Never It's Late.

13 Enfrentaremos tudo juntos.


Notas iniciais
Em mais um domingo trago mais um capítulo para vocês! o / Confesso, essa semana pensei que não conseguiria escrever, machuquei-me no vôlei e minha condição para escrever está horrível, só que eu consegui minha inspiração e consegui escrever sem machucar-me ainda mais, então valeu totalmente à pena tentar! :) Só um aviso prévio: O capítulo está pesado, com informações, emoções e mais alguns segredos que virarão curiosidades. Admito, chorei em algumas partes enquanto escrevia, então já deixo tudo avisado por aqui. Dediquei-me bastante e gostei do resultado, espero que gostem também. Enjoy ;) ~~09/04/17~~

Enfrentaremos tudo juntos.

Pov Edward.

— ...tome cuidado, sou eu quem joga as cartas agora. – O sorriso debochado que ele dirigiu-me naquele instante só fez com que meu ódio aumentasse. Meus dedos apertarem-se em punho e eu respirei fundo, tentando controlar-me, eu sou um homem poderoso, porém Anthony era muito pior e seus contatos não agradavam-me nenhum pouco, sendo quem ele era poderia qualquer coisa e eu temia pelo meu filho. – Acho que conseguiu me entender, Edward. – Soltou uma risada e ergui meu olhar, olhando-o nos olhos, vendo toda a alegria e deboche presentes ali. – Então podemos ir para um lugar mais reservado, assim conversaremos com calma, não é filho?

— Não chame-me assim, porra! – Grunhi dando passos para frente, ainda vendo-o sorrindo. – E eu não irei a lugar algum com você, acha que sou idiota para segui-lo? Eu não confio nenhum pouco em você, Anthony, ou na porcaria da sua mulher, porque eu sei que ela também está por perto. Vocês sempre planejam alguma coisa, mas eu não caio mais nisso. – Ergui o queixo, jogando todas as lembranças para o fundo da minha mente, eu nunca deveria ficar lembrando-me dessas coisas, só atormentavam-me ainda mais.

— Eu não me importo nenhum pouco com o que acha ou pensa, Cullen, eu quero conversar e é agora com você! – Aumentou o tom de voz, o dedo erguido em riste. – Eu sempre tenho o que eu quero e não será um merda como você que fará algo mudar.

— Isso é o que você pensa. – Ri sem humor. – Diga-me o que quer aqui, eu já disse e repito: Não vou para lugar nenhum com você. E pense muito bem, Anthony, vocês não são os únicos com contatos por aqui, eu também tenho os meus e não tenho certeza que você acharia agradável conhece-los. – Mostrei-lhe um sorriso e ele grunhiu, fazendo-me ficar satisfeito quando o vi respirar fundo e recuar um passo.

— Você não vai gostar de suas consequências, Edward.

— Pare de enrolação e diga-me logo o que quer. – Franzi o cenho e depois bufei. – Merda, nem precisa me dizer, Elizabeth ou você só me perseguem por causa de dinheiro, mas como eu avisei a sua mulherzinha eu não darei nada para vocês, podem atormentar-me o quanto quiserem, mas dinheiro vocês não ganham.

— Olha como fala da minha mulher, seu inútil! – Voltou a se aproximar, seus olhos perdendo todo o deboche e agora estavam transbordados de ódio. – Eu não permito que fale assim de sua mãe!

— Mãe porra nenhuma! – Dei um passo para frente, ficando bem perto do traste que encarava-me com raiva no momento. – Vocês não são nada para mim, Anthony, NADA! – Coloquei a mão em seu ombro, apertando o local e ouvindo-o grunhir quando fiz ainda mais força. – E nunca terei algum respeito por vocês, façam-me o favor, nenhum dos dois têm algum direito sobre mim ou qualquer coisa relacionada comigo. Não merecem coisa alguma!

— Fique longe de mim, merda! – Tirou minha mão de si, onde eu pressionava meus dedos. Ele respirou fundo, massageando o local, olhando-me sério. – Às vezes parece que você esquece quem somos, Edward.

— Infelizmente eu não posso ter esse prazer, porque a cada merda de dia eu tenho que ver um de vocês, pois sempre estão me perseguindo! – Rugi e ele bufou, revirando os olhos.

— Isso é porque você quer, querido filho. – Fechei meus olhos respirando fundo. – Se der o que queremos, o deixaremos em paz. – O olhei com uma sobrancelha arqueada e ele soltou uma risada. – Claro que por um tempinho.

— Vocês não prestam.

— Ah, não fale assim de seus pais, só queremos a retribuição por tudo o que fizemos por você. – Sorriu abertamente, o humor voltando para ele e a chave do carro ainda rodando em seus dedos. – Somos seus pais e merecemos algo em troca por tantos anos de dedicação.

— Cale a boca, caralho! – Bufei alto. – Vocês nunca fizeram nada por mim e não possuem nenhuma chance de querer algo, eu não darei nada a vocês!

— Edward, Edward, vocês nos superestima dessa maneira. – Riu. – Acho que as vezes esquece do que podemos fazer, ainda mais depois que descobrimos sobre o pequeno bastardo que tem como filho e a morena com quem anda fodendo.

Eu posso temer tudo o que eles podem fazer, mas ouvindo-o falar daquela maneira só deixava-me com mais ódio dele e por ele existir, dando-me uma vontade insana de mata-lo e acabar com isso, mas por hora eu só grunhi de raiva e ergui meu punho, acertando seu rosto em cheio e pegando-o de surpresa com a força, pois Anthony se desequilibrou e caiu de costas no chão, gritando de dor e segurando seu nariz que jorrava sangue agora. As palavras de ameaças dele e de Elizabeth ainda rondavam em minha cabeça, então a raiva que eu estava sentindo ganhava de minha coerência, tanto que ajoelhei-me diante dele e continuei a socar seu rosto, grunhindo e xingando-o a cada pancada que acertava em seu rosto, sentindo uma satisfação interna ao vê-lo tentar me afastar e poder enxergar o sangue em todo seu rosto, manchando-o.

— Você vai me pagar por tudo, Anthony. – Falei com raiva, desta vez acertando seu estômago, vendo-o tossir e virar-se para o lado enquanto cuspia sangue. – Vai pagar pelas coisas que fez-me na infância, em minha adolescência e por tudo o que vem fazendo agora, isso não vai ficar assim!

— Eu não tenho medo de você, Edward! – Riu balançando a cabeça, o sangue escorrendo em seu rosto. – Eu tenho muito mais poder que você. – Acertei mais um soco no rosto manchado e ele gargalhou, cuspindo sangue. – Isso só piora as coisas para seu lado, moleque idiota! Talvez eu consiga o seu pequeno bastardo e faça tudo com ele o que eu fiz com você, meus contatos de antes ainda existem e eles podem fazer maravilhas com um garoto daquela idade, jogando-o no mundo que você esteve por toda sua maldita infância.

— Eu te odeio, porra, odeio, odeio, odeio! – Soquei-o repetidas vezes, sentindo a dor de anos atrás apoderando-se de mim e a raiva misturando-se no meio de tudo, ainda mais que eu o ouvia rir, apesar de começar a ter seu rosto desfigurado pelas pancadas que eu o acertava. Mas eu não conseguia parar, eu sentia a dor de tudo o que passei, as lágrimas queimavam em meus olhos e imagens de Andrew sofrendo tudo aquilo aparecia em minha mente, fazendo-me odiar ainda mais aqueles vermes e toda a minha história, pois era culpa minha que Andrew nunca estivesse seguro ao meu lado, tento os crápulas a todo instante atrás de mim, de nós.

— Edward! – Um grito soou e eu solucei, não conseguindo me segurar, meus socos não parando em nenhum momento, deixando o rosto do homem em minha frente inchado e meu punho dolorido pelos impactos. – PARE COM ISSO! – Ouvi passos atrás de mim e logo braços pequenos alcançaram-me, abraçando-me por trás e tentando puxar-me dali. Eu perdi minhas forças e caí para trás, o corpo de Alice ficando sobre o meu, seu rosto demonstrando pânico. – Oh, meu Deus, o que você tem? – Vi uma lágrima deslizar em seu rosto e eu tampei meu rosto, sentindo o cheiro de sangue quando minhas mãos esfregaram-se em minha pele, tentando tirar minhas lágrimas que escorriam sem parar. – Edward, irmão, por favor, fale alguma coisa. – Olhei para a morena novamente e ela tocou meu rosto, chorando baixinho, tentando arrancar algo de mim, mas eu estava embriagado com tantas lembranças dolorosas, eu não conseguia reagir, eu só via Andrew em meu lugar, sofrendo tudo o que sofri, a indiferença, os abusos, as dores... – JASPER! – Ela levantou o rosto, soluçando. – Jasper, vem aqui, por favor. – Soluçou, olhando-me preocupada. – JASPER!

Eu fechei meus olhos, engolindo em seco e respirando com força, tentando tirar aquela dor de dentro de mim, mas me parecia impossível no momento, eu só a sentia e nada a mais aparecia para mim. Nada de alegria, nada de satisfação... só a incontrolável e alastrante dor que queimava-me de dentro para fora, da mesma maneira de anos atrás, ardente e insuportável.

Através de minhas pálpebras, ainda sentindo as lágrimas caírem em meu rosto, os únicos momentos em minha mente era o de domingo, os momentos felizes que eu fiquei ao lado de Andrew e Bella, a felicidade estampada no rosto de ambos, os olhares contentes e os sorrisos estonteantes. Eu queria agarrar-me àquelas lembranças, queria sentir toda a felicidade que senti naquele dia, mas o vazio estava em mim e as memórias da minha infância estava mais forte do que nunca, tirando meu ar.

Eu não ouvia mais nada, Alice tocava-me, acho que eram tapas em meu rosto, sua mão quente presente em minha pele, mas eu estava indiferente com tudo, só queria descansar e parar de sentir a dor. Acho que foi o que eu fiz, assim que entreguei-me a escuridão.

[...]

Respirei com força, sentindo uma terrível dor de cabeça e meu pulso direito latejava fortemente, fazendo-me grunhir baixinho pela dor incômoda. Apertei meus olhos e os abri devagar, franzindo meu cenho enquanto olhava em volta, mantendo meus olhos entreabertos, pois a luz forte do local chegava a incomodar-me.

— Tudo bem, cara? – Olhei para meu lado direito e Jasper sorriu para mim, pegando algo da cômoda e esticando. Com cuidado sentei-me na cama onde encontrava-me, encostando minhas costas nos travesseiros que estavam ali. – Sente-se melhor? – Franzi o cenho, pigarreando e suspirando, passando minha mão que não doía por meu rosto, esfregando-o.

— Me sinto fodido. – Soltei um longo suspiro e virei-me para ele, pegando o copo de água que ele me estendia e o remédio também, colocando-o em minha boca e bebendo o líquido por cima, respirando forte em seguida. – Cadê o Andrew? – Devolvi o copo para ele o loiro respirou fundo, olhando-me com cautela. – Jasper? – Me empertiguei, ficando assustado. – O que aconteceu? – Coloquei a mão na cabeça, sentindo-a latejar ainda mais. – Por que estou aqui e não na empresa? O que houve com Andrew para você estar olhando-me desta maneira? – Ele continuou mudo e eu bufei alto, dando um soco na cama. – Caralho, me responde!

— Calma, Edward. – Tocou meu ombro e eu respirei fundo, fechando meus olhos e tentando me acalmar. – Alice está com ele no andar de baixo, não se preocupe com Andrew, está tudo bem. – O olhei. – Deveria se preocupar com você. Está tudo bem? – Avaliou-me e eu assenti, olhando para meu pulso que doía, ficando confuso vendo-o enfaixado. – Você machucou quando socou Anthony repetidas vezes. – Olhei-o novamente, engolindo em seco com as imagens invadindo minha mente. – Edward, você teve um ataque, não conseguia se controlar e depois ficou absorvido em sua mente, não respondendo a nada, nem a dor que sentia por ter fraturado seu pulso. – Mexi minha mão, fazendo uma careta quando doeu. – O que ele te fez?

— O mesmo de sempre, Jasper, importunou-me. – Balancei a cabeça, abrindo e fechando meus dedos, tentando tirar o incomodo que estava em minha mão. Respirei outra vez fundo, lembrando-me de meu surto, o quanto bati em Anthony e toda dor mental que senti em seguida, relembrando-me de coisas que eu jamais contei a alguém, Alice somente sabia porque uma vez ela viu e atacou seus pais, ficando furiosas por semanas com eles.

— Não foi o mesmo, cara. – Chamou minha atenção. – Você normalmente o soca e ele vai embora, hoje foi estranho, ele ria e você entrava em conflito com sua mente. – Engoli em seco. – Aconteceu alguma coisa. – Apertou meu ombro. – Sabe que pode contar comigo, sou seu médico há anos, mas acima de tudo sou seu amigo.

— Eu sei. – Dei um meio sorriso e apertei sua mão que estava em mim. – Obrigado pela ajuda, Jasper, mas hoje foi pior do que qualquer outro dia. – Ele avaliou-me como sempre fazia, afinal foi e era meu psicólogo. Desde que tive a ideia de adotar Andrew, eu tive que refazer muitas coisas em minha vida e procurar ajuda por toda minha frieza e amargura foi um dos passos, assim conheci Jasper e consegui ao menos uma vez ser amigo de alguém, assim como Alice conseguiu se apaixonar, depois de negar-me até a morte que nunca amaria alguém. – Parece que Anthony colocou algo em minha mente. – Olhei para minha mão machucada. – Ele me fez visualizar Andrew passando por tudo o que passei na infância, e isso... – Esfreguei meu rosto, puxando meu ar. – ...isso fez-me ficar desligado do mundo real, Jasper. – Voltei a olhar para o loiro. – Me colocou em conflito comigo.

— Com sua mente. – Corrigiu. – Você não sentia nada, estava preso na dor do passado, mais uma vez. – Engoli a saliva lentamente. – Eu sinto muito, Edward, eu sei o quão horrível eles podem ser com você.

— Com Alice eles também podem, ela só não percebe, Jasper. – Ele assentiu, compreendendo-me. Alice era boa demais e não queria ver o quão horríveis seus pais eram, mas Jasper sabia disso, ele conseguia ver o que eu via naqueles inúteis. – Você tem que cuidar da minha irmã.

— Eu faço isso sempre. – Assenti. – Eu já tentei abrir os olhos dela, mas Alice quer acreditar que eles mudaram, ao menos com ela. – Ri sem humor, negando com a cabeça. Infelizmente Alice não sabia de tudo o que Anthony e Elizabeth eram, e eu queria contar a ela, mas não podia destruir minha irmã, ela ficaria fora de órbita quando soubesse de algumas coisas que jamais ninguém descobriu, além de mim. – Eu sei, eles nunca vão mudar.

— Jamais. – Reforcei, em seguida respirei profundamente. – Mas ao menos ela tem você. – Sorri um pouco, tentando tirar os pensamentos de outrora de minha cabeça, tentar esquecer a dor que mergulhei mais cedo. – Pode pedir para ela vir aqui e trazer Andrew?

— Claro. – Deu alguns tapas em minhas costas, sorrindo enquanto levantava-se da cadeira em que encontrava-se. – Eu vou estar lá embaixo caso preciso de mim ou de qualquer coisa.

— Tudo bem, obrigado. – Jasper sorriu e andou até a porta do quarto, abrindo-a e retirando-se do cômodo.

Assim que fiquei sozinho, fechei meus olhos e encostei a cabeça na parede, tentando esquecer mais do que tudo o que houve, queria tirar as imagens terríveis de Andrew no meu lugar, sofrendo todas aquelas coisas. Engoli em seco e agarrei meu cabelo com minha mão boa, puxando o ar de vez em quanto com força para meus pulmões, tentando me recuperar.

— Edward! – Mal processei a voz de Alice e já a senti agarrar-me com força, apertando-me em um abraço. – Oh, Deus, você me assustou demais. – Suspirei abraçando seu corpo pequeno, dando um beijo em sua testa.

— Desculpe-me. – Ela afastou-se o suficiente para olhar-me nos olhos, o castanho brilhando com lágrimas não derramadas.

— Me perdoe por eles, Edward. – Soluçou e eu balancei a cabeça, puxando ela para meus braços novamente, apertando-a.

— Não se culpe, Alice, eles não merecem isso, ainda mais vindo de você. – A senti balançar a cabeça, concordando com minhas palavras.

— O que houve com você? Parece que teve um ataque e depois desmaiou por mais de sete horas. – Arregalei meus olhos, afastando-me de seu abraço.

— Sete horas? – Alice assentiu apressadamente. – Droga, perdi o dia na empresa. – Minha irmã rolou os olhos, soltando um bufo.

— Você teve um sério problema e está pensando em trabalho, francamente, Edward. – Se afastou e sentou-se em minha frente, olhando com uma careta para meu pulso. – Está doendo muito?

— É mais um incômodo. – Alisei meu pulso com minha outra mão. Alice engoliu em seco e começou a torcer suas mãos juntas, olhando para baixo e escapando de meu olhar. Rolei meus olhos com sua indecisão para contar-me algo e estiquei minha mão, levantando seu rosto. – Conte-me o que está te atormentando.

— Anthony foi para o hospital. – Disse-me e eu quase verbalizei que o preferia no necrotério, mas minha irmã ainda tinha alguma coisa com aquele homem que só trazia o mal consigo. – Eu tenho medo, Edward. – A olhei confuso. – Você pode não me dizer as coisas, mas eu não sou idiota, sei o quanto você os odeia e o quanto eles estão te maltratando, ao que me parece é alguma ameaça.

— Alice...

— Não, eu vou me meter nisso, você querendo ou não. – Levantou a cabeça determinada. – Eu os amo, são meus pais. – Ela não sabia o que dizia, eles não mereciam qualquer sentimento bom, ainda mais vindo de Alice, uma pessoa tão boa com todos. – Mas eu amo ainda mais você, Edward, é o meu irmão. – Tocou meu rosto e franzi o cenho. – Eu sei de tudo o que passou com eles, eu vi coisas. – Olhei para baixo, sentindo-me mal com aquilo. – Eu posso te ajudar, mas com Anthony no hospital e Elizabeth ligando-me irritada demais, da forma que eu nunca pensei que ela ficaria, ainda mais falando comigo, eu só comecei a ter medo de tudo o que pode acontecer. – Ela fez uma pausa, então olhei para cima e encontrei Alice com os olhos brilhantes, uma lágrima descendo. – Eu temo por você, por Andrew. – Engoliu em seco. – Mas você pode ser o mais afetado, Edward, você tem coisas psicológicas com eles, você pode... você... – Alice não aguentou mais e começou a chorar desesperadamente, caindo em meus braços e derramando com forças suas lágrimas, apertando suas mãos em minha camiseta social, seu rosto deitado em meu peito.

— Andrew e você são minha prioridade. – Beijei seu cabelo. – E Bella também. – Alice saiu rapidamente de meus braços e olhou-me completamente confusa, seu rosto vermelho pelo choro. – Sim, ela está incluída na ameaça deles. – Ela balançou a cabeça desacreditada e voltou a me abraçar, ainda chorando. – Eu sinto muito, Alice.

— Como eles podem? – Falou em um sussurro. – Andrew é um garoto, Bella é a mulher mais incrível e doce que já conheci. – Alisei suas costas. – Eles não podem fazer isso, Edward, não podem.

— Eles não vão fazer nada. – Respirei fundo. – Nem com Bella, nem com Andrew e nem com você.

— Cuide-se também, Edward, você deveria ser uma das prioridades. – Balancei a cabeça e a ouvi bufar. – Claro que sim.

— Nada me importa se eu perder vocês.

— Não fale isso. – Ergueu a cabeça e tocou meu rosto. – Você é o mais afetado de todos, é afetado psicologicamente e isso é o pior. Deve se cuidar e muito, eles podem fazer qualquer coisa, assim como mais cedo, eu tive tanto medo, Edward, você... você desligou-se do mundo, parecia em um conflito interno. – Beijou meu rosto e eu sequei suas lágrimas. – Não posso perder meu irmão.

— E eu não posso perder as três pessoas mais especiais de minha vida. – A olhei sério. – Eu sempre os colocarei em primeiro lugar.

— Papai! – Olhei automaticamente para a porta e senti Alice sair de meu abraço, conforme via o pequeno garoto loiro correr para a cama e subir rapidamente nela, vindo até mim e jogando-se contra meu corpo. – Você está bem.

— Estou sim, campeão. – Beijei seu cabelo revolto, abraçando-o com força, jogando para o fundo da minha mente as imagens terríveis que ficou em minha mente após as coisas que Anthony disse. Ouvi um soluço e tirei o rosto de Andrew do meu pescoço, olhando-o preocupado quando vi seu rosto molhado e as lágrimas caindo depressa. – Ei, filho, o que houve?

— Você não acordava, pai, eu... eu tive medo. – Voltou a agarrar-me em um abraço e olhei por cima de seu ombro, vendo Alice secar seu rosto e apontar para a porta, indicando que sairia do quarto. Apenas assenti para minha irmã e voltei com minha atenção para meu filho que agarrava-se a mim como um bote salva vidas, ainda chorando.

— Estou bem, Andrew, estou aqui agora, fique calmo. – Ele balançou sua cabeça, abraçando-me mais apertado. – Shiuu, não precisa chorar, campeão.

— Eu fiquei com medo. – Repetiu choroso. – E se eu perdesse você, papai? – Fechei meus olhos, temendo isso também, jamais poderia ficar sem Andrew. – Eu não sobreviveria.

— Não fale isso, filho. – Segurei em seu rosto e o obriguei a me olhar. Beijei seu rosto e tirei os vestígios de lágrimas de sua pele, acariciando seu cabelo em seguida. – Não pense mais em nada disso, já passou, tudo bem? – Ele assentiu rapidamente e sorri para ele. – Estamos bem e isso importa, não precisa ficar preocupado.

— Quem era aquele homem que fez você ficar assim? – Seus olhos curiosos me encararam e eu engoli em seco. – Eu já não gosto dele, ele fez você cair em um sono profundo, papai, eu quase o perdi, eu não posso o perder, nunca. – Uma lágrima solitária derramou-se e eu a sequei rapidamente.

— Ele não é ninguém importante e pare de pensar nisso. O papai está aqui e nada vai nos afastar, campeão, sempre ficaremos juntos. – Ergui meu dedo mindinho e ele soltou uma risada, fungando enquanto levantava seu dedo e entrelaçava no meu. – Uma promessa minha, nada nos separará.

— Nem ninguém. – Levantou a cabeça e eu sorri orgulhoso, beijando seu cabelo e apertando seu dedo no meu, firmando a promessa.

[...]

Olhei pelo retrovisor do carro, respirando profundamente ao ver Andrew dormindo agarrado ao meu terno, sua cabeça caída para o lado e o sono sendo meio agitado, afinal ele sempre estava movendo-se em sua cadeirinha. Eu estava sentido por ele, Andrew não largou-me sequer um minuto durante o dia, sempre indo comigo em todos os lados da casa de Alice, afinal ficamos lá até o jantar e só agora, umas 22h estávamos voltando para casa, depois do dia cheio que tivemos.

Eu sentia o medo de Andrew, por incrível que pareça, depois de ele ter visto-me daquela maneira, sem reação para nada e desmaiado por mais de sete horas... a cabeça do garoto deveria estar cheia de coisas erradas, ainda mais depois de escutar Alice e Jasper conversando algo sobre minhas tormentas da infância. Eu felizmente o distraí do assunto, não queria que Andrew soubesse das coisas que passei e muito menos que ficasse pensando naquilo, ele já estava agitado demais com tudo o que presenciou hoje, não precisa de mais coisas em sua cabeça.

Mas eu estava cheio de ódio depois de tudo, minha mente me quebrando aos poucos conforme as imagens que deixaram-me em pânico voltavam, as cenas da minha infância atormentando-me, só que era ainda pior, pois eu via Andrew em meu lugar, sofrendo tudo o que eu sofri, mas... porra, eu jamais queria imaginar algo assim, ele era meu mundo e eu tinha que protege-lo de tudo, era o meu dever.

“ –... eles podem fazer maravilhas com um garoto daquela idade, jogando-o no mundo que você esteve por toda sua maldita infância. ”

Balancei minha cabeça, tirando as malditas palavras da minha mente, assim como as imagens que me atormentavam depois da fala de Anthony. Puxei meu ar com força e tentei concentrar-me na estrada, dirigindo com calma pelas ruas pouco movimentadas, meus olhos atentos nas avenidas.

Pouco tempo depois eu parei em frente ao grande portão do meu prédio, então apertei o botão que estava preso no espelho retrovisor, abrindo o grande portão de ferro. Com calma manobrei o carro para dentro e fui até minha vaga, estacionando ao lado dos demais veículos, vendo meus seguranças pararem com o seu carro no lugar de sempre.

Desliguei o motor e peguei a chave da ignição, retirando meu cinto e saindo do veículo em seguida. Acenei para George e Daniel, indo até a porta de trás do meu carro, abrindo-a e desfivelando o cinto da cadeirinha de Andrew, pegando meu filho com cuidado no colo, ajeitando-o da maneira mais confortável possível, tentando não acordá-lo.

— Senhor, fomos informados que o elevador do estacionamento está com problemas. – Vi Daniel voltar da recepção, dizendo-me isso. – O porteiro disse que os acessíveis são apenas os da recepção no momento, mas estão agilizando o processo para arrumar este.

— Tudo bem, obrigado, Daniel. – Ele assentiu. – E por favor, eu estou com alguns problemas com as mesmas pessoas de sempre, tenha atenção redobrada no prédio. – Daniel olhou-me atento. – Eu sei, está ficando mais perigoso.

— Seus progenitores devem estar presos, Senhor Cullen.

— É arriscado envolver policiais, Daniel, eu já lhe disse isso.

— E eu não sei as razões, por isso acho estranho. – Assenti, arrumando Andrew em meus braços, ouvindo-o resmungar em seu sono.

— Eu realmente entendo, só que é algo muito complicado para que eu explique para vocês, só tome cuidado, sim? – Ele concordou. – E os seguranças que pedi para contratar?

— Já estão atuando, senhor. – Respondeu-me, andando ao meu lado conforme eu caminhava para a recepção. – Eu os contratei ontem e hoje fizemos os devidos treinamentos, irão começar amanhã. Um estará ao lado de sua irmã e outro ao lado de sua namorada.

— Ótimo. – Respirei fundo, odiava mentir para Alice e para Bella, mas eu tinha que fazer de tudo para a segurança delas e eu sei que nenhuma aceitaria uma pessoa em sua cola 24h, mas era necessário, ainda mais depois do que se passou no dia de ontem. – Pode ir descansar, Daniel, e diga o mesmo para George.

— Boa noite, senhor. – Acenei com a cabeça para ele e o vi dar meia volta, indo até o estacionamento.

Passei pelas portas dupla da recepção e caminhei até o primeiro elevador, apertando o botão para chama-lo. Rolei os olhos ao ver que ele estava no vigésimo andar e respirei fundo, dando uma olhada em Andrew e engolindo em seco ao ver seu rosto sereno, era esse meu objetivo, mas parece que a cada dia que passava, tornava-se mais complicado deixar Andrew protegido e sereno.

— Oh, meu Deus, Edward. – Virei-me rapidamente ao som da voz, arregalando meus olhos ao ver a morena correr desesperada em minha direção. – Edward. – Soluçou e agarrou-me em um abraço desajeitado, afinal Andrew continuava entre nós.

— Bella? – A olhei assustado, afastando-me para olhar em seu rosto, arregalando os olhos ao ver os olhos inchados e vermelhos. – O que aconteceu? Você está ferida? – Olhei para todas as partes de seu corpo, tentando encontrar algum vestígio de que as coisas estavam fora do lugar, mas aparentemente estava tudo normal. – O que você faz aqui? E por que está chorando? – Disparei as perguntas em sua direção, temendo tudo no momento, as coisas pareciam piorar a cada minuto, merda, nada mais estava em seu normal.

— Podemos conversar em seu apartamento? – Levantou os olhos vermelhos em minha direção, assustando-me com o medo brilhando na cor chocolate. Apenas balancei minha cabeça e ouvi o barulho do elevador, indicando que ele tinha chegado.

Com cuidado, afastei uma mão de Andrew e a estiquei até a de Bella, apertando meus dedos nos seus e a puxando comigo, entrando no elevador. Afastei nossas mãos apenas para eu digitar a senha da cobertura, depois aproximei-me dela novamente, abraçando-a pelo ombro e enterrando meu rosto em seu cabelo, sentindo o pânico de tudo me invadir, esse maldito dia parecia não terminar.

Ficamos em silêncio o caminho todo até o último andar, apenas respirando com força, deixando esse único som invadir o elevador. Passou-se alguns minutos e logo a caixa de metal parou, suas portas abrindo-se em minha sala de estar e as luzes do apartamento acenderam-se sozinhas, conforme entrávamos nele.

— Me espere aqui, sim? Vou colocar Andrew em sua cama. – Olhei em seu rosto e Bella assentiu, indo até o sofá e jogando a bolsa enorme do dia anterior ali, algo que eu nem tinha notado que ela carregava. – Me diz algo, Bella. – Ela olhou-me. – Você está ferida? — Perguntei preocupado e ela cruzou seus braços, balançando a cabeça.

— Neste sentido eu estou bem, juro. – Respirou fundo. – Leve Andrew para o quarto, ele está desconfortável. – Tentou sorrir, mas seus olhos denunciavam que ela não estava nada bem.

— Eu já volto. – Sussurrei e ajeitei meu filho contra mim, indo em direção as escadas, subindo os degraus rapidamente.

Assim que cheguei até o terceiro andar, dirigi-me para o quarto azul e abri a porta devagar, entrando no cômodo escuro em seguida. Fui até a cama de Andrew e com muito custo, pois estava com ele ainda em meu colo, afastei os edredons, colocando o garoto adormecido no colchão em seguida. Arrumei Andrew na cama confortavelmente, e ele apertou o meu terno com mais força contra suas mãos, respirando fundo em seu sono. Engoli em seco e retirei seus sapatos, colocando-os no chão, achei melhor deixa-lo vestido daquela maneira, se eu fosse colocar pijamas nele era capaz de eu acordá-lo e depois do dia de hoje, achava melhor que ele dormisse por um tempo, tinha que descansar a mente.

Puxei os três edredons para cima de seu corpo e peguei o controle do aquecedor, ligando-o em uma temperatura adequada para o frio de Manhattan. Acendi a luz do abajur e sentei-me com delicadeza ao lado de Andrew na cama, afastando os fios loiros de sua testa, puxando minha respiração com força.

— Eu sinto muito por hoje, campeão. – Dei um sorriso triste e inclinei-me em sua direção, dando um beijo em sua testa. – Eu te amo. – Sussurrei contra sua pele. Abracei-o com cuidado e em seguida afastei-me, ficando de pé com cuidado, tentando não fazer ruídos.

Saí do quarto e mantive a porta aberta, acendendo a luz do corredor e iluminando um pouco mais o quarto de Andrew. Desci os lances de escada devagar e passei minha mão no cabelo, respirando duas vezes com força, tentando me acalmar diante de tanta coisa que aconteceu neste dia terrível.

Cheguei até a sala e levantei meu olhar, encontrando Bella sentada no sofá negro, seus pés sobre o estofado e os joelhos contra o peito, sua cabeça em cima do joelho e os olhos fechados, sua respiração saindo mais calma do que antes. Caminhei devagar até ela e sentei-me ao seu lado, chamando sua atenção. Bella olhou-me e piscou os bonitos olhos, seu corpo esgueirando-se para perto do meu, até que ela estava envolvida em meus braços e eu a apertei contra mim, beijando seu cabelo macio.

— Me conte. – Sussurrei no silêncio que estendia-se pelo apartamento. Ouvi-a respirar fundo e levantar sua cabeça, dando um demorado beijo em minha bochecha. – Bella. – A olhei desesperado, minha mão erguendo-se até tocar seu queixo. – Por favor me fale, eu não aguento ver essa angustia em seus olhos, ainda mais hoje.

— O que houve hoje? – Seus olhos buscaram os meus e ela franziu seu cenho. Calei-me e ela começou a buscar coisas em mim, assim como eu tinha feito com ela antes de entrarmos no elevador, porém Bella achou algo quando seu olhar encontrou-se ao meu pulso, arregalando-os. – O que houve com você, Edward? – Tocou minha mão com cuidado, seus dedos quentes massageando o local dolorido. – Você está bem?

— Estou, não precisa se preocupar com isso. – Massageei seu rosto com minha outra mão, fazendo-a me olhar. – Me conte o que aconteceu com você, parece estar tão desesperada.

— E eu estou. – Engoliu em seco. – Eu fiquei lá na recepção desde às seis da tarde. – Abri minha boca em choque e ela assentiu, olhando para baixo. – Eu saí rapidamente da loja e vim para cá, eu não sabia para onde ir e certamente até meu apartamento eu não iria, ainda mais sozinha. – Seu rosto ergueu-se. – Rosalie colocou muitas roupas na bolsa para o dia de ontem, então eu vim para o único local que eu lembrei. Espero que possa ficar sem causar problemas.

— É claro que sim, Bella, não seja absurda. – Balancei a cabeça. – Pode ficar o quanto quiser, tudo bem? – Ela assentiu lentamente. – O que aconteceu com você? – Os olhos brilhantes estavam mais uma vez em mim. – Você disse que estava desesperada, alguma coisa deve ter acontecido para isso, Bella, e eu quero saber. – Segurei seu rosto com minhas duas mãos, não ligando para a fisgada incômoda que aconteceu no meu pulso. – Me diz, eu preciso te ajudar.

— Mas, Edward...

— Não, Bella, você vai me contar. – Falei firme. – Eu não posso deixar você da maneira que está, parecia tão desesperada quando encontrou-me na recepção. – Fechei meus olhos brevemente, respirando profundamente. – Me fale, por favor, me diz o que está te atormentando.

— Elizabeth. – O nome saiu de forma sussurrada de seus lábios, mas foi o suficiente para que minha mente travasse e meus olhos buscassem os seus rapidamente, tentando absorver o que ela disse-me. Olhei assustado para ela e seus olhos estavam interligados nos meus, e eu conseguia ver todo o pavor estampado ali, atormentando-me da mesma maneira que estava fazendo com ela. – Ela foi até a loja. – Atentei-me a sua fala, respirando com dificuldade, sentindo-me um merda por estar causando os piores sentimentos nas pessoas mais importantes para mim: A dor e o medo. – Eu obviamente não a reconheci, você só me falou dela, mas eu não saberia quem é. Ela foi uma cliente normal no começo, dizendo que queria vestidos, roupas sociais, sapatos... – Engoliu em seco. – Confesso que não simpatizei com ela, mas eu sou uma vendedora, devo atender a todos de maneira igualitária. E o mais estranho foi que essa mulher pediu para ser atendida por mim e eu realmente me perguntava como ela sabia do meu nome. – Soltou uma risada sem humor e eu engoli em seco, a culpa corroendo-me, eu sabia do que aqueles dois eram capazes. – Só que de uma hora para a outra ela mudou, puxando-me para um canto vazio da loja e... e... – Ela engoliu em seco repetidas vezes, as lágrimas pareciam queimar em seus olhos, mas Bella não deixava nenhuma cair, segurando-as. – ...ela me ameaçou. Eu fiquei morrendo de medo, Edward, apavorada, estou até agora. – Olhou-me firmemente nos olhos. – Ela contou-me sobre você, sua infância. – Arregalei meus olhos. – Foi tudo o que você me disse. – Assenti, respirando um pouco aliviado sobre isso, tinha coisas que somente eu poderia contar para Bella, mas ainda não parecia o momento certo. – Só que falava de uma maneira diabólica, parecia se divertir com tudo o que você passou. – Uma lágrima finalmente deslizou no rosto de porcelana e eu a sequei rapidamente, ainda olhando em seus olhos.

— Eles sempre se divertiram, Bella, isso não é uma novidade, eu lhe disse isso. – Bella assentiu, suspirando alto.

— Eu sei e me doeu quando você disse, mas a forma que ela falava sorrindo, rindo de maneira divertida, parecia tão mais cruel. – Esfregou o rosto. – Então ela me mandou ficar longe de você, na verdade primeiro mandou-me pedir dinheiro, quantias absurdas, só que eu neguei-me, falei que jamais poderia fazer isso com você. – Respirou fundo. – Então ela mandou eu me afastar, porque se eu não fizesse o que ela queria, o afetado seria você e Andrew. – Fechei meus olhos, sentindo a dor corroer-me novamente, como mais cedo. – Eu não posso deixar isso acontecer, Edward, eu não posso perder você ou Andrew, vocês são especiais demais para mim, eu... eu... eu não posso perde-los. – Soluçou e eu voltei a olhá-la, seu rosto ficando manchado pelas lágrimas novamente. – Eu fiquei apavorada depois de tudo e só queria ir embora, mas Rosalie não estava na loja hoje e eu não queria ir sozinha até meu apartamento, é muito longe. – Continuou a narrar. – Então eu pedi para Angela deixar-me ir, ela não entendeu, mas me liberou mesmo assim, então eu peguei o metrô até aqui. Eu não sei a senha da sua cobertura, então não poderia subir, mas o porteiro disse-me que na recepção eu poderia ficar esperando até que você chegasse. Eu fiquei quatro horas e meia aguardando, meu pavor sempre aumentando, mas eu sabia que ver você me acalmaria de alguma maneira. – Tocou meu rosto, suspirando. – Me desculpe toda essa confusão.

— Desculpar? – Olhei-a incrédulo, balançando minha cabeça. – Por Deus, Bella, você não deve-me desculpas, olha o transtorno que passou hoje e isso tudo é a minha culpa. – Ela balançou a cabeça, mas respirei fundo. – É sim, você está passando por tudo isso por minha causa, porque está comigo.

— Mas eu quero estar com você, Edward, já lhe disse isso. – Segurou meu rosto com as duas mãos, da mesma forma que eu fazia com ela. – Eu disse que enfrentaria as coisas ao seu lado, e é isso o que vamos fazer.

— Isso é demais.

— Não é, eu quero estar ao seu lado e farei qualquer coisa por isso, não importa o que seja.

— Eu sou atormentado psicologicamente por Anthony. – Disse-lhe e Bella calou-se, olhando-me de olhos arregalados. Respirei fundo e afastei minhas mãos de seu rosto e segurei as suas, apertando seus dedos nos meus e entrelaçando nossas mãos. – Após deixar você na loja, eu fui levar Andrew até a casa de Alice, conversamos brevemente e logo o pai dela chegou lá. – Levantei meus olhos, captando qualquer reação de Bella e ela olhava-me atentamente. – Pedi para Alice entrar com Andrew e então Anthony começou a dizer coisas absurdas, fazendo-me ameaças assim como Elizabeth me fez há alguns dias, ou como ela fez a você hoje. – Engoli em seco. – Discutimos feio e eu neguei-me a dar qualquer coisa que ele quisesse, avisei que não seria mais controlado por ele e nem pela mulher dele, então... – Respirei com força – ...ele insinuou algumas coisas que aconteceram na minha infância.

— Sim, você já disse-me.

— Não. – Balancei a cabeça. – Isso eu nunca contei a ninguém, Bella, Alice só sabe porque ela viu o que acontecia em uma noite. Jasper, o noivo dela, é meu psicólogo há anos, mas eu jamais falei isso com ele também, eu não consigo falar sobre isso, para dizer a verdade. – Bella franziu o cenho olhando-me séria. Eu não queria que ela soubesse, mas olhando em seus olhos agora eu sentia que deveria contar para ela, somente assim ela entendera-me completamente. Eu me deixava exposto para Bella, mas apesar de doer falar qualquer coisa sobre meu passado, eu sentia-me de alguma forma aliviado quando falava isso para a morena em minha frente, era como tirar pesos de meus ombros. – Eu vou te contar, Bella, você merece saber. – Suspirei. – Mas prometa que não sentirá nojo de mim. – Pedi desesperado. – Não saia do meu lado.

— Não precisa me pedir isso, Edward. – Apertou minhas mãos nas suas e aproximou-se, seus lábios colando-se brevemente nos meus, um selinho demorado. – Eu só quero entender tudo isso, você é tão atormentado. – Seus lábios saíram dos meus, mas ainda continuavam próximos. – Sua infância foi terrível, mas olhando-o eu sinto que tem mais coisa atrás de mim.

— Tem sim e são piores do que pode imaginar. – Olhei para nossas mãos unidas, apertando nossos dedos entrelaçados para conseguir alguma força. – Anthony e Elizabeth sempre foram malucos demais, mas com meus quinze anos eles surpreenderam-me. – Ri amargurado. – Eu cheguei tarde em casa, afinal estava trabalhando, então entrei em silêncio, porém ouvi alguns ruídos estranhos vindo do andar debaixo ao térreo, só assim descobri que havia um porão em nossa casa. – Olhei para o rosto de Bella, respirando com calma, não queria que as lembranças invadissem-me, isso só deixava-me mais devastado. – Eu fui até lá, eu não deveria ter ido, mas como qualquer adolescente curioso eu fui, queria saber o que estava acontecendo. Desci as escadas devagar e assim que abri apenas uma fresta da porta do porão, eu vi coisas que jamais pensei que existiam e foi assim que descobri coisas piores sobre Anthony e Elizabeth e eu jamais imaginaria aquilo. Eles tinham e tem ainda, com certeza, uma pequena máfia. – Os olhos brilhantes arregalaram-se e eu assenti devagar, crispando meus lábios e tentando recompor-me, a pior parte ainda chegaria. – É por isso que eu tenho medo do que eles possam fazer com Andrew e com você. – Nossos olhos conectaram-se novamente. – Eles são perigosos demais, e atualmente essa máfia deve estar maior do que antes. Não é algo internacional e tão poderoso, mas eles possuem contatos de caras perigosos e são esses caras que podem machucar as pessoas mais importantes que eu tenho. – Soltei uma de suas mãos, tocando seu rosto. Eu tinha mais coisas a contar, coisas terríveis que eles fizeram comigo, mas isso eu não estava preparado para falar.

— Tem coisa ainda. – Bella sussurrou e eu assenti, minha testa encostou-se a sua e eu fechei meus olhos, apertando-os.

— Tem e eu tenho que contar para você, mas eu não consigo.— Confessei, engolindo em seco. – Eu sei que deveria continuar, afinal eu comecei, mas eu não posso, Bella, eu sinto muito, não consigo falar nisso, não... não dá, não agora. – Abri meus olhos, respirando de maneira ofegante. – Me desculpe por não dizer.

— Está tudo bem, Edward. – Sorriu um pouco. – Todos temos alguma coisa que nos atormenta e a sua deve ser... horripilante, vejo algo em seus olhos, eu não vou ficar chateada ou qualquer coisa parecia, esperarei seu tempo.

— Obrigado. – Ela assentiu. – Eu contarei, prometo, só não hoje. – Engoli minha saliva lentamente. – Mas depois que eu descobri isso sobre eles, com quinze anos, algumas coisas aconteceram. E hoje, Anthony insinuando essas coisas foi demais para mim, porque ele colocou Andrew no meu lugar e em minha cabeça eu via tudo o que aconteceu comigo, acontecer com meu filho. – Olhei desesperado para minha namorada. – Eu fiquei em choque, entrei em algum estado letárgico, enlouqueci com aquilo. Então eu comecei a socar Anthony, falando sempre que o odiava demais, espancando-o com força.

— Seu pulso. – Olhou para minha mão machucada e eu assenti.

— Sim, eu machuquei conforme batia em Anthony. Alice apareceu, ela tirou-me de cima dele e eu caí no chão, só que era estranho, eu parecia ser um espectador de tudo, não sentia-me no meu corpo, estava em um conflito na minha mente, como disse Jasper. – Seus olhos voltaram para os meus. – As imagens de Andrew em meu lugar me deixavam em um vazio imenso, só conseguia sentir a dor invadindo-me aos poucos e Alice tentar me fazer reagir, batendo em meu rosto, mas eu não conseguia prestar atenção nisso. Eu tentei agarrar-me no domingo, um dia feliz com Andrew e com você, mas não ajudava, a dor dilacerante estava presente e nada substituía ela. – Vi uma lágrima cair em seu rosto e sorri tristemente. – Então eu desmaiei. Acordei sete horas depois. – Seus olhos arregalaram-se com a informação. – Conversei com Jasper, Alice e eu fiquei na casa da minha irmã até agora a pouco, tentando voltar ao meu normal e parar de pensar naquilo tudo.

— Eu sinto muito, Edward, muito mesmo. – Abraçou-me apertado e eu suspirei contente em sentir seu corpo encaixar-se em meus braços.

— Está tudo bem agora. – Deitei minha cabeça sobre a sua, sentindo o aroma de seu cabelo.

— E Andrew? Como ele reagiu?

— Está desesperado até agora. – Respondi. – Ficou em pânico por eu ter desmaiado por tanto tempo, não me largou um minuto. Ele estava com medo de me perder. – Bella se afastou para olhar-me no rosto. – E eu sinto tanto por ele, não deveria fazê-lo passar por isso, Bella, ele tem apenas seis anos. – Ela tocou meu rosto, seu dedo escorregando por minha pele.

— Não pense assim.

— Mas eu sou fodido, estou fazendo todos sentirem dor comigo, Andrew, Alice, Jasper, você... estou acabando com a vida de todo mundo. – Ela negou. – Estou, Bella, eu não deveria ter ninguém ao meu lado, não sirvo para receber algo bom das pessoas, eu só acabo com elas.

— Não diga isso, Edward, não diga. – Repetiu, seu choro voltando com força. – Você é uma das melhores coisas que me aconteceu, jamais senti nada parecido do que sinto por você e eu adoro todos esses sentimentos que me assolam ao seu lado, nunca poderia querer algo diferente. – Uma lágrima caiu em meu rosto sem permissão e olhei nos olhos dela, vendo-os transbordados de lágrimas. – Você é perfeito e merece todos os sentimentos bons, merece ter todos com você, Andrew, Alice, Jasper e eu, nós adoramos tê-lo ao nosso lado e nada vai mudar isso, nada.

— Bella...

— Contos de fadas não existem, Edward, nós temos sempre que ter nossos pés no chão, prontos para enfrentar qualquer coisa, essa é a vida real. E se eu tiver que passar por tudo isso para ficar ao seu lado, eu passarei.

— Você não merece isso. – Toquei seu rosto, os choques tão satisfatórios atingindo-me como sempre. – Deveria ter uma vida bem melhor, não comigo ao seu lado, fazendo-a passar por isso.

— Eu não me importo. – Disse com determinação, sua mão erguendo-se e secando a lágrima que eu tinha derramado. – Se eu ficar com você depois de tudo, as coisas só valerão à pena. – Abriu um sorriso lindo, enchendo-me com todo aquele sentimento que invadia-me desde que ela entrou em minha vida, as peças da vida encaixando-se, as coisas entrando no lugar, somente por ela estar ao meu lado.

— Nada importa, Bella. – Segurei seu rosto. – Nós lutaremos contra tudo. – Ela sorriu outra vez e eu não aguentei-me, aproximei meu rosto do dela e capturei seus lábios nos meus, beijando-a de forma desesperada.

Minhas mãos agarram sua cintura e eu a puxei para meu colo, sentindo suas pernas fecharem-se em minha volta, sua boca sendo devorada pela minha e nossas mãos correndo pelo corpo um do outro. Eu tinha Bella comigo e isso só dava-me ainda mais confiança nas coisas, ela ao meu lado faria as coisas funcionarem.

Nós tínhamos muito o que enfrentar, as consequências eram grandes, mas eu faria de tudo para manter todos em segurança e se eu tivesse minha irmã, meu cunhado, meu filho e minha namorada comigo, eu sei que nada seria em vão, eles eram minha família e eu não deixaria nada machucá-los.

Era uma promessa.

“Continua...”

Notas finais
N/A (Cintia Cullen): Entãoooo? Todos bem depois das emoções? Eu sinceramente emocionei-me enquanto escrevia, é algo meu, eu coloco-me no personagem enquanto escrevo, então eu de alguma maneira sinto as coisas. Realmente espero que tenham gostado, eu amei demais descrever as coisas e torço bastante para que o resultado tenha ficado bom para vocês. E mais uma vez agradeço todo o carinho, porque sem vocês eu literalmente não seria nada, um autor só cresce junto com seus leitores e é isso o que acontece comigo, vocês só ajudam-me a crescer cada vez mais, a cada capítulo sinto-me mais motivada em continuar, vocês perfeitos e ajudam-me em tudo, obrigada, meus amores, de verdade. ♥ Estamos em exatos 388 comentárioooos, é tanto amor por essa fanfic e por vocês, sinto-me apaixonada sempre, obrigada por tudo. E agora estamos rumo aos 400 comentários e tenho certeza que nossa meta será atingida outra vez, vocês sempre me alegram com todos os comentários incríveis. ♥ Enfim... vou-me indo, até o próximo capítulo. Tenham uma ótima semana. :3