Never It's Late.

19 A verdade sempre aparece.


Notas iniciais
Aaahhh, lá vamos nós para o décimo capítulo dessa fanfic incrível! o / Vocês não fazem ideia de como amo escrever cada capítulo, hoje estava difícil para eu conseguir concentrar-me e buscar minha inspiração, até estava ficando com medo de não conseguir postar essa semana, mas eu conseguuuuui! ♥ Fico feliz demais ao receber todos os seus comentários, assim eu vejo que gostam da fic tanto quanto eu, e céus, isso é importante demais para mim. Obrigada por tudo, meus amores, vocês são os melhores leitores! :3 Agora vamos concentrar-nos no capítulo, estou torcendo demais para que gostem de novas descobertas! Enjoy ;) ~~21/05/17~~

A verdade sempre aparece.

Pov Bella.

Tentei puxar meu ar lentamente para meus pulmões, engolindo em seco várias vezes seguidas, precisava acalmar-me de alguma forma. Meus olhos ainda acompanhavam o casal que sorria alegremente e abraçavam Rose, para depois irem cumprimentar Lilian que parecia divertir-se ao conhecer os sogros da filha, até Andrew estava no meio, pulando entre os adultos e sendo o centro da atenção para a mãe de Emmett que o olhava de maneira encantada.

Meu coração estava em um ritmo alucinado enquanto eu os olhava, Deus, era algo tão estranho e confuso, mas as batidas erráticas pareciam querer avisar-me sobre alguma coisa boa que acontecia em minha volta, porém esse sentimento avassalador só assustava-me com a intensidade e a frequência. Essa sensação do desconhecido era completamente apavorante, ainda mais que quando eu olhava para os pais de Emmett o pressentimento de familiaridade assombrava-me com força, isso é o que deixava-me aterrorizada.

— Bella, vem conhecer os pais incríveis do meu namorado! – A voz divertida de Rosalie soou e eu sobressaltei-me em meu lugar, piscando meus olhos rapidamente conforme eu os guiava para frente e focava minha visão novamente, tentando infiltrar-me no que diziam. Rose ria e quando virou-se para mim, seu sorriso foi sumindo aos poucos e ela franziu o cenho, olhando-me confusa. – Está tudo bem? – Avaliava-me com cuidado e eu engoli lentamente, assentindo em seguida, odiava transparecer algo que a deixava preocupada, essas coisas deveriam ser a minha imaginação pregando peças, era melhor desligar-me disso e concentrar-me nos outros.

— Estou ótima. – Abri o sorriso mais verdadeiro que podia, caminhando lentamente até eles, vendo o casal sorrir de forma bondosa para mim. – Eu sou Isabella, irmã do coração de Rose. – Pisquei para a minha amiga, fazendo-a rir novamente. – Podem chamar-me de Bella.

— Ah, querida, que bom conhecer você! – A voz melodiosa da mulher ruiva soou, fazendo-me respirar fundo para tentar controlar meus sentimentos. Ela sorriu de forma amável e veio até mim, abraçando-me apertado. – Rosalie já tinha nos falado sobre você, e agora Emmett não para de dizer sobre uma tal “Bela Adormecida”. – Ri abraçando-a de volta, suspirando com seu carinho. – Você é muito bonita. – Separou-se de mim e sorri constrangida quando ela analisou meu rosto, piscando em minha direção quando.

— Obrigada. – Sussurrei e ela riu, beijando meu rosto.

— Então quer dizer que essa criatura fascinante é seu filho. – Olhou para baixo e Andrew nos olhava sorridente, acenando em direção a mãe de Emmett, fazendo-a suspirar. – Adorei ele. – Olhei-a e ela ainda sorria. – Posso pegá-lo? – Arqueou uma sobrancelha e assenti apressadamente.

— Claro que sim, Andrew adora atenção. – Pisquei para meu garoto e ele riu animado ao esticar seus braços para ela, sendo erguido em seu colo em seguida.

— Ele é tão lindo quanto você. – Mordi o lábio sorrindo e ela olhou-me. – Parece tão jovem, teve-o com quantos anos? – Franziu o cenho e eu ri, balançando a cabeça.

— Andrew é o filho do meu namorado. – O menino abriu um sorriso gigante, olhando-me. – Mas ele me considera como sua mãe, então eu o considero meu filho. – Inclinei-me, dando um beijo em sua bochecha. – Não é, querido?

— Claro que sim! – Abriu os braços agitado, fazendo-me sorrir, juntamente com a Esme que parecia encará-lo com fascinação. – Papai também adora a mamãe, assim como eu, mas é hilário ver a cara de bobo apaixonado que ele faz quando a olha. – Disse para Esme, arrancando uma gargalhada dela.

— Andrew! – O repreendi envergonhada e ele soltou uma risadinha, olhando-me com um sorriso inocente. – Deixe seu pai ouvir isso. – Cruzei meus braços e o vi balançar a cabeça ainda rindo.

— Papai sabe que é verdade. – Deu de ombros e ouvi a mãe de Emmett suspirar.

— Já vi que essa adorável criança conquistou até a mamãezona MacCarty! – O namorado de Rosalie riu, vindo até o nosso lado, seus braços em volta da cintura de Lilian e Rose, uma em cada lado. – Ele é demais, pena que seu pai é terrivelmente chato. – Bufou e eu revirei meus olhos, olhando-o séria. Emmett pegou meu olhar e tentou disfarçar com um sorriso inocente, arqueando uma sobrancelha. – E aí, Bela Adormecida, tudo bem?

— Cuidado com seus modos, Emmett. – A voz grossa e rouca de seu pai soou, captando minha atenção. Ele notou que eu o olhava e seus olhos incrivelmente azuis vieram em minha direção, juntamente com um sorriso em seus lábios. – Tenho certeza que o pai de Andrew deve ser incrível como ele, afinal, essa bela dama não ficaria ao lado dele caso fosse ao contrário. – Piscou para mim, abraçando sua esposa de lado. – É um prazer conhecer você, Bella. – Deu outra piscadela e eu sorri.

— Obrigada. É Carlisle, não é? – Ele confirmou sorrindo. – Vocês fizeram um ótimo trabalho com Emmett, ele é adorável, pena que tem uma terrível implicância com meu namorado. – Arqueei uma sobrancelha em sua direção, fazendo-o revirar os olhos.

— Emmett é uma eterna criança. – Esme disse, mexendo no cabelo de Andrew, seus olhos a todo instante no pequeno. – Não ligue para ele.

— Mãe! – Guinchou indignado, fazendo Rosalie e Lilian rirem ao seu lado. Ele olhou-me com os olhos semicerrados e eu sorri em sua direção, fazendo-o bufar. – Obrigado pelo apoio, Bella. – Sua namorada soltou outra risada, atraindo seu olhar consternado. – Rose!

— Ei, não é a minha culpa que você age como um bebezão perto de Edward. – Empinou queixo, olhando-o. – Você implica demais com ele.

— Ah, certo, e aquele cara metido não faz a mesma coisa. – Bufou com indignação, e dessa vez Carlisle riu, arrancando outro bufo dele. – Valeu, pai.

— Emmett, pare de ser uma criança, é como eu já disse, Bella saberia com certeza escolher um bom namorado. – Sorri outra vez para ele, sendo retribuída.

— Claro que ela sabe! – Lilian disse com alegria. – Ela namora um dos homens mais importantes desse país. – Piscou para mim. – E o mais gato também, convenhamos. – Andrew riu com doçura, atraindo nossa atenção.

— Verdade! Papai é incrível em todos os aspectos, inclusive beleza, sabia que ele atraí suspiros das mulheres? – Minha cabeça automaticamente virou em sua direção e o Loiro riu novamente. – Ah, mamãe, sabe que não precisa de ciúmes, papai é apaixonadão por você. – Rose guinchou alto.

— Apaixonado? – Olhou para mim e eu pigarreei, cruzando meus braços.

— Andrew e suas teorias. – Seus olhos azuis semicerraram-se e eu balancei a cabeça, respirando fundo. Tudo isso que Andrew falava também enchia demais a minha cabeça, aumentando automaticamente as batidas do meu coração. A palavra paixão parecia ter outro significado agora. – Outra hora, Rose. – Ela pareceu entender que eu estava apavorada com isso, mesmo que não demonstrasse, então assentiu, suspirando.

— Quem é o cara de sorte, Bella? – Esme questionou interessada, tirando um pouco de sua atenção de Andrew, olhando-me. Seu sorriso lindo estava ainda em seus lábios, fazendo as paranoias da minha cabeça funcionar, aquelas sensações que eu sentia, essa familiaridade... nada disso poderia ser certo, a realidade é que eu estava ficando louca com tudo isso. – Já gostei dele, afinal, ele tem esse garoto maravilhoso como filho. A criação dele deve ter sido ótima, olha como é educado. – Voltei a olhá-los e suspirei ao vê-la beijar Andrew, fazendo-o sorrir bobamente. – Então? – Chamou minha atenção e balancei lentamente a cabeça, tentando concentrar-me no que ela dizia.

— Bella é perfeita por conseguir conquistar o coração de gelo de Manhattan. – Lilian veio até mim, rindo ao abraçar-me de lado. A olhei confusa e a mesma revirou os olhos, beijando meu rosto. – Querida, sabemos que seu namorado não tem uma das melhores reputações. Mas talvez seu coração não fosse tão congelado, olhe o filho perfeito que ele criou. – Dirigiu seu olhar para Andrew e soltei um baixo suspiro ao vê-lo encarar encantado o cabelo de Esme, remexendo nas mechas sorridente. – Ela namora Edward Cullen. – Deu uma piscadela para Esme, rindo. – Ele é um homem belíssimo, você tem que vê-lo, Esme. – Apertou-me em seu abraço de lado, fazendo-me rir com sua empolgação.

Olhei em direção a mãe de Emmett, esperando encontra-la sorridente, porém assim que encontrei seu olhar, ela parecia realmente estar distante de nós. Franzi meu cenho e reparei que o maravilhoso sorriso que ela sustentava em seus lábios desde que chegou havia desaparecido, formando uma linha fina em seus lábios, conforme ela olhava para parede atrás de Lilian e eu, parecendo pensar em algo sério, seu cenho franzia-se como concentração.

— Edward? – Moveu seus lábios, o nome saindo de forma sussurrada de seus lábios. A vi engolir em seco e descer Andrew de seu colo, colocando-o no chão com delicadeza. Esme respirou profundamente e tentou sorrir para nós, só que era um sorriso doloroso dessa vez, atraindo-me a atenção. – Me desculpem, eu... eu... – Ela balançou a cabeça e distanciou-se de nós, caminhando rapidamente para fora da casa, seus passos estavam rápidos enquanto a víamos andar pelo jardim da casa de Rosalie.

— Mãe? – Emmett desvencilhou-se de Rose, tentando ir atrás dela, porém Carlisle segurou em seu braço. – Pai, o que aconteceu com ela? – Vi o loiro engolir em seco e soltar um longo suspiro, dando um sorriso de desculpas para todos nós.

— Ela só precisa de um tempo. – Olhou para seu filho em seguida. – Precisa entender que é algo dela, Emmett, por favor, deixa-a pensar nisso, tudo bem? – Emmett olhou com dor para seu pai, tirando um suspiro longo dos lábios dele. – Eu sei que é difícil vê-la assim, também me machuca, filho, mas o passado nem sempre é bom.

— Mas... mas... – O grandão balançou a cabeça, respirando profundamente. – O que tem a ver o nome do namorado de Bella?

— Lembra-se de seu tio avô Edward William McCarty, que morreu há um ano? – A compreensão pareceu passar nos olhos castanhos de Emmett, fazendo-o engolir em seco e em seguida abaixar sua cabeça, conforme respirava fundo e assentia em direção ao seu pai. – A perda dele ainda é difícil para sua mãe. – Suspirei com o clima pesado e logo senti um par de braços agarrar minhas pernas, chamando a minha atenção para o chão. Olhei para baixo e tentei sorrir para Andrew, porém parecia difícil, ainda mais com a dor estranha que apossava-se de meu corpo.

— Ei, amor. – Chamei-o e agachei-me para pegá-lo no colo, beijando seu rosto.

— Eu estou confuso, mamãe. – Seus olhos claros demonstravam um certo medo e a confusão brilhando no fundo, fazendo-me engolir em seco e abraça-lo.

— Está tudo bem, querido, Esme só teve um probleminha, não é nada grave. – Olhei por cima de seu ombro e encontrei Carlisle. Ele suspirou e sorriu minimamente em minha direção.

— Eu vou ver como ela está, nós já voltamos. – Assenti e Carlisle virou-se, saindo em direção ao local que Esme tinha praticamente corrido.

— Nos desculpem por isso. – Lilian, Rose, Andrew e eu olhamos em direção a Emmett e ele colocou suas mãos no bolso de sua calça jeans surrada, suspirando auditivamente. – A morte do meu tio avô ainda é meio complicada para minha mãe, ela é sensitiva demais, então dói bastante ainda. – Rose o abraçou de lado e beijou delicadamente seus lábios, respirando fundo.

— Está tudo bem, Ursão, não estamos julgando-a. – Sorriu para ele. – Quem é que não tem lembranças ruins, hein? – Cutucou-o, e Emmett sorriu um pouco para ela, abraçando-a. – Está tudo bem. – Repetiu contra o peito de seu namorado.

— Querida, que tal um pouco de chocolate para esse garoto lindo? – Lilian piscou para mim e eu ri assentindo, vendo Andrew levantar sua cabeça depressa de meu ombro. – Eu tenho uma caixa de bombons lá na cozinha, posso deixa-lo assalta-la enquanto o almoço não sai. – Olhei para meu filho e ele já sorria animado novamente, o brilho alegre voltando ao seu olhar.

— Eu vou adorar! – Agitou-se em meu colo, tirando de mim uma risada. Ajeitei-o e beijei os fios loiros de seu cabelo, passando meus dedos pelas mechas.

— Vai lá, meu pequeno chocólatra. – Coloquei-o no chão e ele acenou para mim, segurando a mão de Lilian e caminhando de forma saltitante ao seu lado, conforme ambos iam em direção a cozinha.

Soltei um suspiro e cruzei meus braços, sorrindo um pouco ao ver Emmett e Rosalie abraçados, enquanto cochichavam entre eles. Preferindo deixá-los a sós, caminhei em passos silenciosos em direção a sala de estar, entrando no cômodo calmo, indo em direção a enorme janela que tinha ali. Parei em frente ao vidro que ia do chão ao teto, esfregando meus braços enquanto olhava o imenso jardim, puxando lentamente o ar para dentro de mim, repetindo isso diversas vezes, tentando acalmar os sentimentos que estavam apossando-se de mim.

Esses sentimentos doíam e eu ficava cada vez mais preocupada com a finalidade deles, pareciam machucar-me por dentro, e a cada vez que meu coração palpitava mais forte, o medo me arrepiava. Um suspiro lento saiu de meus lábios e eu encostei-me na janela, enquanto meus olhos corriam pelo jardim bem estruturado, parando quando eu encontrei um casal abraçados.

Esme e Carlisle estavam abraçados e eu podia nota-la apertando seus dedos com força contra a camiseta do marido, torcendo o tecido entre eles. Seus ombros chacoalhavam e o choro dela parecia ser sofrido, fazendo com que o loiro sussurrasse contra seu ouvido, passando delicadamente suas mãos nas costas dela, tentando reconforta-la. A dor dentro de mim pareceu piorar com essa imagem e automaticamente levei minha mão até meu coração, sentindo sua pulsação acelerada, e um ofego saiu de meus lábios ao olhar o casal tão familiar a poucos quilômetros de mim.

Por Deus, tudo isso tinha que dizer-me algo, parecia doloroso e apesar de eu temer demais o significado dessas coisas, de alguma forma, bem lá no fundo de mim, eu sabia que era algo bom. Só que eu não aguentava sentir essas coisas, pareciam ser cheios de significados, mas eu não sabia interpretar e dizer o que eram.

Fechei meus olhos por um momento e encostei minha testa no vidro, abrindo a boca e puxando meu ar assim, tentando ter alguma lucidez. Nesse momento tudo o que eu queria era ter Edward comigo, poder abraça-lo e ver que eu estaria bem em seus braços, afinal, assim que ele estava perto de mim e rodeava-me, eu sentia que era a criatura mais segura do mundo todo. Ele era meu porto seguro.

Pov Edward.

Conforme eu ouvia os sócios da empresa conversarem, eu peguei minha caneta e comecei a rodeá-la entre meus dedos, tentando focar-me na reunião e absorver algo que eles falavam, mas minha mente parecia estar em outro lugar, meus pensamentos definitivamente não estavam naquela sala cheia de pessoas.

Movi minha mão direita para meu cabelo e baguncei o fio entre meus dedos, respirando fundo quando vi o problema de Bella materializar-se em minha mente. O jeito que ela saiu daquela loja ainda estava em minhas lembranças, dando-me ainda mais raiva das pessoas que trabalhavam por lá. Eu sabia que ser demitida poderia ser terrível para Bella, mas algo em mim dizia que não foi somente aquilo que a fez chorar de forma desesperada, não foi só a demissão que deixou-a assustada e apesar de tudo isso, eu via um brilho de raiva em seu olhar, conforme chorava em meus braços.

— O que aconteceu com ela? – Foi a primeira coisa que saiu de meus lábios, porque eu olhava confuso para Rose e Bella, vendo minha namorada abraçada a sua amiga, e ela parecia chorar desesperada. Ao ouvir minha voz, a vi erguer sua cabeça e soltar um soluço, enquanto corria em minha direção e jogava-se em meus braços, fazendo-me suspirar, apertando-a contra mim. – Bella, o que houve? – Questionei, porém a senti tremer contra mim e abraçar-me mais forte, tentando tranquilizar-se. Respirei fundo e esfreguei minhas mãos em suas costas. – Me diz, por favor, Bella, eu estou ficando preocupado. – A senti afastar-se e erguer seu olhar para mim, os olhos castanhos estavam cheios de lágrimas e encaravam-me com pânico. Ergui minha mão e toquei sua bochecha molhada, secando as lágrimas que teimavam em cair.

— Eu perdi o emprego, Edward. – A voz dela saiu fraca, o choro agora virando silencioso, mas a dor que eu via em seu olhar já transmitia tudo. – Eu fui demitida. – Repetiu, como se fosse para fazer isso entrar em sua mente. Suspirei olhando-a e ela engoliu em seco, o temor passando por si. – O que eu farei agora? Eu não tenho experiência e nem nada do tipo, como conseguirei um emprego que pague bem e que possa coincidir com minhas aulas que começarão no próximo mês? – As lágrimas caíam com força em seu rosto, seus olhos estando a todos os instantes nos meus. – Eu não tenho nada, estou tão ferrada, tão ferrada. – Balancei a cabeça puxando-a para mim, abraçando-a com toda a força que eu tinha, deitando minha cabeça em seu pescoço e beijando sua pele, respirando fundo.

— Eu vou ajudar-te, Bella, com isso não precisa ficar preocupada.

Bufei e esfreguei o meu rosto, respirando com força. Eu tinha conversado por telefone com Rose e a mesma disse-me que o tratamento para Bella nunca foi o melhor de todos e nem igualitário, afinal, sempre tinha uma que adorava brincar com ela e sua inocência. Eu fiquei puto quando a ouvi dizer isso, hoje cedo quando eu já tinha saído do apartamento da minha namorada, a raiva queimava em mim, mas a Loira me fez prometer a ela que não faria nada demais relacionado a isso. De alguma forma, ela sabia que eu não era homem de deixar as coisas baratas.

— Senhor Cullen, o que acha da nossa nova aquisição para a Editora? – Fechei meus olhos por um instante e suspirei. Balancei a minha cabeça e quando senti-me mais recomposto, olhei para a mulher que encarava-me curiosa. –Está prestando atenção em nós, Sr.? – Brincou arqueando uma sobrancelha e eu grunhi, fechando a pasta que estava em minha frente, arrastando a minha cadeira para longe da mesa, erguendo-me em seguida.

— Eu quero essa reunião remarcada para a próxima semana. – Minha secretária levantou-se de seu lugar e fechou o notebook, abraçando-o contra seu peito, caminhando até parar ao meu lado. – A Senhorita Johnson irá remarcar com cada um de vocês. – Fechei a minha caneta, vendo as pessoas assentirem e começarem a fechar seus arquivos. Peguei a minha pasta com os contratos e dei para minha secretária, deixando-a organizar as coisas em suas mãos.

— Isso só pode ser brincadeira! – A mulher morena, que antes olhava-me brincalhona, grunhiu, ficando de pé e espalmando suas mãos na mesa de vidro, encarando-me com raiva agora. Arqueei uma sobrancelha em sua direção e ela bufou. – Você não é o dono do mundo, Edward Cullen, as coisas não têm que sair da forma que sempre quer! – Socou a mesa. – Eu quero essa reunião terminada agora! Somos sócios e eu exijo isso. – Ajeitou-se sobre seus saltos e cruzou os braços contra o peito, fazendo-me revirar os olhos. Dei a volta na minha cadeira e sobre o olhar atento de todos, parei em sua frente, fazendo-a erguer o queixo para olhar-me.

— Primeira coisa: Eu sou o dono da Publisher E. Cullen, então nada o que você disser fará eu querer terminar a porcaria da reunião agora, eu mando aqui, se ainda não percebeu. – Sorri de forma arrogante. – E segunda: A partir de agora nossa sociedade acabou, pode avisar aos seus chefes que a minha Editora não precisa do apoio deles. – Olhei em volta. – Mais alguém quer reclamar? Sintam-se à vontade. – Respirei fundo quando ninguém pronunciou-se e retornei com meu olhar para a morena que bufava ainda. Encarei seu nome no crachá preso ao seu blazer, levantando uma sobrancelha para ela. Era arrogância, mas a raiva que eu sentia só aumentava com a petulância de algumas pessoas, isso ainda não mudou. – Passar bem, Srta. Percy. Espero que seus chefes sintam-se alegres com a nossa sociedade desfeita por sua causa. – Pisquei e refiz meu caminho para fora da sala de reuniões, ouvindo os saltos da Srta. Johnson batendo com força no piso de mármore.

— Senhor Cullen, com a reunião finalizada com sua pressa, talvez o senhor já possa ir para seu próximo compromisso. – Ela caminhou rapidamente até estar ao meu lado, e agora ela mexia em algo em seu tablet. – É em meia hora. – Engoliu em seco ao levantar seus olhos para mim.

— Eu quero que desmarque qualquer compromisso que eu tenha até daqui três horas, preciso resolver algumas coisas. Assim que possível, vou voltar para a empresa. – Determinei e puxei meu celular do bolso do meu terno, conferindo as horas. – Reagende para essa semana, ou para a próxima, só remarque.

— Mas... mas de novo? O Senhor já perdeu diversos compromissos essa semana. – Parei em frente a porta da minha sala e virei-me para ela, respirando fundo, a minha paciência inexistente começava a desaparecer ainda mais, como se fosse possível.

— Eu acho que fui bem claro em minhas ordens, Senhorita Johnson. – Bufei. – Como minha secretária, faça o que eu digo. – Revirei meus olhos e fui para dentro da sala. Caminhei até a minha mesa e peguei as chaves do meu carro, assim como a minha carteira, querendo sair o mais rápido da empresa, precisava resolver essas coisas que estavam atormentando-me. Virei-me para sair da sala, porém meu corpo estacou quando a porta foi aberta e a mulher sorridente passou por ela, encostando a porta de madeira em seguida, sorrindo ainda mais quando cruzou seus braços e os olhos macabros analisaram-me.

— Olá, querido, quanto tempo. – Piscou para mim. Esfreguei meu rosto e puxei o ar com força para meus pulmões, tentando controlar-me.

— Que diabos veio fazer aqui? – Agarrei alguns fios do meu cabelo, torcendo-o contra meus dedos, olhando para qualquer lugar que não fosse para ela. Quando meus olhos batiam naquele rosto atormentado, todas as lembranças terríveis da minha infância vinham com força total para a minha mente, e eu definitivamente não precisava disso no momento. Eu não queria o medo apoderando-se de mim mais uma vez, não agora.

— Não fale assim, filho, faz tanto tempo que não nos vemos. – Riu. Olhei com raiva em sua direção e ela fez um beicinho teatral, levando uma mão até o peito. – Que isso, meu amor, está renegando sua própria mãe? Apenas vim lhe fazer uma visita, talvez alegrar seu dia. – Abriu um sorriso doentio, ajeitando a bolsa em seu ombro e caminhando lentamente até mim, sentando-se na cadeira que ficava de frente para a minha mesa. – Faça companhia para a mamãe. – Piscou e eu grunhi ao segurar em seu braço e puxá-la para cima, fazendo-a ficar de pé.

Eu odiava a tormenta psicológica que ela fazia comigo, como fez durante toda a minha maldita vida. Essa era a pior parte, talvez sendo até mais macabro que a obrigação de drogar-me.

— Você não é a porra da minha mãe! – Chacoalhei-a, e mesmo que parecesse doer o aperto que eu dava em seus braços, ela ainda sorria e revirava seus olhos. – Por que você insiste em vir aqui, Elizabeth? Sabe que não ganha nada fazendo seus joguinhos, eu não sou mais aquele garoto inocente! – Ela soltou mais uma risada e saiu de meu aperto, passando a mão na vermelhidão que ficou em sua pele.

— Ah, Edward, querido, você não me assusta com esse seu temperamento forte. – Piscou. – Anthony e eu somos muito piores do que pensa, e sabe que se não ceder, duas pessoas que estão em sua lista “da salvação” pagarão por sua tremenda burrice! – Grunhiu e deu dois passos, ficando mais próxima de mim. – Pense bem, filho, o dinheiro vale mais do que seu bastardo e a sua vadia? – Sorriu de forma doente, ajeitando o cabelo loiro para trás da sua orelha. Grunhi com a forma que ela falou e isso só a fez sorrir mais, como se estivesse divertindo-se. – O tempo corre mais rápido do que tudo, Edward, e só você pode salvá-los. – Riu animada, batendo palmas e fazendo-me fechar os olhos e respirar com força, eu odiava-a mais do que qualquer coisa, assim como a merda do seu marido, esses dois não largavam-me mais, eu não sabia como tirá-los da minha vida. A morte era a única opção, mas seria fácil demais para eles, primeiro tinham que pagar por tudo o que fizeram para mim, em toda a minha vida. – Eu já tive uma conversa muito animada com a nova namorada do Cullen. – A olhei e o sorriso aumentou quando a mesma conseguiu a minha atenção. – Ah, é claro que ela já deve ter te contado sobre a minha visita no empreguinho dela, meninas inocentes como ela correm para os braços do homem que acham ser perfeitos. – Rolou os olhos. – Tolas. Aquela menina mal saiu das fraldas, é sério que você se interessou logo por ela, Edward? – Soltou outra risada. – Talvez seja melhor para enganá-la, hein? – Arqueou uma sobrancelha. – Homens como você não querem nada a mais do que sexo, você não tem um coração, filho. – Bateu em meu ombro e eu agarrei seu pulso, apertando-o.

— Você não sabe de nada! – Grunhi cada palavra e uma careta formou-se em seu rosto, conforme eu ia apertando sua mão. – Você acha que sou eu que não tenho coração? – Ri balançando a cabeça. – Olha para você, Elizabeth, a única coisa que sabe fazer é vir me atormentar para dinheiro, como uma puta. – Ela rugiu e eu segurei-a com mais força, detendo-a. – Você não tem mais autoridade sobre mim, porra, não tem mais nada que me faça agir como a merda de um robô! Isso mudou, desde que eu fugi daquela maldita casa!

— Você acha? – Gargalhou, seus olhos ? lacrimejados por causa da dor, mas ela ainda fingia não se abalar. – É sério isso? – Riu com vontade. – É claro que eu tenho autoridade, ainda atormento você, Edward, como sempre. – Olhou em meus olhos. – Busque em suas memórias tudo o que te fizemos passar, isso ainda está dentro de você, é como um botão, querido, a hora que quisermos, Anthony e eu podemos pressioná-lo e ativar qualquer lembrança dolorosa nesse coração de pedra. – Bateu em meu peito com sua mão livre, soltando uma risada amarga. – E você ainda acha que não temos autoridade sobre você. – Suspirou. – Pobre menino tolo, nós ainda podemos fazer o que quiser com você. – Sorriu abertamente. – Temos muitas cartas na manga, podemos utilizar suas lembranças, lembro-me que teve que se tratar com psicólogo, Cullen, por causa da carga emocional e psicológica que tinha por nossa causa. – Olhei-a espantado, como diabos eles sabiam disso? Elizabeth arqueou uma sobrancelha e riu do jeito que eu a olhava. – O que foi? Estamos a todo momento atrás de você, sabemos de qualquer coisa que acontece em sua vida, não tinha reparado nisso? – Gargalhou. – Sabemos de tudo. Somos como sua sombra! – Levantou um braço, como se comemorasse. – E caso não usemos suas lembranças, ainda temos mais duas cartas: O pequeno bastardo e a vadia que chama de namorada! – Riu e apertou meu queixo, fazendo-me grunhir quando afastei-me com brusquidão de seu toque, soltando-a. – Somos poderosos, Edward, não brinque conosco. – Massageou seu pulso, bufando. – Anthony não vai gostar de saber que anda machucando-me.

— Estou pouco me fodendo para o que ele acha, Elizabeth, acha mesmo que eu ligo para dois covardes como vocês? – Ela olhou-me com raiva, mas ainda tentava ser superior, não demonstrando como era afetada. – Eu sei me cuidar e mesmo que dizem ser minha sombra, vocês não sabem de nada o que eu faço. – Agora eu aproximei-me dela, vendo com satisfação um brilho de medo surgir em seus olhos. – Eu tenho meus contatos, também tenho os meus meios, afinal, aprendi com os melhores. – Ri amargurado. – Eu aprendi, após sofrer a minha vida toda, busquei coragem para achar alguma forma de defender-me de vermes como vocês. Eu tenho meus meios. – Repeti e ela grunhiu, olhando-me raivosa.

— Você vai se arrepender por tentar nos enfrentar, Edward, grave muito bem isso. – Engoliu em seco. – Se éramos perigosos antes, imagine agora? – Sorriu maliciosamente. – Podemos fazer qualquer coisa contra você, e eu não digo que precise ser com sua pessoa, basta usarmos Andrew e Bella, acho que essa satisfação sumirá rapidinho de seu olhar. – Rugi aproximando-me dela e seus olhos arregalaram-se quando eu segurei-a pelo pescoço, apertando-a.

— Você não ouse se aproximar deles. – Elizabeth agarrou meu braço, olhando-me assustada, conforme o meu aperto intensificava-se. – Eu tive medo a minha vida toda, mas eu vou dar um basta nisso agora! – Grunhi, olhando no fundo dos seus olhos. – Eu perdi muito tempo tentando fugir das más lembranças, tentando escapar de vocês e de suas ameaças, mas não vou suportar mais isso! – Gritei. – Agora chega, vocês não controlam mais a minha vida e qualquer passo em falso que derem, eu acabarei com a vida de vocês! – Sufoquei-a e ela abriu a boca, tentando puxar o ar. – Estamos entendidos, mamãe? – Ironizei, rindo de forma amarga, a dor preenchendo-me, mas eu não me amedrontaria mais na frente deles, chega dessa palhaçada de eles comandarem cada passo meu. – Espero que tenha ficado claro, eu não sou mais o adolescente inocente, eu sei me defender agora e isso faz o jogo reverter-se, vocês não vão me usar, muito menos meu filho e a minha namorada. Eu mato vocês se chegarem perto de qualquer um deles! – Soltei-a com força, empurrando-a e vendo-a cair no chão, enquanto esfregava a garganta e puxava a respiração pela boca, tentando normalizá-la.

— Você vai se arrepender. – Pontuou sua frase, a raiva brilhando em seu olhar.

— Eu já me arrependi por achar que algum dia vocês poderiam ser alguma coisa parecida com meus pais. Esse foi meu maior arrependimento. Acho que não existe mais espaço para isso. – Com as minhas coisas em mãos, olhei-a novamente, vendo o ódio em suas orbes. – Ah, seu marido já está no hospital por minha causa, Elizabeth, se continuar a me procurar para perturbar-me, que fique claro na sua mente que você pode ser a próxima. – Bufei e virei-me de costas para ela, caminhando com pressa para fora da minha sala, encontrando minha secretária atenta ao seu computador. – Anthony e Elizabeth Masen estão terminantemente proibidos de entrar na merda dessa empresa! – Parei em frente a sua mesa, apoiando-me nela. – Avise a qualquer segurança desse prédio, eu não quero nenhum deles aqui. E se essa ordem não for cumprida, saiba que todos estarão no olho da rua! – Bati na mesa e coloquei-me de pé, respirando fundo. – Fui claro?

— Cristalino, Senhor Cullen. – Assentiu e eu suspirei.

— Ótimo. – Fui até o elevador e chamei-o para o andar, esfregando meu rosto em seguida, respirando fundo diversas vezes.

Eu tinha coisas para resolver e com a paciência que eu estava, tinha certeza que assustar alguém não seria nada complicado.

[...]

Entrei no estabelecimento, ouvindo os sinos soarem quando passei pela porta de entrada. Peguei o meu celular e abri os e-mails que eu tinha recebido hoje cedo, conferindo se eu estava com tudo prontificado com as provas, pois com isso que eu tinha em mãos, eu conseguiria o meu objetivo do dia.

— Olá, Senhor, em que posso ajuda-lo? – Uma mulher prontificou-se em minha frente, sorrindo mais do que o normal para mim, seus braços para trás. – Sou Jessica, serei sua atendente se desejar. – Piscou e eu revirei meus olhos.

— Vou direto ao ponto: Preciso falar com Angela Weber. – Sua sobrancelha arqueou-se. – Algum problema?

— Eu não sei se ela irá querer conversar com o Senhor, ainda mais sem eu saber o assunto que deseja tratar com ela. – Ri e balancei a minha cabeça, correndo com minha mão em meu cabelo.

— Preste bem atenção, Jessica, não é? – Ela assentiu rapidamente. – Olhe, eu quero que vá anunciar que eu quero conversar seriamente com a Senhorita Weber, tenho certeza que se ela saber quem eu sou, vai querer atender-me. – Jessica abriu a boca para contrariar-me e eu grunhi, suspirando alto. – Avise-a que Edward Cullen está aqui, ela não vai querer deixar-me com os assuntos pendentes. – Levantei uma sobrancelha e seus olhos arregalaram-se, enquanto ela assentia apressadamente.

— Pode seguir-me. – Engoliu em seco e eu abri um sorriso com arrogância. Conforme Jessica caminhava em direção a sala de sua chefa, eu ia atrás dela, minha mente fervilhando com todas as ideias que eu tinha.

Bella iria me matar.

Assim que chegamos em frente a sala que dizia “Chefe”, Jessica deu três batidas na porta e esperou o consentimento para entrar. Quando ela ouviu algo, respirou fundo e pediu-me um segundo, indo para dentro da sala e certamente conversando com Angela, dizendo quem queria vê-la.

— Ela irá atende-lo, Senhor. – Avisou-me, assim que saiu do ambiente. – Mas disse que tem apenas quinze minutos. – Cruzou seus braços e eu sorri enigmamente.

— É tudo o que eu preciso. – Entrei no local e fechei a porta atrás de mim, dirigindo meu olhar para frente e olhando para Angela, vendo-a ficar de pé atrás de sua mesa, abrindo um sorriso largo ao me ver.

— Senhor Cullen, que surpresa agradável tê-lo por aqui. – Assenti e caminhei até ela, apertando sua mão estendida. – Como eu disse para Jessica, tenho quinze minutos.

— É o suficiente para mim. – Ela sorriu e indicou a cadeira para sentar-me, coisa que eu fiz rapidamente. – Bem, vamos direto ao ponto, já que seu tempo é curto, Senhorita Weber.

— Pode chamar-me de Angela. – Piscou e sentou-se, cruzando as mãos sobre a mesa. – Acho que formalidades não são necessárias. – Sorriu de forma maliciosa e eu ri.

— Com certeza são. – Levantou uma sobrancelha e eu coloquei meu celular sobre a mesa, inclinando-me em sua direção. – Afinal, estaremos tratando de negócios agora. – Pisquei em sua direção, fazendo-a soltar um suspiro enquanto olhava-me.

— Negócios? – Balançou a cabeça, olhando-me de forma estranha, enquanto questionava-me completamente confusa, olhando-me com o cenho franzido. – Que tipo de negócio o Senhor irá querer fazer com uma loja de vestidos? – Riu ao balançar a cabeça. – O Senhor é cheios de surpresas, Sr. Cullen. – Respirei fundo olhando-a.

— Você não faz ideia, Srta. Weber. – Batuquei meus dedos sobre a mesa de madeira. – Eu soube, por cima, que você demitiu uma funcionária sua. – Semicerrei meus olhos, encarando-a. – É verdade?

— E que interesse o Senhor teria nisso? – Retrucou, cruzando seus braços contra o peito. – Desculpe-me, mas não sei aonde isso se diz respeito a você. – Uma sobrancelha arqueou-se, como desafio. – Estou enganada?

— Completamente. – Continuei a batucar na mesa. – Eu tenho muito interesse nisso. – Inclinei-me, sussurrando, vendo seu interesse aumentar. Sorri de forma debochada, ainda olhando em seus olhos. – Diga-me, Srta., você demitiu uma funcionária, não é? – Ela soltou um longo suspiro, mas por fim assentiu, dando de ombros em seguida. – Ótimo, estamos progredindo. – Seu olhar tornou-se mais confuso, porém eu apenas sorri. – Por acaso, essa funcionária foi Isabella? – Minha sobrancelha elevou-se outra vez, conforme eu a desafiava.

— Por que todas essas perguntas, Sr. Cullen? – O seu tom elevou-se. – Pelo o que eu sei, o Senhor é o CEO de uma Editora, não um advogado para estar por aqui defendendo a morta de fome da Isabella. – Grunhiu, e eu fechei meus olhos tentando acalmar-me, o grande desfecho ainda estava por vir. E o meu ódio por essa mulher só aumentava, depois de tudo o que ouvi Rosalie dizer-me sobre ela. – Acho que a nossa conversa pode terminar por aqui, pois pelo o que eu vejo, mesmo não sabendo porquê, o Sr. está aqui para proteger a sonsa da Bella. – Riu, balançando a cabeça. – Talvez ela seja mais esperta do que todos pensavam, hein? – Desafiou-me e desta vez e eu rugi, socando a mesa com violência.

— Não tire mais a minha paciência, Senhorita Weber! – Seus olhos arregalaram-se. – Não é da sua conta o porquê de eu estar defendendo Bella, nossa vida pessoal não diz respeito a você. – Fiquei de pé, apoiando-me na mesa, respirando fundo. – E você não ouse mais julgá-la ou xingá-la de qualquer coisa, eu não responderei por mim, caso isso aconteça! – Falei pausadamente, vendo o medo surgir em seus olhos escuros.

— Já que é assim, acho nosso tempo acabou. – Apontou para a porta, respirando fundo. – Não temos negócios em comum para tratar, Sr. Cullen.

— Ao contrário, temos e muito. – Voltei a sentar-me, pegando meu celular da mesa e desbloqueando a tela. – Você nem faz ideia. – Repeti minha frase de antes, rindo ao balançar a cabeça, conforme ia abrindo meus e-mails. – Eu tenho uma proposta, Srta. – Ergui meus olhos do aparelho, encarando-a e vendo a ira em seu olhar, mesmo que ainda houvesse medo junto. – Você possui 50% das ações da loja, não é? – Arqueei uma sobrancelha, porém ela recusou-se a confirmar. – Vamos lá, Angela, minha paciência não é tão grande quanto parece. – Grunhi e um bufo escapou de seus lábios.

— Só porque é poderoso, não permito que fale comigo dessa maneira! – Gritou irritada. – Eu exijo que saía imediatamente do meu estabelecimento.

— Temo que isso não seja possível. – Falei de forma tranquila, meus olhos encarando os seus. – Vamos lá, nem precisa responder-me, eu sei que possui 50% das ações. – Dei de ombros. – E os outros 50% estão no nome de Rosalie Hale, o que torna ambas sócias. – Assenti para mim mesmo. – Mas assim como eu sei que demitiu Bella, também sei que não trata Rose como sua sócia, afinal, você acha que manda aqui sozinha e faz tudo como bem entender, sem pedir a opinião dela. – Ri. – Isso é inaceitável. – Franzi meus lábios, a atenção de Angela sempre sobre mim. – Ah, claro, também sei que você defende muito Tanya Denali, a mulher que humilhava demais Bella, e assim que a morena teve coragem e resolveu retruca-la a altura, foi demitida. – Estralei a língua em reprovação, balançando em seguida a cabeça. – Isso tudo é muito errado, Srta. Weber.

— Como você sabe dessas coisas? – Mexeu em seu cabelo, respirando fundo. – Como teve acesso a tudo isso? – Olhou-me assustada.

— Eu tenho meus meios. – Sorri para ela. – Enfim... – Olhei no relógio do meu pulso, conferindo que horas eram. – Passou-se doze minutos, nosso tempo infelizmente está acabando, Srta., então eu definitivamente tenho que lhe fazer a minha proposta irrecusável. – Sorri de forma satisfeita, o medo brilhava nos olhos escuros. – Eu quero comprar seus 50% de ações, neste exato momento. – Peguei algo do bolso de meu blazer, colocando a nota do cheque sobre a mesa, empurrando para ela ver. – Nada de jurídico, você aceita o dinheiro, e eu pego as ações, simples e fácil, depois eu passo tudo para o meu nome, da melhor forma que me convir. – Abri um sorriso mais debochado possível, olhando suas expressões enquanto lia o valor do cheque.

— 50% não valem apenas isso. – Ergueu os olhos, olhando-me. – É pouco. – Grunhiu, jogando o cheque sobre a mesa. – E eu realmente não estou interessada em vender minhas ações, então já que resolvemos isso, pode retirar-se, Sr. Cullen, sua proposta não me agrada. – Saiu de seu lugar, tentando ir em direção a porta, porém eu fiquei em pé mais rápido e segurei seu braço, parando-a. – O que pensa que está fazendo? – Olhou-me brava. – Solte-me!

— Essa proposta não foi bem um pedido. – Ri amargo. – Eu quero os 50%. – Ergui a cabeça. – E ainda estou fazendo um favor em lhe dar essa quantia em dinheiro, porque com as coisas que eu tenho, nem pagar você eu precisaria.

— Você está louco! – Rugiu. – Vá embora imediatamente!

— Bella é a minha namorada e eu odeio vê-la chorando, assim como eu vi assim que ela saiu devastada da porra dessa loja! – Falei alto, chamando sua atenção e vendo o choque correr em seus olhos. – Eu soube de todas as humilhações que ela passou pelo tempo que esteve trabalhando por aqui, todas, e você nunca fez nada para defender, ainda mais da sua funcionária querida Tanya Denali. – Respirei fundo. – Quando Rosalie contou-me sobre isso fiquei confuso, confesso, por que toda essa vontade de proteger sua funcionária? Por que toda essa raiva escondida na fachada de boa moça, Srta. Weber? – Soltei uma risada, balançando a cabeça. – Era curioso tudo isso, por isso resolvi conversar com meu detetive particular, ele me ajudaria sanar as minhas dúvidas. – Seus olhos escuros arregalaram-se e um sorriso brotou em meus lábios ao ver o pavor apoderando-se dela, Jenks nunca errava. – Acho que acaba de se lembrar o que você e sua amiguinha fizeram no passado. – Ri. – Boa memória. – Disse com ironia, fazendo-a bufar e soltar-se de minha mão.

— Você não sabe do que está falando.

— Ah, eu acho que sei. – Abri o e-mail que eu tinha de Jenks, pegando o arquivo que ele tinha me mandado mais cedo. – Eu tenho provas de tudo, Angela, sou um homem atento as coisas em minha volta, ainda mais quando trata-se das pessoas da minha vida, como Bella. – Ela engoliu em seco, olhando-me. – Eu não iria deixar barato o que vocês fizeram com ela.

— É a porra de um emprego! – Rugiu e eu neguei.

— Não é a porra de um emprego para ela. – Bufei. – Então faremos o seguinte, você me dá de livre e espontânea vontade seus 50% e nada disso cairá nas mãos da polícia de Manhattan. – Ergui um dedo. – Senão, uma viatura esperará aqui na loja para levá-la direito para o presídio feminino. – Cruzei meus braços. – O que será?

— Eu não vou admitir isso! – Bateu o pé irritada. – Você não pode vir aqui e ameaçar-me da forma que bem entender!

— Assim como você e Tanya não podiam praticar um assassinato e fugir de Nova Zelândia! – Rebati, assustando-a com o tom elevado que eu tinha dito. – Eu sei de tudo, Angela, eu busco informações quando fico interessado em um assunto. – Suspirei. – Dia quinze de Março do ano de 2007 você ajudou a sua querida amiga do Ensino Médio a assassinar um cara que a mal tratou, tudo bem, ele foi um completo covarde em transar com ela e filmar, colocando na internet no dia seguinte, admito, mas assassiná-lo por isso? – A vi engolir em seco, o pânico crescendo cada vez mais em seu olhar. – O assassinato é algo muito grave, ainda mais na Nova Zelândia, por isso vocês o mataram na noite fria do dia quinze de Março, jogando o corpo dele em um lago. Em seguida pegaram o primeiro avião para Manhattan e desde então, instalaram-se por aqui, vivendo suas vidas como se nada tivesse acontecido no passado. – Relatei a breve história, sorrindo no final. Foi algo completamente doloroso, assassinar alguém não deve ter sido fácil, mas é como eu tinha prometido para Bella, eu sempre a protegeria.

— Você... você é lunático! – Falou sem forças, respirando fundo, olhando-me assustada. – Não tem provas sobre isso. – Ergueu o queixo irritada e eu sorri outra vez, esticando o celular para ela. Angela olhou para o aparelho em minha mão com cautela, esticando seu braço e pegando-o, lendo o conteúdo que eu tinha aberto para ela, os olhos arregalando-se aos poucos. – Tudo isso por causa de uma demissão? – Olhou-me com ódio e eu peguei meu celular de volta, colocando-o em meu blazer.

— Você humilhou a minha namorada, a mulher que mudou completamente a minha vida! – Cruzei os braços, suspirando. – Aceite o cheque e pegue o primeiro avião para longe de Manhattan e dos Estados Unidos, Angela, tente reconstruir sua vida longe daqui, mas suma e deixe Bella em paz. Os 50% serão meus e meu detetive com certeza dará um jeito de passar tudo para o meu nome, você não irá precisar estar por aqui novamente. Dessa forma, eu não entrego nada para a polícia.

— Como eu saberei que você cumprirá com o que está dizendo-me? – A vi cruzar os braços, afinal suas mãos estavam tremendo com o medo. Tinham se passado dez anos e com tanto tempo assim, ela deveria pensar que mais nada poderia ser descoberto, mero engano.

— Eu sou um homem de palavras, Srta. Weber. – Olhei-a. – Tudo o que eu quero, é sua porcentagem da loja e você longe da minha namorada, após isso, nada o que venha da sua vida irá interessar-me. – Dei de ombros. – É tudo ou nada. – Levantei uma sobrancelha e ela fechou os olhos, respirando fundo e engolindo em seco.

— Eu viajarei daqui a uma hora. – Murmurou em um sussurro, reabrindo os olhos em seguida. – Espero que cumpra com o que disse-me.

— Se você cumprir em nunca mais aparecer. – Ri. – Faça o que eu lhe disse, assim não teremos nenhum problema.

— E Tanya?

— Ela não é meu problema, Angela, você sempre a defendeu para que a mesma não desse com a língua nos dentes. Se quiser leva-la, vá em frente, se quiser deixa-la e fugir sozinha... – Bufei. – Nada disso importa, eu só quero que cumpra com o que prometeu, ficando longe daqui.

— Fechado. – Sorriu macabramente. – Eu irei sumir, só que sozinha.

— Como achar melhor, Senhorita. – Ela assentiu satisfeita, soltando um longo suspiro.

E o objetivo estava comprido.

[...]

— Papaaai, o senhor tem que ver como a mamãe está maravilhosa! — Franzi o cenho para o painel do carro, de onde saía a voz de Andrew, o garoto parecia cantarolar pelo telefone. — Eu vou filmar se sair baba de sua boca! — Gargalhou e sua risada fez-me rir junto, enquanto eu balançava a cabeça e concentrava-me na estrada escura, dirigindo rumo a casa de Rosalie.

Assim que saí da loja de vestidos mais cedo, precisei encontrar-me com Jenks e dar tramites aos papéis de mudança de nome nas ações da loja. Demorou menos do que eu esperava, então tive que retornar para Publisher E. Cullen, terminando alguns compromissos para não ficar atolado para os próximos dias. Acabou que algumas reuniões demoraram mais do que o meu planejamento, então meu expediente estendeu-se mais, tanto que eu tive que ligar para Bella e avisá-la que eu buscaria ela e Andrew na casa de Rose depois das nove, era mais seguro do que deixá-los andando por aí a noite.

— Andrew, por Deus, o que Rosalie aprontou com a minha namorada? – Retornei à minha atenção para a chamada, onde um Andrew muito animado falava comigo. Eu apostava muito que ele tinha comido doces no decorrer do dia, só assim para estar com essa energia toda a essa hora.

— Tia Rose só melhorou a beleza da mamãe, é sério, papai, o senhor vai ficar bobão quando a ver. — Ri com sua animação. — Eu também estou bobão, pai, eu sabia que minha mãe era linda, mas agora... UAU, nem tenho palavras. — Suspirou na linha, fazendo-me sorrir.

— Rosalie Hale, eu vou te matar. – Ameacei-a, sabendo que a Loira endemoninhada estava também na linha e minhas suspeitas confirmaram-se quando eu ouvi sua risada alta.

— Pare de ser um chato, Edward, o final da tarde estava entediante para nós, então eu e minha mãe resolvemos aderir mais beleza para sua namorada. Sabe, mamãe tem loja de roupas e eu tenho ações em uma também, nos juntamos e produzimos minha irmã. Ela estava perfeita! — Soltou um longo suspiro, rindo depois. — Andrew tem razão, você vai babar nela. Afinal, já está de quatro, agora vai ficar mais ainda.

— O que é de quatro? — Ouvi a voz infantil de Andrew e grunhi.

— Rosalie!

— Foi mal, saiu sem querer. — Bufou. — Andrew vai comer mais doces com minha mãe, com certeza vai esquecer disso. — Gemi ao ouvir essa frase, sabia que estava certo. — O que foi?

— Vocês deram doces o dia todo para ele? – Ela confirmou e eu respirei fundo. – Pode encarregar-se de tentar tirar a pilha dele, Senhorita Hale.

— E por que eu?

— Porque você estava junto na troca de doces. – Bufei. – Andrew fica pilhado com açúcar, agora vai ser difícil para fazê-lo dormir. – Ouvi-a gargalhar e suspirei. – Quer parar de rir?

— Você é um pai tão incrível, Edward. — Rolei os olhos, mas por fim sorri. — Vamos deixa-lo dirigir em paz, vem logo, sua namorada nem se aguenta mais de ansiedade. — Gargalhou e ouvi um guincho de Bella, fazendo-me rir mais ainda. — Ela sabe que é verdade. — Soltou uma risadinha. — Até mais.

— Nos vemos daqui a pouco. – Encerrei a chamada e suspirei, balançando a minha cabeça, bocejando conforme dirigia pela longa estrada, seguindo o endereço no meu GPS.

O dia tinha sido corrido e cheio, Rose estava por dentro do que eu tramava, mas Bella ficaria furiosa quando soubesse que eu usei o poder de ser rico e a chantagem, mas ela se acalmaria depois. Era errado, eu sabia disso em minha consciência, mas nada seria demais para proteger Bella, essa era a minha finalidade desde que eu tinha a conhecido, antes sempre foi Andrew e Alice, mas ela estava junto e eu nunca deixaria nada tirar sua felicidade.

Franzi meu cenho quando ouvi o aparelho do carro tocar, mostrando uma nova chamada. Olhei na identificação e fiquei confuso quando vi o nome de Jenks piscar na tela digital. Respirei fundo e apertei em atender.

— Jenks, não estava esperando por sua ligação. – Ouvi a risada do outro lado da linha.

— Eu tenho certeza que não, Sr. Cullen, resolvemos tudo sobre as coisas da loja. Ah, aproveitando a ligação, amanhã cedo os papéis para o Sr. assinar estarão na mesa do seu escritório.

— Perfeito, Jenks, sempre eficiente. – Era por isso que ele era meu detetive particular.

— Estou às ordens.

— Eu sei que sim, agora sem bajulações, eu veria os papéis em minha mesa amanhã, então tem outra razão para estar ligando-me. – Ouvi um longo suspiro. – Jenks?

— Sim, eu tenho uma enorme informação para passar para o Senhor. Lembra-se, que há alguns dias, o senhor resignou-me para ficar de olho em seus progenitores, porque eles estavam ameaçando-o novamente? — Confirmei que sim, franzindo o meu cenho, tinha certeza que nenhuma outra informação poderia ser buscada de Anthony e Elizabeth, eu sabia praticamente de tudo sobre a vida deles. — Como o senhor disse, era difícil algo novo aparecer, mas eu consegui gravar uma discussão deles hoje em uma cafeteria.

— Anthony já está fora do hospital? – Perguntei confuso, respirando fundo. Virei a avenida e para concentrar-me melhor na ligação, resolvi estacionar o carro no meio fio, era mais seguro.

— Pelo jeito saiu hoje, Senhor.

— Certo. – Suspirei, remexendo em meu cabelo. – E o que você descobriu com a discussão deles?

— Segure-se firme e pare o que estiver fazendo, Sr. Cullen, a informação é realmente pesada. — Arqueei uma sobrancelha para o nada e como se estivesse prevendo algo, meu coração bateu com força arrebatadora, fazendo-me engolir em seco.

— Diga-me logo, Jenks! – Grunhi, bufando com a ansiedade. – Não precisa de tanta dramatização.

— Como o senhor quiser, chefe. — Respirei fundo, apoiando minha testa no volante do carro. — Eles discutiram à beça e como é meu serviço, eu estava na cola de Elizabeth, afinal Anthony estava inútil no hospital. — Suspirei. — Prepara-se, porque tenho certeza que o choque é grande, Sr. Cullen, mas é o seguinte: Anthony e Elizabeth Masen não são seus pais biológicos.

“Continua...”

Notas finais
N/A (Cintia Cullen): Entãoooo? Como foi esse capítulo 19? Estou nervosa, realmente quero que digam-me o que acharam das coisas por aqui, eu definitivamente amei escrever esse capítulo, tensões sendo reveladas e as emoções tomando contas, Deus, é completamente incrível escrever tudo isso, ainda mais porque eu coloco-me no lugar dos personagens, a sensação é ainda maior. Enfim... eu quero agradecer demais por tudo, amores, Deus, vocês são incríveis e muitooo! Os comentários que eu recebo são sempre cheios de carinhos, divertimento... é tão maravilhoso ler cada palavra que vocês escrevem, a sensação é ótima demais, não tem como não ficar feliz com tantas coisas lindas que mandam-me. Agradeço cada um, de verdade, eu adoro ser escritora, mas com certeza vocês tornam isso melhor ainda, mais especial. Obrigadaaa ♥ Agora vou, tudo de bom, lindos, boa sorte para quem vai estudar para provas, assim como eu, ;) Desejo a cada um uma semana incríveeeel! ♥