Never Been Hurt.
13 Too cold.
Notas iniciais
Boa leitura!
"No shirts, no blouse
Just us, you find out
Nothing I really wanna tell about no
'Cause it's too cold for you here."
Assim que chegaram, Percy acompanhou a loira até sua cobertura.
Lá, Ian estava encolhido no sofá, encarando a televisão com o ar entediado, Sophia estava do seu lado, parecendo preocupada, o que mudou assim que avaliou sua mãe passar pela porta.
– Mamãe! – ela abraçou a mulher pelo pescoço – Eu estava preocupada, mamãe.
– Desculpe, querida, desculpe. – sussurrou, afagando seus cabelos
– O tio Percy estava com você? – ela perguntou com os olhos piscando como um anjo
– Sim, meu amor. – Annabeth respondeu ajoelhada, ficando a sua altura – Nós estávamos em uma reunião, um pouquinho longe daqui e... Hm, teve um erro com o carro e tivemos que esperar mais um pouco.
Thalia acabara de aparecer na sala, com uma bandeja de prata onde tinha dois sanduiches naturais e uma jarra de suco com um conteúdo amarelo.
– Certo, mamãe. – a garotinha se inclinou para falar em seu ouvido – A tia Thalia e o tio Nico estão muito brigados.
– Vamos conversar sobre isso depois, meu amor. – a mulher afagou seus cachos loiros, levantando-se e deixando a bolsa de lado
Percy já estava sentado nos pés do sofá, mexendo nas pernas de um Ian cabisbaixo que dava respostas curtas.
– Vá tomar um banho, Soph. Tudo bem? – Annabeth disse, sorrindo – Vamos tentar sair depois.
Thalia deixou a bandeja em cima do centro de mesa e encaminhou-se para sua melhor amiga com uma carranca, o olhar sério e sem um pingo de divertimento no rosto.
– Eu sei o que aconteceu essa noite, ok? E eu não estou gostando nada disso. – vociferou com a voz baixa – Não importa a merda que você esteja fazendo, eu sou sua melhor amiga e eu não vou deixar você sair sofrendo nisso.
Annabeth revirou os olhos e encarou os dois que ainda tentavam engatar em uma conversa.
– Eu não preciso de seus sermões, Thalia. Eu sou bem grandinha e sei bem na merda em que eu me meti. Mas, vem cá, qual é a sua ao brigar na frente dos meninos? Como é que a Liz e a Silena tem que vir aqui separar vocês dois? Você perdeu a vergonha na cara?
– Isso é uma coisa nossa. Desculpe, mas eu prefiro que você fique fora disso.
– Eu poderia ficar fora, mas você perdeu esse direito no momento que brigou na frente de minha filha. Não vou ter uma conversa civilizada com você, e muito menos te dar conselhos, só quero saber o que aconteceu.
Thalia bufou e encarou algum ponto por cima do meu ombro.
– Nico quer tirá-lo de mim.
Annabeth franziu o cenho, olhando a relação calma que Ian e Percy começaram a manter desde que chegaram.
– O quê?
– Ele não está admitindo o fato de que Ian prefere ficar comigo do que com ele. É isso. Simples, ok?
– Sabe que não vou acreditar nisso. Vamos, Thalia, fala logo.
– Eu não sei. O Nico é um louco de merda. E se me der licença, eu vou tomar um banho, porque a mãe desnaturada que ficou longe por uma noite com um cara quase casado, não foi eu. – a morena virou as costas e subiu as escadas
As palavras ficaram incrustadas no peito da loira. Foi como várias facas atacando-a a todo momento. Continuou parada por algum tempo, encarando onde Thalia deveria estar e suspirou.
Como teve coragem de julgar a única pessoa que nunca te julgaria no mundo?, era o que pensava. Várias perguntas, várias frases de culpa martelavam, rodeavam a sua volta e tudo que sabia era que queria ficar agarrada a sua filha por muito tempo.
– Annabeth? – Percy tocou seu ombro e ela recuou rapidamente – Estou levando o Ian para casa do Nico, pode avisar a Thalia?
A loira engoliu em seco e encarou o garotinho que brincava com um controle remoto.
– Ian... – ela afagou seus cabelos negros dele – Você está bem?
O menino assentiu e suspirou.
– Só quero ir para casa do meu pai, tia Annie.
Ela assentiu e virou-se para Percy.
– Vou ver o que posso fazer por aqui... Eu... Obrigada. – disse com um sorriso seco
– Hm, de nada. Vamos, garotão?
Com isso, Ian levantou-se do sofá com um sorriso fraco para a loira enquanto saía rapidamente com seu tio.
Sua vida estava uma completa confusão e acabara de envolver mais pessoas nisso.
Sophia saiu do banho, fez sua filha usar um vestido e lhe esperar lá embaixo enquanto estava sentada na cama de sua melhor amiga, esperando que ela saísse de lá.
– Ah, não... – Thalia resmungou, entrando no closet – Annabeth, eu não tô afim de conversar, certo?
– Eu vim pedir desculpas. – a loira disse alto, mexendo nas pernas – Vim pedir desculpas por me intrometer em sua vida.
A morena saiu vestindo uma lingerie azul e trazendo um vestido em um dos braços, com o cenho franzido.
– Não me deve desculpas...
– Sim, você tem sua vida com Nico e eu não deveria me intrometer.
– Eu não tenho uma vida com o Nico. Só porque dividimos uma criança, não quer dizer que sou dele! Olha, você é separada do Luke e tem uma filha com ele, isso quer dizer que você é dele?
A loira balançou a cabeça.
– Então! Nós temos nossas vidas, e o Ian é nosso filho, simples.
– Você admite que ele é seu filho?
Thalia revirou os olhos.
– Se até meu pai admite que ele é neto... Olha, eu acho melhor você sair daqui, Annabeth, você prometeu que ia sair com a garota, então é melhor sair.
– Eu só queria pedir desculpas por ter sido invasiva e...
– Já entendi. Ok. Sem invasões. Eu vou ter que sair, Annie, se não se importa...
***
Percy lhe pedira para guardar os desenhos do Esahc e arrumar suas gavetas. Embora, ele pedisse para que ela ficasse em casa, descansando com sua filha, ela foi para o trabalho, decidida que se ficasse mais alguma hora presa naquele manicômio onde morava com sua melhor amiga – que parou de falar com a loira – poderia explodir. Então, com a mania mais gay que poderia ter pegado de Percy, ligou o som com o seu pen-drive, Here Without You tocava nas caixas escondidas.
Respirou fundo, cansada, ao sentar-se na cadeira presidencial dele. Os desenhos principais haviam sido guardados, agora precisava anexar alguns documentos em seu computador e arrumar as gavetas. Decidiu começar pelo mais trabalhoso, abriu a gaveta de cima e viu apenas um monte de canetas, borrachas, réguas, lápis de diferentes tamanhos, uma calculadora cientifica e um monte de coisas insignificantes.
Separou do melhor jeito possível, deixando os apontadores de lápis a vista e separando os lápis por número, deixou as borrachas ao fundo e as réguas ao lado do computador.
A segunda gaveta tinha muitos papéis. Annabeth sentia-se cansada apenas de encarar aquilo.
Tirou a maioria, tentando verificar se eram alguns contratos velhos ou anotações bobas.
Sua curiosidade chegou ao estado mais elevado assim que pegou um bloco de notas com folhas amareladas e capa de couro. Franziu o cenho, folheando as páginas com uma caligrafia rápida e forte. Observou o nome de muitas mulheres, viu vários adjetivos abaixo do nome e riu de alguns... Que tipo de homem colocaria adjetivos ridículos com mulheres que já se deitara?
Além daquilo, tinha alguns cálculos estranhos que ela não identificava, rascunhos de barcos pequenos e de iates particulares. Passou mais algumas páginas mais nomes foram descobertos até gelar... Seu nome.
Annabeth Chase
Gostosa
Muito gata
Atrevida
Vaga demais
Teimosa
Inteligente
Eu pegava, mas não
Divorciada, mas sexy ainda
Tem filha, perigo
Fique longe
Segundo lugar depois de Marilyn
A palavra “filha” estava evidente. Como se realmente fosse um perigo. Sentiu suas mãos tremerem levemente, como se o mundo tivesse abrindo abaixo de seus pés. Seus olhos estavam marejados, queria fugir dali. Sentia-se no colegial quando foi traída pela primeira vez.
Fora traída por um homem que achava nobre. Nobre o suficiente para trair sua noiva no dia do próprio noivado. Como podia confiar no homem daquele?
Homens. Resmungou, amargurada e arrancou a página com força, fazendo com que ela ficasse lisa, como se nada tivesse acontecendo.
A porta foi aberta, revelando uma ruiva e seu noivo.
O maldito noivo.
– Annie. – ele disse com um sorriso – Achei que já tivesse ido. – murmurou, segurando a mão dela
– É. Eu não fui. – segurou o papel nas mãos, fazendo um movimento discreto para que ele percebesse que estava com ele – Ainda estou... – respirou fundo, controlando a raiva exposta na voz – Estou arrumando as gavetas. Já estou terminando.
– Certo... Só vim pegar um livro que comprei.
– Annabeth. – Rachel acenou com um sorriso largo
– Oi, Rachel. – imitou seu sorriso forçado de sempre
– Precisa de alguma ajuda? – Percy franziu o cenho, percebendo algo errado enquanto pegava algo grande envolvido em um papel de presente
Como pode agir daquele jeito normal? Que tipo de ator ele seria?
– Preciso. Eu não sei onde guardar isso e você tem que assinar algumas coisas, e aliás, você poderia fazer uma chamada de vídeo com um sócio que está em Malibu? É dois minutos, desculpe-me, Rachel.
– Ah, sem problemas. Eu espero lá fora. Vou dar um alô pra Silena ou pro Nico.
– Certo, amor, já estou indo, não vai demorar.
A ruiva sorriu e fechou a porta.
Era a hora, Annabeth pensou quando Percy apoiou-se nas mãos na mesa de carvalho.
– Você está estranha...
– É, estou. Olha o que eu achei. – jogou o papel no peito dele que pegou com agilidade
Percy encarou as letras confusas que aos poucos começaram a se ajustar em seus olhos, deu um sorriso e balançou o papel diante dos olhos dela.
– Qual é? Foi engraçado. – admitiu
– Filha? Perigo? É, eu acho que sou idiota mesmo. – vociferou, pegando sua bolsa – Sabe, Percy, eu não queria que você acabasse com sua noiva ou nada do tipo, mas sabe de uma coisa? Eu achei que você fosse o único homem diferente nessa merda de mundo! Você provou o contrário.
– Ei, não. – correu e segurou seu braço – Isso não é nada. Foi no dia da entrevista de trabalho. Só fiz uma brincadeira interna, desculpe, por favor.
– É, sua peguete fixa aqui tá vazando. Vai ter que arranjar outra.
– Annie, não é o que você tá pensando. Sophia é um anjo e você sabe disso, eu a adoro, ela é como uma sobrinha para mim.
– Lave a boca para falar dela! Lave sua boca nojenta. – ela respirou fundo e sorriu – Vai aproveitar seu dia com sua noiva. Eu tenho uma filha e um ex-marido para cuidar. – deu um grande sorriso, soltando seu braço dele
Percy a seguia, e agradeceu que sua noiva estava por perto, agarrando seu braço e então, pode fugir pelo elevador. Grata por finalmente ter aberto os olhos. Todos tem um defeito, claro que, Percy, como qualquer outro homem no mundo, deveria ter um defeito tão grande quanto qualquer outro.
Sempre se engava. Sempre conseguia ser ingênua demais.
***
Infelizmente, não podia desaparecer do mundo por tempo indeterminado.
Assim que chegou em casa, pode ver Nico e Thalia brigando. Já estava acostumada com aquela cena, mas a cada vez que via se irritava mais.
– Parem. – Annabeth pediu, passando as mãos pelos cabelos e ficando de frente para eles – Thalia, você é minha melhor amiga e Nico, você é um dos melhores caras que já conheci, mas eu não vou e não posso admitir que continuem brigando na minha frente, na minha casa. Na frente da minha filha e do Ian.
Bufou e jogou a bolsa na poltrona.
– Eu vou subir e espero que já tenham começado a agir como adultos.
E foi isso que fez. Deixando o casal calado por poucos minutos enquanto subia e preparava um banho. Não viu sua filha durante o caminho, porém percebeu que ela estava em seu quarto assistindo algum filme bobo com Ian.
Seu banho foi rápido, vestiu shorts e uma blusa folgada, dando de cara com um pequeno garotinho de cabelos negros.
– Tia Annie. – ele disse com um sorriso pequeno e constrangido
Annabeth sorriu, ajoelhando-se e tentando encarar os olhos azuis do garoto.
– Você viu o tio Percy hoje?
A loira franziu o cenho e decidiu tirar aquela imagem dele puxando-a ou daquele bilhete que insistia em ficar com aquelas palavras martelando em sua cabeça.
– Vi sim, Ian.
– Você poderia ligar para ele? Eu queria saber se poderia ficar com ele por alguns dias e...
– Posso sim, venha cá. Onde está Sophia?
– Ela dormiu depois que você chegou. – ele pigarreou e se inclinou – Ela não quer ir pra casa do pai dela, tia.
Annabeth sorriu e o puxou pela mão para que entrassem no quarto dela. Ambos sentaram na cama larga enquanto Annabeth procurava o número de seu chefe na sua lista telefônica, ainda estava em dúvida se chamava Thalia para resolver aquilo ou se ligava. Decidiu por ligar, eles já tinham problemas demais para um casal.
A mulher inclinou o telefone para o garoto que lhe mandou um sorriso agradecido enquanto colocava o celular enorme em sua mão pequena.
Ian abriu um sorriso e saltitou em cima da cama.
– Tio! Oi, sou eu! O senhor está ocupado? Ahn... Sim, eu estou na casa de tia Annie... Mas o papai está brigando com a Thalia, eu não quero ver eles brigando de novo, tio... Não! Não briga, por favor. Obrigado. Tudo bem, tio... Obrigado. Certo! Tchau.
O garotinho deixou o telefone em cima da cama e deu um sorriso.
– E aí? – Annabeth perguntou, percebendo que sua curiosidade tinha passado os limites
– Ele disse que estava vindo.
– Ian... – chamou, afagando seus cabelos – Eles vão parar de brigar, tudo bem?
O garotinho abaixou o olhar e começou a mexer nas mãos, desconfortável.
– Eu acho que eles não me querem mais, tia Annie.
Annabeth prendeu o ar e puxou Ian para seus braços, apertando-o contra seu peito e sentindo a respiração dele meio entrecortada. Se aquele menino chorasse, ela choraria junto. Estava por um fio para que aquelas lágrimas impertinentes escapassem... Bem, se Ian chorasse, teria um bom motivo para chorar junto.
Mas, ele não estava chorando, infelizmente ou não.
– Olha para mim, meu bem... – Annabeth acariciou seu queixo e sorriu, sentindo as bochechas queimarem – A tia Annie vai preparar um chocolate muito bom, o que acha? E então, você vai poder levar e comer com seu tio... Ótimo, não é?
Nico apareceu na porta, com as mãos nos bolsos e o semblante frio.
– Ian, estamos indo.
– Ele vai ficar. – Annabeth disse, levantando-se
Nico revirou os olhos e ameaçou um passo.
– Annie, nós temos que ir.
– Ian... Você poderia acordar a Sophia para mim, por favor?
O garotinho intercalou os olhares entre seu pai adotivo e a tia, parecia perdido em quem confiar, em quem obedecer. Com um sorriso da loira, abaixou o olhar e passou com passos rápidos pelo pai.
Assim que percebeu que ele havia entrado no quarto de Sophia, puxou Nico pelo pulso, fazendo-o entrar no quarto.
– Ei, você já está com meu primo, ok?
– Quê? – Annabeth estreitou os olhos – Vou fingir que não ouvi isso, Di Angelo. E outra: não sei se você adotou o Ian porque acha bonitinho, mas deixa eu te avisar uma coisa, o garoto está traumatizado, ok? Ele não sabe em quem confiar e eu não vou deixa-lo ir com vocês. Dois loucos. Vocês não se entendem, não o coloquem no meio.
Ele revirou os olhos e enfiou as mãos nos bolsos, mais fundos.
– Annabeth, o Ian é meu filho. E ele vai sair comigo.
– Ele é tão seu filho quanto de Thalia.
– Não, ele não é! Eu fui atrás dele na Inglaterra... Você não sabe metade do que nós passamos lá. Você é uma mulher muito legal, mas eu não quero que você se meta em nossa vida, Annabeth.
– Eu vou me meter na sua vida porque você tem uma criança que não sabe cuidar, Nicolas. Ele já ligou para Percy, e ele está vindo pegá-lo. Eu já disse: você não vai sair com Ian daqui a menos que pare com isso.
– Você não podia ter feito isso. – Nico franziu o cenho e passou a mão pelos cabelos – Vem cá, o que quer que eu faça? Que eu chegue nela e diga: ei, você não é a mãe do Ian, eu quero que pare de ficar mais com ele do q...
– Do que com você? – Annabeth segurou-se para não rir e apenas ergueu a sobrancelha
– Não. – Nico corou – Não. Não sou tão egoísta, ok? Eu só não quero ser obrigado a separá-lo dela. E é isso que ela está fazendo. Desde que chegamos da Inglaterra não consigo passar um dia inteiro com o Ian porque a Thalia sempre aparece lá em casa e o rouba de mim.
– Ela é a mãe dele, Nico.
– Ela não é a mãe dele. Já estou vendo que não posso ter uma conversa civilizada com você. – revirou os olhos – Eu estou indo e eu vou levar Ian comigo, você queira ou não. Aliás, nem sei porque estou te falando isso.
Thalia entrou no quarto e franziu o cenho.
– Alguém chamou o Percy? E hm, seu ex-marido também está aí. Bem, eu acho que você deveria descer.
– Luke? O que ele está fazendo aqui?
– Eu acho que é você que deveria organizar sua vida, Esahc.
Annabeth arqueou as sobrancelhas e o encarou, confusa.
– Quê?
– Não seja boba, Annabeth. – Nico resmungou, encarando-a – Você sabe que aquele navio foi em homenagem a você.
– É, até eu sabia. – Thalia resmungou, escorada na soleira da porta
– Não, eu...
– Esahc? Ninguém colocaria um nome tão... Exótico. Vamos lá, Annie, você não é tão burra assim. Você é inteligente. E você sabe muito bem o que está acontecendo. Por que não deixa essa história do Ian comigo e...
– Vá logo, Annabeth. – Thalia insistiu e virou as costas, adentrando no corredor
Nico deu um passo lado, dando passagem para que ela passasse pela porta e foi isso que fez. Com turbilhões de pensamentos voando pela sua mente, sem saber o que pensar ou o que dizer... Tinha que resolver a questão do Ian, não podia deixar uma criança inocente levar a culpa de dois adultos que tinham parado na adolescência.
Era com esses pensamentos, com essa culpa de não ter feito nada para impedir que Ian fosse com Nico, com a culpa de ser uma burra e idiota por não saber que aquela merda de navio tinha seu nome que encontrou dois homens sentados lado a lado no sofá de modo tenso.
Percy estava de cabeça baixa, encarando o chão, como se o apartamento fosse um cenário de segundo plano enquanto Luke encarava o outro lado, mexendo no topete bagunçado que era seu cabelo.
– Hm, oi. – disse, assim que encarou os dois
Percy levantou os olhos, imediatamente, ficando de pé em menos de um segundo ao ouvir sua voz.
– Está tudo bem? Eu queria falar com você sobre... Hm, aquilo e onde o Ian está?
– Annie. – Luke se aproximou dela, segurando sua mão livre, talvez uma forma de provocação – Onde está a Sophia?
Annabeth respirou fundo, pensando nas várias perguntas direcionadas a ela, pensando em uma maneira de não ignorar Luke e repugnar Percy de todas as maneiras possíveis.
– Lá em cima, Ian estava com ela.
Luke sorriu e afagou seu ombro, dando as costas para o moreno e subindo as escadas com passos fundos.
– O Ian está bem e... É melhor você resolver isso com o Nico. Ele está lá em cima com o filho.
– O que ele fez?
Annabeth suspirou, passando as mãos pelos cabelos e sentando-se em uma das poltronas macias espalhadas por ali. Não sabia o que pensar, não sabia o que fazer e muito menos o que falar. Apenas continuou respirando superficialmente tentando reorganizar as ideias. Percy a encarou, confuso, todo seu corpo implorava para que tocasse aqueles lábios opacos, precisava sentir aquilo... Precisava saber que aquele drama todo mais cedo fora apenas ilusão, mas o seu ex-marido presente na casa, sua filha e um milhão de pessoas que parecia observar cada passo que ambos davam.
– Está tudo bem, Annabeth? – conseguiu murmurar, ameaçando um passo
– Esahc? Chase? Qual é o seu problema? Porque não podia ser... Erad? Até soa mais bonito e perfeito... Elizabeth, olha, nome elegante para um iate.
Percy franziu o cenho... Queria sorrir, imaginara mil e uma vezes ela descobrindo que Esahc era em homenagem e em todas suas ilusões, eles terminavam deitados em uma cama macia, trocando carícias.
Definitivamente, não pensava que ela estaria com raiva e daquele jeito.
– Desculpe... Eu só gostei do nome. Não pense que eu vá mudar. Annie, eu...
– Não me chame de Annie novamente, Jackson. – ela levantou-se em um pulo, aproximando seus corpos – A partir de agora, qualquer aproximação que teremos é meramente de chefe e funcionária. Por favor, não se aproxime de mim e se fizer isso, infelizmente, eu vou dar um jeito... O pior jeito que imaginar para que seu conto de fadas acabe.
– O que você está dizendo? Você que pulou em cima de mim dias atrás!
– Claro porque você me levou para andar de carro em um lugar deserto! Sabe o que você é, Jackson? Um baita chefe clichê. Porque nem criar uma história mais interessante você consegue, tem que ser com a funcionária divorciada que tem filha e uma vida financeira desequilibrada. É melhor se preocupar porque eu não vou fazer esse papel. – Annabeth respirou fundo e encarou aquelas íris cor de musgo repletas de susto – Agora, saia da minha casa e resolva-se com seus primos longe daqui.
– Annabeth...
– Sai.
– Alguma ajuda? – Luke disse no fim da escada com um meio sorriso enquanto Sophia saia de seus braços
– Tio Percy! Quando vamos para o Central Park de novo? – a garota loira disse, sendo puxada para os braços do moreno que tentava melhorar seu sorriso
– O dia que você quiser, princesa. Que tal uma soverteria próxima semana?
– Sophia, desça do colo dele agora. Seu pai está te esperando.
– Mas, mamãe...
– Obedece-a, querida. – Luke se intrometeu trazendo a pequena mala consigo – Venha, Sophia.
A loira encarou os pais, assustada e tentou dar um sorriso para Percy, deixou um beijo casto em sua bochecha e correu até o pai.
– Estou indo, posso te ligar depois? – Luke disse abrindo a porta, deixando a filha passar
Annabeth assentiu, indiferente vendo-o partir.
– Você pode até dizer que eu sou clichê e todas essas merdas aí. – Percy aproximou-se dela, segurando o queixo dela a força que tentava libertar os olhos daquela armadilha que eram os dele – Mas você é que faz mais merdas. Você que diz saber criar sua filha do melhor jeito... É melhor rever seus conceitos.
E sem pedir autorização, invadiu seus lábios com agilidade e calor. Foi quase impossível resistir, embora socasse seu peito, foram poucos segundos até que puxasse os cabelos dele com força, arqueando as costas para estar mais perto dele, as mãos dele apertando em sua cintura.
Percy separou-se e apertou as bochechas dela entre o polegar e o indicador.
– Passe bem, Esahc. – ele deu um sorriso debochado e sorriu logo em seguida – Chase.
Ele virou as costas sem se importar com o estado deplorável que havia deixado a mulher: pernas bambas, blusa amarrotada e os cabelos transformados em uma bagunça.
– Percy já foi? – Thalia perguntou, descendo rapidamente
– Se correr, ainda pode pegar o mesmo elevador que ele. – respondeu
Viu a melhor amiga desaparecer e agora, só queria chorar. Afundar-se na merda e na confusão que sua vida estava se transformado. Estava tudo certo até aquele maldito noivado... Até tudo virar de cabeça para baixo.
Notas finais
Minhas notas finais não estão enormes porque eu to escrevendo o próximo capítulo, então yeeeeeeep, podem esperar por mais se eu tiver alguns reviews consideráveis e ei, pra quem gosta de Chasing The Sun, eu to achando que vai rolar uma fanfic interativa de cts, vai ser muito legal, eu acho.
Espero que tenham gostado, lindos!
Love, xx.
PS: Os primeiros cinquenta números que me mandarem vão entrar pro grupo do whatssapp que eu to fazendo! Vagas abertaaas.
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