Never It's Late.

9 Eu vou cuidar de tudo.


Notas iniciais
Olá, olá, olá amores! Nono capítulo postado o / Vocês têm tanto carinho pela fanfic que até me dá emoção, ganhei tantos comentários e tantas palavras bonitas apareceram *-* Não sei como posso agradecer, mas saibam que quando digo que vocês são importantes demais e as palavras que me mandam fazem toda a diferença, saibam que é de coração ♥ Obrigada por tudo, lindos leitores, vocês são fantásticos! Agora vamos curtir mais um capítulo. Enjoy ;) ~~12/03/17~~

Eu vou cuidar de tudo.

Pov Bella.

Já fazia algumas horas que eu estava presa em meu trabalho, andando para lá e para cá com clientes e mostrando roupas que eles queriam, mas a todo momento meus olhos iam para o relógio da parede e eu contava os minutos para que sair e finalmente visitar a Universidade de Columbia.

Eu mal tinha dormido na noite passada, aquele meu domingo perfeito ficava repassado em minha mente, todos os meus momentos com Edward e Andrew tiravam-me o sono e deixavam-me meio abobalhada com tudo. E ainda mais tinha essa visita na Universidade hoje. Esses fatores juntos só me deixavam nervosa e me faziam ficar virando para todos os lados na minha cama, repensando em todas as coisas diferentes que estavam ocorrendo comigo neste ano.

— Acorda Bela Adormecida, o expediente ainda não acabou. – Um estralar de dedos em minha frente me fez piscar e balancei a cabeça, olhando feio para Rose que sorria animada. — O que foi? É você que fica adormecendo como uma dondoca.

— Ei! – Bufei e lhe dei um empurrão, fazendo-a gargalhar.

— Você fica engraçada toda desligada, Bella. – Ela chacoalhou o cabelo loiro brilhante e piscou para mim. – Qual é, um gostoso executivo está povoando seus pensamentos? – Sorriu maliciosa e eu ri rolando meus olhos.

— Meus pensamentos não são voltados para ele a todo instante. – Sua sobrancelha arqueou-se e soltei um bufo, colocando a blusa que estava em minha mão no cabide dela. – Tudo bem, esse olhar já me diz tudo. – Ajeitei as roupas na arara e olhei de relance para minha amiga que ainda encarava-me séria. – O quê?

— Ai, meu Deus! – Deu um pulo, batendo palmas. – Se não é o todo poderoso que está ocupando sua mente, eu já sei o que é! – Riu animada. – Deus, quase me esqueci, hoje você tem a visita na Universidade.

— Sim. – Sorri animada, torcendo minhas mãos. – Já conversei com Angela, ela vai me liberar ao meio-dia para ir até lá. Estou entre nervosa e ansiosa. – Respirei fundo, só em pensar nisso meu coração batia forte e um frio na barriga se apoderava de mim. – Não sei se conseguirei ir bem.

— É claro que vai, não viaja. – Rolou os olhos. – Eu vou com você. – Piscou e arregalei meus olhos.

— Você vai? – Pedi ansiosa e ela riu confirmando. Soltei um suspiro de alivio e a abracei forte. – Obrigada, Rose, estou até tremendo de nervosismo, com você ao meu lado será bem mais fácil.

— Ah, que maravilha! – Beijou minha bochecha, me dando um aperto antes de soltar-me. – Assim você me deixa sensível, palhaça. – Cutucou-me, para em seguida suspirar. – Ah, minha amiga fará faculdade, que emoção! – Voltou a me abraçar e eu ri com seus braços sufocando-me.

— Fico feliz com você emocionada por mim, Rosalie, mas me esmagar não está nos planos hoje. – Bati em suas costas e ela bufou, afastando-se de mim novamente.

— Comemoração hoje? – Fiz uma careta quando a voz enjoada adentrou meus ouvidos. Fazia dias que essa cobra não aparecia e até dava uma náusea ouvir sua voz. – Perdi muita coisa enquanto estive fora? – Tanya apareceu sorrindo falsamente e com seus braços cruzados, os olhos sempre faiscando em minha direção. – Ah, não acredito! – Riu maldosa. – Alguém resolveu te adotar, Isabella? – Engoli em seco, podendo até sentir o veneno que ela destilava. A loira morango chegava a me dar ódio, o que eu sentia por ela fazia meu sangue ferver e uma vontade incontrolável de bater nela nascia, fazendo até meus dedos coçarem.

— Me desculpe, Tanya, mas não me lembro de ter chamado você para a conversa. – Retruquei, cruzando meus braços e segurando a raiva e a dor que eu sentia quando ela me dirigia qualquer palavra que transparecesse paternidade. – Ou além de tudo o que é, resolveu ser intrometida? – Arqueei uma sobrancelha e sua boca abriu-se, enquanto de relance eu podia ver Rose olhar-me incrédula.

Era a primeira vez que eu enfrentava Tanya, eu sempre me afastava, chorava ou deixava Rose cuidar de suas palavras nojentas, mas eu não deixaria ela pisar em mim mais uma vez. Eu estava cansada daquela vadia destilando seu veneno sobre mim, jogando-me para baixo sempre que podia e me dizendo insultas que eu aguentava calada até hoje. Nunca mais me rebaixaria para alguém, ainda mais para uma pessoa soberba como ela.

— Como é que é? – Gritou estridente, dando passos furiosos em minha direção e fazendo-me erguer a cabeça quando ela ficou frente a frente comigo. – Você perdeu a noção do perigo? Eu dei alguma liberdade para que falasse comigo desta maneira? Ficou louca? – A cada palavra sua voz aumentava e meus tímpanos reclamavam com isso.

— Só estou sendo realista, queridinha.— Sorri ironicamente, balançando a cabeça para tirar o cabelo do rosto e olhando nos olhos de Tanya que transmitiam ódio. – Eu também nunca lhe dei liberdades para seus insultos, mas você fez assim mesmo, não é? – A mesma bufou e bateu o pé no chão, seu salto fazendo barulho.

— Me respeite, garota maldita! – Grunhiu. – Eu sou muito melhor do que uma subalterna, não me compare à você!

— Modere suas palavras comigo, Tanya! – Minha voz subiu duas oitavas e a encarei séria, o sangue em minhas veias ferviam. – Eu não vou ser mais humilhada por você, nunca mais, me entendeu? – Ela soltou uma risada debochada e revirei os olhos. – Pode rir à vontade, soberba, mas escreve minhas palavras e as guarde muito bem, você vai querer lembrar delas. – Abri um sorriso sarcástico, levantando minha cabeça e a deixando transmitir mais raiva do que já fazia, conforme fulminava-me com seus olhos claros. – Eu darei a volta por cima. – Pisquei e ela deu um passo à frente, bufando alto.

— É isso o que vamos ver. – Rugiu entredentes e eu ri com petulância, fazendo-a soltar um gritinho raivoso.

— Já chega! – Angela gritou, andando em passos rápidos até nós duas. Dei uma olhada em volta e pude notar alguns clientes olhando-nos embasbacados, prestando atenção na discussão que acontecia. A morena chegou até a roda que se formava e olhou de Tanya para mim de forma furiosa. – Vocês possuem problemas uma com a outra? Ótimo! Mas resolvam fora do expediente e fora da minha loja, isso aqui não é local para gritarias! – Respirou fundo, olhando para as pessoas ao nosso redor. – Podem voltar para suas compras, isso não irá se repetir. – Deu um sorriso e algumas mulheres começaram a cochichar conforme afastavam-se, e Angela não parecia nenhum pouco feliz com isso. – Eu vou ter que trata-las como se estivessem em um maldito colégio? – Voltou-se para nós.

— É a culpa desta subalterna, não sabe colocar-se em seu lugar. – Desdenhou a loira morango.

— Pode parar, Tanya, não faça com que eu grite com você! – Rose que encontrava-se meio petrificada voltou a seu normal, olhando para Tanya debochadamente. – Parece que quer mesmo retornar para o colégio e colocar a culpa nos outros, como você fosse a santa.

— Cala a boca, sua vadia! – Retrucou com raiva e a sobrancelha de Rosalie se arqueou, conforme ela se aproximava mais de Tanya.

— O que disse?

— Eu falei que já chega! – Angela colocou-se entre as loiras, bufando. – Por favor, Rose, você não é assim! É uma sócia de alto nível, por favor!

— Não me importo nenhum pouco! Ela ofendeu minha melhor amiga e me chamou de vadia! – Eu tinha medo quando Rose dava aqueles olhares gélidos. – Não vai ficar assim, Tanya, não vai!

— Que medinho.

— Pare com isso, Tanya! – Angela a empurrou um pouco, vendo que Rosalie já começava a avançar. – Bella, você não iria sair mais cedo? – Dirigiu-se para mim e respirou fundo. – Eu acho que é uma boa hora você ir agora. E leve Rosalie junto. – Olhou para a minha amiga.

— Certo. – Suspirei e xinguei Tanya mentalmente quando a observei soltar um risinho de vitória. Resolvi ignorá-la, tinha coisas mais importantes para serem resolvidas no momento, meus estudos valiam bem mais do que a vagabunda soberba. – Vamos, Rose, eu marquei meio-dia. – Chamei a loira que tinha ódio estampado em seu rosto inteiro.

— Pense bem em quem você defende, Angela. – Engoliu em seco, olhando para sua sócia. – Pense muito bem. – Balançou a cabeça. – Eu vou pegar minhas coisas, encontre-me em meu carro, Bella, eu preciso de ar. – Assenti e Rose saiu rapidamente, passando pelo balcão para pegar seu casaco e suas chaves, batendo os saltos com força no piso da loja, tamanha era a raiva.

Eu a entendia, Angela sempre defendia Tanya, não importava o que aprontava, ela sempre estaria certa em relação a qualquer um aqui na loja. Eu que era uma vendedora sentia raiva por isso, imagine Rose que tinha 50% dos negócios e nem assim Angela deixava-a comandar da forma que queria.

Apenas puxei meu ar e resolvi não falar nada, indo até o balcão para pegar todas as minhas coisas, não voltaria para a loja hoje. Vesti meu sobretudo novo, o que Rosalie deu-me no sábado, e fechei todos os botões, passando o cinto em minha cintura. Peguei minhas chaves, celular e fones, dirigindo-me para a porta da loja e tomando coragem para encarar o ar frio da cidade.

Quando estava fora, cruzei meus braços para abraçar-me e fui a passos rápidos até o estacionamento de funcionários. Encontrei o carro cinza de Rosalie já ligado, então corri até lá e abri a porta, entrando no veículo e aconchegando-me ao ar quente novamente. Puxei o cinto sobre mim e dei uma breve olhada para minha amiga, ela olhava séria para frente e batia os dedos no volante.

— Tudo bem? – Chamei sua atenção e ela suspirou, encostando a cabeça no apoio do banco.

— Não muito. – Prendeu seu cinto. – Odeio que Angela prefira Tanya em todas as situações. Eu sei que elas estudaram juntas e tudo o mais, mas eu sou a porcaria da sócia dessa loja e aquela maldita tem mais ação do que eu aqui! – Deu um soco no volante e pulei em meu lugar com o susto. – Me desculpe. – Fechou os olhos, respirando profundamente. – Merda, eu sinto muito, Bella, eu...

— Ei, pare com isso. – Toquei sua mão fria, fazendo-a olhar-me e dirigi um sorriso fraco em sua direção. – Eu posso lidar com sua raiva e com seus sentimentos também, Rosalie, sou sua melhor amiga. – Pisquei. – Confie em mim.

— Eu confio, Bella. – Sorriu. – Só não queria estar brava neste momento, estamos indo fazer uma visita na Universidade em que estudará.

— Está tudo bem, você está indo lá comigo. – Sorriamos e eu ajeitei-me em meu lugar, conforme Rosalie arrumava-se e dava ré no carro, saindo do estacionamento.

Mordi meu lábio inferior e olhei de canto de olho para ela, pensando em como abordar o assunto com sua raiva eminente, eu sei que ela não descontaria em cima de mim, mas eu tinha que respeitar que ela estava brava com algo, mas eu estava tão feliz por ontem que eu queria contar também. Indecisa? Nenhum pouco.

— Desembucha, garota. – Soltou uma risada, revirando os olhos enquanto os mantinha na estrada.

— Ah?

— Qual é, Bella, eu conheço você muito bem. Está me olhando de relance e mordendo os lábios, alguma coisa você quer me contar. – Parou no sinal, sorrindo conforme me olhava. – Estou errada?

— Odeio que você seja perceptível à tudo. – Cruzei os braços, arrancando uma risada dela. Rose continuou olhando-me, até que o sinal abriu e ela foi obrigada a focar sua atenção no movimento da rua. – Sabe... você não foi almoçar comigo ontem. – Comecei e a ouvi bufar.

— Pelo amor, Bella, eu sei disso. – Balançou a cabeça. – Eu percebi que eu não fui até seu apartamento.

— Debochada.

— Me conta logo, que enrolação! – Mexeu na marcha, virando para a direita. – Vamos, Bella, já está deixando-me aflita.

— Não é nada de ruim. – Olhei para minhas pernas, estremecendo com as lembranças que eu tinha de Edward e eu juntos, como ele me beijava e suas mãos desciam em minhas pernas... Saí de meus pensamentos e respirei fundo, já podendo sentir os calafrios. Deus, até a distância ele mexia comigo? – Ontem foi domingo. – Soltei e soltei um palavrão quando senti um tapa de Rosalie estalar em meu braço. Mesmo sobre o casaco eu senti o impacto. – Merda, Rosalie Hale! – Grunhi, esfregando o local. – Para que fazer isso?

— Para você parar de enrolar. – Olhei-a e a mesma bufou. – Dá para me contar logo? Credo, com tanta falação até parece algo horrível.

— Não é. – Suspirei. – É que... bem, Edward foi ontem lá em casa. – Soltei logo a frase e gritei colocando minha mão no painel quando o carro foi freado com brusquidão, jogando-me para frente mesmo com o cinto. – Rosalie! – Gritei, respirando fundo e arrumando-me no assento, tirando os fios de cabelo do meu rosto. – Você enlouqueceu? – A olhei assustada, ouvindo várias buzinas soarem atrás de nós.

— Edward foi na sua casa? – Virou-se de frente para mim, seus olhos arregalados e até brilhantes. Deus, parecia que eu contaria uma estória de conto de fadas para ela. – Oh, meu Deus e como foi? Vocês se beijaram? O quanto se beijaram? – Sua boca abriu-se e ela guinchou. – Perdeu sua virgindade? – Cobri meu rosto com ambas as mãos, respirando fundo e perguntando de onde tinha saído tanta loucura para uma pessoa só. – Conta, Bella!

— Primeiro comece a dirigir. – Falei abafado, minhas mãos continuavam em meu rosto. – Não aguento mais esse barulho de buzinas e eu tenho hora marcada lá na Univeridade.

— Ok, ok! – Suspirou rendendo-se e eu descobri meu rosto, sentindo o carro ganhar movimento e ainda dava para ouvir alguns xingamentos. – Mas da para me responder? Como você não me conta que Edward apareceu lá ontem? Tivemos a manhã inteirinha para você me falar. – Bufou e eu ri. – Não ria!

— Desculpe, você inconformada é engraçada. – Soltei uma risada e ela bufou outra vez. – Enfim... – Respirei fundo. – Eu estava tão nervosa para a visita de hoje que eu não conseguia raciocinar direito, primeiro vinha sobre a Universidade em minha mente, depois Edward e o nosso dia juntos. – Suspirei sem sentir. – Desculpe-me, nem consegui lhe contar.

— Está perdoada, só porque eu posso ouvir seus suspiros por ontem. – Riu. – Você está caidinha por ele. – Batucou os dedos no volante. – Mas fico feliz por estar dando certo. Ele procurou você, dá para perceber que é para valer? – Olhou-me brevemente, sorrindo. – Ambos querem, Bella, isso não tem como dar errado.

— Não é só do casal que se faz uma relação, tem todas as coisas em volta. – Olhei para meus dedos, respirando fundo.

Eu queria muito contar a Rose sobre Andrew e o quanto aquele garoto encantou-me, eu confiava minha vida nela, mas era um segredo de Edward e eu não poderia quebrar sua confiança, ele disse-me que ninguém fora eu e umas pessoas próximas à ele sabem da existência do pequeno garoto maravilhoso, eu não poderia ir contra isso. Tudo tinha seu tempo e quando eu falasse com ele, perguntaria se minha irmã do coração poderia saber sobre isso, ela era digna de confiança, mas o segredo por enquanto era só de Edward, não podia compartilhar assim.

— Eu sei, mas vocês conseguem juntos. – Virou-se e piscou para mim. – Tenho certeza que tudo dará certo. – Sorri para ela e assenti.

— Eu estou confiando nisso.

— E sobre a virgindade? – Moveu as sobrancelhas e rolei os olhos.

— Não houve nada demais, Rose, pare de ser pervertida. – Ela gargalhou.

— Ah, mas não negue que não tenha sentido nada. Pois com certeza beijos rolaram e sozinhos podia acontecer qualquer coisa, olha bem para aquele homem. – As sobrancelhas moveram-se de maneira sugestiva mais uma vez e eu tive que rir.

— Eu senti muitas coisas. – Apertei minhas mãos juntas e sorri. – Não tem nem como tentar negar, Rose, você tem razão, ele é... – Suspirei. –... delicioso. – Mordi o lábio e a vi sorrir pelo canto de olho.

— Aí você acertou, minha querida Bella. – Um sorriso malicioso tomava conta de seus lábios. – Mas nada além de beijos?

— Não, foram alguns beijos, passada de mãos... – Não consegui segurar um arrepio que passou por mim. – Só que nada muito além. – Dei de ombros. – Não nos conhecemos direito, eu só quero sentir muito bem como é estar ao lado dele e tentar achar respostas para tudo isso.

— E sua meia conclusão? – Virou a rua, acelerando um pouco. – Você tem uma, não é?

— Tenho e ela é positiva. – Deixei-me sorrir. – Edward parece tão diferente por agora, nada comparado ao ogro que eu vi duas vezes, uma na loja de roupas e outra quando fui entregar seu terno. Parece que está encaixando-se e isso só me deixa mais aliviada e esperançosa em relação a nós dois. – Ainda mais com um garotinho perfeito como Andrew. Pensei mentalmente, sorrindo com esse fato.

— Vai dar certo. – Sorrimos uma para a outra e continuamos a conversar durante o percurso, porém desviamos o assunto para minha visita na Universidade que eu cursaria em breve.

Ficamos presa mais uns dez minutos no carro, logo Rose estacionou no meio fio e eu olhei através da janela para o outro lado da rua, abrindo um amplo sorriso quando vi o grande campus com fontes e pessoas caminhando para todos os lados. Ficava ainda mais contente quando lembrava-me que em poucos dias eu estaria frequentando tudo isso, eu seria uma aluna de uma das melhores Universidades do mundo.

Eu conseguiria tudo isso.

Com um suspiro de satisfação eu tirei meu cinto, saindo do carro no mesmo momento que Rosalie. Fechamos as portas e ela ativou o alarme, caminhando de forma saltitante até parar ao meu lado, um sorriso de orelha a orelha tomando conta de seu rosto, parecendo ser o espelho do meu, pois não conseguia parar de sorrir também.

— Você estudará aqui. – Cutucou-me nas costelas e eu ri assentindo.

— Eu estudarei. – Olhei animada em volta, percebendo cada canto bem arquitetado daquela Universidade, todas as decorações em volta. – É a Columbia University. – Suspirei, olhando mais uma vez para todos os lados, até parar meus olhos em Rose que sorria mais que o mundo. – É o meu sonho, Rosalie. – Funguei e ela riu, abraçando-me.

— E ainda duvida quando eu digo que é capaz de tudo. – Deu um tapa fraco em minha nuca. – Você está dando a volta por cima da vida, Bella, está conquistando tudo o que é capaz, mostrando que apesar de sua infância triste, sua adolescência conturbada, seus sonhos podem sim realizar-se. – Separamo-nos e sequei a lágrima que deslizou sem que eu percebesse. Rose riu e deu-me um beijo na bochecha. – Nada é impossível.

— Só se você acreditar que é. – Completei a frase, lembrando-me exatamente de sábado à noite, quando Edward e eu conversamos e ele disse-me essas exatas palavras. Ele tinha razão e mesmo que sejamos meio desconhecidos, eu sei que Edward confia em mim, e isso faz com que uma força a mais se acrescente em mim. Eu sei que ele está comigo e isso é o importante.

— Que frase! – Rose suspirou. – Aonde você a ouviu?

— Edward me disse no sábado. – Sorri para ela. – Parece que mesmo distante, ele se encaixa em tudo. – Rosalie riu contente.

— É claro que ele se encaixa. — Olhou seu relógio de pulso. – Agora vamos, falta cinco minutos para dar seu horário.

— Estou nervosa. – Falei, atravessando a rua ao lado de Rosalie. Olhei para a frente, vendo todos rirem divertidos e caminharem pelo campus gigante. – E se aqui for como no Ensino Médio? – Parei na calçada. Ah, merda, eu tinha mesmo que pensar no pior momento da minha vida?

— Calada, Bella. – Rose revirou os olhos. – Vai ser tudo perfeito, não comece a encher sua cabeça de paranoias.

— Como é essa visita? – Perguntei outra coisa, era melhor eu não pensar em nada que envolvia meu Ensino Médio, tinha sido uma época terrível e lembrar disso agora não era nada bom.

— Nada demais, só virá uma inspetora mostrar para você o campus e os prédios aonde terá suas aulas. Não te fará perguntas e nem nada, você preencheu tudo no formulário que enviou para participar da bolsa, só no primeiro dia você irá assinar um documento. – Explicou e consegui respirar mais aliviada. – Isso, fique calma, é só uma simples visita. – Deu de ombros. – Nada além da visita, não tem motivos para pânico.

— Certo. – Assenti concordando, até sentindo-me um pouco melhor agora.

— Com licença. – Desviamos nossa atenção para a voz feminina que aproximava-se. Olhamos para a mulher de cabelos grisalhos e ela sorriu para nós, estendendo sua mão em minha direção. – Boa tarde, sou a inspetora Carmem. Suspeito que a morena seja Isabella? – Questionou-me e sorri assentindo, apertando firmemente sua mão.

— Sou sim. Cursarei Psicologia. – Falei de forma orgulhosa e ela sorriu para meu tom animado. Carmem soltou minha mão, estendendo a sua novamente e desta vez para Rose.

— Fico feliz pelo curso escolhido, Isabella. E você? – Perguntou para a loira e ela riu, aceitando a mão da inspetora.

— Sou Rose, amiga da Bella, vim acompanha-la. – Elas soltaram as mãos e Carmem assentiu.

— É um prazer conhecer ambas. O reitor mandou-me especialmente para atender você, Isabella.

— Por favor, chame-me somente de Bella, eu prefiro assim. – A interrompi e ela olhou-me de sobrancelha arqueada. – Ah, me desculpe por interrompê-la.

— Sem problemas, querida, só achei curioso seu apelido. – Riu. – Combina muito com sua pessoa.

— Ah... – Olhei constrangida entre ela e Rose, fazendo ambas rirem. – Obrigada? – Falei em forma de pergunta e minha melhor amiga sorriu, balançando sua cabeça.

— De nada. – Carmem sorriu. – Bem, hoje será uma visita normal. Mas alerto que será longa. – Assenti. – Vamos caminhar pelo campus de toda a Universidade, lhe contarei as coisas essências, os prédios de Psicologia são incríveis. – Soltei um suspiro só de imaginar. – Também tem os laboratórios que são importantes para diversas aulas. Tem a Reitoria, o refeitório... enfim, são inúmeros lugares, irei mostrar com detalhe para vocês. – Dirigiu-nos um sorriso bonito e senti-me bem com sua simpatia.

— Obrigada. – Disse-lhe.

— Não precisa agradecer. Podem me seguir, vamos começar pelo campus Sul, que é esse em que estamos...

Dei uma olhada para Rosalie e ela ria animada. Minha amiga caminhou até mim e enganchou seu braço no meu, andando ao meu lado conforme Carmem ia nos explicando tudo sobre o campus e a Universidade, sempre sorrindo e demonstrando simpatia.

Eu olhava curiosamente para todos os lados, sendo cumprimentada algumas vezes pelos estudantes que caminhavam por ali, cheio de livros ou em rodas de amigos. Seria uma experiência inesquecível estudar aqui e eu não via a hora de começar tudo isso, realizando meu sonho de tornar-me uma universitária, para em seguida colocar em prática meu aprendizado e mostrar para o mundo que eu era capaz de crescer sozinha e vencer na vida.

Pov Edward.

— Ah, meu Deus, Edward, você é tão maravilhoso, maninho! – Alice pulava animada, abraçando-me apertado e conseguindo me esmagar com seus braços pequenos. Rolei os olhos para suas palavras repetidas pela décima vez e a abracei de volta, sentindo-a pular agitada. – Andrew contou-me tudo assim que chegou lá em casa hoje, dizendo o quão bonito era seu pai e a Bella juntos, sempre olhando-se e dando beijos. – Eu tinha criado um pequeno linguarudo, dava para notar. – Ah, Edward, você está com a Bella! – Riu animada e eu tive que sorrir para suas palavras.

Sim, eu estava com a Bella.

— Ótimo, Alice, agora pare de me abraçar. – Empurrei devagar seu corpo. – Você está aqui desde o meio dia me abraçando e dizendo como é bom eu estar tomando um rumo. – Olhei de forma acusadora para ela que cruzou os braços e deu de ombros. – Você não é nada sútil, maninha. – Arqueei uma sobrancelha e ela sorriu.

— Essa sou eu. – Empinou o queixo. – Eu viria só no final do expediente, aproveitando para deixar Andrew, mas Jasper praticamente me expulsou de casa. – Revirou os olhos. – Ele disse-me que não aguentava mais ouvir-me falar disso, então ficou com Andrew e mandou-me para a empresa. – Sorriu para mim. – Então eu vim.

— Percebi. – Encostei-me na mesa, apoiando minhas mãos nela. – Jasper é muito esperto, não aguenta a noiva faladeira e a manda para mim. – Alice arfou e deu-me um tapa no braço, fazendo-me rir com isso, sua força era mínima e no máximo fazia cocegas. – Você sabe que isso não dói.

— Mas bater em você satisfaz meu interior. – Empinou o queixo e rolei os olhos com essa atitude. Isso lembrava-me uma mulher petulante que estava em meus pensamentos todas as noites. – O que foi esse revirar de olhos? – Alice olhou-me questionadora, sentando-se na cadeira de frente para minha mesa.

— Essa coisa de empinar o queixo. – Bufei, cruzando meus braços. – Bella tem uma mania terrível de fazer isso.

— Eu já a adoro. – Sorriu abertamente, cruzando as pernas. – Ela é a única pessoa que enfrenta você, isso é o máximo!

— Não é nada.

— Claro que sim! Você ficou caidinho justamente por uma pessoa que não te teme e nem beija o chão que você pisa. – Piscou. – Bem irônico, não é?

— Até demais. – Sentei na beirada da mesa, arqueando uma sobrancelha quando Alice soltou uma gargalhada. – O que foi?

— Estou pensando em você com Bella. Eu vi vocês juntos no sábado, você a olhava de uma maneira tão intensa, Edward, eu não saberia explicar toda a intensidade e eletricidade que havia entre vocês dois. – Suspirou, parando de rir. – E ontem você foi almoçar com ela, na casa dela. – Abriu os braços. – E ainda levou Andrew para conhece-la, uma coisa que eu jamais pensei que aconteceria. Você nunca deixou ninguém desconhecido se aproximar do garoto e para Bella você o levou espontaneamente. O que é isso tudo? – Seus olhos ergueram-se até estarem nos meus. Esfreguei meu rosto e soltei um longo suspiro, os pensamentos sempre embaralhados quando eu pensava naquela mulher que revirava todo o meu mundo.

— Eu também não posso lhe explicar isso, Alice. – Olhei para minha irmã, eu confiava demais naquela anã, ela era a pessoa que mais tinha me ajudado desde que tornei-me um adolescente. Foi Alice quem me deu pelo o que lutar, foi ela quem ajudou-me com tudo o que eu tenho hoje em dia. – Bella está em minha mente desde que nos conhecemos naquela loja. – Respirei fundo, as lembranças consumindo-me como sempre. – Passou-se um mês e ela nunca saia da minha cabeça, todas as malditas 24 horas presa em mim, e não adiantava eu fazer nada, ela sempre estava ali. – Passei a mão pelo meu cabelo, tendo a total atenção da minha irmã que olhava-me maravilhada. – Quando ela veio até aqui e enfrentou-me do jeito que ninguém nunca fez... eu acho que vi algo nela, algo mais do que a beleza. Neste mês eu sempre pensava no quão fodidamente gostosa ela era ou como ela era a mulher mais bonita que eu já tinha visto em minha vida. – Alice sorriu para mim, inclinando-se para prestar mais atenção. – Só que quando eu vi seu jeito, a determinação em seus olhos... tudo acrescentou-se naquela imagem que eu tinha dela. Agora eu via uma mulher perfeita, linda por fora e por dentro, forte e sempre lutando pelo o que queria, sem deixar que ninguém a fizesse desistir. – Sorri lembrando-me de toda sua petulância. – Ela me deu mais motivos para tudo, Alice, eu não conseguia deixa-la ir e depois de tudo o que ocorreu sábado e ontem, eu acho que nunca poderei deixa-la ir. Parece terrivelmente assustador.

— Oh, meu irmãozinho lindo. – Ela levantou-se emocionada e pude vê-la deixar uma lágrima escapar de seus olhos. – Você finalmente está abrindo os olhos, Edward. – Aproximou-se e ficou na ponta dos pés, tocando meu rosto e sorrindo enquanto deixava lágrimas rolarem por seu rosto. Suspirei com isso e afastei as lágrimas de seu rosto, olhando-a atentamente. – Talvez fosse ela. – Sussurrou e franzi o cenho confuso. – Eu te disse que se você continuasse se fechando, poderia perder algo que conseguisse fazer você mudar. – Assenti, lembrando-me de suas palavras no carro, há um mês, quando saímos da loja onde eu finalmente achei um rumo diferente, um motivo a mais para continuar lutando. – Então essa é a razão, Edward. Bella é a razão. – Explicou, olhando-me entre sorrindo e emocionada. – Eu mal posso acreditar que tudo esteja mudando e eu estou conseguindo meu irmão de volta. Eu temia que você se perdesse de vez. – Abraçou-me apertado, fungando contra meu terno.

Abracei minha irmã engolindo em seco e fechando os olhos, colocando meu queixo sobre sua cabeça. Alice tinha razão mês passado, na verdade aquela Nanica tinha razão sempre, ela conhecia-me melhor do que eu mesmo, sabia me decifrar. Eu tinha certeza que no momento em que disse-me aquelas palavras sobre eu perder as coisas em minha volta se continuasse a me fechar, ela pensava em Bella, ela estava pensando na maneira que eu tinha ficado quando coloquei meus olhos sobre aquela morena incrível que rolava meu mundo por completo. Mas Alice sempre foi inteligente demais e depois de mais essa, jamais poderia duvidar de minha irmã.

— Obrigado, Alice. – Sussurrei, fechando com força meus braços ao redor dela. – Eu te amo e não saberia o que fazer sem ter você ao meu lado. – Respirei fundo. – Talvez eu já estivesse perdido há muito tempo.

— Não fale isso. – Afastou, secando o restante de vestígios de lágrimas. – Todos temos um destino e com ou sem mim, seu destino seria esse, Edward. Você teria seus sonhos realizados, Andrew como seu filho e agora Bella. – Sorriu, batendo o indicador em meu queixo. – A vida é difícil, mas quando você encontra o que faz a sua valer à pena, tudo torna-se mais fácil. – Piscou. – Pense nisso.

— Obrigado. – Beijei sua testa e ela continuou sorrindo para mim.

Senti meu celular vibrar no bolso da minha calça social, então afastei-me da mesa e retirei o aparelho do bolso, olhando para a tela que piscava uma mensagem. Era de Daniel, meu segurança que estava trabalhando de outra forma para mim hoje.

“Como tinha dito-me, Sr. Cullen, ela chegou ao meio-dia e agora já está de saída com sua amiga loira. Aparentemente ainda conversarão algumas coisas com a funcionária daqui, para depois irem embora. O senhor tem algum tempo, a Universidade fica perto da empresa.
Daniel.”

Sorri para a dedicação do meu segurança e digitei uma rápida resposta, dizendo que eu estava a caminho de lá.

— O que foi? – Alice questionou-me, vendo que eu andava apressado pela sala e pegava minha carteira e as chaves do carro.

— Daniel avisou-me sobre Bella estar saindo da Universidade. – Expliquei, guardando o celular no bolso. Alice olhou-me de braços cruzados e eu suspirei, já identificando o olhar que ela me dirigia. – Eu sei que é errado vigiá-la assim, mas eu não sabia o horário que ela sairia de lá.

— Custava ligar para a garota? – Bufou. – Você e seus métodos mais fáceis. – Ri com sua ironia.

— Eu queria que Daniel cuidasse dela também. – Dei de ombros, ajeitando minha gravata. – Não me culpe por isso.

— Tudo bem, não vou. – Revirou os olhos e pegou a bolsa da cadeira ao lado, colocando-a no seu ombro direito. – Você vai até a garota de seus sonhos e eu vou passar o resto do dia com meu sobrinho. – Sorriu feliz. – Jasper está de folga e podemos passear por aí, não é?

— Se tomar todo o cuidado. – Pedi a olhando. Temia que a qualquer momento aqueles crápulas aparecessem, eu não tinha contado a Alice sobre a ameaça da mãe dela, mas eu estava olhando de longe para ela, Jasper e Andrew. George estava na cola dos três e eu confiava veemente nele. Só que Andrew era meu filho e tudo para mim, qualquer cuidado era muito pouco para mantê-lo em segurança.

— Edward? – Alice estralou o dedo em minha frente. Pisquei confuso e ela arqueou uma sobrancelha quando a olhei. – Você se desligou por alguns segundos. E esse olhar preocupado em seu rosto, que eu percebo desde sábado, já está deixando-me agoniada, o que está acontecendo? – Colocou as mãos na cintura, olhando-me séria. – Edward?

— Não é nada, Alice. – Respirei fundo e ela grunhiu, batendo o pé no chão. – Não é nada. – Repeti. – Confie em mim.

— Eu sempre confio, mas não quando eu sei que está mentindo para mim. – Suspirou. – Me conte, sou sua irmã.

— Eu sei, Alice, mas não é nada, tudo bem? – Coloquei minha mão em seu rosto e ela ainda olhava-me desconfiada. – É sério.

— Eu ainda não acredito.

— Confie no que eu faço, nada está ou dará errado, certo? – Pedi e ela continuou muda. – Certo, Alice? – Minha irmã soltou um longo suspiro como se rendesse e assentiu.

— Certo, certo. – Sorriu um pouco. – Vamos logo ou perderá a saída de Bella da Universidade. – Piscou e eu ri.

Saímos da minha sala e ao passa pela mesa da minha secretária, avisei-a que eu poderia demorar para voltar para empresa e talvez até não viesse mais hoje, então era para desmarcar todos os meus compromissos do resto do dia. Ela meramente assentiu, nem olhando-me. Isso seguia-se depois que eu tinha chamado sua atenção pelo comportamento que teve com Bella, mas eu estava certo e não deixaria Senhorita Johnson tentar mudar isso, eu sabia que ela era meio mesquinha, mas tratar mal qualquer pessoa que viesse aqui já era demais. Ainda mais Bella.

Alice continuava a tagarelar por todo o caminho até o estacionamento. Eu fingia que a ouvia, mas pensar que ela passearia com Andrew por aí me fazia sentir-me mal e estranho com tantas possibilidades que poderia ocorrer. Eu sei que ela tinha Jasper, o segurança dela e até George junto para protege-la e para proteger Andrew, mas o frio na espinha não saia e eu ficava pensando nisso o tempo todo.

Despedi-me dela quando a levei até seu carro, e pedi mil vezes para que tomasse o maior cuidado com Andrew quando saísse com ele. Alice abraçou-me e pediu para que eu ficasse calmo, nada aconteceria. Eu tinha meu medo e minhas dúvidas, meus progenitores não eram do bem e tinham meios complicados para conseguirem tudo o que queriam. Eu os odiava e se eles conseguissem colocar um dedo em meu filho, eu não hesitaria em fazê-los pagar.

Depois de um tempo eu já encontrava-me em meu carro, dirigindo rumo para a Columbia University, tentando não pensar em nada de ruim e obrigando-me a pensar que Andrew teria um dia divertido com a tia e o tio dele. Ele precisava de passeios e ficava feliz que Alice podia fazer isso com ele.

Sim, seria um dia calmo e nada de mal aconteceria, eu precisava acreditar que nada podia acontecer.

Quando consegui ficar mais calmo em meus pensamentos, dirigi de forma tranquila até a Universidade que ficava perto da minha empresa. Não demorou muito e logo eu estacionada no meio fio em frente ao campus cheio de estudantes. Se eu olhasse bem para a minha frente, podia ver o carro que Daniel dirigia estacionado, com cautela, como sempre.

Desliguei meu veículo e tirei o cinto, saindo do carro e travando-o logo em seguida. Dei a volta e olhei para os dois lados antes de atravessar, indo só quando não vi movimento algum. Andei pela calçada do campus e olhei sempre em volta, tentando encontrar a minha motivação do dia a dia, a terceira pessoa que era adicionada em minha lista específica, com quem eu me preocupava mais do que comigo mesmo.

Eu pude sentir meu coração acelerar-se no mesmo momento em que meus olhos encararam um cabelo castanho avermelhado, os fios movimentando-se com o vento frio que começava a passar. Respirei fundo ao sentir arrepios estranhos tomarem conta do meu corpo, da mesma maneira que era sempre que eu a via ou que pensava nele, os sentimentos estranhos e confusos apossando-se de mim.

Coloquei minhas mãos no bolso de minha calça social e pus-me a caminhar até ela que estava de costas para mim, conversando alegremente com uma mulher bonita à sua frente, que sorria abertamente para ela. Conforme fui me aproximando, a loira levantou seus olhos e abriu a boca, sorrindo ainda mais – se possível –, assim que os olhos azuis encontraram-se com os meus.

— Talvez já seja seu presente de boas-vindas. – Comentou animada, piscando para Bella. Aproximei-me até estar próximo o suficiente dela, podendo sentir seu perfume e a eletricidade que seu corpo transmitia para o meu.

— Olá. – Sussurrei perto do seu ouvido, sorrindo satisfatoriamente ao ver os pelos de sua nuca arrepiarem-se e um estremecimento passar pelo seu corpo. A percebi respirar fundo e virar-se calmamente para mim, os olhos castanhos levantando-se e encontrando-se com os meus. O brilho intenso e verdadeiro presente nas orbes achocolatadas, olhando-me de uma maneira que só dava-me mais vontade de estar ao lado dela. – Bella. – Balancei a cabeça, pigarreando ao ouvir minha voz sair mais rouca que o normal.

— Edward. – Suspirou meu nome, um delicioso sorriso abrindo-se nos lábios vermelhos, dando-me uma vontade louca de experimentá-los outra vez. – O que faz aqui? – Olhou-me curiosa e eu sorri piscando, fazendo-a revirar seus olhos. – Já entendi, seus métodos eficazes.

— Exatamente. – Apertei minhas mãos em meus bolsos, podia sentir meus dedos coçarem para entrar em contato com aquela pele macia. Ficamos nos olhando por algum tempo, até um pigarro chamar nossa atenção, fazendo-nos quebrar o nosso contato visual.

— Ah! Me desculpe, Rose. – Bella riu constrangida, dando uma olhada na amiga que estava ao seu lado. – Rosalie, esse é Edward meu... – Calou-se, olhando-me duvidosa. Eu ri com sua falta de palavras, como se tudo o que eu tivesse dito para ela ontem, tivesse sumido de sua mente. Eu a queria para mim, isso já não dizia tudo?

— Sou o namorado dela. – Pisquei para a morena que olhava-me estática, esticando minha mão para sua amiga. – É um prazer. Rose, não é? – Questionei confuso.

— Isso. – Sorriu para mim, apertando minha mão. – E você é Edward Cullen. – Assenti e ela riu, separando nossas mãos. – Agora entendo bem o que Bella falava. – Piscou e eu ri com seu sorriso malicioso, dirigindo meu olhar para a morena que desta vez arregalava os olhos.

— Rosalie! – Guinchou e sua amiga riu.

— Só estou falando a verdade. – Pigarreou. – Já que está bem acompanhada, eu vou-me indo. Angela deu-me o resto do dia de folga, então tenho alguém para fazer uma surpresa. – Abraçou Bella, sussurrando algo em seu ouvido. Assim que separou-se, virou para mim e aproximou-se. – Hmm, posso te dar um abraço?

— Pode? – Meio que perguntei e ela riu, abraçando-me de leve.

— Cuide bem dela, pois Bella é minha irmã do coração. – Sussurrou em meu ouvido e franzi o cenho. – Tome cuidado, Senhor Cullen, eu faria de tudo por ela. – Afastou-se e sorriu. – Passar bem.

— Obrigado, Rose. – Ela assentiu e acenou para Bella, afastando-se de nós e indo para um carro cinza do outro lado. – Ela sempre é ameaçadora? – Virei-me para a minha tentação e ela riu baixinho, balançando a cabeça.

— É a primeira vez. – Deu de ombros e mordeu os lábios. Não resisti desta vez ao ver aquele gesto sexy, parecia chamar-me ainda mais.

Sem controlar-me, aproximei-me rapidamente da minha morena, agarrando sua cintura e puxando seu corpo para o meu, colando-nos e possuindo sua boca da maneira que eu desejava. A senti suspirar e amolecer em meus braços, conforme passava suas mãos por meus ombros e ficava ainda mais perto de mim, movendo seus lábios nos meus.

A abracei com força e tomei sua boca com fome, beijando-a como se estivéssemos há dias sem isso. Minhas mãos apertavam sua cintura e minha boca devorava a sua, minha língua entrando em contato com a dela e meus dentes mordiscando seus lábios deliciosos, provando mais e mais.

Agarrei um punhado de seu cabelo e puxei seu rosto para mais perto, puxando o ar na medida que meus lábios colidiam com os seus, aumentando a pressão e a urgência. Eu não entendia o que essa mulher tinha, ela parecia tornar-se cada vez mais viciante para mim.

— Edward. – Resfolegou, afastando-se e colocando uma mão em meu peito. Separei-me um pouco e puxei meu próprio ar, abrindo meus olhos e encontrando a intensidade castanha olhando-me. O brilho do desejo era evidente nela e tornava mais difícil o meu controle, eu não era tão controlado quanto achava, parecia cada vez pior conseguir me segurar. – Estamos na frente da faculdade. – Mordeu seu lábio inferior, onde estava avermelhado e molhado pelo meu beijo.

Porra, era complicado.

— Certo. – Pigarreei, afastando-me um pouco de seu corpo. – Você me tira o juízo. – Passei o polegar em seu lábio, afastando-o de seus dentes. – Não faça isso.

— É uma mania. – Ela voltaria a mordê-lo, mas a impedi antes, dando-lhe um selinho demorado. – Espera. – Empurrou-me um pouco, olhando-me com o cenho franzido. – Desde quando sou sua namorada? – A sobrancelha esquerda elevou-se e eu revirei meus olhos.

— Todas as palavras que eu te disse ontem não valeram de nada? – Toquei sua bochecha, respirando fundo. – Aquilo que eu lhe disse, Bella, foi o meu pedido. – Dei de ombros. – É a minha maneira de fazer isso. – Olhei em seus olhos e sorri quando vi o brilho ali. – Você gostou disso, não é?

— Deixa de ser convencido. – Bufou, afastando minha mão de seu rosto. Ainda a olhava de maneira diferente, sorrindo para ela. Bella riu e tocou meu queixo, erguendo-se um pouco para olhar-me nos olhos. – Você estava me vigiando de alguma forma, não é? – Arqueei uma sobrancelha e ela soltou outra risada. – Por favor, Edward, só assim para saber a hora que eu sairia da Universidade. Eu não tinha lhe dito isso.

— Meus meios eficazes. – Repeti suas palavras, fazendo-a suspirar e assentir. – Como pode isso? – Olhei-a chocado. – Você não se importa que eu faça isso?

— Eu já lhe disse que isso não é nada demais para mim, Edward. – Deu de ombros. – Enfim... para que veio? – Voltou a sorrir e suspirei.

— Eu queria levar você para almoçar comigo, suponho que não tenha feito isso ainda. – Ela confirmou e eu sorri. – Ótimo, conheço um restaurante ótimo.

— Eu deixo você escolher hoje. – Piscou e eu ri, segurando sua mão.

— Ótimo. – Beijei-a rapidamente e ao entrelaçar nossos dedos, puxei-a comigo para irmos para meu carro.

Andamos em silêncio até o conversível estacionado e como era meu costume, fui abrir a porta para ela. Ri quando Bella olhou-me meio boquiaberta e beijei sua bochecha, fechando a porta e indo para o meu lado, entrando no veículo e colocando o cinto ao meu redor.

— Pronta?

— Claro. – Riu, colocando o cinto em sua volta. – Como está Andrew? – Olhou-me interessada e eu sorri para ela, enchendo-me ainda mais com esse sentimento estranho, só de ver que ela importava-se com meu filho.

— Está bem e falou a noite inteira sobre você. – Sorrimos e eu liguei o carro. – Deve estar fazendo isso até agora, mas desta vez enchendo os ouvidos de Alice. – Pisquei, inclinando-me para ela e roubando mais um beijo seu. – Merda, seus lábios são viciantes.

— Eu acho os seus viciantes. – Sorriu, colocando a mão em meu queixo e puxando-me para si, tomando meus lábios nos seus.

Voltei a desligar o carro e inclinei-me sobre ela, apoiando uma mão em sua perna torneada e deixando um apertão na coxa, pressionando meus lábios com mais força sobre os seus, arrancando um gemido dela que deixou-me louco.

Apoiei a outra mão no encosto do banco, e Bella por vontade própria deu um jeito de se aproximar de mim, beijando-me com força e agarrando-me com seus braços em volta de meu pescoço. Os lábios carnudos chuparam o meu superior e grunhi mordiscando os dela, voltando a beijá-la.

Antes de qualquer outro ato, meu celular vibrando no bolso interrompeu tudo. Afastei-me um pouco da morena ofegante e sorri para seu estado, tirando minha mão de sua perna e levando-a até o bolso, retirando o aparelho que vibrava por uma nova mensagem.

“Tsc, tsc, tsc,
Não cumpriu o requisito, Cullen, agora iremos sempre atrás de você. Além do pequeno pirralho, podemos ameaça-lo com a bela morena que está aos beijos com você?”

O sorriso imediatamente sumiu da minha boca e empertiguei-me em meu lugar, olhando para fora do carro e procurando qualquer pessoa conhecida por perto. Engoli em seco sentindo meu coração martelar de medo e olhei para o lado, vendo Bella franzir o cenho e encarar-me de forma preocupada.

Eu não suportaria perder Andrew e ela, eu não podia perde-los, ainda mais pelos dois filhos da puta que estavam nos vigiando. Esfreguei meu rosto com força, temendo o que eles poderiam fazer, eu era poderoso, mas aqueles dois tinham meios fodidamente complicados.

Mas eu tinha certeza que isso não ficaria assim.

Se algo acontecer com Andrew ou Bella, eu acabo com a vida de Anthony e Elizabeth Masen.

“Continua...”

Notas finais
N/A (Cintia Cullen): Aaaahh, mais um capítulo postado e lido por vocês, meus queridos ♥ Como me saí neste? Espero que tenha complementado os outros e que a estória esteja fluindo bem ;) Obrigada por todos os comentários do capítulo anterior, seus maravilhosos! Mais de 30 comentários em um capítulo, isso é surpreendente demais e eu jamais saberei como agradecer todo o carinho que vocês têm comigo e com a fanfic, obrigada, obrigada mesmo! ♥ Nos veremos em breve, espero que tenham curtido o capítulo. Comentem o que acharam, como sempre digo: A opinião de vocês conta e muito! Beijos, lindos, até o próximo.