Never It's Late.
14 Essa é a nossa vida.
Notas iniciais
Essa é a nossa vida.
Pov Bella.
Girei pela cama, espreguiçando-me e bocejando conforme eu esticava meus músculos. Devagar eu fui abrindo meus olhos e os esfreguei, soltando um longo suspiro quando dei-me conta de onde eu estava e lembrando-me de cada coisa que aconteceu no dia anterior. Como um dia podia ter começado tão perfeito e dado tão errado em seu decorrer?
Ainda não fazia sentido como uma mulher que se dizia mãe podia divertir-se tanto com a dor que seu filho passou na infância, sempre tendo um brilho macabro no olhar e um sorriso vitorioso, porém nojento de tão arrogante que chegava a ser. Eu realmente não liguei nada quando ela chegou na loja ontem, sempre dando algumas indiretas, porém quando ela começou a ameaçar Edward, Andrew e até a mim, eu comecei a ver o quão dura e difícil foi a infância daquele homem, mostrando-me mais uma vez o quanto ele era perfeito por ter seguido em frente depois de tudo, indo em busca de todos os seus sonhos, apesar de toda dor que viveu quando criança. Eu mal superei ter sido abandonada, imagina ter sofrido tudo o que Edward sofreu, eu realmente penso que eu não estaria aqui hoje para contar história, eu sou fraca demais para algo desta magnitude, a renegação e o ódio estampados para mim... isso era uma coisa que eu jamais conseguiria lidar, ainda mais sendo uma criança de cinco anos.
Esfreguei meu rosto e engoli em seco, suspirando auditivamente. Deus, aquele rosto envaidecido daquela mulher não saía da minha mente, toda a diversão estampada na face dela... por Deus, era difícil lembrar de todo o pavor que senti em alguns minutos ao ficar ao seu lado. Eu ficava me perguntando quem teria um coração tão frio para fazer um menino de cinco anos sofrer daquela maneira? Eu agora, depois de ontem, só olhava para Edward com mais admiração, o modo que ele seguiu com a vida é impressionante, o cuidado que ele tem com Alice e Andrew é invejável, ele é um homem perfeito, pena que ele não se dê conta disso, mas eu sei que é, eu sinto isso. É a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci.
Sentei-me na cama e puxei o lençol comigo, sentindo-me um pouco constrangida por estar nua ainda. Olhei em volta procurando por Edward ou tentei ouvir alguma coisa, porém o quarto encontrava-se no mais puro silêncio e vazio, a não ser por mim ali. Pisquei meus olhos para tentar espantar o sono e levantei-me, puxando sempre o lençol dourado comigo, andando até a bolsa de roupas que está no sofá que tinha na ponta da cama de Edward. Abri a bolsa e a revirei buscando por alguma roupa confortável, por fim peguei um vestido solto, uma meia calça e também um casaco leve, apesar do apartamento ser bem aquecido.
Com minhas roupas na mão dirigi-me para o banheiro que havia no quarto. Aliviei minha bexiga e então me vesti, indo depois lavar meu rosto e minha boca, passando pasta de dente com meu dedo, afinal Rose tinha esquecido de colocar minha escova na bolsa. Depois ajeitei meu cabelo com meus dedos e quando estava arrumada, retirei-me do cômodo e fui ajeitar a cama, colocando os lençóis ajeitados e em seguida esticando os edredons sobre o colchão, arrumando os travesseiros por últimos.
Quando estava tudo pronto, caminhei para fora do quarto e já ia seguir para as escadas, porém vozes do quarto em frente chamaram-me a atenção. Andei silenciosamente até o quarto bem decorado e cruzei meus braços parando na soleira da porta, observando a imagem de Edward sentado na cama de Andrew, tendo o pequeno menino em seu colo abraçando-o apertado, franzi meu cenho vendo que o loiro chorava no colo do pai.
— Está tudo bem, campeão, tudo bem. – Sussurrou Edward, beijando o cabelo do filho e soltando um longo suspiro. – Eu estou com você.
— Eu tive medo, papai, muito medo. – Andrew disse choroso, abraçando seu pai com mais força e enterrando o rosto no peito dele. – Eu via você caído como ontem, dormindo profundamente, mas eu chamava e nada de você me responder, o senhor não voltava. – Narrou e eu engoli em seco, encostando-me no batente da porta, ouvindo seu choro baixinho. – Eu não queria sonhar com isso, pai, só me deixou com mais medo de tudo, eu não quero perder você, eu não posso. – Grunhiu e eu vi os pequenos braços apertarem o pescoço de Edward. – Eu não posso. – Soluçou e eu levei uma mão até minha boca, impedindo que meu próprio choro fluísse. Eu via Andrew agarrando Edward como um bote salva vidas, suas falas saindo de forma doída, o medo estampado no modo que ele abraçava o pai, chorando conforme narrava o sonho que teve.
— Você não vai me perder, Andrew. – Vi Edward fechar os olhos e deitar a cabeça no ombro do filho, esfregando suas costas. – Só foi um terrível pesadelo, não vai acontecer de verdade, eu sempre estarei aqui por você, sempre. – Sequei rapidamente a lágrima que deslizou em meu rosto. – Ontem foi apenas um mal-entendido com aquele homem, não ocorrerá novamente.
— Ele machucou você, pai. – O loiro afastou-se um pouco, pegando o punho machucado de Edward e olhando para o curativo, segurando com cuidado a mão dele entre suas pequenas mãos. – Ele fez o senhor dormir profundamente por muito tempo. – Ergueu os olhos cheios de lágrimas. – Ele... ele é um monstro. – Sussurrou e eu respirei fundo, fechando brevemente meus olhos. Andrew não fazia ideia do quão certo ele estava, nem imaginava o quanto suas palavras eram verdadeiras. – Eu só pensava nisso durante toda a noite, papai, acho que é por isso que eu sonhei com tudo, foi terrível. – Edward massageou o rosto do filho e respirou fundo, fechando seus olhos e eu podia vê-lo engolir em seco lentamente. – Mas desta vez você não voltava para mim, eu... eu perdia meu pai para sempre. – Os olhos verdes abriram-se e eu senti mais uma lágrima minha cair quando eu vi o olhar de Edward transbordar-se de lágrimas e desespero, ele tinha medo de tudo o que os progenitores poderiam fazer e eu também tinha agora, ainda mais depois do que eu vi naquela mulher. Eu tinha medo por Edward e Andrew, eu tinha que dar um jeito de cuidar deles, eram minha família agora. – Me promete que não vai embora, papai, eu não posso ficar sem você. – Andrew segurou o rosto de Edward com as duas mãos, olhando nos olhos do pai. – Eu te amo muito, pai, você é a minha vida.
Edward balançou a cabeça e apenas abraçou o filho com muita força, fechando seus olhos apertados e circulando o pequeno corpo, puxando-o contra si. Sequei meu rosto e suspirei baixinho, as palavras de Andrew ecoando pelo quarto, atingindo-me, assim como aposto que atingiu muito Edward, pois o mesmo abraçava cada vez mais o filho.
— É ao contrário, campeão. – Sua voz rouca soou e eu olhei para a cena, respirando com dificuldade por presenciar tudo aquilo. Um relacionamento tão maravilhoso entre pai e filho, nunca tinha visto um amor tão grande assim, era evidente, palpável. – Você é a minha vida e sempre será, nós estaremos juntos, Andrew, nada vai impedir isso, confie em mim. – A voz dele estava embargada e o filho já chorava contra seu peito novamente, segurando a camiseta de Edward contra seus dedos. – Você não vai me perder, Andrew, eu não vou te perder. Nada irá nos separar. – Beijou o cabelo loiro e respirou fundo. – Eu te amo demais, filho, demais.
— Eu também, papai, amo muitão. – Falou animado, separando-se de Edward e abrindo bastante seus braços, como se demonstrasse o tamanho. – Meu amor é grandão. – Sorri em meio as lágrimas, suspirando outra vez.
Afastei-me devagar da porta e sequei minhas lágrimas, indo em direção até as escadas, descendo-as com cuidado, meus braços cruzados e meus pensamentos sempre voltados ao amor que eu via entre Edward e Andrew, desde que eu os vi pela primeira vez. A conexão deles dava para ser sentida de longe e se eu não soubesse de nada, juraria que eram pai e filho de verdade, tamanho era o sentimento que envolvia-os. Como alguém poderia querer acabar com isso? Machucar um homem maravilhoso como Edward e um garoto inocente como Andrew? De onde vinham pessoas tão más?
Eu realmente aceitava a palavra progenitores para aqueles que eram para serem pais de Edward, eles não mereciam um título tão bom, não chegavam perto disso, era pessoas que deveriam ser sozinhas, porque nada curaria a maldade que eles tinham. Tudo o que fizerem Edward sofrer era desumano, eu tinha coisas para aprender ainda sobre sua infância, mas tudo o que eu descobri até agora me deixava arrepiada de tão doloroso que era, ainda mais quando eu via a dor estampada nas orbes verdes.
Puxei meu ar com força e balancei a cabeça para espantar esses pensamentos, caminhando até a cozinha. Assim que cheguei no ambiente, sorri um pouco ao ver a mesa dali posta com bolo, pães, suco e tudo o mais para o café da manhã. Edward era incrível.
Sentei-me em uma cadeira e mesmo estando com meu estômago embrulhado por tudo o que eu estava pensando desde ontem, resolvi pegar a xícara e colocar ao menos um pouco de café nela. Peguei a jarra que continha leite e coloquei no café, adoçando-o depois.
— Você acordou. – Virei-me para a entrada e sorri para Edward, vendo-o com o rosto cansado e de braços cruzados. Mesmo com o aparente cansaço, ele retribuiu meu sorriso e veio até onde eu estava sentada, inclinando-se e dando-me um selinho demorado. – Já ia chama-la para comer algo.
— Estou sem fome. – Beberiquei meu café e Edward sentou-se ao meu lado, olhando-me repreensor. – O que foi?
— Você precisa comer algo, Bella. – Balancei a cabeça e ele respirou fundo. – Bella. – Chamou-me e suspirei, colocando a xícara sobre a mesa e pegando sua mão boa, apertando seus dedos delicadamente.
— Eu estou bem assim, Edward, comer é a última coisa que eu quero agora. – Olhei em seus olhos e ele fez uma careta. Repreendi-me mentalmente quando vi que ele estava culpando-se, depois de tudo o que conversamos ontem à noite. – Ei, nem comece a pensar besteiras. – Chamei sua atenção. – Só estou tentando me acostumar com tudo o que está acontecendo, não tem nada a ver você se culpar por causa disso. – Ele riu sem humor, balançando sua cabeça.
— É a minha culpa, Bella, pare de tentar amenizar isso! – Levantou-se irritado do seu lugar, passando a mão pelo cabelo. – Eu nunca deveria ter incluído você nisso, olhe por tudo o que está passando agora! – Esfregou seu rosto. – Eu sou um merda, porra, estou fazendo todos sofrerem por minha causa. – Socou a bancada com força e eu fechei meus olhos por causa do estrondo que sucedeu-se ao impacto. Respirei fundo e levantei do meu lugar, vendo-o debruçado sobre a bancada e com a cabeça baixa, puxando seu ar lentamente. – Não se aproxime. – Pediu de olhos fechados e eu travei em meu lugar, olhando-o com as sobrancelhas franzidas. Engoli em seco e tentei dar um passo a mais, só que eu parei quando ele socou mais uma vez o balcão. – Por favor, Bella! – Grunhiu ainda com a cabeça abaixada.
— Não é assim que você vai me afastar, Edward. – Disse-lhe com a voz embargada, podendo sentir as lágrimas queimarem em meus olhos. Cruzei meus braços e engoli em seco, sentindo meu coração bater com força. – Olhe para mim. – Pedi em um sussurro, mas ele balançou a cabeça. – Edward. – Chamei-lhe. – Por favor.
— Acho que é melhor você ir. – Sua voz era fraca e eu sabia que ele estava fazendo isso somente por causa da maldita culpa que ele estava sentindo em si. Neguei-me a dar meia volta e retirar-me dali, e notando isso o ouvi respirar fundo, mas ainda não olhava em minha direção. – Faça isso por nós. – Suplicou.
— Eu não vou sair. – Respirei fundo para tomar coragem e em seguida comecei a caminhar em sua direção, até alcança-lo. Abracei-o com força por trás e deitei meu rosto em suas costas, já podendo sentir as grossas lágrimas escorrerem por meus olhos, queimando em meu rosto. – Você me querer longe não vai resolver as coisas, Edward, por favor, não nos machuque mais. – Fechei meus olhos, pedindo-lhe veemente isso. – Já estamos com feridas tão expostas, não prejudique isso. Eu avisei que não estamos em um conto de fadas, vamos superar isso.
— Não vamos. – Esfregou seu rosto e apertei mais seu corpo, sentindo-o soluçar, jamais poderia imaginá-lo chorando desesperado e ele fazendo isso agora só dava-me mais raiva de Anthony e Elizabeth, eles faziam Edward sofrer mais do que eu imaginava. Era algo psicológico e isso era a pior das perturbações que poderia existir. – Eles nunca vão parar, Bella, nunca. – Disse com sua voz embargada, fungando em seguida. – Eles não desistem, eu os conheço mais do que eu gostaria. Eu deveria te proteger e manter você sempre longe de mim, mas fui egoísta pra caralho, só querendo-a ao meu lado, agora você está vendo as consequências disso.
— Ei, não diga isso. – Afastei-me um pouco e o virei para mim, surpreendendo-me com as lágrimas expostas em seu rosto. Senti minhas próprias lágrimas derramarem-se e estiquei-me nas pontas dos pés, levando minhas mãos até seu rosto, secando-o. – Não é uma consequência, Edward. – Ele bufou e eu rolei meus olhos, respirando fundo e fazendo-o olhar para mim. – É a minha escolha estar aqui com você. Com Andrew. – Seus olhos encontraram-se com os meus e eu sequei seu rosto com minhas duas mãos, não deixando que ele desviasse o olhar. – Eu não vou deixá-los.
— Você deveria.
— Mas não vou. – Bufei. – É difícil demais, eu sei disso, mas eu quero correr todos os riscos ao seu lado, Edward, já conversamos sobre isso ontem.
— E você teve pesadelos. – Enruguei a testa não me lembrando disso, mas Edward respirou fundo e afastou minhas mãos de seu rosto, colocando as suas no meu, agora fazendo-me olhá-lo. – Você teve uma noite perturbada por causa das coisas que conversamos, Bella, falou a noite toda sobre isso, mexendo-se e agarrando-se em mim, estava com medo de alguma coisa. – Engoliu em seco. – Eu não sei do que, mas parecia apavorante.
— Eu normalmente falo enquanto durmo, não devia ser nada demais.
— Ah, por favor. – Grunhiu e afastou-se, respirando fundo. – Claro que era algo demais, você a todo instante estava falando da visita que Elizabeth lhe fez, das histórias da minha infância que eu contei. Você está ficando perturbada com tudo isso, Bella, e adivinhe de quem é a culpa? – Soltou uma risada mal-humorada e eu revirei meus olhos bufando, segurando sua mão com força quando ele fez a menção de retirar-se da cozinha.
— Pare de ser um babaca, merda! – Sua sobrancelha ergueu-se e eu grunhi. – Já disse que não vou desistir de tudo, porra! Da para você me escutar ao menos uma vez? Falamos sobre isso desde a noite do jantar e eu estava com medo de estar ao seu lado, mas mesmo assim não desisti de nada, lembra? – Respirei fundo, seus olhos verdes concentrados em mim. – Então eu não vou desistir agora, ainda mais quando eu sei o porquê de você ser do jeito que é, depois de tudo o que passou em sua vida. – Olhei- com meus olhos marejados. – Olhe tudo o que passou, Edward, você literalmente comeu o pão que o diabo amassou na infância e ainda se culpa por as pessoas estarem sofrendo ao seu redor? – Balancei a cabeça, segurando meu choro. – E ainda dizia-me não ter coração, não saber amar ou qualquer coisa do tipo. Você faz tudo por todo mundo, protegendo-nos e esquecendo de você. Quer me ver longe para me proteger, mas vai sofrer se eu me afastar, eu sei disso. – Coloquei minhas mãos em seu peito, apoiando-me nele, puxando com força meu ar, sentindo as malditas lágrimas escaparem mais uma vez. – Você não vai me afastar. – Falei com determinação, olhando-o nos olhos. – Eu vou sofrer e você também vai sofrer se isso acontecer, nós sabemos disso. – Balancei a cabeça. – Nós enfrentaremos as coisas juntos, assim como me disse ontem à noite, é assim que se vence uma batalha, tendo as pessoas que confia ao redor e eu sempre estarei com você. – Minha voz saiu de forma convicta, assustando-me com toda a intensidade que atingia-me no momento, mas de alguma forma eu sabia que eu não me arrependeria de nada disso, eu estava seguindo o rumo certo da minha vida, algo dizia-me isso. – Nós vamos vencer. – Sussurrei para ele, meus dedos no seu maxilar. – E faremos isso juntos, Edward, você e eu.
— Ah, Bella. – Edward puxou-me para ele e abraçou-me com força, seu rosto caindo em meu pescoço e seus braços circulando-me. Chorei compulsivamente contra seu peito e passei meus braços ao seu redor, agarrando o tecido de sua camiseta, torcendo-o entre meus dedos. Sentia-o molhar meu pescoço com lágrimas e isso dava-me mais certeza que ficarmos juntos era o certo, nós tínhamos que lutar contra tudo o que estava acontecendo ao nosso redor, era assim que se vencia uma batalha. – Como você pode ser assim? – Perguntou retoricamente. – Qualquer um já teria se afastado, ainda mais depois do que eu te contei ontem.
— Nada vai me afastar. – Repeti com a voz abafada por estar com o rosto contra seu peito. Respirei fundo e fechei meus olhos, aproveitando o calor de seus braços. – Eu sei que tem muita coisa ainda, eu sinto isso, mas mesmo assim eu estarei com você, Edward.
— Você vai ter nojo de mim. – Disse com remorso e eu franzi o cenho, afastando-me um pouco de seu abraço, levantando meu rosto para avistar seu rosto. Seu olhar brilhava de dor e eu ofeguei com isso, podendo sentir o pesar dele.
— Edward... – Toquei seu rosto e ele respirou fundo.
— Eles abusaram de mim. – Arregalei meus olhos, abrindo a boca em choque quando as palavras foram cuspidas por ele. O vi engolir em seco e crispar os lábios, olhando para baixo, como se sentisse vergonha por admitir isso. – Fizeram isso por toda a minha maldita infância, só consegui fugir disso quando completei dezoito anos. Não é a maioridade aqui nos Estados Unidos, mas eu simplesmente não aguentava mais e então fugi de casa, tentando ao menos esquecer tudo o que eu vivi, todas as merdas que eles fizeram comigo. – Esfregou seu rosto. – Vem comigo, eu vou mostrar a você. – Esticou uma mão para mim e engoli em seco.
— Andrew? – Perguntei, afinal ele nunca deveria escutar algo assim. Já estava traumatizado com tudo o que aconteceu no dia anterior, não podíamos machucá-lo ainda mais mentalmente.
— Pegou no sono enquanto me abraçava. – Olhei para cima, porém Edward fugia do meu olhar.
— Edward, por favor, olhe para mim. – Tentei alcança-lo, porém o mesmo segurou em minha mão direita e puxou-me com ele, retirando-nos da cozinha. Resolvi ficar em silêncio e o segui, caminhando até uma porta privada que tinha ao lado da sala, algo que eu nem tinha reparado ainda.
Edward abriu a porta e entrou no local comigo, as luzes acendendo-se automaticamente quando colocamos os pés no cômodo. Era um escritório particular, com estantes cheias de livros, sofás negros nos cantos, uma escrivaninha de vidro no centro da sala e um notebook em cima dela. Ouvi o click da porta e virei-me na direção, vendo Edward trancá-la e afastar-se, respirando fundo conforme ia abrindo os botões de sua camiseta lentamente, sempre olhando para o chão.
Andei até estar próxima dele mais uma vez e meus olhos foram seguindo os movimentos de suas mãos. Assim que a camisa foi totalmente aberta, Edward a retirou e jogou sobre um dos sofás que estavam nas extremidades da sala. Olhei atentamente para seu corpo e um arfar de pânico escapou de meus lábios quando meus olhos captaram marcas avermelhadas perto de suas costelas, estômago e laterais do corpo. Abri minha boca em choque e com minha mão tremendo eu encostei nas linhas espalhadas em sua pele, traçando-as e sentindo o relevo de cicatriz ali. Meu coração martelava com força contra minha caixa torácica, o sentimento que sempre estava comigo quando eu estava com Edward invadia-me mais uma vez, tirando-me o ar com sua intensidade, parecia aumentar a cada descoberta que eu fazia daquele homem, por mais terrível que fosse. Eu admirava Edward, admirava como jamais admiraria alguém nessa vida, ele passou por tantas coisas, mas ainda estava aqui, lutando pelas pessoas ao seu redor.
— Edward... – Choraminguei, derramando-me em lágrimas, meus dedos trêmulos seguindo cada cicatriz que tinha em seu corpo. – Eles... eles... – Solucei imaginando tudo o que aqueles delinquentes fizeram com ele.
— Provavelmente a primeira coisa que você pensou quando eu disse abuso, foi em sentido sexual. – Assenti ainda olhando para suas marcas. – Felizmente não chegou a esse ponto, talvez só porque eu fugi de casa, pois tenho certeza que se eu passasse mais algum tempo ao lado deles, eu sofreria algo dessa magnitude. – Puxei meu ar e olhei para cima, meus olhos finalmente encontrando-se com os seus, mas o verde estava apagado, não havia nenhum sentido estampado nas orbes, era um imenso vazio.
— O que eles fizeram com você? – Perguntei em um sussurro, meu peito doendo até com a força da minha voz, tamanha era a dor que eu estava sentindo por Edward. Eu realmente pensei em abuso sexual e esse deve ser um dos piores abusos que existem, só que o homem em minha frente tinha hoje em dia o abuso psicológico, e essa era a pior tortura existente no mundo, e para isso acontecer, ele teve traumas terríveis no passado, abusos horrendos por sua expressão. – Me conta, por favor. – Ergui uma mão, tocando seu rosto. – Eu estou aqui com você, Edward. – Disse-lhe. – Eu sempre estarei, nada e nem ninguém me afastará da família que eu adotei como minha. Andrew e você são minhas razões agora. – Ele fechou seus olhos e encostou sua testa na minha, sua boca procurando desesperadamente a minha e assim que nossos lábios se encontraram, a urgência explodiu entre nós.
Meus braços circularam seu pescoço e eu senti suas mãos segurarem em minha cintura com força, agarrando meu corpo e puxando-me com força para si, colidindo-nos. Nossos lábios buscavam um ao outro com fervura, meus dedos agarrando-se aos fios de seu cabelo e sua boca devorando a minha em um beijo desejoso, os dentes mordiscando meu lábio inferior e puxando-o.
— Você não sabe o quão importante está sendo tê-la comigo, Bella. – Disse ofegante, afastando nossas bocas. Respirei com força e olhei em seus olhos, um brilho voltando a toma-los. – Talvez você fosse a minha última razão. – Tocou meu rosto delicadamente, os dedos indo para meus lábios e traçando-os. – Minha última razão para continuar em frente, tentando exorcizar os fantasmas do meu passado.
— Eu farei o que for possível para ajudar. – Deslizei minha mão por seu rosto. – Eu estou ao seu lado e continuará assim. – Ele assentiu, respirando fundo, afastando seu corpo do mundo. Edward segurou em minha mão e caminhou até um dos sofás, sentando-se e puxando-me para seu colo. Sorri um pouco e abracei-o com minhas pernas, sentindo-o deslizar suas mãos em minha cintura, fazendo um carinho na região. – Você pode conversar comigo, Edward. – Seus olhos ergueram-se e eu o vi respirar profundamente outra vez. Ergui minha mão e passei-a entre os fios cobres, fazendo-lhe um cafuné. – Pode me contar tudo, eu não sairei daqui. – Confirmei um dos medos que eu via em seu olhar e fiquei satisfeita quando o vi assentir lentamente, antes dos olhos caírem para suas mãos que mexiam-se em minha cintura.
— Como eu disse ontem, uma noite eu descobri no porão da nossa casa a pequena máfia que eles tinham. – Ouvi-o atentamente, ainda com meus dedos correndo por seu cabelo. Eu sentia falta do olhar dele conectando ao meu, mas respeitaria isso, podia sentir o quão difícil era para Edward. – Eu derrubei um vaso quando desci as escadas naquele dia, então eles viram-me lá, descobrindo seu pequeno segredo sujo. – Riu sem humor algum, balançando a cabeça. – Anthony ficou possesso, então pegou-me pelo braço e puxou-me com força para baixo, fazendo-me cair da escada. – Arregalei os olhos, tentando não imaginar aquela cena, pois dava para notar a dor somente na voz de Edward. – Eu me machuquei feio, foram longos lances e eu bati a cabeça com força quando cheguei no chão, sangrando muito. Felizmente não desmaiei, infelizmente na verdade, porque Elizabeth sorriu macabramente para mim quando me viu levantando, olhando para um dos homens que estavam lá no porão, avisando que eu seria a nova cobaia. – Franzi o cenho e Edward levantou a cabeça lentamente, seus olhos voltando-se para os meus, mas a dor estava brilhando ali, juntamente com o vazio que ele sentia ao falar disso. – Cobaia para as drogas ilícitas deles. – Parei com o carinho que fazia em seu cabelo, tamanha foi minha surpresa e abri minha boca em busca de ar, olhando assustada para Edward, vendo-o assentir e suspirar. – Era esse meu medo de você sentir nojo de mim, eu fiquei dependente químico, por mais que não quisesse, drogas viciam, não importa se você usa de forma obrigada ou não. – Continuei olhando em seus olhos, escutando tudo atentamente. – Eu usava de tudo, Bella, você não faz noção. Todas as drogas foram utilizadas em mim, eu realmente era uma cobaia para eles, tinha dias que eu usava todas elas juntas, com diversas quantidades. – Seu dedo capturou rapidamente a lágrima que caiu em meu rosto, sem ao menos eu perceber que tinha começado a chorar. – Eu quase tive overdose quinze vezes.
— Edward... – Toquei seu rosto com minhas duas mãos, olhando-o de forma desesperada.
— Eu sei que é terrível, e eu era apenas uma criança. – Riu e puxei ainda mais meu ar conforme via o vazio em seu olhar e as lágrimas derramando-se em seu rosto, caindo várias seguidas. – Eu usava maconha, cocaína, crack, ecstasy, LSD, inalantes, heroína, barbitúricos, Skank, anfetaminas, clorofórmio, ópio... são tantas, tantas. – Balançou a cabeça e sequei seu rosto, mas de nada adiantava, novas lágrimas sempre estavam surgindo. – Às vezes eu usava essas e mais algumas no mesmo dia, Bella, era terrível. No começo, quando o vício ainda não era grande, eu me negava a querer fumar, cheirar ou ingerir qualquer coisa que eles quisessem, então os resultados podiam ser devastadores. – Meus olhos automaticamente caíram para suas marcas e eu repreendi-me por não ter notado isso na primeira noite que dormimos juntos ou ontem, eu nem tinha prestado atenção nas cicatrizes. – Alguns cortes foram feitos com lâminas, facas, tesouras, pregos... – Olhei bestificada para ele e Edward crispou os lábios outra vez, fechando os olhos brevemente. – Depois de sofrer tantos cortes, eu comecei a fazer o que eles queriam e por isso veio o vício, eu não me negava mais, porque sabia que se eu fosse contra, doeria na pele. – Soltou outra risada amargurada, revirando os olhos. – Então tinha vezes que eu ficava louco quando os dois viajavam e me deixavam sem nenhum tipo de droga. Eu começava a ter um tipo de ataque, o meu organismo pedia por drogas. E o efeito da heroína era o pior, começava a vomitar, ter insuficiência cardíaca e até convulsões quando ficava sem. – Fechei meus olhos e deitei minha cabeça em seu ombro, meu choro saindo silenciosamente. Edward levou uma mão até meu cabelo e começou a acariciar os fios. – Foi em um dia assim, com meus dezesseis anos, que Alice descobriu que eu era obrigado a me drogar, ela me viu tendo os ataques e interligou tudo, ela sempre foi esperta com esse tipo de coisa. Ela ficou furiosa, gritou com os pais, atacou eles, eu nunca a tinha visto tão brava em minha vida. Depois disso ela começou a cuidar de mim, e era tão nova. – Respirou fundo. – Ela pegava dinheiro escondida deles e eu ia para uma clínica me tratar todos os dias escondido, obviamente foi difícil, afinal tem que ter assinatura de responsáveis para internar-se, mas eu conheci um homem muito bom e ele aceitou me tratar, e eu não era obrigado a ficar na clínica, ia sempre depois do colégio.
— Eles nunca descobriram? – Questionei quando o notei ficar em silêncio, meu rosto ainda contra seu ombro.
— Tenho certeza que desconfiavam, mas não tinham provas e nem podiam se certificar, tentando me obrigar a usar qualquer droga ilícita, Alice estava de olho neles e ela avisou que denunciaria caso eles tentassem qualquer coisa comigo. – Respirou fundo. – E então passou-se um tempo e eu consegui ficar limpo, livrando-me das drogas. Fazia uns dois meses que eu tinha feito dezoito anos quando acordei na madrugada querendo água, desci as escadas e ia até a cozinha, porém barulhos no porão chamaram-me a atenção naquele dia. – Engoli em seco ouvindo sua voz ficar sombria. – Idiotamente eu fui até lá, e eu ouvi Anthony e Elizabeth falando com várias pessoas de outras máfias e eles me negociavam. – Levantei meu rosto assustada e Edward assentiu, engolindo em seco. – Queriam me vender para outra máfia, que belos pais, hein? – A risada amarga escapou novamente de sua boca. – Era aí que eu sofreria os abusos sexuais, pois eles estavam planejando tudo, eu era um garoto jovem e bonito, as mulheres e alguns homens daquela máfia iriam me adorar na cama. – Falou com repulsa, como se repetisse as palavras que ouviu naquele dia. – Então eu não aguentei mais, corri para cima, dessa vez de forma silenciosa, e fui atrás de Alice. Contei tudo para minha irmã e juntos amarmos para que eu fugisse de casa na manhã seguinte, afinal os pais dela viajariam. Foi a partir dessa fuga que eu mudei minha vida, me formei, trabalhei e comecei a fazer minha faculdade, indo atrás dos meus sonhos. Só que isso nunca me abandonou, Bella, eles sempre estão atrás de mim por dinheiro ou para me atormentar por fodidas coisas. – Segurou meu rosto entre suas mãos. – Ontem eu fiquei descontrolado porque Anthony disse sobre Andrew estar no meu lugar, e eu sabia que ele falava da época que eu comecei a ser cortado e obrigado a usar todos os tipos de coisas. Eu visualizei Andrew sofrendo tudo o que eu sofri, eu vi a dor estampada nele, Bella, era tão real. – Ergueu os olhos cheios de lágrimas. – Eu enlouqueci e ataquei Anthony, queria tirar a dor e a visão que eu estava tendo de Andrew sofrendo os abusos que um dia eu sofri, e doeu muito mais do que quando eu sofria aquilo. É o meu filho. – Encostou sua testa na minha. – Doía demais e eu queria apenas esquecer.
Abracei-o apertado, fechando meus olhos e escondendo meu rosto em seu pescoço, não conseguindo nem chorar mais por tudo aquilo, parecia que minhas lágrimas tinham se esgotado. A imensa dor me invadia, era como se eu pudesse sentir o que Edward sentiu, o que ele estava sentindo no momento, mas se fosse dessa maneira para que eu entendesse tudo, eu sentiria. Talvez fosse difícil vencer tudo isso, mas eu estava ao lado de Edward Cullen, eu estava ao lado do homem que mudava o meu mundo, que me mudou, que me fez sentir coisas que jamais poderia imaginar sentir algum dia... ele valia à pena, era por ele e por Andrew, o pequeno garotou que me encantou, era por ambos que eu ficaria e lutaria com eles. Essa família a qual eu me incluía valia à pena por todas as coisas no mundo, eu faria de tudo por ela.
— Eu estou com você, Edward. – Repeti contra sua pele, sentindo-o abraçar-me ainda mais. – Nós ficaremos juntos e passaremos por cima disso, eu sei que vamos.
— Nunca entenderei o que fez você escolher algo assim. – Disse contra meu cabelo, soltando uma risada baixa no final, mas desta vez era uma risada mais leve, descontraída. – Só que eu não vou mais ir contra isso, eu não posso deixa-la ir de qualquer maneira, é você quem eu quero. – Afastou-nos um pouco, do modo que pudéssemos nos olhar e desta vez eu não via um rosto sombrio, conseguia ver um sorriso inclinado para a direta... o perfeito sorriso torto. Retribui seu sorriso e ele tocou meu rosto, respirando fundo. – Ainda bem que você é teimosa e não foi embora como mandei. – Rolei os olhos e soltei uma leve risada, inclinando-me e dando um beijo em seus lábios, suspirando ao sentir o seu rosto. – Obrigado por estar ao meu lado. – Sussurrou contra meus lábios e eu abri os olhos, encontrando o verde brilhante que eu começava a adorar cada vez mais.
— Obrigada por ter sido um babaca e ter insistido tanto em mim, afinal é por isso que estamos aqui. – Pisquei e ele riu, abraçando-me outra vez e puxando-me para ele, conforme buscava a minha boca e capturava meus lábios em um beijo alucinante.
[...]
— Isso é impossível! – Gritei e levantei minhas mãos para cima, bufando alto. – Impossível! – Repeti irritada e ouvi a risada mais amorosa do mundo, fazendo-me suspirar alto. Olhei para frente, fulminando aquele tabuleiro com meu olhar, mas Andrew ria animado e pegava um hotel que estava no banco ainda, comprando mais uma propriedade do Monopoly.
Como esse menino conseguia ser tão esperto? Ele me chamou para jogar jogos e eu neguei mil vezes o Banco Imobiliário, já tinha perdido feio para Andrew naquele jogo, não jogaria novamente. Mas daí eu cometi a burrada de aceitar jogar o Monopoly, um jogo que eu era terrível e Andrew era ainda melhor neste, do que no Banco Imobiliário.
Foi idiotice, vendo que a porcaria do Monopoly era quase um Banco Imobiliário, apenas com umas coisas a mais que ferravam comigo, porque eu era meio burra para esses jogos. Só que eu via o divertimento no rosto de Andrew, então perder não era tão ruim assim, desde que eu fosse presenteada pelo sorriso encantador dele.
Mais cedo Edward e eu colocamos tanta coisa para fora, na verdade ele tinha colocado, mas depois do que conversamos sobre sua infância, eu o vi tão leve. Edward sorria mais despreocupado e aparentava estar mais animado com tudo e foi assim no decorrer do dia, desde que Andrew acordou, nós almoçamos e estávamos até meia hora atrás montando coisas de Lego, porém o trabalho de Edward precisou dele, então o mesmo teve que ir fazer algumas ligações.
O dia foi ótimo, eu consegui uma folga com Angela, fiz uma ligação para ela pela manhã, primeiro me desculpei visto que eu estava atrasada, caso fosse trabalhar, e inventei alguma coisa. Felizmente ela deixou-me ficar, porque eu não estava com vontade de sair de perto de Andrew e muito menos de Edward. Também liguei para Rosalie e lhe contei as coisas que eu poderia contar, e a loira diabólica quase deixou-me surda quando eu contei sobre eu ter perdido a virgindade e me prometeu que conversaríamos muito sobre isso quando nos encontrássemos. Confesso que estava até com medo disso, Rose era um pouco maluca.
O dia em si se ajeitou depois que Edward colocou tudo para fora e aceitou que algo só dará certo se termos um ao outro como apoio. Depois da conversa tudo fluiu melhor, eu fiquei mais leve, ele ficou mais leve, estávamos tendo praticamente um dia em família, nos divertindo com Andrew e brincando com ele. Acho que era disso que estávamos precisando, um momento descontraído, nosso.
— Ah, eu estou vencendo. – Cantarolou Andrew, olhando-me risonho e eu ri com seu jeito meigo, saindo de todos os meus pensamentos. Eu até poderia estar irritada com aquele jogo e comigo mesmo, afinal era péssima, mas não com aquela criatura encantadora.
— Como você consegue jogar tão bem? – Questionei vendo-o arrumar algumas coisas no banco, sim, ainda por cima ele era o banqueiro do jogo.
— Papai sempre me ensinou. – Deu de ombros sorridente. Ele olhou para a sala, onde Edward conversava no telefone com alguns acionistas e depois voltou a olhar-me, inclinando-se sobre o tabuleiro como se fosse contar-me um segredo. Arqueei uma sobrancelha e fui para perto dele. – Sabia que meu pai é perfeito em tudo? – Sussurrou para mim e eu abri um sorriso, assentindo e dando uma olhada para o homem que mexia com vários papéis e resmungava zangado no telefone.
— Ele é mesmo. – Concordei com o pequeno e ele abriu um sorriso ainda maior, olhando-me contente.
— Eu gosto muito de vocês juntos, Bella. – Confessou. – Eu nunca quis que meu pai ficasse com uma mulher. – Franzi o cenho e ele suspirou. – É verdade, e eu sei que fazia um tempão que ele não saía com ninguém, pois ele sempre estava na empresa ou comigo. – Explicou. – E eu adorava isso, não queria dividir meu pai com ninguém, eu tinha medo que qualquer um que entrasse em nossa vida tirasse ele de mim, ou ao menos fizesse ele se afastar. – Olhei atentamente para o menino de seis anos, suspirando conforme ouvia-o narrar aquilo. Por Deus, ele era a pessoa mais amorosa do mundo, o filho perfeito. – Mas daí eu vi você na loja. – Pisquei voltando com minha atenção para ele. – Eu adorei conhecer uma mulher diferente, pela primeira vez. – Comentou risonho, arrancando uma risada de mim. – Só que eu pensei que também não a veria mais, porém eu vim para casa sábado e encontrei você e meu papai aos beijos. – Sorriu de forma sabida e pigarreei envergonhada, fazendo-o sorrir ainda mais. – Então foi ali que eu notei que você era a única pessoa que fazia-o sorrir da mesma maneira que a tia Alice sorri para o tio Jasper. – Arqueei uma sobrancelha e ele olhou para baixo, pegando os dados que estavam sobre o tabuleiro. – De uma forma apaixonada. – Respondeu ainda olhando para baixo e eu arregalei meus olhos, engolindo em seco em seguida, meu coração já dando sinais de batidas mais erráticas. Apaixonada? – Eu acho que era isso que faltava nele, Bella, a paixão. – Abriu um sorriso lindo e inocente, voltando a me olhar. – Assim como eu vejo isso em você, seus olhos brilham e você sorri muito olhando para meu pai. Vocês são meus maiores presentes. – Disse meio envergonhado e eu já senti meus olhos encherem-se de lágrimas, mas era de alegria, ouvindo Andrew dizer aquilo fazia meu coração encher-se de emoção.
— Ah, Deus... – Resfoleguei e estiquei meus braços, olhando sorridente para ele. O pequeno riu animado e jogou-se para mim, caindo em meu colo. Abracei o pequeno corpo com força e o coloquei sentado em minhas pernas, seu rosto deitado em meu peito e os braços ao redor do meu pescoço. – Você é tão perfeito, Andrew, eu adoro demais você, pequeno. – Falei contra seu cabelo, respirando fundo. – Adoro muito.
— Eu também, Bella. – Falou baixinho, apertando seus braços em minha volta. – Você é maravilhosa. – Sorri contra sua pele, balançando-o em meus braços e arrancando uma risada dele.
— Ei, eu também quero um abraço. – Edward resmungou e eu olhei por cima do ombro de Andrew, vendo-o desligar o celular e deixar sobre a mesinha de centro, junto com seus papéis. Ri e ele sorriu piscando um olho, caminhando até nós. Andrew gargalhou com vontade e afastou-se de mim, ficando de pé e esticando os braços para o pai. – E aí, campeão? – Beijou o rosto do loiro e ele sorriu animado.
— Papai, acredita que eu estou vencendo a Bella novamente? – Rolei os olhos e levantei-me do chão, ficando ao lado deles. – Ela é terrível com jogos de tabuleiro.
— Ei! Não sou tão ruim assim. – Contrariei e Edward arqueou uma sobrancelha, olhando para o chão e vendo que eu estava praticamente falia, acho que tinha uns vinte dólares apenas. Ele voltou a me olhar e eu bufei. – Ok, eu sou péssima. – Confessei e ele riu, abraçando-me de lado e dando um beijo em minha testa.
— Você não é péssima, apenas está jogando com os melhores jogadores de tabuleiro. – Piscou e ri.
— Nada modesto, Senhor Cullen. – Ele rolou os olhos e aproximou sua boca do meu ouvido, fazendo-me ficar arrepiada quando senti um beijo no local.
— Eu gosto do Senhor Cullen saindo de seus lábios. – Falou rouco e mordeu a ponta da minha orelha, fazendo-me ofegar e apertar seu braço que estava em minha volta.
— Papai é o melhor jogador do mundo. – Andrew disse, atraindo nossa atenção. Pigarreei afastando-me um pouco de Edward e olhei para o pequeno que estava no colo dele. – Ele é ótimo em tudo, Bella, ninguém vence ele. – Arqueei uma sobrancelha para Edward e ele riu, dando-me um beijo no rosto.
— Viu só, até Andrew admite isso.
— Ele está protegendo você porque é o pai dele. – Rolei os olhos e ouvi a risada de ambos.
— Não, ele é o melhor mesmo. – Andrew me corrigiu e Edward piscou para mim, fazendo-me bufar. – Papai, já está perto do jantar. – Ele mudou de assunto, virando-se no colo do pai, olhando-o. – Você pode fazer o melhor prato que sempre faz? – Edward gargalhou e beijou o rosto do filho.
— Claro que eu faço. – Olhou para mim. – Gosta de lasanha, não é? – Assenti.
— É o seu melhor prato? – Questionei para ele, mas antes que Edward me respondesse, Andrew riu atraindo minha atenção.
— Não é o melhor prato do papai, e sim a melhor lasanha do mundo inteiro! – Abriu os braços, rindo com vontade. – Tia Alice até fica meio revoltada, pois papai cozinha muitíssimo bem. – Andrew inclinou-se para mim. – Entre nós, minha tia não cozinha nada.
— Deixa ela ouvir você dizendo isso. – Edward riu e cutucou sua barriga. – Ela vai ficar uma fera.
— Mas é verdade, pai, tia Alice é péssima na cozinha, assim como Bella é com os jogos de tabuleiro. – Edward e eu rimos com sua comparação e Andrew sorriu. – Tio Jasper é quem sempre faz nossas comidas e ele cozinha muito bem, só não ganha do papai. – Deu uns tapinhas no ombro de Edward e ele sorriu, beijando sua testa.
— Tudo bem, seu pequeno bajular, vai guardar suas coisas, daí eu já começo a fazer o jantar. Mais tarde tenho que deixar Bella em casa. – Andrew arregalou os olhos e olhou-me.
— Aaahh, você não vai dormir aqui hoje? – Fez um biquinho e eu ri, esticando meus braços e sorrindo quando ele veio para meu colo.
— Infelizmente eu tenho que ir para casa, pequeno, amanhã começo a trabalhar cedo. – Pisquei. – Mas nós não ficaremos muito tempo longe, até parece que seu pai consegue ficar longe de mim. – Sussurrei para ele, arrancando uma gargalhada gostosa dele. Edward franziu o cenho para nós e eu apenas sorri para ele.
— O que você disse para ele?
— Nada demais. – Dei de ombros e ele arqueou uma sobrancelha. – Comece o jantar, eu vou ajudar Andrew a arrumar as coisas dele. – Coloquei o loiro no chão e ele começou a juntar todas as coisas do Monopoly, colocando na caixa. – Leve lá em cima, Andrew, eu vou ir arrumar seu quarto, fizemos uma bagunça lá.
— Bastante. – Riu animado e pegou as coisas, subindo devagar pelas escadas. O quarto do garoto estava cheio de Legos espalhados pelo chão.
— Então hoje você vai para casa? – Edward virou-me para ele e assenti, sendo puxada para seus braços. Suspirei sentindo seu calor e segurei-me em seus ombros, olhando em seus olhos. – Vai ser estranho ir dormir sem você. – Piscou e eu ri.
— Você dormiu comigo somente dois dias, nem se acostumou ainda. – Rolei os olhos e ele beijou minha boca.
— Você nem faz ideia do quanto me acostumei. – Mordiscou meu queixo. – Os dois dias que dormimos juntos, nós fomos dormir depois de eu ter fodido você com vontade. – Sussurrou em meu ouvido e eu estremeci fechando meus olhos, ao mesmo tempo que eu apertava seu ombro com força, as lembranças de antes de ontem e ontem à noite invadindo-me. – E seu corpo estremecia da mesma forma que está estremecendo agora, mas embaixo de mim e nua. – Mordeu o lóbulo de minha orelha e eu engoli em seco, suas mãos descendo por meu corpo e apertando minha bunda.
— Deus... – Sussurrei, puxando o ar com força para meus pulmões. – Você faz isso apenas para atormentar-me. – Abri os olhos e busquei as esmeraldas verdes. Assim que as encontrei, mordi meus lábios ao ver o desejo brilhando ali, junto com o sorriso malicioso que estava em seus lábios.
— É bom atormentar um pouquinho. – Piscou e apertou minha bunda, esfregando-me na sua ereção que começava a formar-se. Grunhi baixinho e fiquei na ponta dos pés, beijando-o urgentemente. Edward puxou-me mais para si e colocou ambas as mãos em minha bunda, apertando com vontade minha carne.
Enrolei meus braços em seu pescoço e suguei seu lábio superior, sentindo mais de seu gosto. Edward grunhiu e subiu uma mão até minha nuca, puxando meu rosto para o seu e chupando meus lábios, antes de voltar a beijara-me com fervor.
— Papai, Bella! Eu preciso de ajuda aqui. – A voz de Andrew ecoou pelo apartamento silencioso e eu afastei-me rapidamente de Edward, ofegando em busca de ar. Olhei para ele e o mesmo piscou para mim, lambendo os lábios e sorrindo torto em seguida. Deus, aquele sorriso desconcertava-me. – Pai? – Andrew chamou novamente.
— Estamos indo. – Ele respondeu e respirou fundo, pegando em uma mão. – Vamos ver o que aconteceu. – Foi em direção as escadas e começou a subir os degraus, segurando sempre em minha mão. – Por que está tão calada? – Olhou-me com o cenho franzido, enquanto caminhávamos para as escadas do terceiro andar.
— Só me recuperando. – Pigarreei e ele riu, dando-me um beijo na bochecha.
— Foi o beijo, não é? – Sorriu maliciosamente e eu ri, dando-lhe um empurrão com o ombro.
— Idiota.
Fomos até o quarto azul e eu arregalei meus olhos quando entramos. Edward praguejou ao meu lado e Andrew sorriu inocentemente sentado em sua cama, olhando ao redor, assim como nós estávamos fazendo no mesmo momento. As duas prateleiras de bonecos estavam caídas e as coleções de heróis estavam todas no chão, assim como os Legos e algumas caixas de jogos.
Por Deus, o quarto estava uma baderna.
— Você se machucou? – A pergunta saiu em uníssono da boca de Edward e da minha. Nos olhamos no mesmo instante e arqueamos a sobrancelha um para o outro, enquanto nos medidos.
— Que irado! – Andrew gritou do seu lugar, ficando de pé na cama e começando a pular no colchão. – Vocês falaram igualzinho! – Riu. – Muito irado!
— Não gosto dessa palavra, filho. – Edward soltou minha mão e com cuidado caminhou até o pequeno arteiro, comigo sempre atrás. – Mas você não se machucou, não é?
— Não, estou bem, só que eu me segurei nas prateleiras e as duas caíram. Vocês não ouviram o barulho? – Olhou curiosamente para mim e eu crispei os lábios e olhei para Edward, fazendo-o rir com meu olhar envergonhado.
— Estávamos ocupados.
— Com o quê?
— Você está mesmo bem? – Agachei-me diante a cama, já que ele tinha se sentado na beirada do colchão novamente. Meus olhos foram para sua mão e a peguei na mesma hora, vendo um corte. – Ah, Andrew. – Era um corte pequeno, mas já começava a deixar-me aflita. – Não está doendo? – Olhei em seus olhos e ele riu balançando a cabeça.
— Nem tinha visto esse corte aí. – Edward agachou-se ao meu lado e avaliou a mão dele, respirando fundo.
— Tem que tomar cuidado, campeão, me chame quando quiser pegar algo no alto ou use sua cadeira, não tem altura para ficar fazendo estripulias. – Pegou a mão dele e beijou o machucado. – Vai arder um pouco quando molhar.
— Precisa de um Band-Aid aí, Edward, está sangrando. – Falei rapidamente e ambos me olharam. – O que foi? Um corte assim já me deixa agitada. – Andrew soltou outra risada.
— Ah, eu adoro ela. – O pai dele riu e inclinou-se para mim, dando-me um beijo rápido nos lábios.
— É um pequeno corte, ele vai sobreviver, Bella.
— Mas está sangrando. – Falei como se fosse óbvio e fiquei de pé. – Coloca um Band-Aid, por favor? – Olhei-o e pisquei meus olhos, fazendo-o sorrir.
— Bella? – Olhei para o pequeno e ele ficou de pé sobre a cama, olhando-me sorridente e ficando quase da minha altura. – Posso contar uma coisinha? – Assenti olhando-o atentamente, cuidado para que ele não caísse dali, depois do desastre das prateleiras todo cuidado era pouco. – Sabia que você será uma mãe incrivelmente incrível? – Levantei meus olhos assustada para ele e ele sorriu meigamente, os olhos claros brilhando em minha direção. – Você fica preocupada comigo, cuida de mim, está com o pai mais perfeito do mundo e sempre está me ajudando nas coisas. Se você continuar assim, será a mãe mais perfeita que existe. – Meus olhos marejaram com tanto carinho e olhei para Edward, vendo-o sorrir para o filho e depois para mim, sua mão buscando a minha e entrelaçando seus dedos aos meus. – Bella? – O loirinho chamou-me e ofeguei baixinho, voltando a olhá-lo. – Você é perfeita. – Sorri para ele. – Você adora meu papai e já é da nossa família, sabe disso, não é? – Assenti meio que mecanicamente e Andrew abriu um sorriso doce, enchendo-me ainda mais de amor por ele. Deus, que garoto mais encantador. – Eu já amo você e não poderia querer alguém melhor com meu papai e comigo. – Pegou a minha mão livre e a apertou na sua, olhando nos meus olhos. – Então por favor, por favorzinho, seja a minha mamãe.
“Continua...”
Fale com o autor