Never It's Late.
33 Feliz aniversário, Edward!
Notas iniciais
Feliz aniversário, Edward!
Pov Bella.
— Você realmente está bem? – Os olhos verdes de Edward vieram em minha direção, analisando-me com o máximo de cuidado possível. Sorri com sua preocupação e soltei o cinto que me prendia no banco do carro, inclinando-me até ele, abraçando seu pescoço com meus braços.
— Eu estou ótima, Edward. – Pisquei, sorrindo para ele. Meu namorado arqueou uma sobrancelha e eu ri baixinho, dando-lhe um beijo rápido. – Você olha-me como se eu estivesse mentindo. – O acusei e dessa vez foi a vez de ele rir.
— Você preocupa-me, Bella. Há meia hora você estava abraçando-me e soluçando, por causa do medo de fazer o seminário de hoje. – Semicerrou os olhos e eu dirigi-lhe um sorriso pequeno, sentindo-me culpada por isso. Mas a crise veio de repente quando me dei conta que teria que apresentar teses e argumentos na primeira semana da Faculdade, em um seminário cheio de pessoas importantes da universidade. – Agora olhe em meus olhos e diz que está tudo bem e que eu possa deixa-la por aqui, sem precisar ligar a cada cinco segundos. – Levantou sua sobrancelha e eu sorri, encostando minha testa na sua. Suspirei contra seu rosto e senti seus braços circularem-me, puxando-me para mais próximo de si. – Bella. – Pediu, fazendo-me olhá-lo diretamente nos olhos.
— Eu estou bem e continuarei assim, até terminar minhas aulas. – Lhe assegurei. – Você não vai precisar me ligar direto, porque se alguma coisa acontecer, prometo que ligarei na mesma hora. Fica menos preocupado agora? – Olhei-o interrogativa.
— Não. – Bufei, fazendo-o sorrir para mim. – Mas vou me segurar. – Abraçou-me apertado, respirando fundo. – Acho que minha proteção em relação a você ficou maior. – Resmungou e eu sorri, fechando meus olhos enquanto pousava meu rosto contra seu pescoço. – São duas pessoas para se preocupar. – Senti uma de suas mãos sair de minhas costas e deslizar até minha barriga, pressionando a palma no local. – Não me culpe.
— Não estou culpando. – Beijei sua pele. – E juro que lhe entendo, amor. – Suspirei baixinho. – Mas só foi uma crise, sabe que meu humor não está regulando bem. – Choraminguei, ouvindo-o soltar uma risada baixa. – Vou conseguir me sair bem, então não precisa ficar nervoso por mim. – Afastei-me para olhar em seu rosto e passei meu indicador para sua mandíbula, sorrindo quando encontrei seus olhos brilhantes. – Eu estou ótima. – Repeti, arrancando um lindo sorriso de sua parte. – Agora eu preciso ir, vou dar mais uma lida em meus papéis para a apresentação de mais tarde. – Beijei sua boca rapidamente. – Eu te amo. – Sussurrei contra seus lábios, vendo sua boca subir devagar, transformando o maravilhoso sorriso torto.
— Também te amo, Bella. – Edward suspirou, passando a mão por meu rosto. – Cuide-se e ligue-me, por qualquer coisa. – Assenti e o senti fazer um carinho em minha barriga. – Coma direito e mantenha nosso pequeno à salvo. – Piscou e eu derreti-me contra ele, jogando-me em seus braços novamente. – Pensei que você tinha que ir. – Brincou, conforme seguia com suas mãos para minhas costas, apertando-me contra ele.
— Eu tenho, mas você dificulta a minha ida. – Bufei contra seu pescoço, dando um selinho no local. – Dê um beijo de boa noite em Andrew. – Lentamente, afastei-me, soltando um longo suspiro. – E cuide-se. – Edward assentiu e deu-me um beijo demorado na testa.
— Boa sorte no seminário. – Sorri outra vez para meu namorado e puxei as minhas pastas que estavam sobre o painel do carro. Ajeitei minha bolsa em meu ombro e abri a porta do veículo, retirando-me dele. Edward lançou-me mais um sorriso maravilhoso e lhe mandei um beijo pelo ar, fechando a porta em seguida.
Abracei minhas pastas contra meu peito, enquanto ouvia Edward ligar o veículo. Conforme ouvi-o afastando-se, comecei a caminhar para dentro da Faculdade, cumprimentando algumas pessoas que faziam aula comigo. Kate estava sentada perto de um grupo de jovens, parecia estudar, então levantou seus olhos e sorriu brilhantemente em minha direção, erguendo um braço conforme acenava energicamente. Devolvi-lhe o cumprimento e continuei meu caminho, indo em direção ao prédio que eu teria minha primeira aula, antes do seminário. Estava pronta para entrar, porém uma pessoa surgiu do nada em minha frente, saltitando com um enorme sorriso, enquanto batia palmas animadamente. Sobressaltei-me de susto e arregalei meus olhos, respirando fundo quando, por alguns segundos, minha vista ficou completamente escura, fazendo com que eu cambaleasse para trás. Senti braços firmes em minha volta e olhei para cima, lançando um sorriso de agradecimento para o loiro.
— Está tudo bem, Bella? – Jasper franziu o cenho, olhando-me de forma preocupada. Puxei o ar para meus pulmões e assenti rapidamente, ganhando um olhar mais confuso em minha direção. – Tem certeza? – Seus olhos azuis interligaram-se com os meus, como se quisesse buscar alguma coisa a mais em minha resposta.
— Foi só o susto. – Engoli em seco, respirando com força. Deus, qualquer coisa faria com que eu tivesse uma vertigem? – Estou bem. – Repeti, tentando convencer a mim mesmo.
— Deixe-me segurar suas coisas. – Retirou seus braços, lentamente, de minha cintura. Estiquei as pastas e a bolsa para ele, fazendo-o sorrir um pouco. – É ótimo vê-la, Bella. – Sorri verdadeiramente para o loiro, mas antes que eu pudesse responde-lo, senti-me ser esmagada por braços finos, enquanto um corpo pequeno vinha com força contra o meu.
— Bella! – Gritou feliz, balançando-nos em um abraço. Ri com a imperatividade de Alice e a abracei de volta, apertando-a contra mim. Como tinha sentindo falta da morena, por mais que tenha se passado somente uma semana desde sua ida para a lua de mel. Sua alegria fazia falta em nossa casa. – Estava sentindo tanta saudade, meu Deus, nunca mais vou para tão longe! – Resmungou contra meu ombro, fazendo-me sorrir.
— Estou tão feliz em vê-la, Alice. – Fechei meus olhos com força, sentindo as malditas lágrimas fazerem-se presente. – Você fez muita falta. – Choraminguei, conforme meus olhos ardiam. – Pensei que voltaria amanhã. – Comentei, tentando me acalmar. Respirei profundamente e larguei-a aos poucos, olhando em seu rosto quando senti que conseguiria deter o choro.
— Eu ia. – Suspirou auditivamente. – Porém eu não conseguia mais conter-me. – Abriu um sorriso enorme, olhando em volta. – Podemos nos sentar? Meus pés estão me matando! – Fez uma careta e eu sorri, enlaçando meu braço no seu, virando-nos para o lado oposto de onde aconteceria minha aula.
— Vamos até as mesas do jardim. – Avisei, começando a caminhar com Alice. Olhei para trás, franzindo o cenho ao ver Jasper caminhar atrás de nós, completamente calado. – Seu marido está tão silencioso. – Meus olhos foram para Alice e ela arqueou uma sobrancelha, desviando o olhar para o marido, fazendo-nos parar de andar.
— Está tudo bem, querido? – Perguntou, em um tom preocupado. Jasper pareceu acordar de algum transe e ergueu sua cabeça, olhando-nos confuso. – O que foi, Jasper? – Alice franziu o cenho. O loiro maneou a cabeça, sorrindo para nós.
— Está tudo bem, só estava pensando em alguns pacientes que terei que contatar, sabe, agora que chegamos de viagem. – Deu de ombros. Continuei encarando-o e seus olhos azuis aprofundaram-se nos meus. – E também estou tentando desvendar algumas coisas que estou pensando. – Desviei meus olhos rapidamente e Alice pareceu compreendê-lo, voltando a abrir um enorme sorriso para mim.
Pigarrei e voltamos a caminhar até as mesas, ouvindo Alice tagarelar sobre sua maravilhosa lua de Mel. Eu fingia prestar atenção no que minha amiga dizia, porém de vez em quando virava a cabeça para olhar para seu marido, sempre encontrando os olhos profundos dele sobre mim. Um sentimento estranho estava dominando-me, não era ruim, mas parecia avisar-me alguma coisa. E o jeito que Jasper estava olhando-me era demasiado confuso, por Deus, parecia que ele queria olhar algo através de mim! Odiava a forma tão perceptiva dele, Jasper parecia conseguir captar os míseros detalhes.
— Aqui. – Indiquei a mesa de piquenique para Alice, ouvindo-a soltar um suspiro de contentamento ao sentar-se. – Está cansada? – Perguntei curiosa, vendo, de relance, Jasper ajeitar-se no banco em nossa frente.
— Você nem faz ideia, querida! – Olhou-me, seus olhos brilhando de alegria. – A gravidez está matando-me de cansaço. – Sua mão com a aliança foi até a barriga inchada, fazendo-me seguir seu movimento. Sorri ao ver a protuberância em seu estômago, enquanto ela massageava. – É ótimo sentir um ser dentro de mim, porém não faz ideia do quão enlouquecedor é. – Soltou uma risadinha. – Meus seios doem, eu como e durmo demais, sem contar as terríveis mudanças de humor. – Rolou os olhos. – Eu choro, rio, e depois volto a soluçar. É confuso. – Riu, olhando para a própria barriga. – Mas totalmente mágico.
— Eu sei. – Soltei um suspiro, porém calei-me rapidamente quando a risada de Alice cessou. Senti meu coração martelar com força e levantei meus olhos, tentando sorrir um pouco, notando a confusão nos olhos da morena, assim como sua sobrancelha arqueada. – Eu estou vendo a felicidade em seu rosto, Alice! – Sorri brilhantemente, desviando sua atenção da minha burrada. Tinha que tentar deter-me, ou a surpresa no dia do aniversário de Edward não aconteceria, porque eu quase deixava tudo escapar a cada cinco segundos. – Dá para ver o quanto essa nova etapa está fazendo-lhe bem. – Pisquei animada e minha cunhada soltou outro sorriso maravilhoso, seguido de um longo suspiro.
— Ainda bem, porque não imagina o quão encantada estou com tudo! Fico feliz que dá para perceber todos meus sentimentos. – Sorri para ela, guardando meu suspiro de alívio, conforme mastigava meu lábio inferior. – Ah, mudando totalmente de assunto! – Alice abanou suas mãos em minha frente, tendo a minha total atenção. – Eu precisei vir até aqui, porque tenho que comunicar as mudanças de planos. – Soltou um longo suspiro. – Os seguranças de Edward são linguarudos demais, então eu tive que vetar a ideia de Esme ao fazer a festa surpresa dele na cobertura de vocês. – Rolou os olhos, falando rapidamente, assim como a mãe de meu namorado fez mais cedo. Acenei com a cabeça, respirando fundo no processo, ainda bem que eu estava sentada, porque parecia que o chão estava sumindo de meus pés. Realmente não sabia qual era meu problema agora, tontura viria a qualquer momento? – Transferimos a festa para minha casa, no domingo, ao final da tarde. – Pisquei ligeiro, atendo-me as falas de minha cunhada. Alice sorriu lindamente. – Edward sempre odiou o dia de seu aniversário, então não estranhará se você não lhe dizer nada, ou seja, você conseguirá mantê-lo entretido durante o domingo inteirinho. – Piscou maliciosa, cutucando-me nas costelas. Soltei um riso, vendo toda a malícia em seu rosto. – Andrew irá para a casa dos avôs amanhã à noite, então até o final da tarde de domingo, serão somente Edward e você. Totalmente sozinhos. – Cantarolou animada, fazendo-me rir com toda sua animação.
— Com certeza todos os preparativos darão certo. – Comentei, mordendo novamente meu lábio. – Só temo a reação dele. – Olhei-a preocupada e Alice soltou um suspiro, segurando minhas mãos contra as suas. – Edward contou-me sua aversão pela data de seu nascimento, dizendo-me que odiava o dia e jamais queria comemorá-lo novamente. – Engoli em seco. – Foi bem no início de nosso relacionamento e sei que muitas coisas mudaram desde então, sem contar que meu namorado conseguiu amadurecer mais depois de todas as descobertas. – Respirei fundo. – Mas lá no fundo, eu tenho medo de ele não gostar dessa surpresa. – Alice sorriu complacente em minha direção e olhou-me diretamente nos olhos, aproximando-se mais de mim.
— Eu estou com o mesmo medo, querida. – Confessou-me, mantendo sempre seus olhos nos meus. – Porém nós temos que tentar. Pode ser que ele não reaja bem, nós estamos com isso em mente, entretanto podemos nos surpreender também. – Assenti, concordando com suas palavras. – Eu, mais do que ninguém, entendo todo o inferno que meu irmão passou e dou toda a razão para ele odiar essa data festiva. Só que isso foi antes de ele descobrir que Esme e Carlisle são seus pais verdadeiros, foi antes de ele saber o quanto era amado por sua família. – Sorriu para mim, seus olhos marejando conforme ela falava. Funguei, e não consegui me segurar, porque as lágrimas estavam novamente queimando meus olhos, prontas para caírem. – Edward sofreu tanto por tantos anos de rejeição, Bella, é completamente plausível que ele tenha aversão do dia de seu nascimento, ainda mais quando aqueles crápulas disseram para meu irmão o quanto ele era indesejado. – A lágrima escorreu em seu rosto, fazendo-me segui-la, sem nem tentar deter. – Mas podemos mudar isso, a partir de agora. – Ela disse firmemente. – Ele tem a família dele, Rose, Jasper, eu, Andrew e você. – Sorriu por fim, mesmo que as lágrimas estivessem inundando seu rosto. – Tudo vai ser diferente e por mais que sua reação seja negativa nesse ano, iremos conseguir mostrar para Edward o quanto ele é amado por todos. Você vai ver, querida, ele irá adaptar-se a uma vida cheia de sentimentos bons. – Assenti e joguei-me contra ela, deixando meu choro fluir silenciosamente, sentindo Alice abraçar-me fortemente. – Eu não disse que os hormônios estavam horríveis? – Fungou, soltando uma risada fraca em seguida. – Sinto que eu tenha a afetado com isso.
— Está tudo bem. – Falei, minha voz soando embargada. Ao longe, ouvi um sino soar, chamando-me brevemente a atenção. Tentei ignorá-lo e abracei mais a morena contra mim, deixando meu pranto cessar aos poucos, por mais que as lágrimas ainda caíssem em meu rosto.
— Você não precisa ir? – Alice questionou-me, sua voz soando animada. – Sei que sentiu minha falta, Bella, mas não sabia que era tanto assim. – Os braços finos circularam-me com mais força. – Ah, eu te amo como uma irmã. – Falou, sua voz ficando fraca aos poucos. – Oh, Deus, vou começar a chorar novamente.
— Somos duas. – Choraminguei contra seu ombro, sentindo seu cabelo longo cobrir meu rosto. Duas grávidas juntas não davam em um bom resultado, porque agora Alice e eu apertávamos uma a outra, chorando juntas. – Também te amo, Alice, mas no momento estou odiando-a por fazer-me chorar tanto. – Resmunguei, ouvindo sua risada ao fundo. – Eu posso ficar uma aula fora, meu seminário começa só depois. – Suspirei, continuando a abraça-la, sentindo-me confortável ao tê-la ao meu lado. Alice era especial demais para mim e queria muito contar-lhe sobre minha gravidez, minha garganta coçava com a vontade, porém era uma novidade que Edward e eu queríamos contar para todos ao mesmo tempo, por isso segurava-me tanto.
Virei meu rosto, que estava apoiado no ombro de minha cunhada, e abri os olhos, olhando para Jasper, que mais uma vez tinha os olhos fixos em mim. Ele arqueou a sobrancelha para mim e eu soltei um sorrisinho, vendo o azul profundo demonstrar ainda mais desconfiança. Algo martelava em minha mente, dizendo-me que Jasper estava quase perto da verdade. Oh, Deus, odiava-o no momento também. Por que ele tinha que ser tão minucioso e esperto para descobrir as coisas?
Dois dias depois.
Pov Edward.
20 de Junho.
Por que essa data parecia doer tanto em meu peito?
Era o que eu estava perguntando-me desde ontem à noite. Deixei Bella estudando, assim que meus pais tinham buscado Andrew para passar a noite com eles, e então eu tranquei-me em meu escritório, com a desculpa que eu tinha trabalhos para adiar para a próxima semana. Eu odiava-me por deixar minha namorada grávida preocupada comigo, mas desde o momento que eu tinha olhado para o calendário e percebido no dia que iríamos chegar, a realidade instantaneamente bateu contra mim. Acho que foi esse o choque que Isabella tinha sentido quando eu comentei sobre casamento. Da mesma maneira que ela, eu não tinha me dado conta de como o tempo passou deveras rápido e como tudo tinha mudado tão drasticamente. Realmente não liguei para as datas que estavam passando, nem as interliguei ao dia de meu aniversário, nada disso estava preocupando-me... bem, até o dia 19, porque foi ali, as vinte duas horas e trinta minutos, que eu deparei-me com as mudanças abruptas em minha vida.
Eu estava realizado, completamente feliz, de uma forma que jamais pensei que poderia ser. Eu ainda estava acordando para essa nova existência. Assim como Bella, eu estava sentindo, no fundo de meu coração, todas as dores pelas quais passei, para chegar até o momento em que estamos. Não tinha parado, em nenhum instante, para poder refletir todas as mudanças que aconteciam conforme as horas passavam, desde a primeira vez que coloquei os olhos em Isabella. Tanta coisa modificou-se, desde o dia em que nos encontramos para jantar, porque foi ali que eu tive certeza que tudo mudaria, pois ao olhar profundamente nos olhos achocolatados, uma nova esperança parecia moldar-se em mim.
Antigamente, eu sofri tantas maldades, que eu jamais pensei em chances melhores para minha vida. Acreditava que poderia seguir em frente com minha irmã, tendo-a como meu apoio pelo resto de meus dias, afinal ela amara-me desde o instante que me conheceu, sempre dizendo coisas maravilhosas para mim, diferente das pessoas que eu acreditava serem meus pais. Sei que agora eu não precisava preocupar-me com aqueles vermes, mas mesmo que eu quisesse, todas as cicatrizes de meus ferimentos eram recentes. Eu não falava dos cortes e abusos pelos quais passei, mas sim as dores em minha mente e em minha alma. Os ferimentos estavam fechando-se, porém não estavam completamente cicatrizados e as lembranças ruins nunca iriam embora de minha mente, por mais que eu desejasse firmemente que fossem. Isso era algo que eu não poderia controlar. Queria, com todas as minhas forças, que aquelas palavras dolorosas que ouvi por minha infância e adolescência, sumissem como mágica, tirando o peso que eu sentia ao olhar no relógio e no calendário, dando-me conta do dia em que tínhamos chegado, depois de tantas modificações. Sabia que as coisas eram diferentes agora, mas a amargura de um menino ressentido ainda estava presente.
Eu poderia vislumbrar-me mais jovem, chorando todas as noites, sempre pedindo para que o dia seguinte fosse melhor, desejando que aqueles monstros não fossem meus pais. Eu me lembrava de todas as malditas lembranças ruins, por mais que eu não quisesse. Queria ser forte e sempre carregar a alegria que minha família merecia, ainda mais Esme e Carlisle que sofreram tanto com a minha prematura partida, mas esse dia parecia tão doloroso para que eu conseguisse suportar. Acho que, em todos os anos que estivesse separado de meus pais e de meu irmão, Elizabeth e Anthony esperavam o dia 20 de junho para fazer o inferno maior em minha vida, sempre lembrando-me que eu estava sofrendo aquilo por ter nascido. Eles faziam questão de fazer-me sofrer nesse exato dia. Por isso adquiri tanta raiva. Agora a dor era maior que o ódio, porque eu percebia que passei quase trinta anos sofrendo desamparado, tendo meu sonho de uma família feliz tirada de mim, somente porque aqueles malditos eram orgulhosos para aceitarem um ‘não’ como resposta.
Será que algum dia eu poderia ficar realmente em paz? Será que eu conseguiria arrancar as maléficas dores de mim, esquecendo-me de todo o sofrimento pelo qual passei? Eu temia que não, mas toda vez que eu olhava para Bella, para Andrew, meus pais, Emmett, Rose, Alice e Jasper, eu via um fio de esperança acender dentro de mim. Ao ter as pessoas que eu amava comigo, percebia que poderia sonhar com dias livres das minhas torturas psicológicas. Por alguns instantes, ao lado deles, eu esquecia-me das terríveis lembranças e machucados, tanto físicos quanto mentais, eles simplesmente iam embora, porque o amor resplandecia sobre o mal que passei durante boa parte de minha vida. Então, por mais que eu tivesse medo, eu também tinha esperança.
Todos os dias de meu aniversário, por dezoito anos, sofri mais que qualquer pessoa pudesse imaginar. Tanto que não aguentei todas as torturas, tive que fugir e começar a viver minha vida, tentando reconstruí-la. Depois que saí da impiedosa casa, comecei a tentar ignorar o 20 de Junho, porque era nesse dia que as memórias dolorosas vinham em minha mente com força total, machucando-me mais uma vez, a cada maldito ano que se passava. Eu não conseguia passar esse dia com nenhuma pessoa. Sempre trancava-me em algum canto e sofria em silêncio, chorando por ter todos meus sonhos infantis esmagados. Até depois que adotei Andrew, isso não mudou. Eu o deixava sempre com Alice, durante os anos que eu o tive comigo, porque eu não suportava ter uma pessoa perto de mim nesse dia. Doía-me impiedosamente e as lembranças maltratavam-me demais. Isso começava dias antes, mas a data de meu nascimento era a pior, por isso que eu sempre estava alerta quando o dia chegaria.
Mas nesse ano, em 2017 tudo mudou. Tantas coisas ocorreram, que eu nem fiquei ligado nas datas. Parecia que nem em Junho estávamos, porque eu começava a ficar paranoico no início do mês, mas desta vez nada aconteceu. Eu somente lembrei-me da data, porque olhei o calendário que tinha em minha mesa no escritório de casa. Caso ao contrário, jamais pensaria que no domingo faria 30 anos que eu estava nesse mundo.
Hoje, 20 de Junho de 2017, pela primeira vez as lembranças não torturavam-me. Eu passei a madrugada acordado, pensando no dia que chegaria, mas nenhuma vez os espancamentos e usos forçados das drogas vieram à minha mente. Eu somente divaguei as mudanças ocorridas e as dores que esse dia trazia-me, porque, querendo ou não, eu teria que arcar com todas as coisas que Anthony e Elizabeth falaram-me por anos. Só que agora, diferente dos anos anteriores, eu sentia mais ódio, do que dor. Eu odiava-os por terem me tirado de meus pais, sentia raiva por terem feito Esme e Carlisle sofrem por tanto tempo, achando, durante 29 anos, que eu estava morto desde minutos depois que havia sido trago ao mundo. Eu tinha rancor por ter sofrido por toda minha infância e adolescência. A única dor que eu sentia, era ter ficado tanto tempo separado de meus verdadeiros pais. Mas sobre Anthony e Elizabeth? A única coisa que eles conseguiam despertar-me agora, era a ira, porque eu não permitiria que eles fizessem mais maus-tratos comigo, nunca mais eles me fariam sofrer.
Funguei e abri meus olhos, levantando a minha cabeça que estava apoiada sobre a mesa de vidro. Engoli em seco e esfreguei meu rosto, secando todas as lágrimas que eu tinha derramado durante a madrugada. Não chorei pelo sofrimento que os malditos causaram-me, eu arcaria com as minhas cicatrizes. O choro veio por causa da realidade. Como eu tinha dito, agora que eu estava dando-me conta de todas as transformações ocorridas em minha vida. Eu refleti por horas e o pranto veio como consequência. Eu não choraria mais pelo passado.
Meus olhos, ainda úmidos, foram em direção ao relógio, notando que passava das sete horas da manhã. Suspirei e mais uma vez olhei no calendário, notando que, em mais um ano, dia 20 de junho tinha chegado. Um sorriso pequeno surgiu em minha boca, porque finalmente eu sentia-me completamente livre das amarras que Elizabeth e Anthony tinham sobre mim. Mesmo que eu tenha fugido de casa aos dezoito, eles perseguiam-me de todas as maneiras, sempre estando perto de mim. Mas agora, a realidade jamais pareceu-me tão perfeita. Eles nunca mais conseguiriam atingir-me novamente. Nem em minhas lembranças, porque isso eu começava a superar a cada dia.
Soltei uma risada baixa e passei minhas mãos por meu rosto, sentindo toda a leveza do mundo. Gargalhei contra minhas mãos, podendo, finalmente, sentir-me feliz no dia de meu aniversário. Os dias mais torturantes, há anos, foram em meu aniversário, mas isso não fazia mais diferença. Eu estava livre! Eu estava feliz, realizado, amando! Era tudo o que importava agora. O passado tinha que ficar por lá, porque, enfim, eu estava longe da dor. Nada machucar-me-ia mais. Eu estava em paz, com meus pais, meus irmãos, amigos, minha namorada perfeita, meu filho e um bebê a caminho. O que eu mais poderia desejar? Minha vida estava completa e nada poderia atrapalhar isso.
Ainda rindo de felicidade, afastei as mãos de meu rosto e olhei em volta, deparando-me com meu escritório fechado. Respirei fundo e levantei-me de minha cadeira, sentindo minhas costas arderem por ter passado tanto tempo sentado, na mesma posição. Mas passar o tempo aqui tinha sido ótimo, fez-me perceber todas as incríveis mudanças ocorridas. Mostrou-me a mais perfeita felicidade em qual eu vivia. A vida jamais pareceu-me tão bela.
Saí do escritório e caminhei pelo apartamento silencioso, subindo a escada e indo até o terceiro andar. Andei até o banheiro do corredor e acendi a luz, olhando-me no espelho e ao contrário do que eu esperava, minha aparência estava ótima e um sorriso espalhava-se por meu rosto. Claro, meus olhos estavam vermelhos por causa do choro desenfreado pela madrugada, mas a alegria era tanta, que nada mais importava. Suspirei alegremente e liguei a torneira, lavando meu rosto.
Quando senti-me melhor e mais limpo, puxei a toalha e sequei-me. Apaguei a luz e saí do cômodo, dirigindo-me até o quarto que eu dividia com minha namorada incrível. Puxei a maçaneta e empurrei a porta devagar, cuidando ao máximo para não fazer nenhum barulho. O ambiente estava claro, por causa das cortinas que estavam abertas, deixando o sol iluminar todo o quarto. Entrei e encostei a porta, andando devagar até a cama bagunçada, onde uma morena maravilhosa estava esparramada. Chutei meus sapatos de meus pés e sentei-me na beirada da cama, esgueirando-me para perto de Bella, entrando embaixo do edredom que ela estava.
Ajeitei-me contra meu travesseiro, virando de lado e ficando de frente para Bella, que ainda ressonava tranquilamente. Suspirei baixinho quando notei algumas manchas em seu rosto e praguejei mentalmente, esticando uma mão com cuidado, acariciando o bonito rosto. Odiava tê-la magoado, e ainda por cima a feito chorar. Ontem à noite, assim que Andrew saiu, eu dei uma rápida desculpa e tranquei-me no escritório, e não saí mais de lá, até agora. Bella deve ter ficado preocupada e seus hormônios devem ter piorado isso. Estava sentindo-me culpado por isso, mas eu conversaria com ela mais tarde e explicaria tudo o que estava sentindo e todas as conclusões que eu cheguei. Ao menos, eu consegui recuperar uma coisa que há muito tempo pensei ter perdido: Minha liberdade. Afinal, sempre senti-me trancafiado nas garras daquelas duas pessoas que me roubaram de minha verdadeira família, e finalmente eu conseguia ficar livre disso.
Inclinei-me e deixei um beijo demorado na testa de minha namorada, ouvindo-a suspirar em meio ao seu sono. Continuei acariciando seu rosto, tirando os fios de cabelo de cima de seus olhos fechados, sempre olhando-a da forma atento, admirando a beleza daquela menina/mulher. Nunca entenderia o que Bella viu em mim e jamais compreenderia sua força de continuar ao meu lado, sempre lutando contra meus obstáculos, ajudando-me a superar. Sorri observando-a, aproximando-me mais de seu corpo quente. Desci minha mão por seu braço, chegando até a mão dela que estava, inconscientemente, sobre sua barriga. Meu sorriso aumentou com a cena e peguei seus dedos, entrelaçando-os aos meus, deixando nossas mãos juntas sobre seu estômago ainda plano. Fechei meus olhos e apoiei meu queixo sobre sua cabeça, dando-lhe um beijo nos fios castanhos, antes de aconchegar-me.
— Edward? – Sua voz baixa e rouca soou. Afastei-me devagar, sentindo-a apertar nossos dedos juntos. Meus olhos desceram até os seus e ela dirigiu-me um pequeno sorriso sonolento, soltando um bocejo em seguida. – Você está vindo para cama agora? – Franziu o cenho, dando uma olhada para trás, vendo o sol brilhando através da grande janela que havia no quarto. – Você... você ficou no escritório durante toda a madrugada? – Seus olhos voltaram para os meus, olhando-me apreensiva.
— Eu precisava pensar um pouco nas coisas, amor. – Minha mão vazia foi para sua bochecha. Passei meu dedão na pele rosada, vendo-a olhar-me curiosamente. – Desculpe-me por ontem, devia ter lhe falado alguma explicação. – Fiz uma careta, podendo vislumbrar as manchas de lágrimas em seu rosto. – Perdoe-me. – Pedi em um sussurro, vendo-a balançar sua cabeça.
— Você está bem? – Seus olhos brilhavam contra os meus, ansiando por uma resposta positiva.
— Melhor do que nunca. – Sorri. – Eu finalmente dei-me conta de tudo, querida. – Voltei a massagear sua bochecha, encostando minha testa na sua. – Assim como você, eu não percebi muito bem o tempo passar e nem notei as transformações que estavam acontecendo em minha vida. – Engoli em seco, tendo sua completa atenção. – Eu... eu olhei o calendário ontem. – Falei em um sussurro, vendo os grandes olhos arregalarem-se com minha confissão. Por sua expressão, eu imaginava que ela sabia exatamente sobre o que eu estava falando. – Já lhe disse isso, Bella, eu sempre sofri em toda a minha vida. Nos dias de meu aniversário, as dores e os machucados eram ainda piores. Sem contar, como eu era indesejado por todos em minha volta. – Suspirei. Olhei para minha namorada e soltei um xingamento ao vê-la com os olhos marejados. – Não, amor, não chore por mim. – Passei meu indicador embaixo de seus olhos, impedindo as lágrimas de caírem. – Por favor, você já fez isso ontem à noite por minha idiotice, não faça novamente.
— Eu sempre me comovo com sua história, Edward. – Ela suspirou, mordendo seu lábio inferior. – Eu... eu admiro o homem incrível que você se tornou, apesar de todas as coisas. – Sua mão livre foi até meu cabelo, mexendo nos fios cobres. – Você teve todas as razões para se tornar a pior pessoa do mundo, mas não, sempre continuou em frente, lutando por seus sonhos, desejando a cada dia construir algo melhor em sua vida. Você protegeu Alice de tudo e todos, cuidando mais de sua irmã do que si mesmo, e então adotou Andrew, resgatando-o de um orfanato terrível. Edward, você tirou nosso garoto daquele lugar enfadonho, protegendo-o a cada dia, tornando-o sua vida. – Fechei meus olhos, pressionando nossas testas juntas, sentindo sua respiração bater forte contra meu rosto. Funguei, suspirando ao ouvi-la dizer todas essas coisas. Saber que Bella admirava-me era um dos melhores presentes que eu poderia receber em minha vida. Ela era a pessoa mais incrível desse mundo, sempre tão madura para sua idade, vencendo cada obstáculo que tentava pará-la. Jamais conseguiria explicar a dimensão de meu amor por essa mulher. – Isso tudo o faz o homem mais perfeito que existe, amor. – Meus olhos foram até os de Bella, vendo todo seu carinho e amor expostos ali. – Não deixe que nada faça-o pensar ao contrário disso. – Sorriu para mim, mesmo que estivesse com seus olhos cheios de lágrimas. Sua mão continuou a mexer-se contra meu cabelo. – Sei que passou por muitas coisas e também sei sua aversão pelo dia de hoje, porque você mesmo contou-me sobre tudo. – Soltou um longo suspiro. – Não lhe julgo, querido, muito pelo contrário, eu entendo perfeitamente esse sentimento. – Sua mão desceu até meu peito, exatamente sobre meu coração. – Porém, você é muito melhor do que isso, Edward. Você é melhor que as lembranças, que as cicatrizes e é infinitamente melhor que aqueles malditos que acabaram com sua juventude. – Pressionou a palma sobre meu coração, olhando diretamente em meus olhos, jamais desviando. Senti uma lágrima queimar em meu rosto, enquanto deslizava lentamente, porém era impossível segurar. Bella sabia exatamente como mexer com minhas estruturas. – Então esqueça as dores, eu sei que é difícil, eu mesmo tinha as minhas próprias, entretanto eu soube tirá-las de mim, porque a realidade que eu convivo com você, é definitivamente melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter. – Abriu um maravilhoso sorriso, enquanto puxava lentamente ar para seus pulmões. – Faça isso, amor, tire a amargura e viva o dia de hoje como se fosse único, porque eu realmente agradeço todos os dias por você estar aqui comigo, caso fosse diferente, eu não saberia o que seria de mim. Esse dia tem que ser vivido e comemorado, Edward, porque você ter nascido, é o maior presente que eu poderia ganhar. Feliz aniversário, meu amor. – Sussurrou, aproximando-se de mim, seu rosto mexendo-se contra o meu, conforme ela deslizava seus lábios por minha pele. – Eu te amo. – Em seguida, sua boca ficou sobre a minha, em um rápido selinho, para depois nossos lábios tomarem-se em um beijo lento e apaixonante.
Era como se selasse o eterno compromisso que tínhamos um com o outro.
[...]
— É mesmo necessário? – Arqueei uma sobrancelha e Bella riu, equilibrando-se em seu enorme salto para conseguir ajeitar a gravata em meu pescoço. – Bella. – Resmunguei, somente tendo sua risada como resposta. – Passamos o dia inteiro namorando e você inventa que temos que comemorar fora, mas precisa de tudo isso? – Apontei para mim, que estava de terno e gravata e em seguida indiquei-a, fazendo-a abaixar a cabeça para olhar para si mesmo. – Sério, você está gostosa demais nesse vestido, não acho que iremos a algum lugar com você assim.
— Não seja bobo, Edward. – Bufou, dando o nó na gravata. – Será um dia inesquecível. – Piscou e eu sorri maliciosamente, minha mão descendo por sua coluna e indo até sua bunda, onde pude deixar um forte apertão. – Edward!
— O dia já foi inesquecível, querida. – Pisquei em sua direção, vendo-a revirar seus olhos. Com seu gesto, apertei sua carne novamente, ouvindo com gosto um delicioso gemido sair dos lábios com batom extremamente vermelho. – A não ser, é claro, que você queira voltar para nossa cama e praticar mais, porque sabe o ditado, não é?! A prática leva a perfeição. – Aproximei meu rosto de seu pescoço, beijando a pele perfumada. – Hmm... definitivamente sair não é uma boa opção. – Abracei-a contra mim, ouvindo seu suspiro.
— Nós precisamos sair, Edward. – Ela afastou-se, arrumando novamente a gravata. – Prontinho, você está perfeito. – Sorriu para mim, avaliando-me. – Agora temos que ir. – Caminhou rapidamente até a cama, pegando a bolsa para colocar em seu ombro. Vendo que eu não teria escolha, exasperei e fui até o criado mudo para buscar minhas chaves, porém minha namorada parou-me antes disso. – Vamos com seu motorista hoje. – Piscou os cílios inocentemente, fazendo-me semicerrar meus olhos. – É o seu dia, querido. – Inclinou-se, dando-me um selinho.
— Mas eu adoro dirigir. – Repliquei, mas Bella agarrou a minha mão, puxando-me para fora do quarto com ela. – Você não vai me dizer nada? – Reclamei, descendo as escadas atrás dela, podendo ver um sorrisinho brincar na lateral de sua boca. – Sabe que vai ter volta, não é, querida? – Soltei sua mão, caminhando até estar ao seu lado, podendo puxá-la pela cintura de encontro ao meu corpo. Mordi seu ombro exposto, assim que chegamos ao fim da escadaria, parando no hall de entrada. – Ah, minha querida, deixe a noite chegar. – Subi meus lábios até seu ouvido, sentindo-a estremecer contra meu corpo e agarrar-se ao meu paletó, amassando-o contra seus dedos. – Farei você pagar por cada mistério do dia. – Mordi o lóbulo de sua orelha, afastando-me o suficiente para ver seus olhos escuros encarando-me. Sorri torto e mordisquei seu lábio inferior. – Somente a noite. – Separei-me abruptamente e peguei sua mão, voltando a entrelaçar nossos dedos, dirigindo-lhe um sorriso.
— Você é um cretino. – Grunhiu, fazendo-me rir mais. Bella ignorou-me e fomos para o elevador, apertando o botão da garagem. – Então... você está completando trinta anos. – Minha namorada virou-se para mim, olhando-me com um enorme sorriso. Ri de seu jeito e ela aproximou-se, apoiando-se em meus ombros. – Sabia que não parece? – Disse em um sussurro, como se estivesse contando algum segredo. Levantei uma sobrancelha e desci minhas mãos para sua cintura, apertando-a e puxando-a para mim. – Deus, eu prevejo que terei trabalho com você, amor, não parece nem ter completado seus vinte e cinco anos. – Soltou um muxoxo, fazendo com que eu risse e lhe desse um selinho, antes e levar uma mão até seu rosto, acariciando-o.
— Sabe que não precisa preocupar-se, você é a única mulher que eu quero. – Pisquei, vendo-a morder seu lábio inferior. – Só tenho olhos para você, amor, quanto a isso você não tem que ficar preocupada. – Beijei sua testa, sentindo-a aproximar-se mais e abraçar-me com força. – Hmm... definitivamente é o melhor aniversário que eu poderia ter. – Sussurrei em seu ouvido, deitando minha cabeça em seu ombro. – Ter você comigo é tudo o que eu preciso, Bella. – Depositei um beijo em sua pele, ouvindo-a suspirar e aconchegar-se contra mim. Sorri e apertei-a contra meu corpo, fechando meus olhos e aproveitando nosso momento.
Eu sempre tive Alice e Andrew comigo, eles eram a minha força de viver, porém eu ainda não conseguia superar as dores e o dia de meu nascimento, parecia tudo muito doloroso para mim. Mas agora, com Bella em nossas vidas, trazendo toda a verdade à tona, a mudança foi completamente inevitável. Eu adorava a forma que ela tinha conseguido transformar as coisas em minha vida, mostrando-me as razões de continuar em frente, porque foi assim que consegui mudar minhas perspectivas e exorcizar os fantasmas de meu passado.
Como eu tinha dito para Bella na sexta, nós tínhamos que viver um dia de cada vez, preocupando-nos com o momento em que estávamos, porque senão sempre teríamos preocupações em nossas mentes. O passado tinha que ficar por lá, infelizmente não dava para tirá-lo completamente de minha mente, mas eu não precisava trazê-lo à tona, porque já não era mais relevante. Tudo o que me importava era meu presente e futuro com minha família.
Em pouco tempo entrávamos no carro que Daniel iria dirigir. Não gostava de ter outra pessoa no volante que não fosse eu, mas admitia que estava louco para saber o que minha bela namorada estava aprontando, por isso estava seguindo-a, por mais que reclamasse uma vez ou outra. Quando sentamos no banco traseiro do carro, puxei Bella contra mim e dei-lhe um beijo no rosto, vendo-a olhar-me com um bonito sorriso, conforme o carro saía pelo portão do prédio, começando a dirigir pelas ruas já escurecidas.
— Não vai dizer-me nada? – Arqueei uma sobrancelha, após passarmos algum tempo naquele carro. Silenciosamente ela afastou-se de mim, abrindo sua bolsa e puxando um lenço de lá. – O que é isso? – Franzi meu cenho, olhando confuso para o pano preto que Bella estava segurando, vendo-a abrir um enorme sorriso. – Bella? – Ela riu baixinho, dando de ombros.
— Sua venda. – Ela cantarolou, rodando o lenço em sua mão, mandando-me uma piscadela. Minha namorada ajeitou-se no banco, de modo que ficasse de joelhos próxima de mim. – Se eu deixar você olhar, saberá na hora para onde estamos indo. – Disse como se fosse óbvio, encarando meus olhos com diversão. – Ou seja, terei que vendá-lo, querido.
— Sem chance. – Balancei a cabeça e ela riu, assentindo. Respirei fundo, olhando-a nos olhos. – Bella. – Repreendi-a, bufando quando ela aproximou-se, inclinando-se contra mim. – Eu não gosto desse tipo de jogo. – Grunhi, mas mesmo assim ela ainda sorria divertida.
— Não é um jogo, amor. – Soltou uma risada, piscando um olho em minha direção. – Eu tenho uma surpresa para você, e como diz o nome, você não pode saber de nada antes da hora. – Levantou uma sobrancelha, esticando o lenço preto. – Por favor? – Fez um biquinho com os lábios, dando-me vontade de inclinar-me para mordê-lo. – Garanto que irá gostar, Edward, não é nada demais. – Beijou meu queixo. – Posso? – Soltei minha respiração com força pela boca e Bella soltou um gritinho animado, prevendo minha resposta. – Você não vai se arrepender.
Senti-a colocar o pano sobre meus olhos, tampando totalmente a minha visão. Ela enrolou o lenço em minha cabeça e por fim deu um nó, mexendo-o em meu rosto, como se certificasse que não estava frouxo. Fechei meus olhos, para que o tecido não os incomodasse e ajeitei-me no banco do carro, sentindo minha namorada deitar sua cabeça em meu ombro, puxando uma de minhas mãos para entrelaçar na sua.
— Você vai recompensar-me mais tarde. – Guiado por meus instintos, segui seu perfume e beije-lhe o pescoço, sorrindo com seu estremecimento diante o meu toque.
— Pode deixar, Senhor Cullen. – Senti sua mão arrumar outra vez minha gravata. – Eu faço tudo com o maior prazer. – Sua boca escorregou por meu rosto e eu grunhi, sentindo-a sorrir contra minha pele. – Um jogo é feito para os dois jogarem, amor.
— Touché. — Apertei nossas mãos unidas, ouvindo-a soltar uma risada. Bella aconchegou-se contra meu corpo, suspirando alto.
Ficamos abraçados e em silêncio por grande parte do caminho, cada um prendendo-se em seu próprio pensamento. A coisa mais importante que eu atentava-me era nas palavras que Bella disse-me mais cedo. Não conseguia esquecer os sentimentos que ela transmitiu-me ao dizer coisas tão verdadeiras, mostrando-me tudo o que sentia, praticamente despindo sua alma para mim. Ela conhecia-me tão bem, sabendo exatamente quais palavras dizer-me, tirando-me mais uma vez da escuridão e mostrando-me como tudo poderia ser melhor desde que ela tinha ficado comigo. Porque se agora eu sentia-me bem em relação ao meu aniversário, aceitando comemorá-lo, a única explicação é Bella, afinal ela descobriu toda a verdade sobre meus pais, e trouxe-os para mim, dando-me mais razões pelas quais lutar. Foi ela quem modificou tudo. E é por isso que agora sinto essa liberdade em mim.
Pela primeira vez, depois de anos, eu dava-me conta de como minha vida poderia ser perfeita, sem as interrupções de pessoas que nem deveriam ser lembradas. As amarras estavam cortadas há muito tempo, porém eu tive a consciência disso somente agora, e nem sabia como descrever à proporção que meus sentimentos alcançavam agora.
— Chegamos, querido. – Bella sussurrou em meu ouvido, fazendo-me sair do turbilhão de pensamentos em que eu encontrava-me. – Eu vou sair e já te ajudo. E nada de retirar a venda. – Fiz continência por causa de sua ordem e ouvi sua risada, sentindo-a afastar-se de mim e abrir a porta do veículo. Bella conversou alguma coisa com Daniel, e logo consegui escutar alguns barulhos de salto e em seguida a porta ao meu lado foi aberta, assim como minha mão pega pela de Bella. Com sua ajuda, saí do carro e coloquei-me de pé, escutando a porta ser batida. – Tudo bem? – Questionou-me.
— Além de estar vendado, sim, tudo ótimo. – Ouvi-a rir e entrelaçar nossos dedos. – Você irá guiar-me?
— Com certeza. Vem, é só seguir-me. – Senti Bella caminhar em minha frente, puxando-me consigo, mantendo sempre sua mão firme contra a minha. Andei devagar, seguindo os passos de Bella e cuidando para que eu não tropeçasse em meus próprios pés, porque era complicado andar sem ver nada. – Cuidado agora, iremos subir degraus. – Minha namorada parou e por um momento ela soltou minha mão, parecendo ficar de frente para mim, conforme eu ouvia o barulho de seus saltos. Senti Bella segurar minhas duas mãos contra as suas, começando a andar novamente. – São quatro degraus. – Avisou-me e eu assenti, indo atrás dela. Acompanhei suas instruções, atendo-me aos ruídos de seus sapatos, era como se ajudasse-me a saber para onde estávamos indo. Contei mentalmente a quantidade de degraus e quando chegamos ao quarto, paramos. – Eu vou ficar atrás de você e guia-lo, minhas mãos sempre estarão nas suas costas, tudo bem?
— Já está acabando? – Perguntei impaciente, querendo logo saber o que estava acontecendo para existir tanto mistério. Ouvi a risada da minha namorada e ela depositou um beijo em minha mandíbula, soltando minhas mãos e dando a volta em meu corpo. – Bella, estou cada vez mais curioso. – Resmunguei.
— Eu sei disso, amor, mas só tenha um pouquinho mais de paciência. – Senti suas mãos em minhas costas, alisando-as através do terno. – É só seguir em frente, estarei atrás de você. – Assenti, dando alguns passos em frente, sendo seguido por ela, sentindo suas palmas em mim. – Quase lá. – Avisou, soltando uma risadinha. Arqueei uma sobrancelha involuntariamente por causa de sua risada, mas ouvi um suspiro. – Pode parar. – Fiquei em meu lugar e Bella afastou-se novamente, caminhando até estar em minha frente. – Espero que goste, querido. – Deu-me um demorado selinho e senti suas mãos irem para trás de minha cabeça, começando a desfazer o nó do laço.
Senti a peça soltar-se de mim e suspirei, percebendo Bella puxá-la e retirá-la completamente de meu rosto. Aos poucos fui abrindo meus olhos, preparando-me para acostumar-me com a visão da claridade, afinal tinha passado vários minutos com os olhos vendados. Respirei fundo e finalmente os abri.
— SURPRESA! – Um grito coletivo chamou-me a atenção e eu arregalei meus olhos, olhando em volta e ouvindo um estouro suceder-se, para em seguida, vários confetes cair sobre a sala iluminada em que toda a minha família estava. Á medida em que os confetes coloridos caíam sobre nossas cabeças, uma música calma e lenta preencheu todo o ambiente, fazendo-me sorrir quando identifiquei como sendo a música que eu compus, aquela que tocou quando eu beijei Bella pela primeira vez.
River Flows In You tocava em um som alto, fazendo com que eu fungasse ao ver todos sorrirem em minha direção, logo embaixo de um grande faixa com os dizeres “Feliz Aniversário, Edward”. Um grande bolo estava na frente deles, sobre uma mesa decorada, com vários salgados e doces ao redor. Logo as lágrimas queimavam em meus olhos novamente, dando-me mais um choque de realidade no dia, mostrando-me toda a sensação boa que preenchia-me ao conseguir dar mais uma chance para a vida. Eu não queria nem imaginar como tudo estaria sendo, se eu tivesse deixado todos os sentimentos para trás, ignorando as coisas que eu começava a sentir por Bella, nós não estaríamos aqui hoje e nada disso seria real.
Meu coração batia com força contra a minha caixa torácica, me dizendo o quanto a vida valia à pena, quando você lutava por ela. A alegria que eu sentia era indescritível e eu jamais poderia formular palavras para poder dizer a alguém todos meus sentimentos. Depois de tanto tempo, eu finalmente chorava pela imensa felicidade que eu sentia, não por alguma coisa dolorosa ou por lembranças cruéis, somente por causa da satisfação que eu sentia com o rumo que minha vida tinha tomado.
Minha respiração saía em arquejos, enquanto eu olhava para todos presentes naquela casa, cada pessoa que eu amava estava ali, ajudando-me a superar o último obstáculo: A aversão de meu aniversário. Eu visualizava Alice, a morena que ria alegremente abraçada ao seu marido, ambos com suas mãos na barriga dela, onde já dava para notar uma protuberância. Não conseguia identificar a imensidão de sentimentos que eu via no olhar de minha irmã, mas acima de qualquer coisa, eu percebia o amor que ela sentia por mim. Jasper, ao seu lado, também sorria em minha direção, e eu jamais poderia agradecer toda a ajuda que eu recebi de meu amigo. O Loiro ajudou-me psicologicamente, batalhando contra as memórias comigo, porém ele era como um irmão para mim, afinal sempre esteve apoiando-me e ajudando-me com todas as coisas. Ao lado dos recém-casados, eu pude ver Rosalie e Emmett, e o casal também possuía maravilhosos sorrisos, assim como os olhos brilhando com todos os sentimentos presentes ali. Rose era definitivamente uma mulher incrível, eu amava-a demais e eu seria eternamente grato por ela ter cuidado de Bella, ajudando-a em cada etapa, desde que a conheceu, sem contar todas as vezes que ela ajudou-me e ainda ajuda-me, mostrando o quanto se importa com as pessoas que fazem parte de sua vida. E Emmett? Como eu diria a proporção de meus sentimentos por meu irmão? Eu odiava ter passado tantos anos longe dele, mas era imensamente feliz por nossa ligação de irmãos ser intacta até os dias atuais, por mais que tenhamos sidos separados tão novos. Eu amava demais aquele cara e apesar de toda a confusão que eu fiz quando o conheci, não poderia escolher outra pessoa para ter como meu irmão mais velho.
Assim que meus olhos caíram sobre Esme e Carlisle, que tinha um Andrew animado em seu colo, senti o pranto finalmente sair de mim, as lágrimas escorrendo em meu rosto. Como eu verbalizaria meu amor por eles? Eram meus pais. Desde o primeiro momento que eu os vi, quando Bella levou-os em meu apartamento, senti coisas fortes em relação à eles, antes mesmo de descobrir toda a verdade. Eu sempre iria admirá-los por toda a garra e força que possuíam. Não entendia a dor deles por ter perdido um filho no mesmo dia que nasceu, mas eu compreendia a minha e sei o quão doloroso era ficar longe de quem ama. Presenciei o inferno ao viver ao lado das duas pessoas que roubaram-me de meus pais, então tinha uma imaginação de como tinha sido a vida de Esme e Carlisle, sofrendo todos os dias. Mas agora era tudo passado e estávamos vivendo nossa eterna felicidade, nada mais poderia nos machucar.
Andrew? Bem, para ele eu não tinha palavras o suficiente. Foi esse garoto incrível que tirou-me da profunda escuridão em que eu me encontrava. Era por Andrew que eu tentava ser um homem melhor, dando a vida que ele merecia após ter sofrido tanto. Amava-o intensamente, e como acontece com todos os outros, eu não consigo expressar o suficiente esse sentimento. Não há como dizer como se ama uma pessoa, porque as palavras nunca serão o suficiente para descrever com perfeição.
Olhei para minha namorada, que tinha seus olhos marejados encarando-me. Seu sorriso era ofuscante e a única reação que eu tive foi abraça-la, apertando seu corpo com força contra o meu. Enterrei meu rosto em seu pescoço, deixando meu choro fluir e as lágrimas caírem em sua pele, conforme eu apertava meus olhos.
— Feliz aniversário, querido. – Sussurrou contra meu ouvido, movendo sua mão nos fios de meu cabelo. – Você merece tudo isso, Edward, e muito mais. – Disse-me, fazendo-me fungar. – Nós te amamos demais e foi a única forma que achamos para mostrar-lhe isso. Sei o quanto odiava seu aniversário, porém neste ano, quisemos demonstrar o quanto estava enganado ao possuir esse sentimento, porque todos que estão presentes nessa sala, são pessoas melhores por tê-lo na vida delas. – Bella afastou-se minimamente, segurando meu rosto com suas duas mãos. Ela fez-me olhá-la e secou meu rosto, sorrindo lindamente. – Você é amado por todos, Edward. – Uma de suas mãos desceu até a minha, entrelaçando seus dedos aos meus, puxando nossas palmas unidas até sua barriga. – Inclusive pelo bebê que cresce aqui. – Seus olhos marejados interligaram-se com os meus, brilhando em minha direção, fazendo-me perceber todo o amor presente ali. – Nós somos melhores, somente por ter conhecido você. – Ela piscou e soltou-se de mim, afastando-se aos poucos.
Em seguida, cada pessoa veio em minha direção, abraçando-me com força e sussurrando palavras maravilhosas para mim, sempre acentuando o quanto me amavam. A cada abraço, eu sentia-me mais em casa. Minha irmã, Jasper, Rose e meu irmão eram importantes demais em minha vida, não conseguiria perde-los de nenhuma maneira, e isso ficava mais evidente quando eu os abraçava com mais força, sempre desejando tê-los por perto. Eu estava abalado com tudo, jamais tinha me sentido tão amado e querido pelas pessoas, porém quando Esme e Carlisle abraçaram-me juntos, foi o estopim para minhas lágrimas. Senti os braços de meus pais firmarem em minha volta, e Esme enterrar seu rosto contra meu peito, soluçando auditivamente.
— Não sabe o quanto é bom passar esse dia ao seu lado, querido. – A voz embargada da minha mãe soou. – Passamos tantos anos chorando e sofrendo quando o dia 20 de Junho chegava, mas pela primeira vez, comemoramos com total alegria essa data, podendo derramar lágrimas de felicidade. – Sussurrou e ouvia- fungar. – Feliz aniversário, Edward! – Separou-se, olhando-me com lágrimas nos olhos. Ela tocou meu rosto, fazendo-me sorrir em sua direção, sendo presenteado por seu incrível sorriso. – Eu te amo muito, muito. – Deu-me vários beijos no rosto, tirando risadas de minha parte. – Você é um de meus maiores presentes, querido.
— Obrigado, mãe. – Beijei sua testa. – Obrigado por nunca ter desistido de mim. – Puxei o ar para meus pulmões. – Eu te amo e não sabe o quanto agradeço por ser filho de uma mulher tão maravilhosa como você. – Dei-lhe outro beijo e ela sorriu maravilhada, afastando-se e dando espaço para que eu abraçasse meu pai com mais força. Deixei meu rosto contra o ombro de Carlisle e sorri, sentindo suas mãos passarem por minhas costas. – Eu te amo, pai. – Sussurrei, apertando-o contra mim. – Muito.
— Também te amo, filho, sempre te amei. – Suspirou. – Jamais esqueci-me do garotinho que eu peguei em meus braços na maternidade. – Confessou, soltando uma risada. – E nunca confessei o quanto você fez falta em minha vida. – Afastou-se para olhar em meus olhos, tendo os seus cheios de lágrimas também. – Eu sofri em silêncio durante vinte e nove anos, porque eu tinha que dar forças para sua mãe, porém em nenhum momento eu me esqueci de você. – Passou seus dedos por meu rosto. – Feliz aniversário. – Abriu um grande sorriso e eu assenti, abraçando-o outra vez.
Senti minhas pernas serem agarradas e abri um sorriso, imaginando quem era. Afastei-me de meu pai e olhei para baixo, encarando o pequeno garoto que fez a completa mudança em minha vida. Agachei-me e senti seu corpo bater fortemente contra o meu, conforme ele abraçava-me com força, firmando seus braços ao redor de meu pescoço.
— Te amo, pai. – A voz infantil soou em meus ouvidos. – E eu sempre serei grato por ter conhecido você, afinal, minha vida é perfeitamente perfeita, porque você abriu os olhos para mim, dando-me uma chance de ser feliz. – Sua voz foi ficando embargada aos poucos. Suspirei e massageei os fios de seu cabelo, apertando meus olhos para deter a nova enxurrada de lágrimas. – Eu sei que odiava comemorar seus aniversários, mas todos os anos que eu passei ao seu lado, eu desejava que mudasse de opinião, pois a razão da minha vida é você, papai. – Apertei-o contra mim, fungando mais uma vez. – Feliz aniversário. – Sussurrou alegremente, dando-me um beijo na cabeça. – Sempre te amarei, pai. – Desgrudou-se aos poucos de mim. Abri meus olhos e sorri olhando seu bonito rosto sorridente, manchado por causa de algumas lágrimas.
— Também sempre te amarei, campeão. – Disse-lhe, esticando minha mão para limpá-lo. – Você é o garoto mais perfeito que eu poderia ter escolhido para acolher como um filho. – Confessei, respirando fundo. – Nem posso imaginar como seria minha vida sem você, Andrew. – Encostei minha testa na sua, engolindo em seco. – Eu te amo demais, filho, demais.
— É a hora dos parabéns! – Alice e Rosalie gritaram juntas, soltando risadas em seguida. Levantei minha cabeça para olhá-las e arqueei uma sobrancelha em direção da minha irmã, fazendo-a sorrir ainda mais. – Pode vir, maninho, vamos cantar para você e deixa-lo fazer o pedido de aniversário – Piscou divertida e eu suspirei, pegando Andrew entre meus braços e levantando-me com ele em meu colo.
— Verdade, Edward, já estou morrendo de fome. – Emmett gargalhou, abraçando nossa mãe pela cintura. – Sem contar, que não posso perder você atrás da mesa cheia de doces, recebendo a música alegre em sua homenagem. – Riu animado, quase pulando em seu lugar.
Sorri para as loucuras de meus irmãos e virei-me, esticando uma mão para a mulher da minha vida. Ela mordeu seu lábio inferior e sorriu para mim, entrelaçando seus dedos aos meus. Segurei a mão de Bella com força e ajeitei Andrew em meu colo, levando-os comigo até ficarmos atrás da mesa que tinha um enorme bolo decorado. Nos posicionamos e eu enrolei meu braço em volta da cintura de minha namorada, puxando-a para mais perto de mim, assim que as palmas começaram juntamente com a música infantil. Mas eu não poderia importar-me com isso, porque passar esse momento ao lado de toda a minha família era a parte mais importante, nada conseguiria tirar toda a felicidade que eu sentia dentro de mim.
— Feliz aniversário, Edward! — A voz de todos ecoou pela sala, fazendo-me rir e dar um beijo no rosto de Andrew, para em seguida beijar os lábios de Bella.
— Faz um pedido! – Jasper mandou e eu suspirei, fechando meus olhos e esticando-me para perto das velas que havia no bolo.
Eu tinha tudo em minha vida. Todas as pessoas que eu amava e um filho a caminho, não havia nada mais que eu poderia desejar. Então eu pedi, com todas as minhas forças, que nosso futuro fosse assim, cheio de felicidade e amor, e que nada pudesse estragar momentos como esse.
Abri meus olhos e assoprei as velas, sorrindo ao ganhar mais palmas. Virei-me para Bella e pisquei em sua direção, fazendo-a soltar uma risadinha animada e olhar para frente, suspirando.
— Pessoal! – Chamou a atenção de todos. – Eu odiei esconder a novidade de vocês por dois dias, mas como o dia de hoje seria mais do que especial, eu tinha que guardar segredo. – Mordeu o lábio inferior, olhando-me de relance. Bella respirou fundo e eu acariciei sua cintura, tentando dar-lhe coragem. – Sei que consegui despertar algumas desconfianças. Jasper. – Acusou meu cunhado, fazendo todos soltarem uma risada, assim como o Loiro, que ainda rolou seus olhos, olhando-nos sorridente. – Mas, por mais que eu quisesse esconder, era difícil, porque alguns sintomas são impossíveis de controlar. – Soltou um longo suspiro, abrindo aquele perfeito sorriso que somente ela tinha. – Eu estou grávida! – Avisou, em um bom tom, fazendo com que nossos familiares guinchassem de surpresa. Sorri e beijei seu rosto, ouvindo Andrew gargalhar animado em meu colo, deitando seu rosto contra meu pescoço.
— Ou seja, a família ficará ainda mais completa daqui a alguns meses. – Pisquei em direção a todos, escutando-os gritarem com animação. Soltei uma risada, vendo-os caminhar rapidamente até nós, abraçando-nos e desejando-nos toda a felicidade do mundo.
— Eu vou ser avó pela terceira vez! – Esme cantarolou, esmagando uma Bella sorridente em seus braços. Sorri ao olhar para Alice e vê-la piscar em minha direção, sorrindo emocionada com tudo isso. Sei o quanto era importante para ela ouvir Esme falar essas coisas, ela sentia-se mais querida e melhor desta forma e eu entendia completamente. Mas Alice sempre, apesar de tudo o que ocorreu, foi uma irmã perfeita, e eu faria de tudo para vê-la com aquele sorriso feliz.
Rosalie, assim como os outros, gritava animada, fazendo com que meu filho risse alegremente em meus braços, olhando com atenção para a festa que ocorria entre nossos familiares.
— Feliz, campeão? – Perguntei-o, vendo-o abrir um sorriso maravilhoso.
— Muito, papai. – Segurou em meu rosto com as duas mãos, respirando fundo. – Era com isso que eu sempre sonhava. – Segredou-me, e eu sorri para ele, tocando seu bonito rosto. – Obrigado. – Franzi o cenho e meu pequeno deu de ombros, sorrindo de lado. – Você deu-me uma família incrível, pai. Eu te amo, amo a mamãe e meu irmãozinho que está para chegar. – Abraçou-me com força e eu suspirei, ouvindo um suspiro alto. Olhei para minha namorada e puxei-a contra mim, beijando seus lábios delicadamente.
— Te amo. – Sussurrei e ela sorriu de forma maravilhosa, abraçando-me em seguida e fazendo-me sorrir ao ter seu corpo quente ondulando-se ao meu.
— Amo você, Edward, mais do que minha vida. – Meu coração aqueceu com sua declaração e eu a apertei mais contra nosso abraço triplo, ouvindo uma risadinha de Andrew soar.
Minha mão desceu para a barriga de Bella e senti-a sorrir contra meu pescoço, dando um beijo em minha pele. Respirei fundo, deixando um sorriso abrir-se em meus lábios, enquanto eu escondia meu rosto contra o pescoço da minha namorada, sentindo seu delicioso perfume.
Como eu poderia descrever toda minha alegria? Cada palavra que eu usasse, seria um eufemismo, porque nada se compararia a todos os sentimentos que eu estava sentindo. Sei que quando eu olhava para minha família, todos se abraçando e sorrindo juntos, eu percebia o quanto senti falta disso em todos os anos de minha vida, porque era assim que eu sentir-me-ia completo, tendo pessoas que eu amava ao meu redor.
“Continua...”
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