Never It's Late.
16 A verdade.
Notas iniciais
A verdade.
Pov Bella.
Peguei a chaleira do fogão e com cuidado despejei a água quente nas três xícaras que estavam sobre a mesa, preparando o chá para Rose, Emmett e para mim. Já era tarde, porém duvido muito que aqueles dois irão me deixar dormir tão cedo, ainda mais Emmett que parece estar tão ansioso para contar-me sobre sua vida, o mesmo sorria animado para mim o tempo todo enquanto conversávamos.
Suspirei deixando a chaleira de lado e peguei o açúcar, colocando um pouco em cada xícara e mexendo com a colher o líquido. Eu estava deveras confusa, desde a hora em que cheguei e conversei com Emmett pela primeira vez, eu senti algo diferente relacionado a ele, não conseguia explicar o que era, só sei que é algo muito confuso, porém familiar demais. Eu não sei o que estava acontecendo, mas a todo instante que eu olhava nos olhos de Emmett eu sentia alguma familiaridade, não era a aparência externa, era algo muito além disso, pois eu sentia algo com o seu jeito, a maneira que ele olhava-me... todo esse complexo de coisas lembrava-me alguma coisa, só que eu estava frustrada demais por não conseguir compreender sobre isso. Odiava sentir coisas desse tipo, eu nunca conseguia desvendar o que era e sempre ficava pensando nisso, tentando entender.
Eu sei que jamais tinha visto Emmett em minha vida, só que as coisas que eu sentia ao seu lado deixava-me arrepiada, eram tão fortes e tão estranhas ao mesmo tempo. Essa familiaridade completamente confusa dava-me até medo, era deveras diferente, só que de alguma forma eu sabia que não deveria temer isso.
— Ei, Bela Adormecida, os chás irão esfriar dessa maneira. – Emmett entrou na cozinha rindo e eu pisquei saindo de meus pensamentos, olhando para seu rosto risonho. Seu sorriso sumiu e ele franziu o cenho, encarando-me confuso. – Está tudo bem? – Seus olhos escuros avaliavam-me a todo instante, tentando encontrar algum erro, mas apenas lhe dirigi um pequeno sorriso e balancei a cabeça.
— Estou ótima, só estava pensando em algumas coisas. – Peguei duas das xícaras fumegantes e lhe entreguei. – Leve uma para Rosalie, a donzela está quase dormindo no sofá. – Ele riu segurando as canecas nas mãos.
— Só sonha, Bella, estou muito bem acordada ainda. Não se livrará de nós tão cedo. – A voz da Loira soou da sala e fiz uma careta, fazendo Emmett gargalhar.
— Sério, essa Loira é demais, nada escapa dela. – Me dirigiu uma piscadela e retirou-se da cozinha, enquanto assoviada. – Anda logo, Bela Adormecida, eu ainda tenho muita coisa para lhe contar. – Gritou do outro cômodo e rolei os olhos, segurando minha xícara entre as mãos, esquentando-me com o calor dela. Rose e Emmett com certeza eram o casal perfeito.
Saí da cozinha e caminhei até a sala, indo para o sofá de um lugar que tinha no canto, sentando-me ali e puxando a coberta sobre mim, tentando livrar-me do frio cortante que fazia na noite de Manhattan. Beberiquei um pouco do meu chá e olhei para Rose e Emmett que estavam abraçados no outro sofá e sorriam um para o outro, cochichando entre si, fazendo-me sorrir com o olhar apaixonado que eu via nos olhos azuis de Rosalie.
Minha amiga era muito diferente antes, ela teve uma desilusão amorosa na sua adolescência e após isso, conforme ela contou-me, jamais quis ter outro relacionamento fixo, e foi exatamente por isso que Rose afundou-se em sexo, pois em sua mente isso era a única coisa que ela poderia ter dos homens da cidade e sairia sem se machucar. Eu achava triste isso o que ela pensava, eu sempre fui reclusa e nunca consegui nem um tipo de relacionamento, mas acreditava e acredito até hoje que algo forte existe para todos nós, pode ser que o amor não exista para todas as pessoas, mas uma paixão avassaladora sempre rompe por nós e tenho certeza que ninguém fica de fora disso, ainda mais Rosalie, uma mulher tão vivida e tão esperta, eu sabia que ela algum dia encontraria o homem de sua vida. Agora eu olhava para ela nos braços de Emmett e só podia sorrir para ambos, era nisso que eu acreditava e confiava veemente, um casal apaixonado, capaz de mudar qualquer coisa, até uma mente fechada, como a que Rosalie tinha antes.
Com tudo o que eu passei, pensava que seria difícil demais conseguir encontrar a minha razão, o homem que mudaria tudo a minha volta e que me mudaria também, mas eu só podia suspirar ao lembrar-me de Edward, do seu jeito, sorriso... tudo nele. Ele conseguiu quebrar todas as minhas barreiras e todos os meus medos, conseguiu fazer-me acreditar que era possível ser feliz, ainda mais tendo-o ao meu lado, estremecendo-me com um mero sorriso ou com a forma que ele me olhava. Eu não entendia tudo o que nos rodeava, era tão recente, porém o que tínhamos parecia algo tão forte ao mesmo tempo, tudo me deixava confusa, mas sei que o certo é ficar ao lado de Edward e não questionar isso mais, porque só de estar com ele eu me sinto melhor, mais feliz e eletrizante. O homem sabia colocar meu mundo de cabeça para baixo, mas isso era o que eu mais adorava nele, a forma como ele mexia comigo, parecia algo tão único e especial.
— Bella? – Balancei a cabeça ao ouvir meu nome e dedos sendo estralados. – Ei, ainda está conosco? – Olhei para a voz e Rosalie sorriu abertamente quando concentrei-me nela. – Está em que mundo, Bela Adormecida? – Rolei meus olhos e tomei um pouco do meu chá.
— Não estava em mundo algum. – Bufei e ela e Emmett riram baixinho. – E querem parar de me chamar de Bela Adormecida?
— Não dá, você parece uma, sempre fica dormindo de olhos abertos. – Emmett comentou dando de ombros. – Você não nos ajuda assim. – Piscou e arqueei uma sobrancelha, olhando diretamente para minha amiga, mas ela apenas sorriu e bebeu do seu chá.
— É sério isso? – Questionei e ambos sorriram. Respirei fundo e aconcheguei-me melhor no meu lugar. – Enfim, vamos mudar de assunto.
— Com certeza! – Rosalie gritou animada, ajeitando-se melhor, ficando ereta e olhando atentamente. – Vamos conversar sobre suas noitadas com Edward! – Moveu as sobrancelhas sugestivamente e abri minha boca em choque, não acreditando que ela tinha falado aquilo.
— Puta merda, Rosalie, não quero falar disso! – Grunhi e ela arqueou sua sobrancelha bem desenhada, desafiando-me. – Nem me olhe desta maneira.
— Eu quero saber de tudo, por Deus! Você ficou praticamente três dias na casa do homem, e não tem como se concentrar com um homem gostoso daquele! E nem tente negar, você mesma me contou que aconteceu coisas muito interessantes, agora estou curiosa para saber de tudo! – Piscou de maneira maliciosa, olhando-me sorrindo e com seus olhos brilhando de curiosidade.
— Espera. – Meus olhos seguiram o som da voz e olhei para Emmett, o homem olhava-me sorridente demais para meu gosto. – Você está saindo com Edward Cullen? O presidente de uma das maiores Editoras do mundo? – Mordi meu lábio inferior e acho que o grandão encontrou a sua resposta em meus olhos, pois abriu um sorriso maior ainda. – Caralho, você é foda demais, Bella! Puta merda, quem iria imaginar isso? Você dorme com o cara mais rico do país! – Riu animado e balançou Rosalie que sorria também.
— Hein! – Grunhi ofendida e ele arqueou uma sobrancelha. – Eu não durmo com ele. – Bufei, mas Emmett olhou-me de maneira séria, como se estivesse me desafiando. Soltei um longo suspiro. – Ok, eu posso dormir, mas ele é meu namorado. – Dei de ombros e beberiquei minha bebida quente, encostando-me no estofado da minha poltrona.
— Rose, você não me disse que sua amiga era fodona dessa maneira. – Ele comentou animado. – Ela conquistou o cara mais rude e mais fechado da América! Cara, tem que ter muita força para isso. – Gargalhou. – Parabéns, Bella, sério, você é foda! Já adorei ela, baby, sua irmã é incrível! – Disse beijando o rosto da Loira e minha amiga sorriu para mim, mandando-me uma piscadela.
— Já vi que vocês dois se merecem mesmo. – Comentei, fazendo-os assentir em imediato. – Vamos mudar outra vez de assunto, não vamos ficar falando de meu relacionamento. – Rose me encarou curiosamente e bufei. – E nem sobre minhas noites com Edward.
— Aaahhh! Isso é muito injusto, eu queria saber o que aconteceu e como foi tudo, além do mais, você prometeu me dizer! – Cruzou os braços e respirei fundo.
— Não agora.
— Baby, para que tudo isso? Você sabe como funciona o sexo. – Arregalei os olhos para Emmett e ele riu olhando-me. – O que foi? Vocês estão falando sobre isso de maneira implícita, só joguei a palavra chave no meio.
— Mesmo assim, não vamos falar sobre isso. – Os olhos azuis continuaram brilhando de curiosidade. – Pelos menos por agora. – Rendi-me e Rosalie abriu um sorriso enorme, acenando satisfeita com sua cabeça, os cachos loiros caindo em seu rosto.
— Tudo bem, eu me seguro por mais algum tempo. – Cruzou as pernas sobre o sofá, encostando-se de maneira relaxada no braço de Emmett.
— Emmett. – Chamei a atenção dele e o mesmo sorriu para mim. – Você me disse que queria contar-me sobre sua vida, pode ir em frente, confesso que estou curiosa agora. – Pisquei e ele riu animado, sorvendo de sua bebida quente.
— Bem, eu sou um cara muito normal. – Deu de ombros. – Tenho trinta anos e trabalho de Mecânico no meu bairro. – Arqueei uma sobrancelha e ele sorriu. – O que foi?
— Continue. Sobre sua família, onde mora... – Movimentei minhas mãos. – É isso que se faz quando diz sobre sua vida, conta como ela é, não só sua idade e com o que trabalha. – Rolei os olhos e Rose riu baixinho, dando um beijo no braço de Emmett. Pensei que o grandão riria, mas foi ao contrário, ele me dirigiu um pequeno sorriso que não chegava ao seus olhos e suspirou baixinho, olhando para a xícara fumegante em suas mãos. – Eu disse alguma coisa errada? – Sentei-me ereta, olhando assustada para Rosalie que sorriu de forma mais contraída.
— Emmett só não gosta de dizer muito sobre essas coisas, ele ainda é um idiota que acha que é inferior a mim. – Olhou de maneira zangada para o namorado e franzi o cenho, ficando confusa com suas palavras. A Loira suspirou e abraçou o homem ao seu lado, olhando em seus olhos. – Não precisa sempre ficar assim, Ursão, por Deus, conversamos sobre o mesmo assunto diversas vezes e já avisei que nada disso importa para mim. – Deu um selinho nele e o mesmo suspirou, seus olhos voltando para mim em seguida. Ele deve ter notado toda minha confusa, pois engoliu em seco e puxou seu ar algumas vezes.
— Eu sou brincalhão com tudo, Bella, mas eu ainda acho difícil falar sobre algumas coisas, sabe? – Arqueei uma sobrancelha e ele riu baixinho, mas sua risada não tinha o mesmo humor de antes. – É que você sabe as baboseiras de classes inferiores e superiores que temos em nossa sociedade, isso sempre existiu e sei que sempre existirá, o ser humano gosta de se sentir melhor do que todos, ainda mais alguns ricos que passam por cima dos outros para alcançar suas realizações. – Engoliu em seco e eu senti um aperto no peito, já imaginando que Emmett era pobre, assim como eu. Eu sabia o conflito que tinha em sua mente, era o mesmo que as vezes aparecia na minha, sentir-se inferior ao seu parceiro por questão de dinheiro.
Edward era o homem mais rico da América e tinha vezes que isso me incomodava, o modo que éramos tão diferentes em relação a todas as coisas, só que eu conseguia abrir minha mente de vez em quando e perceber que nada disso importava agora, ainda mais depois do que eu descobri sobre a vida dele e o quanto ele batalhou por todas as coisas que tem hoje em dia. Eu acredita que distinções de classes não era a pior coisa que tínhamos que enfrentar, então eu me obrigava a aceitar isso, nós dois precisávamos batalhar pelas verdadeiras coisas, ainda mais agora que Andrew precisava de nós, de seu pai e a mãe boa que eu queria tornar-me para ele.
— Eu moro em uma parte precária do distrito de Brooklyn. – Afastei meus pensamentos e concentrei-me na voz de Emmett. Olhei-o atentamente e suspirei baixinho ao ver o modo que ele olhava para o chão, mexendo com a xícara em sua mão. Rosalie estava de olhos fechados e com sua cabeça encostada no braço dele, somente ouvindo as coisas. – Minha mãe era babá, mas infelizmente ela perdeu seu emprego há alguns dias, então apenas está cuidando da casa. Meu pai trabalha de ajudante no supermercado e eu ajudo na renda com meu salário da mecânica onde eu trabalho. Meus pais são pessoas tão maravilhosas e boas, mas infelizmente são amarguradas com alguma coisa em suas vidas, eu jamais soube e minha mãe não me diz sobre isso, ela fala que eu sou o milagre dela e não preciso me preocupar com essas coisas, e sim com as coisas que eu farei na minha vida. – Engoli em seco ouvindo sua voz falhar e respirei fundo, tomando o resto do meu chá, meus olhos ainda presos na figura de Emmett. Não era mais aquele cara que brincava comigo desde a hora que cheguei em casa, ele parecia abatido ao relembrar as coisas que passava em sua vida e meu peito apertava-se por isso, eu estava nas mesmas condições, mas o jeito que ele se negava por isso doía, ainda mais porque eu sentia que era por essa razão que ele sentia-se inferior a Rosalie. – Eu queria dar coisas melhores para meus pais, sabe? – Seus olhos ergueram-se para mim, cheios de água. Senti meus próprios olhos marejarem-se e engoli o soluço que teimava querer sair de minha garganta, a dor era explícita no olhar de Emmett e aquilo começava a doer em mim, demais. – Eles são os melhores pais do mundo e mereciam tudo do bom e do melhor, mas infelizmente eu não consigo isso para eles, eu comecei a fazer faculdade há um tempo, tinha uma bolsa de 75%, mas infelizmente tive que sair para ajuda-los, afinal minha mãe perdeu o emprego que ajudava bastante nas despesas da casa. Meu salário não é muito, mas com minha saída da faculdade, eu consegui manter mais coisas em casa e acho que é isso o que importa, mesmo meus pais merecendo coisas bem melhores do que isso. Eu ainda me acho um fracasso como filho, nem posso ajudar eles a terem o que precisam, mas eu tento e... – Sua voz falhou miseravelmente e o vi fechar seus olhos e maneira apertada, no mesmo instante que uma lágrima caiu em seu rosto. Rosalie pareceu sentir, pois ela ficou de joelhos no sofá e o abraçou com força, sussurrando palavras de conforto em seu ouvido, acariciando seu cabelo.
Engoli minha saliva com força e senti algo molhado descer em meu rosto, fazendo-me ofegar baixinho com a dor que eu sentia em meu peito por Emmett e pela maneira que ele parecia culpar-se por seus pais não terem o que queriam. Sequei rapidamente a lágrima que nem percebi que derramei e respirei fundo, tentando acalmar aquela dor que acumulava-se em todo o meu ser, era sufocante demais estar sentindo aquilo, e parecia alastrar-se por meu corpo inteiro.
Pensando em toda a história de Emmett, eu começava a lembrar-me da história de Edward. Tudo bem, a do ruivo foi completamente diferente e muito dolorosa em todos os sentidos, mas a minha comparação dava-se na história atual do meu namorado. Ele temia tudo a sua volta e o que mais queria era proteger seu filho do mundo e de seus progenitores terríveis, Edward chorava por medo de não conseguir dar a Andrew tudo o que merecia e eu via a determinação nos olhos verdes, eu sabia que ele sempre faria de tudo para Andrew, daria o mundo para seu filho. Era nisso que ele assemelhava-se com Emmett, o moreno queria dar para seus pais tudo o que eles mereciam, porém esse infelizmente não tinha as condições para tal coisa, mas eu também conseguia ver a determinação em seus olhos, a fogo da esperança e da vontade de fazer tudo pela família, deixando-se de lado, pois o foco principal era as pessoas que amava. Eles se pareciam tanto nisso, sempre colocando em sua frente as pessoas que amam, movendo o mundo por eles e não importando-se com mais nada, somente na família.
Sequei meu rosto molhado e levantei-me do meu lugar, deixando minha xícara no chão. Caminhei até o sofá que Rose e Emmett estavam abraçados e sentei-me ao lado do moreno, abraçando-o com força também. Senti-o passar um braço em volta do meu corpo e sorri fechando meus olhos, sentindo-me bem por estar com ele, e ainda mais por ele ter compartilhado tudo comigo, mesmo tendo acabado de me conhecer.
— Nada importa, Emmett. – Sussurrei. – Eu sei o quão difícil tudo é a nossa volta, eu te entendo muito bem, claro, tirando a parte da família, pois Rose deve ter lhe dito que sou órfã. – Suspirei. – Mas dinheiro não importa quando você tem pessoas que te amam ao redor, tudo bem? – O senti balançar a cabeça. – Você tem seus pais, que eu tenho certeza que são os melhores, só pela maneira que falou-me deles. Também tem Rosalie e agora tem a mim, e você pode considerar-me uma irmã também, ainda mais se sempre fizer minha Loira feliz, porque a felicidade dela é importante demais para mim. – Abri meus olhos e notei que estava deitada com a cabeça no peito de Emmett, e Rosalie também, ela olhava-me com seus olhos marejados. – Você tem com quem contar, é isso que é o mais importante. – Falei tanto para Rose, como para Emmett. Ambos pareceram entender, pois minha amiga sorriu para mim e senti Emmett apertar-me mais em seus braços.
— Obrigado, Bella. – Sussurrou e deu um beijo em meu cabelo. – Suas palavras fazem a diferença, porque não sabe o quanto me sinto mal por tudo, mas eu consigo refletir sobre tudo e agradeço mesmo, Bela Adormecida, você será uma irmã incrível para mim. – Ri baixinho e ele apertou-me contra ele.
Rosalie segurou minha mão que estava sobre meu colo e sorriu para mim, fazendo-me retribuir seu bonito sorriso. Suspirei baixinho e apertei seus dedos nos meus, sentindo-me bem por estar ao seu lado e agora também ao lado de Emmett. Eu tinha certeza que ele era o homem certo para minha melhor amiga e se ele continuasse a fazê-la feliz, com certeza seria o melhor irmão que eu poderia acolher em meu coração.
[...]
Bocejei enquanto arrumava algumas araras de roupas, caminhando pela loja e organizando tudo em seus respectivos lugares, alguns clientes tiravam e colocavam tudo em lugares errados e eu tinha alguma coisa sobre isso, talvez um perfeccionismo exagerado, não conseguia deixar nada fora do lugar sem ter um ataque.
Rose passou com uma cliente e ela sorriu para mim, acenando rapidamente antes de continuar com seu trabalho. Mordi meu lábio e suspirei lembrando-me da noite anterior, conhecer Emmett foi ótimo e da maneira que ele olhava para minha amiga, podia ver amor em seus olhos, sabia que aquilo duraria e muito, e era por isso que ele seria sempre incrível aos meus olhos, só por fazer Rosalie feliz. Eu tinha poucos propósitos, mas os maiores eram ver as pessoas que eu amava felizes, sempre sorridentes e com brilho em seus olhos.
— Ah, a coisinha veio trabalhar hoje. – Meu sorriso e felicidade imediatamente sumiram, assim que a voz soberba e enojada entrou em meus ouvidos. Larguei os cabides em seus lugares e virei-me, encontrando o rosto sorridente e de puro escárnio de Tanya. – Não sente vergonha, garota? Além de trabalhar aqui por pena de Angela, fica faltando quando tem vontade. – Bufou, revirando seus olhos irritantemente claros. – Também, o que esperar de uma órfã que não tem onde cair morta? – Riu maldosa e eu engoli em seco, puxando ar e tentando deter-me, pois minha vontade era de acertar um tapa naquela cara plastificada. Eu sempre rebaixei-me para Tanya, mas é como eu disse da última vez, eu nunca mais seria humilhada pelas pessoas ao meu redor, ainda mais por uma puta como ela.
— Eu posso não ter onde cair morta, querida. — Sorri ironicamente e vi sua sobrancelha arquear-se. – Mas pelo menos eu tenho sanidade para as coisas, não ando pela loja destilando veneno e tentando encontrar algum cara rico para foder, porque eu tenho princípios. – Dei alguns passos para frente, aproximando-me mais e vi seus olhos faiscarem de ódio em minha direção, só dando-me mais satisfação por conseguir tirá-la do sério. – Ah, droga, desculpe, querida, esqueci que você nem deve saber o que significa ter princípios. Talvez seja uma palavra completamente extinta de seu vocabulário. – Abri um sorriso ainda maior e ela grunhiu de raiva, ficando mais perto de mim, seus olhos queimando de raiva, fazendo com que eu erguesse minha cabeça orgulhosa, meus olhos sempre enfrentando os seus.
— Você não faz ideia de quem está enfrentando, garota estúpida! – Cuspiu as palavras com ódio. – Eu não saio procurando ricos para foder, me desculpe se eu sou tão gostosa que os homens caem aos meus pés, querendo um segundo da minha atenção. – Rolei os olhos, mas ela sorriu maliciosamente. – Você deve sentir muita inveja, não é, órfã? Nunca se sentir desejada e nunca poder ter o homem que quer, só porque é ridícula e tão pobre que nunca teria nada para oferecer para alguém, ainda mais para homens que frequentam nosso estabelecimento. – Senti uma dor incômoda em meu peito, ela conseguiu tocar bem na ferida aberta, mas engoli em seco ainda olhando em seus olhos, não desistindo de enfrenta-la. Jamais a deixaria me humilhar outra vez, mesmo que ela estivesse conseguindo me atingir, não demonstraria fraqueza em sua frente. – Eu tenho nojo e pena de você, Isabella, pois tenta me enfrentar, só que sabe que jamais conseguirá alcançar-me ou ter um resquício do que eu tenho. – Riu e agora seus olhos brilhavam de maneira maldosa. – Eu tenho o homem que eu quero, tenho dinheiro, família, popularidade... tudo que uma menina ridícula como você não tem. – Soltou uma gargalhada e eu respirei fundo, cruzando meus braços.
— Não precisa jogar seu veneno em mim, sua puta. — Ela grunhiu de ódio e foi a minha vez de abrir um sorriso. – Eu posso não ter duas coisas que você tem, mas eu tenho o homem que eu quero e eu realmente sinto satisfação com ele e também sei que lhe dou todo o prazer que precisa. – Pisquei sorridente. – Não que eu deva alguma satisfação da minha vida pessoal para você, mas sabe, Tanya, eu não preciso foder com todos os homens para prender algum, como você faz, eu consegui o que eu queria para mim sem precisar abrir minhas pernas. E posso lhe garantir, apesar de eu ser uma garota estúpida, uma menina ridícula, ele está ao meu lado até hoje, e eu vejo nos olhos dele que eu sou o suficiente na sua vida, e ele não liga para dinheiro ou popularidade. – Ergui meu queixo de forma petulante. – E família? Eu construí a minha própria, tenho meus amigos e mais duas pessoas muito importantes em minha vida, posso não ter pais, mas eles são a minha família e bastam para mim. – Soltei uma risada pelo nariz, vendo sua cara petrificada e os olhos brilhando em minha direção, não sei se era inveja, ódio, raiva ou os três misturados, mas eu tinha uma satisfação interna ao vê-la olhar-me daquela maneira, era como se me pagasse por tudo o que me fez durante todo o tempo que trabalhei aqui. – Quem é que a pobre mesmo, Tanya? – Chamei sua atenção, grunhindo e dando um passo em sua direção, sentindo a raiva e o ódio crescer em mim, por todas as vezes que ela me humilhou e me fez chorar, fazendo-me questionar se era certo eu continuar existindo. – Acho que você é, porque tem um coração mesquinho e é tão puta que jamais conseguiria prender alguém sem abrir a porra de suas pernas! – Gritei raivosa e ela rugiu com o ódio, erguendo sua mão. Fechei meus olhos pronta para sentir o impacto, eu poderia sofrer fisicamente com a dor da bofetada, mas internamente eu estaria mais do que feliz por ter falado tudo o que estava entalado em minha garganta.
— Isso parou por aqui! – Uma voz grunhiu alto e eu franzi o cenho, abrindo meus olhos e olhando para Tanya. Ela ainda olhava-me odiosa, mas sua mão estava detida no ar. Olhei para o meu lado e Angela nos encarava brava, repreendendo nossas atitudes somente com seu olhar. – Eu não acredito que vocês duas estão de picuinhas novamente! Parecem duas adolescentes, merda! Não percebem que isso acaba com a reputação da minha loja? – Sua voz foi aumentando aos poucos, clientes começavam a formar uma roda em nossa volta, completamente atentos a tudo o que estava acontecendo. Normalmente Angela nos tiraria dali, mas eu estava vendo a raiva em seu olhar e ela parecia completamente diferente de outros dias. – Eu já disse para resolver a porra de seus problemas fora da minha loja! Eu não falei isso? – Ela olhou de Tanya para mim e refez o gesto, parando com seus olhos castanhos em mim, encarando-me de forma gélida. – Eu fiz muita coisa por você, Bella, aceitei tê-la na loja porque realmente percerbi que necessitava disso, mas como você me retribui? Brigando com outra funcionário em pleno funcionamento da loja, merda! – Bateu o pé e eu engoli em seco, dando um passo para trás. – Eu não posso aceitar isso! E eu não vou. – Gritou em meio a loja, fazendo eco pelo lugar, afinal tudo estava em silêncio.
— Se acalme, Angela! – Olhei para o lado e vi Rose passando entre as pessoas, empurrando algumas mulheres para fora de seu caminho, até conseguir chegar no meio do círculo que tinha se formado, ficando perto de Angela, Tanya e eu. – Você gritando dessa maneira está piorando tudo, Angela, pelo amor de Deus, pare com todo esse escândalo! – Rosalie grunhiu. – Ninguém estava prestando atenção na briga delas até você aparecer e começar a gritar para Deus e o mundo o que estava acontecendo por aqui. – Bufou.
— Não me diga o que fazer, Rosalie. – Angela soltou o pulso de Tanya e cruzou seus braços, olhando raivosa para mim. – E você, Bella, eu esperava muito mais de suas atitudes, age como se estivesse no colégio e não em uma loja renomada de roupas. – Ela encarava-me de uma forma tão gélida, que eu obriguei-me a abaixar o olhar e dar um passo para trás, respirando fundo e tentando me controlar perante a tudo o que estava acontecendo.
— Ah, por favor, não culpe a minha irmã por isso! – Rosalie bateu seu pé e eu voltei olhar para ela, franzindo o cenho. – Desde o início da droga dessa loja você defende a Tanya, Angela, e eu sou a merda da sócia desse estabelecimento! – Gritou irritada. – E quando Bella entrou aqui, Tanya piorou com suas atitudes e começou a perturbá-la sempre. Isabella não enfrentava, ela deixava Tanya humilhar ela e fazê-la de gato e sapato, mas nunca ergueu a voz para essa puta! – Apontou para a loira arruivada e a mesma grunhiu e tentou aproximar-se, mas Angela a segurou. – Agora que Bella começou a enxergar o que se deve fazer com mulheres como Tanya, você vem repreendê-la dessa maneira? Eu proíbo que fale desse jeito com a minha irmã! – Cutucou o ombro de Angela. – Ouviu-me bem?
— Não encoste em mim, Rosalie. – Empurrou o braço da Loira para longe. – E você quer defender tanto sua amiguinha? – Olhou-me e eu estremeci com o jeito que dirigiu-me o olhar, soltando uma risada. – Ótimo, a ajude achar algum lugar para trabalhar, porque neste momento ela está despedida deste lugar! – Arregalei meus olhos e balancei a cabeça, aproximando-me dela.
— Você não pode me despedir, Angela! Pelo amor de Deus, sabe o quanto preciso desse emprego, eu não posso ficar sem trabalho, eu... eu... por favor não faça isso! – Senti as malditas lágrimas saírem de meus olhos, deslizando-se para meu rosto. Todos olhavam-me com pena, mas eu não estava nem ligando para isso, eu não podia perder o emprego que eu tinha aqui. – Angela. – A chamei e ela balançou a cabeça.
— Não adianta chorar, nada vai mudar a minha decisão, você está fora daqui! Pode pegar suas coisas e ir procurar outro lugar, porque tenho certeza que se ficar um dia sem emprego, pode perder até sua casa. – Soltou um riso diabólico e eu ouvi outra risada, e essa vinha de Tanya. Olhei para aquela cobra e ela piscou para mim, cruzando seus braços enquanto sorria abertamente.
— Por favor... – Supliquei para a morena, minhas lágrimas caindo sem permissão.
— Não, Bella, chega. – Senti Rose segurar meu braço. – Não se humilhe por isso, por favor, você não precisa disso. – Olhei suplicante para a minha melhor amiga e ela balançou a cabeça. – Eu vou te ajudar, Bella, tenha certeza disso, mas não deixarei que você fique se humilhando para ter esse emprego. Vem comigo.
— Rose, eu não posso perder meu trabalho. – Olhei com os olhos cheios de lágrimas para a Loira, mas ela engoliu em seco.
— Eu vou te ajudar. – Prometeu e segurou minha mão, puxando-me para longe dali. Solucei com o medo se apoderando de mim e com a ajuda de Rosalie, fui buscar todas as minhas coisas.
Depois que eu peguei meus pertences, Rose abraçou-me pelo ombro e caminhou comigo para fora do estabelecimento, não me deixando olhar para trás. Eu chorava agora silenciosamente, temendo tudo o que aconteceria agora, eu tinha acabado de entrar na Universidade, e mesmo que eu tivesse bolsa 100%, alguma coisa eu precisaria comprar para aulas e tudo o mais, mas como eu faria isso sem dinheiro, sem trabalho algum?
— O que aconteceu com ela? – Imediatamente minha cabeça ergueu-se em busca da voz e quando eu o vi, parado praticamente em minha frente, eu solucei alto e corri até ele, pulando em seu colo e o abraçando com todas as minhas forças. – Bella, o que houve? – Sua voz rouca ecoou em minha cabeça e eu apertei-me contra seu corpo quente, os braços fortes circulando-me fortemente. – Me diz, por favor, Bella, eu estou ficando preocupado. – Afastei-me minimamente dele, apenas o suficiente para conseguir enxergar seus olhos. As orbes verdes encararam-me com preocupação e sua mão veio até meu rosto, acariciando minha bochecha molhada.
— Eu perdi o emprego, Edward. – Sussurrei fraca, meu choro saindo silenciosamente agora, mas as lágrimas não cessavam. – Eu fui demitida. – Engoli em seco. – O que eu farei agora? Eu não tenho experiência e nem nada do tipo, como conseguirei um emprego que pague bem e que possa coincidir com minhas aulas que começarão no próximo mês? – Joguei as perguntas para cima dele, seus olhos a todo instante nos meus. – Eu não tenho nada, estou tão ferrada, tão ferrada. – Ele balançou sua cabeça e puxou-me novamente para seus braços, aconchegando-me no calor de seu corpo.
— Eu vou ajudar-te, Bella, com isso não precisa ficar preocupada. – Funguei contra seu peito, suas mãos alisando minhas costas. – Não chore assim, querida, no que precisar eu darei meu apoio, e tenho certeza que Rosalie fará a mesma coisa. – Ainda com a cabeça em seu peito, olhei para o lado e Rose sorriu para mim, mesmo com as lágrimas brilhando em seus olhos também.
— É claro que eu farei tudo o que for preciso. – Piscou e eu assenti, fungando. – Agora vá descansar, Bella, eu cuidarei de tudo aqui na loja, sabe, sobre as papeladas. – Meu coração apertou com isso, mas eu assenti da mesma forma. Ainda parecia irreal, era como se eu estivesse fora da terra e isso fosse um terrível sonho, a minha ficha não tinha caído direito. – Eu levaria ela para casa, mas já que você está aqui, pode fazer isso, Edward? – Concentrei-me novamente no assunto.
— Claro que eu levo, não precisa se preocupar quanto a isso. – Edward respondeu e Rosalie sorriu para ele. Eu saí de seus braços, indo até a minha irmã, abraçando-a fortemente.
— Fique calma, nós daremos um jeito nas coisas, tudo bem? – Sussurrou e eu meramente assenti, abraçando-a. – Vá com Edward, eu falarei com você mais tarde.
— Obrigada. – Sussurrei com a minha voz rouca pelo choro, afastando-me de seu abraço. Rose deu um pequeno sorriso e beijou meu rosto.
— Não tem que agradecer, Bella, sabe que eu sempre a apoiarei em tudo. – Assenti sorrindo um pouco e em seguida afastei-me dela, indo novamente para os braços de Edward.
Edward passou um braço em minha cintura e eu olhei para cima, conseguindo sorrir ao ver os olhos intensos encarando-me, como se quisesse transparecer alguma tranquilidade para mim. Edward sorriu torto ao ver-me sorrir para ele e deu-me um selinho demorado, meus braços automaticamente indo para seu pescoço, conforme eu o abraçava e tentava ter mais contato dele.
— Eu vou te levar para casa. – Sussurrou contra a minha boca e eu assenti, soltando-me dele. – Até mais, Rose. – Ela acenou para nós e eu olhei uma última vez para a loja, sentindo medo pelo o que iria vir.
Quando olhei para a entrada da loja, vi a loira arruivada parada na porta de vidro, olhando-nos. Engoli em seco ao ver o seu olhar em nós, o jeito invejoso que dava para notar de longe, felizmente eu não teria mais contato algum com ela, isso era a única coisa boa que tinha me acontecido hoje: Saber que não precisava mais ficar olhando para a cara de puta de Tanya.
Segurando-me pela cintura, Edward guiou-me até seu carro, abrindo a porta do passageiro para mim. Ele dirigiu-me um bonito sorriso torto e beijou minha testa, afastando-se depois para que eu entrasse no veículo. Deslizei para o banco de couro e puxei o cinto em minha volta, ouvindo a minha porta bater e Edward caminhar rapidamente para o lado do motorista, entrando logo em seguida.
— Você está mesmo bem? – Olhou-me seriamente, conforme passava o cinto sobre ele, ligando o carro em seguida. Assenti e coloquei meus pés sobre o banco, abraçando meus olhos e encostando minha cabeça ali, respirando fundo. – Bella? – Virei a cabeça em sua direção e ele respirou fundo. – Não fica assim, vamos dar um jeito nas coisas.
— Eu só estou com medo. – Falei rouca pelo choro e ele assentiu, sua mão tocando meu cabelo.
— Eu sei que você está, mas lembre-se que eu estarei do seu lado. – Sorri assentindo e ele inclinou-se, dando um beijo em meus lábios. – Descanse, é uma longa viagem até sua casa.
— Obrigada por estar comigo. – Segurei em sua mão, antes que ele se afastasse. – De alguma maneira, você sempre está ao meu lado para me ajudar. – Olhei em seus olhos, suspirando com a intensidade. – Obrigada. – Repeti e ele sorriu, balançando a cabeça.
— É o meu prazer, Bella. – Apertou minha mão. – Eu vim fazer uma visita pós almoço, queria alegrar seu dia, porém acho que tudo estava indo uma merda, hein? – Ri balançando a cabeça.
— Você nem imagina. – Respirei fundo. – Mas você ter vindo foi perfeito, está sendo a melhor parte do meu dia terrível. – Pisquei e ele abriu um lindo sorriso.
— Fico feliz em saber disso. Agora vamos. – Assenti e larguei sua mão, deixando-o se concentrar na direção do carro.
Respirei profundamente e virei minha cabeça em direção a janela do carro, encarando a paisagem que passava de forma rápida por meus olhos. Deixei meu queixo apoiado em meus joelhos e continuei olhando tudo o que passava como um borrão, tentando ao menos organizar minha mente, eu tinha muito o que pensar agora.
Abracei minhas pernas contra meu peito, deitei minha cabeça sobre meus joelhos e desatei-me a chorar, agora de forma silenciosa, eu não queria preocupar Edward, mas estava passando tantas coisas por minha cabeça que era difícil de segurar. Eu não conseguia cuidar de mim mesma com o pequeno salário que eu recebia da loja, meu Deus, o que eu faria agora? Seria complicado alguém contratar uma garota de dezenove anos, que só tem a escolaridade do ensino médio e nada a mais.
Achar o trabalho na loja de Angela já tinha sido difícil, imagina agora? Céus, eu tenho até medo do que pode acontecer daqui para frente. Sem emprego, contas para pagar e eu sou totalmente sozinha, não tinha a quem pedir ajuda. Rosalie já ajudou-me muito, não posso pedir mais nada para ela, eu tenho que dar um jeito de me virar sozinha, sempre foi assim e sempre será. Tenho que cuidar de mim mesma.
Minha vida nunca iria mudar e eu tinha que aceitar isso de um jeito ou de outro. Estava na hora de acordar para vida e aceitar que contos de fadas não são reais. O que existe é a vida real e eu preciso dar um jeito de cuidar de mim.
Deus, o que eu farei?
Com tantos pensamentos rondando em minha cabeça e com o cansaço acumulado, eu não consegui me segurar por muito tempo, logo meu corpo foi se acalmando, assim como o meu choro. O barulho baixo de um som começou no carro, era algo clássico, eu não conseguia identificar, mas eu fui sentindo-me mais leve e então entreguei-me ao sono e a escuridão, caindo no sono.
[...]
Espreguicei-me, bocejando conforme eu esticava meus músculos. Soltei um longo suspiro ao sentir todas as coisas retornando em minha mente, tudo o que ocorreu no dia, meu desemprego...
Engoli em seco e abri meus olhos devagar, meus olhos correndo pelo cômodo escuro e reconhecendo meu quarto. Bocejei outra vez e sentei-me na cama, esfregando meu rosto e respirando fundo, o meu coração martelando forte contra meu peito, o medo pairava em mim agora, eu tinha que decidir o que eu faria daqui para frente, tantas coisas mudaria, o emprego pagava pouco, mas era com aquele salário que eu conseguia ao menos me sustentar e pagar as contas do mês.
Balancei a minha cabeça, precisava descansar minha mente disso tudo, mal acordei e já conseguia sentir minha cabeça pesar e começar a doer. Retirei as cobertas de cima de mim e levantei-me com cuidado, sentindo-me meio molenga pelo meu sono. Caminhei para fora do quarto e fui até o banheiro, precisava urgentemente aliviar minha bexiga. Assim que eu me senti melhor, lavei meu rosto e escovei os dentes, saindo do cômodo em seguida.
Franzi o cenho ao notar o meu casaco maior do que o normal, mas quando olhei para meu próprio corpo, sorri ao ver que o que eu estava vestindo era o terno de Edward. Levei as mangas até meu nariz e inspirei o cheiro de seu perfume, sentindo-me melhor só de saber que ele estava comigo, mais uma vez e da forma que tinha me prometido.
— Você acordou, Bella, que ótimo. – Olhei para frente e Edward sorriu para mim, caminhando em minha direção. Ele vestia suas calças sociais e estava com uma blusa social bordô, as mangas dobradas até seu cotovelo e a gravata solta em seu pescoço. – Dormiu bem? – Questionou ao alcançar-me e passar seus braços ao meu redor, puxando-me contra seu corpo.
— Eu descansei um pouco. – Suspirei e segurei-me em seu ombro. – Obrigada por ter me trazido para casa, eu estava ficando paranoica mais cedo, com as coisas da loja e tudo o mais. – Soltei um longo suspiro e ele segurou meu queixo, olhando em meus olhos.
— Você sabe que tem a minha ajuda, certo? – Tirei sua mão do meu queixo e a segurei, respirando fundo.
— Eu sei, Edward, e agradeço muito que esteja comigo, mas eu não posso ficar abusando de você, por favor, isso torna-se demais. – Ele revirou seus olhos e soltou-me, respirando profundamente e passando a mão por seu cabelo.
— Não comece a ter chilique de razões, Bella. Negar a minha ajuda, só fará com que eu insista ainda mais em ajudar você, não tente dizer-me que isso é demais ou que é um estorvo, eu estou aqui porque eu quero e porque quero ajudar você. – Olhou-me sério, suspirando alto. – Não adianta me olhar dessa maneira, não vai me fazer mudar de ideia. – Grunhi cruzando os braços.
— Merda, Edward, eu aprecio muito que esteja do meu lado, mas eu não preciso que ajude-me o tempo todo! – Bati um pé no chão. – Eu sempre me virei sozinha, a minha vida toda, então eu posso fazer isso ainda e muito bem!
— Pare de ser teimosa, porra! – Gritou irritado e eu rolei os olhos, fazendo-o bufar e caminhar até estar em minha frente, sua mão segurando meu queixo e levantando minha cabeça, nossos olhos se encontrando. – Não revire os olhos para mim, sabe que isso deixa-me louco! – Bufei e ele suspirou. – Bella, tenta ser racional, merda, eu sei que você sabe cuidar de si mesma, que sempre se virou sozinha, eu entendo tudo isso e sei que é seu orgulho falando mais alto. Mas pensa muito bem, você não está mais sozinha, tem sua amiga, tem Andrew e tem a mim do seu lado, nós sempre iremos querer seu bem e sempre iremos querer te ajudar, mesmo que nos negue isso até a morte. Pense racionalmente, uma única vez aceite a minha ajuda! – Afastei-me dele e respirei fundo, passando a mão por meu cabelo e dando a volta por Edward, caminhando até a sala, tentando ter ar e pensar um pouco. Senti-o atrás de mim o tempo todo, seus passos pesados e sua mão segurando meu braço, parando-me. – Bella.
— Por favor, Edward, eu... eu odeio depender das pessoas, será que você não entende isso? – Virei-me para sua direção, olhando em seus olhos. – Eu quero conseguir cuidar de mim, eu preciso fazer isso, você não vai estar sempre ao meu lado cuidando de meus tombos. – Respirei fundo. – Você é o meu namorado e não tem esse tipo de obrigação comigo.
— A minha obrigação é cuidar da mulher que está ao meu lado, fazer de tudo para vê-la feliz. – Seus olhos encontraram os meus e ele soltou meu braço, aproximando-se até colar seu corpo ao meu e ter seus braços ao redor de minha cintura. – Eu entendo você, Bella, sei o que está pensando e sei que quer ser dependente, eu juro que compreendo seus pensamentos e suas atitudes com tudo isso. – Ele aproximou-se e eu suspirei sentindo-o encostar sua testa na minha, e mesmo assim as orbes verdes não deixaram de me encarar. – Mas eu também quero que você compreenda a mim, que entenda que o que eu mais quero é tê-la bem, Bella, não gosto de ver você chorando ou com esse olhar triste, isso me dói por dentro e não sabe o quanto. – Sua mão acariciou minha bochecha. – Deixe-me lhe ajudar, por favor, eu juro que não farei nada demais, só farei as coisas que me permitir. – Engoli em seco. – Mas a única coisa que eu te peço é que me deixe ficar do seu lado.
— Você não precisa me pedir isso, Edward. – Enrolei meus braços em seu pescoço, abrindo um pequeno sorriso. – Eu não gosto de aceitar ajudas, odeio na verdade. – Suspirei longamente. – Mas eu posso abrir uma exceção. – Pisquei em sua direção e ele riu, sua boca beijando-me rapidamente. – E Andrew? – Afastei-me dele, olhando-o deveras confusa. – Você esteve comigo o dia todo. – Franzi o cenho e Edward respirou fundo.
— Ele ficou com Daniel no meu apartamento hoje. Eu tenho medo de deixa-lo com Alice agora e meu segurança tem filhos, então sabe tomar conta de crianças, Andrew pareceu adorar ele, então deu tudo certo. – Deu de ombros e eu ri.
— Tudo bem. Você fica para jantar então? — Ele sorriu, porém antes que dissesse qualquer coisa, ouvi a campainha do apartamento soar.
— Você está esperando alguém? – Questionou-me e eu franzi o cenho, saindo de seus braços e balançando a cabeça.
— Só pode ser a Rosalie, eu já volto. – Lhe dei um selinho e caminhei rapidamente até a porta de entrada, destrancando-a e a abrindo. – Pensei que me ligaria, não que viesse até aqui. – Comentei sorrindo, porém estaquei quando o homem sorriu abertamente para mim.
— Rose disse-me que estava a caminho daqui, então eu vim antes. – Piscou um olho e aproximou-se de mim, fazendo-me gritar quando ergueu-me em seus braços e balançou-me rapidamente. – Então, Bela Adormecida, sentiu a minha falta nesta noite? – Gargalhei com sua agitação e bati em seu braço, sentindo-me meio zonza por ele balançar-me tanto.
— Claro, Emmett, você povoou meus pensamentos. – Ele riu mais. – Agora solte-me, vou acabar vomitando em você, de tanto que me balança, — O grandão soltou uma de suas gargalhadas estrondosas e colocou-me no chão. Respirei fundo ao sentir-me segura com os pés no piso e o olhei com uma sobrancelha arqueada. – Isso não foi legal.
— Eu sou sempre legal, Bella. – Piscou e eu ri, balançando a cabeça.
— Tudo bem, alguém vai me explicar o que está acontecendo por aqui? – Estremeci com a voz rouca soando atrás de mim. Virei-me para Edward e ele encarava Emmett bravo, sua sobrancelha arqueada e sua respiração saindo fortemente. – Você não sabe que não fica agarrando a mulher dos outros? – Falou de forma rude e Emmett arqueou uma sobrancelha agora, soltando uma risada.
— E você não sabe ser educado, cara? – Edward semicerrou seus olhos e eu arregalei os meus, eu conseguia sentir sua irritação daqui. – Eu faço o que eu bem quiser, a casa não é sua, Cullen. — Emmett frisou bem seu nome e deu um sorriso debochado. – Você não é dono de tudo.
— Eu acho que você deveria ter mais cuidado na forma que fala comigo. – O ruivo deu um passo para frente e eu corri para colocar-me no meio de ambos, antes que algo pior acontecesse. – Bella? – Edward franziu o cenho em minha direção.
— Gente, eu ganhei um garotinho lá na portaria! – Ouvi a voz animada de Rosalie soar. Só que eu ainda olhava entre Edward e Emmett, bufando para ambos. Sério, quanta infantilidade vinda de dois homens adultos. – O que está acontecendo? – A voz da Loira agora saia de forma confusa.
— Edward e Emmett dando uma de fodões. – Bufei indignada. Coloquei a mão no peito de ambos e os empurrei um para longe do outro. – Podem parar com isso. – Olhei séria para meu namorado e ele ainda encarava Emmett. – Edward. – O repreendi e ele respirou fundo, parando de encarar o namorado da minha amiga.
Antes que qualquer um falasse, vi os olhos verdes irem até a Rosalie e em seguida arregalaram-se, fazendo-me franzir o cenho.
— Andrew? – Perguntou confuso e eu automaticamente virei-me assustada para Rose, só agora dando-me conta que ela tinha dito algo sobre um garotinho. Abri minha boca em choque ao ver o loiro nos braços da minha amiga e ele sorriu abertamente, acenando para nós.
— Olá, papai! Tio Daniel disse que eu falo demais e que eu pedia muito para vir para cá, então trouxe-me, só que essa loira bonita disse que conhecia a Bella, então pediu para trazer-me até aqui! – Pulou animado no colo da minha amiga e essa agora olhava-me de sobrancelha arqueada e com um sorriso, e eu conhecia aquilo, era como se ela me perguntasse o porquê de eu ter escondido isso dela.
— Eu explico depois. – Lhe respondi e ela revirou os olhos.
— Mamãe! – Andrew gritou e esticou os braços para mim, fazendo-me sorrir. Peguei-o em meu colo e beijei sua bochecha, sentindo-o me abraçar apertado em seguida. – Senti sua falta. – Falou contra meu pescoço e suspirei. Edward beijou meu rosto e abraçou-me pela cintura, fazendo-me estremecer com seu toque, como sempre.
— Ok, Isabella, você tem muito o que explicar. – Olhei para a minha amiga e ela cruzou seus braços, Emmett soltou uma risada e abraçou de lado. Os olhos azuis encaram-me curiosos. – Como estamos sem nada para fazer, pode começar agora.
Seria uma longa conversa.
“Continua...”
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