Never It's Late.
21 Eu vou tirá-lo dessa escuridão.
Notas iniciais
Eu vou tirá-lo dessa escuridão.
Pov Bella.
Olhei para o rosto adormecido de Edward e suspirei ao tocá-lo, traçando meus dedos pelos bonitos traços. Subi meus dedos para seu cabelo e remexi os fios cobres cuidadosamente, suspirando outra vez ao lembrar-me de minhas lembranças, e só com isso meu coração bateu mais forte, meus olhos a todos os instantes no rosto cansado de meu namorado, recordando-me de cada mera semelhança que eu notara.
Eu poderia estar ficando louca, mas era tudo tão parecido entre Esme, Carlisle e Edward. Os traços eram semelhantes demais e até dava-me arrepios ao lembrar-me como eu fiquei na presença do casal, a familiaridade sempre vinha em mim, eu não fazia ideia de que, mas agora olhando para Edward e olhando-o de forma tão atenta, eu sentia a desconfiança apertando meu peito como um aviso, as batidas de meu coração estavam erráticas outra vez. A aparência do Cullen estava totalmente em Esme, os olhos, o sorriso, o cabelo tão fodidamente parecido... só que o jeito dele estava em Carlisle, o modo como ambos passavam a mão pelo cabelo, o jeito como rolavam os olhos, até a maneira como paravam era parecida demais, e isso tudo estava dando-me uma terrível dor de cabeça. A loucura era evidente nas coisas que eu pensava, mas também pareciam certas demais, eu ficava confusa com tudo, só que ainda tinha um fio de esperança em tudo o que eu estava juntando, de alguma forma parecia ser algo correto.
— Ah, Edward... – Resfoleguei, meus dedos indo outra vez para seu bonito gosto. Engoli em seco ao vê-lo respirar de maneira calma enquanto dormia, tão diferente do jeito desesperado que encontrava-se antes. – O que aconteceu com você? – Perguntei retoricamente em um sussurro, respirando fundo ao sentir seus braços apertarem-se contra meu corpo. – Eu posso estar deveras errada, mas talvez eu tenha alguma certeza de suas origens. – Soltei um longo suspiro, sentindo meus olhos lacrimejarem-se. – Porventura eu esteja indo por um caminho totalmente errôneo, entretanto você não faz ideia do quanto eu quero estar correta. – Fechei meus olhos ao encostar minha testa na sua, mantendo minhas lágrimas presas ao pressionar minhas pálpebras. – Você já sofreu tanto nessa vida, Edward, eu só quero ter algum motivo para você sentir-se aliviado e feliz, tirando a angústia e a incerteza que você tem dentro de si. – Puxei o ar para meus pulmões, suspirando auditivamente em seguida. – Odeio vê-lo daquela maneira desesperada a qual eu o encontrei, quero tirar isso de você, quero sempre vê-lo feliz e realizado. Eu juro, Edward, darei a certeza de sua vida, buscarei tudo o que possa fazer você sorrir sem qualquer vestígio de insegurança. Eu te prometo. — Beijei delicadamente seus lábios e o abracei com força, cuidando ao máximo para não tirá-lo de seu sono calmo.
Com cautela eu afastei-me dele, sorrindo outra vez para o rosto sereno. Peguei seus braços que estavam em minha volta e os tirei de cima de mim, deslizando meu corpo para longe dele, tentando ao máximo fazer o mínimo de movimentos, eu não queria acordá-lo. Quando consegui ficar de pé, vi Edward suspirar longamente em meio ao sono e mover-se na cama, virando se bruços, sua cabeça virada para o lado oposto da onde eu encontrava-me.
Esperei algum tempo até ter certeza que ele continuava a dormir, assim que vi que o sono ainda era pesado, peguei o meu celular que estava na cabeceira da cama e retirei-me devagar do quarto, encostando a porta assim que saí. Caminhei pelo extenso corredor e fui buscar o telefone de Rose em meus contatos, discando assim que eu encontrei seu nome em minha lista, descendo as escadas conforme eu ouvia o telefone chamar.
— Telefone da tia Rose, aqui quem fala é Andrew. — Soltei um suspiro ao ouvir a doce voz infantil e sorri parando nos últimos degraus, sentando-me neles.
— Olá, pequeno Andrew. – Cantarolei seu nome e ouvi um grito animado e em seguida sua risada.
— Mamãe! Que bom que me ligou, já estava ficando um pouquinho preocupado sem notícias suas ou do papai. — Resmungou e eu respirei fundo, esfregando meu rosto.
— Desculpe a demora, Andrew, mas seu papai estava muito cansado, então tivemos que vir até a sua casa, ele precisa descansar por um bom tempo. – Engoli em seco, sentindo-me mal por mentir para o pequeno, mas em partes era uma verdade, Edward estava desgastado mentalmente, eu realmente queria vê-lo dormindo por um bom tempo, talvez assim ele tirasse um pouco daquele peso emocional dele. – Eu sinto muito por tê-lo deixado sem respostas, querido. – Voltei com minha atenção para Andrew, respirando fundo.
— Está tudo bem, mamãe, não precisa ficar mal com isso, eu entendo que às vezes o papai fica cansado por causa do trabalho dele, ainda mais hoje que ele ficou um tempão por lá, até mais tarde do que o normal. — Sorri ao ouvir sua lógica, ficando um pouco feliz ao ver o quão inteligente Andrew era, ele entendia perfeitamente bem as coisas, amava isso nele, apesar de ser algo contra o que ele queria, o garoto compreendia tudo. — Mas deixa o papai descansar, mãe, ele precisa disso, sempre está a ativa, brincando comigo toda vez que pode. — Soltou uma risada alegre e eu sorri um pouco, brincando com a borda da saia que Rose tinha me dado. — Acho que por causa do estado dele, você vai querer ficar aí com ele, não é, mamãe?
— Eu definitivamente preciso ficar com ele, querido. – Respirei profundamente. – Eu sei que prometi busca-lo, mas eu não posso deixar seu pai aqui sozinho, me perdoe. – Fechei os olhos, suspirando. – Você ficará chateado se tiver que dormir aí na tia Rose hoje?
— Chateado? Eu vou adorar! — Ri ao sentir sua empolgação, até podia visualizá-lo pulando conforme sorria. — Eu iria preferir que você e meu pai estivessem aqui comigo, mas eu na verdade prefiro que o papai fique descansando um pouco, ele merece isso. — Deus, amava esse amor que existia entre Andrew e Edward. Suspirei uma outra vez e sorri para o nada, ouvindo meu filho falar alegremente. — Jamais dormi fora de casa, mãe, acho que vou adorar passar um tempo aqui com a tia Rose e Lilian, ambas são divertidas demais! — Comentou alegremente e eu soltei uma risada.
— Eu fico feliz demais que esteja se dando bem com elas, filho. – Podia senti-lo sorrindo enquanto eu falava. – Obrigada por ser compreensível, Andrew, eu não queria quebrar minha promessa e chateá-lo, só que realmente é necessário que seu pai e eu fiquemos em casa por hoje. – Expliquei.
— Já disse que está tudo bem, mãe, e eu verdadeiramente estou feliz em ficar por aqui, não vou ficar chateado com você ou com meu pai, pode ficar tranquila quanto a isso. — Às vezes parecia que eu falava com um adolescente, Andrew era tão formal e maduro para um garoto com apenas seis anos. Acho que a vida o fez amadurecer cedo demais, depois de tudo o que sofreu e teve que passar naquele orfanato, isso faz com que as pessoas cresçam mais rápido mentalmente, afinal, torna-se necessário. — Mamãe?
— Fala, amor. – Suspirei saindo de meus pensamentos, retornando a me concentrar na chamada.
— Provavelmente o papai dormiu pelo cansaço. — Mordi meu lábio olhando para o chão, Deus, era difícil omitir coisas de Andrew, mas ele não merecia ter que arcar com mais coisas em sua cabeça infantil. – Mas assim que ele acordar, diz que eu estou bem por vocês não terem ido me buscar e também fala que eu o amo muitão. — Ri com seu aumentativo.
— Pode deixar, garotão, vou dizer para ele exatamente dessa forma. – Ouvi sua risada. – Ei, e o meu “eu te amo”? – Fingi-me de indignada e ele soltou outra risada gostosa, fazendo-me sorrir. Amava demais aquele garoto, eu fiquei apavorada por ter a responsabilidade de tornar-me mãe dele, só que acho que foi uma das minhas melhores escolhas, a cada vez que ele chamava-me de mamãe era uma emoção indescritível que tomava conta de mim.
— Mamãe, você sabe que eu te amo muitão também, não precisa ficar indignada. — Sorri. — Tia Rose disse que quer falar com você, e também avisou que vai amar ter-me por uma noite com ela. — Disse alegremente.
— Claro que ela vai amar. Pode passar o telefone para ela e amanhã tenha certeza que o papai e eu vamos ir busca-lo, tudo bem? – Ele respondeu um “sim”. – Ah, e eu também te amo, Andrew, durma bem.
— Obrigado, mãe, beijos. — Ele fez um som de beijo e eu sorri bobamente para o telefone. Ouvi alguns barulhos e em seguida, a voz de Rosalie fazia-se presente.
— Então quer dizer que eu terei meu sobrinho maravilhoso dormindo aqui? — Sua voz soou alegre e eu ri divertida.
— Ele vai sim, Edward obviamente ainda não sabe, mas eu conversarei com ele mais tarde. – Suspirei longamente. – Eu nem conversei com você, Rose, mas eu preciso mesmo que Andrew passe essa noite aí.
— Não tem problema, Bella, eu fico feliz demais em tê-lo por aqui. — Podia ouvi-la movendo-se por sua casa, o som de seus saltos era evidente. – Apesar de eu ficar aliviada por você estar ligando-me, sinto que tem algo por trás de sua voz. — Engoli em seco encostando-me no corrimão, ouvindo seu suspiro. — Aconteceu alguma coisa com Edward?
— De certa forma, sim. – Fechei meus olhos. – É um pouco complicado para que eu te explique por telefone, Rose, e também é algo dele, só o mesmo poderá contar isso para você. – Outro suspiro seu sucedeu-se. – Me desculpe.
— Ei, querida, está tudo bem. Eu não vou ficar chateada por não contar-me, só ficaria caso escondesse que está mal, porque descobriria isso só em ouvir sua voz. — A ouvi respirar fundo. — Eu sinto muito por algo estar acontecendo, Bella, mas saiba que me tem como uma irmã, sim? — Sorri emocionada e assenti para mim mesma.
— Eu sei que sim, Rosalie, você também é como uma irmã. – Passei a mão por meu cabelo. – Eu sinceramente queria conversar com você sobre isso, mas eu ainda preciso concentrar-me em deixar Edward bem, ele está um pouco abalado emocionalmente. Assim que possível, tenho certeza que ele também conversará com você.
— Como eu já disse: Está tudo bem. Mas vocês buscarão Andrew amanhã, certo?
— Claro que sim. É só por hoje que eu preciso que ele fique aí, Edward adormeceu há algum tempo e prefiro que ele descanse, e também não quero sair daqui e deixa-lo sozinho. – Meus olhos foram na direção do topo da escada, como se eu pudesse vê-lo daqui. Suspirei pesadamente, respirando fundo em seguida. – Rose, você pode ajudar-me com uma coisa? – Mordi meus lábios, sentindo meu coração bater fortemente contra meu peito, eu estaria cometendo uma loucura, mas eu faria qualquer coisa para ver Edward bem outra vez. Eu iria ajuda-lo de todas as formas que eu conseguisse.
— Claro que sim, Bella, é só dizer-me. — Toquei meu coração que batia rapidamente e puxei o ar com força, tomando coragem.
— Eu preciso que você não me faça perguntas por agora e nem que queria alguma explicação, por favor.
— Você assusta-me desse jeito, Bella. — Fiz uma careta por transpassar isso para ela. — É algo grave e que você não quer contar-me?
— São algumas suspeitas que eu preciso resolver e tirar da minha cabeça, Rose. Preciso realmente fazer isso. – Joguei a cabeça para trás, respirado profundamente. – Por favor, eu sei que é complicado ajudar-me sem ter alguma base para o que é, mas é necessário que não questione-me sobre isso, ao menos por agora. – Ouvi-a respirar fundo. – Eu juro que lhe explicarei tudo quando tiver total certeza, Rose, eu só quero saber se eu estou certeza ou totalmente maluca com minhas conclusões. – Apertei a ponte do meu nariz, engolindo em seco. – Por favor. – Pedi outra vez e Rosalie suspirou auditivamente, bufando em seguida.
— Eu não consigo negar algo a você. — Soltei minha respiração lentamente, aliviada. – Sei que posso confiar em você, Bella, por mais que me deixe com medo do que irá fazer. — Rolei os olhos ao ouvir uma risada. — Não farei questionamentos por enquanto. — A agradeci. — Peça-me, eu ficarei feliz em ajudar a minha irmã. — Sorri e fechei meus olhos, pedindo veemente que eu estivesse certa sobre as minhas suspeitas.
Edward precisava de algo bom em sua vida, e eu jurava a mim mesma que faria isso acontecer, jamais queria ver a angústia presente no olhar do meu namorado novamente, eu traria a verdade sobre sua vida, não pararia até encontra-la, por mais difícil que pudesse ser. Era imprescindível que Edward fosse feliz, ele mais do que qualquer outra pessoa merecia isso
Tomei uma longa respiração e mesmo sentindo meu coração martelar fortemente, concentrei-me em falar para Rose o que eu precisava. Tiraria tudo a limpo, veria se minhas suspeitas podiam concretizar-se ou eu estava ficando maluca com tudo o que estava vivenciando.
— Pode parecer estranho... – Suspirei com força. — ...entretanto, é essencial que eu tenha o endereço de Esme McCarty.
[...]
— Isso é ridículo. – Resmungou Edward e eu gargalhei juntamente com Andrew, que estava sentado em sua cadeira alta, tomando o café da manhã conosco. Ignorei o resmungo de Edward e passei geleia em mais uma torrada, levando até sua boca, fazendo-o rolar os olhos. – Bella, eu ainda posso alimentar-me sozinho.
— Porém é mais divertido assim. – Pisquei para ele e o mesmo bufou, mas em seguida mordeu a torrada, lambendo sensualmente a geleia que tinha ficado em meu dedo e dessa vez, mandando uma piscadela em minha direção. – Você é um pervertido. – Soquei seu ombro de brincadeira e ele riu, apertando minha coxa.
— Você é quem está em meu colo, querida. – Beijou rapidamente meus lábios, mordendo-os e puxando-os com seus dentes, fazendo-me suspirar quando ele soltou minha boca, sorrindo maliciosamente para mim. – Não culpe-me. – Piscou e deixou um selinho em minha boca, pegando sua xicara e bebericando mais de seu café. Respirei fundo para acalmar-me e olhei para o garoto que comia animado, vendo-o beber todo o seu chocolate, sorrindo para mim em seguida.
— Mamãe, pode preparar mais um pouco de chocolate para mim? – Ri ao ver um bigode de chocolate em seu buço, enquanto o mesmo ria alegremente e esticava-me sua xícara vazia.
— Claro, amor. – Sorri e peguei sua xícara, levantando-me do colo de Edward em seguida, ganhando outro apertão na coxa a tempo, fazendo-me revirar os olhos para ele e ganhar um sorriso em troca.
Fui até a bancada da cozinha e peguei o leite, despejando-o na xícara de Andrew e colocando no micro-ondas. Digitei o tempo e liguei o aparelho, em seguida apoiei-me na bancada e sorri ao olhar Edward e Andrew conversando enquanto tomavam café da manhã, ambos sorrindo divertidos um para o outro, arrancando-me um suspiro. Edward tinha dormido pelo resto da noite de ontem e desde que acordara essa manhã quis ver Andrew no mesmo instante, por mais que eu visse a dor presente em seus olhos, sabia que ter seu filho consigo seria a coisa mais importante para ele, então nós dois tomamos um banho rápido e fomos direito para a casa de Rose buscar nosso garoto, já encontrando-o elétrico às sete da manhã.
Edward mal falou sobre as coisas que tinha acontecido com ele no dia anterior, preferi deixa-lo relaxar com esse assunto, guardando isso no fundo de sua mente por algum tempo. Eu odiava notar seu semblante desolado, mas eu sabia que tocar na ferida seria ainda pior, então preferi entrar em seu jogo, ele fingia que estava tudo normal e sorria o tempo todo para mim, eu adorava ver seu sorriso e sabia que isso estava ajudando-o a esquecer um pouco sobre o assunto deveras complicado, mas eu também tinha certeza que essa alegria dele não era totalmente verdadeira, podia ver isso em seus olhos. Só que se meu namorado preferia ignorar a sua dor e sorrir para Andrew e para mim, sendo alegre conosco, eu deixaria ele ser feliz assim, talvez até fosse melhor ele não ficar relembrando daquilo agora.
Era dessa forma que eu via o quanto Andrew era importante para Edward, desde que viu o garoto essa manhã, abraçou-o de maneira apertada, sorrindo ao ver ele relatar sua noite alegre na casa de sua tia. O pequeno o distraía e era disse que ele estava precisando no momento, sem contar que a alegria de Andrew era contagiante, ninguém conseguia ficar triste com ele por perto. Edward e Andrew faziam bem um para o outro, seus sorrisos demonstravam isso.
Pisquei meus olhos quando o barulho do micro-ondas soou, tirando-me de meus pensamentos. Respirei fundo e empertiguei-me, indo até o aparelho e retirando a xícara fumegante de lá, apoiando-a na bancada. Peguei a lata de chocolate e a colher antes usada, para assim pegar o pó e despejá-lo no leite, mexendo a colher até ficar o chocolate feito. Quando ficou pronto, levei para Andrew e ele sorriu para mim, fazendo-me retribuí-lo e inclinar-me para beijar sua testa.
— Tome devagar, ainda está quente. – Ele assentiu e pegou outro pedaço de bolo, comendo-o com gosto.
Caminhei até Edward e ele sorriu para mim, puxando-me pela cintura e fazendo com que eu caísse em seu colo outra vez, dando-me um beijo na bochecha.
— Adoro o modo como cuida dele. – Sussurrou em meu ouvido e beijou meu pescoço, suspirando contra minha pele. – Você só me faz gostar ainda mais do que temos. – Olhei-o e suspirei com o brilho nas orbes verdes.
— Eu faço tudo com gosto, Edward, adoro vocês dois. – Pisquei e deitei minha cabeça em seu ombro, sentindo-o passar um braço em volta da minha cintura.
— Você não vai comer nada? – Neguei com a cabeça. – Bella... – Repreendeu-me e eu revirei os olhos, inclinando-me para olhá-lo.
— Você sabe que eu não sou muito inclinada em comer pela manhã. – Ele fez uma careta e eu ri, tocando seu queixo. – E pare com isso, eu não como muito. – Seus bonitos olhos reviraram-se.
— E isso é completamente errado, Bella, precisa se alimentar mais.
— Estou bem assim. – Ele arqueou uma sobrancelha e eu ri ignorando-o, voltando a encostar-me em seu ombro.
— Papai. – Andrew chamou-o, porém, meus olhos também dirigiram-se para ele. – Você vai trabalhar hoje? – Questionou curioso.
— Claro que não. – Respondi por Edward, fazendo-o olhar-me outra vez com uma sobrancelha arqueada. Bufei com seu olhar e cutuquei suas costelas, revirando meus olhos. – Fala sério, Edward, você nem pense em sair desse apartamento hoje. – O mesmo bufou. – E não adianta resmungar sobre isso.
— Você trata-me como se eu fosse seu filho. – Olhou-me indignado e eu respirei fundo.
— Estou cuidando do meu namorado, sabe muito bem que precisa descansar depois de ontem. – Seus olhos reviraram-se. – Edward! – Grunhi e segurei seu queixo. – Por favor, sabe que eu tenho razão quanto a isto.
— Odeio faltar ao trabalho.
— Mas hoje é necessário. – Andrew soltou uma risada e eu olhei-o confusa. – Por que está rindo, querido? – Ele balançou sua cabeça, sorridente.
— Vocês parecem marido e mulher. – Gargalhou com vontade, bebericando seu chocolate em seguida. Olhei para Edward no mesmo instante que ele me olhou, ambos medindo um ao outro. Suspirei com as palavras do garoto e resolvi não comentar isso, tinha tantas coisas que eu precisava resolver em minha mente, os sentimentos que eu sentia por Edward pareciam querer ultrapassar qualquer limite, eram fortes demais e eu nem conseguia reconhece-los direito.
Antes que qualquer um falasse alguma coisa, senti meu celular vibrando no bolso do meu casaco. Puxei o aparelho e desbloqueei a tela, saindo rapidamente do colo de Edward ao ver que era uma mensagem de Rosalie.
“Esse é o endereço de Esme. Eu o mandei agora porque sei que ela está sozinha em casa, pelo jeito que conversou comigo ontem acho que iria preferir conversar somente com ela. Emmett está comigo e Carlisle no serviço, vocês terão algum tempo para se falar.
Eu não sei o que está fazendo, Bella, mas eu confio plenamente em suas escolhas. Só tenha cuidado com tudo.
Te amo,
Rose. ”
Sorri lendo a mensagem de minha irmã e mandei-lhe um obrigada, suspirando ao sentir meu coração começar a dar sinais de palpitações erráticas. Eu tinha que ter coragem e ir desvendar isso, como eu já tinha dito, eu poderia estar completamente louca e errando feio em minhas suspeitas, mas não custava absolutamente nada eu ao menos tentar.
— O que foi, Bella? – Virei-me em direção de Edward, vendo-o em pé, próximo de mim. Ele franziu o cenho. – Está tudo bem? – Respirei fundo e assenti.
— Está sim, mas eu vou precisar sair. – Sua sobrancelha arqueou-se em confusão.
— Pensei que ficaria comigo e Andrew pelo resto do dia, afinal, não quis deixar-me ir para a Editora. – Sorriu zombeteiro e eu ri ao aproximar-me dele, minhas mãos indo para seus ombros.
— Eu vou voltar para cá mais tarde, só que Rose precisa de mim imediatamente. – Merda, odiava mentir para Edward, sentia-me mal com isso, só que eu tinha que ter certeza para conversar com ele sobre isso. Se eu estivesse certa ou errada falaria com ele, mas só depois que eu soubesse a verdade. – Eu realmente tenho que ir. – Engoli em seco e olhei-o nos olhos, vendo-o semicerrá-los. – Edward... – Choraminguei e ele respirou fundo.
— Por que parece que você está mentindo ou omitindo alguma coisa? – Deitei minha cabeça em seu peito e o senti abraçar-me. – Não gosto que escondam as coisas de mim, Bella. – Respirou fundo. – Por favor, não minta para mim.
— Eu não estou. – Fechei meus olhos, suspirando. – Rose acabou de mandar-me uma mensagem, ela quer me ajudar em algumas coisas para a Faculdade, eu começo logo as aulas. – Me desculpe, Edward. Mentir era a pior coisa que eu estava fazendo, só que era necessário e ele entenderia isso depois. – Eu prometo que volto assim que acabar tudo. – Afastei-me e sorri para ele, sentindo suas mãos em minha cintura.
— Tudo bem. – Soltou o ar lentamente, encostando sua testa na minha. – Aproveite e passe em seu apartamento para pegar algumas roupas, preciso que passe mais uma noite comigo. – Fechou os olhos. – Sua presença está tornando-se vital para mim. – Seus olhos abriram-se e encontraram-se com os meus. Deus, existia tantas verdades e tantos sentimentos nas esmeraldas de seu olhar que meu corpo estremeceu-se com a intensidade.
— Não é diferente comigo. – Toquei seu rosto, respirando fundo. – Confesso que até tenho medo de toda essa intensidade, Edward. – Expressei, nossos olhos interligados. – É assustador. – Sussurrei e ele assentiu, sua mão subindo para meu rosto.
— Eu sei que sim. – Deu-me um selinho.
— A mamãe vai sair? – Viramos em direção a Andrew e ele ainda tomava seu chocolate, olhando-nos de forma curiosa. – Pensei que passaríamos o dia juntos. – Arqueou uma sobrancelha assim como seu pai e eu ri, afastando-me do abraço de Edward e indo até ele, parando perto de sua cadeira alta e acariciando seu cabelo loiro.
— Eu só preciso ir ver algumas coisas com a tia Rose, ela acabou de me mandar uma mensagem. Só que assim que fizermos tudo o que precisamos, irei voltar para cá. – Pisquei em sua direção, movendo minhas mãos pelos fios loiros. – Até passarei outra noite aqui. – Confidenciei como se fosse um segredo e um sorriso brilhante surgiu em seus lábios, arrancando um sorriso de mim.
— Sério mesmo? – Moveu-se animado na cadeira alta e eu assenti rindo.
— Claro que sim. Vou sair com Rose, buscarei algumas roupas em minha casa e logo voltarei para cá. – Sorri ao ver a animação em seu olhar. – Então poderemos brincar um monte, hein?
— Com certeza! – Sorriu abertamente. – Eu até pedirei para meu pai arrumar todos os meus filmes de super heróis, aí poderemos terminar de assisti-los juntos, assim como a mamãe tinha me prometido. – Virei-me para Edward e ele riu revirando seus olhos. Andrew e seus filmes de heróis. Voltei a olhar para meu filho e ele encarava-me ansiosamente, como se me pedisse veemente para concordar com seus planos.
— Por mim tudo bem. – Ele gritou animado.
— Isso! – Gargalhei e inclinei-me, beijando demoradamente seu rosto. – Você já vai? – Perguntou assim que eu me afastei.
— Vou, quanto mais rápido eu for, mas rápido voltarei. – Sorri para ele. – Termine de tomar seu café devagar e depois distraía o papai, ele precisa de um pouco de diversão. – Segredei a última parte e ele abriu um sorriso ainda maior, assentindo para mim.
— Pode deixar. Vá com cuidado, mãe. – Abracei-o rapidamente e em seguida olhei para Edward, vendo-o respirar fundo.
Despedi-me outra vez de Andrew e caminhei até o elevador, apertando o botão para chama-lo. Ouvi os passos de Edward aproximando-se e logo eu estava em seus braços, recebendo seus beijos delirantes. Abracei-o com força e retribuí ao seu beijo avassalador, movendo meus lábios contra os seus com pressa, suspirando ao sentir sua língua invadir minha boca. Seus braços apertaram-me contra seu corpo e eu agarrei os fios cobres, apertando seu cabelo contra meus dedos conforme eu era guiada pela ferocidade de sua boca.
— Tenha cuidado. – Soltou meus lábios, falando ofegante. Ainda agarrada a ele eu abri meus olhos e deparei-me com a luxúria presente em suas orbes. – A noite você é só minha. – Sorriu maliciosamente e engoli em seco com a promessa evidente em seus olhos e em sua voz, suspirando alto em seguida.
— O que você quiser. – Sussurrei e inclinei-me para beijá-lo outra vez.
Soltei-me de Edward quando o elevador chegou. Dei um selinho rápido nele e entrei na caixa de metal, acenando em sua direção e ganhando um sorriso torto em troca. Apertei o botão do térreo e sorri para meu namorado quando as portas fecharam-se, fazendo-me ir até o fundo e encostar-me no espelho do elevador.
Respirei fundo e peguei meu celular, ligando rapidamente para uma companhia de táxis. Rosalie tinha deixado o número em minha agenda e apesar de ser um pouco caro pagar táxi do centro até o bairro onde Emmett morava, era mais fácil para que eu chegasse até lá e não tinha perigo de eu perder-me. O motorista disse-me que estaria aqui em cinco minutos e eu o agradeci, desligando a chamada, para em seguida digitar rapidamente o telefone de Rose.
— Bella? — Chamou-me confusa.
— Oi. – Suspirei, olhando para o painel luminoso do elevador. – Eu só liguei para dizer que estou indo até a casa de Esme.
— Tudo bem, espero que encontre o que está buscando, querida. — Sorri.
— Obrigada, Rosalie, sabe, por ajudar-me e não pedir explicações, por mais confuso que seja. – Ouvi sua risada.
— Eu sei que você tem certeza das coisas que faz, Bella, confio em você. — Suspirou. — Só tenha cuidado, tudo bem?
— Eu vou ter. – Respirei fundo. – Ah! E se Edward ligar em minha procura, invente alguma coisa, por favor, eu disse que estava indo ver algumas coisas sobre a Faculdade com você. – Ouvia-a soltar um muxoxo.
— Está mentindo para ele, Bella?
— Estou odiando fazer isso, eu juro, só que ele não pode saber o que eu estou fazendo, ao menos por enquanto. – Engoli em seco. – Eu sei que é horrível mentir para ele, estou mal por ter feito isso, mas eu sei que é necessário. Preciso ter todas as respostas antes de conversar com você e ainda mais com ele. – Ela soltou um longo suspiro.
— Eu vou respeitar isso, porque eu sei que você tem consciência. Mas por favor, eu vi no olhar de Edward que ele confia cegamente em você e vocês dois tem uma relação que eu jamais saberia explicar, então não acabe com isso por causa de mentiras, converse logo com ele. — Fechei meus olhos e assenti para o nada, respirando profundamente ao ouvir suas palavras. Ela estava coberta de razão, eu conversaria com Edward ainda essa noite sobre minhas desconfianças, só que era como eu tinha dito, primeiro precisava saber se eu estava certa ou errada.
— Eu farei tudo certo, Rose, pode ter certeza. – Murmurei. – Não vou acabar com tudo, só que o que eu estou fazendo realmente é necessário, por mais que não consiga entender isso agora. – Ela concordou. – Me desculpe pelas mentiras.
— Só faça o que precisa ser feito, Bella. Descubra o que precisa, mas converse com ele depois.
— Eu vou. Obrigada por me ajudar, mesmo.
— Sempre que precisar, querida. — Pude senti-la sorrir. – Eu te amo.
— Também te amo, Rose.
Me despedi de minha irmã e coloquei o celular no bolso do meu casaco, encostando minha cabeça no espelho do elevador para respirar fundo. Odiava mentiras, contudo essa era necessária, me explicaria para Edward mais tarde.
O que eu precisava agora era conversar com Esme McCarty e descobrir tudo o que eu precisava. Eu faria Edward feliz novamente, tiraria qualquer insegurança dele, daria a vida que ele sempre mereceu.
[...]
Fechei a porta do táxi e o motorista deu partida no carro, dirigindo para longe. Suspirei e virei-me para a pequena casa em minha frente e sorri ao olhá-la, apesar de tudo o que falavam de Brooklyn, aqui parecia um bairro como qualquer outro, e a casa de Emmett e seus pais, apesar de ser pequena, era bem organizada em sua fachada e possuía um bonito canteiro em sua frente.
Tomei uma longa respiração para buscar coragem dentro de mim, fechando meus olhos por breves instantes. Todo meu corpo estremecia com as possibilidades dessa conversa que eu teria com Esme, assim como meu peito apertando-se em angústia do que viria daqui para frente. Meu coração estava desfreado, batendo intensivamente contra minha caixa torácica, tirando-me um pouco o ar por causa da força.
Inspirei e expirei o ar algumas vezes. Assim que acalmei-me um pouco, pus-me a caminhar até a entrada da casa, parando em frente a porta e erguendo minha mão lentamente. Voltei a cerrar os olhos e contei mentalmente até dez, buscando toda a minha coragem dentro de mim.
— Vamos, Bella, se acalme e faça tudo o que for possível. Você está fazendo isso por Edward, ele merece, ele é o homem mais perfeito que existe. E você sabe que ele precisa saber da verdade, e você está aqui para tirá-lo da escuridão, ajudando-o a caminhar de volta para a luz.
Engoli em seco algumas vezes e tomando uma longa lufada de ar, finalmente dei três batidas na porta. Coloquei minhas mãos em frente ao meu corpo e juntei-as, torcendo meus dedos entre si. Pude ouvir alguns passos aproximando-se e eu puxei uma longa baforada de ar, no mesmo momento que ouvi a tranca sendo tirada e a porta abrindo-se logo em seguida.
Assim que a porta abriu-se, a bonita mulher do dia anterior foi revelada. Engoli em seco outra vez quando vi Esme aparecer elegantemente em minha frente, mesmo que usasse roupas simples, ela tinha sua formosura própria. Meus olhos correram por seu rosto e cabelo e eu estremeci de reconhecimento, vendo toda a aparência de Edward naquela mulher, os olhos eram a coisa mais parecida entre eles, meu coração até começava a bater ainda mais descompassadamente com o que eu via.
Deus, eram tão parecidos.
Por favor, que eu esteja certa.
Esme olhou-me com uma sobrancelha arqueada, porém aquele bonito sorriso doce formou-se em seus lábios, conforme os olhos verdes encaravam-me curiosamente. Sorri para ela e suspirei.
— Tenho certeza que você não esperava me ver por aqui. – Soltei uma risadinha.
— Não mesmo, mas é ótimo recebe-la, querida. – Aproximou-se de mim e beijou carinhosamente minha bochecha. – Por favor, entre e me faça companhia. Carlisle está no serviço e Emmett provavelmente com sua namorada, ele não desgruda mais dela. – Falou sonhadoramente e eu sorri para ela, sentindo seu braço em minha cintura conforme ela entrava em sua casa comigo. – É maravilhoso receber sua visita, Bella, fico muito feliz que tenha vindo até aqui. – Fechou a porta e me encaminhou até a pequena sala, indicando o sofá. – Sente-se.
— Obrigada. – Ajeitei-me no sofá de dois lugares e Esme sorriu para mim.
— Quer que eu lhe faça um café?
— Oh, não é necessário, Esme, obrigada. – Balancei a cabeça. – Um copo de água está ótimo.
— Claro, eu já irei trazer para você, só um minuto. – Assenti para ela e a vi caminhar rapidamente até a cozinha.
Respirei fundo e olhei em volta da pequena casa. Seu tamanho era um pouco maior que meu apartamento, mas era tudo tão organizado e decorado, parecia um ambiente tão familiar que fazia-me suspirar com isso.
Esme logo voltou com meu copo de água e eu a agradeci, bebericando rapidamente o líquido. Devolvi-lhe o copo e ela o apoiou na mesinha de centro, vindo para meu lado e sentando-se no sofá, ajeitando a saia em seu colo, olhando-me com um bonito sorriso.
— Confesso que estou curiosa com sua presença, Bella. – Riu. – Adorei recebe-la, pode ter certeza, você parece uma garota incrível. – Olhei-a emocionada e sorri timidamente.
— Obrigada, Esme. – Ela sorriu para mim e eu mordi meu lábio inferior. – Ontem nem tivemos tempo de conversar. – Ela suspirou assentindo, então olhou para seu colo, brincando com a barra de sua saia.
— Eu não estava me sentindo bem, desculpe-me, precisei mesmo que Carlisle trouxesse-me para casa. – Seus olhos ergueram-se para mim. – O nome que citou não traz-me boas lembranças. – Deu um sorriso triste e meu coração deu um solavanco, fazendo-me respirar fundo para acalmar-me outra vez, parecia que uma avalanche de emoções estava caindo sobre mim.
— Carlisle citou algo sobre o tio avô de Emmett. – Uma pequena careta formou-se em seu rosto, todavia ela sorriu minimamente, assentindo em seguida. Suspirei ao ver a mentira em seu olhar e virei-me de frente para ela, aproximando-me um pouco e puxando suas mãos geladas para mim. Esme olhou-me confusa e eu olhei para nossas mãos juntas, puxando meu ar com força. – Esme, eu confesso que minha visita tem um propósito. – Voltei a olhá-la. – Talvez em esteja sendo errônea, mas eu vi a maneira abalada que ficou quando foi citado o nome de Edward. – Seus olhos fecharam-se e a vi engolir em seco, fazendo-me suspirar para segurar as lágrimas que ameaçavam aparecer. – Emmett disse-me vagamente sobre algo que aconteceu com os pais dele, algo amargurado que ele não sabe. – A vi arregalar os olhos. – Mas ele disse também que você o vê como um milagre. Com isso, e mais outras coisas, eu comecei a... suspeitar de algo.
— Aonde você quer chegar, Bella? – Seus olhos lacrimejaram-se e eu pigarreei para encontrar minha voz, estava doendo-me a maneira triste que Esme olhava-me.
— Eu já disse que posso estar completamente errada, Esme, só que pelas coisas que Emmett falou e pelo jeito que eu a vi ontem, eu penso que você pode ter tido outro filho. – Minha voz foi morrendo aos poucos conforme eu a olhava nos olhos, aquele verde maltratando-me com tanta familiaridade. Senti as mãos dela apertarem as minhas com força e duas lágrimas caíram em seu bonito rosto em formato de coração, molhando sua face enquanto ela mantinha nossos olhos interligados. – Você teve, não é? – A pergunta saiu fracamente da minha boca. Eu a vi cerrar seus olhos e outras lágrimas caíram por seu rosto, fazendo resfolegar pela dor que aquilo estava causando-me, da mesma maneira que causava quando eu via Edward mal. – Esme, por favor, converse comigo. – A chamei. – Eu sei que não nos conhecemos, e também sei que não deveria estar atormentando você sobre isso, posso ver o quanto fica abalada. – Ela voltou a encarar-me. – Só que eu tenho que saber, pode ser estranho e eu posso parecer completamente louca, contudo confie em mim e conte-me o que jamais conseguiu falar com ninguém. Eu te peço, por favor, por favor converse comigo. — Supliquei-lhe, olhando-a com meus olhos marejados pela intensidade das coisas que eu sentia.
— Você está transmitindo-me tanta confiança, Bella. – Franziu o cenho. – Eu estou ficando apavorada com a intensidade de tudo isso.
— Eu sei como é, Esme, entendo-lhe completamente. – Seus dedos apertaram os meus e eu suspirei. – Eu preciso saber disso, tem algo dentro de mim que clama por saber a verdade e só você pode me ajudar com isso. – Engoli em seco. – Eu te prometo que explicarei tudo o que está acontecendo, mas primeiro eu tenho que ouvir sua história, eu tenho que saber se eu estou caminhando pela rota correta.
A minha voz saía como súplicas e outra vez Esme fechou os olhos, era como se ela estivesse barrando as lágrimas, no entanto elas deslizavam-se por seu rosto da mesma maneira. Eu segurava o meu próprio choro, porém não conseguia segurar a intensidade de sentimentos que estavam assolando-me no momento, meu coração batendo erraticamente como se esperasse algo concreto, a dor da incerteza preenchia-me, eu queria tanto estar correta, queria tanto tirar a amargura que Esme parecia sentir, e o que mais desejava era ajudar o homem que merecia toda a felicidade em sua vida.
— Eu fiquei grávida quando Emmett estava com um ano de idade. – Meus olhos ergueram-se para os seus, surpresa quando ela começou a falar depois de minutos em silencio. – Carlisle e eu ficamos exultantes com a notícia, e mesmo que Emm não entendesse nada ainda, ele parecia alegre com tudo. – Riu chorosa. – Nós três passávamos todos os dias cuidando da minha barriga, sempre verificando se algo de novo estava acontecendo. – Outra lágrima deslizou nela. – Por mais precária que fosse nossa situação, Carlisle e eu fazíamos de tudo para cuidar daquela gravidez, íamos a bons médicos e sempre verificávamos a saúde do mais novo membro da família McCarty. A nossa felicidade era enorme, parecia ser contagiante para todos, porque sempre sorriam para nós na rua e até os médicos comentavam o quanto aquela criança seria amada, assim como Emmett que sempre estava conosco, sorrindo para tudo e para todos. – Sorri para ela e estiquei uma mão, tirando as lágrimas do bonito rosto. Esme suspirou e vi a amargura encher-se em seus olhos. – Tudo ia otimamente bem, já sabíamos que o sexo era masculino e Carlisle e Emmett escolheram o nome que mais adoravam: Edward. – Meu peito apertou-se e eu fechei meus olhos por algum tempo, tentando absorver tudo aquilo. – Era o nome do tio avô de Emmett, todos amamos esse nome para o pequeno bebê que nasceria dali a alguns meses, assim como meu pai que gabava-se por ter uma homenagem ao seu nome. – Soluçou e eu reabri meus olhos, pegando um vislumbre de Esme secando seu rosto, respirando profundamente para acalmar-se. – Estava tudo perfeito, até que uma enfermeira começou a cuidar do meu caso. – Um alerta ascendeu-se em minha mente e eu olhei estupefata para ela.
— Não diga-me que ela chamava-se Elizabeth. – Seus olhos assustados pararam em mim e eu abri a minha boca em choque quando eu pude visualizar a resposta em seu olhar. – Chamava-se? – Perguntei em um fio de voz e ela assentiu lentamente.
— Elizabeth M. Smith. – Respondeu-me. – Nunca soube seu nome do meio. – Estremeci ao pensar que poderia ter sido Masen, o que era quase verídico. – Enfim... – Suspirou lentamente. – Elizabeth foi designada a cuidar de mim, porém conforme eu conversava com ela, eu via que suas palavras nunca eram verdadeiras e notava que ela sempre estava destilando algum tipo de veneno sobre mim ou sobre a minha família. – Engoliu em seco. – Eu passei a ignorar, porque provavelmente era coisa da minha cabeça, estava perto de entrar em trabalho de parto e meu médico disse-me que meus hormônios estavam um pouco complicados. – Riu amarguradamente. – Eu fui em um dia no hospital, porque estava sentindo dores de parto, mas era um alarme falso. Só que Elizabeth tomou-me o tempo, assim que fui liberada, ela veio fazendo sugestões completamente confusas, até que disse-me claramente que queria meu bebê, assim que eu o tivesse. – Minha boca abriu-se lentamente com o choque, meus olhos arregalando-se pelo pavor, as peças montavam-se um quebra-cabeça imaginário em minha mente. Tudo estava se encaixando. – Eu neguei e fiquei furiosa com aquela insinuação, tanto que eu pedi imediatamente que ela fosse retirada como minha enfermeira, não a queria cuidando de mim ou do meu pequeno Edward. – Resfoleguei e coloquei uma mão em meu peito, sentindo a dor invadindo-me. Esme olhou-me atentamente, seu cenho franzindo-se. – Você está sentindo alguma coisa, Bella?
— Nada com o que preocupar-se. – Falei ofegante, puxando meu ar lentamente. – Por favor, continue a falar. – Meus olhos encontraram-se com os seus. – Eu sei que pode estar sendo difícil e doloroso para você falar sobre isso, Esme, mas eu preciso que termine a história.
— Pouco mais de duas semanas depois eu entrei em trabalho de parto. – As lágrimas voltaram com força total para seus olhos, derramando-se uma após a outra. – Meu marido e eu estávamos tão contentes, Bella, chorávamos e ríamos de alegria porque aquele dia esperado tinha chegado, até Emmett gargalhava animado com a possibilidade de ver seu novo irmão. – Soluçou balançando a cabeça. – Eu tive um parto normal, ouvi o choro do meu filho e até o peguei por algum tempo em meu colo, assim como Carlisle que chorava e agradecia-me o tempo todo pelo novo filho completamente saudável. – Abaixou a cabeça, seus ombros movendo-se conforme ela chorava. A dor pulsava em mim e eu apertei a sua mão que ainda estava na minha, tentando dar-lhe alguma força. Funguei e olhei atentamente para seu cabelo praticamente ruivo, os tons eram cobres também. Resfoleguei outra vez, inspirando e expirando em seguida, Edward aparecia em minha mente e seu cabelo chamava-me a atenção como sempre, a cor completamente igual ao da mulher que chorava desesperada em minha frente. – Eu adormeci algum tempo depois. – Sobressaltei-me com sua voz e ajeitei-me no sofá, ouvindo-a atentamente. – Quando eu acordei, os médicos e enfermeiros estavam em minha sala, assim como Carlisle que chorava desoladamente, os olhos vermelhos por causa do choro. – Sua cabeça ergueu-se novamente e a vi abrir os olhos lentamente, a dor ficando evidente nos olhos incrivelmente esverdeados. – Um enfermeiro que eu não conhecia deu-me a terrível notícia: Edward tinha morrido logo após seu nascimento. – Soluçou desesperadamente. – O homem falou-me que ele tinha ficado fraco e sua respiração parou, fazendo-o morrer asfixiado. Meu filho morreu, Bella, sem nem que eu tivesse tempo de embalá-lo em meu colo e falar o quanto eu estava feliz por ganha-lo, o quanto eu já o amava. Ele morreu.
— Esme. – Aproximei-me rapidamente dela e puxei-a para meus braços, sentindo-a deitar sua cabeça em meu ombro. Eu não aguentei mais todo aquele ímpeto de sentimentos, nem o alento da dor que eu estava sentimento, então as lágrimas que eu segurava com toda a força deslizaram-se com força em meu rosto, caindo em Esme, assim como eu sentia as delas caírem em mim.
Solucei juntamente com a mulher despedaçada que abraçava-me com força, seus braços finos apertando-me, tentando buscar alguma força para si. Fechei meus olhos e apoiei meu rosto em seu ombro também, chorando toda a dor que apoderava-se de dentro para fora em mim, intensivamente. Esfreguei as costas de Esme e funguei contra sua blusa, soluçando com meu choro sofrido.
Eu não tinha mais dúvidas. A minha desconfiança era verdadeira, eu não precisava de mais nada para comprovar isso, ainda mais porque eu sabia que a Elizabeth que Esme tinha citado era a mesma que eu conhecia, o sobrenome Smith poderia existir ou não, mas o M não falado era obviamente de Masen, não tinha como deixar isso passar, não depois que eu vi como ela e a porcaria de seu marido poderiam ser cruéis, indo sempre em busca do que mais os favorecia. E o enfermeiro desconhecido só poderia ser Anthony, apesar de Esme não ter citado nada sobre sua característica ou o nome que ele tinha lhe informado, algo dentro de mim dizia que era progenitor de Edward, eu sentia isso no fundo do meu coração. Eu sabia que poderia enganar-me e que a aparência que Edward tinha com Esme ou o jeito de Carlisle parecido com o de meu namorado poderiam ser apenas coincidências, mas depois de tudo o que eu ouvi da mulher que ainda chorava em meus braços, não tinha como eu estar enganando-me quanto à isto.
A verdade estava na frente de meus olhos, e de certa forma doía saber que eu estava correta, porque além de Elizabeth e Anthony terem feito a vida toda de Edward um inferno completo, eles também tinham infernizado a vida de Esme e Carlisle, dando-lhes um luto que não havia acontecido, tirando deles uma parte da família que almejavam construir, arrancando o fruto do amor deles, roubando-lhes um filho. O filho que estavam tão animados para conhecer, o irmão que Emmett, apesar de tão novo, parecia mais do que entusiasmo para conhecer. Um pedaço da família deles tinha sido tirado, e eu sabia que Esme nunca havia superado isso, não depois do jeito que eu a vi ficar quando chorou desalentada para Carlisle ontem, só de ouvir o nome Edward ser mencionado ela caiu na dor que a perseguia há vinte e nove anos.
— Eu penso nele todos os dias, Bella. – Senti seus braços afrouxarem-se em mim, para que ela se separasse e olhasse em meus olhos. – Sempre que vou dormir eu dou boa noite para o garoto que eu jamais conheci. – Uma lágrima caiu em meu rosto e ela fungou. – Esse ano ele completaria trinta anos, sabe o que é isso, querida? – Segurou em minhas mãos e eu balancei a cabeça. – Quase trinta anos de sofrimento pelo meu pequeno garoto. – Derramou mais lágrimas, sendo seguida por mim. – Eu nunca consegui superar isso, sempre penso nele, é uma ligação que eu nunca, nunca mesmo entenderei. Eu já o perdi há quase trinta anos. – Nossos olhos firmaram-se um no outro. – Carlisle tenta ser forte, você viu ontem, ele queria ajudar-me. – Assenti. – Entretanto, ele também não é completamente cicatrizando dessa dor, eu sei que não, ele não demonstra para mim para que eu não sofra mais, só que eu sei que ele também pensa em nosso filho sempre, desejando que ele estivesse conosco. – Fungou. – Eu penso, como ele estaria se tivesse sobrevivido? – Fechei meus olhos para deter um pouco do meu choro, meu coração batia fortemente, tão forte que parecia tirar-me o ar. Como eu falaria que seu filho tinha se tornado um homem de sucesso? Que ele era o melhor dos homens, e que merecia ganhar tudo o que desejava, porque apesar de sofrer o inimaginável, reconstruiu sua vida e ainda adotou um menino para dar-lhe a chance de ter um amor familiar? Como eu lhe diria que Edward Cullen era o ser mais perfeito que existia? E o mais importante: Que ele estava vivo e havia sofrido sua vida inteira, tendo progenitores mandados do inferno para ele?
— Emmett não lembra-se disso, não é? – Chamei sua atenção, para que dessa forma ela distraísse e eu também fosse tirada de meus pensamentos pesados.
— Com certeza não. – Respirou fundo, soltando uma mão minha e secando seu rosto que estava borrado com a maquiagem. – Ele era só um garotinho de um ano de idade naquela época, então não sabe sobre o que passou e o que nós passamos. – Suspirou. – Ele sofreu na época, chorava bastante por não ter o irmão que desejava tanto conhecer. Só que com o passar dos anos isso foi sumindo da cabeça dele e tanto Carlisle, quanto eu, achamos que seria melhor para ele, crescer sem a sombra daquela dor nele. – Assenti em acordo e estiquei minha mão, limpando os vestígios de lágrimas de seu rosto, tirando o borrado preto. Ela sorriu amavelmente para mim e a familiaridade daquele sorriso atingiu-me com força.
— O que aconteceu? – Tanto Esme, quanto eu, pulamos assustadas no sofá e olhamos em direção da porta, vendo Carlisle passar por ela e olhar apavorado para nós. Ao ver o quanto sua mulher tinha chorado, ele fechou a porta e correu até o sofá, ajoelhando-se em frente à Esme. – Amor, o você tem? Está sentindo algo? Por que chorou dessa maneira? Por favor, por favor, não me deixe angustiado dessa forma. – Falou tudo de uma vez, ofegando no final da frase. A ruiva suspirou e ficou de pé, tocando o rosto do marido.
— Eu só contei nossa história para Bella. – O loiro franziu o cenho e passou a mão pelos fios de seu cabelo, olhando-me completamente confuso. Passei minha mão direita por meu braço esquerdo ao sentir-me arrepiar com força ao ver Carlisle realizar aquele gesto que era tão... Edward. Puxei meu ar com força e levantei-me do meu lugar, esfregando meu rosto, sentindo minhas mãos trêmulas.
— Por quê? – A pergunta soou alta e ela deu de ombros.
— Eu precisei, amor, você não viu o quanto ela pediu-me por isso. Bella sabia de alguma forma, que havíamos tido outro filho. – Ela suspirou sendo abraçada de lado por Carslile, seus olhos vindo em minha direção novamente. – Mas eu te pergunto, Bella, como sabia disso? Por que sentiu-se tão comovida com tudo? Parece tanto que passou por isso ao nosso lado, olhe como chorou, eu... eu via o desespero em seus olhos. – Eu suspirei longamente e passei meus dedos por debaixo de meus olhos, não deixando que as lágrimas saíssem novamente.
— Por favor, eu preciso que escutem-me com muita atenção. – Segurei nas mãos deles, peguei uma de Esme e uma de Carlisle. Guiei-os para o sofá e os fiz sentar-se, ficando de frente para eles. Continuei segurando em suas mãos, sentindo as minhas tremerem em contato com as deles. Os dois pares de olhos acompanhavam todos os meus movimentos, olhando-me de forma atenta. – Sim, eu suspeitava que vocês tiveram outro filho. – Senti um nó em minha garganta e respirei fundo. – Desde que eu vi Emmett pela primeira vez, eu comecei a sentir coisas em relação a ele. – Estremeci só de lembrar-me por tudo o que eu passei ao lado do namorado de Rose, assim como eu passei ao lado do casal que me fazia arrepiar nesse momento, toda a familiaridade ali, fazendo-me lembrar o quanto eu estava correta, o quanto a verdade parecia tão... dolorosa. – Eu o olhava e sentia algo estranho emanando dele, aquilo me fazia arrepiar, estremecer e meu peito apertava-se com o que eu sentia. – Narrei tudo o que eu sentia, ambos olhando atentamente para mim, a ansiedade nos olhos verdes e azuis. – Eu não sabia o que era e confesso que assustava-me demais, o fervor de meus sentimentos era enorme e eu não posso dizer que não abalava-me, eu ficava a todo momento pensando no que isso poderia significar. – Funguei e já podia sentir meus olhos encherem-se de lágrimas outra vez, eu queria tanto descobrir o porquê eu sentir essas coisas e agora eu sabia o motivo de tudo. – E então, eu fui na casa de Rose no dia que vocês foram lá, conhecendo-os também. – Uma lágrima caiu e ambos olharam-me apavorados, mas eu apenas balancei a cabeça, pedindo para que eles continuassem sentados. – Aqueles sentimentos retornaram assim que eu os olhei pela primeira vez, porém era muito mais forte quando eu os olhava, ainda mais quando eu comecei a perceber a aparência de cada um. – Solucei baixinho. – Esme, seus olhos verdes, o cabelo praticamente ruivo. – Fechei meus olhos. – E Carlisle, o seu sorriso, o modo que você se comportava. – Movi minha cabeça, engolindo em seco quando eu voltei a olhá-los. – Eu estava cada vez mais alarmada com isso, eu sentia um aperto no peito e sentimentos tão confusos que pareciam assombrosos para mim. Não fazia ideia do que isso estava tornando-se, não percebia a que proporções poderia chegar.
— Bella... sente-se, você não parece bem. – Carlisle falou, tentando dar-me lugar. Neguei com a cabeça e ele olhou-me solidário. – Por favor, sente-se.
— Eu prefiro deixa-los sentados. – O cenho dele franziu-se e vi Esme arquear uma sobrancelha, uma mão dela indo até seu peito. Puxei minha respiração, tentando me concentrar. – Eu deixei isso passar pelo resto do dia, afinal, eu não conseguia desvendar nada disso. – Ri incrédula, deixando mais uma lágrima escorregar em meu rosto. – Então meu namorado, no final do dia, tinha ligado avisando que buscaria a mim e ao Andrew. Mas ele começou a atrasar-se muito, e como eu fiquei preocupada, resolvi ir atrás dele. – Funguei. – Eu fui até o apartamento dele, e assim que cheguei lá, encontrei Emmett. – Os vi arregalarem os olhos. – Ele não fazia ideia do que tinha acontecido com Edward. – Vi Esme ofegar com a menção do nome e Carlisle abraçou-a pela ombro, fazendo-a deitar sua cabeça no peito dele. – Emmett só me explicou que encontrou Edward estacionado no meio fio, parecendo desolado e perdido com tudo. Eu o agradeci e subi para ver o que tinha acontecido com meu namorado, e então ele chorou em meu ombro. – Solucei. – Olhava-me desesperado, com uma mistura de alivio, e então contou-me que descobriu que as pessoas que o tinham feito sofrer sua vida inteira, não eram seus pais biológicos. – Esme empertigou-se no lado do marido e a vi olhar-me com seus olhos choros, arregalando-os. – Eu só cuidei dele, Edward parecia tão aflito, só que conforme eu ia olhando-o, eu comecei a ver as semelhanças. – Inspirei o ar com força, expirando-o em seguida. – Comecei a comparar a aparência dele com a de Esme, e então comecei a ver as manias que ele tinha, comparando-as com a de Carlisle. – Engoli em seco. – Parecem tão idênticos. – Confessei e Esme soluçou ficando de pé, suas mãos trêmulas vieram para meu rosto e eu chorei junto com ela, vendo suas lágrimas caindo desesperadas. Carlisle se colocou de pé atrás dela e também olhou-me cheio de aflição, as lágrimas enchendo-se em seus olhos claros.
— Bella... Bella... – Esme balançou a cabeça, soluçando ao olhar-me nos olhos. – Me diz... diga-me que é o que eu estou pensando. – Ela colocou uma mão em seu peito. – Me fale que o que eu estou sentindo é verdadeiro, que você foi colocada em nossas vidas para trazer a certeza, para que nos tirasse dessa escuridão e de todo esse sofrimento. – Apertei nossos dedos juntos.
— Não tem como negar, Esme. Carlisle. – Olhei para ambos, minhas mãos trêmulas sendo seguradas por eles. Respirei profundamente, engolindo em seco em seguida. – Eu precisei vir e ouvir a história de vocês, precisei descobrir se eu estava certa que vocês tiveram outro filho. – Esme olhou-me atentamente e eu cerrei os olhos, suspirando alto. – Após tudo o que disse-me, eu tenho toda certeza que eu estava correta: Edward é filho de vocês.
“Continua...”
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