Notas iniciais
PENÚLTIMO CAPÍTULO. EU. TO. CHORANDO. APENAS.
Depois desse é o epílogo, eu chamei de penúltimo, porque eu não quero colocar último, então vai ser penúltimo. Bem, eu quero agradecer e dedicar esse penúltimo capítulo à Anna Clara, percabeth20 e JuhAquaDiÂngelo. Obrigada pelas recomendações, meninas!!
É, isso ai.
Boa leitura e não chorem.

"Nothing can make me feel like you do

You know there's no one

I can relate to

And know we won't find a love that's so true.

Annabeth levantou-se.

Sentia todo seu corpo mole. Assim que encarou o espelho, analisando os olhos inchados e o rosto vermelho, lembrou-se do que tinha acontecido na noite interior e quis chorar ainda mais.

Tudo era culpa sua. Tudo.

No final das contas, deveria ter ouvido Luke.

Procurou o celular rapidamente, digitando o número conhecido de sua melhor amiga.

Foram poucos minutos até que ela atendesse.

– Ela está bem. – foi a primeira coisa que disse

– Ela falou com Luke? Eu estou indo busca-la...

– Bem... Ela está indo para aí. É melhor você se resolver. Ela está bem, já conversamos com ela... Acho que ela precisa de um tempo e...

– E o que? O que aconteceu, Thalia?

– Faça um bom café da manhã para vocês e, tudo vai dar certo, amiga.

Com isso, a morena desligou o telefone.

Annabeth respirou fundo algumas vezes, trocando a blusa enorme por um baby-doll longo, colocando o robe de seda por cima dos ombros.

Desceu as escadas, tentando colocar um sorriso no rosto, sabendo que, logo, sua princesa estaria de volta. Não tinha ideia do quê falaria para que ela esquecesse toda aquela história. E nem cogitou em pensar como seria sua história com Percy.

Ele era segundo plano agora. Sophia era tudo que pensava.

Abriu a geladeira, animada com a ideia de que tudo voltaria ao normal. Passara menos de um dia longe dela, mas só o fato de saber que a culpa era dela, que afastou sua família e a deixou ver aquilo, se desesperava.

Tirou presunto, peito de peru, queixo e alcançou os pães na prateleira de cima. Pensando quando Thalia se mudaria, sua cozinha não ficaria mais arrumada daquele jeito.

Voltou a olhar para a geladeira, confusa, ao ver um bilhetinho azul preso.

Onde tinha folhinhas azuis em sua casa? Arqueou a sobrancelha e puxou o papel, encarando as letras curvilíneas com interesse.

Sinto muito pelo que aconteceu.

Vou dar um jeito nisso, eu juro. Tudo vai dar certo.

Peço desculpas.

Deixou o papel cair em cima da bancada de mármore e correu até a sala. Ele não estava ali. Tentou abrir a porta, mas estava trancada.

Só podia ter sido ele.

Enfiou as mãos nos cabelos, andando de um lado para o outro. Ele não podia achar que a culpa fora dele. Não era, certo?

Respirou fundo mais algumas vezes, mordendo o lábio inferior.

A porta abriu-se. Ela encarou, exasperada as duas pessoas ali e suspirou alto, correndo até sua filha e abraçando-a com toda a força que lhe restara.

– Nunca mais faça isso, Sophia. Nunca mais. Me entendeu?

A garotinha loira fungou e assentiu, abraçando a mãe mais uma vez.

– A culpa foi da mamãe, mas você não pode fazer isso. Você tem que pedir por explicações e não fugir das coisas. A mamãe vai conversar com você, tudo bem? Nós vamos ver tudo que aconteceu e... – Annabeth falava enquanto as lágrimas caiam livremente pelas suas bochechas, encarando os olhos azuis cintilantes de sua filha, as lágrimas caindo ainda mais pelo rosto dela

– Desculpa, mamãe. Tio Percy falou comigo, ele me explicou...

A loira levantou o olhar para o moreno que trazia um sorriso tímido nos lábios.

– Trouxe a princesa para casa, então... Depois falo com você. Tchau, princesa. – Percy fez uma pequena reverencia o que arrancou uma risada baixa dela

Instantaneamente, Annabeth arqueou a sobrancelha, pedindo por respostas.

Ele apenas levantou os ombros e deu as costas para elas, enquanto sumia pela saída de emergência.

– Está tudo bem? – Annabeth acariciou todo o rosto dela – Meu amor, eu sinto tanto!

– Mamãe... – Sophia afastou o corpo da menina e fechou a porta, sorrindo para ela – Eu sei que fui muito dramática e talvez... Bem, talvez... Mas o tio Percy me disse que ele fez aquilo sem querer, porque ele gostava muito, muito de você!

– Como?

Sophia assentiu com um sorriso.

– Foi mal educação da minha parte, mãe, desculpe. Mas, eu não gosto do tio Percy com você, o papai me disse que ele sempre te quis, mas..

– Seu pai o quê?

Sophia abaixou o olhar e começou a mexer com a ponta de seu vestido.

– Não brigue com ele, por favor. Eu voltei para pedir desculpa, e eu juro que sempre que você tiver um namorado novo, eu não vou brigar.

– Meu amor, me desculpa... – Annabeth puxou-a para mais um abraço – E o que o tio Percy disse?

– Ele pediu desculpas e nós ficamos brincando na casa da tia Thalia por um tempão, ele não quis me trazer mais cedo porque você estava muito cansada. Mas, eu juro que nunca mais faço isso, é sério, mãe, eu juro!

Annabeth riu e pegou-a no braço.

– Você está ficando gordinha, sua piveta. – fez cócegas nela, levando-a até a cozinha e sentando-a no mármore frio da cozinha – E o que mais vocês fizeram lá?

– Ah, ele disse que você é muito nova! E ele me explicou assim... Olha, quando duas pessoas se gostam muito, elas tem um filho. E eu nasci! – Sophia sorriu, abanando os dedinhos gordos para si mesma – Daí, com o tempo, essas pessoas param de se gostar, mas não é porque elas não querem, é porque Deus quer que essas pessoas sejam bem mais felizes. – Annabeth sorriu com as palavras dela enquanto cortava os queijos e o presunto – E então, elas se separam, mas elas ainda continuam amigas, como você e o papai, não é? Certo, então quando essas pessoas se separam, elas conhecem outras pessoas, como aquela mulher que ficou com o papai aquela vez, lembra?

– Lembro, aquela que tinha uma voz assim? – Annabeth prendeu a respiração fazendo uma voz fina e vendo a filha rir – E tinha os peitos tão grandes que nem existia sutiã para ela!

As duas riram. Sophia roubou um pedaço do peito de peru e assentiu.

– Só que aquela mulher não gostava do papai. E o Percy disse que gostava de você. Por isso que vocês dois ficarem separados era injusto. E Deus não queria que vocês ficassem separados.

– Hm, só isso?

– Uhum! Por isso que eu acho que vocês devem ficar juntos, mas eu não quero que o Percy seja meu pai.

– Ele não vai ser seu pai, querida. – Annabeth lhe assegurou, acariciando o topo de sua cabeça

– E o vovô ainda falou com a gente pelo celular de Percy! Eu pude ver o vovô por uma vídeo chamada. Foi muito legal!

– Sério? E o que o vovô disse?

– Ele disse que preferia o Percy. E disse que eu não podia chorar porque se eu chorasse muito, meus olhos iam ficar tão inchados que eu nunca mais poderia vê-lo! – a garotinha riu, acompanhada da mãe que tinha as bochechas vermelhas

– Só isso? Você já tomou café da manhã?

– Foi... É, foi só isso. E não. E mamãe, o que acontece com a tia Rachel nessa história?

– Bem, Deus vai fazer com que ela ache outra pessoa. Que a faça bem mais feliz.

– O tio Percy não a fazia feliz?

Annabeth arqueou a sobrancelha, lembrando do dia em que ela saia da sala dela com os cabelos bagunçados e o sorriso satisfeito, deu de ombros e terminou o sanduiche da filha, entregando-a.

– Talvez. Mas, não o suficiente, certo? – piscou o olho para a garotinha

Sophia assentiu, mordendo o seu sanduiche com um sorriso.

Annabeth sorria. Contudo, sua mente era uma mistura enorme de confusão e definitivamente, não sabia o que fazer agora.

***

Percy estava sentado no deck do Esahc naquele ar quente e gostoso de Miami.

Usava uma regata e uma bermuda, encarando seu celular erguido acima de sua cabeça, pensando se deveria enviar a mensagem ou não.

Já havia se passado uma semana desde que havia se dado férias parado naquela porta quando foi deixar Sophia e não tinha ideia do que tinha acontecido nesse tempo.

Seu celular fora desligado e ninguém, absolutamente ninguém sabia onde ele estava ou o que estava fazendo.

Sua mãe queria mata-lo, as mensagens dela eram “Eu vou te matar, garoto” ou “Sinto sua falta, tente falar comigo”. As dos seu pai eram “Onde quer que você esteja, coma muita mulher” e variava para “Sua mãe está preocupada e estou sabendo da história de sua secretária, quando ia me contar? Que clichê, filho”. Na verdade, não tinha nem ideia de quem havia contado, mas riu com aquela mensagem.

Fora uma imensa infantilidade ter corrido de seus problemas, mas era o único jeito que conseguiria pensar. Velejar. Era desse jeito que podia pensar.

A agitação de Miami era muito parecida com a de Nova York, tirando o fato de que em Miami, todo dia tinha festa e todo mundo pensava nisso enquanto em Nova York, eles não dormiam porque estavam trabalhando.

Estava pensando seriamente em transferir a sede da Jackson’s para cá.

Releu a mensagem que escrevera e levantou-se em um pulo, começando a ler em voz alta.

– Oi, tudo bem? Desculpe por te deixado desse jeito. A culpa foi minha pelo jeito que a Sophia saiu, mas espero que tenha ocorrido tudo certo. Sinto muito por tudo e prometo que nunca mais irei te procurar. Isso é uma promessa, e eu não costumo quebrar minhas promessas. Peça desculpas pro seu pai por mim. Eu ainda estou apaixonado, xx. É, está bom.

Com um menear de cabeça, enviou a mensagem.

Seu telefone tocou escandalosamente Can We Dance.

Viu o nome de seu primo na tela e revirou os olhos, atendendo.

Onde você está? Vamos ter uma reunião em quinze minutos e vamos vender o Esahc. Estou na Carolina, onde você está?

­- Bem, se você achar o Esahc, pode vendê-lo.

Onde você está? – ele vociferou

– Nico, já disse que não vamos vendê-lo.

Tá, tudo bem. Agora, onde você está? Desapareceu há semanas e ninguém te encontra...

– Miami. – respondeu, simples – Férias. Vou velejar até o Brasil e talvez, de lá, eu pegue um avião pra Austrália.

Quê? Você tem uma empresa pra cuidar! E sua mãe está me ligando todos os dias. Olha aqui, você não vai deixar a Jackson’s nas mãos da Annabeth, vai? Ela está me matando a cada dia que se passa.

Percy sorriu ao ouvir o nome dela sendo citado. Foi fácil, apoiar-se no ferro do deck, encarando a cidade erguendo-se a sua frente.

– Bem, por enquanto, sim.

Miami, hein? Quando pretende ir?

– Talvez, amanhã à noite. Nem venha me procurar, você não vai me encontrar.

– Rá, é o que veremos! Existe algo chamado GPS, sabia?

– Idiota. Cansei de ter uma conversa infantil com você. Nos vemos logo, primo. Tchau.

Seu babaca, eu... – a ligação foi interrompida

Encarou seu telefone novamente. A mensagem fora enviada com sucesso. Mas, ela não estava ali. Queria se esconder e sabia que aquela fuga era a melhor coisa que fizera. Annabeth tinha sua filha de volta, sua vida de volta e mudaria a sede da Jackson’s, deixaria a filial para que ela cuidasse junto com Nico. Não conseguiria voltar para Nova York e ver que tudo, que mesmo se conseguisse erguer uma muralha entre eles, a cada olhar que ela lhe lançasse iria lhe irritar. Porque ele a queria mais que qualquer coisa, ele a queria como mulher, como esposa... Ele só a queria ali.

Seu telefone tocou novamente.

– Rapaz! Grande Jackson!

Percy riu. Frederick era um velho bem engraçado, o tipo de sogro que morria para ter.

– Como está minha filha? Estava falando com ela, e não acredito que ela não está com você.

– É, Fred. Ela deve estar bem. Obrigado pelo apoio.

– Você desistiu? Que tipo de marica é você? No meu tempo, nós tínhamos que correr atrás das nossas garotas e ainda tínhamos que nos ferrar com os sogros. Eu já estou te livrando de uma tarefa árdua, caro rapaz.

– Tem a Sophia e...

– Marica! Amy, saia daqui! Não, sua velha, eu estou falando com o Percy, o engenheiro que você nunca vai ter. – Percy riu, deitando-se no sofá com cobertores azuis e encarando o céu aberto – Desculpe-me, rapaz, mas essa velha que vocês chamam de enfermeira é uma invejosa, enfim pare de ser frouxo e vá atrás de minha filha antes que aquele encosto que ela chama de ex-marido faça algo melhor que você.

Percy fechou os olhos, tentando esquecer aquela imagem daquele ex-marido dela.

– Tudo bem, Fred. Eu vou tentar lig...

– Isso, liga pra ela, eu sei que você consegue. Agora, eu tenho que tomar meu chá, me ligue quando vocês estiverem no Caribe, ok?

– Você deveria vir comigo, o que acha? Poderíamos ser uma dupla e tanto em plano mar.

– Você quer ser acusado de assassino a um velho como eu? Acorde para a vida real, engenheiro. Cala a boca, Amy! Estou indo, rapaz. Nos vemos depois.

Percy não teve tempo de retrucar, a ligação já havia sido finalizada e agora encarava o telefone com raiva. O que faria?

Levantou-se em um pulo dos sofás e adentrou o iate. Sentou-se em uma das poltronas, ligando a televisão e encarando um seriado qualquer. Nem sabia o que estava fazendo ali.

Talvez voltar... Balançou a cabeça, inconformado. Não poderia ser tão fraco. Tinha que seguir com seu plano.

O telefone tocou mais uma vez. Pensou ser seus familiares e já ia desliga-lo até elevar o telefone a altura de seus olhos.

– Hm, olá?

Uma risada soou do outro lado, misturando com o vento gritando por trás da gargalhada dela. Seu corpo se arrepiou e rapidamente, havia desligado a televisão, esperando ouvir mais daquela voz.

Por onde esteve, seu idiota? Você acha que posso dar conta da sua empresa sozinha? É melhor você voltar logo.

– O quê...? Eu achei...

Você acha demais. Aliás, eu estou observando... Você fez um bom trabalho com Esahc, quero dizer, comigo como musa inspiradora até o Ian faria algo tão bom assim.

– Ahn? Onde você...

Com passos rápidos, ele estava de volta ao deck, a tempo de vê-la com um sorriso enorme no píer, afastando o celular da orelha com botas de cowboy e um vestido florido que balançava ao seu redor.

– Sou uma musa e tanto, não sou?

Percy gargalhou, inclinando a cabeça para o lado e apoiando o corpo no deck ao vê-la daquele jeito. Envergonhada, com o rabo de cavalo bagunçado, as pernas mais curtas que o normal daquele jeito. Maravilhosa era a única palavra que vagava em sua mente.

Terminou a gargalhada com um sorriso de lado, ainda apoiado na grade enquanto ela o encarava com um sorriso pequeno e as mãos cruzadas atrás do corpo.

– E então, você não vai correr até mim, me beijar e me abraçar e ser o maior clichê do mundo como fez na Carolina?

– Como chegou aqui?

Ela deu de ombros.

– Sei lá, meu pai me forçou, sua mãe quase me matou, Nico disse que precisava de dinheiro... – encolheu os ombros e encarou com os olhos estreitos devido ao céu – São muitos fatores, na verdade.

– Minha mãe? – ele inclinou a cabeça para o lado e pareceu pensar – O que ela disse?

– Ah, ela chegou à minha casa do nada e disse que ficaria com as crianças. Bem, por isso que estou aqui.

– E há quanto tempo você está aqui?

– Você realmente quer saber isso? – ela gritou em meio ao vento forte que a atingia – Eu não sei como subir até aí, acho melhor você vir me ajudar antes que eu mude de ideia e volte para meu conforto em Nova York.

– Eu estou adorando te ver daqui. Na verdade, estou rezando para que venha um vento muito forte e levante seu vestido.

Annabeth forçou um sorriso e jogou a franja que insistia em sair do arranjo de seu cabelo, batendo as botas na madeira.

– Engraçadinho. Agora, vem me buscar.

– Estou falando sério. Deixa o vento passar.

A loira virou as costas para o moreno, voltando a andar para a cidade. Ele riu alto, buscando o lugar mais fácil e acessível para descer dali. Correndo com os pés nus contra a madeira velha, segurou o braço dela, chocando ambos corpos.

– Estou feliz que esteja aqui. – ele sussurrou, segurando o rosto dela com as duas mãos, um sorriso largo estampava seu rosto

– Eu também. – ela fechou os olhos, virando o rosto para depositar um selinho na palma da mão dele – Muito feliz.

Percy sorriu, inclinando-se para beijar seus lábios rosados e brilhantes. Sentia que era um sonho estar com ela.

E tudo parecia real. O vento açoitando suas peles, a madeira queimando seus pés, o sol queimando suas peles alvas, as buzinas das ruas a frente, o som das ondas se chocando abaixo deles.

– Vem. – ele chamou, segurando a mão dela, subindo para o iate – Aqui é a cozinha, mas você já viu. – apresentou

– Está lindo. Não sei como está mantendo isso por tanto tempo.

– Engraçadinha. – o moreno fez uma careta e apontou para baixo – Suíte máster, o que acha de conhecer, tipo, agora?

– Seria uma boa... – sentiu seu corpo ser puxado, mas se soltou – Se eu não tivesse em um dia não muito bom. Sabe... – apontou para sua barriga.

– Quê? Aqui tem remédio...

– Vou te apresentar à menstruação, quer que eu pegue um livro de ciências, também?

Percy revirou os olhos e jogou-se no sofá.

– Como é que você atrás de mim, assim? E de vestido? Isso é crime. – bufou

Annabeth sentou-se ao seu lado, sorrindo, sentindo a cabeça dele repousar sobre seu peito e então, começou a acariciar os fios curtos negros. Amando a sensação de tê-lo ali.

– Senti sua falta. – ele sussurrou – Está tudo resolvido? Com a Sophia?

– Está, sim. Obrigada por ter feito tudo isso... Por mim.

Ele levantou o rosto e acariciou a perna livre dela, beijando o decote levemente.

– Eu faria tudo de novo.

Percy sentou-se, feliz, de repente consigo mesmo, revirando alguma coisa na cozinha.

– O que está procurando? – ela perguntou, ajeitando o rabo de cavalo e tentando ver algo além das bancadas

– Um minuto! – ele subiu as escadas circulares que davam para o andar de cima com pressa

Annabeth encarou o teto, tímida de repente por estar ali sozinha. O teto era um cinza claro, puxado para um tom cristal, encarando o deck afora, as cores entre o azul pastel, branco e cinza se misturavam e ela tentava encontrar uma imperfeição em meio a tudo aquilo que ele fizera.

Mais afora, o mar tinha suas ondas calmas chegando a areia e depois, a cidade se erguia com aquela movimentação preguiçosa e ao mesmo tempo, cheia de energia.

– Aqui! – ele pulou ao lado dela com um sorriso enorme, abrindo uma caixa de veludo preto

Annabeth arfou.

Era uma gargantilha de ouro branco que se desenhava em cordões e formavam flores quase formadas, os pequenos cordões terminavam em uma safira bem elaborada.

– O que... Por que...

– Eu vi isso... É o conjunto do anel. – apontou para a mão direita dela – Eu achei que combinaria. – suas bochechas ganharam um tom escarlate – E eu pensei você usando isso. Só isso.

Annabeth riu e afastou a caixa com as pontas dos dedos.

– Obrigada por ter se lembrado de mim, mas não posso aceitar isso. Obrigada mesmo.

– Annie, vamos ficar juntos, não vamos?

– Percy...

– Por favor, não me diga que você veio aqui só... Para me chamar de volta para o trabalho, porque se for por isso, pode sair agora mesmo e parar de me iludir.

– Eu não estou te iludindo.

– Você veio para ficar comigo? – ele perguntou, segurando o queixo dela

A loira desviou o olhar e voltou a encarar a imensidão verde. Assentiu, vagarosamente. Fora ali para isso, certo? Fora ali para ficar com ele, para aceita-lo. Era isso que queria.

– Se veio ficar comigo, não pode negar meus presentes. – disse – Agora, vire-se, deixe-me coloca-lo.

Annabeth riu, virando o corpo para ele e sentindo as pontas de seu cabelo roçando em seu ombro. A joia gelada tocou seu colo levemente, Percy subiu até o ouro estar preso contra seu pescoço. Estava presa. Por aquele moreno atrás dela.

O moreno beijou seu ombro, descendo a alça do vestido enquanto ela se arrepiava e resmungava.

– O que acha – mordeu a ponta de seu ombro, voltando a beijar seu pescoço – de velejar comigo?

– Eu tenho uma filha. – reclamou e empurrou-o, ajeitando o vestido e encostando-se contra o sofá

– É, eu sei, traga-a também. Posso falar com o Nico e poderíamos ficar com o Ian e a Sophia... – ele entrelaçou seus dedos, quicando no sofá, animado com a ideia – E depois, poderíamos ter nossos filhos. E a Sophia teria um irmãozinho, você está bem, Annie?

– Calma, muita informação. Mais um filho, Percy?

– Eu não tenho filhos. – reclamou, emburrado – E Sophia não tem irmãos. Poderíamos dar irmãos, porque ter irmãos é legal.

– Percy, eu tenho vinte e sete anos. Eu...

– Você não está velha, nem comece. Você está muito em cima, aliás. Pare com isso. Ligue para Sophia, faça minha mãe trazê-los. Vamos velejar! – comentou, animado

– Qual o seu problema? – ela riu enquanto ele adentrava a cozinha novamente

– Vinho! Precisamos de vinho para festejar.

Percy voltou com uma garrafa de vinho, abrindo-a com habilidade, trazendo duas taças de cristais e sentando-se no chão, aos pés dela.

– Aqui. – encheu ambas as taças e sorriu – À nossa nova vida, o que acha?

– Nova vida. Gostei disso. – bebericou o vinho e o moreno bufou – O que foi?

– Tem que fazer o tin-tin, Annabeth.

– Vou pensar seriamente se quero ficar com você, Perseu.

– Por que você não iria ficar comigo? Sou lindo, gostoso, atraente e seu pai me ama.

– Ele está gagá.

– Ele vai saber disso. — ameaçou

A loira lhe mandou língua, inclinando-se para beijar seus lábios.

– Você está comigo. – ele comemorou, como se aquilo fosse coisa de outro mundo

– Estou. E vou ficar. Até você me dispensar.

– Ou você me dispensar.

Annabeth inclinou a cabeça, ponderando a ideia e assentiu.

– É, está mais fácil mesmo.

Percy bateu em sua coxa e pegou o telefone que estava em seu colo.

– Sophia e Ian vem e a gente vai para o Brasil, fechou?

– Tudo bem. Por que não paramos no Caribe?

– Podemos parar também. Agora, shiu.

Beijou-a mais uma vez, sentindo os lábios macios contra os seus.

E pela primeira vez em anos, ela não se importou onde estava, o que estava fazendo e o que deveria fazer a seguir.

Tudo com que ela se importava era a maciez de seus lábios e o sorriso que ele tinha assim que se separaram.

Notas finais
Na boa, eu estou morrendo! Sim, estou chorando. Na verdade, eu nem deveria estar postando, mas é que eu refiz o final umas trezentas vezes e tá um lixo!
Realmente lixo.
Eu vou reescrevê-lo e quero postá-lo pra comemorar os três meses da fanfic, yeah!
Enfim, por enquanto, esse vai ser o penúltimo e o epílogo está sendo feito. Bem feito, eu espero.
Aliás, do que adianta uma fanfic tão bonitinha quanto Never Been Hurt e um final feio? Tem que ser um final épico. Portanto, vai demorar um pouquinho, euehueh
Reviews? Recomendações? Críticas? Contato? Podem falar, mandar MP, qualquer coisa que eu dou um jeito de responder.
P.S: Traumatizada porque apenas hoje eu decidi aceitar o fato de meu Nico Todo Poderoso e Fodão ser gay em HOH.