Never It's Late.
4 Pequenas mudanças.
Notas iniciais
Pequenas mudanças.
Pov Bella.
Apoiei-me no balcão e fiquei brincando com a caneta que estava entre meus dedos. O movimento da loja estava fraco, afinal era bem cedo ainda e mal tínhamos aberto, então enquanto Jessica e Rose atendiam alguns clientes que chegaram, eu ficava no balcão esperando outra pessoa chegar para as compras ou alguém vir fazer o pagamento.
Tanya não estava por aqui de novo. Angela chegava só mais tarde, pois ainda estava em outra cidade cuidando de alguns negócios, porém mandou uma mensagem avisando sobre a loira morango faltar mais uma vez. Quase gritei de alegria, sério, ficar sem ver a cara daquela metida era a melhor coisa que poderia acontecer, mesmo eu tendo o trabalho em dobro, pois cuidava do caixa também. Mas quem liga em trabalhar o dobro quando se tem Tanya longe?
— Bella. – Levantei meu olhar, parando de rodar a caneta. Rose correu afobada até o balcão e colocou uma prancheta em minha frente. – Por favor, me diga onde está esse estoque. – Apontou para uma marca de vestido com a caneta que tinha em mãos. – A mulher veio aqui buscar esse vestido para uma festa de debutante e eu não acho em lugar nenhum. – Engoliu em seco, respirando fundo. – Você sempre sabe de tudo, me diga que sabe sobre isso também. – Pediu completamente nervosa.
Olhei bem para o vestido que ela pedia e eu me lembrava de ter guardado aquele mesmo modelo ontem, assim que chegou. Rose batia seu pé no chão aflita e encarava-me com uma sobrancelha arqueada.
— Bem... – Seus olhos arregalaram-se.
— Oh, meu Deus! Nem você sabe? Céus... o que farei? A mulher é uma cliente super importante da loja, ela ficará com raiva...
— Estou brincando, calma. – Ri e toquei seu braço, fazendo-a bufar.
— Credo, Bella, quase estou tendo um ataque aqui e você brinca comigo?
— Desculpe, estou me vingando por ontem. – Olhei-a de forma acusadora e seus bonitos olhos rolaram-se.
— Eu só disse a verdade para você. – Deu de ombros e um sorriso foi surgindo em seus lábios. – O que foi, Bella, você anda pensando nas coisas que eu disse sobre ele? – Pigarreei desviando meu olhar e pude notar que ela sorriu mais ainda. – Oh, sim, você pensou! Com certeza lembrando-se de ele ser um tremendo gostoso ao ficar com raiva.
— Rose... – A repreendi olhando para os lados, mas felizmente estávamos sozinhas. – Não diga essas coisas. – Bufei e ela riu empoleirando-se no balcão, como uma criança animada para um passeio.
— Então você não nega que o acha gostoso? – Retrucou muito feliz para meu gosto.
— O vestido está na parte direita da loja, em eventos importantes, moda feminina. A etiqueta sobre a encomenda está em seu cabide. – Avisei sobre sua pergunta inicial e desta vez quando olhei em seus olhos, podia ver o divertimento. Ela continuou me encarando e arqueei uma sobrancelha. – O que foi?
— Você continua fugindo, querida, mas lembre-se: Não negou nada. – Repetiu sorridente e pegou a prancheta que carregava, dando-me um tchauzinho com a mão e retirando-se de forma saltitante dali. Eu merecia essa loira.
Mas eu soltei um bufo com raiva, quando notei que ela estava certa.
Eu realmente pensei muito nele na noite passada, pensei demais para o meu gosto. Ainda mais depois das coisas que Rosalie ficou fofocando pelo telefone para mim, aquilo só pareceu acrescentar algo nas engrenagens de meu cérebro e ativar algo, porque definitivamente aquele arrogante não saia mais da minha mente.
Que droga.
Por que isso tinha que acontecer comigo?
— Me diz onde encontrar isso. – Jessica tirou-me de meus pensamentos e balancei a cabeça, olhando a prancheta que ela me estendia.
— Parte leste, moda masculina. – Respondi imediatamente e ela assentiu, indo para o lugar que eu tinha lhe indicado. Certo, onde está o “obrigado” de hoje em dia?
— Insensível. – Resmunguei sozinha.
Continuei parada ali por alguns minutos, apenas olhando Jessica e Rose caminhar para todos os lados com seus clientes, entregando coisas para eles e ainda fazendo algumas indicações. Sério, ficar sem fazer nada era tedioso demais, eu gostava de atender clientes, porém cheguei um pouco tarde e quando vi as duas já estavam ocupadas e eu imediatamente me dirigi para o balcão, esperando que alguém precisasse de minha ajuda.
Larguei a caneta que segurava e respirei fundo, ficando ereta em meu lugar. Ouvi o barulho dos sinos da porta e meus olhos automaticamente ergueram-se e foram naquela direção.
Oh, meu Deus!
Meu coração já começou a ficar descompensado e meus olhos arregalaram-se quando vi aquela pessoa entrar na loja e ajeitar a manga de seu terno, olhando ao redor do local. Oh, merda, ele só pode ter vindo reclamar sobre minha conduta do dia anterior, eu tinha sorte de Angela estar fora, mas eu estaria demitida quando ela voltasse e soubesse de tudo.
Merda, por que não pude deter meus olhos de descerem pelo corpo bem feito daquela pessoa arrogante? Notei que dessa vez seu terno era negro, assim como a camiseta embaixo e sua gravata. Tudo de preto e completamente atraente e gostoso, droga, como ele conseguia ficar tão bem assim e ser tão lindo? Por Deus, era absolutamente impossível desviar meu olhar dele.
Seja normal, Bella, pelo amor de Deus! Lembre-se que esse mesmo gostoso te tratou tão mal ontem, por míseros cinco minutos de atraso.
Minha consciência tinha a completa razão.
Ergui minha cabeça e parei de encará-lo, mas foi nesse momento que ele olhou-me e pude vê-lo respirar fundo, conforme caminhava e vinha exatamente em minha direção.
Oh, céus.
Até andando ele era bonito.
Pensamentos proibidos!
— O que você quer aqui? – Disparei quando ele ficou em minha frente. Sua sobrancelha altamente bonita se ergueu, deixando-o mais sexy. Merda, eu tenho problemas e sérios. — Me desculpe. – Pigarreei, estávamos na loja e mesmo eu odiando-o tinha que ser profissional. Talvez assim eu ainda consiga manter meu emprego. – O Senhor deseja algo? – Sorri cinicamente ao frisar a palavra e o vi aproximar-se, até seus braços estarem sobre o balcão.
— Desejo que seja menos petulante. – Falou com sua voz zangada e soltei uma risadinha. – Já pude notar que é algo impossível.
— Assim como é impossível o senhor parar de ser um babaca. – Sorri mais ainda, fazendo-o bufar e aproximar seu rosto que estava com uma careta raivosa.
— Você não tem limites, garota? Já se colocou em seu lugar?
— O senhor parece não saber o seu. – Retruquei e ele soltou um bufo irritado, olhando-me nos olhos. Engoli em seco com a intensidade verde brilhando ali e mesmo que eu quisesse, não pude desviar meu olhar do dele.
— Algum problema por aqui? – Pulei de susto em meu lugar quando alguém falou ao meu lado. Virei-me para a pessoa e Angela sorriu para mim. Deus, quando ela chegou aqui? – Tudo bem, Bella?
— Ah... – Olhei para o homem em minha frente e ele sorriu de forma debochada, enquanto arrumava sua postura. – Pensei que estivesse cuidando de algumas burocracias. – Desviei da pergunta e voltei a olhar para ela, que suspirou dando de ombros.
— Arrumei tudo em um prazo menor, foi até melhor. – Seus olhos escuros dispararam-se para o executivo e pude vê-los se arregalarem. – Oh, mas você não é Edward Cullen? – Perguntou completamente em choque e pude vê-lo sorrir e olhar-me de canto de olho.
— Sou sim. Presidente das empresas Publisher E. Cullen. – Estendeu a mão e Angela sorriu abertamente, apertando-a.
— É um prazer tê-lo por aqui, Senhor Cullen. Veio fazer compras? – Engoli em seco quando ele olhou-me e fitei-o desesperada. Por Deus, se ele abrisse a boca Angela me mataria, ela adorava ser boa com todos os clientes, ainda mais os importantes. Se ela soubesse como eu o tratei, estaria ferrada.
— Claro que eu vim. – Franzi o cenho e ele suspirou, soltando a mão que ainda apertava a de minha chefe. – Preciso de novas gravatas.
— Bella o atenderá, ela é uma garota adorável e o deixará muito satisfeito. – A olhei embasbacada com suas palavras, porém só tinha um pequeno sorriso em seu rosto. – Irei para meu escritório, atenda-o bem, Bella. E Senhor Cullen, qualquer coisa é só falar comigo. – Ele assentiu e ela despediu-se, indo em direção as escadas.
Ele não tinha dito nada à ela? Pelo modo que eu via um sorriso irônico em seus lábios, poderia jurar que ele falaria sobre tudo e Angela me demitiria na hora por eu ter tratado mal um cliente importante. Mas o executivo apenas colocou suas mãos no bolso da calça social e virou-se para mim.
Deus, o que ele tinha para me perturbar tanto? Não podia ser normal uma coisa dessas. Eu pensava mais nele do que em mim mesmo e jurava que isso era uma loucura. Nunca tinha me sentido dessa maneira, já tinha visto garotos bonitos, eu estudei com alguns, mas nenhum me prendeu tanto atenção como aquele homem de cabelos cobres que mexia com todo o meu mundo.
— Por que não falou nada? – Perguntei e saí de meus pensamentos que já começavam a se dirigir para um lado perigoso. O olhei e ele fitou-me de forma confusa. – Sobre minha conduta do dia anterior, achei que contaria tudo quando notou que aquela era minha chefe. E aí assim, poderia ficar feliz ao me ver sendo demitida. – O executivo rolou os olhos.
— Eu posso ser qualquer coisa, porém não fico satisfeito ao fazer as pessoas perderem seu emprego. – Bufou. – Não sou tão babaca assim. – Eu podia duvidar um pouquinho disso. Minha sobrancelha arqueou e ele respirou fundo. – Só que terá que me atender agora mesmo. – Olhou-me desafiadoramente e desta vez eu respirei fundo, saindo de trás do balcão.
— Gravatas? – Questionei e ele confirmou. – Siga-me.
Andei pelas araras de roupas e a todo momento podia ouvir o som de passos atrás de mim, eu tentava esquecer por alguns segundos de quem era, só que aquele cheiro delicioso não saía de minhas narinas.
Suspirei baixinho e assim que parei no balcão dos fundos da loja, fui para trás dele e peguei as caixas com gravatas de todos os tipos, eram as que tinham sido entregues junto com as encomendas de ontem. Coloquei uma caixa sobre o vidro e tirei algumas peças de dentro, desenrolando-as e esticando-as.
— É só escolher. – Falei e o ruivo aproximou-se, olhando atentamente para as peças. Ele parecia meio perdido, demorando-se e puxando lufada de ar a cada vez que seus olhos encontraram-se com os meus. Eu queria poder ler mentes por um momento, desejando saber o que ele pensava.
— Você é Bella, não é? – Franzi o cenho com sua pergunta e apoiei minhas mãos no vidro do balcão. O olhar dele ergueu-se mais uma vez e olhou-me de forma confusa. – Não posso chama-la assim? – Soltei um suspiro.
— Sim, sou a Bella. – Dei de ombros e desviei meus olhos para as gravatas.
— Eu devo lhe dizer que eu realmente sou daquele jeito com todo mundo, eu trato todos daquela forma que tratei você. – Soltei uma risada irônica. Como se eu não soubesse. – Poder rir se quiser. – Soltou um bufo. – Mas você mereceu, não é? Afinal, olha a forma que falou comigo.
— Eu só devolvi o favor. – Abri um sorriso cínico. Coloquei os cotovelos no balcão e inclinei-me, ficando apoiada ali. O ruivo olhou-me de novo. – Eu não suporto que gritem comigo, e não deixaria o senhor fazer isso. – Praticamente cuspi as palavras sobre ele.
— Eu só informei sobre você estar atrasada. – A voz ergueu-se. – Eu estava com a razão ali, e não você!
— Ah, por favor. – Rolei os olhos. – Foram cinco minutos e eu não controlo o tempo. Foi como informei, não trabalho só para você, tenho coisas mais importantes para fazer do que cuidar de um homem metido. – Bufei auditivamente e não me importei com a forma que ele olhava-me. – E sua secretária me importunou muito, minha cabeça já estava cheia e você ainda piorou as coisas.
— Espera. – Ele ergueu uma mão. – Minha secretária? – Questionou confuso, franzido seu cenho. Por um momento meus dedos coçaram e eu quis passar um dedo sobre sua testa, tirando o vinco que se formou ali. – O que ela fez?
— Cuide melhor de seus funcionários, Senhor Cullen. – Foi a primeira vez que não disse seu nome com deboche. – Ela acha-se superior a qualquer um e foi a primeira a brigar comigo por causa do atraso, olhando-me brava e discutindo, inferiorizando meu emprego. Eu não deixaria barato. – Ergui o queixo. – E o senhor piorou a situação com sua voz autoritária.
— Eu não sabia das condutas da Senhorita Johnson. – Tão formal. Quando olhei em suas orbes, fiquei impressionada com a forma que ele olhava-me. Desta vez não desviava os olhos e eu me surpreendi ainda mais com a verdade passando por ali. Ele estava sendo sincero comigo? – Para mim ela era apenas uma secretária normal, fazia as coisas de forma correta.
— Pois não é. – Respondi. – E ela foi muito rude, discutindo comigo como se ela fosse a dona da empresa e não você. – Respirei fundo. – E nenhum dos dois deveria falar daquela forma. Muito menos o senhor.
— Olha a petulância aí de novo. – Riu ironicamente e suas mãos apoiaram-se no vidro, conforme seu rosto chegava mais perto do meu. Minha respiração acelerou-se com o perfume dele embriagando-me e seu rosto tão próximo. – Eu não sou um cara que pede desculpas por qualquer coisa, Bella. — Senti um arrepio estranho passar por mim quando ele pareceu testar meu nome em sua boca, estalando a língua. Pisquei meus olhos, respirando de forma errática, meu coração parecia querer pular de meu peito. – Você me enfrentou sem medo algum e eu pergunto: Por que fez aquilo? Eu poderia fazer qualquer coisa com você e as piores possíveis. – A risada debochada escapou de meus lábios sem eu tentar segurá-la.
— Está ameaçando-me?
— Apenas avisando o que eu poderia fazer. Você sabia disso ontem. – Era uma afirmativa, mas eu acenei com a cabeça. – E não teve medo?
— Eu não tenho medo de você. – Ri com meus olhos revirando-se. – Por favor, Senhor Cullen, nem tente me ameaçar por uma pequena discussão. Problemas com pessoas enfrentado o todo poderoso? – Debochei.
— Eu tenho sim problemas com pessoas me enfrentando. Eu não gosto disso. – Grunhiu e aproximou-se mais. – Mas estou longe de ameaça-la, por favor digo eu, nem pensei eu fazer isso.
— Então por que está dizendo-me essas coisas?
— Quero tentar entender você. – O olhei chocada, sentindo-o me avaliar. – Por que falou comigo daquela forma? Por que não tem medo de mim como todos? – Disparou as perguntas com os olhos verdes encarando-me intensamente.
— Eu não ia deixa-lo ser babaca comigo daquela forma. – Dei de ombros. – E para a segunda pergunta: Eu não sei. – Vi a confusão em seus olhos e dei de ombros. – Eu só não tenho medo de você.
Ambos nos silenciamos e ele parecia querer buscar algo em mim, seus olhos a todo momento conectados com os meus, encarando-me naquela forma absurdamente intensa que parecia dar-me calafrios. Meu coração batia tão forte que eu jurava poder ouvi-lo, e a aproximação daquele homem não ajudava em nada, só fazia-me arrepiar com todas as sensações que me causava, mesmo que eu ainda não as entendesse.
Meus olhos caíram para sua mão direita quando eu a senti tocar a minha. Seus dedos seguraram em minha mão com cuidado e ele tocou minha pele, apertando-a levemente contra sua mão. Os arrepios que eu sentia só aumentaram e mesmo que parecesse ainda mais confuso, eu poderia sentir choques em minha mão que estava na sua, um choque que eu sequer imaginava de onde vinha. Ele aparecia em nossas peles unidas e parecia espalhar-se por meu corpo, como se estivesse sendo distribuído em cada parte de mim.
Arrepiei-me por inteira, engolindo em seco e com um pouco de medo disso tudo.
Deus, o que ele tinha que me atraia tanto?
— Jante comigo essa noite. – Saí do transe em que eu me encontrava, olhando de olhos arregalados para ele.
— Como é?
— Você me intriga, eu não sei explicar. – Seu cenho franziu-se e mais uma vez engoli em seco, ainda sentindo sua mão na minha. – Jante comigo. – Pediu outra vez e como se eu me tocasse do que estava acontecendo, balancei minha cabeça ao afastar-me e tirar sua mão da minha.
— Não.
— Não?
— Eu não vou sair com você, fala sério. – Bufei e cruzei meus braços, olhando-o séria. – Existe apenas uma coisa que homens como vocês querem e pode esquecer, você não vai ganhar isso de mim. – Confusão brilhava em seu olhar e depois de algum tempo, ele pareceu entender o que eu tinha dito.
— Ah, por favor. – Riu balançando a cabeça. – Você acha que estou fazendo isso para ter sexo de você? – Arquei uma sobrancelha desafiando-o a negar, e mais uma risada escapou de seus lábios. – Acredite, Bella, se eu quisesse isso falaria aqui e agora, não iria inventar um jantar para ganhar algo em troca no final da noite. – Inclinou-se no balcão e olhou-me zombeteiro. – A não ser, é claro, que seja o que você quer. – Sorriu maliciosamente e bufei.
— Nem que você fosse o último homem na terra, obrigada. – Até parece. Ok, ele era absurdamente gostoso, mas não ao ponto de eu... bem...
— Está tudo bem por aqui? – Jessica aproximou-se de sobrancelha arqueada e o executivo se recompôs, ajeitando o terno. – Você não o está atendendo direito, Bella? – Falou zangada e contive a vontade de xingá-la. Como se ela estivesse com autoridade para mandar em mim.
— Estamos bem, obrigada. – Falei entredentes e irritada. A loira mandou-me um olhar e empinou o queixo, retirando-se dali. – Vadia. – Sussurrei e em seguida olhei para o ruivo. – Já escolheu suas gravatas? – Apontei para os acessórios e ele respirou fundo.
— Não respondeu minha pergunta. – Disse autoritário.
— Eu a respondi e minha resposta é não.
— Eu estou sendo educado. – Voltou a se aproximar. – Vai jantar comigo hoje, só estou pedindo-lhe isso, nada a mais.
— Eu não vou, isso não é certo.
— Se não for, eu irei avisar a sua chefe sobre sua conduta do dia anterior. – Olhou-me sério e bufei alto.
— Está me ameaçando com isso?
— Estou jogando com as minhas armas. – Batucou os dedos no vidro. – É só ir a um restaurante, qual o problema nisso?
— Vejamos... – Fingi pensar e bati o dedo no queixo. Revirei os olhos e sorri de forma cínica, mais uma vez naquela manhã. – O problema é estar presa em um ambiente com o senhor!
— Garota mais petulante. – Grunhiu e esticou seu braço, segurando minha mão com força, mas não chegava a machucar. – Vai comigo, eu estou pedindo.
Estava pronta para manda-lo ir à merda, mas algo naquele toque quente e seus olhos brilhantes me fizeram fechar a porcaria da minha boca. Odiava a forma que ele me olhava, odiava o que ele me fazia sentir e estava odiando ainda mais a minha fraqueza.
— Nem pensar. – Aumentei um pouco a voz, tentando fazer-me acreditar naquilo também. Eu não iria jantar com Edward Cullen, isso era maluquice, por Deus! – E agora solte-me! – Grunhi e puxei minha mão com brutalidade da sua.
— É só um jantar, para que tanto alarme? – Bufo raivoso. – Você tem problemas, garota, caralho! – Bateu com a mão no vidro e olhou-me nos olhos, fazendo-me erguer o queixo e desafiá-lo. – Por que não quer aceitar?
— Porque é inaceitável cogitar a ideia de ir jantar com o senhor. – Revirei os olhos e tentei acalmar meu coração idiota que batia fortemente, eu queria me matar no momento por isso, que raiva! – Agora escolha a porcaria de suas gravatas. – Soltei meu ar irritado e cruzei os braços. – A não ser que não saiba escolhê-las sozinho. – Arqueei uma sobrancelha debochada e agora seus bonitos olhos reviraram-se.
— Está insinuando que eu não saiba me vestir?
— Pela maneira que se porta, não ficaria impressionada caso tivesse um empregado que fizesse isso. – Ele balançou a cabeça e voltou a se inclinar.
— Você vai jantar comigo. – A voz era baixa, mas em som forte, tão forte que me fez estremecer. – E agora já não é mais um pedido.
— Quero ver você me obrigar. – Ele deu uma risada em tom de deboche e depois puxou três gravatas do monte que eu tinha feito, uma de cada cor. – São essas?
— Tanto faz. – Deu de ombros e resolvi não retruca-lo desta vez, o quanto antes ele fosse embora, era melhor.
Fui guardando o restante das gravatas na caixa, enrolando-as perfeitamente e com cuidado. Enquanto fazia meu trabalho, olhei sob os cílios para o homem em minha frente e ele fingia admirar as cores das gravatas que tinha pego, passando os dedos por cada uma. Só olhando-o atentamente, eu podia até sentir a raiva dele, porque o percebia respirando com força e seu pé direito batia impacientemente no chão. Oh, Deus, ele sempre estava bravo e engoli em seco ao perceber o quão bonito ele ficava assim.
O que eu estou pensando?
Balancei a cabeça e continuei organizando as coisas, tentando ao menos fingir que o ruivo não afetava-me de nenhuma ridícula maneira, era tudo invenção da minha mente perturbada. Isso, minha mente era a merda disso tudo.
Oh, droga, mas por que eu sentia-me atentada a aceitar o convite dele? Ok, odiava-o profundamente, mas talvez, só talvez, jantar e descobrir o que há por trás daquele homem amargurado não fosse tão mal assim, algo bom poderia acontecer e seriam poucas horas presas com ele. Sem contar que poderia ir embora a hora que quisesse. E... bem... poderia aproveitar-me de apreciar a beleza dele por algum tempo.
— Ainda vai demorar muito? Tenho compromissos, se não sabe. – Sua voz rouca rugiu e grunhi baixinho.
Definitivamente eu não jantaria com ele.
— E eu também tenho trabalho, se não sabe. – Coloquei as caixas em seus respectivos lugares e fechei a porta da estante com força. – O senhor é um arrogante de carteirinha.
— Pelo menos não tenho sua petulância incansável. – Ao olhar no verde profundo de seus olhos, podia ver a fúria mais uma vez brilhando ali.
— Babaca. – Murmurei entredentes e sua sobrancelha arqueou-se em minha direção, como se quisesse que eu repetisse. – O que foi? Vai tentar negar sua babaquice para mim? Eu que já vi seu pior comportamento? – Bufei. – Poupe-me, Senhor Cullen.
— Quer parar de falar meu nome com esse deboche tudo? – Rolei os olhos. – E não revire os olhos para mim. – Grunhiu novamente. Fingi que não era comigo e saí de trás do balcão para leva-lo até a área de pagamento. – Isabella! – Puxou meu braço direito e fez-me virar para ele, colando-me ao seu corpo. Arregalei meus olhos e olhei-o assustada por tamanha aproximação.
— Como sabe do meu nome? – Perguntei rapidamente, assim que processei a maneira que ele tinha me chamado. Eu não tinha dito nada à ele, ou tinha? Confusão girava em minha cabeça agora.
— Eu sei de tudo que eu quero. – Olhou-me firmemente, ainda perto demais do meu corpo. Minha respiração começou a acelerar-se e o vi olhar para baixo e engolir em seco, dando um passo à frente e nos aproximando mais. Deus, o que estava acontecendo comigo?
— Solte-me. – Pedi em um sussurro e me bati mentalmente quando percebi que eu nem queria aquilo, pedia, mas em minha mente torcia veemente para que ele não acatasse ao meu pedido. Oh, merda, merda! Isso não podia ser real.
— Tem certeza? – Seus olhos conectaram-se aos meus novamente e afundei-me no verde esmeralda, afogando-me naquela intensidade absurda que ele me transmitia. Oh, meu Deus, isso era errado, muito errado. – Vamos lá, Bella, um jantar. – Piscou e um alarme soou em minha mente quando percebi tudo o que estava acontecendo e onde estava acontecendo.
Meu emprego.
— Me larga. – O empurrei de repente, colocando uma mão no meu peito e tentando controlar tudo o que eu estava sentindo no momento. Meus batimentos estavam acelerados, minha respiração saia ofegante como se eu tivesse corrido um quarteirão e podia até sentir filetes de suor em minha testa com todo aquele contato, era como se estivesse me queimando. – Vamos ao pagamento. – Balancei minha cabeça e girei meu corpo, caminhando o mais rápido possível daquele homem e das tentações que ele me causava.
Caminhei de maneira rápida ao balcão principal e olhei em todos os lados, suspirando de alivio ao ver que ninguém estava prestando atenção no que acontecia ali nos fundos. Podia ver Rosalie rindo animada com uma moça nova que girava seus pés para avaliar os sapatos calçados e Jessica parecia concentrada em lixar suas unhas, sentada na poltrona perto da porta.
Ninguém viu nada, Bella, acalme-se.
Escutei passos apressados e logo vi a minha tormenta aproximar-se furioso, colocando as gravatas sobre o balcão, junto com um cartão dourado. Resolvi não dizer nada e peguei o cartão para passar na máquina, digitando o valor da compra, afinal, eu sabia de cor os preços das gravatas, ainda mais aquelas, eram as mais caras. Mas aposto que o todo importante Senhor Cullen não se importa com preços.
— A senha. – Virei-me a máquina em sua direção. Pigarreei ao notar minha voz rouca e o vi respirar fundo.
— Eu irei pegá-la às oito horas em sua casa. – Avisou e franzi o cenho, olhando para minhas mãos enquanto o esperava digitar a senha.
— Eu realmente estou confusa. – Soprei as palavras, assim que ouvi o barulho da máquina avisando que a compra foi sucedida. Tirei o cartão e deixei sobre o balcão, pegando uma sacola e colocando as gravatas dentro.
— Confusa com o quê? – Seu rosto ergueu-se e bufei deixando a sacola ao lado de seu cartão de crédito.
— Com sua fala. Eu não me lembro de aceitar qualquer coisa do senhor. – Ele riu sem humor e pegou suas coisas, segurando a sacola e guardando o cartão no bolso da calça social.
— Mas você vai comigo hoje à noite, querendo ou não.
— Além de babaca, agora é mandão? – Cruzei os braços. – Minha resposta é não! Ou ficou surdo também?
— Eu lhe ouvi muito bem, Isabella. – Apoiou-se com os cotovelos no balcão, fazendo-me engolir a saliva quando senti a sua fragrância e aqueles malditos choques de antes voltar, mesmo não tendo-o tocado. – Mas eu quero esse jantar.
— E eu não! – Bati o pé.
— Pare de se fazer de difícil, porra! – Segurou o cabelo com a mão vazia e apertou os fios contra seus dedos. – São algumas horas, nada demais!
— Eu te odeio e não quero ficar presa em um ambiente de riquinhos esnobes com o senhor, não faria bem a minha sanidade. – Lhe dirigi um sorriso maldoso.
— Não irá me atingir com essas palavras afiadas, Isabella.
Eu já disse o quanto odiava meu nome?
— Pare de me chamar assim. – Mais uma vez bati meu pé. – E pode retirar-se, já fez suas compras.
— Não vou embora até dizer que aceita jantar comigo. E acredite, Isabella, posso ser muito persistente com algo que eu quero. – Olhei-o desafiadoramente e ele retribuiu meu olhar. Retirou sua mão do cabelo e a esticou em minha direção, puxando um braço meu e descruzando-os, para em seguida apertar minha mão na sua. – Algumas horas não lhe fará mal.
Olhei nossas mãos juntas e puxei meu ar lentamente, soltando-o em seguida. Amaldiçoei todos os sentimentos que se apossavam de mim agora e quase grunhi de raiva com minha pele estremecendo ao seu toque, mais uma vez. Eu ficava ainda mais confusa com tudo o que eu sentia perto daquele arrogante de carteirinha.
— Eu não vou. – Murmurei sob minha respiração acelerada, nem tendo coragem de olhá-lo outra vez.
— Não me force a ir atrás de sua chefe, eu posso dizer à ela tudo sobre ontem.
— Não me ameace. – Resmunguei em um tom baixo.
— Como já disse: Só estou usando minhas armas. – Ergui meus olhos e ele suspirou. – Eu não quero lhe fazer mal, Isabella. E nem farei, porra, pare de ser paranoica e aceite o jantar. Um jantar.
Eu poderia negar, afinal não era obrigada a nada e muito menos por ele. Mas também poderia perder meu emprego que ajudava-me tanto. Só que quando eu pensei melhor, sei que não foi sua pequena ameaça que me fez aceitar, de alguma forma eu quis fazer aquilo, porém não entendia nada o que acontecia em minha volta. Para falar a verdade, tudo era uma confusão gigantesca em minha mente, desde que eu coloquei meus olhos no grande CEO pela primeira vez, há um mês.
Mordi meu lábio e olhei-o nervosa. Ele ainda encarava-me de maneira intensa, somente esperando por minha resposta. Engoli minha saliva algumas vezes e tentei acalmar-me um pouco, Deus, eu deveria estar fazendo a pior escolha da minha vida somente ao pensar em aceita-lo.
Fechei meus olhos e respirei fundo. Sério, meus problemas mentais só pioravam.
Quando abri os olhos novamente e dei uma olhada para o lado, fiquei em pânico ao ver Jessica encarar-me com sua sobrancelha arqueada e os braços cruzados. Bufei baixinho e afastei-me rapidamente do ruivo, recolhendo minha mão para mim.
— Certo. – Soltei irritada e de uma vez só. Encarei-o, vendo a surpresa em seu rosto. – Com duas condições. – Levantei dois dedos meus e o vi respirar fundo.
— O que quiser. – Falou rapidamente.
— Nada de ambientes muito requintados. – Abaixei um dedo. – Por Deus... – Exasperei. – Isso não é um encontro. – Praticamente soletrei a frase, como se eu quisesse ajudar uma criança a ler, abaixando o segundo dedo. Ele balançou a cabeça e depois de pensar em uma coisa, olhei-o séria. – E eu juro, se você tentar qualquer coisa comigo, está morto.
— São três condições. – Um sorrisinho ameaçava sair em seus lábios e suspirei alto.
— Ok, três condições então. – Empurrei devagar seu braço de perto de mim. – Agora vá.
— Eu te buscarei oito horas. – Relembrou e arqueei uma sobrancelha.
— Se souber meu endereço. – Sorri debochada, mas quando um sorriso cínico apareceu em seus lábios, lamuriei ao fechar o meu sorriso. – Você já sabe, não é? – Passei minha mão em meu rosto, grunhindo. Deus, esse homem me enlouquecia.
— Oito horas, Bella. E esteja pronta, ou levarei você da maneira que estiver. – Piscou um olho e pegou a sacola com sua compra, saindo de perto de mim e dirigindo-se em direção a porta.
Acompanhei seus movimentos até quando ele saiu do estabelecimento. Eu o vi caminhar até um carro, obviamente importado, que estava parado no meio fio e entrar rapidamente nele. Assim que ele acelerou o veículo e o vi sumir de minha vista, pude soltar um longo suspiro e tombar minha cabeça no balcão.
Oh, merda, o que eu fiz?
— Então, o Senhor Cullen veio lhe ver. – Levantei minha cabeça e encarei uma Rosalie muito risonha em minha frente. A loira jogou seu cabelo para trás e apoiou o cotovelo no balcão, colocando sua cabeça sobre suas mãos. – Ele veio te denunciar ou jogar o charme sobre você? Porquê da maneira que pareciam agarrados lá atrás, ele parecia mais inclinado a ter você. – Piscou e abri minha boca em choque.
— Você viu aquilo? – Rose riu animada. – Oh, meu Deus, você não pode contar para Angela! Ou Jessica, muito menos para a cobra da Tanya.
— Credo, Bella, sou sua melhor amiga, fique calma. – Revirou os bonitos olhos azuis.
— Ei! Não estávamos agarrados! – Bufei quando compreendi o que ela disse. Rosalie gargalhou.
— Então estavam quase. – Sorriu brilhantemente. – O que o gostoso Presidente da Publisher E. Cullen veio fazer aqui? – Olhei-a cética.
— Achei que adorasse Emmett.
— E eu adoro, na verdade, já estou apaixonada por aquele homem. – Suspirou sonhadora. Sorri quando a vi mudando de assunto. – Merda, Bella, não mude o nosso foco! – Guinchou e meu sorriso sumiu.
— Você não perde uma.
— É claro que não. Mas conte-me, o que ele queria?
Engoli em seco só em pensar nas coisas que ele me disse. Merda, ainda nem acreditava que eu tinha aceitado aquilo, será que teria tempo de desistir?
— Ele... – Pigarreei. – Bem... – Olhei para minha melhor amiga e bufei com a curiosidade estampada em seu olhar. – Droga, Rosalie, ele me chamou para jantar, ok? Satisfeita?
— Oh, porra! – Gritou animada e endireitou-se, batendo as palmas animadas e rindo. Arqueei uma sobrancelha e bufei, mais uma vez, com sua aparente animação.
— Deus, para que está tão animada?
— Eu irei ajuda-la com ele, óbvio! – Deu um pulinho.
— Pode parar, Rose.
— Calada. Será seu primeiro encontro e eu com certeza vou embonecar muito você!
— Não, não, não. – Balancei minha mão e ela parou de tagarelar, olhando-me curiosamente. – Definitivamente isso não é um encontro!
— Então o que é? – Desafiou-me e grunhi.
— Eu não sei, mas não é um encontro. – Bati o pé. – E você também não vai me embonecar.
— Pretende ir de jeans e camiseta? – Cruzou seus braços e mordi meu lábio, olhando para minhas mãos.
Com certeza ele não respeitaria minha condição de não levar-me naqueles lugares requintados, eu obviamente esperava por isso e deveria estar pronta. Merda, não queria parecer uma desleixada.
— Ok, você pode me ajudar. – Um enorme sorriso abriu-se em seus lábios pintados de vermelho. – Mas nada muito extravagante, pelo amor de Deus!
— Oh, pode deixar, querida Bella, você estará em ótimas mãos. – Piscou e retirou-se, dizendo que iria checar para ver se sua cliente tinha achado os saltos que queria.
Quando vi a Loira sorrir amplamente, conforme se distanciava, uma única coisa piscava em minha mente: Eu me arrependeria de ter aceitado sua ajuda.
E pior: Me arrependeria do jantar com o ruivo que encantava-me de uma maneira que nem eu poderia compreender.
Edward Cullen.
Cullen. Deus, aquele homem não sai mais de meus pensamentos. Já estou começando a pensar que eu enlouqueci de vez, era completamente insano sentir tudo o que eu sentia por ele e isso não era de hoje, era desde a primeira vez que eu o tinha visto, nessa mesma loja.
Balancei minha cabeça bufando.
Eu estava ferrada.
Pov Edward.
Eu ainda sorria de forma vitoriosa enquanto estacionava o carro em minha vaga, na empresa.
Com certeza fácil não era uma palavra para descrever a atraente morena da loja, porém eu consegui o jantar, eu conseguiria falar com ela de forma correta esta noite e iria ajeitar as coisas. Não sei por que, mas era estranho quando ela chamava-me de babaca, eu não queria parecer isso em sua frente e também queria seguir os planos que eu tracei na noite passada em minha mente.
Mesmo não sendo eu, e sendo difícil pra caralho para uma pessoa da minha personalidade, eu me desculparia pela grosseria de ontem. Na verdade fui na loja para isso, mas as palavras simplesmente não saíam da minha boca e a única coisa que saiu foi o convite para o jantar. Não sei porque era-me difícil falar um “eu sinto muito” ou simplesmente pedir desculpas, ainda acho que tem a ver com os traumas todos que sofri em minha infância, porém isso não era um código para rebaixar qualquer pessoa que passasse em minha frente.
Alice tinha razão. Eu não precisava ser um escroto com todos e tratar todo mundo como lixo. Minha irmã sempre sabia das coisas quando se tratava de mim. Eu realmente não podia mudar com todos, aquilo estava em mim, eu buscava ser superior a qualquer coisa, mas sinto que se eu ao menos quero mudar em algo, Bella poderia ser o princípio.
Balancei minha cabeça e desliguei meu carro, assim que o estacionei corretamente. Puxei a chave da ignição e saí do veículo, batendo a porta em seguida e ativando o alarme. Acenei para meus seguranças que continuavam em seu carro e caminhei até meu elevador privativo.
Ao entrar na caixa de metal, digitei minha senha e encostei-me ao fundo, vendo as portas fecharam-se lentamente. Fechei meus olhos e esfreguei meu rosto, respirando profundamente. Eu sentia-me estranho, porra, eu definitivamente não era mais o homem de meses atrás, não era aquela pessoa estupida, talvez um pouco sim, mas com Bella eu realmente tentava me segurar. Não faço a mínima ideia do porquê disso, só sei que... eu não posso machuca-la, de forma alguma.
Bella.
A imagem daquela morena tentadora não saia mais da minha mente. Ou melhor, minha cabeça não saia da garota que acabou com minha sanidade em poucos dias. Pelo amor de Deus, o que aquela garota tinha? Eu nunca, nem nos meus tempos de farra, interessei-me tanto por uma mulher desta maneira.
E para piorar minha situação, ela tinha dezenove anos. Tudo bem, maior de idade, mas dez anos mais nova do que eu. Eu deveria repensar bem e afastar-me dela, ela ainda era uma garota, mas não, meu lado idiota e irracional nem ligava por ela ser tão nova.
Era impossível existir essa atração forte que eu tenho por ela, eu mal a conheço, caralho! Toda vez que eu a olho, só quero empurrá-la na parede mais próxima e provar daqueles lábios que parecem ser suculentos demais.
Ainda mais quando ela os morde.
Bati minha cabeça na caixa de metal e respirei fundo, uma, duas vezes. Eu precisava acalmar-me, precisava acalmar meus pensamentos. Isso tudo estava ficando perigoso e muito.
O barulho do elevador anunciando meu andar me fez acordar, de certa forma. Abri meus olhos e assim que as portas abriram, entrei em minha sala e rapidamente me dirigi para minha mesa que estava atolada de papéis. Desde ontem eu não trabalhava direito, bem, isso era uma mentira. Eu não trabalhava como antes desde o dia que a maldita garota petulante entrou em minha visão, porém ontem quando ela me enfrentou aqui... Eu só consegui pensar mais e mais nela, trabalho era a última coisa em minha mente.
Sentei em minha cadeira giratória e peguei algumas pastas, folheando os papéis e lendo tudo o que insinuava sobre como andavam as publicações de minha Editora. Mal deu tempo de eu terminar a primeira pasta e logo a porta da sala abriu-se, minha secretária passando por ela e vindo até minha mesa, colocando um copo de café do Starbucks no canto.
— Eu o ouvi chegando. – Murmurou.
Eu já ia mandar a Senhorita Johnson ao seu posto, porém quando levantei meus olhos em sua direção, um pensamento em especial veio em minha mente: “Ela acha-se superior a qualquer um e foi a primeira a brigar comigo por causa do atraso, olhando-me brava e discutindo, inferiorizando meu emprego. Eu não deixaria barato.”
— Diga-me, Senhorita Johnson, você foi desrespeitosa com a mulher que veio fazer-me uma entrega ontem? – Olhei-a sério e cruzei meus braços quando sua sobrancelha arqueou-se.
— Claro que não. – Engoliu em seco e eu bufei, era como se sua resposta fosse algo ensaiado. – Eu juro, Senhor Cullen, fui uma ótima funcionária como sempre.
— Bem, diga isso à ela. – Grunhi e fiquei de pé, colocando minhas mãos sobre minha mesa de vidro. – Eu ouvi reclamações sobre você, Senhorita, e eu realmente não fico satisfeito quando reclamam de meus funcionários e a culpa cai sobre mim. – Seus olhos arregalaram-se. – Tem certeza que não fez nada?
— Com certeza. – Levantou a cabeça e bufei exasperado com sua conduta. Por Deus, Alice não contrataria mais nenhum funcionário para mim.
— Eu não acredito em você! – Bati na mesa e ela pulou de susto com meu grito. – Eu posso ser qualquer coisa, Senhorita Johnson, mas eu não sou idiota! Ouvi reclamações hoje sobre você e obviamente eu não as quero mais. Então se por acaso qualquer coisa chegar aos meus ouvidos, qualquer coisinha mesmo, você estará na rua! – Minha voz elevou-se a cada nova palavra. Ela olhava-me entre assustada e outra coisa que eu realmente não estava interessado em desvendar. – Estamos entendidos?
— Perfeitamente. – Respirou fundo. – Deseja algo?
— Apenas que saía da sala. – Ela assentiu rapidamente e virou-se, abrindo a porta e retirando-se do local.
Respirei fundo e caí na cadeira de couro, remexendo em meus fios, apertando meu cabelo em minhas mãos. Porra, eu realmente fiz isso por Bella? Foi só lembrar-me do que ela disse na loja sobre a minha secretária, que eu já pude sentir o sangue queimar em minhas veias pela falta de profissionalismo da parte dela, ainda mais com Isabella. Eu... merda, eu só posso estar ficando maluco!
Peguei o copo do Starbucks e beberiquei um pouco do café quente, tentando acalmar-me de alguma maneira. Tentando tira-la de minha mente.
Mas eu sabia que era em vão.
[...]
Bocejei esfregando meu rosto e dei uma olhada no relógio em meu pulso, ainda eram dezoito horas.
Ao lembrar-me de uma coisa importante, peguei meu celular que estava sobre a mesa e disquei o número de minha irmã.
— Alô?
— Alice, sou eu.
— Edward! — Gritou animada e revirei os olhos sorrindo. — É ótimo receber sua ligação, ainda mais quando Andrew anda tão agitado por querer vê-lo. Você virá busca-lo? — Respirei fundo.
— É exatamente por isso que estou ligando. – Podia ao fundo ouvir a voz do meu filho, perguntando sobre mim. – Eu preciso que fique com ele até umas... – Pensei um pouco. – Até a meia-noite. – Respondi e a ouvi arfar.
— Edward Cullen, o que você está pensando em fazer?
— Alice, por favor, eu sou o irmão mais velho aqui. – Bufei.
— Eu... merda, me diga que seu destino não é uma casa cheia de vadias?
— Caralho, você definitivamente não pode estar falando dessa maneira perto de Andrew. – Grunhi irritado. Eu fazia de tudo para que ele não soubesse de palavras como essas por enquanto, eu não o queria pensando no que seria tudo isso. – Alice?
— Eu me afastei dele, não se preocupe. — Pude respirar mais calmo agora. – Por favor, Edward, você está há dois anos sem se relacionar com ninguém, eu não quero que você vá atrás de putas que querem seu dinheiro.
Sua voz era fraca e fechei meus olhos tentando não soar grosso com ela. Apesar de intrometer-se muito, Alice só queria ajudar-me, como sempre.
— Tudo bem. – Suspirei. – E obrigada por lembrar-me que estou sem sexo há dois anos. – Ironizei e pude ouvi-la rir baixinho.
— Me desculpe. Mas eu falei sério, não quero meu irmão metido com essas pessoas interesseiras.
— Está tudo bem, Alice, eu não farei nada do que pensa. Só que Andrew não pode ir comigo, não hoje.
— Se Andrew não pode ir, alguma coisa vai fazer. Me diga o que é.
— Agora não. Por favor, confie em mim, Alice, está tudo bem. Eu não irei atrás de pessoas desse nível e muito menos fazer besteiras, olha a minha idade, eu sei me cuidar.
— Ok. — Eu não ficava convencido dessa maneira. Revirei os olhos, jogando minha cabeça para trás, apoiando-a na cadeira.
— Alice. – A repreendi.
— Tudo bem, tudo bem. Confio em você. — Consegui sorrir um pouco. — E eu... bem, acho que posso sentir que é uma coisa boa.
— E é. – Confirmei para tentar tranquiliza-la. Mas Alice com aquele dom estranho dela sabia das coisas, e eu ficava ainda mais aliviado quando ela me dizia que viria algo bom e não sentia nada de estranho.
— Ótimo, posso me contentar com o que eu sinto e com suas palavras.
— Obrigado.
— Mas prometa que irá me dizer o que anda fazendo.
— Eu irei, pode deixar, só dê-me algum tempo. – Ouvi ela murmurar um “tudo bem”. – Agora me fale, como Andrew foi na consulta? – Perguntei, embora soubesse de suas reações com os médicos.
— Terrível. — Tive que rir um pouco. — Não ria, seu idiota! Andrew realmente odeia qualquer um vestido de branco e que esteja na maldita clínica. Ele quase me enlouqueceu hoje. — Resmungou e sorri. Sabia que o menino odiava médicos, já não me surpreendia mais com suas ações com eles. — Eu nunca mais o levo em uma consulta, já deixo bem avisado.
— Está tudo bem. – Ri e ela bufou. – Enfim, os resultados?
— Semana que vem estão prontos. Você busca?
— Sim, só me confirme o dia depois. Posso falar com Andrew? Preciso explicar para ele que eu não o verei hoje, provavelmente estará dormindo quando eu for pegá-lo.
— Vou passar para ele.
Esperei alguns minutos e pude ouvir o barulho de Alice movendo-se por sua casa, já que tinha me dito que se afastou de Andrew. Algumas vozes se sucederam, até que ouvi um barulho final e enfim a voz que enchia-me de felicidade, apesar de qualquer coisa.
— Papai! — Sua voz infantil soou animada e um sorriso idiota apareceu em meus lábios.
— Ei, campeão, tudo bem?
— Sim. Mas... bem, eu não gostei dos médicos de hoje e acho que não me comportei direito. — Ri baixinho, eu até podia imaginá-lo corar enquanto confessava suas ações.
— Conversaremos mais sobre isso, não pode ser mal com todos os médicos. Mas olhe, querido, eu liguei para informar que eu não o verei cedo hoje.
— Por quê? — Podia notar o desanimo em sua voz que antes parecia alegre. Suspirei com isso, odiava magoá-lo.
— Desculpe, Andrew, o papai precisa fazer algumas coisas hoje à noite, por isso preciso que fique com a tia Alice até mais tarde.
— Não posso ir junto? — Merda, sua voz triste cortava-me de dentro para fora.
— Infelizmente não, campeão. – Ele soltou um muxoxo desanimado. – Mas eu prometo que quando der, o levarei para passear, durante o dia todo.
— Tudo bem, papai.
— Não fique triste, ok? – Ele resmungou algo. – Andrew, por favor. – Fechei meus olhos sentindo-me mal por dentro, odiava isso. – Você vai se divertir até mais tarde com a Alice.
— Me promete que não vai me abandonar por nada? — Sua voz era chorosa agora. Oh, merda. Eu não queria fazê-lo chorar e muito menos colocar esses pensamentos em sua cabeça.
— Prometo, juro com toda a minha vida, Andrew. E pare de pensar essas coisas, tudo bem? Eu o buscarei mais tarde, só que tudo continua o mesmo, não é porque eu vou sair que deixarei de amar meu pequeno bagunceiro. – Brinquei e fiquei feliz quando pude ouvir sua risada.
— Então tudo bem! — E a animação estava de volta, era assim que eu gostava.
— Vou desligar. Mas se comporte aí, tudo bem?
— Pode deixar, vou brincar muitão com minha tia. — Ouvi a risada de Alice ao fundo e sorri com a mania do garoto de dar aumentativo nas palavras. — Eu amo você, papai, venha logo me buscar, hein?!
— Vou sim, campeão. – Suspirei enchendo-me mais de amor por esse menino, Deus, ele era vital para mim. Era a minha vida. – Eu também amo você, filho.
— Muitão? — Gargalhei e ouvi sua risada.
— Muitão. – Confirmei. – Até mais e mande um beijo para Alice.
— Tchau, papai.
Desliguei o celular e soltei um longo suspiro. Andrew com certeza era uma pessoa que quebrava todas as minhas barreiras.
E agora Bella... Deus, eu realmente não imaginava o que aquela mulher conseguia fazer comigo. Cheguei as horas mais uma vez e soltei um resmungo ao ver que demoraria um tempo para que eu saísse da empresa e fosse busca-la. Porra, eu parecia contar os minutos desde que cheguei na porcaria da empresa! Isso não podia ser certo, como ela conseguia atrair-me tanto?
Antes que eu fizesse qualquer coisa ou continuasse remoendo-me em pensamentos, a porta da minha sala foi aberta em um rompante e olhei para cima, já podendo sentir toda a minha raiva queimando através de meu sangue. Fiquei de pé imediatamente e a mulher em minha frente abriu um sorriso diabólico, cruzando seus braços.
— Eu não acredito que teve a cara de pau! – Grunhi dando um soco em minha mesa. – Retire-se já!
— Eu não vou sair! – Empinou a cabeça e deu alguns passos para frente. – Eu sei de seu pequeno segredinho, Cullen. — Olhou-me de cima a baixo, desdenhando meu sobrenome. Bufei de ódio e ela riu. – Eu sei sobre Andrew.
Acho que meu mundo ruiu-se naquele instante.
“Continua...”
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