo baixou, porque você disse-me tantas coisas maravilhosas e deu-me a completa certeza que sempre estará ao meu lado. – Voltei com minha concentração para Bella, ouvindo-a atentamente. – Só que eu ainda estou aterrorizada demais, Edward. – Seus olhos baixaram-se por alguns instantes. – Ainda sou tão jovem e uma gravidez repentina fará com que eu mude todos os planos que eu tinha.

— Você está mal com isso? – Olhei-a preocupado e ela riu, erguendo seus olhos para mim.

— Eu estou tão feliz quanto você. – Acariciou meu rosto. – Confesso que é completamente fora de hora, e também admito o quanto as coisas mudarão, entretanto eu não posso dizer que fiquei mal. – Sorriu lindamente, fazendo-me espelhar-me nela, sorrindo em sua direção. – Estou tão feliz, que nem sei como descrever esse sentimento, amor. Pensei que eu não queria isso nesse momento, mas esperar um filho de você é a melhor coisa que poderia estar acontecendo. – Beijou meu queixo. – É algo a mais para completar a nossa vida.

— Sei exatamente como se sente. – Sorrimos e eu a abracei com força, puxando seu corpo para perto do meu, dando-me a chance de apertá-la contra mim. – Eu te amo demais, obrigado por toda essa felicidade que está oferecendo-me.

— É meu prazer fazê-lo feliz. – Beijou meu pescoço, descansando sua cabeça contra meu ombro. – Também te amo, Edward, mais do que possa imaginar. – Sorri e encostei minha cabeça em seu pescoço, beijando sua pele e apertando-a em nosso abraço, sentindo toda a satisfação preencher-me. Nossa família cresceria e eu jamais saberia explicar toda a felicidade que eu estava sentindo por isso.

Ainda abraçando a mulher da minha vida, levantei meus olhos até o pequeno parquinho que tinha dentro do cercado na lanchonete. Busquei meu garoto imperativo e sorri ainda mais ao encontra-lo rindo animadamente enquanto encaixava algumas peças de quebra-cabeça, junto com alguns meninos e meninas, conversando alegremente com eles.

Depois de tanto tempo, eu poderia realizar o maior desejo de Andrew. Pensei que nunca conseguiria dar-lhe uma grande família, porque acreditava veemente que não poderia apaixonar-me, porque nenhuma mulher aguentaria tudo o que eu sofri e todas as coisas que teríamos que enfrentar, porém enganei-me erroneamente durante tanto tempo, pois tudo era uma questão de esperar. Na hora certa eu conheci a mulher perfeita, a pessoa com quem eu passaria o resto de meus dias, com quem eu teria mais filhos, e com certeza, a mulher que eu escolheria para ser a minha esposa.

Eu era totalmente contra as baboseiras de destino e tudo o mais, só que agora eu vejo o quanto errei ao pensar nisso. Foi desta maneira que eu segui em frente, indo por todos os caminhos que eu escolhi percorrer, porque dessa forma eu cheguei até a mulher que eu amo. Agora, com tudo em seu lugar, poderei ter uma coisa que neguei ao meu filho e a mim mesmo durante tanto tempo, afinal eu não acreditava que um dia poderia ser tão feliz dessa maneira, tendo tantas pessoas especiais ao meu redor, mas finalmente cheguei até a pessoa que faria tudo em minha vida mudar. Bella e eu construiríamos uma família grande e feliz, assim como Andrew esperou e sonhou por tantos anos.

[...]

— O que falou para seus pais? – Minha namorada perguntou, assim que eu estacionei em frente a clínica que ela havia marcado sua consulta.

— Apenas disse que precisava de um momento a sós com minha namorada totalmente deliciosa. – Apertei sua coxa nua e ri ao vê-la arregalar seus bonitos olhos. – Tudo bem, excluí o totalmente deliciosa da frase. – Pisquei e ela revirou os olhos, acertando-me um tapa nas costas. – Ei!

— Você praticamente disse que deixamos nosso filho com eles, para fazermos sexo durante toda a tarde. – Bufou, soltando seu cinto. – Não sabe escolher palavras certas para se dizer, Edward! – Disse indignada, olhando-me com uma sobrancelha arqueada. – Seu babaca!

— Ei, ei. – Segurei-a pelo braço, assim que percebi sua movimentação para ir abrir a porta. Bella parou e eu respirei fundo, soltando meu cinto. – Olhe para mim. – Ela continuou virada para a janela, soltando-se de meu aperto para cruzar seus braços. – Amor, por favor. – Vi-a engolir em seco e movimentar-se devagar no banco, virando-se em minha direção aos poucos. Esperei pacientemente ela olhar-me, e assim que seu rosto ergueu-se e seus olhos encontraram-se com os meus, eu suspirei ao tocar sua bochecha. –Não precisa ficar brava, eles não irão pensar nada disso. – Acariciei sua bochecha, vendo-a suspirar. – Você é quem está tirando coisas de onde não existe! – Seus olhos caíram para seu colo e eu fechei meus olhos, puxando o ar para dentro de meus pulmões. – Querida, é sério, se acalme, por favor.

— Me desculpe. – Sua voz embargada soou e eu franzi meu cenho, ouvindo-a fungar. – Eu... eu... – Deslizei minha mão para seu queixo e ergui seu rosto, praguejando baixinho ao ver algumas lágrimas caírem. – Merda! Eu sou uma idiota, me desculpe, desculpe. – Bella jogou-se em meus braços, suspirando baixinho quando eu apertei meus braços ao seu redor. – Só estou nervosa com tudo, Edward, perdoe-me. Por favor, não fique zangado comigo.

— Ei, está tudo bem, querida. – Beijei seu cabelo, ouvindo-a soluçar. – Não precisa chorar, eu não fiquei bravo com isso. – Afastei-a delicadamente, o suficiente para que eu olhasse em seu rosto. – Diga-me por que está assim. – Sequei as lágrimas que saíram, vendo-a tremer seus lábios.

— Estou apavorada. – Sussurrou.

— Pensei que tivéssemos passado dessa parte, Bella. – Terminei de tirar os vestígios de choro de seu rosto. – Você disse-me que estava feliz com a gravidez. – Engoli em seco. – Você por acaso mudou...

— Não, não, claro que não! – Ela segurou meu rosto e eu soltei o ar que nem percebi segurar, assentindo em sua direção. Por um momento fiquei com medo de que tudo o que falamos na lanchonete tenha ido embora de sua mente. – É que eu tenho tanta certeza de que estou grávida, eu sinto isso. – Falou, seus olhos encarando-me com pavor. – Estamos tão felizes, amor, mas... mas agora eu me pergunto: E se eu não estiver grávida? – Ela respirou fundo. – O que faremos?

— Nós iremos treinar, até que engravide. – Pisquei em sua direção, movimentando minha mão por seu rosto. As sobrancelhas que ela tinha erguido de medo abaixarem-se até a altura normal, e uma risada baixa escapou de seus lábios, enquanto ela olhava-me com paixão. – Não fique pensando nisso, Bella, tudo bem? – Ela assentiu devagar, inspirando e expirando o ar. – Você está sentindo que está esperando um filho, mas se não estiver, não perderemos a esperança, você poderá engravidar outra hora. – Expliquei-lhe, sorrindo para acalmá-la. Eu confesso que também estava com medo de ela estar enganada, porém eram os riscos, não eram? – Qualquer coisa, eu não a deixo sair de nosso quarto até que um serzinho fique em seu ventre. – Pisquei e ela sorriu, abraçando-me.

— Obrigada por ser tão incrível! – Espalhou beijos por todo o meu rosto. – Qualquer um já teria enlouquecido comigo. – Separou-se de mim, bufando alto. Sorri ao ver sua franja levantar-se com o ar que escapou de sua boca. – Nem quero imaginar.

— Nem imagine, querida, porque nenhum outro poderia ter o prazer de estar ao seu lado. – Beijei rapidamente seus lábios. – Agora vamos, está quase na hora da sua consulta. – Avisei, assim que chequei a hora em meu relógio de pulso. Bella assentiu e já iria sair do carro, porém segurei sua mão, fazendo-a virar-se para mim com o cenho franzido. – Não importa o resultado que der, amor, nós estaremos juntos sobre qualquer coisa. – Um lindo sorriso formou-se em sua boca e ela inclinou-se até mim, beijando-me demoradamente. Abracei-a contra mim e experimentei mais uma vez o sabor de seus lábios, aproveitando.

— Você é perfeito. – Sussurrou ao separar-se de mim e eu sorri, roubando-lhe mais um selinho.

Puxei a chave da ignição e abri a minha porta, saindo do veículo. Rapidamente dei a volta e abri a porta para a Bella, esticando minha mão em sua direção. Minha namorada sorriu deliciosamente para mim e com minha ajuda saiu do carro, ficando na ponta dos pés e deixando um beijo em meu maxilar, enquanto eu travava o carro.

Entrelacei nossos dedos e juntos caminhamos até a entrada da clínica, passando pela porta giratória. Assim que estávamos no corredor do local, visualizamos várias mulheres sentadas na recepção, algumas estavam acompanhadas e outras não. Havia grávidas com barrigas enormes e umas que estavam com a mão na barriga plana, olhando em volta, como se esperasse sua vez de estar daquele jeito.

Olhei para minha namorada e ela parou de olhar para as outras pessoas, encarando-me no mesmo instante, dirigindo-me um maravilhoso sorriso. Beijei sua testa e automaticamente minha mão foi para sua barriga, suspirando ao imaginar o pequeno ser que poderia estar ali. Um fruto de nosso amor.

— Boa tarde, em que posso ajuda-los? – Uma voz doce chamou-nos a atenção e eu virei para a mulher que estava atrás de uma grande bancada de mármore. Uma senhora encarava-nos com um grande sorriso no rosto e senti minha namorada agarrar a minha mão e puxar-me até perto da recepcionista.

— Olá, temos uma consulta marcada para as quinze horas. – Bella respondeu alegremente, fazendo-me rir baixinho por toda sua animação. – É com a Doutora Sue. – Deu-lhe a informação.

— Claro. Só dê-me um minuto para verificar. – Ela sorriu e voltou com sua atenção para o computador em sua frente, digitando rapidamente algumas coisas. – Hmm, Isabella Cullen? – Levantou os olhos e eu arqueei uma sobrancelha, olhando rapidamente para Bella. Minha namorada que olhava-me, desviou rapidamente seu olhar e ouvi-a pigarrear, assentindo rapidamente para a senhora que nos atendia. – Seja bem-vinda, querida, Dra. Sue a atenderá em poucos minutos, queira aguardar sentada, caso sinta-se mais confortável. – Ela sorriu educadamente. – Avisarei que está aqui. – Pegou uma prancheta e caminhou pelo longo corredor, indo até a terceira porta, dando algumas batidas e entrando em seguida.

— Quero sentar-me. – Bella avisou, soltando rapidamente minha mão. A observei caminhar rapidamente até uma cadeira vazia e ajeitar-se em seu lugar, cruzando as pernas e ajeitando a barra de sua saia, olhando atentamente para o pedaço de pano.

Revirei meus olhos por seu comportamento e sorri, caminhando até seu lado e sentando-me na cadeira. Peguei sua mão que mexia freneticamente na sua saia e segurei-a contra a minha, trazendo até meus lábios e dando um beijo nas costas, enquanto entrelaçava nossos dedos.

— Quer contar-me sobre isso? – Levantei uma sobrancelha e Bella pigarreou outra vez, erguendo seus olhos devagar até mim. A vi morder seus lábios e sorrir minimamente em minha direção, piscando seus olhos e respirando fundo.

— Eu pensei que viria sozinha até aqui. – Deu de ombros e voltou a olhar para o pano azul que vestia. Apertei sua mão e ela respirou fundo. – Tudo bem, queria testar seu sobrenome com o meu. – Admitiu, olhando-me envergonhada. – Mas como eu tinha dito, pensei que viria sozinha e não que você estaria junto para fazer com que eu ficasse morrendo de vergonha por causa disso. – Bufou e novamente sua franja levantou-se por causa do gesto, fazendo-me rir. Bella arqueou uma sobrancelha e eu virei-me de lado na cadeira, aproximando-me o máximo que podia dela.

— Você fala como se eu estivesse recriminando você por causa disso. – Ela olhou-me atentamente e eu inclinei-me, dando-lhe um selinho. – Pensei que você tinha me pedido em casamento, no início da semana. – Pisquei e minha namorada riu baixinho, olhando nossas mãos unidas que estavam sobre meu colo.

— Na verdade você pediu-me na semana passada, quando falou indiretamente que Andrew entraria com as alianças em nosso casamento. – Segurou minha gravata, enrolando-a em seu pulso. Ela olhou-me sobre os cílios, mordendo seu lábio inferior. – Daí com isso eu fiquei completamente assustada com todas as mudanças, subi correndo para nosso quarto e chorei por causa de toda a felicidade que eu estava sentindo. Ou seja, você ficou sem resposta. – Piscou e eu sorri, revirando meus olhos. – Nessa segunda-feira, quando eu dei-me conta de como queria casar com você, eu só retomei o assunto, dizendo isso quando estávamos na loja, e isso foi minha aceitação ao pedido de uma semana atrás. – Deu de ombros, incrementando sua resposta. Ri e balancei a cabeça, dando-lhe um demorado beijo na testa.

— Nem pense, Isabella, você me pediu em casamento. E como um cara esperto, eu te beijei, demonstrando que eu aceitava.

— Claro que não! – Bufou. – Quem começou o assunto sobre casamento foi você, na semana passada. – Cutucou meu peito. – Ou seja, quem fez o pedido foi você! – Como ainda estava com minha gravata enrolada em seu pulso, Bella deu um puxão e fez com que eu abaixasse-me, ficando com meu rosto de frente para o seu. – Admita, Sr. Cullen, você fez o pedido. – Sorriu abertamente e eu ri, beliscando seu queixo com minha mão livre.

— Admita você, Sra. Cullen. – Pisquei, gostando demais de como meu sobrenome soava assim, sendo que pertenceria a Bella também. Isabella Cullen. Puta merda, com certeza essa era a coisa certa.

— Quem precisa admitir algo é você. – Levantou uma sobrancelha. Revirei meus olhos e ela riu, aproximando-se mais e deixando nossos lábios roçarem. – Admito uma única coisa, Sr. Cullen, ouvi-lo chamar-me de Sra. Cullen foi mais excitante do que eu imaginava. – Piscou e sufoquei meu gemido quando a senti mordiscar meu lábio inferior, puxando-o entre seus dentes. – O pedido de casamento foi seu. – Sussurrou, assim que soltou meu lábio. Lambi meus lábios e sorri ao ver seus olhos descerem até aquele ponto.

— Lamento discutir, querida, mas você está errada. O pedido foi totalmente seu. – Ouvi-a bufar e sorri mais. Antes que pudéssemos continuar discutindo sobre isso, ouvi passos apressados aproximando-se de nós.

— Senhor e Senhora Cullen, a Doutora Sue irá atendê-los. – Levantei meu olhar e a senhora sorriu educadamente. – Desculpe a demora, estávamos ajeitando a sala para a coleta de sangue.

— Tudo bem. – Respondi-a, ficando de pé. Estiquei minha mão para Bella e ajudei-a a se levantar.

— Me acompanhem. – Ela pediu e caminhou em nossa frente. Com as mãos juntas, Bella e eu a seguimos, mas olhei confuso para minha namorada ao vê-la suspirar alto demais.

— Odeio tirar sangue. – Murmurou desgostosa.

— Você tem medo, querida? – Soltei uma gargalhada e ela grunhiu, acertando-me um soco no braço. – Bella! – Olhei-a indignado e ela somente sorriu.

— A agulha entrando em mim doerá mais do que isso, querido. – Levantou uma sobrancelha de forma petulante.

— Podem entrar. – A recepcionista parou em frente a porta que marcava “Dra. Sue”.

— Obrigada. – Bella sorriu para a senhora e eu abri a porta do consultório, puxando a minha namorada comigo. Assim que encostei a porta, viramos para o outro lado da sala e uma mulher mulata e com traços indígenas ficou de pé atrás de uma mesa de vidro, abrindo um sorriso em nossa direção.

— Sejam bem-vindos, queridos, por favor, fiquem à vontade. – Apontou para as cadeiras e fomos até lá, sentando lado a lado e ficando de frente para a médica. Ela sentou-se em seu lugar e pegou uma caneta, olhando-nos. – Bem, vocês devem suspeitar de uma gravidez para marcarem uma consulta por aqui, então irei fazer algumas perguntas, apenas para ver se devemos seguir em frente para o teste Beta HCG. Tudo bem? – Bella e eu assentimos. – Então... Sra. Cullen. – Ela olhou na prancheta, observando o nome. – Conte-me sobre o que está sentindo nas últimas semanas.

— Hmm... vejamos. – Minha namorada franziu o cenho, suspirando. – Ultimamente venho sentindo um cansaço ao extremo, sempre estou com sono e durmo muito mais do que antigamente. – A doutora assentiu, anotando algumas coisas na ficha de Bella. – E também estou sem apetite. Na verdade, é confuso. – Soltou um longo suspiro. – Tem horas que odeio até pensar em comida, mas de uma hora para a outra quero comer tudo o que tiver por perto. E então vem o vômito, porque sempre acabo comendo de forma exagerada, pois a fome vem em dobro. – Fez uma careta e eu repeti o gesto, odiando-me por não ter prestado atenção em tudo isso. Porém, Bella também deve ter se escondido muito bem, afinal odeia que eu fique preocupado. – Existe também enjoos matinais e são terríveis! – Respirou fundo. – Eu já acordo sentindo-me pesada, querendo correr para o banheiro. – Bufou, fazendo sua franja movimentar-se. Estava começando a gostar daquele gesto. – Acho que é isso. – Finalizou, olhando brevemente para mim e em seguida, para a Doutora que sorria. – Algo errado?

— São os típicos sintomas. – Deu um click na caneta, deixando-a de lado e cruzando suas mãos sobre a mesa. – Parece-me certamente a gravidez, mas vamos fazer o exame para termos total certeza, as vezes os sintomas confundem e também podem variar de mulher para mulher. – Explicou. Assenti para ela e ouvi um suspiro alto, o que me fez olhar atentamente para minha namorada.

Bella olhava para seu colo, brincando outra vez com a saia, mas conforme ela movimentava os ombros, poderia adivinhar o que estava acontecendo. Virei a cadeira giratória e segurei em seu queixo, e ela ergueu o rosto, olhando-me com os olhos cheios de lágrimas.

— Amor? – Franzi o cenho, passando um dedo abaixo de seus olhos, impedindo que as lágrimas caíssem.

— E se for um erro? – Engoliu em seco. – E se eu tiver me enganado sobre estar grávida? – Fungou.

— Amor, já conversamos sobre isso no carro. – Beijei sua testa e ela assentiu. Suspirei e soltei uma risada, virando-me para a médica que olhava-nos atentamente com um sorriso. – Bem, Doutora, acho que deveria anotar as mudanças terríveis de humor. – Brinquei e ela riu.

— Certamente vou. – Pegou sua caneta, anotando na sua lista. Senti um soco em meu braço e arqueei uma sobrancelha para Bella, vendo-a sorrir minimamente.

— Desculpe-me. – Piscou e eu revirei meus olhos.

— Vamos para a sala aqui do lado, iremos realizar os procedimentos para o teste. – Dra. Sue ficou de pé e Bella e eu a seguimos. Senti minha namorada agarrar minha mão e apertá-la com força, enquanto respirava fundo. – Algum problema? – A médica parou em frente a porta que havia em sua sala.

— Um pequeno pavor de agulhas. – Bella fez a quantidade com seus dedos e eu beijei sua testa.

— Vou estar com você. – Ela sorriu e assentiu, suspirando. Tomei a frente e a puxei comigo, seguindo a Doutora.

Entramos na sala acoplada e ela pediu para Bella sentar-se na cadeira determinada, enquanto a mesma colocava suas luvas. Sentei-me no lugar do acompanhante e dirigi um sorriso em direção de Bella, vendo-a retribuir-se e respirar fundo algumas vezes.

A coleta de sangue demorou um pouco, porém assim que minha Bella sentiu-se livre de sua pequena tortura, vi que ela conseguiu respirar melhor. Sorri para ela e juntos fomos para a recepção aguardar o resultado sair, a Doutora disse que demorava em torno de duas horas, então resolvemos esperar por aqui mesmo. Ainda mais que minha namorada parecia ainda mais nervosa do que antes.

— Vai ficar tudo bem, amor, não precisa ficar assim. – Abracei-a de lado, puxando-a o máximo que conseguia, por causa do separador das cadeiras. Ela suspirou e assentiu, deitando sua cabeça em meu ombro, abraçando-me de volta.

— Eu sei que tentou acalmar-me, querido, e eu confio plenamente que ficaremos bem caso o resultado não saia como esperávamos. – Ela beijou minha pele. – É que estou tão ansiosa. – Levantou a cabeça, sorrindo para mim. – Sem contar na felicidade que estou sentido, só em pensar que posso estar carregando um filho nosso. – Pelo canto de olho pude vê-la abaixar sua mão até a barriga e sorri, beijando sua testa. – Eu realmente sinto que nosso bebê está aqui, mas estou morrendo de medo por eu poder estar enganada.

— Você não está. – Alisei suas costas, suspirando. – Confio no que sente, Bella. – Ela voltou a brincar com minha gravata. – E não esqueça, você nem pode pensar em morrer de medo, precisamos ir para o casamento no qual você fez o pedido. – Provoquei-a, para ver se conseguia a distrair. Bella gargalhou com vontade e olhou-me com petulância, arqueando uma sobrancelha.

— Não comece, querido, sabe que quem fez o pedido foi você. – Piscou. – E você ainda admitirá isso. – Mandou-me um beijo pelo ar.

— Acredito que não, afinal você disse com toda a clareza do mundo que queria casar comigo, e sim, eu aceitei. – Ouvi-a bufar e sorri. – Que bom que se calou, porque já sabe, não é? Quem cala, consente.

— Babaca. – Ri e belisquei seu braço direito, ouvindo-a guinchar. – Edward! – Olhou-me irritada e dessa vez eu quem mandei um beijo pelo ar.

— Isso foi pelo xingamento. – Ela resmungou algo inaudível e eu sorri. Antes que eu dissesse alguma coisa, senti meu celular vibrar contra o bolso da minha calça social.

Franzi o cenho e puxei o aparelho, sorrindo ao ver o número de minha mãe piscar na tela. Eu apostava que Andrew estava com vontade de conversar conosco.

— Quem é? – Bella questionou confusa.

— Eu aposto em Andrew. – Deslizei meu dedo pela tela do celular, atendendo a chamada enquanto levava o celular até o ouvido. – Alô?

— Oi, meu amor. — Sorri ao ouvir a voz doce da minha mãe.

— Mãe. Fico feliz que tenha ligado, porém não faz muito tempo que saímos de seu apartamento. – Comentei. – Aconteceu alguma coisa?

— Se com alguma coisa você quer dizer que seu filho quer sua atenção, então sim, aconteceu. — Brincou e eu sorri, ouvindo ao fundo a voz de Andrew, Carlisle e Emmett.

— Bingo. – Pisquei para Bella e ela riu, deitando sua cabeça em meu ombro novamente. – Emmett não está conseguindo entretê-lo hoje? – Questionei para minha mãe e ouvi sua risada melodiosa.

— Infelizmente, não. — Soltou um suspiro dramático. — Fico tão triste que meu neto não queira ficar aqui em casa. — Ri com seu teatro e ouvi a voz de Andrew aumentar.

— Não fica triste não, vovó, eu só sinto falta do papai e da mamãe. — Meu Deus, eu juro que não sabia como poderia amar Andrew ainda mais. O garoto era incrível.

— Pode passar para ele, mãe, sei como distraí-lo. – Pedi e continuei massageando as costas da minha namorada, ouvindo-a suspirar com o carinho. – Eu a verei mais tarde, quando for buscar Andrew. Te amo.

— Também te amo, filho. — Sorri idiotamente ao ouvir isso, ainda era recente meu encontro com meus pais e nossa demonstração de afeto, estávamos recuperando todos os trinta anos perdidos. Mas algo me diz que sempre seriamos assim, amorosos um com o outro. Não tinha como ser diferente, eu tinha os pais mais incríveis do mundo.

— Papai! — Recuperei-me de meu estado letárgico e meu sorriso enorme foi automático ao ouvir aquela voz animada como sempre. Adorava isso em meu filho, toda a sua alegria contagiante.

— Ei, campeão. – Cumprimentei. Ouvi a respiração de Bella ficar mais suave e franzi o cenho, olhando para seu rosto. Não foi surpresa nenhuma ao vê-la com seus olhos fechados enquanto ressonava tranquilamente. Sorri e beijei seu rosto devagar, continuando com o carinho em suas costas. – Sabe. – Voltei a concentrar-me em Andrew. – Eu fiquei sabendo sobre um certo garotinho que estava sentindo a falta de seus pais. – Comentei e ouvi a risada maravilhosa de meu filho.

— Sou eu, pai! — Gritou. — Eu amo demais ficar com meus avós e o palhaço do tio Emmett. — Ri baixinho ao ouvir uma reclamação de meu irmão. – Porém sinto falta dos meus pais que amo tanto, ainda mais que a mamãe está meio para baixo. — Olhei para a citada e sorri, mal via a hora de termos os resultados e para assim podermos contar tudo para Andrew, ele ficaria extasiado de alegria ao saber das novas notícias. — A mãe está bem, pai?

— Ela está sim, campeão, só precisa descansar um pouco. – Omiti algumas coisas, porém não menti totalmente, afinal descanso seria a prioridade dela. – Sinto por deixa-lo sem nós hoje, mas foi preciso, eu tive que trazer a mamãe para um lugar... especial. – Expliquei-lhe.

— Especial? — Questionou confuso. — Especial, como? Tipo... hmm... um SPA? — Sorri com sua tentativa.

— Isso mesmo, querido, como um SPA. É um pouco diferente dos tradicionais, mas assim que voltarmos, Bella estará incrível e sorridente novamente. – Prometi e o ouvi guinchar animado.

— Incrível! Fico feliz, papai, porque estava sentindo falta de toda a alegria da mamãe. Adoro que esteja cuidado direitinho dela, é assim que homens apaixonados fazem. — Balancei a cabeça, sorrindo ainda mais. Andrew tinha toda sua esperteza com sete anos de idade apenas, nem queria ver como seria quando ele estivesse mais velho.

— É exatamente isso, campeão, homens apaixonados cuidam das mulheres que amam. – Repeti sua frase, soltando um suspiro. – Mas me conta, como está indo a tarde com seus avós?

— Muito bom! Eles estão planejando uma coisa bombástica, segundo as palavras de tio Emmett. — Franzi meu cenho confuso com a informação, mas antes que eu pudesse questionar meu filho, ouvi a voz de meu pai:

— Andrew, venha aqui! Quero mostrar alguns jogos novos para você.

— Já vou, vovô. — Ouvi-o responder. — Eu preciso ir, papai, o vovô Carlisle está com alguns videogames incríveis por aqui, eu realmente preciso testá-los! — Ri com sua frase e concordei.

— Está certo, vá divertir-se. – Suspirei, sentindo Bella movimentar-se um pouco contra mim. – Mande um beijo para seus avós e seu tio, daqui a algumas horas a mamãe e eu estaremos indo te buscar, tudo bem?

— Tudo bem, pai, cuide bem dela, ouviu? — Soltei uma risada baixa com seu tom ameaçador.

— Vou cuidar sim, Andrew, te amo.

— Também amo você muitão, papai, fale isso para a mamãe também, porque a amo demais. — Ouvi um suspiro e sorri vendo Bella encarar-me com os olhos bem abertos, sorrindo.

— Falarei. – Bella movimentou seus lábios. – E ela também disse que o ama muitão. – Ouvi sua risada baixa do outro lado da linha.

— Beijos, papai. — Alguns chiados sucederam-se e em seguida a chamada foi encerrada. Bloqueei o celular e guardei-o no bolso, abraçando mais minha namorada.

— Cochilou por uns bons dez minutos. – Beijei sua testa e ela riu.

— É. Foi por pouco, mas valeu muito para uma pessoa esgotada como eu. – Separou-se um pouco de mim e espreguiçou-se, bocejando. – E para de olhar para o relógio, assim demorará mais para a hora passar. – Resmungou e voltou a deitar contra mim. – Tem certeza que foram somente dez minutos? – Olhou-me angustiada e eu sorri, assentindo.

— Agora vai passar rápido, vamos distrair um ao outro. – Ela arqueou sua sobrancelha.

— Vamos? – Assenti. – E como?

Mandei-lhe uma piscadela e em seguida inclinei-me contra seu corpo, colando meus lábios nos seus, devorando sua boca.

Era um ótimo jeito de passar-se uma hora e cinquenta minutos.

[...]

— Eu vou atrás da Doutora, Edward, isso é inaceitável! – Bella ficou de pé e eu a segui, segurando-a contra mim, ouvindo seus resmungos. – Já se passaram duas horas e cinco minutos. Cinco minutos! – Repetiu, olhando-me com os grandes olhos castanhos. – Estou cada vez mais agoniada com esse resultado. – Soltou um muxoxo, deitando seu rosto contra meu peito.

— Eu sei que sim, amor, mas tente se acalmar. – Esfreguei suas costas ao sentir seus braços ficarem ao meu redor. – Daqui a pouco ela virá nos chamar, é só aguardar mais um pouco. – Deixei um beijo em seu cabelo.

— Só mais cinco minutos, porque eu irei atrás dela se passar disso. – Grunhiu contra meu terno e eu ri apertando-a contra mim. – Não ria, Edward! – Bufou, dando um tapa em minhas costas.

— Eu espero que esse mal humor diminuía com o tempo. – Resmunguei baixinho, porém levei outro tapa por isso. – Bella, pare de agredir o homem que vou pediu em casamento!

— Eu não pedi nada! – Retrucou e eu sorri contra seu cabelo, escondendo meu rosto nos fios castanhos. – Pare de ser um babaca, Edward Cullen, porque quem fez algum pedido foi você! – Iríamos longe com essa discussão, já previa isso.

— Isabella Cullen. – Erguemos nossos rostos ao ouvir ao chamado. A Dra. Sue estava na entrada da recepção, segurando uma prancheta em suas mãos. Assim que a olhamos, ela sorriu. – O resultado de seu exame está pronto e lacrado em minha sala, quer descobrir o que deu?

— Oh, meu Deus, claro que eu quero. – Soltou-se de mim e segurei em sua mão. – Edward. – Seus olhos encararam-me temerosos, mas eu apenas abri um sorriso e beijei delicadamente seus lábios, acariciando seu rosto com minha outra mão.

— Seja o que for, estaremos juntos nisso, amor. – Ela engoliu em seco, concordando com a cabeça. – Caso der negativo, tentaremos outra vez. – Belisquei seus lábios contra meus dedos, fazendo-a sorrir um pouco. – Isso, continue sorrindo, é assim que eu gosto de vê-la.

— Você é o melhor homem do mundo. – Apertou nossos dedos unidos. – Vamos lá.

Seguimos em direção a Doutora Sue e ela dirigiu-nos um sorriso de conforto, caminhando para a sua sala, fazendo com que nós a seguíssemos. Entramos no ambiente novamente e Bella e eu fomos para o lugar que ocupávamos há algumas horas, vendo um grande envelope sobre a mesa de vidro, e no lacre dizia Isabella Cullen.

Eu posso ter um sorriso um pouco orgulhoso com isso. Soava perfeitamente perfeito, como diria Andrew. Bella era minha e eu faria isso ser oficial.

— Estão prontos? – A Doutora chamou a nossa atenção, sentando em seu lugar. Assentimentos e ela suspirou. – Sei que possam estar nervosos, compreendo totalmente isso, mas como eu vi desde a primeira vez que entraram aqui, vocês possuem suporte um no outro e isso é muito admirável em casais, pois é completamente raro. – Dirigiu-nos um sorriso. – Querem que eu abra ou vocês preferem fazer isso?

— Bella? – Perguntei e ela balançou a cabeça, concentrando-se em respirar fundo. – Pode abrir, Doutora.

— Tudo bem. – Ela puxou o envelope e com cuidado o abriu, puxando alguns papéis de dentro. Com toda a calma do mundo, a Doutora começou a ler as coisas que estavam escritas. Ela já demorava demais, e eu podia sentir todos meus batimentos aumentando em segundos por causa da ansiedade e nervosismo, eu queria mais do que tudo algo positivo, afinal, meu desejo era construir algo maior com a mulher que eu amava. – O valor de seu hCG está entre 25.700 e 288.000 mIU/ml. – Sorriu, olhando para nós.

— Mas... Deus, por favor, em nossa língua, Doutora! – Bella pediu, visivelmente alterada. – Eu realmente preciso saber o que está acontecendo. – Seus olhos estavam cheios de lágrimas e antes que eu tentasse deter, elas já deslizavam rapidamente pelo rosto de porcelana. – Por favor, diga-me. – Suplicou.

— Tudo bem, tudo bem, acalme-se, querida. – A Doutora pegou uma jarra de água que estava sobre sua mesa e encheu um dos copos que estava ali, esticando-o para Bella. – Isso fará mal ao seu bebê, não pode alterar-se muito. – Arregalei meus olhos e ouvi minha namorada soluçar, assim que a Dra. sorriu abertamente. – Sim, Sr. e Sra. Cullen, vocês serão papais. Está de dois meses e três semanas, Isabella, meus parabéns!

— Puta merda! – Guinchei e agarrei o corpo de Bella, puxando-a para mim com força, — Um bebê, amor, um bebê. – Repeti, tentando acreditar que era real. Fechei meus olhos ao sentir as lágrimas caírem e escondi meu rosto no pescoço da minha namorada, sentindo toda a emoção preencher-me naquele instante. Ouvi-a soluçando enquanto agarrava-me cada vez mais apertado, sussurrando palavras inteligíveis.

Tentei respirar fundo para me acalmar, mas era impossível, eu seria pai novamente!

Nem dava para descrever toda a emoção que eu estava sentindo no momento, nem havia certeza de alguma coisa a mais do que toda aquela felicidade que eu sentia. A única coisa que eu sabia, era que novamente aqueles pensamentos que eu tive na lanchonete, estavam voltando com força total para minha mente. Era como eu tinha dito, Bella era a causadora de tudo, é por ela que eu sigo sempre em frente, eu a tenho para mim, sempre ao meu lado, amando-me do jeito que eu a amo. É somente disso que eu preciso para continuar firme.

— Eu te amo. – Bella sussurrou, afastando-se para olhar em meu rosto. Abri meus olhos e segurei seu rosto entre minhas mãos, sorrindo para ela e vendo-a retribuir-me. – Te amo demais, Edward, obrigada por estar proporcionando-me uma vida feliz e maravilhosa ao seu lado. – Ergueu uma mão, acariciando meu rosto. – Você é a minha vida. – Declarou.

— Assim como você é a minha, Bella. – Encostei nossas testas, dando-lhe um selinho demorado. – Eu também te amo, tanto que nem posso explicar a intensidade. – Sussurrei contra sua boca. – Obrigado por ser essa mulher incrível, você tornou tudo isso possível quando não desistiu de mim. – Sorrimos um para o outro e voltamos a nos abraçar, sussurrando juras de amor entre nós.

Eu não acreditava em muitas coisas, mas o destino mudou isso no dia em que eu conheci Isabella, a minha futura Sra. Cullen. Talvez um propósito sempre exista e eu tenha cumprido o meu, porque agora não havia explicação para tanta felicidade e alegria em uma pessoa só. Era impossível descrever todos os sentimentos que estavam em mim, mas definitivamente estávamos encaixando todas as peças, agora não havia mais nada que poderia quebrar esse vínculo existente entre Bella e eu. Seriamos sempre nós e nossa família, porque ela deu-me algo para acreditar, ela mudou toda a minha vida, fez com que tudo fosse incrivelmente incrível.

“Continua...”

Notas finais
N/A (Cintia Cullen): Gente, espero muito que tenham gostado do capítulo e se emocionado também, porque esse era o propósito de hoje. U.U Escutei diversas músicas tristes no dia, estava preparando-me para escrever um capítulo emocionante para vocês, e como sempre, tentando ao máximo fazê-los sentir a intensidade dos sentimentos presentes na escrita. Torço para que meu objetivo tenha sido alcançado, contem-me, por favor, é importante para mim saber disso. Não me canso de agradecer a todo o carinho disponibilizado por vocês, sério, e também não paro de dizer que são os melhores leitores que uma escritora poderia ter. De verdade, fico feliz e emocionada com tudo o que me escrevem, é sempre intenso e cheio de carinho, sem contar as diversas vezes que me diverti ao ler um comentário espontâneo e alegre. Obrigada, sem vocês nada seria possível. ♥ Estou indo agora, desejo a todos vocês uma incrível semana. Tudo de bom, meus leitores maravilhosos. :3