Never It's Late.
10 Nós ficaremos juntos.
Notas iniciais
Nós ficaremos juntos.
Pov Bella.
Olhava meio assustada para Edward no momento, ele parecia estar entrando em pânico ou algo parecido, estava respirando fundo e agora mantinha seus olhos fechados e mãos agarradas nos fios cobres, torcendo-os entre seus dedos.
Engoli em seco sentindo temor por ele, parecia que algo apavorante estava passando em sua mente e de alguma forma estranha, eu podia sentir o medo que ele transpassava. Respirei fundo e olhei para fora do carro, olhando em cada canto e tentando achar alguma coisa que possa ter causado isso no homem ao meu lado, porém aparentemente tudo estava normal.
Voltei a olhar para Edward e ele encontrava-se na mesma posição que alguns minutos atrás. Mordi meu lábio e virei-me devagar sobre meu banco, sentando-se sobre minhas pernas e tirando meu cinto, para que eu conseguisse mais liberdade. Estiquei devagar e cuidadosamente minha mão direita até ele, temendo a forma que ele podia reagir, mas corajosamente eu toquei seu rosto com a ponta de meus dedos e puxei o ar devagar para meus pulmões, sentindo toda a eletricidade em nossa volta e entre nós, exatamente onde minha mão o tocava.
— Edward? – Chamei-o baixo, tentando ter sua atenção. Demorou um pouco, mas o vi engolir em seco e puxar fortemente seu ar, largando seu cabelo em seguida. Olhava-o atentamente e devagar ele abriu seus olhos, dirigindo o verde intenso para mim, porém agora não via mais o brilho de antes. – O que foi?
— Eu... – Travou sua fala e como antes, olhou ao redor, como se procurasse alguma coisa. – ...estou apavorado, Bella. – Voltou com sua atenção para mim, e algo na sua fisionomia me deixava em pânico, não era o Edward forte e decidido que eu conhecera, parecia um garoto que necessitava de todo o conforto.
— Me diz. – Inclinei-me em sua direção, segurando seu rosto com minhas duas mãos e puxando-o para mais perto de mim. – Deixe-me te ajudar, Edward, por favor. – Encostei minha testa na sua, respirando fundo. – Eu posso te ajudar? – Perguntei, fechando meus olhos e sentindo seus braços virem até mim, abraçando-me.
— Ninguém pode. – Sussurrou, sua respiração batendo em mim. – Esse é o problema, Bella, nada pode pará-los. – Sua voz transmitia desespero. – Nada. – Repetiu.
— Eu posso dar um jeito. – Ouvi uma risada sem humor e voltei a abrir meus olhos, minha atenção recaindo sobre ele. Franzi o cenho ao ver algo diferente em seus olhos, um brilho que indicava uma admiração que eu não saberia explicar.
— Você é incrível. – Tocou em meu rosto, sorrindo de forma mínima, mas já era alguma coisa. – O que está fazendo ao meu lado? – Balançou a cabeça, olhando-me descrente, fazendo com que eu soltasse uma risada agora.
— Dando uma chance para nós. – Respondi, dando-lhe um selinho demorado. – Conte-me o que está acontecendo. – Acariciei sua bochecha, fazendo-o abrir os olhos. – Por favor.
— São merdas demais. – Olhou em meus olhos. – Eu não deveria incluir você nisso.
— Eu já estou incluída, Edward, nada vai mudar isso agora. – Abracei-o, tentando chegar o mais perto que eu conseguia de seu corpo. – Por favor. – Implorei, deitando minha cabeça em seu ombro. – Eu quero ao menos tentar ajudar você, de alguma maneira.
— Você não vai se meter nisso, Bella. – Afastou-se, olhando-me de forma séria e segurando meu rosto com suas mãos. – Eu conto à você tudo, lhe explico porquê sou assim e porquê Andrew é escondido de todo o mundo. – Respirou fundo. – Mas em troca disso você tem que me prometer que ficará longe dessas coisas, me prometa que não vai procurar nada e nem se meter nisso. – Sua testa encostou-se a minha novamente. – Me prometa.
— Mas como poderei ajuda-lo? – Perguntei aflita, sua voz era como uma súplica.
— Não importa, Bella. – Suspirou. – Eu não posso deixar que nada aconteça com você, eu não suportaria isso. – Engoliu em seco, seus olhos ligados aos meus. – Prometa-me, só assim lhe contarei as coisas. Por favor, me diz que ficará longe disso. – Implorou e eu respirei fundo, sua voz transmitia medo, assim como as feições, então jamais poderia dizer-lhe algo contrário ao que me pedia.
— Tudo bem. – Coloquei minhas mãos sobre as suas, que ainda estavam em meu rosto. – Eu prometo que não farei nada e nem irei tentar encontrar alguma coisa. – Ele assentiu, parecendo satisfeito. – Eu só quero que você coloque tudo isso para fora, Edward, me diga sobre o que atormenta você. – Passei uma mão em seu cabelo, meus dedos deslizando entre os fios cobres. – Me deixa ao menos tentar ajuda-lo.
— Eu vou contar. – Beijou-me brevemente. – Obrigado por isso. – Sorri um pouco e voltei a me aproximar, nossos lábios colidindo-se mais uma vez. Abracei-o pelo pescoço e movimentei minha boca contra a sua, suspirando ao senti-lo retribuir e apertar-me contra ele. – Podemos ir ao meu apartamento? – Questionou, interrompendo o beijo. – Será mais confortável para conversarmos sobre isso e eu me sentirei melhor.
— Sem problemas. – Sorri e dei-lhe um selinho. Voltei a me ajeitar em meu assento, puxando o cinto sobre minha volta. – Andrew estará lá? – Perguntei, olhando-o.
— Não, durante o dia ele fica com Alice. – Ligou o carro, e mais uma vez respirou fundo. – Eu estou começando a achar que isso foi um erro. – Franzi o cenho.
— Por quê?
— Eu vou te explicar tudo daqui a pouco, tudo bem? – Assenti concordando e Edward retirou o carro do meio fio, dirigindo pela avenida movimentada. – Você precisa voltar para loja que horas? – Perguntou-me, tentando mudar um pouco de assunto, mesmo com sua atenção ainda na estrada.
— Consegui o resto do dia de folga. – Um sorriso pequeno tomou conta de seus lábios e eu soltei uma risada. – O que é esse sorriso?
— Teremos mais tempo hoje. – Ele ativou o câmbio automático e sua mão veio para minha perna, apertando-a e fazendo com que arrepios tomassem conta de mim. – Não precisaremos só ficar em assuntos sérios. – Olhou-me brevemente e piscou em minha direção.
— Trate de se comportar. – Dei-lhe um tapa fraco e senti-me um pouco melhor por vê-lo soltar uma risada, tirando o peso que estava sentindo com sua reação de antes.
— Sempre estou em meu melhor comportamento. – Remexi-me no banco, assim que senti outro aperto em minha coxa. – Você gosta disso? – Parou no sinaleiro, olhando-me intensamente quando estremeci com sua mão queimando-me. Mordi meu lábio inferior e podia ver um desejo brilhando em seu olhar, fazendo-me ferver só com aquilo. – Você deixa-me louco assim. – Inclinou-se e suspirei sentindo-o morder meu lábio inferior e puxá-lo entre seus dentes. Antes de qualquer reação minha, ouvimos uma buzina e Edward deixou um selinho em meus lábios, voltando a dirigir em seguida.
Só aquele ato fez com que meu coração ficasse errático, batendo com força contra meu peito, como se fosse sincronizado com todos os arrepios que passavam-se por mim agora. Respirei fundo, tentando acalmar-me e encostei minha cabeça no vidro do carro, levando minha mão até meu lábio e tocando-o, sentindo-o formigar pela mordida de antes. Fechei meus olhos e sorri um pouco, sua mão ainda apertava de vez em quando minha perna e eu sentia-me bem com aquilo, era algo confortável para mim agora, talvez seja porque eu tenha aceitado esse sentimento que invadia-me e sabia que era o certo para mim.
Suspirei mais uma vez e continuei olhando a paisagem, deixando um silêncio confortável preencher o veículo. De vez em quando eu olhava para Edward e sempre sorria um pouco, vendo-o olhar-me no mesmo instante e dirigir-me seu sorriso torto, piscando para mim. Eu adorava aquele sorriso, ele tirava-me do meu completo juízo e de alguma forma, eu sempre tentaria fazê-lo sorrir daquela maneira, custe o que custasse.
Eu odiava promessas, mas essa era uma que eu fazia para mim mesma e tentaria cumpri-la, de todos os jeitos. Edward tornava-se especial para mim a cada vez que ele aparecia do nada para me encontrar, sorrindo para mim e mostrando-me um mundo completamente novo ao seu lado, me fazendo sentir coisas que jamais imaginei poder sentir. Eu adorava estar ao lado dele, era como um presente para mim e então eu o recompensaria, tentando ajuda-lo no que precisasse, fazendo-o sorrir todos os dias, mostrando para ele próprio o homem maravilhoso que era.
Suspirei em meio aos meus pensamentos e olhei atentamente para fora, vendo o carro entrar pelo enorme portão do prédio luxuoso em que Edward morava. Nem percebi o tempo em que ficamos na estrada, os rumos de meus pensamentos tiraram-me de órbita, nem reparei muito no que estava acontecendo ao redor.
Ajeitei-me em meu lugar e soltei meu cinto, esperando Edward estacionar em sua vaga, enquanto eu já me preparava psicologicamente para enfrentar àquela altura horripilante. O carro estacionou e Edward o desligou, tirando seu cinto e puxando a chave com ele, enquanto saia do carro. Mal racionei direito sua rapidez, pois logo ele encontrava-se ao meu lado, abrindo a porta para mim, como sempre fazia. Olhei meio deslumbrada para Edward, aceitando sua mão estendida e tendo ajuda para colocar-me para fora do carro, ainda encarando o sorriso maravilhoso estampado em sua boca.
— Por que está olhando-me desta forma? – Perguntou-me, batendo a porta do carro e enrolando seus braços ao meu redor, aproximando-se de mim. Seus olhos avaliavam-me com todo o cuidado, seu rosto próximo ao meu, fazendo-me deseja-lo de uma forma completamente desconhecida para mim. – Merda, esses olhos... – Suspirou, tocando meu rosto. – ...você me deixa louco olhando-me assim, Bella. – Sua boca tomou a minha novamente e eu agarrei-me à ele, abraçando-o com força e beijando-o de uma maneira desesperada, mas eu necessitava dele, Deus... eu precisava tanto dele que mal podia pensar direito. – Bella. – Segurou minha cintura, afastando-me dele, deixando-me ofegante com o repentino beijo fervente. – É melhor irmos almoçar e conversar. – Abri meus olhos, vendo-o respirar de maneira rápida, tentando ter seu fôlego de volta. – Eu não sou tão controlado quanto pensa. – Confessou, suspirando alto. – Não com você beijando-me dessa forma. – Desenhou meu lábio inferior com seu dedo, fazendo com que eu involuntariamente abrisse meus lábios, olhando-o nos olhos.
— Talvez... – Engoli em seco, puxando meu ar e tentando ter coragem para dizer o que eu queria. Eu era inexperiente com tudo isso, muito inexperiente, mas eu sentia que podia confiar em Edward de qualquer forma, podia tentar algo com ele, eu queria algo, só não sabia desvendar direito o que era. Mas talvez fosse algo bom, pois seu beijo ascendia-me e dava-me uma vontade louca de estar cada vez mais próxima dele, testando tudo o que eu podia experimentar. Eu tinha uma necessidade por Edward. – Esse seu controle... – Olhei em seus olhos, mordendo meu lábio, porém ele o afastou de meus dentes, como se me repreendesse pelo ato. -...possa ser desnecessário. – Falei de uma vez, aproximando-me dele e sentindo-o respirar de forma errática, olhando-me meio cético. – Você não precisa sempre se controlar, Edward. – Fiquei na ponta dos pés, tocando seu rosto.
— Bella. – Repreendeu-me, fechando os olhos brevemente, enquanto respirava fundo. – Você não sabe o que está dizendo. – Senti suas mãos segurarem com força minha cintura. – Você não faz ideia do que está falando. – Abriu os olhos e eu não contive o arrepio que ocorreu em mim quando vi o verde esmeralda em um tom escuro, brilhando um desejo irreconhecível para mim, chamando-me para algo.
— Eu realmente não sei. – Deslizei minha mão para seu ombro, tomando coragem que eu nem sei da onde tirei, indo com ela para seu peito, tocando-o lentamente e testando isso. Sua respiração acelerou-se e senti uma de suas mãos descer, cobrindo minha bunda e fazendo-me ofegar com o aperto forte que eu recebi. – Edward... – Soprei seu nome, levantando meu olhar e encontrando o seu avaliando-me, fazendo-me queimar com aquela forma intensa. – Eu quero entender isso. – Sussurrei, meu corpo sendo puxando para próximo do seu. – Me ajude a entender. – Pedi, ficando na ponta dos pés, meus lábios perto do seus. – Por que eu sempre pareço estar queimando quando você olha-me deste jeito? – Ele suspirou. – Ou quando você me beija, fazendo-me sentir coisas completamente desconhecidas, me fazem ferver, querer mais...
— Não faz assim, Bella. – Puxou seu ar lentamente, afastando-se um pouco de mim, sua mão saindo de minha bunda e voltando a pousar em minha cintura. – Isso não faz bem para meu juízo, você dizendo-me essas coisas. – Engoliu em seco e deu-me um selinho, respirando fundo duas vezes em seguida. – Eu não sei me controlar tanto. – Soltou uma risada, beijando minha testa com carinho. – Vamos subir, sim? Precisamos pedir algo para o nosso almoço, assim poderemos conversar.
— Tudo bem. – Tirei minhas mãos dele, soltando um longo suspiro e tentando acalmar meu corpo que parecia pedir por mais contato. Edward sorriu novamente e abraçou-me pela cintura, ativando o alarme do carro e caminhando comigo até o elevador. – Edward? – O chamei, sentindo uma enorme vontade dentro de mim. Ele olhou-me curioso e eu ri, sentindo-me como uma criança ansiosa. – Eu estou com muita vontade de comer uma coisa, faz anos que eu não como.
— Diga-me. – Riu animado, percebendo meu olhar deveras ansioso. – Eu faço para você ou compro... é só me falar. – Piscou, apertando o botão do elevador para chama-lo.
— Eu nunca mais comi pizza. – Confessei, até podendo sentir o gosto da massa deliciosa em minha boca. – A última vez foi com Amber, a mulher que cuidava de mim no orfanato. – Ri um pouco, lembrando-me daquele dia. – Ela me levou escondida até uma Pizzaria perto de onde morávamos, nunca comi tanto em minha vida como naquela noite. – Soltei uma risada, sentindo falta daquilo tudo. Foi uma época difícil demais, mas Amber sempre esteve lá para me acolher, de todas as formas.
— Então vamos pedir uma pizza. – Piscou, puxando para dentro do elevador quando ele chegou até o térreo. Entramos na caixa de metal e já dirigi-me para o fundo, vendo Edward apertar o botão do último andar e digitar uma senha, para então as portas fecharam-se. – Podemos pedir uma pizza enorme e de todos os sabores, o que acha? – Olhou-me divertido e eu sorri, sentindo-o se aproximar e abraçar-me pela cintura. – Você pode contar-me mais sobre sua vida, enquanto esperamos a entrega.
— Achei que já soubesse tudo sobre mim. – Semicerrei meus olhos, fazendo-o rolar os seus. – Claro que sabe. – Soltei uma risada. – Por que quer que eu lhe conte tudo o que já descobriu?
— Espertinha. – Beliscou meu queixo. – Será diferente ouvindo de você.
— Pode ser outro dia? – Ele arqueou uma sobrancelha e eu suspirei, tocando seu rosto. – É tudo ainda complicado para mim, todos esses anos não apagaram o que eu sinto por ter sido deixada em um orfanato. – Abaixei meus olhos, respirando fundo e tentando não ficar mal pelo rumo das ideias e pensamentos. Era difícil para mim toda essa relação de passado e presente, não consigo superar toda a dor que vivi por estar sozinha por tanto tempo.
— Ei. – Edward levantou meu queixo, seus olhos encontrando com os meus novamente. – Não quero deixa-la triste, então mudaremos de assunto, certo? – Suspirei assentindo e Edward praguejou algo, encostando sua testa na minha. – Me desculpe por colocar isso à tona.
— Está tudo bem. – Sorri um pouco, enrolando meus braços em seu pescoço. – Não é nada fácil tudo isso.
— Eu compreendo você.
— Compreende? – Franzi o cenho completamente confusa. – Mas você tem Alice e ela falou alguma coisa sobre seus pais e...
— Não são os meus pais. – Disse rudemente, afastando-se um pouco e prendendo sua mão no cabelo, agarrando os fios com força. – Não fale isso. – Fechou os olhos. – Nunca mais.— Pontuou, engolindo em seco e indo encostar-se na parede ao lado, ficando afastado de mim.
— Edward... – Dei um passo para frente, sentindo-me mal por tê-lo colocado naquele estado, o mesmo que ele encontrava-se há algum tempo, quando estávamos no carro na frente da Universidade. – Eu não entendo. – Suspirei alto, porém ele ainda encontrava-se com a cabeça encostada na parede metálica e com seus olhos fechados. – Me perdoe, não queria falar algo que pudesse deixa-lo assim. – Abracei-me, abaixando minha cabeça e no mesmo instante, o elevador parou e abriu as portas.
— Tudo bem. – Ele respirou fundo e esfregou o rosto, abrindo os olhos e esticando sua mão para mim. – Eu vou te explicar tudo, certo? – Assenti e segurei em sua mão, saindo com ele do elevador. – Vamos pedir sua pizza. – Beijou meu rosto e lhe sorri, suspirando pelo mal momento de alguns segundos atrás. – Sabor preferido?
— Frango com Catupiry. – Disse rapidamente, fazendo-o soltar uma risada.
— É a minha também. – Arqueei uma sobrancelha e Edward rolou os olhos. – O que foi? Eu como pizza também, sou humano. – Tirou o celular de seu terno, procurando algo em sua lista de contato. – Quer mais algum sabor?
— Calabresa. – Falei animada e ele sorriu, levando o celular até seu ouvido. – Eu posso ir até a sala?
— Claro. – Revirou seus olhos e beijou-me rapidamente. – Me desculpe por antes. – Sussurrou perto de meus lábios. – É um assunto difícil para mim. – Meus olhos encontraram com os seus e eu sorri, tocando sua bochecha e fazendo um carinho em sua pele.
— Está tudo bem, Edward, não se preocupe com isso. – Abracei ele. – Eu posso entender você. – Soltei-me dele e retribui o sorriso que ele dirigia para mim, afastando-me e caminhando até a sala onde dançamos da última vez.
Sentindo que o ambiente começava a ficar mais quente, abri meu sobretudo e o retirei, colocando-o sobre o encosto do sofá. Cruzei meus braços e caminhei pelo local bem decorado, olhando cada detalhe com atenção, indo rapidamente até uma estante onde eu encontrei retratos.
Sorri olhando as fotos presentes ali, todas tinham o Andrew no meio, sorrindo abertamente para a câmera. Algumas ele parecia mais novo, sempre abraçado à Edward, sorrindo lindamente para seu pai e olhando-o com uma paixão estampada no rosto, fazendo-me suspirar com aquilo. Tinha retrato onde aparecia Alice com Andrew no colo e um homem loiro abraçava-a pela cintura, beijando seu rosto e sorrindo como os outros dois. Ele era desconhecido para mim, mas da maneira em que estavam, poderia ter certeza que aquele era o noivo da morena imperativa.
Andei mais um pouco e parei em frente a uma foto que chamou-me a atenção, mais uma vez pelo amor que poderia perceber a quilômetros, em uma mera fotografia. Peguei-a delicadamente na mão, sorrindo ao olhar um Andrew de pé, ao lado de Edward, sorrindo para o pai e entregando-lhe uma folha que continha um desenho que pela foto não dava para reconhecer muito, mas Edward ria espontaneamente, segurando na mão do filho e olhando-o de uma forma tão apaixonada que arrancava-me suspiros.
— Andrew tinha quatro anos nessa foto. – Levantei minha cabeça rapidamente, olhando na direção da voz e vendo Edward de braços cruzados, sorrindo para mim.
— Vocês possuem uma conexão tão linda. – Mordi o lábio, olhando com carinho para a foto. – Parecem pai e filho de sangue.
— Infelizmente não somos. – Suspirou, caminhando lentamente até estar ao meu lado. – Mas Andrew é a melhor coisa que eu tenho, eu amo demais ele e apesar de qualquer coisa, é o meu filho. – Falou convicto e eu sorri, colocando o retrato no lugar de antes, ajeitando-o ao lado dos outros. – Eu não sei o que seria de mim sem ele. – Olhei-o e aproximei-me dele, abraçando-o com força e suspirando ao sentir os braços ternos apertarem-me contra si, seu corpo aquecendo-me e enviando cargas elétricas para todos os lugares, como sempre, mas eu começava a adorar todas essas sensações.
— Você é um ótimo homem, Edward. – Disse-lhe, encostando minha cabeça em seu peito. – Um maravilhoso pai. – Beijei seu peito sobre o terno, apertando meus braços ao seu redor. – Eu adoro tudo em você. – Tive que afastar-me um pouco, para que eu conseguisse olhar em seus olhos. – Você está mudando-me, por ser quem é.
— Definitivamente é ao contrário. – Sua mão ergueu-se, tocando meu rosto com carinho. – Você é quem está fazendo toda a diferença, Bella. Eu não sei o que é tudo isso, mas... – Soltou um longo suspiro. — ...eu não arrependo-me de nada. Eu posso nunca entender o que temos um com o outro, mas eu jamais iria querer algo diferente. – Sorriu seu maravilhoso sorriso torto, tirando um baixo suspiro de mim. – Eu sei que estou diferente desde que nos conhecemos, eu vejo essa mudança em mim. – Deslizou seu dedo em minha bochecha. – Alice já percebeu a mudança, eu sei que você percebeu também. E tudo isso é por você, eu estou mudando por sua causa, Bella, para ser alguém digno de você.
— Você já é. – Sorri para ele. – Eu não poderia querer alguém diferente. Você é o único que conseguiu fazer alguma mudança em mim, Edward, eu estou sendo alguém que eu jamais pensei em ser, estou sentindo coisas e fazendo-as sem medo, pois eu confio em você. – Beijei-o, abraçando seu pescoço com meus braços, sendo puxada para perto do seu corpo. – Eu quero estar sempre ao seu lado. – Sussurrei entre seus lábios, sentindo um desespero ao falar isso. – Não poderei suportar que algo acontecesse.
— Nada vai acontecer. – Engoliu em seco. – Eu não vou permitir. – Falou de forma convicta, fazendo-me estremecer com a certeza em sua voz. Olhei-o atentamente e Edward respirou fundo, afastando-se do meu corpo e puxando-me pela mão até o sofá. – Eu vou contar-lhe tudo. – Disse-me, sentando-se e eu o segui, olhando de forma atenta, vendo seu rosto sério e algum resquício de medo estampado, isso deixava-me apavorada por ele, odiava vê-lo com essa expressão. – Eu só peço para me compreender. – Segurou minhas duas mãos, apertando-as contra as suas. – Não se afaste de mim. – Pediu em pânico, engolindo em seco, seu corpo escorregando para mais perto de mim no sofá. – Por favor. – Pediu-me.
— Não posso afastar-me de você, Edward, nada vai fazer com que isso aconteça. – Beijei seu rosto demoradamente. – Eu estarei ao seu lado, confie em mim e me conte o que aflige você, posso ajudar com o que for preciso.
— Obrigado. – Sussurrou, beijando minha mão que estava entrelaçada na sua. Sorri e esperei ele ter seu tempo, pois eu sabia que isso era necessário, via o quão aflito ele parecia com tudo. Edward respirou fundo, fechou os olhos e os abriu depois, olhando diretamente para mim. – Para você entender precisarei contar desde o início, começa na minha infância. – Assenti. – Meus progenitores. – Engoliu em seco. – Eu não posso chamá-los de pais, eles não são isso e nunca foram, só vivem para infernizar-me e não merecem um resquício de compaixão. Eu não tenho pais e isso sempre foi uma verdade em minha vida, não quero que eles tenham esse título, pois não merecem. – Falou entredentes e eu fui para mais perto dele, sentando com minhas pernas dobras sobre o sofá, assim eu conseguia ficar mais próxima e tocá-lo.
— Eu entendo, Edward. – Ele olhou-me confuso e eu dirigi-lhe um sorriso triste. – Eu não tive pais, eu sei o quão horrível é isso e nunca lhe julgaria. Para que você tenha esse rancor, essa maneira de falar deles, algo deve ter acontecido. – Dei um beijo em seu rosto, suspirando perto de sua pele. – Eu vou compreender tudo o que disser, eu prometo. – Engoli lentamente minha saliva ao falar essa frase, odiava promessas, mas sei que essa eu cumpriria. – Ninguém odeia de graça, você não seria assim se nada tivesse acontecido. – Sorri quando Edward olhou-me agradecido e deu um aperto em minhas mãos. – Pode contar-me tudo o que quiser, estarei ao seu lado.
— Eu era filho único. – Começou, olhando para meu colo onde nossas mãos estavam unidas. – Anthony e Elizabeth Masen nunca foram tão carinhosos. – Soltou um riso amargo. – Mas me tratavam bem, pelo o que eu me lembro, não tenho tantas lembranças, era só um garoto. Eu sentia falta de um afeto maior, mas eu nunca reclamei do que eles me davam. Até que Elizabeth engravidou, ficando radiante pela gravidez. Aí tudo desandou, começou a piorar, mas eu tentava não perceber isso, guardava para mim e chorava à noite escondido, queria ser forte e fingir que nada afetava-me, assim eu poderia fazê-los ter orgulho. – Pisquei meus olhos, respirando fundo ao ouvir sua voz falha, como se transmitisse a dor, algo que eu poderia sentir por ele. Uma infância infeliz, eu sabia o que era isso, mas era porque eu sentia falta de ter pais, eu nunca os conheci, imagina Edward que os tinha ao seu lado, mas sentia falta deles pois os mesmos não davam bola para ele? Deveria ser mil vezes pior. – Tudo foi piorando a cada mês que passava e no ano que eu faria seis anos, Alice nasceu. Eles pareciam tão felizes ao ter ela, mas não me deixaram presenciar nada. Eu não fui ver minha irmã na maternidade, eu não a conheci por pelo menos três semanas. – Franzi o cenho e Edward ainda olhava para baixo, sua voz fraca, rouca. – Eles tiveram Alice e foram para uma cidade vizinha, para poderem ficar sozinhos com a nova Masen.
— Mas e você? – Perguntei temendo isso, sentindo-me mal com toda a história. Até que ponto alguém poderia ser mal com um menino de cinco anos? Cinco anos!
— Eu fiquei sozinho em casa nessas semanas. – Deu de ombros e abri minha boca em choque. – Eu não tinha ninguém, não sabia de nada e estava morrendo de medo. Eu só sabia que em um dia foram para a maternidade, mas durante semanas não voltaram. Nada encaixava-se e eu estava sozinho naquela casa, com fome, medo, pânico... – Fungou e eu fiz o mesmo, sentindo uma enorme vontade de chorar por ele, podendo imaginar tudo o que tinha acontecido. E isso doía. – Eu tinha cinco anos, não sabia fazer nada, mas eu consegui aprender a fazer as coisas mais simples para comer, eu precisava disso, não sabia quando eles voltariam. – Balançou a cabeça. – Voltaram depois de três semanas e eu tornei-me uma pessoa invisível naquela casa. Elizabeth contratou diversas babás para mim, pois ela não chegava mais perto, não me fazia comida. E muito menos Anthony, ele mal olhava-me. Elizabeth parecia obrigada, afinal sempre tinha que me apresentar as mulheres que cuidariam de mim. Acho que só assim para ela olhar-me. – Riu sem humor, um riso saindo pelo nariz, como um bufo. – Os anos foram passando assim. Tudo era a mesma coisa, todo o ódio voltado para mim naquela casa, babás entrando e saindo toda semana, afinal se eu me apegava à alguém, Elizabeth a despedia e contratava uma nova. – Senti uma lágrima silenciosa deslizar lentamente em meu rosto, queimando por onde passava. Eu não podia acreditar naquilo, eu não conseguia ver que era real, que pessoas faziam isso com o filho de cinco anos, maltratando-o pela ausência, pior, com o ódio que nem fazia sentido. O que uma criança poderia fazer para adultos odiá-lo assim?
— Edward... – Resfoleguei em meio ao sentimento de dor que apoderava-se em mim, podendo ver tudo o que ele tinha passado, todos os momentos que ele sofreu na infância, com certeza chorando pela forma que era tratado. Não cabia em mim que uma pessoa poderia fazer isso.
Edward levantou sua cabeça, olhando-me nos olhos, os verdes estavam apagados, mostrando-me o que ele sentia com tudo aquilo. Era uma dor escondida, mas estava ali nos olhos dele, mostrando-me que ele não era indiferente com aquilo, demonstrando o quanto aquelas memórias lhe machucavam.
— Não chore por mim, Bella. – Soltou uma de minhas mãos, levando a sua até meu rosto e capturando a lágrima que deslizava, mas não deu tempo, outra caiu em seguida. – Por favor, não faça isso. – Olhou-me desesperado.
— É difícil. – Puxei o ar, segurando meu soluço, eu só queria chorar por ele. – Mal consigo acreditar.
— Eu vou parar de falar sobre isso. – Tentou afastar-se, mas segurei com força sua mão, mantendo-o no lugar.
— Conte-me, por favor, eu quero saber de tudo. – Funguei. – Eu estou bem, juro. – Apertei nossas mãos entrelaçadas. – Continue. – Lhe pedi e Edward suspirou, assentindo lentamente.
— Tudo continuou assim por anos, nada mudava e logo eu entrava na escola. – Soltou um suspiro. – Me afundei em estudos, assim eu tentava fugir da realidade que vivia. Era sempre assim e Alice foi crescendo, tornando-se linda e querida comigo, quando conseguia se aproximar, afinal seus pais a mantinha longe de mim, não queria que ela tivesse algum contato comigo. – Disse amargurado e eu olhei-o espantada. – Sim, é a verdade, eles sempre tiravam ela de perto de mim, nunca deixando-nos a sós. Mas Alice sempre foi do jeito que é hoje, lutando pelo o que quer fazer, então não os deixava comandar sua vida, pois fugia do quarto e corria até o meu, passando noites comigo, conversando, contando-me suas coisas, fazendo com que eu contasse as minhas também. Dividíamos tudo um com o outro, eu começava a amar minha irmã, apesar de toda a indiferença que Anthony e Elizabeth tinham comigo. – Apertei nossas mãos, incentivando-o a continuar. – Fomos crescendo e logo eu estava formado, alguns anos depois Alice. Eu não tinha como ir para uma faculdade, pois meus progenitores nunca pagariam isso, mas pagaram para Alice e deram-lhe um emprego ótimo. – Olhei para baixo, tentando ao máximo segurar minha vontade de chorar, não queria fazer Edward ficar preocupado, queria que ele dividisse tudo comigo, queria que ele pudesse desabafar. – Eu consegui um lugar para trabalhar, era um salário baixo, mas fazia toda a diferença. Contei a Alice meus planos, o curso que eu queria fazer na Faculdade, o meu sonho de abrir uma Editora e tornar-me um os melhores executivos. Ela ficou comovida e ajudou a pagar a Faculdade, na verdade, ela pagou tudo por conta própria, sempre fazendo isso com o maior gosto. – Soltou um sorriso. – Depois que me formei, peguei todos os meus salários que estavam guardados em uma conta, com todos os anos que eu trabalhei, deu uma boa quantia em dinheiro e foi com isso que eu abri uma pequena Editora para que eu começasse.
— E agora você tem a melhor Editora do mundo. – Refleti, erguendo a cabeça e encontrando seu olhar determinado.
Eu não saberia explicar toda a admiração que eu sentia por Edward, ele passou por coisas terríveis, nunca poderia imaginar-me sobrevivendo à tanto ódio e tanta ignorância comigo, não sei como ele foi capaz de superar isso e seguir todos seus sonhos. Ele não deixou nada o atrapalhar, nem os progenitores terríveis que tinha e muito menos a infância cruel que teve, Edward batalhou por cada coisa que desejava, correndo atrás de seus sonhos e realizando-os. Hoje era o maior Executivo da América e possuía uma das melhores Editoras do mundo, fazendo isso por conta própria. Eu não sabia como admirá-lo mais, ele era perfeito.
— Eu fui atrás do que eu queria. – Disse-me. – Depois que eu me estabilizei, repensei em tudo o que eu sofri e em como existia pessoas sofrendo da mesma maneira pela ausência paterna e materna, então eu tive a ideia de adotar. – Minha admiração aumentou naquele instante, meus olhos não aguentaram mais e lágrimas já escorria novamente. – Eu fui atrás de Alice e no início ela foi contra, afinal eu era terrível. – Engoliu em seco. – Eu só bebia, trabalhava e saia com mulheres diferentes, pouco importando-me com outras coisas. Mas eu abri meus olhos e sabia que eu mudaria ao conseguir enfrentar mais uma coisa em minha vida. Contei para minha irmã o porquê da minha decisão e ela chorou muito aceitando ajudar-me, compreendendo o porquê de eu estar fazendo aquilo. – Algo brilhava no olhar de Edward e eu fui para perto dele, jogando meus braços ao seu redor e abraçando-o com força, chorando enquanto enterrava meu rosto em seu peito, sentindo-o apertar-me contra si. – Eu conheci Andrew e automaticamente soube que era ele quem precisaria da minha ajuda. Demorou para que eu conseguisse ele, mas quando tive a experiência de passar pelo menos um mês com ele em minha casa, tive certeza que era isso que eu queria para minha vida, eu o queria comigo, queria amá-lo como meu. – Falou contra meu cabelo, seu queixo apoiado em minha cabeça, os braços ao meu redor. – Andrew pareceu querer o mesmo, pois disse coisas ótimas para o juiz, então eu consegui adotá-lo. Tê-lo comigo foi a melhor coisa que me aconteceu, ouvi-lo chamar-me de pai... – Ouvi-o fungar e fechei meus olhos apertados, lágrimas ainda saindo de mim. — ...foi a melhor coisa que tinha escutado. E assim seguiu-se até hoje, eu amo Andrew, cuido sempre dele e Alice está comigo a todo instante, ajudando-me no que preciso. Como trabalho, ela é quem passa o dia com meu filho, cuidando dele junto com o noivo. Só que deixa-lo com minha irmã, talvez tenha sido meu maior erro.
Sua voz soou sombria, fazendo com que eu me afastasse do seu corpo. Ergui meus olhos e encontrei os seus, sentindo o mesmo medo que ele, pois o desespero era estampado nas orbes verdes. Voltei a segurar suas mãos e entrelacei nossos dedos, tentando dar-lhe forças.
— Pode me dizer. – Sussurrei, chamando sua atenção. Edward fechou os olhos, respirando fundo.
— Anthony e Elizabeth possuem seus meios perigosos demais, eles são capazes de qualquer, eu sei disso. – Voltou a olhar-me. – Eles são Masen e eu sou um Cullen, Bella, eles fizeram de tudo para que eu não fizesse parte da família, mudando meu sobrenome para algo completamente diferente deles. Eu não sei se isso é permitido, eu não sei de nada, mas eles fizeram, me queriam o mais longe possível. – Pausou e toquei seu rosto, fazendo-o erguer a cabeça e pedindo silenciosamente para que continuasse. – Andrew e eu somos os únicos Cullen, e eu mantive meu filho escondido do mundo real, justamente para que pessoas sem escrúpulos como meus progenitores não pudessem fazer mal à ele. Era tudo o que eu queria, proteger meu filho.
— Você faz isso, Edward. – Ele balançou a cabeça, negando isso. Antes que eu tentasse convencê-lo de algo, ele falou antes:
— Eles sabem sobre Andrew. – Arregalei meus olhos, olhando-o de forma abismada. – Elizabeth foi me chantagear na Editora, naquele dia que jantamos juntos. Eu fiquei em pânico quando ela disse-me que sabia sobre a existência de Andrew e estava disposto a fazer qualquer para mantê-la longe, mas quando começou a pedir-me quantidades absurdas de dinheiro, eu soube seu plano: Ela nunca me deixaria em paz. Sabia que todos os dias viria atrás de algo, então eu me recusei a dar dinheiro para ela. – Soltou uma de minhas mãos, esfregando seu rosto. – Agora ela e acho que Anthony estão perseguindo-me, cuidando de todos meus passos com Andrew, tentando encontrar alguma forma de me atingir através dele. – Aproximou-se de mim, segurando meu rosto com suas mãos geladas. – Eu não posso suportar nada que aconteça com meu filho, Bella, eu estou apavorado com o que eles possam fazer.
— É por isso que entrou em pânico quando Alice disse que tinha o deixado sozinho no carro, quando vieram aqui depois de nosso jantar. – Juntei as peças e Edward assentiu rapidamente. – Eu não posso prometer nada à você, Edward, mas eu juro do fundo do meu coração, eu irei ajudá-lo a proteger Andrew. Eu já adoro ele e adoro demais você, nunca podia deixar que nada acontecesse com nenhum de vocês. – Disse em meio as minhas lágrimas, sempre olhando em seus olhos e podendo vê-los brilhar por lágrimas não derramadas. Suas mãos gélidas continuavam em meu rosto e eu estremecia com seu contato, vendo que minha decisão de estar com ele era mais do que certa. – Eu estou com você, Edward, eu vou te ajudar.
— Mas eu tenho medo, Bella. – Franzi o cenho. – Eles podem machuca-la também. – Neguei com a cabeça, mas Edward respirou fundo, olhando-me sério. – A mensagem que deixou-me em estado de letargia, quando estávamos na frente da Universidade, era de Elizabeth. – Minha boca abriu-se e mais uma vez Edward dirigiu-me aquele olhar de medo. – Ela estava ameaçando você. Ela quer me atingir e se algo acontecer contigo, Bella, eu juro que vou atrás dela até no inferno. – Levantei uma mão, tocando seu rosto e sentindo-me bem por ele dizer-me estas coisas. Um medo alastrava-se por mim, eu corria perigo, sabia disso, mas nada me afastaria de Edward agora, eu estava convicta que nós dois juntos era o certo, apesar de tudo o que estava nos rondando no momento. – Eu não posso te perder.
— Você não vai. – Juntei nossas testas, olhando no fundo de seus olhos. – Estaremos juntos, Edward. – Falei firme. – Nós somos namorados agora, lembra? – Ri em meio as lágrimas. – Eu não me afastarei, não deixarei que nada acabe com o que estamos começando. Nós iremos contornar tudo isso, eu sei que vamos.
— Se você estiver ao meu lado...
— Eu não vou para outro lugar. – Sorri para ele, beijando-o em seguida e sentindo-o corresponder-me com urgência, seus braços ao meu redor, puxando-me para seu corpo, pressionando-nos.
Todo a angústia e medo foram para o fundo da minha mente, concentrei-me em Edward, no quanto ele afetava-me com um beijo, no quando ele fazia-me querer mais e mais dele.
Abracei-o com todas as minhas forças, puxando-o para mim, nos aproximando o máximo que dava. Com todo o meu desespero de tê-lo, acabei caindo para trás e deitei-me no sofá, sentindo Edward seguir meus movimentos, colocando-se sobre mim. Suas mãos correram por todo o meu corpo e arfei entre seus lábios, sentindo uma de suas mãos parar em minha coxa, apertando minha perna com vontade, puxando-a para cima e enrolando-a em seu quadril.
Nossos corpos ficaram ainda mais próximos, tanto que eu sentia algo chocar-se em minha intimidade, despertando algo em mim que fervilhava cada vez mais, espalhava-se como fogo por meu corpo. Eu era inexperiente em tudo isso, mas eu sabia o que estava acontecendo, eu sentia o desejo de Edward contra mim, seu corpo movimentando-se sobre o meu, puxando-me para algo novo, me apresentando novas sensações que eu queria cada vez mais.
— Edward... – Grunhi seu nome, afastando-me ofegante de seus lábios, tentando calibrar meus pulmões. Ele respirou com força e deslizou sua boca por meu rosto, indo com ela até meu pescoço, chupando minha pele com força, movendo seu corpo e esfregando-o contra o meu. – Edward... – Suspirei em abandono, agarrando um punhado de seu cabelo, torcendo os fios em meus dedos, sentindo sua boca traçar meu pescoço, como se espalhasse algum fogo por ali, queimava-me de uma maneira ótima.
Tomando coragem, ergui minha outra perna, enrolando-a em sua cintura e cruzando meus pés em suas costas. Seguindo meus instintos, puxei Edward com minhas pernas, chocando nossos corpos com o ato, fazendo-o grunhir alto contra meu pescoço, mordendo minha pele e chupando-a fortemente, suas mãos apertando minhas pernas, tirando-me todo o juízo.
— Ah, Bella... – Ergueu o rosto, encarando-me de forma ofegante, seus lábios inchados e os olhos dilatados, o prazer estampado ali, eu podia decifrá-lo facilmente. – Você não faz ideia do que está fazendo comigo. – Falou entredentes, os dedos agarrados com força em minhas coxas. – Eu estou perdendo meu controle.
— Eu já estou sem o meu faz tempo. – Retruquei, tentando ter minha respiração de volta. – Fique sem o seu, Edward. – Supliquei, agarrando seus ombros, seus olhos a todo instante nos meus. – Me mostre tudo isso, me deixe em meio à essas sensações que só fazem-me bem, só me fazem querer mais de você.
— Bella... – Seus dedos subiram a tocaram meus lábios, seus olhos ligados aos meus, demonstrando todo o prazer presente ali.
Estava pronta para voltar a agarrá-lo, porém o interfone soou alto, chamando a nossa atenção. Deitei minha cabeça no estofado e fechei meus olhos, tentando organizar minha mente e meu corpo, que parecia querer muito mais do que isso que tinha acontecido. Edward deu-me um leve beijo na boca e levantou-se com cuidado de cima de mim, retirando-se da sala em seguida, seus passos pesados ecoando pelo ambiente silencioso.
Esfreguei meu rosto com as duas mãos, tentando descobrir o que estava acontecendo comigo. Deus, o desejo fervilhava por todo o meu corpo, mostrando-me cada vez mais que estava ficando insuportável segurar-me em relação à Edward, eu sabia o que eu queria, eu queria experimentar novas coisas ao lado dele, queria sentir tudo isso em dobro, pois eu sei que o que fizemos era somente o início das coisas. Eu não era burra e eu tinha Rosalie como melhor amiga, sabia como as coisas funcionavam, só não sabia que eu iria querer isso o quanto antes, passando por cima de todas as minhas regras, querendo somente Edward.
Parece que tudo na minha vida resumia-se a Edward agora, eu não poderia explicar, mas ele era fascinante e fazia parte de todo o meu mundo. Ainda mais depois de hoje, de tudo o que ele me confidenciou, de tudo o que trocamos nesta sala, estávamos mais interligados do que antes, eu sentia isso.
Eu queria mais do que tudo, sentir isso.
Era a coisa certa.
— É a nossa pizza. – Abri meus olhos e inclinei minha cabeça para trás, encontrando Edward na porta, sorrindo para mim, como se estivesse leve depois de tudo o que conversamos. – O entregador disse que fazia algum tempo que estava ligando para o interfone. – Mordi meu lábio e ele riu, caminhando até mim e segurando em minhas mãos, puxando-me para ficar de pé. – Vem, preguiçosa, você precisa se alimentar.
— E você precisa controlar esse seu lado mandão. – Dei alguns tapinhas em seu peito, firmando-me em pé, pois ainda sentia minhas pernas bambas, e Edward com aqueles olhos escurecidos não me ajudava em nada.
— Ah, como eu adoro essa língua afiada. – Ele apertou meu queixo, erguendo meu rosto e deixando meus olhos ligarem-se com os seus. – Sempre me provocando. – Sussurrou com os lábios próximos aos meus, tentando-me. Ergui-me na ponta dos pés, mas ele sorriu e afastou-se, fazendo-me arquear uma sobrancelha. – Vamos almoçar antes que esfrie.
— Não. – Segurei sua mão, antes que ele se virasse. – Eu preciso disso. – Agarrei-o antes de qualquer coisa, pegando até a mim mesma de surpresa. Edward grunhiu contra minha boca e segurou-me com força pela cintura, beijando-me desesperadamente. O senti apertar-me contra seu corpo rígido, andando comigo e fazendo-me bater os joelhos no sofá. Sorri contra seus lábios e o empurrei um pouco, seus olhos encarando-me confusos. – Não íamos almoçar? – Perguntei inocentemente, fazendo-o revirar os olhos.
— Sua petulante. – Ri animada e Edward agachou-se perto de mim, fazendo-me gritar quando pegou-me de repente no colo, jogando-me sobre seu ombro direito. Pisquei meus olhos para recuperar-me da pequena vertigem e dei um tapa em suas costas, ouvindo-o gargalhar conforme andava comigo para fora da sala.
— Edward! Me coloque no chão! – Me esperneei, rindo da situação. Sua mão subiu por minhas pernas e arfei quando senti um tapa em minha bunda, fraco, mas já que eu não controlava meu corpo, me fez contorcer-me de vontade. – Edward! – Seu nome saiu de minha boca fraco, como um gemido.
— Você gostou disso. – Comprovou, podia até adivinhar que ele estava sorrindo, somente pelo tom de sua voz. Ele esfregou onde tinha batido, e continuou levando-me até a cozinha. – Vou me lembrar, querida. – Balançou-me em seus braços e logo me vi sentada em uma banqueta, de frente para o balcão onde tinha uma enorme caixa de pizza. Edward sorriu e roubou-me um beijo longo, fazendo-me suspirar com toda a vontade que eu tinha de agarrá-lo, como minutos atrás no sofá.
Edward afastou-se de mim com um sorriso, indo até os armários e pegando pratos. Ele colocou dois pratos no balcão, em seguida pegou guardanapos e os copos. Ajeitei tudo e já servi dois pedaços de pizza para cada um, um de cada sabor. Edward tirou uma jarra de suco da geladeira e encheu nossos copos, sentando-se ao meu lado.
— Edward. – Chamei-o sorrindo, ajeitando-me na banqueta e virando-me para ele. Ele parou com o que estava fazendo e olhou-me com um sorriso, o sexy sorriso torto. – Eu... – Pigarreei, pegando suas mãos e apertando-as contra as minhas. – Eu adoro você. – Sussurrei como se fosse um segredo, fazendo seu sorriso aumentar e ele aproximar-se de mim, beijando delicadamente meus lábios.
— Eu também a adoro, Bella, e apesar de você odiar promessas, eu prometo que nada vai nos deter, nada vai nos separar. – Segurou meu rosto, massageando minha bochecha com os polegares. – Eu estou com você e assim será. – Encostou nossas testas e eu sorri para ele. – Faremos tudo funcionar.
— Confio em você. – Falei em um sussurro, juntando nossos lábios em seguida.
Tinha muita coisa acontecendo em nossa volta, a ameaça de seus progenitores era real, se eles foram capazes de fazer tudo aquilo com um garoto de cinco anos e trocar o sobrenome dele para algo completamente desconhecido, eu tinha certeza que eles seriam capazes de qualquer coisa para conseguir o queriam.
Mas Edward estava ao meu lado, nós éramos um casal agora, e eu tinha certeza enfrentaríamos tudo isso juntos, nada nos pararia. Eu jurava para mim mesma que faria de tudo para manter Edward e Andrew seguros comigo, eu não tinha muita coisa a oferecer, mas ofereceria meu carinho e uma troca mutua, cuidando deles como Edward estava cuidando de mim.
Nós estávamos juntos e éramos a melhor coisa que já tinha acontecido comigo, eu adorava aquele homem, adorava seu filho e adorava tudo o que sentia ao lado deles, e nada tiraria isso da minha mente e do meu coração.
Nós vamos continuar juntos, nada impedirá isso.
“Continua...”
Fale com o autor