Never Been Hurt.
17 Still I can't let you be.
Notas iniciais
E ah, escutem isso http://www.youtube.com/watch?v=3lSDU48Pr_Q como se a vida de vocês dependessem disso.
E CHOREM CHOREM CHOREM CHOREM COMIGO!
P.S: A música melhora tudo.
"I was praying that you and me
Might end up together as I stand in the desert
But I'm holding you closer than most
'Cause you're my heaven"
O escritório de Percy era preenchido pelo som de I Want It That Way de Backstreet Boys. Assinava alguns papéis enquanto pensava a que nível Annabeth tinha baixado ao colocar aquela música, porém não deixou de dar um sorriso pequeno.
Mesmo que sua caixa de entrada no e-mail estivesse lotada com mensagens de ameaça dos Dare, ele sentia-se mais livre. E conseguia até imaginar a burrada que estava fazendo ao casar-se com Rachel.
Ela era uma boa pessoa, claro. Atenciosa e carinhosa, mas não era o tipo de mulher que queria. Definitivamente, não queria uma mulher que obedecia tudo que mandava, concordava com todos seus pensamentos e estava lhe esperando a noite com a mesa posta e um sorriso. Isso era tão propagando de manteiga.
Preferia uma mulher forte, independente, que lhe contradizia e odiava passar de obediente. Uma mulher que tivesse um carinho escondido dentro de si, uma mistura de ignorante e doce. Alguém elegante com a cabeça erguida, mas que contivesse uma fragrância delicada.
Uma mulher segura de si. Era disso que precisava.
E Annabeth parecia ser a mulher perfeita.
Tirou o paletó, deixando atrás da poltrona presidencial e colocando todos os papéis em uma pasta.
Desde que chegaram de Carolina do Sul, ela tinha pegado a folga de uma semana para resolver “problemas pessoais”, tinha quase certeza que eles se envolviam diretamente para Luke e não queria nem imaginar o que ele poderia estar fazendo com ela.
Estava apaixonado. Passou as mãos pelos cabelos e suspirou. Não sabia o que era aquilo, sabia que adorava Rachel, mas nunca pensou que, um dia, saberia o que era estar apaixonado.
– Mate! – Nico abriu uma porta com uma caneta entre os lábios e um sorriso pequeno enquanto equilibrava o celular entre o ouvido e o ombro, trazendo em suas mãos algumas pastas – Talvez, garotão. Eu vou tentar chegar o mais cedo possível. Diga à sua mãe que não saia sem mim. O quê? Não acredito... Passa pra ela, Ian.
Percy riu, pegando as pastas de seu braço e espalhando pela sua mesa, apoiando o cotovelo no mogno e o queixo na mão.
– O que você acha que está fazendo? Nhenhe, meu pinto para você... Você acha que... Não! Não mesmo, eu disse que iria! Eu não ia chegar tarde hoje, você que... Olha, chega, volta pra casa... Então fica aí, depois eu passo e pego vocês, não quero saber, tchau.
Desligou o telefone e jogou-o no bolso com raiva.
– O que aconteceu agora? – o moreno de olhos verdes perguntou, distraído, tirando alguns papéis das pastas
– O que aconteceu agora?! – Nico gritou – Aconteceu que sua priminha fofinha é uma filha da puta! Como é que ela leva nosso filho para o shopping sendo que eu disse que ia com eles...
– Calma. – Percy riu – Vocês estão brigando porque você queria ir pro shopping? Que evolução. – bateu falsas palmas
– Vai morrer, vai. – Nico resmungou e sentou-se na cadeira de visitas – Aqui. Olha, esses são os custos da festa que sua secretária fez. E nesse... São as propostas de compras do Esahc, você sabe, vai dar pra pagar milhares de festas mais caras que aquela.
– Legal. – disse e verificou vários números em uma das folhas – Eles te procuraram ou...?
– A cada dia que eu digo que já estamos cheio de propostas... Eles dobram sem nem saber qual foi a proposta que deram.
Percy riu.
– Ficou tão bom assim?
– Cara, eu posso até contratar outra secretária gostosa para você se inspirar. Aliás, meu salário tem que ser triplicado quando você vender isso.
O moreno revirou os olhos, escondendo um sorriso.
– Não precisa contratar outra secretária. – Percy resmungou e avançou a cadeira, apoiando os dois cotovelos na mesa e encarando o primo – Eu não sei se eu te disse, mas... Eu meio que me declarei para Annabeth em um restaurante na Carolina do Sul e aparentemente, o pai dela me deu total apoio.
– O velho? Aquele careca...
– É, Nico.
– Uau. – Nico assentiu, surpreso e umedeceu os lábios com a língua – Eu até poderia beber um uísque para comemorar, mas...
– Mas, você está em reabilitação.
– Isso mesmo, mate. – o moreno de olhos escuros concordou e sorriu – Bem, se você se declarou... Eu não vou poder arranjar outra secretária gostosa para ganharmos dinheiro. Merda.
– Nico, eu estou apaixonado por ela.
– E isso é muito ruim para os negócios. Mas, eu te apoio, cara.
– Claro que você tem que me apoiar. Eu só... Bem, está tudo uma confusão. Ela está resolvendo algumas coisas e ela ainda não voltou para o trabalho, então eu não sei como estão as coisas entre nós.
– Ela não vai te chutar.
– Ela vai me chutar. – Percy contradisse – É tão óbvio assim?
Nico tentou sorrir, mas bufou e assentiu.
– Annabeth não é mulher para você, man. Quero dizer, ela é super legal e tudo mais, porém... Eu acho tão difícil ela ser sua. Até porque ainda tem a Sophia. E tem o ex-marido dela. Se ele resolver fazer alguma coisa... Sei lá, saber os podres da empresa, ele vai colocar a boca na mídia e adeus, fama da Jackson’s.
– Que podres nossa empresa tem?
Nico arqueou a sobrancelha e o encarou.
– Sério, o quê? Eu nunca fiz nada de errado com essa empresa e...
– Claro que não, além dos preços de cada navio ou iate ser tipo o triplo do que deveria ser...
– Isso é normal! Somos uma empresa grande e respeitada, podemos dar o valor que quisermos.
O homem de olhos escuros levantou a mão, impedindo que ele continuasse e desligou o telefone, falando “iate” com os lábios e voltando a falar.
– Tá, Percy. Só sei que aquele cara pode fazer o que quiser se souber ou inventar algo. Imagina se ele dizer algo para Annabeth?
– Ela sabe de qualquer coisa da Jackson’s, mas... O que mais me preocupa é sobre a Sophia...
– Ela vai aceitar de boa! – Nico sorriu – Aquela garota te adora, acho que ela vai pular de felicidade ao saber que você vai ser o novo papai dela.
– Você não está sendo irônico, está?
O moreno riu e balançou a cabeça, negando.
– Desejo toda a felicidade para você, mate... Mas, vem cá, o que eu digo para todas essas pessoas que estão me ligando e lotando minha caixa de entrada?
– Eu não quero vender. – Percy disse, de uma vez
– O quê?! Priminho, eu devo estar com algum problema no ouvido porque... Eu não ouvi direito o que você disse.
– Eu não quero vender. – repetiu, simples – O Esahc tem um valor sentimental para mim. É mais que um iate bonito, é... Algo meu. Algo intimo.
– Isso é poético, você deveria vende-lo para inspirar outras pessoas. Agora, cala essa sua boca e tenta fazer outro navio ou iate melhor! Nós não vamos deixa-lo de vender...
– Nicolas, eu mando aqui. E eu não quero vender o Esahc, fim.
– Percy, você não está entendendo o quanto o Esahc é precioso. Não só pra você.
– Nico, eu não quero vender e ponto! Só veio me mostrar isso? – o moreno afrouxou a gravata e levantou-se da cadeira presidencial, encarando a cidade poluída a sua frente
– Percy, você tem que pensar bastante nisso. O Esahc pode chegar a valer bilhões com essa procura.
– Pensamos nisso depois. Não, agora.
– O fato de arranjar outra secretária gostosa ainda está de pé.
Percy revirou os olhos e escutou a porta ser batida levemente enquanto o telefone de seu primo tocava escandalosamente.
Encarando os prédios altos ao seu redor. Ela poderia estar em algum lugar por ali. Algum lugar precisando dele, precisando dos beijos dele.
E ele não podia sair dali. Porque sempre que pensava que podia estar com ela, poderiam ser felizes... Algo sempre podia dar errado.
Ele não queria mais pensar desse jeito.
Só tinha uma chance de ser feliz agora... E se a deixasse ir, não saberia dizer quando poderia ser feliz de novo.
Sentiu o telefone vibrar no bolso e revirou os olhos ao ver que era uma mensagem de seu primo.
Hey, se ela te deixar, você também pode fazer um iate tão bom quanto o
Esahc? Bem, espero que possa.
Mas continua torcendo por você, bro!
De seu priminho maravilhoso e gostoso, xoxo.
Revirou os olhos, com raiva.
Mas a verdade é que não queria saber se conseguiria fazer um iate tão bom quanto o Esahc se ela o deixasse.
Não queria saber, nem tentar.
***
– Não pense que irei deixar as coisas saírem mais fáceis para você.
– Luke... – a loira enterrou as mãos nos cabelos – Entenda que nada está sendo fácil para mim. Eu amo Sophia tanto quanto você e...
– Você não vê que colocar um homem em casa vai mexer com a garota?
– Ela vai ter que entender! Você é o pai dela, mas eu posso me apaixonar outra vez.
Luke sorriu irônico.
– Você deveria se respeitar! Uma mulher... Nessa idade... Acha que tem, o quê? Vinte anos? Annabeth, você está envelhecendo, tem uma família e tem que cuidar dela.
– Cuidar dela você quer dizer Sophia? Porque ela é minha filha e você sabe o quanto eu cuido daquela garota.
– Ela não vai aceitar isso!
– Você não conhece a Sophia. – a loira riu e levantou-se da mesa – E se você ameaça-la ou... Fazer a cabeça dela, eu irei colocar você no juiz novamente e veremos quem vai ganhar essa disputa.
Annabeth largou o guardanapo em cima de seu colo na cadeira e saiu, batendo os saltos enormes do salto vermelho sangue enquanto deixava seu ex-marido com aquele sorriso cínico no rosto.
Entrou no primeiro táxi que viu parado na outra esquina, louca para sair dali.
Respirou várias vezes, com a cabeça apoiada na porta de madeira, controlando a respiração e tentando saber se estava fazendo as coisas certas.
Queria Percy. Não sabia se ia dar certo e tinha várias condições para soletrar para ele, mas... Precisava aceita-lo. Seu coração dizia isso e não estava morta, como Luke havia falado. Estava bem viva.
Não era velha só porque tinha uma filha e um casamento arruinado. Era nova, tinha um espirito jovem. E o moreno sabia onde devia tocá-la para deixar aquele espirito florescer. Não ia deixa-lo escapar só porque seu ex-marido achava que tudo poderia dar errado e finalmente, pegar a guarda de Sophia.
Deslizou a maçaneta sobre os dedos e adentrou a casa em um bréu, deixando a porta encostada.
Agradeceu por Thalia tê-la levado para o shopping. Seria bom para ela ter um dia sozinha.
Arrastou-se pelas escadas de vidro, atravessando o corredor com uma animação desconhecida pela mesma. Viu a cama bagunçada da filha, mas revirou os olhos, não estava a fim de arrumar tudo aquilo. Abriu a própria porta, puxando o zíper falso do vestido negro, deixando-o escorrer pela sua pele alva.
Encarou o espelho a sua frente, fazendo uma careta.
Talvez estivesse velha mesmo.
A lingerie verde acentuava a palidez de sua pele, podia ver facilmente algumas rugas ao redor dos olhos e perto da boca. Passou as mãos pela barriga e fechou os olhos, amaldiçoando por estar envelhecendo... E por estar chorando.
Fungou e abraçou o corpo que sofria com os choques do vento frio de Nova York e açoitava sua pele.
Braços cobertos por um paletó, provavelmente muito caro, pela maciez, abraçou seu corpo por trás enquanto deixava as lágrimas saírem mais fortes.
– Não devia deixar a porta aberta. – ele sussurrou rente ao seu ouvido, acariciando sua barriga nua
Ela não respondeu, nada. Aproximando seu corpo gelado as roupas caras dele.
– Sh, não chora, Annie. Não chora.
– Como... Eu... Está tudo tão horrível. – fungou mais uma vez
– Ei, não está... O que aconteceu?
– Estou tão velha... E... Sophia... Ela merece mais que isso, eu não posso... Não posso ficar com você quando ela pode sofrer.
– Ela vai entender. – Percy sussurrou – Ela vai te ver feliz e tudo vai ser perfeito, você vai ver.
– E você? – ela se virou e enxugou as lágrimas com as costas das mãos, tirando o sutiã em um movimento rápido e adentrando o closet, pegando mais uma de suas blusas enormes e vestindo-a – Você traiu sua noiva, como eu posso ter certeza que não irá fazer a mesma coisa comigo?
– Annabeth, você é diferente. – ele viu a mulher sair do closet e ficar de costas para ele enquanto fechava as cortinas
– Diferente? Eu sou mulher, como qualquer outra, Percy. Talvez... Talvez, eu não devesse confiar em você.
– Annabeth, eu estou totalmente apaixonado por você.
– Acaba... – ela disse com um sorriso pequeno, sentindo seu pulso ser agarrado por ele, colando seus corpos, suas respirações se misturando rapidamente – Eu sei que acaba.
– Não vai acabar. Eu juro.
Percy segurou sua nuca com uma das mãos, descendo a outra pela cintura dela até suas nádegas. Precisava senti-la o mais rápido que pudesse.
Beijou sua boca lentamente, precisava fazê-la sentir que aquilo que estava sentindo era mais que paixãozinha qualquer. Que aquilo era maior que qualquer coisa que já houvesse sentido.
– Como pode ter tanta certeza? Como...
– Eu sinto isso, Annabeth. Você pode não sentir o mesmo, mas eu vou fazer você feliz. Você acha que... Se isso que eu sentisse fosse tão insignificante, eu teria acabado a vida que você diz ser “perfeita” com Rachel? Eu acabei tudo. E acabaria tudo de novo, por você. Eu ouviria seu pai me ligar todos os dias...
– Ele tem te ligado?
Percy assentiu, com um sorriso.
– Ele me perguntou se você já aceitou.
A loira desviou o olhar, escondendo um sorriso e pensando que deveria falar mais vezes com seu pai.
– Não tem nada para aceitar.
Percy segurou a mão dela, mexendo no anel com a safira, encarando a pedra preciosa como se não fosse nada demais e levantando o dedo até que estivesse entre eles.
– Você tem que me aceitar. Aceitar que podemos ter algo junto. Aceitar que nossas vidas podem melhorar.
– Não sei se estou pronta.
– Posso mostrar para você.
Com um sorriso, ele aprofundou mais um beijo, cambaleando até ela estar sentada na cama e ele em pé, bagunçando seus cabelos e dando o melhor beijo de sua vida. As mãos dela apoiavam o corpo em cima da cama enquanto seu corpo era arqueado para que seus corpos estivessem cada vez mais juntos.
Percy segurou a cintura dela, caindo com um riso abafado pelo beijo deles.
E então, um grito feminino e infantil fez os dois se afastarem lentamente e virarem o rosto para a loirinha frágil que encarava tudo aquilo aterrorizada.
A respiração de Annabeth parou.
Definitivamente, não era daquele jeito que queria que sua filha descobrisse aquilo tudo.
– Meu amor... – Annabeth empurrou o corpo inerte de Percy pro lado, levantando-se
Sophia não esperou que ela tentasse explicar alguma coisa, só correu para o andar de baixo, esperando encontrar Thalia lá.
Annabeth correu. Um pé depois do outro, vendo o choro da filha aumentar ao encontrar a morena.
– O que aconteceu? – ela gritou, pedindo para que Ian se acalmasse com a mão – Annabeth, o que... Não acredito. – ela sussurrou ao cravar os globos azuis em seu primo com a roupa amassada e os cabelos bagunçados – Vocês... Ela...
Percy assentiu com um manear de cabeça enquanto via a loira se abaixar na altura da filha e tentar tocá-la.
– Eu nunca mais quero ver você! Eu vou contar pro meu pai! E eu vou viajar pra bem longe com ele, bem longe! Você não pode ser meu pai, não pode! – Sophia gritava, agarrada as pernas de Thalia que pegou-a no colo
– Calma, meu amor. Sua mamãe...
– Ela não é minha mãe!
Annabeth segurou as lágrimas, tocando o cabelo dela com carinho.
– Meu bem, a...
– Não fale comigo! Me tire daqui, tia Thalia, por favor... E ligue pro meu papai.
– Eu não posso fazer isso, Soph. Annie precisa...
– Não quero ficar com essa mulher! E nem com ele...
– Vamos sair daqui, mãe. – Ian puxou Thalia pelos jeans
Annabeth estava desolada, encarando tudo aquilo como se sua vida estivesse escorrendo de seu corpo.
– Filha.
Sophia não respondeu-a, chorando com o rosto afundado no pescoço de Thalia.
A morena encarou a amiga com os olhos marejados, aninhando a loirinha.
– Você pode passar lá em casa depois... Eu... Dou um jeito.
E puxou Ian pela mão que encarava a loira, confuso. Percy tentou tocá-la, mas tudo que ela via era o rosto da filha repleto de nojo que desapareceu entre as lágrimas confusas que molhavam suas bochechas.
Percy segurou seu corpo mole, culpando-se pelo choro alto dela. Sentindo que aquilo fora sua culpa.
Enrolou-a com os edredons marfins, puxando até que ela estivesse em volta de seu manto protetor, deixando as lágrimas afundarem em seu rosto.
Ela não fez nem falava nada. Apenas chorava em posição fetal, mordendo os lábios e gemendo frustrações.
O moreno esperou que ela adormecesse, o que levou quase uma hora.
Depois disso, decidiu que tinha que mudar. Que não deixaria ela levar a culpa sozinha.
Até porque a culpa nunca fora dela.
Deixou um recado preso na geladeira e foi embora.
Notas finais
Eu devia falar um monte de coisas aqui, só vou dizer pra vocês lerem Nightingale já que postei um capítulo novo lá.
Meu capítulo preferido.
Reviews, recomendações, críticas e eu já to chorando, enfim.
E vou chorar. Eu não tô bem.
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