Never It's Late.
5 Quando algo novo acontece, os problemas são esquecidos.
Notas iniciais
Quando algo novo acontece, os problemas são esquecidos.
Pov Edward.
Acho que meu mundo ruiu-se naquele instante.
Assim que aquelas palavras saíram da boca daquela mulher, tudo a minha volta girou muito rápido. Aquilo não poderia acontecer, porra! Isso era tudo o que não poderia estar acontecendo. Eu salvei Andrew do mundo inteiro por todos esses fodidos anos, e eu queria salvá-lo para sempre dessas duas pessoas inúteis que nem deveriam estar mais existindo, e agora com a mulher, antes morena, sorrindo de forma tão diabólica, eu poderia prever que minha vida estava ferrada de agora por diante.
— Você não pode estar falando sério. – Sussurrei de maneira quase inaudível, tamanho era meu medo. O pior que poderia me ocorrer, estava acontecendo. Respirei fundo e abaixei a cabeça, apoiando-me na mesa e tentando recompor-me.
Merda, isso estava fora de controle.
— Eu estou falando muito sério. – Levantei meus olhos e ela riu balançando a cabeça, fazendo seu cabelo loiro mover-se com a ação. – Você acha que é invencível, querido Edward? – Levantou uma sobrancelha de forma irônica e engoli em seco. – Pois que a partir de agora, você se dê conta que não é. Mesmo tão frio e amargurado, tem um ponto fraco como todas as pessoas. – Soltou uma gargalhada que deu-me mais ódio. – E olha que maravilha, eu sei desse ponto fraco! – Abriu os braços de maneira alegre. Eu definitivamente a odiava.
— Eu te odeio! – Gritei com todas as forças que ainda restavam-me, dando a volta na mesa e parando em sua frente. Seus olhos castanhos transmitiam todo o deboche e um sorriso estonteantemente nojento estava em seus lábios pintados. – Seu lugar no inferno já estava guardado, porém agora talvez eu a coloque lá mais cedo! – Grunhi raivoso e ela riu ainda mais. – Não me tente, Elizabeth, eu sou muito pior do que pode pensar!
— Ah, mais que medo que eu tenho de você. – Revirou os olhos, dando um passo à frente e tentando tocar-me, mas fui mais rápido e esquivei-me de sua mão. – Acho melhor contribuir comigo, ou eu coloco todo o seu mundo a perder. – Riu. – Ou não, posso só fazer um certo garotinho sofrer. – Piscou e rugi segurando em seu braço direito, apertando-o com toda a minha força.
— Nem pense em chegar perto de Andrew. – Cuspi as palavras em seu rosto e um arfar escapou de seus lábios quando apertei mais seu braço. – Não ouse nem pensar nele ou eu acabo com sua vida! – A chacoalhei, mesmo que eu estivesse tremendo de medo por dentro.
Eu convivi muito tempo com Elizabeth e Anthony, aquelas pessoas que deveriam ser meus pais, eu sei muito bem do que cada um deles pode ser capaz e eu realmente não quero pagar para ver o que eles poderiam fazer com meu filho. Um ódio alastrava-se nesse momento por meu corpo, mas eu tinha um medo enorme me consumindo, eu sentia medo por Andrew, eu nunca poderia vê-lo sofrer e muito menos perde-lo, aquele garoto tornou-se a minha vida, eu faria qualquer coisa para mantê-lo a salvo sem nem piscar, meu dever era cuidar dele.
Mas eu sabia que algum dia um daqueles crápulas poderia saber da existência dele, só não imaginava que seria tão cedo assim e que eu sentisse mais pavor do que sequer poderia imaginar. Eu não podia perder meu filho, eu não seria nada sem ele e nem sei como conseguiria continuar vivo se algo o acontecesse.
— Sou eu quem coloco as cartas na mesa agora, Cullen. — Pisquei meus olhos e olhei a loira a minha frente e eu podia ver que a machucava, mas mesmo assim ela ainda sorria, como se nem se importasse. – É melhor me soltar.
— Ou o quê? – Apertei meus dedos e ela gargalhou, rolando seus olhos.
— Por enquanto só eu sei da existência daquele bastardo. – Fechei meus olhos puxando o ar, tentando controlar para não lhe acertar um tapa. – E acho melhor soltar-me e ouvir o que eu tenho a dizer, porque caso o contrário, eu conto ao meu marido e deixo ele no comando para resolver o que fazer com o pequeno degenerado.
— CALE SUA BOCA! – O grito saiu antes que eu pudesse conter e quando abri meus olhos, pude ver os dela arregalados com minha explosão. – Cala a maldita boca. – Soltei lentamente as palavras. – Você não é nada, Elizabeth, nada. Se quiser me ameaçar, tudo bem, vá em frente. Mas não ameace meu filho, não fale dele e muito menos o xingue, porra! – Soltei-a com brusquidão, fazendo-a cambalear para se manter em pé. – Você não faz ideia do que eu sou capaz!
— Ótimo. – Respirou fundo. – Mas pense bem, filho, você sabe muito bem do que eu e Anthony somos capazes, então é melhor seguir as minhas regras a partir de agora, porque será seu filhinho que irá sofrer em seu lugar. – Engoli minha saliva, olhando agora em seus olhos que brilhavam de escárnio. Eu só queria soca-la, ignorando que ela era uma mulher. – Quem diria que o poderoso Edward Cullen poderia ter medo de algo. – Soltou uma risada. – Ah, que bom que ainda consigo causar medo em você, querido. — Tentou outra vez chegar com sua mão em meu rosto, porém segurei e apertei-a.
— Não encoste um dedo em mim. – Ela grunhiu e puxou a mão para si. – E diga-me logo o que quer, antes que eu perca a cabeça e esqueça que você é uma mulher.
— Oh, sou sua mãe, não fale assim comigo. – Fez um bico com os lábios, levando uma mão até o peito teatralmente. – Assim você fere meus sentimentos maternos.
— Como se você conseguisse ter algum, sua puta!
— Modere muito bem suas palavras. – Agora ela aproximou-se com raiva. – Eu disse e repito: Posso contar para Anthony sobre seu segredo e daí você estará muito mais perdido do que agora. Então vamos lá mais uma vez, você quer o lado fácil ou o difícil? – Sorriu arqueando a sobrancelha. Notando meu silencio, ela bateu palmas feliz. – Ah, ótimo, adoro você obediente. Vamos manter isso entre nós, então.
— Me fale o que quer. – Respirei fundo. – Fale agora ou suma daqui. – Minha voz ficava elevada a cada palavra, mas Elizabeth continuava sorrindo. Aquela filha da puta sabia que eu jamais poderia colocar Andrew em perigo, de alguma forma ela tinha consciência disso e jogaria da maneira que quisesse.
— Ainda impaciente, tsc, tsc, tsc... – Balançou um dedo e deu a volta em mim, sentando-se na cadeira de frente para minha mesa. – Deveria aprender bons modos.
— E você deveria morrer, porque só assim eu teria uma vida melhor. – Rebati indo até meu lugar e ficando de frente para ela, ainda em pé. A mulher que apenas deu-me a vida levantou seus olhos e ainda sorrindo, levou suas mãos para a mesa, batucando os dedos sobre o vidro.
— Seu desejo não vai se realizar, sinto muito. – Estralou a língua. – Mas seja um pouco mais educado comigo, esse será o primeiro requisito e da primeira etapa. – Olhei-a completamente confuso e sua boca abriu-se, como se fingisse uma surpresa. – O que foi? Achou que eu só viria aqui pedir algo em troca e manteria minha boca fechada? – Riu ao cobrir seu rosto com uma mão. – Ah, Edward, para um homem esperto você tem muita inocência junto.
— Diga que porra você quer. – Soquei minha mesa, a raiva começava a fervilhar ainda mais. – Pare de ocupar meu tempo, merda! Anda, me fale logo.
— Primeiramente, eu quero um milhão de dólares. – Abriu um sorriso enorme. Balancei a cabeça negando, mas seus olhos reviraram-se. – Está negando-me isso? O que? O dinheiro é mais importante do que o bastardo?
— Não fale dele dessa maneira! – Ela encolheu-se um pouco com meu grito. Dar medo em Elizabeth já dava uma certa satisfação. – Está tudo bem, eu darei o dinheiro. – Ela pareceu satisfeita, mas dessa vez eu sorri de forma debochada. – Mas serão apenas quinhentos mil.
— Nada disso! – Levantou-se, empurrando a cadeira com força para trás. – Faça a droga do que eu quero ou eu vou agora mesmo contar para Anthony o que eu sei!
— Eu sei seu plano, Elizabeth, mas você não irá tirar todo o meu dinheiro de mim! Sei muito bem que a cada dia planeja vir aqui pedir absurdos de dinheiro, mas eu não sou tão idiota! Ou aceita os quinhentos mil agora ou pode ir correndo até a merda do seu marido, eu realmente não ligo, posso ser pior do que vocês dois juntos para cuidar do meu filho. Teste a minha paciência para você ver! – Elizabeth respirou fundo, arrumando os fios loiros e cruzando seus braços em seguida.
— Sou eu que dito as regras por aqui. – Levantou a cabeça e bufei. – Eu aceitarei o dinheiro agora, mas que fique bem claro que isso não acabará por aqui.
— Não darei o dinheiro então. – Ela pareceu muito surpresa. – Você quer o dinheiro para manter a boca calada, não é? Mas como saberei se está falando a verdade? Não sou burro para confiar em uma cobra como você.
— Então não confie, seu miserável! Mas saiba que isso não termina aqui, tudo terá volta. – Ela arrumou sua bolsa no ombro. – Tome muito cuidado, Cullen, seu filho não está mais tão seguro quanto pensa, eu também tenho meus meios.
E falando isso ela virou-se, retirando-se da sala e batendo a porta com força.
Eu não consegui me segurar, caí contra minha cadeira giratória e passei minhas mãos com força por meu rosto, sentindo raiva e medo espalharem-se por todo o meu corpo. Eu estava sem chão, não tinha como eu fingir-me de forte no momento, eu tinha pavor do que os dois imbecis poderiam fazer contra Andrew, eles tinham seus meios criminosos e eu nunca saberia a que momento eles agiriam.
— Filhos da puta! – Gritei e chutei a droga da perna da minha mesa, fazendo-a ir com força para frente e derrubando a metade das coisas que tinha sobre ela. – Isso não vai ficar assim!
Grunhi de ódio e joguei a cabeça para trás, agarrando um punhado de meu cabelo. Eu estava muito fodido agora, todo o cuidado seria pouco com aqueles dois.
Respirando fundo, peguei o meu celular que conseguiu ficar sobre a mesa e disquei o número dos meus seguranças, levando o aparelho até meu ouvido em seguida.
— Senhor Cullen? — Era George atendendo.
— Eu quero que você vá até o meu apartamento, pegue a merda do carro que for, mas dirija imediatamente até a casa da minha irmã e viaje a entrada a cada segundo! Qualquer movimentação diferente ou chegada de alguém, me avise. – Falei tudo de vez, mas bufei raivoso quando não recebi nenhuma resposta. – George?
— Eu não posso deixar o senhor sem alguma segurança. — Revirei os olhos, passando uma mão por meu rosto. Merda, ele não tinha que cumprir com minhas ordens?
— Não me importo com a droga da minha segurança, George! Se algo acontecer a Andrew, nada valerá! – Respirei fundo, tentando acalmar-me um pouco. – Me escute, deixe Daniel comigo e vá somente você até a casa de Alice. Eu estou mandando você fazer isso, entendido?
— Está tudo bem, Senhor Cullen. Vou pegar um táxi e ir até seu apartamento, para depois fazer tudo o que mandou. — Consegui ficar um pouco mais aliviado. Daniel e George eram meus seguranças há muito tempo, odiava ser mal educado com eles, mas eu não tinha tempo para pensar nisso no momento.
— Ótimo. Cuide da casa dela, mas não deixe-a perceber que está lá. E qualquer coisa acontecendo, me ligue no mesmo instante.
— Entendido. Já estou indo para lá, eu devo ficar com esse celular?
— Sim, fique. E fale para Daniel que eu sairei dentro de alguns minutos, indo para um lugar diferente do normal. Só o mande me seguir.
— Tudo bem.
Desliguei a chamada e joguei o aparelho sobre a mesa, respirando fundo outra vez.
Eu daria um jeito em tudo, nada aconteceria com meu filho, nem que eu tivesse que fazer coisas que nunca imaginei que poderia ser capaz. Mas por Andrew... nada era demais para ser feito, eu sempre o manteria em segurança.
Pov Bella.
Eu vou jantar com Edward Cullen.
Bufei com meu pensamento, conforme caminhava pelas ruas já escuras de Manhattan.
Era a única coisa que eu conseguia pensar desde hoje cedo. Desde que ele fez esse maldito pedido, ou ordem, dependendo do ponto de vista e pelo meu, foi mais uma intimação. Mas enfim... Eu não tirava mais esse homem da cabeça, parecia ainda mais impossível agora, Deus, eu nem acredito que aceitei.
Jantar.
Oh, céus.
Esse homem iria levar-me a loucura de alguma maneira. Antes eu já tinha muitas coisas para pensar 24 horas nele, e agora aquele perfume másculo também atormenta minha mente. Deus, era impossível isso acontecer, como alguém pode ficar relembrando do cheiro da pessoa? Eu não estava mais sã, estava ficando completamente perdida, eu tinha certeza disso.
Esse jantar vai me enlouquecer ainda mais, já prevejo isso.
Estou apostando com Rosalie sobre onde ele me levaria. Ela apostou que ele acataria meu pedido e iria em um local simples, eu não acreditava que ele poderia sequer ser simples com algo, então apostei em um restaurante caro e finíssimo. Bem, segunda-feira eu estarei vinte dólares mais rica.
Bocejei atravessando a rua e fui até o prédio com pintura antiga e mal iluminado onde eu morava. Algumas pessoas malucas estavam do lado de fora fumando, eu nem conseguia andar com o frio e elas estavam encostadas na parede, como se estivesse o tempo mais fresco do mundo. Revirei os olhos e fingi que nem vi aquelas pessoas, indo direto para a porta de entrada.
Entrei em meu prédio, soltando um longo suspiro por causa do frio cortante que fazia. Esfreguei meus braços e caminhei até as caixas de correios dos apartamentos, peguei minha chave da porta do bolso e junto com ela tinha a chave da minha caixinha, então a peguei e destranquei, puxando um monte de cartas de lá. Preferi deixar para abri-las no apartamento, então tranquei de volta minha caixa e fui para as escadas, subindo os dois lances, até chegar em meu apartamento.
Entrei em casa e encostei a porta, jogando as chaves no sofá e sentando-me nele, olhando as cartas em minha mão com cuidado. Revirei os olhos já vendo o que eram e comecei a passa-las.
— Gás. – Revirei os olhos, passando para trás. – Água. – Troquei. – Luz. – Bufei, sério, só contas? – Aluguel. – Já ia jogar tudo para o lado, mas quando eu peguei a última carta, minha boca abriu em choque e meus olhos arregalaram-se. Eu até podia sentir minhas mãos tremeram, enquanto eu segurava o envelope pardo.
Oh, meu Deus!
— Bella, Bella, olha só o que eu trouxe para você preencher! – Rosalie correu até onde eu estava sentada, preenchendo algumas coisas sobre as vendas da loja. Angela disse-me que após dois meses ela irá me promover para vendedora, agora eu só tinha que fazer o controle de tudo. Para mim estava ótimo.
Levantei meus olhos e minha amiga vinha apressada em minha direção. Eu tinha entrado na loja mês passado e Rosalie Hale tornou-se no mesmo instante minha melhor amiga, ajudando-me com todas as coisas que eu precisava e sendo a pessoa mais carinhosa comigo em todos os meus dezoito anos de vida. Eu amava a loira e eu sentia que sempre seriamos amigas, e ela já era uma irmã para mim, mesmo eu a conhecendo tão pouco.
— Céus, Rose, para que tanta pressa? – Ri e ela bufou, parando ao meu lado.
— Deus, corri um monte desde que entrei na loja. – Colocou a mão no peito, respirando fundo. – Eu estive procurando algumas informações sobre a Universidade Columbia, então eu ativei notificações para meus e-mails quando eles estivessem com vagas para bolsas, e olha isso! – Ela entregou-me um papel e quando eu comecei a ler, arregalei meus olhos, olhando em sua direção e vendo-a com um bonito sorriso no rosto. – Eles estão aceitando inscrições para todas as áreas! É a sua oportunidade, Bella, tem chances para uma bolsa de 100%.
Engoli em seco, lendo o papel impresso que Rose tinha me dado. Ali continha informações de como escrever a carta para a Universidade e o modo de concorrer a bolsas de todas as porcentagens, e a de cem era apenas para duas vagas.
Respirei bem fundo, correndo meus olhos pela folha. Meu sonho sempre foi fazer faculdade, eu amava a profissão de Psicologia, eu aprofundei-me nisso no Ensino Médio. Eu tinha uma professora que sempre conversava comigo sobre a área, ela era professora de Literatura e estava fazendo uma faculdade de Psicologia e quando contei para ela meus sonhos, ela incentivou-me e vivia contando-me de como eram os estudos. Foi aí que eu decidi minha profissão.
Só que quando saí do orfanato e do Ensino Médio, a primeira coisa que eu precisava fazer era procurar uma casa, emprego e dar um jeito em minha vida, então eu deixei de lado o sonho de ser uma universitária. Mas eu tinha uma chance se eu mandasse a carta, certo? Eu precisava dos 100%, nem uma outra porcentagem me ajudaria, eu tinha uma chance entre duas, era algo possível, eu podia tentar.
— Você vai tentar, não é? – Sorri para a loira em minha frente e percebendo minha resposta, ela gritou animada e puxou-me para ficar de pé em sua frente, dando-me um abraço em seguida. – Eu irei te ajudar em tudo, Bella! Se você ganhar 75%, eu pago o resto, o que importa é que você vai realizar seu sonho!
— Obrigada, Rose. – Suspirei em meio ao abraço, já podendo sentir os olhos marejados. – Realmente, muito obrigada.
— Eu sempre estarei aqui para você, Bella, você é como uma irmã. E pode ver, você vai passar.
Uma lágrima caiu do meu rosto, conforme eu olhava abismada para a carta em minha mão. Pelo peso dela, alguma coisa eu tinha conseguido, só faltava-me coragem para abri-la.
Puxei meu ar e ainda com minhas mãos tremendo, abri com muito cuidado a carta, tirando o lacre dourado que tinha na frente. Assim que a tive aberta, segurei todos os papéis que tinha dentro e os puxei devagar, engolindo em seco.
Deixei o envelope ao meu lado no sofá, segurando com cuidado as folhas em minhas mãos. Na primeira linha meus olhos já encheram-se de lágrimas, e elas deslizam por meu rosto, algumas pingando nos papéis em minhas mãos.
“Parabéns! Você foi aceita na Columbia University”
Meus olhos correram pelas letras, lendo tudo com muita atenção. Porém na primeira página eram apenas palavras parabenizando-me pela aceitação e uma pequena parte de como foi criada a Universidade, relatando sua pequena estória.
Passei para a próxima página e meu coração acelerou-se muito, ali dizia sobre minha aceitação na área de Psicologia. E MEU DEUS!
Minha bolsa era de 100%.
Levei uma mão para minha boca aberta em choque e um soluço escapou de meus lábios. Eu faria Universidade, Deus, eu realizaria meu sonho. Larguei as folhas ao meu lado e coloquei minhas mãos em meu rosto, chorando com força, mas ao menos uma vez na minha vida era de felicidade. Uma vez em todos os meus dezenove anos eu podia chorar com uma felicidade esplendorosa que atingia-me de dentro para fora, era algo incrível e nunca sentido por mim. Eu estava feliz e muito!
Pulei de susto com três batidas em minha porta e levantei-me, secando meu rosto para tirar as lágrimas, mas o sorriso eu não conseguia tirar de meu rosto. Eu faria faculdade, oh, meu Deus, eu faria faculdade.
Soltei um suspiro e fui até a porta, mas bufei ao ver que a chave estava sobre o sofá, então voltei e peguei o objeto, indo até a porta novamente e a destrancando. Girei a maçaneta e Rosalie sorriu abertamente para mim, erguendo uma maleta preta em sua frente.
Ela analisou-me e aos poucos o sorriso lindo que tinha em seu rosto foi apagando-se, enquanto seu cenho franzia-se e seus olhos olhavam-me com toda a atenção.
— Oh, não, ele veio aqui e desmarcou tudo? É isso? Aquele canalha desistiu do jantar de vocês? – Arqueei uma sobrancelha e Rose suspirou. – Você disse que não gostava dele, então por que está chorando? Você quer bater nele? Eu bato por você...
— Rosalie! – Gritei e ela calou-se por um momento, respirando fundo depois de ter falado tão depressa. Ri dela e a ouvi bufar. – Deus, de onde tirou tudo isso?
— O que? Eu vim mega preparada para produzir você como uma mulher fodona e ele desmarca as coisas, assim não da. – Bateu o pé no chão, o barulho do seu salto ecoando. – Mas que horas ele veio?
— Ei, não tem nada a ver com ele. – Estralei o dedo em sua frente. – Não viaja, Loira. – Bufei risonha. Eu não conseguia parar de rir.
— Então o que aconteceu para você estar com essa cara? Seu rosto está todo manchado de lágrimas e seus olhos ainda estão marejados. – Respirou fundo. – Me conte.
— Entra. – Rose passou por mim e consigo trazia a maleta enorme e mais duas capas. – O que são isso?
— Opções de vestidos para você.
— Nem pensar. – Cruzei os braços. – Nada de vestidos.
— Mas seu encontro tem que ser perfeitamente perfeito!
— Não é um encontro, Rosalie. – Revirei os olhos e depois respirei profundamente. – Eu só vou jantar, porque ele praticamente me intimou.
— Aham, sei. Conta outra. – Agora foi ela quem rolou seus olhos. – Bella, eu conheço você, se não quisesse ir a se jantar, iria fazer de tudo para não ir. Você é teimosa e não deixa ninguém obrigar você a nada. Então pelo o que eu posso ver, você está doidinha para ver o gostoso presidente da Editora. – Moveu as sobrancelhas sugestivamente, conforme largava suas coisas sobre meu sofá.
— Calada. Não é nada disso. – Desconversei, indo até ela e pegando a minha importante carta.
— Sim, eu percebo que não é isso, você está só fugindo do meu assunto por nada. – Ironizou e eu tive que rir. Olhei para ela e sua sobrancelha estava arqueada, seus olhos azuis brilhando de ironia.
— Olha, vamos mudar um pouco de assunto. – Apertei o papel de aceitação em meus dedos, puxando meu ar e mordendo meu lábio inferior. – Lembra de quando você veio mostrar-me as opções da Columbia University, falando-me sobre seus programas de bolsas e tinha duas vagas para 100%? – A Loira franziu o cenho, cruzando seus braços, mas ainda assim assentiu. – Chegou isso hoje. Peguei assim que entrei no prédio. – Estiquei a carta principal para ela.
Rose pegou o papel da minha mão e seus olhos desceram por todas as palavras, lendo com muita atenção. Cruzei meus braços, balançando-me enquanto a esperava terminar de ler. Esse com certeza era um momento especial demais para mim e ninguém melhor para compartilhar essa felicidade do que Rose, só que bem no fundo da minha mente, uma outra pessoa surgia.
Balancei minha cabeça para tirar esses absurdos de minha mente e do nada, ouvi o grito da minha amiga. Logo seus braços me circularam e seu corpo colidiu com o meu, conforme ela abraçava-me com força. Tive que gargalhar com sua afobação e a abracei de volta, sentindo-me amada pela minha irmã do coração.
— Você passou! – Gritou histericamente e assenti, confirmando isso para mim mesmo. Ainda parecia um sonho. – Oh, você vai cursar Psicologia, Bella. Você vai. – Senti minhas lágrimas deslizarem com essa confirmação. Sim, eu iria. – Meus parabéns, amiga, estou tão feliz por você, nem posso descrever!
— Obrigada por estar comigo, Rose. – Funguei e ela separou-se de mim, olhando-me com um sorriso enorme e com seu rosto molhado. – Você que me indicou isso, é por você.
— Nada disso, é por você. – Corrigiu-me, ainda sorrindo muito. – Foram seus estudos, foi a sua carta, Bella. Parabéns! – Ela me abraçou de novo, fazendo-me rir conforme pulava comigo. – Eu tenho uma amiga universitária. – Rimos juntas. – E futura namorada de Edward Cullen.
— Ah, por favor, Rose, pare de sonhar. – Revirei meus olhos, separando-me dela. – Eu vou ser uma universitária! – Mudei de assunto e bati minhas mãos.
— Você se coloca muito para baixo, Bella. – Bufou. – Não percebe que pode tudo? Você conseguiu uma bolsa 100% na Universidade Columbia, isso é muito difícil de ser conseguido! E agora, vai jantar daqui... – Checou as horas em seu relógio de pulso. –... a uma hora com o maior executivo do país. Você pode tudo. – Sorriu para mim, piscando.
— Eu vou ser uma universitária! – Repeti e Rose rolou seus olhos com a minha mudança de assunto.
Ela tinha que parar de sonhar tão alto.
[...]
— Curto demais! – Grunhi olhando-me no espelho, verificando o vestido. – Rosalie Hale! Esse é ainda mais curto do que o verde. – Olhei-a zangada através do espelho, ouvindo sua risada. – Pare com isso.
— Está perfeito, Bella, pare de ser careta. – Riu de novo. – E te garanto, o verde era mais curto do que esse, pode apostar. – Piscou um olho e bufei, virando-me para lá e para cá em frente ao espelho, analisando-me de todos os ângulos.
O vestido azul ia alguns dedos abaixo da minha coxa, era apertado até minha cintura e depois descia abrindo, ficando um pouco rodado. Tinha um decote em V generoso, eu ficava feliz que não mostrava demais, porém meus seios estavam para cima e eu diria que chamavam atenção. Eu nunca tinha me sentido tão bonita, o vestido apertava nos lugares certos e marcava as curvas que eu jamais saberia que eu tinha.
— Eu fico com esse. – Admiti, dando mais uma volta em frente ao espelho. – Ficou bom.
— De novo se colocando para baixo. – A Loira se levantou da minha cama, soltando um bufo. – Está maravilhosa, eu juro. Agora coloque a meia calça preta que você tem e esse sobretudo preto. – Ela tirou algo de sua bolsa exageradamente grande, desdobrando e mostrando para mim. Arregalei meus olhos para o bonito sobretudo com alguns detalhes, fazendo Rose sorrir abertamente. – Sabia que iria gostar.
— É lindo. – Aproximei-me dela, tocando o tecido da roupa e suspirando ao notar a grossura, isso seria perfeito para usar no frio congelante de Manhattan. – Devolvo tudo na segunda-feira.
— Até parece. – Riu. – São tudo presente para você. Bem, minha maleta maravilhosa de maquiagem não, sou apaixonada por ela. – Piscou. – Mas o vestido, o sobretudo e um rímel que já vou entregar, são para você. – Abriu um bonito sorriso e suspirei.
— Eu não posso aceitar, Rose.
— É claro que pode, Bella, eu adoro dar presentes para você, isso me deixa feliz demais. Só que você é chata e sempre se contraria à tudo o que eu dou, foi um sacrifício fazê-la aceitar o celular de presente. – Apontou para o aparelho sobre a cama.
— Mas... – Engoli em seco.
— Por favor, isso me deixa feliz. – Olhou-me incisivamente.
— Eu me sinto como uma aproveitadora, fazendo você gastar seu dinheiro comigo.
— Não é nada disso. – Empurrou-me com seu quadril de brincadeira. – Vai vestir a meia calça para que eu possa maquiar você. – Soltou uma risada animada, pulando em seu lugar como uma criança.
— Nada exagerado, pelo amor de Deus. – Resmunguei, indo até o roupeiro e pegando a meia que ela mandou. A vesti e senti-me imediatamente melhor por minhas pernas não estarem nua, já sentia frio aqui dentro, imagine lá fora.
— Eu prometo, será um batom, rímel e blush. – Deu de ombros e suspirei indo até minha cama, sentando-me na ponta. Olhei para Rosalie que sorria como uma criança em um parque de diversões, assim que abriu a maleta preta da maquiagem. Ela puxou várias partes que até deixou-me de boca aberta com o tanto de maquiagem que tinha ali. – Esse é meu pequeno paraíso. – Suspirou ao dizer e eu ri.
— Estou vendo. – Rose pegou um rímel e veio até minha frente, levantando minha cabeça com o queixo. – Esse será o meu rímel de presente? – Perguntei debochada e ela riu.
— Isso aí. – Ela tirou o lacre do produto e o abriu, vindo com o pincel até meus cílios e passando-o devagar. – Você vai ficar ainda mais bonita, Bella, deixe-me ser legal.
— Acho um exagero para um encontro. – A Loira saiu de perto de mim, abrindo a boca e arqueando uma sobrancelha em minha direção. A olhei confusa e foi aí que me toquei na palavra que tinha falado. Bufei e revirei os olhos. – Eu quis dizer jantar.
— Sei muito bem. – Gargalhou, aproximando-se mais uma vez, dando continuidade em seu trabalho. – Você quer que seja um encontro, minha querida Bella.
— Eu não quero nada. Eu só disse essa palavra porque você está me infernizando desde hoje de manhã, falando nisso. – Defendi-me, cruzando meus braços.
— Você continua fingindo sobre isso e eu finjo que acredito em suas palavras. – Riu animada.
— Que horas são? – Desviei o assunto, não querendo colocar mais paranoias em minha mente perturbada.
— Sete e cinquenta e cinco. – Deu de ombros, agora passando rímel em meu outro olho. Fiquei de pé imediatamente, correndo até o lado da porta do quarto, pegando minhas sapatilhas e as colocando de forma apressada. – Para que essa pressa?
— Merda, ele me disse que iria me levar da forma que eu estivesse quando chegasse aqui. – Respirei fundo, terminando de calçar os sapatos. Fui até minha cama e peguei o sobretudo, vestindo e fechando seus botões de forma rápida.
— Ele não iria vir às oito e meia? – Olhou-me confusa, conforme eu me apressava em tudo e ia até o espelho, arrumando meu cabelo ainda úmido.
— Não, é oito horas.
— Ops, eu me enganei então. – Ela correu até mim, virando-me para ela. – Deixa eu terminar de passar o rímel em seus cílios do olho direito, senão vai ficar tudo estranho. – Assenti e ela continuou a maquiar-me. – Droga, não vai dar de terminar a maquiagem.
— Já está ótimo assim, Rosalie, não precisa de muita coisa para um encontro. – Vi um sorrisinho em seus lábios e controlei-me para não revirar meus olhos. – Eu quis dizer para um jantar.
— Claro que quis. – Riu e terminou rapidamente de ajeitar-me, pegando algo na maleta e limpando os borrados de meus olhos. – Falta um minuto, se eu fosse você, iria agora. – Rose pegou meu celular e me entregou. – Deixa que eu arrumo tudo antes de sair e deixo a chave debaixo do tapete que tem na entrada.
— Tudo bem, obrigada. – Assenti segurando meu aparelho telefônico. Me movi em meu lugar, respirando com dificuldade. Rose parou de mexer em sua maleta e olhou-me confusa.
— O que ainda faz aí?
— Acho que quero desistir. – Meu coração batia tão forte que até causava um incomodo em mim. – Isso não vai dar certo, Rose.
— Vai sim, Bella. – Veio até onde eu mexia-me inquieta, segurando em meus ombros. – Mostre do que você é capaz, sim? – Olhei-a confusa e ela sorriu. – Desça antes que ele venha bater na porta.
— O que você quis dizer com aquilo? – Puxei seu braço e ela riu.
— Parabéns pela bolsa na Universidade, amiga. – Deu-me um abraço rápido. Assim que ela se afastou, checou seu relógio. – Oito em ponto. Eu iria.
Bufei com seu risinho.
— Você está aprontando alguma coisa. – Ela deu de ombros. – Mas eu vou. Tchau.
Acenei para ela e rolei os olhos com a risada que eu ouvi. Corri para fora do meu apartamento e encostei a porta, segurando com força meu celular em minha mão direita. Fui até as escadas e desci os degraus com cuidado, eu tinha fama de ser desastrada e correr pelas escadas não seria minha melhor opção.
Desci o primeiro lance e antes que eu sequer chegasse no segundo, ouvi passos e de repente um homem perfeitamente vestido de terno apareceu, seu cabelo despenteado chamando-me a atenção e a beleza pura estampada em seu rosto magnifico. Parei no meio da divisória e notando que não estava sozinho, ele levantou a cabeça e sua boca abriu-se um pouco, seus olhos correndo por todo o meu corpo, avaliando-me e deixando-me arrepiada só com a maneira de como ele me olhava.
Engoli em seco e percorri seu corpo com meus olhos, mesmo que ele estivesse com a mesma roupa de mais cedo, todo de negro, ele ainda tirava-me o ar com tamanha beleza que sempre me impressionava. Ele era lindo, eu o odiava, mas não podia negar isso, Deus, seria um pecado capital negar o quanto Edward Cullen era bonito.
— Eu já estava indo busca-la no apartamento, pensei que tinha desistido. – Sua voz despertou-me e pigarreei, levantando meu olhar e encarando seus belos olhos.
— Eu firmei um compromisso, não desistiria. – Dei de ombros, mentindo descaradamente. Eu ainda sentia uma vontade de correr para meu apartamento e trancar-me lá dentro.
— Muito bem. – Ele respirou fundo. – Você está muito bonita. – Espera, ele sorriu para mim? Olhei-o atentamente e a merda do meu coração deu um solavanco quando eu vi o sorriso moldado em sua boca bonita, dirigido para mim. E aquele não era um sorriso debochado como mais cedo, era só... o mais bonito sorriso que eu já tinha visto.
— Eu... – Pigarreei outra vez, assim que ouvi minha voz soar rouca. – Bem, obrigada, Senhor Cullen. – Agora foi uma risada? Ok, essa era um pouco debochada.
— Pode chamar-me de Edward, Bella. – Piscou e um ofegar baixinho saiu de minha boca, ouvindo-o dizer meu nome mais uma vez, em sua voz perfeita e rouca. Acho que isso era uma coisa impossível de se acostumar. – Vamos? – Arqueou uma sobrancelha e assenti rapidamente como uma louca.
— Claro. – Desci alguns degraus e alcancei-o, ficando ao seu lado. – Aonde iremos?
— Em um restaurante perto do centro. – Uma de suas mãos pousou um pouco abaixo de minha coluna, guiando-me com ele, conforme descíamos as escadas. Uma queimação começava no local onde ele me tocava e meu corpo estremeceu com aquilo. – Está com frio? – Olhou-me curioso, assim que pisamos no último degrau. Neguei com a cabeça e seu cenho franziu-se. – Você está estremecendo.
— Nada demais. – Respirei fundo, caminhando em sua frente até a porta. – Centro? Fiz bem em vestir-me adequadamente. – Fui para fora e agora sim meu estremecimento foi de frio, assim que o vento gelado me atingiu.
— Eu cumpri seu requisito, é um restaurante bem simples. – Veio para fora e encostou a porta. – Não era o que você queria? – Debochou e bufei com isso.
— Vindo de você, eu imaginava que me negaria isso. – Levantei a cabeça em desafio e foi a vez dele bufar, conforme aproximava-se de mim.
— Está dizendo-me que sou um mentiroso?
— Isso mesmo. – Ele grunhiu e agarrou meu braço direito, puxando-me contra ele. Engoli em seco com a aproximação e o ouvi respirar fundo, olhando-me atentamente.
— Você e essa sua petulância. – Desdenhou e eu ri cinicamente.
— Você e esse seu lado babaca. – Arqueei uma sobrancelha enfrentando-o. Edward bufou outra vez, ficando mais perto de mim, dando-me arrepios em todos os lugares.
— Já está brigando comigo? – Soltou uma risada irônica. – Não tem nem dez minutos que nos encontramos, Isabella, e sua petulância já está ficando evidente. – Olhou-me nos olhos e perdi-me por alguns instantes na profundeza verde. Abri minha boca para dizer-lhe algo, porém minha voz não saia e meus olhos não desviavam dos seus. – O que foi, Bella? – Seu rosto ficou mais perto e arfei. – Perdeu a fala? – Meu olhar caiu para seus lábios repuxados em um sorriso curvado para o lado, fazendo-me perder ainda mais o ar.
Oh, merda.
O que estava acontecendo comigo?
— Eu... – Meus olhos ficaram em sua boca por alguns minutos, depois subiram mais uma vez para os olhos. Um suspiro saiu antes que eu o segurasse e isso fez com que Edward sorrisse com seus bonitos olhos, o profundo verde avaliando-me com tanto cuidado e sempre conectado em meus olhos.
— Belo carro! – Uma voz gritou da rua e parece que eu acordei de um sonho muito maluco, pois pisquei várias vezes e arrastei-me para longe de Edward, dando uma distância considerável entre nós.
— Vamos ao jantar? – Perguntei praticamente sem voz. Edward piscou e respirou profundamente, olhando para a rua e eu segui seu olhar, abrindo minha boca em choque ao ver o carro estacionado ali. De manhã eu não reparei muito bem, mas o carro era brilhantemente preto com duas portas, algo conversível, bonito demais. Eu não sabia a marca, era péssima com essas coisas, mas era lindo. – Uau! Esse é seu carro? – Pergunta idiota, ele era o único que poderia ter esse carro por aqui.
— Você gosta?
— É maravilhoso. – Meus olhos dirigiram-se para ele, vendo-o sorrir, o deboche e a pequena discussão de minutos atrás desaparecendo. – Eu não conheço muito bem carros. – Suspirei. – Mas esse é demais.
— Vamos então. – Outra vez sua mão estava em minha coluna e ele me guiou até o lado do passageiro. Edward tirou uma chave de seu paletó e apertou o botão do alarme, fazendo os faróis piscarem e um barulho soar. Ele abriu a porta e olhei boquiaberta para ele, fazendo-o arquear uma sobrancelha. – O que foi?
— Você está abrindo a porta para mim? – Perguntei em um folego só, achando a ação completamente inacreditável. Deus, isso só acontecia em filmes e eu estava ao lado de Edward Cullen. Ele não era o homem mais frio e amargurado da América?
— Eu posso ser tudo o que acha de mim, Bella, mas não sou um homem tão mal assim. – Revirou os olhos e apontou com a cabeça para a porta. – Entre.
— Ok. – Mordi o lábio inferior. – Obrigada.
— Não por isso. – Deu de ombros e eu deslizei para dentro do carro, sentando-me no banco de couro confortável.
A porta foi fechada e eu puxei o cinto em minha volta, prendendo-o no lugar adequado, no mesmo instante que Edward abriu sua porta e entrou no veículo, colocando o cinto. Ele colocou a chave na ignição e eu nem notei que o carro estava ligado, porque não fez nenhum som, só notei porque ele pisou no acelerador e o veículo saiu do meio fio, deslizando-se pelas ruas escuras.
— Inacreditável você não ter um motorista. – Ri com isso, as palavras saindo de minha boca antes que eu percebesse. Quando vi o que fiz, arregalei meus olhos o olhando e para minha surpresa, Edward riu.
O que estava acontecendo com ele?
— Eu gosto de dirigir. – Mudou de marcha. – Odiaria ter alguém comandando o volante que não seja eu.
— Isso que é uma surpresa. – Murmurei. – Então... – Movimentei minhas pernas, batendo meus dedos sobre elas. – Onde vamos? – Olhei-o curiosamente.
— Eu já disse: Um restaurante no centro. – Olhou-me brevemente e depois desviou seus olhos para a estrada, virando em uma rua.
— E eu posso saber o nome do restaurante? – Reformulei a pergunta, porque ele parecia fingir que não estava entendendo o que eu queria saber.
— IL Corallo Trattoria. – Oh, merda, ele tinha que ficar sexy falando em italiano? Engoli em seco, respirando fundo.
— Oh, droga, estou muito bem vestida para lá. – Arregalei meus olhos de repente. Eu conhecia esse restaurante, era um lugar bem simples com comidas italianas, tinha músicas animadas ao vivo e gente conversando alto, ou dançando, um local bem extrovertido.
— Eu avisei que cumpriria suas condições. – Ele riu, sua atenção voltada para a estrada.
— E por que você está debochando de mim? Estará entrando lá de terno, chamará tanta atenção quanto eu. – Bufei. Eu odiava ser o centro das atenções, mas poderia apostar todo o meu salário que todos nos olhariam. – Por que não vamos em um local da sua categoria? – Sugeri, arrancando outra risada dele.
Ok, algo bom deve ter acontecido em seu dia para ele sorrir tanto, cadê a carranca de sempre?
— Mudando os planos, Isabella? – Bateu seus dedos no volante e parou o carro no sinal vermelho, olhando para mim. Tinha alguma diversão em seu olhar e eu sabia que ele se aproveitaria do que eu disse pela manhã. – Eu sou um homem de palavras, vou cumprir com minha aceitação sobre sua condição de ir em um local simples. Porque segundo suas palavras: Um lugar que eu frequento, com riquinhos esnobes, iria afetar sua sanidade. – Arqueou uma sobrancelha. – Não estou certo?
— Babaca. — Falei entredentes e cruzei os braços.
— Isso já está virando um apelido. – Brincou e bufei, fingindo que eu nem estava o escutando.
Ficamos em silêncio o resto do caminho, e eu ficava encarando a paisagem através da janela, tentando negar o quanto aquele homem conseguia mexer comigo. Por Deus, eu estava ficando embriagada só com o cheiro de seu perfume concentrado no carro, mal podia respirar direito.
Demorou um pouco, mas eu abri meus olhos, que nem percebi que tinha fechado, assim que senti o carro parar. Olhei para fora e xinguei-me mentalmente ao ver as pessoas animadas no restaurante, vestidas casualmente e cheia de espontaneidade, porque esse era o local para pessoas se divertirem da maneira que quisessem.
— Chegamos. – Olhei para Edward e ele piscou divertido. Suspirei e soltei meu cinto, resolvi deixar meu celular sobre o painel do carro, assim era mais fácil do que ficar carregando.
Abri a porta e saí do veículo, sendo seguida por Edward.
Batemos as portas e Edward ativou o alarme, vindo para meu lado e segurando em minha mão. Estava começando a andar, porém estaquei com esse gesto dele. Olhei para nossas mãos unidas e engoli em seco com meu coração batendo forte e os arrepios tomando conta de mim mais uma vez. Meus olhos foram para cima e encarei Edward, vendo que ele olhava-me de volta.
— Algum problema com isso? – Apertou nossas mãos unidas.
— O que está acontecendo com você hoje? – Perguntei cheia de curiosidade. Ele não estava normal, nada de grosseria ou brigas, ele estava sendo legal, educado e espontâneo. Isso definitivamente não faria parte da personalidade de Edward Cullen. Algo havia acontecido.
— Podemos falar lá dentro?
— Com esse barulho? – Apontei para o restaurante onde ecoava uma música alta, dando para ouvir até aqui fora. Edward soltou uma risada.
— Foi sua escolha.
— Mentira! – Bufei e ele riu, puxando-me com ele para dentro do restaurante cheio de pessoas alegres.
Como eu previa, todos pararam de conversar e seus olhares dirigiram-se para Edward e eu, no mesmo instante que pisamos dentro do local. Senti-me envergonhada na hora, parecíamos riquinhos esnobes indo em um restaurante para pessoas simples e alegres.
Oh, merda, agora eu parecia uma sem cérebro como as pessoas ricas dessa cidade.
Edward ignorou todos e foi comigo até uma mesa bem no fundo, onde parecia um local mais calmo e estava vazio. Chegamos até lá e como o local estava quente, abri os botões do meu sobretudo e prendi minha respiração quando eu o senti atrás de mim, seus dedos roçando meus ombros e puxando o casaco para fora do meu corpo. Ignorei todo o meu estremecimento e ele pendurou o sobretudo na cadeira, puxando-a para mim em seguida, surpreendendo-me mais uma vez.
— Obrigada. – Sussurrei sentando-me e o vi sorrir um pouco, ajustando a cadeira na mesa. Ele caminhou até a cadeira de frente para a minha e sentou-se ali, apoiando suas mãos sobre a mesa. – Vai me dizer o que está acontecendo com você? – Eu não queria ser chata, mas ele estava deveras diferente do “ele” normal.
— Eu tive um dia horrível. – Soltou e pisquei confusa, olhando-o atentamente e ignorando o barulho que tinha retornado. – Foi um pesadelo. – Disse. – Algumas horas atrás, para dizer a verdade.
— E isso te deixa feliz? – Questionei contrariada. Eu estava extremamente confusa. – Você não deveria estar sendo rude e mais babaca do que o seu normal? – Olhei incisivamente. – Eu não entendo. – Respirei fundo e ele riu, uma risada sem humor. Seus olhos ergueram-se e eu engoli minha saliva, sentindo a dor que os verdes esmeraldas estavam me transmitindo no momento.
— Eu estava tentando esquecer um pouco. – O vi engolir em seco. – Você me distrai. – O olhei surpresa. – Você me deixa um homem melhor, Bella, eu não sei explicar. – Ele esticou uma mão e pegou a minha que estava repousada sobre a mesa. – Eu me sinto melhor ao seu lado. – Seus dedos apertaram os meus e suspirei baixinho, olhando nossas mãos unidas e sentindo-me bem com aquilo. – Você se assustaria com toda a minha história, com tudo o que eu passei, talvez até parasse de me olhar na cara. Eu sei que nada deveria ser uma desculpa por eu ser esse homem frio com todo mundo, mas eu tive um começo difícil, todos foram frios comigo e eu só... – Meus olhos conectaram-se com os seus, sentindo-me surpresa e de certa forma bem, Edward estava confiando em mim. Eu não sabia descrever o quão bem isso estava fazendo-me no momento. – ...acho que só estou reproduzindo isso. Ou tentando afastar-me das dores, tentando não sentir nada para me salvar de sofrer mais uma vez na vida.
— Acho que pode ser as duas coisas juntas. – Falei com minha voz baixa, mas apesar de todo o barulho, ele pareceu ouvir-me. Minha voz estava pela primeira vez em sua presença calma, eu estava calma e com um sentimento que eu nem sabia descrever. – Eu sei o que é sofrer, Edward, então nunca julgaria você por ter sofrido também. – Tendo coragem, apertei meus dedos nos seus, vendo-o dirigir seu olhar para aquela direção. – Você é humano, tem todo o direito de sentir.
— E se... – Olhei em seus olhos curiosa, desejando que ele continuasse a falar. Ele respirou fundo e inclinou-se sobre a mesa, fazendo com que eu automaticamente fizesse o mesmo, aproximando-se nossos rostos. Estávamos tão próximos que eu sentia sua respiração bater em meu rosto, seu hálito fresco causando-me uma vontade estranha, eu não sabia identificar. –...se eu disser que eu sinto? – Franzi o cenho. – Sinto vontade de estar ao seu lado, vontade de sempre vê-la, nem que seja para brigarmos como hoje cedo. Eu só quero ficar perto de você, Bella, de uma maneira que eu nunca saberia explicar. – Eu não contive, apertei minha mão na sua e um sorrisinho idiota apareceu em meus lábios. Olhei para ele com meus olhos marejados e Edward suspirou, dando um sorriso matador, repuxado para o lado. – Eu tiro minha máscara de ferro nesse momento, mostrando a você que eu sou desse jeito, eu quero ser assim, o homem legal e divertido que fui desde o instante que entramos no carro. Eu sou assim a partir de agora, Bella, por você.
“Continua...”
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