Never It's Late.
8 O que você quer de mim?
Notas iniciais
O que você quer de mim?
Pov Bella.
— Puta merda, então vocês se beijaram? – Rolei os olhos quando Rose gritou isso pela quinta vez. Ela riu animada e deu mais de seus pulos esquisitos. – Ah, meu Deus! Isso é fantástico! – Bateu palmas. – Conta para mim agora. – Ela semicerrou os olhos, sentando-se novamente em minha frente. – Ele beija bem? – Eu juro, até podia ver os olhos dela brilhavam.
— Muito. – Mordi meu lábio inferior, fazendo-a abrir um enorme sorriso. – Você sabe, eu nunca tinha beijado antes. – Rose assentiu rapidamente, mexendo os fios loiros com sua pressa. – Não tem como eu comparar com nada, mas... – Soltei um suspiro, todas as lembranças e sentimentos de algumas horas atrás voltando, fazendo-me estremecer. – Posso jurar que foi o melhor primeiro beijo que eu poderia ter.
— Com certeza foi! Você beijou Edward Cullen, helloou. – Estralou os dedos em frente ao meu rosto, fazendo-me rir. – Claro que seria ótimo. – Soltou uma risadinha, cutucando-me nas costelas. – Você ficou excitada com tudo, não foi?
— Rosalie! – Gritei indignada e ela apenas gargalhou. – Isso é coisa que se fale?
— Só estou curiosa. – Rolou os olhos. – Na verdade, estou afirmando, porque ao olhar para seu rosto já tenho minha resposta. – Estalou a língua, voltando a rir quando bufei. – Ah, qual é, Bella? Ele é um puta gostoso, claro que se o beijasse ficaria excitada, você não é de ferro. – Bateu em minha perna dobrada sobre o sofá. – Mas vamos falar um pouco sério. – Franzi o cenho, olhando-a. – O que será daqui para frente? Sabe, vocês dois.
— Não sei. – Olhei para minhas mãos, dando de ombros. – Edward me disse tantas coisas essa noite, promessas... – Um suspiro saiu. Eu tinha medo, era inevitável, olha tudo o que estava acontecendo comigo e em minha volta. – Tem algo nele, em seus olhos, na sua voz... esse conjunto me faz querer acreditar em tudo. – Voltei a olhar para minha amiga, que ouvia-me atentamente. – Mas quando eu penso melhor em tudo eu só chego em um impasse.
— Que impasse? – Olhou-me de forma confusa.
— Por que ele me quer? – Engoli em seco. – Por que qualquer um me escolheria? E ainda mais ele! Olhe bem para ele, Rose, é Edward Cullen, um dos homens mais ricos de Manhattan e o dono da maior Editora do país. – Levantei meus braços, exasperando. – Eu realmente não entendo.
— Não há nada para entender. – Ela se aproximou, respirando fundo. – Deixe de ser absurda, Bella, para de se colocar para baixo e pare de dizer tanta merda. – Bufou. – Você é inteligente, confiante e batalhadora, não fique se minimizando por nada no mundo, entendeu? – Ainda a olhei cética e outro bufo escapou de seus lábios. – Ouça-me. – Segurou as minhas mãos com as suas. – Não importa quem você é ou quem ele é, o importante é o que os dois estão sentindo. – Olhou-me firme e respirei fundo. – Você quer tenta algo, eu vejo isso.
— Eu quero muito. – Admiti, mordendo minha bochecha por dentro. – Rose, você não faz ideia do quanto eu quero. – Meus olhos encontraram os seus e eu apertei suas mãos. – Mas um temor me consome, sem que eu controle. Só nesta noite eu mudei radicalmente, eu fui alguém que jamais pensei ser, era uma Bella diferente e que eu não conhecia. – Abaixei meus ombros, meu coração batia acelerado no peito. – Eu não sei se quero mudar assim. Eu sou independente e Edward parece mudar isso... – Um longo suspiro escapou. — ...tudo parece mudar com ele. – Confessei e ela sorriu, dando-me um sorriso gentil, parecendo entender todo o meu medo.
— Eu sei que parece apavorante no início. Eu também era completamente diferente antes de Emmett, eu não namorava, odiava qualquer tipo de relacionamento romântico e preferia fazer sexo casual. – Assenti, lembrando-me de seu jeito. – Eu achava gostar de ser assim. Só que quando eu conheci Emmett... – Suspirou, sorrindo. – Meu mundo mudou completamente, eu mudei radicalmente também. Eu não queria mudar por ninguém, mas hoje, estando ao lado dele há um mês, eu vejo que é assim que Rosalie Hale é. E é assim que eu quero ser. – Funguei, sentindo meus olhos marejarem. Os de Rose brilhavam também e ela riu, puxando o ar. – É difícil, Bella, nada será fácil. Eu sei que você é independente e tentar algo novo não mudará quem você é. Você pode agir diferente, porque mudamos quando conhecemos uma pessoa, não é um bicho de sete cabeças, mas a essência de quem você é continua aqui. – Ela colocou uma mão em meu coração e lhe sorri, sentindo cada palavra adentrar-me e fazer-me perceber tudo um pouco. – Confie em mim. Confie em você. – Levou uma mão para minha bochecha e piscou. – E além disso, confie em Edward também.
— Eu já confio. – Sussurrei, pigarreando em seguida. – Mesmo não querendo, eu confio nele e eu juro, Rose, isso me deixa apavorada. – Sorri para ela, como se fosse contar um segredo. – Só que eu vejo algo nele, ele está mudando. – Engoli em seco. – Por minha causa.
— É claro que ele está. – Ela riu, puxando-me para seus braços. Sorri feliz ao abraçar minha irmã do coração. Apertei-a em meus braços e suspirei. – Mas eu estarei com você, Bella, em todas as circunstâncias.
— Eu sei, Rose, eu sei. – Fechei meus olhos, deitando minha cabeça em seu ombro, podendo respirar mais calma só em ter minha melhor amiga comigo. Rose foi a primeira pessoa que acolheu-me, que me ensinou um amor fraternal que nunca esqueceria e foi ela quem escolhi para ser minha família, então tendo-a ao meu lado nunca fraquejaria.
E ao refletir sobre tudo o que aconteceu, as coisas que me assolavam e as palavras de conforto de Rose, eu tinha chegado em uma conclusão exata para mim: Estava na hora de eu acreditar que nada era impossível. Edward tinha dito-me isso essa noite, algo é impossível só se eu acreditar que é, então eu me esforçaria como sempre e faria as coisas darem certo. Eu me daria uma chance. Daria uma chance ao destino, porque ele conspirava ao meu favor e estava na hora de agarrar-me à ele.
Eu podia fazer tudo dar certo e funcionar, eu conseguiria manter isso.
[...]
Tirei todas as coisas que tinha nas sacolas e fui guardando-as nos armários da cozinha, cuidando onde eu colocava cada item.
Hoje pela manhã eu notei toda minha despensa vazia e a geladeira com apenas água e frutas, então eu tive que pegar algumas economias que eu tinha e ir até ao mercado, afinal a situação estava um pouco complicada. Eu fiz uma longa caminhada até o supermercado e comprei tudo o que eu precisava, gastando todo o dinheiro que eu tinha, mas era realmente necessário.
Continuei guardando as coisas e olhei brevemente para o relógio que eu tinha na cozinha, notando que faltava apenas meia hora para o almoço. Rolei os olhos com minha falta de atenção e terminei o meu trabalho, fechando as portas dos armários.
Rose iria almoçar comigo hoje, era uma tradição nossa, em um domingo ela almoçava com seus pais e no outro comigo, porém Emmett disse que os pais dele queriam conhece-la, então ela não pode negar o convite. Quando ela pediu-me desculpas por isso ontem à noite, quase quis bater em minha melhor amiga, até parece que eu ficaria chateada com isso. Na verdade, eu ficava mais do que feliz porque tudo estava dando certo entre Emmett e ela, as coisas pareciam evoluir cada dia mais e eu não via a hora de conhecer pessoalmente o cara que roubou o coração da loira.
Dei um pulo de susto quando batidas foram distribuídas em minha porta, fazendo-me sair de meus devaneios. Inclinei-me um pouco sobre a bancada que separava a cozinha da sala e olhei confusa para a porta, como se eu conseguisse ver através da madeira e descobrir quem estava ali.
Larguei as sacolas que eu tinha na mão e caminhei para fora da cozinha, indo calmamente até a porta, sentindo-me deveras confusa. Rose disse-me que nem aparecia por aqui hoje, seria praticamente impossível pois os pais de Emmett moravam do outro lado da cidade.
Bufei com minha enrolação e girei a chave, destrancando a porta. Abri-a devagar, franzindo meu cenho quando não encontrei ninguém do lado de fora. Olhei ao redor, tentando ver se possuía qualquer pessoa por perto e grunhi irritada ao não encontrar nada. Sério, qual era a graça de bater em portas alheias?
Eu já estava pronta para fechar a porta com força, porém algo agarrou minha blusa e a puxou para baixo fortemente. Meu olhar caiu naquela direção e aos poucos minha boca foi abrindo em choque com o que eu encontrei em frente a soleira da minha porta.
Só em ver aquilo meu coração deu um solavanco, batendo fortemente em meu peito, era como um aviso para mim. Segurei-me com força na porta e puxei meu ar, confusa com o que eu via, mas era real, eu era péssima em imaginar coisas, ainda mais desse tipo. Pisquei meio desnorteada e ouvi uma gargalhada, como se estivesse chamando a minha atenção.
— Olá, olá, moça bonita. – Sua mão ergueu-se, acenando freneticamente para mim. Um sorriso divertido aparecia nos lábios repuxados e os cabelos loiros moveram-se quando o menino balançou a cabeça, rindo alto. – Entrou em choque?
— Eu... eu... – Olhei em volta, procurando por qualquer explicação, mas nada parecia existir. Mordi meu lábio, cruzando meus braços e puxando o ar com força, a imaginação de poder encontra-lo já fazia-me ficar perdida em mim mesmo. – O que você faz aqui?
— Eu vim entregar isso. – Ele agachou-se e o vi pegar um bonito buquê de rosas vermelhas. Ainda encontrava-me cética, mas o loirinho abriu um bonito sorriso e esticou-me o buquê, segurando-o firmemente, mesmo que parecesse pesado. – É seu.
— Meu? – Meu cenho franziu-se em confusão e ele sorriu, assentindo rapidamente. O olhei indecisa, mas o garoto sorriu e deu passos para frente, ficando bem próximo de mim. Suas mãos ergueram mais e eu suspirei rendendo-me, pegando as flores de suas pequenas mãos. – Bem... hmm... – Ele riu com minha falta de palavras.
— Eu sou o pequeno entregador. – Bateu palmas animado. – Eu escolhi as rosas e vim entrega-las. Você gostou? Hein, hein, hein? – Ergue-se na ponta dos pés, olhando-me incisivamente. Tive que rir de sua insistência e olhei com mais atenção para as rosas, levando-as até meu nariz e sentindo o cheiro maravilhoso delas.
— São perfeitas. – Toquei algumas pétalas, sorrindo bobamente, eram macias e tão perfumadas. – São minhas preferidas. – Soltei um suspiro satisfatório, olhando para cada uma e tocando-as como se fosse um mundo novo. Eu nunca tinha ganhado flores, e essas eram tão lindas.
— Ainda bem que Andrew é ótimo com isso. – Meu olhar ergueu-se e foi dirigido ao som da voz, encontrando um homem no topo das escadas, vestido casualmente com jeans e um casaco grosso por cima.
Engoli em seco ao ver o sorriso dirigido para mim e antes que eu me detivesse, meus olhos correram por cada centímetro do corpo alto, estruturado e altamente musculoso. Seus olhos intensos avaliavam-me e um arrepio forte passou por todo o meu corpo, como se fosse algo automático. Puxei o ar que parecia estar ficando escasso e pude vê-lo sorrir daquela forma perturbadora, seus lábios deliciosos repuxados para o canto direito, mandando vibrações por todo o meu corpo que parecia estremecer somente com um olhar e um sorriso. Céus, será que isso sempre aconteceria? Até que ponto ele poderia afetar-me assim? Era algo estranho, confuso, mas... eu não sabia identificar, parecia ser algo bom, queimava de dentro para fora, mas uma ardência boa que fazia-me querer mais e mais.
Acho que eu nunca poderia acostumar-me a sua presença ou com todos os sentimentos que se apossavam de mim, sempre que conseguia vê-lo ou somente em pensar nele. Ele mexia comigo por completo, sua aparência, seu jeito... tudo era como um conjunto complexo, mexendo com cada estrutura minha sem ao menos perceber.
— Papai, ela parece estranha. – A voz infantil despertou-me do pequeno transe, fazendo-me piscar os olhos repetidamente e pigarrear, tentando ter o controle do meu próprio corpo. Voltei a realidade e olhei para o pequeno garoto, que virava a cabeça para lá e para cá, olhando-me atentamente. – Olá.
— Oi, Andrew. – Sorri para ele, sendo retribuída. Ouvi passos aproximando-se e Edward parou ao lado do filho, agachando-se e pegando-o no colo. Quando se levantou, ele aproximou-se de mim e deu-me um beijo na bochecha, sorrindo quando afastou-se. – Oi. – Disse fraca, fazendo com que ele sorrisse mais, aquele sorriso desmontando-me inteira. A fragrância dele começava e me embriagar, era um perfume delicioso demais e era como se puxasse-me para ele.
— Oi, Bella. – Sua voz soou rouca. – Andrew falou tanto sobre você esta manhã, eu tive que trazê-lo até aqui. – Olhou para o filho e segui seu olhar, rindo quando encontrei o olhar ansioso dele em mim. – Estamos interrompendo você? – Edward perguntou confuso.
— Ah, não, não... – Balancei a cabeça. – Eu só estava organizando algumas coisas. Podem entrar se quiserem. – Afastei-me da porta e ele sorriu, ajeitando o pequeno em seu colo e passando pela soleira da porta. – Eu cheguei agora, só não reparem na bagunça. – Pedi envergonhada e Edward riu, deixando Andrew no chão quando ele contorceu-se em seu colo, pedindo para descer.
— Está tudo ótimo, Bella, não se preocupe. – Mordi o lábio, atraindo o olhar de Edward para aquela direção. O vi colocar as mãos nos bolsos de sua calça jeans e respirar fundo, ainda tendo as orbes fixas em meus lábios.
Antes que eu percebesse, minha respiração já começava a acelerar-se e nem pude deter meus olhos de caíram para sua boca avermelhada, parecendo-me tão atrativa naquele instante. Com meus pensamentos tomando rumos diferentes e meus olhos atraídos por seus lábios úmidos, as lembranças de Edward e eu ontem em seu apartamento começaram a me invadir, fazendo-me tremer da cabeça aos pés com o choque que passava-se por mim no momento.
Senti uma das mãos de Edward sair de minha cintura e passar por minhas costas, arrepiando-me e levando eletricidade por todo o meu corpo, conforme subia com seus dedos lentamente. A mão infiltrou-se em meu cabelo e ele agarrou minha nuca, puxando meu rosto com força para o seu, aumentando a pressão do beijo e fazendo-me soltar um som completamente desconhecido, para em seguida, eu sentir sua língua invadindo minha boca.
Minhas memórias fizeram-me morder mais forte meu lábio e eu pude ver Edward umedecer os seus e engolir em seco lentamente, seu pomo de adão movendo-se conforme sua ação.
— Ei, eu posso assistir TV? – Dei um salto com a voz interrompendo a tensão do momento. Edward e eu desviamos nossa atenção para o menino que pulava de forma elétrica em minha sala, rindo para nós e nem percebendo o que acontecia segundos antes. – Eu posso? – Olhou para o pai e em seguida para mim. – Por favor, Bella? – Piscou os olhos castanhos e eu ri com sua imperatividade.
— Claro que sim, querido. – Minha voz soou um pouco rouca e eu pigarreei para normalizá-la. – Edward, você pode ligar para ele? Vou na cozinha colocar as flores na água. – Sua atenção voltou para mim e ele meramente assentiu. – O controle está no sofá. – Respirei fundo e sorri para Andrew que corria e sentava-se no estofado. – Fiquem à vontade.
Pisquei para o pequeno loiro e ele acenou com sua mão, fazendo-me rir dele. Virei-me de costas para eles e fui até a cozinha, colocando o buque de flores sobre a mesa que ainda encontrava-se cheia de sacolas.
Peguei todas as embalagens e as juntei em um monte, colocando-as em uma gaveta onde eu deixava outras, eu poderia precisar delas depois. Fechei a gaveta e fui até o armário direito, pegando com cuidado o vaso que Amber tinha feito para mim, quando eu tinha meus quinze anos.
Segurei o vaso delicado em minhas mãos e sorri para ele, girando-o com cuidado e olhando com atenção para cada detalhe feito em sua volta, letras espalhadas por ele e formando um “Bella”, quando terminava de rodar. Suspirei olhando-o, sentindo imensa falta de Amber. Ela cuidou tanto de mim quando eu precisei, disse-me tantas coisas bonitas, deu-me forças quando eu pensava em desistir de tudo... ela foi como uma mãe para mim.
Pisquei meus olhos para afugentar a vontade de chorar e fui até a torneira, liguei-a e enchi o vaso com água até a metade. Quando a água estava o suficiente, coloquei o vaso na mesa e peguei as rosas, tirando o plástico que as envolvia e colocando tudo com cuidado na água, arrumando-as ali dentro. Deixei-as no centro da mesa e sorri tocando cada uma delas, suspirando baixinho quando eu lembrava de quem as tinha comprado.
— Oi. – Braços rodearam-me com força e um corpo quente colou-se atrás de mim. Engoli em seco com o contado e meus lábios foram maltratados por meus dentes mais uma vez, assim que senti a boca aveluda tocar meu pescoço e chupar minha pele. – Eu senti sua falta à noite. – Sussurrou, a voz rouca adentrando meus ouvidos e fazendo-me tremer. Os lábios subiram e Edward beijou minha orelha, mordiscando a ponta. – Diga que você sentiu a minha também. – Contorci-me em seus braços quando sua respiração bateu em meu ouvido. Edward segurou-me pela cintura e me girou rapidamente, fazendo-me arfar quando fiquei de frente para ele e encontrei seus olhos que avaliavam-me com tanta coisa nas orbes, era quente, feroz... céus, ardente. – Você não faz ideia do quanto eu quero te beijar. – Seu olhar caiu para minha boca e eu umedeci meus lábios de forma automática, sentindo seus braços apertarem-me com mais força contra ele. – Me permita, Bella.
— O Andrew... – Quis virar-me para olhá-lo, mas Edward prendeu-me contra seu corpo.
— Ele não virá aqui. – Uma mão subiu por minhas costas, queimando através do tecido da minha blusa até chegar em minha nuca, onde ele enrolou alguns fios do meu cabelo entre seus dedos. Meu olhar caiu para sua boca mais uma vez e eu dei um passo à frente, como se eu pudesse nos grudar mais ainda. – Você também quer isso. – Sorriu de maneira sacana, aproximando lentamente seu rosto do meu. – Fale que quer. – Meus olhos fecharam quando seu hálito bateu contra meu rosto. Senti-o ficar mais perto e inclinei minha cabeça, querendo demais poder senti-lo outra vez. – Me diz.
— Eu quero muito. – Falei em um sussurro, minhas mãos subindo por seus braços lentamente, fazendo-me sorrir quando eu o senti estremecer. – Me beije, Edward. – Enrolei meus braços em seu pescoço, inclinando-me em sua direção. Antes de qualquer coisa, senti os lábios quentes tocarem os meus, um suspiro de satisfação saindo da minha boca no momento que eu pude sentir a ardência do beijo dele novamente.
Edward agarrou os fios da minha nuca e tomou meus lábios com fervor contra os seus, beijando-me urgentemente, era como se não nos víssemos há dias. Agarrei-me fortemente contra ele, apertando meu corpo contra o seu e tomando dele o que eu pudesse no momento, retribuindo ao seu beijo quente, sentindo-me ardendo por ele e querendo cada vez mais.
Sentimentos misturavam-se em mim com força total, mexendo com minha cabeça e tirando-me o fôlego, junto com o beijo de Edward, mas eu notava que era uma coisa boa tudo isso, eu não devia temer, afinal tudo poderia dar certo. E eu sentia ainda mais certeza nisso conforme podia sentir Edward apertar-me contra si, como se não quisesse deixar-me ir, prendendo-me à ele.
Chupei seu lábio inferior e aproveitei quando ele abriu a boca para deslizar a minha língua entre seus lábios, sentindo-o fazer o mesmo comigo. Com isso nosso beijo ganhou mais pressão, e eu subi uma mão para seu cabelo cobre, apertando fios contra meus dedos e pressionando minha boca rudemente contra a sua, beijando-o como se não houvesse amanhã. Edward pareceu gostar disso, pois empurrou-me contra a mesa, prendendo-me entre a madeira e seu corpo quente, suas mãos apertando-me e uma delas deslizando para minha bunda.
Resfoleguei quando senti um apertão em minha carne e Edward separou nossas bocas, deslizando seus beijos para meu queixo e em seguida para meu pescoço, fazendo-me soltar um pequeno grunhido de satisfação por sentir tudo aquilo. Coloquei uma mão sobre a mesa atrás de mim e apoiei-me nela, respirando com dificuldade e sentindo Edward espalhar chupões e mordidas em minha pele, tirando todo o meu juízo de mim.
— Papai! – Lembrando-me que não estávamos sozinhos, arregalei meus olhos ao perceber que Andrew poderia entrar na cozinha e empurrei Edward para longe de mim, usando pouca força, somente para afastar seu corpo do meu. – Pai?
— Já vou, campeão. – Edward respondeu, respirando fundo e apoiando-se com as duas mãos na mesa, abaixando a cabeça e puxando o ar. – Você pode ir vê-lo? – Questionou, sem olhar-me.
— Mas... – Olhei-o completamente, tentando encontrar algum erro, foi quando meus olhos pousaram no volume que estava em sua calça jeans preta, e isso fez com que um desejo estranho passasse por todo o meu corpo.
Engoli em seco e cruzei meus braços, sentindo meus seios ficarem pesados com o que eu via. Edward estava excitado por minha causa e isso acendeu algo em meu corpo, precisamente entre minhas pernas, e precisei juntá-las e pressioná-las, tentando friccionar um pouco e aplacar a queimadura boa que eu sentia. Percebendo que eu não tinha terminado de falar, Edward ergueu a cabeça confuso, olhando-me atentamente e pegando-me no flagra, pois ainda não conseguia desviar o olhar de sua ereção. Ele seguiu meu olhar e pigarreou, ficando ereto e sorrindo maliciosamente para mim, piscando um olho.
— Gostando de algo, Bella? – Olhou-me de forma maliciosa, ainda sorrindo. Desviei o olhar completamente constrangida e apertei minhas pernas uma na outra, atraindo sua atenção. – Você está... – Ele fechou os olhos, respirando fundo e dando alguns passos para frente, até seu corpo colar-se ao meu novamente. – Merda, você ficou excitada comigo, Bella? – Suas mãos já apertavam minha bunda, roçando nossos corpos. Tombei minha cabeça em seu peito, sentindo-me bem com aquilo que ele fazia, movendo meu corpo contra o seu. – Está ficando difícil controlar. – Sussurrou, respirando forte. Ele beijou minha testa e afastou-se rapidamente, puxando o ar. – Pode ir ver Andrew? – Pigarreou e suspirei assentindo, abrindo meus olhos que eu nem percebi fechar. – Tudo bem. – Ele segurou em meu queixo e deu-me um selinho demorado.
— Eu já volto. – Sorri e ele deu seu sorriso maravilhosamente sexy, assentindo. Virei-me para sair da cozinha, porém parei antes de passar a porta, quando Edward chamou meu nome.
— Você almoça, não é? – O olhei e assenti, arqueando uma sobrancelha. – Ótimo, eu farei o almoço hoje. – Sorriu satisfeito e abri minha boca em choque, olhando desconcertada. – O que foi?
— Você sabe cozinhar? – Pisquei, balançando minha cabeça. – Sério, você... sabe... – Ri um pouco e Edward arqueou a sobrancelha desta vez. — ...você é Edward Cullen.
— Eu sei disso, é meu nome. – Cruzou os braços. – O que tem isso?
— Hmmm, você é um empresário bem sucedido. – Ele olhou-me como se pedisse mais informação e eu rolei os olhos, soltando um bufo. – É estranho pensar em você cozinhando. – Levantei os braços. – Não parece ter jeito com a cozinha.
— Isso foi uma ofensa, Isabella. – Revirei os olhos e ele fez bufou. – Quer parar de revirar os olhos para tudo o que eu falo? – Ergui o queixo e desta vez foi ele quem rolou seus olhos. – Petulante. – Comentou e eu ri.
— Você que é chato demais, foi apenas um comentário.
— De mal gosto. – Ergueu um dedo. – Eu sou um pai e sei cozinhar muito bem, você vai ver.
— Ok. – Disse ainda cética.
— Está duvidando de mim? – Fiz que sim com a cabeça, indicando um pouco com meus dedos. Edward riu ironicamente assentindo. – Tudo bem, eu vou provar a você.
— Ótimo. – Ergui a cabeça. – Irei tomar conta de Andrew, não queime minha cozinha.
— Você ainda vai engolir essa língua afiada. – Mandei um beijo pelo ar para ele e saí antes que o mesmo conseguisse fulminar-me com seu olhar.
Quando entrei na sala encontrei Andrew pulado no sofá, rindo com a música infantil que tocava na TV. Ele cantava junto de forma animada, pulando com toda a energia que tinha. Deus, como ele podia ser tão elétrico? Será que andaram dando café novamente para o menino?
— Oi, Bella! – Acenou com divertimento. – Eu estou entediado. – Bufou, ainda movendo-se sobre meu estofado, só usando suas meias nos pés.
— E isso é o seu entediado? – Perguntei descrente e ele riu assentindo. Meu Deus, o imagine então com toda sua energia? – Bem, eu não tenho muita coisa por aqui, o que você quer fazer? – Ele parou de pular e jogou-se no sofá, sentando-se como antes. Fui até ele e sentei-me ao seu lado, olhando-o e vendo-o olhar para o teto, como se estivesse pensando.
— Você tem algum jogo? – Virou-se em minha direção, sorrindo. – Eu jogo todos! – Bateu palmas e eu ri, pensando.
— Ah! Eu tenho Banco Imobiliário, minha amiga deixou por aqui. – Rose era viciada neste jogo, por Deus. – Mas eu não sei se você saberá jogar.
— Claro que eu sei! – Voltou a ficar de pé, dando alguns pulos no sofá. Eu estava começando a adorar esse garoto. – Eu jogo muito bem, ganho sempre da tia Alice, mas ela disse que papai me ensinou a robar no jogo. – Revirou os olhos castanhos.
— Roubar seria o correto. – Ele olhou-me atentamente, como se quisesse entender. – Você falou robar no jogo, mas se diz roubar no jogo. – Repeti em detalhes e ele assentindo, sorrindo.
— Entendi. Mas vamos jogar? Vamos, vamos vamos... – Falou e em cada palavra fazia um salto, fazendo com que eu me movimentasse junto com o sofá e risse de sua animação.
— Você só tem seis anos, como sabe jogar um jogo desses? – Perguntei desconfiada, ficando de pé antes que eu ficasse tonta com seus saltos.
— Papai foi comprar um jogo para mim, mas ele comprou Banco Imobiliário no lugar, ele fazia algumas coleções estranhas. – Deu de ombros. – Mas eu quis aprender e agora sou maravilhoso! Papai ensinou tudinho para mim, ninguém me vence. – Abriu um sorrisão e eu ri.
— Minha amiga me fez jogar tanto que agora sou profissional. – Falei orgulhosa. – Então não cante vitória agora. – Cutuquei-o na barriga e Andrew riu.
— Veremos, moça bonita. – Piscou, fazendo-me rir.
— Vou buscar o jogo. – Ele assentiu e eu saí da sala, passando pela cozinha e franzindo o cenho ao ver Edward concentrado em algo que colocava na panela. Além de tudo, ele sabe mesmo cozinhar?
Deus, eu estou sonhando por dias, só pode.
Balancei a cabeça e fui até meu quarto, indo no meu guarda-roupa e puxando a gaveta onde eu tinha deixado a caixa do jogo de Rosalie. Na noite passada conversamos tanto que acabamos nem jogando, mas tinha finais de semana que a Loira vinha aqui só para me vencer na droga desse jogo e jogar na minha cara. Mas era meio divertido.
Peguei a grande caixa e fechei o roupeiro, saindo do cômodo e me dirigindo novamente para a sala. Desta vez Andrew estava calmo, ele vestia novamente seus tênis e em seguida sentava-se no chão da sala, batendo as mãos em suas pernas, esperando-me. Quando notou-me, ele sorriu abertamente e indicou o lugar em sua frente.
— Você não fica triste quando perde, não é? – Questionei, sentando-me no chão e abrindo a caixa.
— Bella, Bella, eu venço. – Piscou para mim, cruzando suas pernas na forma de Buda. – Será que mulher chora? – Arqueou a sobrancelha clara e eu o retruquei, arqueando a minha.
— Veremos.
— Papai não me chama de campeão à toa. – Cantarolou, rindo de minha cara surpresa.
— Você tem mesmo seis anos? – Ele parecia ter por sua aparência, mas falava de um jeito tão formal e certo... Ah, claro, era filho de Edward.
— Eu tenho assim. – Mostrou suas duas mãos, erguendo os dedos e mostrando-me o número seis formado. – Papai é demais e me ensina tudo. – Ergueu o queixo orgulhoso e sorri disso. Eu ainda ficava meio incrédula no amor imenso que existia entre Andrew e Edward, era tão palpável e lindo... com isso, eu só me encantava um pouco mais com os dois, querendo cada vez mais ficar junto deles. – Vamos começar, Bella. – Estralou os dedos e assenti, saindo de meu estupor.
— Eu vou distribuir tudo. – Avisei, pegando as coisas do jogo e deixando a caixa de lado.
— Eu sei fazer contas, mas tudo bem. – Sorriu e tentei não parecer surpresa com isso, mas eu estava e bastante. Ele tinha seis anos, seis. Nem parecia ter tão pouca idade, o garoto já fazia de tudo e acho que nem ia ao colégio ainda.
Resolvi deixar para lá e coloquei o tabuleiro aberto entre nós dois, em seguida distribuí o dinheiro para cada um e deixei o do banco ao meu lado, afinal eu cuidaria disso também. Coloquei o dado sobre o tabuleiro e as pecinhas dos jogadores em várias cores.
— Eu sou o vermelho. – Peguei o meu bonequinho, sorrindo para Andrew e ele riu.
— Eu sempre jogo com o preto. – Pegou o seu e eu coloquei o resto de lado. Um barulho alto de panelas batendo me fez virar assustada para trás e ouvi a gargalhada do garoto em minha frente. – Você é assustada. – Observou e eu ri, virando-me de volta para ele.
— Tenho medo do que seu pai vai fazer na minha cozinha. – Dei de ombros e desta vez ele riu alto, alto demais e eu o olhei de sobrancelha arqueada. – Ei, do que está rindo? – Balancei a mão em sua frente e ele respirou fundo, parando de rir aos poucos e passando a mão no rosto.
— Você é engraçada. – Arqueei a sobrancelha de novo e Andrew soltou uma risada. – Papai é um Chef de primeira na cozinha.
— O quê? – Abri minha boca em choque, fazendo-o rir de novo. – Ele não é. – Falei descrente e Andrew assentiu, pegando o seu dinheiro do jogo e separando as notas.
— Ele é sim, você verá. – Continuou separando suas notas e olhei para trás, vendo Edward mover-se por toda a cozinha, abrindo armários, puxando coisas, pensando e guardando de volta. – Ei, jogo chamando Bella. – Voltei com minha atenção para Andrew e ele sorriu, não vai separar as notas? – Apontou para todos os dólares misturados que eu tinha em minha frente.
— Vou sim. – Fui separando e Andrew pegou as cartas do jogo, embaralhando-as e depois deixando no centro do tabuleiro.
Quando estávamos bem organizados, tiramos par ou ímpar para ver quem começaria. Ganhei jogando par, então peguei os dados e os misturei em minha mão, jogando-os depois no tabuleiro.
— Seis. – Falei feliz e como eu estava mais longe, Andrew pegou meu jogador e andou seis casas.
— Casa no Brooklin. – Ele respondeu-me. – Quinhentos dólares. – Sorriu animado e eu olhei para minhas notas, pensando no que eu faria.
— Hmm... eu passo. – Entreguei os dados para ele e seus olhos se arregalaram.
— Como assim você passa? Não pode passar! Tem que comprar todas as residências do jogo, é assim que ganha.
— Não vou ganhar se perder meu dinheiro. – Dei de ombros e ele riu, balançando os dados.
— Você já perdeu, Bella. – Piscou e revirei os olhos, vendo o número dois formar-se nos dados. – Isso! Apartamento em Chicago, já quero, mil dólares. – Abriu um sorriso maior que o rosto e contou o dinheiro, entregando-me para colocar no caixa do banco. – Ah, eu amo esse jogo.
Ele tem seis anos, não tem como eu perder dele.
[...]
— Como está indo o jogo? – Edward entrou na sala de braços cruzados e sem casaco, a manga de sua blusa até os cotovelos e um pano de prato sobre seu ombro direito. Acho que babei um pouco nele, pois o mesmo sorriu e piscou um olho. – Ganhando algo? – Abriu um sorriso maior.
— Que nada, pai, Bella é péssima! – Andrew riu, andando com seu jogador. – Isso mesmo, agora tenho uma casa de três andares no Brooklin.
— Ei, eu não sou péssima. – Retruquei, eu ganhava de Rose que era viciada nesse tabuleiro maldito.
— É sim. – Edward retrucou, aproximando-se e olhando para o tabuleiro. Ele soltou uma risada e eu olhei para cima, encarando-o séria. – Bella, Andrew já está dominando o tabuleiro. – Riu.
— Vem vencer ele, então. – Cruzei os braços, vendo o garoto sorridente jogar os dados outra vez, afinal eu estava na cadeia por duas rodadas.
— Papai me vence todas as vezes. – Ele respondeu-me, movendo o jogador preto.
— Pensei que você ganhava de todos. – Comentei e ele riu, olhando para mim.
— Não do meu pai, ele é incrível. – Edward riu e inclinou-se, dando um beijo em sua cabeça.
— Vou voltar para a cozinha. – Ele olhou para mim e tocou em meus lábios com a ponta do dedo. – Cuidado sobre suas dúvidas, você fica duvidando muito de quem pode. – Piscou e eu revirei os olhos, podendo ouvir sua risada enquanto voltava para a cozinha.
— Você já pode sair da cadeia, Bella. – Voltei com minha atenção para o jogo e peguei os dados que Andrew estendia-me. Balancei-os e os joguei, conseguindo o número doze. Movimentei o jogador vermelho e Andrew gargalhou quando parei novamente sobre um carro de polícia. – Não acredito! – Riu animado ao ver-me presa de novo, já pegando os dados para si e eu bufei.
— Esse jogo está brincando com minha cara. – Resmunguei e o pequeno riu, fazendo-me sorrir com a agitação que ele sentia.
Estávamos há uma hora nesse jogo e Edward parecia não terminar aquele almoço nunca, mas estava divertido aqui, apesar de eu estar perdendo feio para um garoto de seis anos de idade. Eu tinha bastante dinheiro ainda, porém quase nenhuma residência e Andrew praticamente dominava tudo e tinha mais dólares do que eu, não sei como.
Continuamos a jogar por alguns minutos, até que ele terminou de comprar tudo o que havia no tabuleiro e eu declarei como jogo encerrado, já estava de bom tamanho o tempo que ficamos ali. Na mesma hora, Edward veio avisar que estava tudo pronto na cozinha, então eu deixei tudo no chão mesmo e fui ajudar Andrew a lavar suas mãos, para depois leva-lo até a cozinha comigo.
Assim que entramos o cheiro de espaguete veio ao meu olfato e suspirei com isso, fazendo Edward sorrir para mim. Ele já tinha deixado tudo pronto sobre a mesa, colocando pratos, talheres, copos cheios com suco de limão, eu acho, e mais uma travessa de salada.
— Vamos ver se você ainda me acha tão ruim na cozinha. – Piscou e eu ri, sentando-me no meu lugar de sempre e colocando Andrew ao meu lado, assim ele ficava entre Edward e eu.
— A comida do meu pai é deliciosa, você vai amar, Bella. – O loirinho sorriu para mim, pegando o copo em sua frente e tomando um pouco do suco. – Eba, limão!
— O mais tradicional: Espaguete à bolonhesa. – Edward avisou, pegando porções da travessa onde tinha colocado, despejando um pouco em cada prato. Depois sentou-se ao lado do filho e sorriu para mim. – Experimente.
— Ok. – Sorri e peguei meus talheres, enrolando um pouco do espaguete no garfo e levando a minha boca em seguida. Mastiguei lentamente e fechei meus olhos quando meu paladar se aprimorou e pegou cada gosto daquele espaguete. Meu Deus, era maravilhoso demais, parecia macarrão derretendo na boca, como era possível? – Não acredito. – Falei estupefata, assim que engoli a comida que estava em minha boca. Tanto Edward quando Andrew riram, começando a comer em seguida. – Como você conseguiu isso?
— Sou profissional. – Piscou, levando uma porção até sua boca.
Sorri para ele e peguei a salada, colocando um pouco em meu prato e também para Andrew que pediu-me. Nós continuamos a almoçar em silêncio, mas eu podia ver Edward sorrir para mim e piscar de vez em quando, fazendo-me sorrir de volta, como uma idiota, mas era inevitável e eu estava adorando o momento que estávamos tendo. Andrew ali só melhorava tudo, dava uma sensação de... família.
Suspirei ao pensar nessa palavra e tomei o suco que tinha em meu copo, olhando depois para meu prato e comendo devagar.
Pensar em família ainda era difícil para mim. Depois de todos esses anos sozinha, claro eu tinha Amber antigamente e hoje em dia tenho Rose comigo, mas eu me refiro a uma mãe e um pai verdadeiros ao meu lado. Eu sempre quis conhece-los, era meu sonho de infância, na verdade, eu suponho que seja o sonho de todas as crianças que estão presas em um orfanato. Só que depois de tanto tempo sem saber quem são ou por que me abandonaram, eu resolvi deixar isso para lá e apegar-me a minha melhor amiga, Rosalie era minha irmã e eu sempre a teria por perto, era isso que importava-me agora, não o passado.
— Bella? – Ouvi meu nome ser pronunciado e balancei minha cabeça, olhando na direção da voz e encontrando Edward olhando-me confuso. – Você está bem? Desligou-se da conversa há alguns minutos.
— Tudo ótimo. – Engoli em seco, remexendo na comida em meu prato. Meus pensamentos eram um pouco complicados para mim.
— Não parece tudo ótimo. – Desta vez Andrew comentou e o olhei, vendo-o encarar-me com sua sobrancelha arqueada.
— Andrew. – Edward o repreendeu.
— Não se preocupe. – Balancei a cabeça. – Só estava pensando em algumas coisas, nada de importante.
— Tem certeza? Seu semblante parece tenso e triste. – Sorri mordendo meus lábios com sua preocupação e apenas balancei a cabeça, fazendo com que Edward respirasse fundo. – Tudo bem.
Terminei de comer o que estava em meu prato e engoli o resto do meu suco, levantando-me da mesa e pegando o que eu tinha sujado, colocando as coisas na pia. Limparia tudo mais tarde.
— Eu também terminei. – Andrew avisou, colocando seu copo sobre a mesa. – Eu posso assistir um filme? – Olhou diretamente para mim e eu sorri, esticando uma mão para ele e ajudando-o a descer de sua cadeira.
— Claro que sim. Eu coloco em um canal para você. – Ele sorriu para seu pai e parou para dar um beijo em sua bochecha, indo em seguida comigo para a sala.
Coloquei Andrew sobre o sofá e aumentei o volume que eu tinha baixado para nós jogarmos o Banco Imobiliário. Fiquei trocando de canais, até achar um que estava começando a passar um desenho infantil que Andrew disse ser demais. Deixei-o com o controle e peguei as coisas do Banco Imobiliário, organizando tudo certinho na caixa e depois levando para o meu quarto, guardando no lugar de antes.
Deixei as coisas arrumadas e segui para a cozinha, encontrando Edward colocando tudo na pia e limpando a mesa, guardando o restante das coisas na geladeira. Entrei no ambiente e ouvindo meus passos ele ergueu os olhos, fechando a torneira onde tinha acabado de lavar a mão.
— Está tudo bem com você? – Secou suas mãos e eu assenti, caminhando para próximo dele e sendo abraçada com força, assim que ficamos perto. – Você mudou de uma hora para a outra, Bella. – Falou contra meu cabelo, suas mãos massageando minhas costas. – Me diz o que aconteceu. Invadimos demais sua casa, é isso? – Inclinou-se para trás, tendo uma visão do meu rosto.
— Claro que não, Edward. – Bufei e depois voltei a abraçar ele, deitando minha cabeça em seu peito. – Eu só pensei em algumas coisas, nada demais. – Suspirei. – Eu adorei que vocês vieram, meus domingos geralmente são tediosos. – Comentei e o ouvi rir.
— Andrew acordou falando de você. – Disse e eu sorri, fechando meus olhos e aproveitando o calor de seu corpo e de seus braços ao meu redor. – Ele queria muito te ver e eu disse que não sabia quando poderia, então ele começou a me seguir pela casa e perguntar se eu poderia trazê-lo até aqui, afinal eu sabia onde você morava. – Riu no final.
— Ele é esperto demais. – Comentei e Edward concordou. – Ele teve a ideia das flores?
— Fui eu. – Afastei-me surpresa e ele sorriu, olhando para meu rosto. – O que foi? Além de eu não poder cozinhar, ainda não posso saber escolher flores? – Arqueou uma sobrancelha e eu revirei os olhos.
— Foi um mal-entendido, não vamos falar nisso. – Ele revirou os olhos. – Mas Andrew disse que escolheu as flores, quando me entregou. – O olhei confusa.
— As cores foi ele. Eu me decidi pelas rosas, e ele por elas serem vermelhas. – Deu de ombros e eu sorri, olhando para o vaso que estava sobre o balcão agora.
— Obrigada por elas, são maravilhosas. – Virei-me para Edward. – Você está me surpreendendo e muito. – Ele sorriu.
— Surpresas boas?
— Demais. – Enrolei meus braços ao redor do seu pescoço. – Você está muito diferente desde a primeira vez que eu te vi. – Admiti, conectando meus olhos aos seus. – Eu queria poder entender tudo isso, Edward.
— Ainda não entende? – Neguei e ele riu. Edward ergueu uma mão e acariciou minha bochecha, soltando um suspiro enquanto olhava-me com as orbes intensas. – É por você, Bella. – Sussurrou e engoli em seco.
— O que você quer de mim? – Soltei a pergunta que estava incomodando-me durante a noite. – Por que eu? Por que por mim? – Puxei o ar e o soltei lentamente. Edward olhava-me seriamente, seus dedos movendo-se em minha pele. – Isso é confuso demais para mim, Edward, por isso fico meio perdida em tudo.
— Eu imagino o quão apavorante pode ser. – Respirou fundo. – Está sendo para mim também, Bella, não é nada fácil. – Engoliu em seco. – Eu tenho tantas coisas mal resolvidas, tantos problemas, tantas merdas comigo... – Suspirou longamente. – Eu nunca fui um homem bom, sempre quis alcançar o nível alto da minha carreira e mostrar que eu podia para todos aqueles que me humilharam, eu passei por cima de pessoas, eu fiz cada coisa fodida... – Passei uma mão em seu rosto, fazendo-o sorrir um pouco. – Mas quando eu adotei Andrew tudo isso mudou, eu não queria ser mais aquele cara, eu queria dar um mundo perfeito para ele, eu sei que aquele menino maravilhoso merece. – Tracei meus dedos em seu rosto, ouvindo-o atentamente. – Eu mudei por ele e agora estou mudando por você também. – O olhei confusa e ele fechou os olhos, balançando a cabeça. – Não me pergunte o porquê, eu só sinto que devo ser digno de você, Bella. Você é maravilhosa demais. – Abriu os olhos, sorrindo para mim. – O que eu quero de você? – Riu. – Nada, eu quero você por completa para mim. – Encostou sua testa na minha. – Seja minha, Bella, por favor.
— Como eu posso lhe negar isso? – A resposta saiu antes que eu esperasse. Respirei profundamente. – Eu tenho medo de tudo isso ao nosso redor, mas eu não quero nada diferente do que você quer. – O olhei séria. – Eu quero isso que temos. – Fiz um sinal entre nós com meu dedo. – Eu quero ser sua. – Ele se aproximou e meus olhos caíram em sua boca. – Quero que você seja meu.
— É isso o que quer? – Segurou em meu queixo, fazendo-me olhar em seus olhos. Só em ver aquele verde brilhando para mim, minha decisão estava mais do que tomada.
— É. – Falei praticamente sem voz, assentindo com minha cabeça. Edward respirou fundo e puxou meu rosto em sua direção, cobrindo meus lábios com os seus delicadamente, beijando-me de forma lenta, como se quisesse provar tudo o que podia.
Eu estava convicta de minha decisão, eu tinha certeza que era Edward quem eu queria. Apesar de brigar veemente com ele, discutir em algumas ocasiões, ainda acha-lo babaca para algumas coisas... apesar de qualquer coisa, é ele quem eu quero ao meu lado, mostrando-me que o mundo não é um abandono sem fim, como foi na minha infância, o mundo poderia ter uma luz e a minha era Edward Cullen.
Pov Edward.
— Papai, você não sabe o quanto eu me diverti! – Andrew gritou animado, correndo do elevador e pulando pelo hall de entrada do apartamento. – Bella é tão linda, tão legal, tão maravilhosa... – Suspirou, pulando de um lado para o outro e fazendo-me rir. – Pai! Não ria de mim. – Rolou os olhos.
— Você está agitado demais, campeão. – Baguncei seu cabelo, ajudando-o a retirar seu casaco grosso, pendurando-o no cabide que tinha perto do elevador e fazendo o mesmo com o meu.
— Estou agitado porque meu dia foi demais! – Pulou risonho. – Eu tenho que contar tudinho para a tia Alice amanhã, ela vai ficar doida quando souber de todos os detalhes. – Sorriu matreiro para mim e eu semicerrei meus olhos, ajeitando a manga da minha blusa e olhando atentamente para ele.
— Que detalhes?
— Bella e você se beijando toda hora. – Cruzou os braços, assim que eu cruzei os meus. – Eu vi. – Ergueu o queixo e eu rolei os olhos. Essa mania foi adquirida da Bella e olha que eles só passaram um dia juntos.
— E você fica espionando os outros? O que eu já te falei sobre isso?
— Eu fiquei curioso quando acordei e não vi vocês. – Deu de ombros. – Daí fui na sala e você estavam se beijando no chão. – Riu e apontou para mim. – Não pode mentir, papai. É feio.
— Eu não menti. – Aproximei-me dele e o peguei em meu colo, jogando-o sobre meu ombro e arrancando risadas altas dele. – Isso é para o senhor aprender a não ficar de olho nas pessoas. – O chacoalhei nos braços e o mesmo gargalhou.
— Vocês ficam bonitos juntos, papai! – Riu mais animado e o balancei. – Eu gosto disso, não é uma punição. – Avisou-me, enquanto eu deixava-o pendurado em meu ombro direito.
— Claro que você gosta. – Debochei e ele riu. Senti meu celular vibrar no bolso de minha calça jeans e eu o peguei, sorrindo como um idiota quando vi o nome da Bella piscar em minha tela.
Tínhamos trocado telefones enquanto Andrew dormia após o almoço, isso foi antes de nos beijarmos e o pequeno arteiro aparecer e começar a apontar sobre um relacionamento entre nós.
“Só estou mandando a mensagem para te desejar um bom dia de trabalho amanhã, pois esquecerei de mandar antes de sair de casa.
Ah! Amanhã vou atrás da faculdade, é o dia da visita. Eu queria lhe contar, mas, bem... Andrew acordou agitado como sempre.
Obrigada pelo dia de hoje.
Beijos, Bella.”
Será que tinha alguma forma de eu ficar ainda mais perdido por essa mulher?
“Continua.”
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