Never It's Late.
32 A mais perfeita felicidade.
Notas iniciais
A mais perfeita felicidade.
Pov Bella.
Felicidade.
Havia uma explicação mais intensa para um sentimento parecido com esse? Se sim, eu realmente não conhecia. Falar que eu estava feliz parecia um eufemismo, se comparado a todos os sentimentos que me assolavam nesse momento. Na verdade, felicidade parecia uma palavra pequena para explicar tudo o que eu sentia desde que conheci Edward Cullen. Como eu poderia verbalizar meus sentimentos relacionados a ele? Eu pensava odiá-lo a princípio, tanto que queria fugir o mais rápido possível dele e apagar qualquer lembrança que eu tinha da primeira vez que eu o vi. Nada tinha me preparado para conhecer Edward. Eu praticamente era uma pessoa sem esperança de uma vida extraordinária, afinal, depois de tudo o que passei na minha vida, não tinha como eu esperar grande coisa para vivenciar. O tempo passou mais depressa do que eu pude perceber e então eu o vi, e desde aquele momento que ele entrou na loja, não consegui tirar minha mente e meu coração dele, jamais pude esquecê-lo, por mais que eu ainda não o conhecia. Somente sua presença mexeu completamente comigo e depois disso, tudo girou rapidamente, como se levasse-me para outro lugar.
Passamos por tantas coisas juntos e em nenhum momento eu pensei em desistir dele, e muito menos da família que construímos. Vê-lo erguer-se a cada dia e enfrentar todos seus terríveis problemas só fazia-me amá-lo e admirá-lo ainda mais. Nunca poderia compreender como ele conseguiu sobreviver todos esses anos passando pelas mais horrendas coisas com os malditos que diziam ser seus pais, porém ver que ele conseguiu confrontar todos seus medos e estar nesse momento comigo, sentindo-se livre de qualquer remorso, só garantia-me que escolhê-lo foi a coisa mais certa que eu fiz em toda a minha vida. Passamos por dias apavorantes, mas não me arrependia de ter encarado isso ao lado do homem da minha vida, afinal, tudo aquilo me fortaleceu e também fortaleceu nosso relacionamento, deixando-nos inabaláveis.
Mesmo sem percebermos, nós fomos construindo algo cada vez maior. Edward e eu não notamos quando o tempo passou, porque a cada dia nós vivenciávamos como se fosse o último, e depois dos dias pavorosos, isso intensificou-se ainda mais, pois notamos o quanto a vida é frágil. A felicidade reinou em nossas vidas assim que enfrentamos tudo o que precisávamos enfrentar, nossa família estava completa e todos estavam à salvos, e nada poderia tirar o alívio e a alegria que nós sentíamos ao ficarmos completamente seguros novamente.
E é assim que eu volto a minha pergunta inicial: A palavra felicidade era o suficiente para descrever tudo isso que me completava agora? Como somente ela poderia descrever a mais completa alegria e êxtase que eu sentia após descobrir que amo ainda mais o homem da minha vida? De que maneira uma palavra descreveria o quanto estou amando ter um serzinho crescendo aos poucos dentro de mim? Não há como dizer todos os sentimentos ou como relatar suas proporções. É completamente indescritível o que sinto agora.
Eu serei mãe. Outra vez. Um bebê meu e de Edward crescia dentro de mim nesse momento e eu ainda não encontrava uma palavra verdadeira para descrever isso. Estava mais do que feliz e realizada, nossa família parecia fortalecer-se a cada segundo, porém lá no fundo, um pequeno medo era construído, afinal, eu seria mãe de primeira viagem de um bebê. Sei que realizei minha tarefa de cuidar de Andrew muito bem, mas não podemos negar que era mais fácil cuidar de um garoto de seis para sete anos, sem contar que meu primeiro filho era um amor de pessoa, seria difícil que ele fosse uma criança terrível. Meu pequeno sempre facilitou a minha vida e é como um sonho ser mãe dele, nunca imaginei que isso aconteceria comigo, mas amar Andrew era mais fácil do que respirar, e aceita-lo como meu filho não era nada árduo, somente algo espetacular para ser acrescentado em minha vida extraordinária.
Apesar de todo o medo, que era visivelmente compreensível, ainda não era possível detalhar a alegria que me invadia.
Desde que saímos daquele consultório, eu estava pensando em tudo o que aconteceu-me nos últimos meses. Tudo o que estava acontecendo agora. Edward e eu apenas estávamos aumentando mais o que já estava perfeito, estávamos construindo algo a mais. Nada preparou-me para isso, e eu sei que havia dito para meu namorado que novos filhos agora não seria possível, porque tinha começado minha faculdade e ainda tinha apenas dezenove anos, porém essas palavras não faziam mais sentido desde que tive a total certeza de que eu serei mãe novamente. Era cedo? Sim. Eu estava com medo? Apavorada, para ser sincera. Mas aconteceu e eu realmente amo a forma que eu me sentia ao saber da gravidez. Estava tão feliz e realizada que nem sabia como tantos sentimentos bons cabiam em mim.
— Tudo bem, amor? – Sobressaltei-me no banco, assim que ouvi a voz de Edward soar no carro. Respirei fundo para acalmar-me e em seguida senti uma mão cobrir a minha que estava sobre minha barriga, fazendo-me olhar para meu namorado que acabara de frear o carro, estacionando-o na frente do prédio em que seus pais moravam agora. Ele sorriu para mim e engoli em seco, retribuindo o maravilhoso sorriso que ele tinha. – Parece tão pensativa. – Comentou e eu suspirei, entrelaçando seus dedos nos meus, deixando nossas mãos unidas sobre meu estômago plano.
— Estava pensando sobre tudo. – Respondi-lhe, olhando em seus olhos. – Como o tempo passou rápido, não é? – Soltei uma risada baixa e ele retribuiu, assentindo. Puxei meu ar e mordi meu lábio inferior, olhando para onde nossas mãos pressionavam, deixando um pequeno sorriso surgir em meus lábios. Eu estava morrendo de medo sobre tudo, mas a minha alegria e amor pelos mais novos acontecimentos não deixavam esse medo sobressaltar-se, afinal a felicidade, mesmo que uma palavra eufêmica, era o mais incrível sentimento que assolava-me. – Isso não assusta você? – Perguntei em um sussurro, sentindo meu coração martelar rapidamente contra meu peito. Sabia o quanto Edward ficou maravilhado em saber que seria pai novamente, mas eu não havia perguntado exatamente como ele sentia-se. – Está tudo passando rápido demais, porém nem sei como explicar para você como amo o jeito que tudo está acontecendo. – Senti meus olhos marejarem e funguei, sentindo uma mão sua subir até meu rosto, acariciando minha bochecha. – Eu estou em êxtase, amor, nem sei a melhor forma de descrever minha alegria perante aos novos acontecimentos. – Suspirei longamente. – Mas eu estou apavorada com o desconhecido, Edward. – Ergui meus olhos até os seus, olhando profundamente nas orbes verdes que tanto amava. Sorri um pouco, fungando para tentar deter meu choro que se aproximava cada vez mais. – Você não sente isso?
— Sinto, querida. – Seu dedão enxugou a lágrima que acabara de deslizar. Ele soltou seu cinto e aproximou-se de mim, encostando sua testa na minha. – Eu também tenho medo. – Sussurrou próximo aos meus lábios, deixando seus olhos interligados aos meus. – Sei que pareço confiante diante de tudo, Bella, mas eu também temo tudo o que enfrentaremos nessa nova etapa de nossas vidas. Nunca se sabe o que pode acontecer. O medo do desconhecido sempre estará em nós, porque é a nossa natureza, ter medo do que está por vir. – Ele suspirou e eu fechei meus olhos, apertando-os para não voltar a chorar. Minha cota de choro parecia estar esgotada, mas agora era felicidade que eu sentia ao chorar, não era por sufocos ou angústia, eu só estava feliz. – Mas vamos vivenciar o agora, amor, pare de pensar em tudo o que acontecerá. – Senti um beijo em meus lábios. – Ei. Abre os olhos, olhe para mim. – Fiz o que ele pediu e mastiguei meu lábio inferior, mergulhando na intensidade verde que eram seus olhos. Edward sorriu em minha direção, inclinando seus lábios para o lado esquerdo, deixando o incrível sorriso torto aparecer em seu rosto. – Passamos por muitas coisas, sofremos no caminho e agora tememos o que está para acontecer, mas temos que viver o momento de agora, Bella. Vamos deixar essa felicidade sobressair-se. – Senti-o pressionar nossas mãos juntas em minha barriga, fazendo-me sorrir automaticamente em sua direção. – Nosso bebê está completamente saudável e em poucos meses o teremos conosco, é nisso que devemos pensar. Temos que nos ater na alegria que nossa família sentirá ao saber da novidade, no quanto você e eu estamos felizes ao descobrirmos que seremos pais de novo. – Edward moveu seus dedos em meu rosto, sorrindo maravilhosamente para mim. – Nós seremos pais. – Repetiu, soltando uma risada baixa, fazendo-me imitá-lo. – Eu nem posso acreditar direito. – Olhou-me profundamente e apaixonei-me um pouco mais ao ver todo o amor estampado no mar esverdeado de seu olhar.
— Nós seremos pais. – Repeti sua frase, rindo com ele, vendo o brilho incrível em seus olhos. Sorrimos um para o outro e eu soltei meu cinto, inclinando-me em sua direção para abraça-lo. Apertei-o contra mim e suspirei ao sentir seus braços envolverem-me com força. Seus lábios desceram para meu pescoço e sorri ao senti-lo depositar um beijo em minha pele, suspirando alto. – Eu te amo. – Sussurrei e o senti sorrir, beijando outra vez meu pescoço. – Você é a pessoa mais incrível que existe, Edward. – Fechei meus olhos, aproveitando tudo o que eu sentia por ele, a mistura de sentimentos assolando-me a cada instante, porém eu estava acostumando-me com isso, sempre seria dessa maneira quando eu estivesse com Edward. Era algo dele e meu. O jeito que sentíamos quando estávamos juntos era extraordinário e não podíamos explicar, porém nos comunicávamos pelos olhares, nossos gestos já diziam tudo.
— Também amo você, Bella, muito. – Separou-se devagar de mim, fazendo-me abrir os olhos. Encontrei-o sorrindo de forma perfeita e inclinei-me, roubando-lhe um beijo rápido. – Vamos buscar Andrew, ele deve estar mais elétrico do que o normal por nossa demora. – Ri assentindo e afastei-me de Edward, puxando o trinco da porta do carro. Abri-a, porém antes que eu saísse do veículo, senti meu namorado segurar meu braço. – Podemos contar da gravidez outro dia? – Franzi o cenho, olhando-o completamente confusa. – Eu pensei em dizer para todos na mesma hora. Vamos contar para Andrew, obviamente ele nos encherá de perguntas assim que nos encontrar. Eu só queria esperar por Alice, para dizermos para a família inteira. – Sorriu um pouco e eu soltei uma risada, beliscando seu queixo.
— É claro que esperaremos por sua irmã, amor. – Pisquei. – Vamos pensar em alguma coisa para reunir todos, assim poderemos dar a notícia. – Ele sorriu e guardei meu suspiro para mim, ainda era difícil não me deslumbrar por seus gestos. – Agora vamos até nosso filho, sinto que ele está mais do que ansioso. E não posso negar, estou morrendo de saudade dele, só quero pegá-lo no colo e enchê-lo de beijos. – Edward soltou uma risada e puxou a chave da ignição, retirando-se do carro e dando a volta nele, parando em minha frente logo em seguida, afinal minha porta já estava aberta. Sorri para sua forma cavalheira e peguei em sua mão estendida, retirando-me do veículo.
Meu namorado ativou o alarme assim que fechou a porta e em seguida entrelaçou nossos dedos, caminhando comigo para dentro do bonito prédio em que Esme e Carlisle moravam agora. Eles não haviam se mudado completamente, mas assim que deixamos Andrew com eles mais cedo, ambos disseram que passariam o final de semana no apartamento, testando-o. Eu achava que eles já estavam definitivamente morando ali, afinal tudo era mobiliado e apenas faltavam suas roupas, porém quem era eu para discutir com a lógica de meus sogros?
— Falaremos com Andrew assim que chegarmos em casa. – Edward comentou, assim que paramos em frente ao elevador. Apertei o botão e felizmente a caixa de metal estava no saguão, então entramos e Edward digitou a senha que dava para a cobertura de seus pais. De repente, o que Andrew acharia sobre isso atingiu-me em cheio. Eu estava tão feliz e desesperada pelas coisas que aconteceriam assim, que nem passou-me pela cabeça o que meu filho acharia de ter um irmãozinho. Eu realmente não pensei sobre a forma que ele reagiria a isso. – Ele estará curioso antes disso, mas podemos fazê-lo aguentar. – Piscou em minha direção quando as portas fecharam-se, soltando uma risada. Puxei o ar devagar para meus pulmões e quando Edward percebeu que eu tinha ficado em silêncio, ele franziu o cenho e olhou-me curiosamente, virando-me de frente para ele. – O que foi, amor? Mudou de expressou de repente.
— Eu não pensei em Andrew! – Ergui meus braços, ficando desesperada de novo. Esfreguei meu rosto e respirei com dificuldade, olhando com os olhos marejados para meu namorado. Odiava essa minha mudança de humor repentina, porém era impossível controlar isso. – Quer dizer, pensei sim, fiquei feliz por saber que nossa família aumentaria e que teríamos Andrew para compartilhar toda essa alegria conosco. – Olhei nos olhos de Edward, sentindo os meus derramarem todas as lágrimas possíveis. Edward arregalou seus olhos e segurou meu rosto com ambas as mãos, enxugando-o rapidamente. – Mas, que exemplo de mãe eu sou? Sequer imaginei a reação dele diante de tudo isso! – Resmunguei, chorando mais do que antes. Oh, Deus, sentia meu peito apertar fortemente por causa de minha negligência. – Edward. – Abracei-o com força, chorando contra seu peito. – Eu não pensei na reação dele, só concluí que ele seria feliz. – Choraminguei.
— Calma, amor, shiuu... – Ele esfregou minhas costas, dando-me um beijo em meu cabelo. – Não precisa se martirizar por isso, Bella, tinha tantas coisas em sua cabeça e você automaticamente pensou que nosso filho ficaria feliz, assim como nós estamos. E você estava certa em pensar isso, tenha certeza. – Respirei fundo, acalmando-me aos poucos. Engoli em seco e Edward afastou-me de seus braços, sorrindo ao acariciar meu rosto e secar as lágrimas. – Andrew sempre quis uma família grande. – Confessou, soltando um longo suspiro. Abri minha boca em choque e Edward apertou os lábios em uma linha fina, assentindo devagar em minha direção. – Eu nunca te contei, mas o sonho dele era formar uma família. – Continuei olhando-o curiosamente, suspirando ao notar seu olhar distante. – Andrew contou-me isso há alguns anos, dizendo-me que queria demais que eu arranjasse uma mulher maravilhosa para torna-la minha esposa. – Riu, balançando a cabeça, como se estivesse voltado no tempo. Sorri e encostei meu dedo em seu rosto, massageando-o. Seus olhos voltaram para os meus. – Seu maior desejo era me ver feliz. E junto desse pacote, ele queria irmãos, até chorou quando me pediu isso. – Engoliu em seco, encostando sua testa na minha, fechando seus olhos. – Eu pensei que nunca realizaria esse sonho dele. Acreditava que eu não era feito para amar. – Riu amargurado. – Mas, olhe onde estamos agora. – Seus olhos abriram-se devagar e eu enrolei meus braços em seu pescoço, sentindo todo aquele pavor de segundos evaporar-se, era como se eu nem tivesse o sentido.
— Você é o melhor homem e o melhor pai do mundo, amor. – Fiquei na ponta dos pés, tendo completo alcance de seu rosto. Mesmo que eu usasse salto, ainda ficava mais baixa do que Edward. – E é claro que você foi feito para amar e ser amado, é a pessoa mais perfeita que eu conheço. – Sussurrei contra seus lábios, vendo-o sorrir minimamente. – Só você é capaz de realizar os sonhos de todos ao seu redor, Edward. Nunca conheci alguém que se esforçasse tanto para dar o que as pessoas desejam. E você deu-me o que eu nem imaginava querer. – Beijei o canto de sua boca, suspirando. – Uma família. – Ele sorriu brilhantemente e abraçou-me, fazendo com que eu deitasse meu rosto contra seu peito. Aspirei o cheiro amadeirado e sedutor de seu perfume, sorrindo enquanto o sentia apertar-me contra seu corpo.
— Ah, o casal do ano chegou! – A voz grossa e animada de Emmett soou alto, fazendo-me rir baixinho. Separei-me devagar de Edward, olhando para frente e vendo o namorado de minha amiga com uma enorme tigela na mão, pegando o alimento de dentro com uma colher, mastigando alegremente.
Eu soltei uma risadinha para seu jeito completamente adorável e entrei no apartamento, puxando Edward comigo. Emmett apenas sorriu e deu de ombros, continuando sua refeição. Antes que Edward ou eu pudéssemos comentar algo, um vulto alegre veio em nossa direção, começando a saltitar em nossa frente. Meus olhos desceram para a criatura alegre e um sorriso espontâneo abriu-se em meus lábios, assim que focalizei a imagem de Andrew, vendo-o rir animadamente, tendo consigo um urso enorme entre os braços.
— Mamãe, você está alegre novamente! – Gritou com toda a felicidade. Ri com sua inocência e funguei, soltando devagar a mão de meu namorado. Caminhei até estar mais próxima de meu pequeno e ajoelhei-me em sua frente, sorrindo ainda mais quando ele largou seu urso e jogou-se contra mim, apertando seus pequenos braços em minha volta. – Papai prometeu que a traria feliz novamente! – Riu animado. – Nem posso expressar como você fica linda assim, mãe. Esse incrível sorriso no rosto só a deixa mais Bella. – Afastou o rosto de meu pescoço, mandando-me uma piscadela por causa do trocadilho com meu nome. Oh, meu Deus, esse garoto seria meu fim com tanta doçura. Apertei-o com mais força e o balancei em meus braços, enchendo-o de beijos. Passei meus lábios por todo o seu rosto, ouvindo, com gosto, sua gargalhada gostosa soar pelo ambiente.
— Estava morrendo de saudade dessa sua doçura e alegria contagiante, pequeno. – Rimos juntos e eu parei de balança-lo, mas ainda o mantinha perto de mim. – Desculpe deixa-lo preocupado, mas o papai e a mamãe precisavam... hmm resolver algo? – Soou como uma pergunta e vi a pequena sobrancelha de Andrew arquear-se.
— A mamãe está perguntando-me? – Mordi meu lábio e ergui minha cabeça, procurando por Edward. O observei abraçado à Esme, conversando com ela e com seu pai, tendo Emmett ao lado deles. – Mãe? – Voltei com minha atenção para Andrew e o percebi semicerrar seus olhos. – Vocês foram em um SPA completamente incrível? – Abriu um sorriso maior ainda e eu segurei um suspiro, assentindo devagar em sua direção, ouvindo-o soltar uma risada animada. – Perfeito! – Segurou meu rosto entre suas mãos. – Eu quero saber de tudo o que aconteceu! Preciso avaliar o lugar, mas se eu estou vendo minha mãe sorrir de forma tão incrível, com certeza é bom. – Piscou e eu sorri, beijando seu rosto.
— Amo demais você, querido. – Sussurrei, sentindo-o abraçar-me novamente. Fechei meus olhos por alguns segundos, aproveitando todo o carinho de Andrew, sentindo suas mãos acariciarem, de forma delicada, meu cabelo. Suspirei e apertei-o contra mim, deixando um sorriso tomar conta de meu rosto. Eu já tinha um filho perfeito e tenho certeza que o que estava por vir também seria assim, afinal, ele ou ela, teria a influência de um perfeito irmão mais velho.
— Te amo, mamãe. Muito, muito, muito. – Sussurrou de volta, dando um beijo em meu rosto a cada vez que repetia. Beijei os fios de seu cabelo e o segurei com cuidado, esforçando-me para levantar do chão. Assim que coloquei-me de pé, ajeitei Andrew em meu colo e ele sorria de forma linda para mim. Pisquei para ele e caminhei até a roda que Esme, Carlisle, Emmett e Edward formaram enquanto conversavam animadamente.
Assim que nos aproximamos, os quatro pares de olhos vieram em nossa direção e eu sorri para eles. Edward veio mais perto e Andrew jogou-se para ele, assim que o mesmo esticou seus braços em nossa direção. Sorri vendo-o apertar nosso filho e balança-lo em seus braços, da mesma forma que eu tinha feito quando o vi.
— Bella! – Minha atenção foi para Esme e caminhei rapidamente até ela, sentindo-a abraçar-me. Deus, o abraço materno de Esme era tão reconfortante. – Oh, querida, que bom que subiu, mais cedo não quis vir, senti falta de vê-la. – Afastei-me o suficiente para olhar em seu rosto e sorri, sendo retribuída.
— Desculpe-me, mas pensar em subir até essa altura, mais cedo, não pareceu-me muito seguro para meu estômago. – Fiz uma careta e ela soltou uma risadinha discreta, suspirando.
— Seu grave medo de alturas. – Dei de ombros e revirei meus olhos quando a estrondosa gargalhada foi ouvida.
— Bela Adormecida, quem diria que uma jovem de dezenove anos, madura pra cara... – Virei-me para trás quando Emmett interrompeu-se e sorri ao vê-lo dirigir um olhar para Andrew. O garoto não prestava muita atenção em nós, já que sorria animado ao ouvir Edward e Carlisle conversando com ele. – ... madura demais, teria medo de altura. – Pigarreou, reformulando sua frase. – Por que eu não sabia disso? – Franziu o cenho, olhando para Esme.
— Porque você ficaria rindo de mim, da mesma forma que está fazendo agora. – Acusei-o e ele sorriu abertamente, caminhando até sua mãe e eu, puxando-me dos braços dela. Senti seu braço pesado circular meus ombros, enquanto o vazio ainda segurava a tigela que agora eu percebia conter cereal com leite.
— Eu só comporto-me como seu irmão mais velho, querida, é meu dever ficar rindo de você, assim como faço com o ruivinho ali. – Apontou com o queixo para Edward e esse arqueou uma sobrancelha para nós, como se perguntasse o que falávamos dele. – Meu trabalho é encher o saco de vocês. – Estralou um beijo molhado em minha bochecha, arrancando uma risada minha.
— Claro, claro. – Ele gargalhou e novamente eu fui puxada, só que dessa vez para os braços paternos mais confortáveis de todo o mundo. – Oi, Carlisle. – Aconcheguei-me contra ele, deitando meu rosto em seu peito. O senti sorrir contra minha testa, depositando um beijo em minha pele.
— Você parece tão disposta a receber abraços hoje, querida. – Aninhou-me, e eu sorri contra sua camiseta, dando de ombros. – Parece que meu filho está cuidando muito bem de você, está tão calminha nesse momento. – Emmett gargalhou quando entendeu o duplo sentido da frase e eu apenas fechei meus olhos, aconchegando-me no abraço que recebia. Era melhor não dar corda, porque Carlisle conseguia ser terrível as vezes.
— Pai. – Ouvi a voz de meu namorado repreendê-lo. O corpo de Carlisle chacoalhou quando ele riu, mas pouco importei-me, ele ainda apertava-me contra ele.
— Quem disse que foi malicioso? – Questionou retoricamente. – Só comentei. – O senti dar de ombros. – Nos dias anteriores Bella parecia tão irritada, muito diferente de agora. – Mordi meu lábio inferior, lembrando-me das constantes mudanças de meu humor nessas últimas semanas. Eu tentava não gritar com quem eu amava demais, porém tinha horas que eu simplesmente explodia.
— Ninguém notou seu tom malicioso, querido. – Ouvi a voz irônica de Esme e soltei uma risada, afastando-me um pouco do abraço de meu sogro. Já o considerava assim. Balancei a cabeça para tirar minha franja da testa e olhei o loiro com uma sobrancelha arqueada, vendo-o dar de ombros outra vez.
— Foi um comentário. – Piscou e eu revirei meus olhos, rindo ao afastar-me de seus braços.
— Eu não entendi. – A voz infantil soou e virei-me para Andrew, vendo-o olhar entre nós completamente confuso. Sorri para meu pequeno e caminhei até ele e Edward, pegando em sua mão vazia.
— Nem precisa preocupar-se com isso, amor, não é nada importante. – Inclinei-me, dando um beijo em sua bochecha. – Nossos familiares são um pouco malucos. – Pisquei divertida, ouvindo-o rir.
— Tudo bem. – Deu de ombros e Edward sorriu, ajeitando-o em seus braços. – Nós já vamos para nossa casa, mãe? – Eu ainda tentava acostumar-me com os pronomes possessivos que Edward, Andrew e eu usávamos. Agora eu sempre era incluída nas coisas, tendo-as como minhas também, e por Deus, isso era mais do que incrível.
— Daqui a pouco, amor. – Respondi-o, sentindo meu coração bater fortemente com alegria.
— Querida, acompanha-me até a cozinha? – Senti Esme pegar em minha mão, sorrindo para mim. – Quero mostrar-lhe algumas coisas e já que está com um humor ótimo, é bom fazermos isso agora. – Piscou divertida e todos riram, fazendo-me revirar os olhos. Eu merecia, sabia disso, tinha sido um pouco grossa nesses dias. A risada de Edward sobressaltou-se e eu olhei mortalmente para ele, fazendo-o pigarrear e engolir o riso.
— Ah, maninho, continua desse jeito e a noite não ganhará nada. – Emmett deu alguns tapas no ombro do ruivo e ele comprimiu os lábios, tentando não rir mais. Balancei a cabeça. – Mãe? – Meu cunhado nos interrompeu. – Pode trazer-me mais cereal? – Esticou a tigela com um sorrisão e Esme riu, pegando o objeto. – Você é incrível!
— Filhos. – Esme balançou a cabeça e começou a caminhar em direção a cozinha, sempre puxando-me pela mão. Eu olhava em volta a todo instante, apreciando a beleza do apartamento, afinal, não tinha subido mais cedo. Tinha que admitir, Edward e Emmett possuíam gostos maravilhosos, souberam escolher muito bem tudo. – Ótimo, estamos sozinhas. – Minha sogra parou abruptamente e eu sobressaltei-me, olhando confusa em sua direção. Estava tão distraída que nem notei quando chegamos na cozinha. Esme largou a tigela de Emmett sobre um balcão e então correu até a porta de correr, olhando rapidamente para fora até fechar-nos naquele ambiente.
— Hmm... – Olhei em volta, cruzando meus braços. – Está tudo bem, Esme? – Arqueei uma sobrancelha e ela suspirou, assentindo e caminhando até estar próxima de mim, pegando em minhas mãos. – Tem certeza? – Insisti e ela riu, balançando sua cabeça mais uma vez.
— Desculpe-me por parecer tão estranha, querida, mas eu preciso fazer isso rápido, seu namorado não larga de você por nenhum minuto. – Soltou uma risadinha e eu a teria seguido, se não estivesse tão curiosa com suas ações. Franzi meu cenho, ainda olhando-a ansiosamente. – Tudo bem, vou te dizer, já vejo a eterna confusão em seus olhos. – Sorriu carinhosamente. – Andrew quase deu com a língua nos dentes mais cedo, revelando para Edward que estávamos preparando algo bombástico. – Comentou, mas a minha confusão ainda não passava. Quando tinha sido isso? – Emmett inventou essa palavra enquanto planejávamos as organizações. Sem querer, eu deixei Andrew conversar sozinho com o pai, quando ele insistiu para que eu ligasse, tinha me esquecido que não existe segredos entre Edward e Andrew. – Rolou os olhos para si própria. Esme continuava a falar depressa, deixando-me a cada segundo mais confusa. Eu tentava acompanha-la, mas de repente minha visão ficou preta e eu tive que piscar repetidas vezes, concentrando-me para voltar ao normal. Apertei as mãos de Esme com mais força contra as minhas, apertando seus dedos e fazendo com que ela me olhasse confusa agora. Respirei fundo, chamando mais sua atenção. – Está tudo bem, querida?
— Estou ótima, Esme. – Encostei-me na bancada atrás de mim, suspirando e tentando controlar aquela pequena vertigem que atingiu-me de repente. Puxei o ar devagar para dentro de meus pulmões, fechando meus olhos por alguns segundos. Inspirei e expirei, sentindo tudo a minha volta parar de rodar. Reabri os olhos e focalizei uma Esme atônita em minha frente. Tentei sorrir um pouco, tirando sua atenção de meu pequeno mal-estar. – Só fiquei meio transtornada, Esme, desculpe-me. – Soltei um riso pelo nariz. – É que você falou tão depressa. – Cantarolei, sentindo-me bem quando consegui tirar uma risada dela. Isso significava que ela não tinha ficado tão atenta em meu enjoo. – Ainda não consigo acompanhar.
— Sinto tanto, Bella. – Suspirou. – É que eu fico nervosa, é difícil fazer as coisas longe de Edward. – Olhou para trás, como se pudesse vê-lo através das portas da cozinha. Ri com sua atitude, chamando sua atenção. – Você sabe que é verdade. – Arqueou uma sobrancelha e eu assenti. – E é complicado fazer Andrew ficar quieto perto do pai, ele é tão alegre que as palavras simplesmente saltam de sua boca. – Rimos juntos, quando ela fez uma careta. – Deus, ele parece uma mistura de Edward com Emmett. – Revirou os bonitos olhos verdes. – Enfim, não quero mais enrolar. – Respirou fundo. – Andrew pediu para que eu ligasse para Edward, há algumas horas. – Assenti, conseguindo acompanha-la agora. – E então ele quase revelou da festa surpresa para o pai. – Ergueu os braços, indignada. Eu riria de sua ação, porém paralisei quando a frase fez sentido em minha cabeça. – Sorte que Carlisle conseguiu desviar a atenção dele para o videogame, senão nossa organização estaria totalmente perdida. – Balançou a cabeça, fazendo os fios ruivos balançarem. Abri e fechei a boca repetidas vezes, olhando em choque para minha sogra, arregalando meus olhos aos poucos. Por Deus, estávamos na metade de Junho! E o casamento de Alice também passou.
Soltei as mãos da minha sogra e esfreguei meu rosto, puxando o ar com força, tentando não ter uma crise agora. Puta merda, eu esqueci-me que logo após o casamento de sua irmã, Edward comemoraria seus trinta anos de idade. Tantas coisas aconteceram e isso simplesmente desapareceu de minha mente, nem tinha ligado as datas. Para ser bem sincera, nem estava atenta ao mês que estávamos!
Oh, céus, eu sou uma mãe e uma namorada péssima! Primeiro, criei a reação de Andrew, acreditando veemente que ele ficaria feliz demais ao saber que um irmãozinho estava a caminho. Agora entendia que ele adoraria a notícia, afinal Edward era incrível e ajudou-me nisso. Ele, ao contrário de mim, era perfeitamente perfeito com tudo! Que droga, parecia que eu não estava fazendo nada certo! Esqueci do aniversário de meu namorado, por Deus! Eu era terrível, absolutamente terrível!
Grunhi contra as palmas de minhas mãos, balançando a cabeça e esfregando meu rosto mais uma vez, tentando manter a calma, por mais impossível que pudesse ser. Eu não poderia chorar na frente de Esme, ainda nem contamos a notícia e ela ficaria espantada com minha atitude. Oh, Deus, não podia ser péssima nesse quesito também, Edward começaria a odiar-me.
— Ei, querida, olhe para mim. – Senti as mãos delicadas de minha sogra sobre as minhas, enquanto as puxava de meu rosto. Abri meus olhos e engoli em seco, vendo um pequeno sorriso brincar em seu rosto. – Acalme-se, Bella, está tudo bem.
— Eu esqueci o aniversário dele. – Funguei alto, sentindo meus olhos começarem a marejar. Olhei para cima e pisquei rapidamente, afugentando as lágrimas de mim. – Que droga, não consigo lembrar de nada. – Lamentei-me. – Não sabia o aniversário de Andrew e agora esqueço o de meu namorado. Grande pessoa que eu sou. – Choraminguei e Esme riu baixinho, segurando em meu rosto e fazendo-me olhá-la.
— Foram tantas coisas acontecendo rapidamente, Bella, ninguém pode culpa-la por esquecer algo. – Respirei fundo outra vez. – E Edward jamais ficaria zangado com você, por Deus. – Revirou os olhos com a hipótese. – Ainda mais só por ter esquecido do aniversário dele. – Sorriu para mim. – Entende, querida? – Assenti devagar, suspirando baixinho. – Ótimo, pois quero vê-la calma, parecia a beira de um ataque há alguns segundos.
— Acho que eu estava. – Murmurei fracamente.
— Pois não fique. – Mordeu os lábios e desviou os olhos de mim. – Alice contou-me que Edward não gosta de comemorar o aniversário dele. – Disse em um sussurro. Franzi meu cenho e já perguntaria a razão disso, porém foi como um estralo em minha mente que as coisas fizeram sentido.
Tudo o que meu namorado passou fez-me compreender o porquê de ele não gostar de seus aniversários. Uma noite, Edward segredou-me que Elizabeth e Anthony diziam que ele nunca deveria ter nascido e que era apenas um gasto a mais para eles, e isso foi quando o ruivo tinha apenas oito anos de idade. Meu coração apertou-se com a lembrança de quanto Edward disse-me todas as coisas que aqueles vermes aprontaram para ele, no ano que Alice nasceu. As memórias do dia que ele buscou-me na faculdade, quando eu fui visita-la, acertou a minha mente em cheio. As lágrimas. A voz sofrida. Tudo. Ele nunca havia dito-me sobre sua aversão aos seus aniversários, entretanto era completamente plausível seu sentimento. Um garoto de oito anos, ouvir que é completamente indesejado, é um dor que eu nem queria imaginar, mas lá no fundo, poderia compreender. Edward sofreu tantas coisas e as cicatrizes ainda estavam abertas, podia sentir isso. Conseguimos vencer os fantasmas do passado dele, porém, as lembranças eram coisas que jamais iriam embora, por mais que quiséssemos.
— Ah, minha querida, não precisa chorar por isso. – Voltei a realidade, quando a voz de Esme preencheu meus ouvidos. Balancei a minha cabeça, saindo do turbilhão de memórias. Parecia que eu estava de volta naquele dia, ouvindo Edward contar-me tudo pela primeira vez. Foi o começo de meu amor por ele. Comecei a amá-lo quando notei o quão incrível ele era, sempre batalhando por sua vida, para superar suas dores. – Bella? – Pisquei, fungando ao notar a preocupação nos olhos de Esme, tão idênticos aos de Edward. – Está tudo bem?
— Sim, está. – Suspirei, secando meu rosto rapidamente. – Eu só comecei a recordar-me. – Dei-lhe um sorriso triste e ela assentiu, compreendendo-me. – Mas vamos mudar isso esse ano. – Ela franziu o cenho e eu terminei de secar meu rosto, sorrindo em sua direção. – Edward achava ser indesejado, Esme, por isso odiava comemorações de sua vinda ao mundo. – Suspirei pesadamente, mas sem tirar meu sorriso do rosto. – Só que esse ano vai ser diferente. – Pisquei, vendo o bonito sorriso voltar para seu rosto encantador. – Vamos mudar os pensamentos dele.
— Oh, obrigada! – Ela abraçou-me fortemente, fungando. Apertei meus braços ao seu redor, suspirando. – Fique a todo momento com o celular em mãos, Alice e eu estamos organizando tudo para uma festa surpresa no apartamento de vocês, e você terá que estar ciente de tudo. – Separou-se, voltando a tagarelar animadamente, fazendo-me rir ao notar sua animação. – Dia vinte já é domingo. – Suspirou pesadamente. – Precisaremos agilizar as coisas.
— Conte comigo e chame Rosalie para a baderna, ela é tão ótima quanto Alice para decorações, e aquelas duas farão a festa juntas. – Comentei.
— Já pedi para Emmett avisá-la. A ideia de festa surpresa veio de repente, eu só queria comemorar esse ano. – Sorriu abertamente. – Passei vinte e nove anos triste no dia vinte de junho, sempre lamentando-me e trancando-me sozinha em um quarto, nem Carlisle conseguia falar comigo. – Continuou a sorrir. – Mas tudo mudou e nossas vidas estão completas, então não precisamos de tristezas em um dia tão especial para todos. – Abracei-a novamente, sorrindo quando seus braços apertaram-se contra mim.
— Edward faz a diferença na vida de todos, Esme, principalmente na de vocês e na minha. – Suspirei sorridente. – Eu não seria nada sem ele. – Lembrei-me de nosso filho que crescia em meu ventre. Fechei meus olhos, sorrindo tanto que poderia rasgar meu rosto, mas era impossível conter-me. Mordi meu lábio, tendo a maravilhosa ideia de contar sobre a novidade no dia do aniversário de meu namorado, todos estariam reunidos e seria somente uma comemoração a mais no dia vinte de junho. Era o dia perfeito para dizer. – Será um dia inesquecível. – Falei de repente, ouvindo Esme suspirar alegremente.
— Com certeza, querida. – Afastou-se, deixando um beijo em minha bochecha. – E eu nunca te agradeci. – Olhei-a confusa e Esme sorriu lindamente, segurando em minhas mãos. – Você mudou tudo, Bella. Foi você quem cuidou de Edward, transformando-o no homem que é hoje. Eu já fiquei sabendo, por Alice, que meu filho foi uma pessoa difícil por anos, começou a melhorar quando Andrew entrou na vida dele e você foi quem terminou a transformação, ajudando-o a entrar nos caminhos corretos. – Sorri emocionada, vendo-o olhar-me de forma tão amorosa. – Foi você, Bella, foi você em tudo. – Repetiu. – Quem ligou as peças sobre Carlisle e eu sermos tão parecidos com Edward? – Engoli em seco, vendo seu lindo sorriso. – Quem nos levou ao nosso filho tirado de nós por quase trinta anos? – Piscou e seus olhos marejaram. – Você é uma pessoa incrível, Bella, e nunca poderei agradecê-la o suficiente por amar Edward de uma forma tão perfeita. – Tocou meu rosto. – Seus olhos demonstram um amor tão diferente e apaixonante, só fico feliz que esse sentimento seja por meu filho. – Suspirou. – Ninguém poderia amá-lo como você faz. Nenhuma pessoa suportaria lutar ao lado dele, como você fez. – Beijou meu rosto, fazendo-me fungar ao sentir meu coração acelerar-se com toda aquela demonstração de carinho por Esme. – Obrigada. – Sussurrou e eu balancei a cabeça, voltando a abraça-la. – Eu amo você, querida, sabe disso, não é? – Fechei meus olhos, assentindo rapidamente e segurando minhas lágrimas. – Ótimo. – Senti-a sorrir.
— Também te amo. – Sussurrei de volta, sentindo-me maravilhosa por verbalizar isso. Esme merecia todo o afeto do mundo, não só por causa das coisas pelas quais passou, mas sim por ser uma mulher tão maravilhosa e amorosa. – Você é incrível, Esme, e espero muito ser como você. Quero cuidar da minha família como você faz e quero fazer Edward feliz, da mesma maneira que você faz Carlisle. – Disse-lhe.
— Você já faz isso, linda. – Voltou a olhar-me. – Fico feliz que queira seguir meus passos. Mas já estou orgulhosa de você, Bella, é uma mulher tão madura para sua idade. – Sorriu lindamente. – Sua família é feliz ao ter você, sempre tenha certeza disso, sim? –Assenti lentamente. – Ainda bem. Agora vamos voltar, antes que seu namorado invada a minha cozinha. – Revirou seus bonitos olhos, fazendo-me rir com ela. – Obrigada por tudo. – Piscou.
— Eu quem agradeço. – Esme assentiu e cruzou seu braço no meu, puxando-me consigo. Ela abriu a porta de correr e fomos juntas para a sala, conversando pelo caminho, saindo do assunto sobre festa surpresa e de nossos agradecimentos uma para a outra. Mas sobre a festa ainda estava em minha mente, afinal, adoraria ajudar a surpreender Edward, ele merecia isso, mais do que ninguém.
— Vocês demoraram. – Andrew disse, assim que sua avó e eu pisamos na sala de estar. Edward, Carlisle e Emmett voltaram com sua atenção para nós, assim que ouviram a voz do pequeno. Estralei minha língua, repreendendo meu filho na forma de falar. Ao entender a repreensão, Andrew assentiu, dirigindo-me um bonito sorriso. – Desculpe. – Murmurou, ajeitando-se no colo do pai que estava sentado no sofá.
— Já estava com medo de que vocês tivessem desaparecido. – Carlisle verbalizou, ficando de pé e caminhando em nossa direção. – Tudo bem? – Arqueou sua sobrancelha, olhando entre sua esposa e eu.
— Tudo ótimo. – Falamos juntas e Esme soltou uma risada, indo para os braços do marido e abraçando-o de lado. – Só precisava falar com minha nora e passar-lhe algumas receitas, nada demais. – Deu de ombros, deixando um selinho nos lábios de Carlisle.
— Ei! – Viramos para Emmett. – Onde está meu cereal? – Levantou uma sobrancelha e eu soltei uma risadinha. Era típico de Emmett descontrair o momento.
— Acho que está em nossa hora. – Edward comentou, assim que Andrew soltou um grande bocejo, piscando seus olhos claros. – Nosso campeão teve um dia agitado hoje. – Piscou para o pequeno, fazendo-o sorrir. – E a senhorita tem faculdade daqui a algumas horas. – Olhou-me e eu assenti.
— Então vamos, estou morrendo de dor em meus pés. – Resmunguei, fazendo todos na sala rirem. – Obrigada pela compreensão, pessoal. – Ironizei e observei Carlisle dar de ombros.
— Você é quem muda de humor constantemente, temos que nos divertir. – Piscou e eu ri, balançando a cabeça. – Viu só? – Apontou para mim e suspirei. Era melhor chegar domingo, ou iriam nos descobrir antes de contarmos a novidade.
— Vamos. – Edward disse, colocando-se de pé e puxando Andrew consigo, mantendo-o em seu colo. Sabia que Edward fazia isso para aproveitar enquanto podia, afinal, Andrew estava crescendo e logo não iria querer ser carregado mais. Entendia meu namorado perfeitamente, era difícil aceitar que nosso pequeno crescia tão rápido. – Obrigado por terem cuidado de Andrew. – Meu namorado agradeceu seus pais, indo abraça-los como podia, rindo ao ver seu filho seguir seus movimentos.
— Que isso, querido, pode trazê-lo sempre. – Esme beijou seu filho e o neto, sorrindo para ambos. – Voltem mais vezes.
— Com certeza vamos. – Avisei e fui despedir-me de meus sogros, abraçando-os apertadamente. Quase fui esmagada por Emmett, que ainda ria de meu medo de altura, avisando-me que eu enfrentaria isso ao andar mais uma vez no elevador. Tentei ignorar suas provocações, abraçando-o de volta.
Quando nos despedimos de todos, fomos para o elevador e eu apertei o botão do saguão, acenando para Esme, Carlisle e Emmett, vendo-os sorrirem em nossa direção. Logo as portas fecharam-se, cortando a nossa visão. Suspirei e senti um beijo em meu cabelo. Olhei para cima e agarrei o rosto do meu maravilhoso menino, deixando um beijo estralado em seu rosto, ouvindo-o rir.
— Adoro a mamãe alegre. – Cantarolou e Edward riu, abraçando-me pela cintura. – Pai, você a levou em um local incrivelmente incrível! – Levantou os braços, demostrando animação. – É o melhor SPA que conheço. – Sorriu para nós e eu o retribui, acariciando seu bonito rosto infantil. Mal via a hora de chegarmos em casa para podermos conversar com ele e dizer-lhe toda a verdade.
— Vamos conversar melhor em casa, campeão. – Edward sorriu para ele. – A mamãe e eu explicaremos certinho sobre o SPA. – Piscou e o sorriso de nosso garoto aumentou.
— Eba! – Comemorou, balançando os braços novamente.
Continuamos conversando e Edward e eu tentávamos distrair Andrew de suas perguntas sobre o SPA que seu pai tinha me levado, a novidade somente seria contada em casa, porque assim poderíamos explicar tudo para ele.
Logo o elevador parou e fez o barulho, anunciando que tínhamos chegado ao térreo. As portas abriram e Edward, Andrew e eu saímos daquela caixa metálica, caminhando pela recepção para sairmos do prédio. A todo momento ouvíamos Andrew contar sobre seu dia, finalmente esquecendo-se sobre o SPA. Fomos até o carro e Edward desativou o alarme, abrindo a porta para mim. Sorri para ele e entrei no carro, vendo-o ir até a porta traseira, abrindo-a e colocando nosso pequeno lá, ajeitando-o em sua cadeirinha.
Enquanto meu namorado deixava Andrew em segurança, eu coloquei o cinto em minha volta e puxei a minha porta, fechando-a. Em poucos minutos, Edward também entrava no carro e colocava a chave na ignição, ligando o veículo enquanto colocava seu cinto.
— Então, querido, foi divertido o dia? – Virei-me para trás, querendo saber mais sobre Andrew. Ele sorriu para mim e assentiu animadamente.
— Foi incrível! – Disse alegremente, no mesmo instante que Edward manobrava o carro pelas ruas, começando a dirigir para nossa casa. – A vovó Esme fez um bolo de chocolate que era maravilhoso, mãe, você tinha que provar. – Sorri para ele. – Pena que tio Emmett e vovô Carlisle comeram tudo, senão vocês poderiam experimentar também. – Suspirou e eu ri, esticando minha mão e acariciado os fios loiro de seu cabelo.
— Outro dia sua vovó faz outro bolo. – Pisquei. – Ouvi que você brincou com o videogame de seu avô. – Continuei, incentivando-o a falar mais. Pelo canto de olho observei Edward sorrir e levar sua mão livre até minha perna, pressionando sua palma em minha coxa.
Durante todo o caminho fomos escutando a voz de Andrew, ouvindo com vontade sobre seu dia. Ele falava de forma tão alegre, que só deixava-me ainda mais feliz por meu pequeno possuir essa felicidade contagiante dele. Andrew nos falou as besteiras que Carlisle e Emmett aprontaram juntos, quase deixando Esme louca, mas acho que ela deveria ter se acostumado com o passar dos anos, só era complicado aceitar todas as festividades de seu marido e filho. Era muita loucura para uma mulher só.
Não demorou muito e logo estávamos em casa. Assim que as portas do elevador abriram-se e o hall de entrada ficou em minha frente, soltei um longo suspiro. Felizmente, havíamos chegado. O dia tinha sido tão cheio que nem poderia explicar o quão esgotada eu estava, só queria jogar-me em minha cama e dormir até o outro dia. Mas assim que olhei para meu colo e vi o sorriso lindo de Andrew, soube que meu descanso ficaria somente para depois da faculdade, porque agora era hora de dar a nossa maravilhosa notícia para o pequeno curioso que nos olhava ansiosamente.
Andrew era esperto demais. Ele poderia ter acreditado na história do SPA que Edward havia lhe contato, mas ele sabia que tinha alguma coisa por trás disso tudo. E encarando seus olhos brilhantes nesse exato momento, a certeza só invadia-me ainda mais.
— Vamos conversar? – Arqueou sua sobrancelha e olhei para Edward, vendo-o soltar uma pequena risada.
— Sério, Andrew tem muito de quem puxar. – Comentei, vendo ambos sorrirem em minha direção. Olhando para a esperteza de meu filho eu conseguia associá-la muito bem a Edward e a educação que ele tinha dado para Andrew. Se eu não soubesse que Edward tinha adotado Andrew, eu poderia jurar que eles eram pai e filho de sangue. Sem contar as manias que o pequeno tinha. Arquear a sobrancelha, mexer repetidas vezes em seu cabelo e agora ele começava também a adquirir a forma de sorrir de lado. Oh, céus, eu teria trabalho com esse garoto.
— Vamos para a sala de estar. – Edward pegou Andrew em seu colo, beijando-me rapidamente. – E você, pequeno espertinho... – Beliscou o queixo de nosso filho, fazendo-o sorrir abertamente. – ...tenho certeza que adorará a novidade.
— Eu sabia que teria alguma notícia! – Ergueu os braços, olhando entre Edward e eu. – Estava desconfiando, a mamãe é péssima em mentir. – Olhou-me sorridente e eu ri, apertando sua bochecha. – Eu quero muito saber! – Pediu animado.
— Você vai, querido. – Agarrei a mão de Edward, puxando-os comigo. Caminhamos até a sala de estar e eu sentei-me no grande sofá, sendo seguida por meu namorado. Edward colocou Andrew em seu colo, fazendo-o sentar-se de frente para nós. O menino sorria alegremente, seus olhos correndo entre seu pai e eu, e conforme ele fazia isso, sua sobrancelha arqueava-se. Igualzinho ao pai.
— Vamos! – O senti agarrar minha mão esquerda e olhei para baixo, vendo-o segurar a mão direita de Edward em sua outra. Sorri para seu gesto e com minha mão vazia movimentei seu cabelo, jogando os fios para trás. – Mãe. – Resmungou, sua ansiedade aumentando a cada instante.
— A mamãe só está achando uma maneira para começar. – Dei de ombros, suspirando. Edward abraçou-me pela cintura e puxou-me para mais perto deles, dando-me um beijo no pescoço.
— Ela está um pouco nervosa, campeão. – Olhei para meu namorado e ele sorriu para mim, piscando em minha direção. – Andrew. – Nosso pequeno sorriu para o pai, olhando diretamente para ele. – Você consegue lembrar-se do dia que assistiu seu filme favorito, pela primeira vez? – Andrew franziu o cenho, olhando completamente confuso para o pai. – Aquela vez que você foi até meu escritório, um ano após estar morando comigo. – Continuou detalhando. – Você narrou o filme sobre o natal, dizendo que parecia com nossa história, porque os irmãos moravam em um orfanato terrível antes de serem resgatado por um homem bom que cuidou deles como se fossem seus próprios filhos. – Sorri e encostei-me em meu namorado, vendo-o movimentar suas mãos pelo cabelo de Andrew. – E então... – Edward puxou o ar com força, engolindo em seco. – ...você segredou-me algo. – Disse em um sussurro, fazendo-me olhá-lo com o cenho franzido. Seus olhos pareciam distantes. – Contou-me que aquele filme teve um final incrivelmente feliz. O homem achou uma mulher que amava e ficou com ela, juntando-a na família que ele começava a construir com os irmãos. – Olhei para meu filho, vendo-o olhar atentamente para seu pai. – Disse-me que a mulher amava as crianças muito e juntos foram construindo alguma coisa a mais. – Senti um aperto em meu peito, sentindo-me naquela mesma cena. Nossa família parecia com a daquele filme que era desconhecido para mim. A cada instante que Edward narrava, em minha mente, nossa história parecia passar como um filme, desde a primeira vez que nos vimos na loja. – Eles eram uma ótima família juntos e você mesmo explicou-me que não importava que seus sangues fossem diferentes, eles se amavam e isso era a parte importante. – Suspirei, sentindo-me passear pelo tempo, todas as cenas parecendo tão reais em minha mente. – Campeão. – A voz rouca de Edward soou e eu olhei para meu pequeno que olhava para suas mãos, que estavam agarradas a de Edward e a minha. – Você está lembrando-se do dia? – A cabeça de Andrew movimentou-se, quando ele assentiu devagar. Edward olhou-me brevemente e dirigiu-me um pequeno sorriso. – Então você lembra quando me disse seu sonho? – Voltou a olhar para o filho, vendo ele assentir outra vez. Suspirei, notando ambos cabisbaixos com a lembrança do dia. Dei um aperto gentil na mão de Andrew e beijei o ombro de meu namorado, mostrando para eles que estava aqui por eles. Engoli em seco, sentindo-me afetada pelo jeito que Andrew e Edward comportavam-se, durante tantos anos, o amor deles jamais diminuiu, muito pelo contrário, parecia fortalecer-se ainda mais. – Você sonhava que eu encontrasse a mulher de meus sonhos... – Edward disse, soltando um riso pelo nariz. Olhei-o e recebi um demorado selinho, sentindo-o soltar sua respiração contra meu rosto. Meus olhos mergulharam nos seus e ele sorriu para mim. – Eu a encontrei, campeão. – Andrew ergueu os olhos para nós e sorriu devagar, deixando um pequeno sorriso tomar conta de seu rosto. – E então você...
— ...queria uma grande família. – Andrew completou a frase do pai, soltando um longo suspiro, olhando-nos. – Eu sempre o compreendi, papai. – Deu de ombros. – Acho que antes era mais confuso, mas você prometeu dar-me todo o amor possível e isso nunca faltou-me, sempre me senti completo ao seu lado. – Fungou e eu senti meus olhos embaçarem, ficando cheios de lágrimas novamente, assim que vi os claros olhos de Andrew marejarem. – Mas esse ano eu soube de tudo, mesmo tendo coisas ocultas para mim, você me explicou sua vida antes de adotar-me. – Soltou outro suspiro. – E então eu lembrei-me desse mesmo dia, quando você chorou e me abraçou, dizendo que era o único sonho que não poderia realizar para mim. – Deu um sorriso triste. – Confesso que sentia falta disso, pai, mas como eu julgaria você por isso? – Uma lágrima caiu em seu bonito rosto e eu rapidamente estiquei minha mão livre, secando-a. Andrew deu-me um pequeno sorriso, respirando fundo. – Você deu-me tudo. – Senti o braço de Edward apertar-se em minha volta, como se ele buscasse alguma força. – Então eu nunca cobraria nada, porque eu tinha todo seu amor para mim. – O sorriso inocente se fez presente. – E sempre foi isso que importou, papai, o amor. – Piscou seus bonitos olhos, deixando mais lágrimas caírem. Senti minhas próprias escorrerem em meu rosto, então nem dei-me o trabalho de secá-las. – Mesmo sendo mais novo, eu entendia que tinha alguma coisa na sua vida, pai, algo que doía no seu coração. E de alguma forma, eu sabia que era o motivo de não poder dar-me uma família. – Ouvi meu namorado respirar fundo e olhei-o, vendo seu rosto molhar-se com as duas lágrimas repentinas que deslizaram. – Eu sempre entendi. – Andrew reforçou. – E eu sempre continuei a amar você, porque nunca me importei com algo além de nós, pai, essa era a parte importante da minha vida.
— Ah, campeão. – Edward puxou-o com força para seu colo, abraçando-o apertadamente. Senti a mão de Andrew apertar-se mais contra a minha, e eu encostei-me em Edward, sendo abraçada por ele. Nós três chorávamos silenciosamente, apertando-nos uns nos outros, buscando a forças entre nós. – Eu te amo, Andrew, muito. – Ouvi o sussurro rouco de Edward. Fechei meus olhos, fungando e tentando deter meu choro, porém era um trabalho difícil. – E desculpe-me por negar isso por tanto tempo.
— Eu amo você, papai. – Abri meus olhos com a movimentação que Andrew fez. Ele ficou de frente para nós e sorriu, dando um beijo no rosto de seu pai e outro em mim. – Eu tenho você e a mamãe comigo, e isso é o que importa para mim. – Sorriu inocentemente, fazendo-me fungar outra vez.
— Eu neguei seu grande sonho, Andrew, há alguns anos. – Edward acariciou o rosto dele, sorrindo em sua direção. – E sinto muito por isso, mas era algo complicado para mim, e eu amo o jeito fácil que você tem para entender as coisas. – Andrew assentiu, puxando sua mão da minha para secar seu rosto. Rapidamente ele voltou a apertar meus dedos e eu sorri para o pequeno, vendo-o olhar-me amorosamente. – Mas muitas coisas mudaram, campeão. Os anos passaram e eu fui aprendendo a lidar com a minha vida. – Edward sorriu para mim e eu o retribui, vendo aquele brilho apaixonante nas orbes esverdeadas. – Passamos por várias coisas e eu conheci a sua mãe. – O rosto de Andrew ergueu-se para mim, assim como o bonito sorriso que ele mostrou-me. – Ela foi mudando-me, mostrando-me as coisas pelas quais valiam à pena lutar. – Senti um carinho em minha cintura e mordi meus lábios, olhando novamente para o amor da minha vida. – Agora nós três estamos aqui, sentados na sala de estar de nosso apartamento, chorando e mostrando nossos verdadeiros sentimentos um para o outro. – Soltamos uma risada sincronizada e esfreguei meu rosto no paletó de Edward, tirando os vestígios das lágrimas. – Sua mãe e eu temos uma grande notícia para você, campeão. – Ainda com o rosto apoiado no ombro de meu namorado, eu olhei para meu pequeno, suspirando ao ver a curiosidade brilhando em seu olhar. – Foi por isso que eu trouxe à tona essas lembranças. – Edward explicou. – Eu queria te mostrar o quanto amadurecemos com o tempo. – Andrew balançou sua cabeça. – Você mudou, campeão, eu mudei e sua mãe, apesar de estar há poucos meses conosco, também mudou. – Assenti para Andrew, vendo a pergunta muda em seus olhos. – É assim que funciona a vida. – Nosso filho sorriu, olhando-nos atentamente. – As pessoas vão mudando e aprendendo a lidar com as coisas novas, amadurecendo com as novidades. – Suspirei. – E tanta coisa aconteceu em poucos meses, querido, desde que sua mãe entrou em nossas vidas tudo mudou e o tempo passou tão rápido, que nem conseguimos notar a passagem. – O ouvi suspirar. – E então chegamos no dia de hoje. – Edward parou, olhando-me. Percebi a pergunta em seus olhos e respirei fundo, sentando-me ereta novamente. Andrew acompanhou meus movimentos e eu sorri, pigarreando.
— Descobrimos uma coisa nova. – Contei, tendo sua completa atenção. Apertei nossas mãos juntas e puxei a de Edward que estava em minha volta, entrelaçando nossos dedos. – A mamãe estava sentindo-se diferente, nas últimas semanas. – Comentei, vendo-o olhar-me confuso. – Lembra que a tia Alice disse-lhe sobre enjoos, tonturas e todos os sintomas da gravidez dela? – Andrew assentiu rapidamente, a curiosidade intensificando-se em seus olhos. – Eu comecei a sentir isso, querido, e você não sabe o quão apavorada a mamãe ficou. – Ri baixinho, engolindo em seco. – Os sintomas pioravam e eu parei de comer, porque estava com medo de sempre acabar vomitando. Lembra? – Meu pequeno concordou. – Hoje à tarde, o papai quis levar-me para uma clínica, ele também estava preocupado. – Peguei a mão de Andrew e a de Edward, levando-as até minha barriga. – Eu fiz alguns exames e descobri, que assim como sua tia Alice, eu também vou ter um bebê. – Expliquei, sentindo meu ar faltar de repente. Meus olhos ficaram outra vez marejados e eu suspirei, sentindo aquela ansiedade. Falar sobre o bebê só fazia com que eu acreditasse mais nas coisas que estavam acontecendo, porque em minha cabeça parecia tão repentino e irreal. – O papai e eu teremos mais um filho. – Disse com a voz embargada, vendo os olhos claros de Andrew arregalarem-se, enquanto o mesmo olhava-me perplexo. – Você vai ter um irmãozinho, querido. – Sorri em sua direção e sua boca abriu-se em um “O”. Ele olhou para Edward e eu segui seu olhar, vendo meu namorado assentir e sorrir para ele. Andrew engoliu em seco e eu o senti pressionar sua mão contra meu estômago.
— Um irmãozinho? – Sussurrou. – Eu vou ser o irmão mais velho? – Olhou para a minha barriga, como se fosse encontrar algo de diferente ali.
— Vai, amor. – Respondi. – O bebê está crescendo aqui. – Pressionei nossas mãos, vendo seus olhos intensos voltarem para mim. – Em poucos meses ele chegará. – Sorri e Andrew soltou uma gargalhada, seus olhos enchendo-se outra vez de lágrimas. Ele ria de forma tão animada e de repente jogou-se contra Edward e eu, abraçando-nos ao mesmo tempo.
— Eu vou ter meu sonho realizado. – Gritou, apertando-nos contra si. Sorri e abracei-o. – Eu amo tanto vocês, tanto! – Suspirou alto. – Vocês são os melhores pais do mundo. – Afastou-se para olhar em nossos rostos. – Eu amo vocês. – Repetiu alegremente, rindo abertamente. – Eu terei um irmão! – Disse outra vez, como se tentasse acreditar na novidade. – Oh, meu Deus, eu terei um irmão! – Nos abraçou outra vez, soluçando contra o pescoço de Edward, já que tinha escondido seu rosto ali. – Amo vocês. – Disse outra vez, fazendo-me sorrir com tamanha alegria que eu sentia.
Um coração batia fortemente e senti a mão de Edward apertar a minha. Olhei para seu rosto e ele inclinou-se, beijando rapidamente. Assim que afastou-se de mim, Edward colocou sua testa na minha e seus olhos encontraram-se com os meus, demonstrando-me todo o amor existente ali. Os arrepios de felicidade alcançavam-me com força total e meu rosto ficava mais molhado a cada segundo, eu não conseguia segurar-me ao ver toda aquela intensidade nos olhos do homem da minha vida.
— Eu te amo. – Sussurramos juntos e eu sorri chorosa, fechando meus olhos e soltando uma risada de felicidade. Senti um beijo no canto de meus lábios e suspirei, ouvindo meu pequeno garoto murmurar o quanto estava feliz, ainda soluçando contra o pescoço de seu pai.
Choramos muitas vezes no passado, por causa de todas as angústias que vivemos, entretanto, as lágrimas, nesses momentos recentes, eram de alegria. Agora, chorávamos por causa de todos os sentimentos bons que sentíamos, era essa a forma que encontrávamos para demonstrar o quanto amávamos uns aos outros. Nossa felicidade parecia aumentar a cada minuto e eu jamais poderia agradecer tanta alegria em minha vida. Nunca entendi todo o sofrimento que eu passei, mas agora eu não me importava com os momentos do passado, o que valia para mim era a minha família, o presente que eu nunca pensei que precisaria. Era isso o que dava-me força e fazia-me sempre querer seguir em frente, tentando construir cada vez algo melhor. Edward e Andrew eram minha força de viver, e agora, meu bebê fazia parte disso também.
Minha família ficava cada vez mais completa e eu seria eternamente grata por toda essa felicidade. Para mim ainda era eufemismo classificar tudo apenas como felicidade, mas era a palavra mais verdadeira para descrever todas as emoções que eu sentia. E amor, era a palavra certa para classificar meus sentimentos por Edward, Andrew e nosso novo integrante da família. Amava-os como se não houvesse amanhã.
“Continua...”
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