Never Been Hurt.

19 My heart is on the front line.


Notas iniciais
GRAN FINALE.
VINTE PÁGINAS.
AVISANDO.
LEIAM ESCUTANDO A PLAYLIST DE NEVER BEEN HURT: http://8tracks.com/mylenarodrigues_/like-i-never-been-hurt
ADEUS.

"I love you and forever, I will love you like I never

Like I never heard goodbye, like I never heard a lie

Like I've fallen into love for the first time

I will love you like I've never been hurt

Never been hurt"

- Ai! Calma... – arfou – Isso, bem aí! Percy!

- Deixa de ser dramática. – ele bateu em sua bunda, passando mais creme em suas costas – E aliás, eu não vou fazer o café da manhã, ok?

- Percy, minhas costas estão doendo muito. Eu tive que ficar com Harry no colo e ele pesa!

- Problema seu. – suas mãos desceram fortes até a base das costas, beijando levemente a curva de seu pescoço e seu ombro – Agora, eu posso cuidar muito bem de você. – sussurrou, virando seu corpo e deparando-se com sua pele desnuda

- Está doendo muito! – resmungou, revirando-se embaixo dele

- Annie... Qual é.

A loira revirou os olhos e colocou a almofada em cima dos seios, tentando levantar-se.

- Não, calma, chega! – Percy prendeu seus ombros contra o colchão macio e a encarou

- Você está fugindo de mim há muito tempo! O que está acontecendo, Annabeth Jackson?

A mulher respirou fundo. Odiava quando ele a chamava pelo sobrenome novo e que mesmo depois de dez anos, não havia se acostumado com aquele sobrenome junto ao seu nome.

- E-eu... Só quero ficar em paz. Como você consegue todo esse pique?

- Não é isso. É por causa disso? – apertou a barriga dela e sorriu – Você está ainda mais linda. Eu te amo. Muito. E chega de fazer esse drama. Você está mais gostosa que nunca.

- Claro, porque não é você que tem isso aqui. Nem vem, Perseu. Eu sei o que é ter uma mulher assim. Mas, tudo bem, eu vou emagrecer. Eu preciso emagrecer.

- Annie, chega de drama, ok?

O moreno afundou seus lábios contra os dela, apertando seu corpo. Como sempre, ambas as peles se arrepiaram com o contato e um vento não favorável de Nova York penetrou o quarto do casal. Percy desceu os shorts dela, arranhando a coxa com as unhas curtas enquanto espalhava mais beijos pelo seu colo.

Alguma coisa vibrava. E gritava perto deles.

Ele bufou, ignorando sabiamente enquanto explorava o corpo de sua esposa com os dedos e as mãos.

- Calma, calma... – ela sussurrava, empurrando o corpo dele, esticando o braço, sentindo os beijos afundados em seu pescoço

Com um bufar, atendeu o telefone escandaloso com raiva, continuando os lábios de Percy beijando qualquer parte livre de seu corpo.

- Alô?

- Mãe?

- Ah, oi, Sophia. Sai, Perseu. – reclamou tentando ficar sentada

- Sua chata! Eu vou cortar sua mesada! – ele gritava, mantendo-se grudado ao corpo da esposa

Sophia riu.

- Diz pra ele que eu não ligo e que ele é o melhor padrasto do mundo.

- Certo, ai, sai, é sério...

Percy deu um sorriso maroto, descendo os beijos pela barriga dela enquanto a loira se acomodava na cama.

- Pode falar agora, querida.

- Você pode vir me pegar? Eu tô odiando ficar aqui com essa... Namorada do pai.

- Ela fez algo contra você? Se ela...

- Não... Bem, ela é só uma velha conhecida... Muito estranha, mãe. Aliás, poderíamos ir ao shopping, o que você acha? Preciso de alguns vestidos... Você poderia chamar a Thalia ou a Liz e a Silena.

- É, tanto faz. Posso ir te pegar depois da escola?

- Pode sim. Não vem com o Percy... Sabe por quê.

- Uhum, vou te pegar, linda.

Percy, por fim, mordeu a parte interna de sua coxa, elevando o rosto para tentar enxergar sua esposa.

- O que ela queria?

- Que eu fosse pegá-la.

- Ah, posso ir com você antes de passar na Jackson’s.

- Percy, não foi para isso que você me ensinou a dirigir?

O moreno pareceu pensativo, sentando-se na cama e bagunçando os cabelos com as pontas dos dedos. Ele bufou, dando de ombros logo em seguida, sentindo-se indignado.

- Eu não deveria ter feito isso. – decretou

- Também acho que não. – ele riu com a resposta

- É, sabe, nós deveríamos fugir daqui mais vezes... Montauk é um bom lugar para te ensinar a dirigir. – piscou, maroto

- Babaca. – deu seu típico tapa estalado em seu braço, vendo a careta que seu marido fez ao se levantar

- Ei, podemos tomar café juntos, certo? E eu levo o Harry ou você leva?

- Não sei... Acho que vou na Jackson’s, pego a Thalia e depois vejo a Sophia.

- Aquela pirralha. – resmungou, impaciente – Quem ela acha que é para nos tirar da cama? Depois me pergunta por que só ando irritado.

Annabeth riu e o empurrou para fora da cama.

- Porque você sempre anda irritado. A garota não pode nem comentar como foi a escola e você diz “Ah, Sophia, você é uma adolescente!” como se fosse um pecado.

- Mas, é um pecado! Escola é um saco.

- E aliás, você decidiu que morássemos nessa casa que eu odeio, apenas para que todos ficassem juntos ou quando Ian decidisse ficar por aqui.

- Ele é tão meu filho quanto a Sophia e o Harry.

- É, mas os pais dele não curtem essa de ser seu filho.

- Problema deles, merda. – resmungou

Ambos entraram na suíte.

Tinha dois enormes espelhos com pias elaboradas abaixo deles. Na direita, vários cremes de pele estavam espalhados de acordo com a função, sabões líquidos coloridos estavam postos no canto enquanto em um pequeno cilindro prateado a pasta de dente e a escova jaziam elegantes, ao canto esquerdo, seu anel de noivado – um anel dourado com finíssimas correntes prateadas ao redor -, seu anel com a safira que ganhara há muito tempo atrás e variados tipos de anéis que havia ganhado ao longo desses dez anos estavam enumerados por data. Mais ao lado, vários batons e brilhos juntos base e corretivo que usava diariamente estavam arrumados. Em poucos segundos, em seu espelho, Percy riscava com um batom vermelho em letras tortas “te amo”.

A loira puxou seu batom preferido das mãos do marido com um olhar raivoso.

- Para com isso. Que saco.

- Você não me ama? – perguntou, fazendo um beicinho fofo

Dez anos, ela bombardeou em sua mente, dez anos convivendo com a criança mais fofa do mundo. Em dez anos, aquelas palavras que ele tanto esperava ouvir nunca saíram de sua boca com todas as letras. E ainda naquele dia, ainda não se sentia pronta para virar e dizer como se sentia em relação a ele.

- Você sabe que sim. – resmungou

Ele assentiu, ainda com um sorriso decepcionado, antes esperançoso.

- E então... – ele começou a enfiar a escova entre os dentes, tentando ter uma conversa saudável – Eu estava pensando que podíamos jantar amanhã... – cuspiu o conteúdo branco de sua boca e a encarou de esguelha

- E por que não hoje?

- Bem, amanhã é meu aniversário. Poderíamos fazer algo diferente sem as crianças.

- Eu gosto das crianças.

- Annabeth. – ele chamou, deixando a escova pender em seus dedos, encarando-a descaradamente – Você está fugindo de mim. – detectou pela milésima vez – E isso não é nada legal. Sinto que... Bem, que isso não está como antes.

- Drama. – reclamou e cuspiu todo aquele gosto de menta na boca, lavando o rosto logo em seguida com um conteúdo esverdeado – Você vai tomar banho primeiro ou eu vou?

Percy bufou, deixando a escova jogada no fundo da pia, no momento em que Annabeth teve o cuidado de lavá-la corretamente, deixando-a em seu cilindro azulado. O moreno retirou as roupas, deixando-a espalhada no chão brilhante, do jeito que a loira mais odiava, porém ela não gritou, nem reclamou apenas a recolheu enquanto o via ligar a ducha e ficar lá, embaixo dela.

- O que acha de passearmos pelo Esahc esse final de semana? – ele argumentou em meio ao som forte das gotas contra o chão

Annabeth arqueou as sobrancelhas, indecisa e jogou as roupas sujas dele dentro de um balde negro.

- Não sei... Acho que nós estamos cheios de trabalho, hm? Suas reuniões estão atoladas no sábado.

O som da água parou repentinamente, fazendo a mulher, que deixava a água escorrer pelo rosto, virar o mesmo para o box transparente encarando seu esposo nu com uma sobrancelha arqueada.

- Sabe o que eu odeio em você? – ele resmungou, enrolando a toalha no quadril daquele jeito despojado de sempre

Annabeth balançou a cabeça e enxugou o rosto com uma toalha amarelada.

- O quê, meu amor? – perguntou com a voz carregada de ironia

Percy chegou próximo dela, segurando seu queixo, favorecido pelos centímetros de vantagem.

- Você trabalha comigo e eu acho que ainda não percebeu que eu mando naquilo lá. – com um sorriso, encerrou afundando os lábios vermelhos pelo frio nos dela em um selinho prolongado

Annabeth respirou fundo, segurando seus instintos para não fazer da última vez que ele usou aquele tom arrogante com ela: socou seu estômago com tanta força que o viu se contorcer a sua frente. Até hoje sentia pena e orgulho daquilo.

A loira ignorou todos aqueles sentidos que queriam que a mesma fosse até onde o closet, e começasse a soca-lo, assim retirou as roupas, jogando-as no balde negro com uma força desnecessária, deixando a água no tom mais gelado que conseguisse.

Terminando de passar seu batom vermelho sangue nos lábios, vestiu os jeans negros e a blusa de seda estampada azul escuro, colocando seus sapatos neutros de sempre enquanto deixava a bolsa em um lado de seu corpo e descia as escadas, tentando controlar seus nervos. O rabo de cavalo estava despojado atrás de si e tentava parecer alegre quando chegasse a sala de jantar.

- Bom dia. – a mulher disse, inclinando-se sobre o garoto, do lado esquerdo de Percy, dando-lhe um beijo na bochecha – Dormiu bem, querido?

- Sim! – Harry exclamou, entusiasmado – Eu e o papai vamos para o Esahc de novo, mamãe! Por que não vem com a gente?

Percy deu um sorriso descontraído enquanto levava um pedaço de panquecas a boca.

- Manipulando o garoto de novo, meu amor?

- Eu, linda? – o moreno balançou a cabeça – Jamais. – sussurrou

- Veremos, Harry. Agora, coma sua panqueca, não vai querer ficar com fome na escola, vai?

O menino negou com a cabeça, enfiando pedaços enormes de panquecas cobertas por uma camada cremosa de chocolate, feliz.

- Estou pensando mesmo em ir para o Esahc amanhã. – comentou enquanto mastigava calmamente um pedaço de panqueca

- Percy, veremos. Quantas vezes te direi isso?

- Como se você mandasse em tudo.

Annabeth ergueu uma sobrancelha, desafiadora e ele bufou.

- Certo. – revirou os olhos – Vai escovar os dentes, Harry, já estamos indo.

- Pai, eu ainda tô comendo. – choramingou

- Harry. – ele o encarou, como se fosse uma ordem

O garotinho loiro assentiu, pendendo a cabeça para o lado e dando um sorriso travesso ao sair carregando o prato de panquecas.

- Harry! Seu... Imundo. – bateu no marido ao lado, levantando-se em um pulo – Rose! Rose!

- Sim, senhora? – a babá com seus cabelos repuxados para trás em um coque apareceu, limpando as mãos em seu avental de canguru

- Você pode dar uma olhada no Harry, por favor?

A senhora de quase oitenta anos assentiu, correndo escadaria acima enquanto a loira voltava a se sentar no antigo lugar, respirando fundo para não gritar com seu marido.

- Sabe, eu adoro crianças. – sussurrou, empurrando o prato para o lado, apoiando os cotovelos na mesa enquanto encarava a esposa com uma carranca – E eu adoro o jeito que você as trata. Aliás, vai pegar sua filha agora?

- Primeiro, eu estou muito irritada com você. Segundo, você deveria aprender a ser um pai responsável! Não que deixa o Harry fazer tudo que ele quiser, até porque aqui não é sua casa para você fazer o que quiser.

- Tecnicamente...

- Deixa eu terminar! E em terceiro, sim, eu vou pegá-la depois da escola, satisfeito?

- Sim, e aqui...

- Eu não quero saber se a casa está no seu nome. E ela é sua. Mas, você não manda nela como manda na Jackson’s, então, por favor, fica calado.

- Só se...

- Eu não vou te beijar.

- Eca! – Harry disse na porta com uma careta – Eca. Mil vezes eca.

- Você também vai fazer isso, amigão. – Percy piscou, pegando sua pasta e dando a volta na mesa, inclinou-se sobre a esposa e deu um selinho demorado – Nos vemos a noite, eu te amo.

- Tchau. Harry, não esqueça de pegar a lancheira!

- Tá, mãe!

Suas mãos delicadas estavam dispostas pelo volante de seu Audi branco recém lavado. Ao seu lado, Thalia enfiava um CD novo enquanto sua filha tagarelava sobre alguma coisa que parecia muito interessante à ela.

- E ela é muito chata, mãe! Eu não acredito como papai foi pegar aquela mulher. Me dá nojo.

- Sophia, seu pai é livre e rico. Não me surpreende ele pegar a Rachel.

- É sério? – Thalia ergueu os olhos azulados, em clara observação de surpresa – Quero dizer, eu achava que você estava brincando, sobrinha.

- Tia! Eu não brincaria com isso. Tudo bem que ela até está bonitinha, mas... Argh, me dá nojo saber que ele trocou você por aquela lá.

Annabeth revirou os olhos e encarou a filha pelo retrovisor.

- Foi ao contrário, não acha?

- Não importa, mãe. Nada importa. Sabe, eu estou revoltada, posso compartilhar com você?

- Já está fazendo isso, querida. — a loira disse ao virar a esquina de uma rua

O carro coberto por uma tinta branca discreta parou diante de um prédio imponente e luxuoso. A guarita guardava um porteiro relaxado e atrás dele, um jardim pequeno e visivelmente bem cuidado dava as boas vindas ao lugar. Annabeth tentava avaliar a arquitetura bem harmônica que a mansão de sua melhor amiga sempre lhe chamava atenção, porém outra coisa parecia bem mais interessante do que o jardim sendo regado.

- Quem é aquela? – a voz de sua filha elevou-se oitavas acima do som desinteressado e enojado que falava antes – Tia, quem é aquela?

Thalia virou os olhos para o mesmo ponto que sua sobrinha apontava com uma expressão enojada. Annabeth seguiu o olhar das duas mulheres, encontrando um garoto de cabelos escuros coberto por um boné dos Yankees para trás, um moletom cinzento do Hard Rock Coffee e jeans de lavagem escura demais, suas mãos estavam enfiadas no bolso, porém parecia relaxado com um sorriso brotando no rosto e a mochila despreocupadamente pendurada em um de seus ombros. Com uma risada aparentemente gostosa, ele ergueu os ombros e retirou o boné, recolocando no lugar. A sua frente, uma menina de cachos loiros presos em um rabo de cavalo carregava livros em uma das mãos e tinha um sorriso extremamente grande virado para ele.

Pareciam um típico casal tendo uma conversa casual depois de uma tarde de estudo.

O típico casal que encontrava quando vinha pegar sua filha na casa de sua melhor amiga.

E aquela, definitivamente, não era sua filha.

Annabeth ergueu as sobrancelhas e franziu o cenho. Antes que se desse conta, sua filha já tinha pulado para fora do carro, gesticulando furiosamente para ambos presentes.

- Isso vai ser bom. – Thalia sorriu, abrindo a porta e encarando a amiga por cima do ombro – Não vai ver de camarote?

- É seu filho. – comentou atônica

- E sua filha. E não me diga que não sabia de nada. Agora, tira sua bunda mole daí e vamos ouvir.

Annabeth abriu a boca várias vezes, pensando em uma resposta bem articulada para fazer sua amiga deixar aquele sorriso debochado de lado, contudo bufou com raiva de si mesma e abriu a porta com um suspiro derrotado.

- Queridinha, eu ainda não me dirigi a você, então fica calada. – Sophia apontou com o indicador para a garota, virando-se para Ian – E você, seu... Seu...

- Sophia, chega de drama, ok? Vem, vamos subir... A Ashley...

- Ashley?! Como... Como você teve coragem e eu... Eu... – Sophia bufou e encarou Ian com os olhos repletos de raiva – É isso que você queria, não era? Só queria entrar para aquele grupinho de garotos ridículos...

- Soph... – Ian tentou tocar seu braço, mas foi afastado por um tapa alto em seu braço

- Calados. Os dois. – Annabeth anunciou, recebendo um sorriso incentivador de sua amiga

- Sophia, dentro do carro.

- Mãe!

- Anda. – mandou, lançando um olhar raivoso e superior

A garota loira ergueu o queixo, sem fazer nenhum tipo de ação superior, sentando-se no banco da frente e encarando a rua à frente como se fosse um paraíso do Caribe prestes a se transformar no deserto do Saara.

- Sophia... – Ian tentou chegar até ela, mas foi impedido por uma mão segurando seu moletom com as impressões da escola.

- Sobe.

- Annie...

- Não ouviu, Ian? Vamos, subindo. – Thalia bateu palmas, fingindo lidar com um rebanho de bois – Vamos, garoto, não quer que eu enfie cotonetes em seu ouvido para me escutar, não é? E você, garotinha, já percebeu que o barril aqui é pesado, não é? – a morena piscou e apontou para o lado oposto para onde Annabeth seguiria – Agora, vai pela sombra, vai. – abanou as mãos, com uma expressão repleta de ironia recebendo uma cara enfezada de seu filho

- Mãe... – tentou mais uma voz, porém Thalia revirou os olhos e encarou a amiga – Nos vemos depois? – piscou – Você deve ter muita coisa pra organizar...

Annabeth suspirou. Assentiu, enviando um último olhar raivoso para seu sobrinho de criação e entrou no carro.

- O que, finalmente, está acontecendo entre você e Ian?

- Nada. – Sophia respondeu, crispando os lábios

- Eu posso estar velha, mas não sou nem um pouco idiota.

- Não estou falando que você é idiota, mãe. – a adolescente revirou os olhos e ajeitou-se no banco de couro, encarando a rua preocupada, não queria que acontecesse o terceiro acidente

- Eu sei dirigir, Sophia. Agora, me diga, o que está acontecendo.

- Não disse que você não sabe dirigir, mãe. – inclinou os lábios para cima com uma mania irritante que costumava ter quando estava nervosa – Sinto muito por não me controlar, agora, me deixa na casa do meu pai, por favor.

- Você me fez acordar cedo...

- Você já estava acordada. – acusou

- Cala a boca, Sophia. Me diga, de uma vez, o que está acontecendo.

- Nada!

- E por que ficou tão irritada ao vê-lo com aquela garota?

A loira bufou, sentindo raiva de si mesma por se deixar levar pelos gritos de sua mãe. Não demorou ao perceber que os portões de ferro da mansão de seu padrasto começavam a se erguer, dando uma visão clara para o jardim bem cuidado. Ainda não conseguia entender porque de todo luxo, muito menos o porquê do porteiro velho com cara de ex-comandante que guardava a casa.

Embora morasse há dez anos naquela mesma casa, sentia-se uma estranha quando o novo carro do ano de sua mãe entrava pelos portões com um aceno para o porteiro que as encaravam.

- Porque... – engoliu em seco – Bem, mãe, porque ele é meu amigo. Quase meu irmão.

- Irmão? – Annabeth revirou os olhos – Poupe-me dessa desculpa fajuta.

- Não é uma desculpa fajuta. – Sophia gritou, batendo a porta do carro enquanto enfiava a mochila pelo ombro e afundava os tênis sujos na grama bem aparada

A loira mais velha respirou fundo, controlando-se antes de afundar os saltos de dez centímetros, com a bolsa na curva do cotovelo e erguendo a voz enquanto sua filha se afastava de si.

- Volte aqui! Você vai me explicar isso! Sophia, você tem o dever de me explicar isso!

- Não tenho não! – resmungou – Você nunca acredita em mim mesmo. Por que não pergunta pro Ian?

- Porque eu confio em você, filha! – tentou, passando pela porta

A primeira imagem que teve foi Percy com Harry em suas costas, vestindo uma roupa estranha a si, os braços gorduchos de seu filho estavam em volta do pescoço de seu marido enquanto o mesmo fingia correr pela casa.

Ambos pararam a brincadeira que estavam fazendo para prestar atenção na nova briga.

- Não confia. – Sophia suspirou e jogou a mochila no chão – E dá pra me esquecer? Por alguns minutos? Eu nem sei porque eu inventei de voltar. – resmungou

- Soph... Não fala assim com sua mãe. – Percy pediu, franzindo o cenho, tentando parecer calmo

- Você nem sabe o que ela fez! Você... Argh.

- Não precisa ficar irritada, vem, vamos resolver isso como pessoas civilizadas. – Percy tentou, mudando a posição de Harry e deixando-o em seus braços

- Eu não quero resolver isso como uma pessoa civilizada!

- Você não tem que querer, Sophia Castellan! Nós vamos resolver isso agora! – gritou em plenos pulmões

- Não mesmo. – ela murmurou baixo e subiu as escadas com passos surdos

Annabeth suspirou, tirou os sapatos com as mãos trêmulas e jogou-se no sofá, massageando as têmporas enquanto sentia uma mão pequena apertar seu joelho.

- Mamãe, a Sophia vai ficar normal daqui a pouco. – o sorriso de Harry era reconfortante, os cachinhos dourados caindo pela testa o fazia parecer um anjo enquanto piscava os olhos verdes

- É, meu amor. – Percy sentou-se ao seu lado, beijando sua bochecha com um sorriso fofo – Vai ficar tudo bem, quer que eu converse com ela?

Annabeth deixou um suspiro sofrido escapar de sua boca e balançou a cabeça.

- Está tudo bem. – tranquilizou, segurando o queixo com pelos grisalhos de seu marido – Tudo bem. Converso com ela depois.

- Estávamos esperando você pra jantar, mamãe! E a Sophia, mas ela não vai comer, vai?

- O que acha de chama-la? – Percy perguntou com um sorriso grande – Ela nunca vai negar um sorriso de um Jackson. – piscou, travesso – Vai lá, garotão.

- Será, papai? Sophia pode ser muito chata quando quer.

Annabeth revirou os olhos e bagunçou seus cachos, percebendo as covinhas que se formavam enquanto Percy o incentivava.

- Claro que ela não vai resistir a você, filho. Vai lá.

- Certo, eu vou! – concordou com um sorriso enorme

Seus passos não duraram muito até subirem pela escada e Percy abraçar seus ombros, beijando a curva entre o mesmo e o pescoço.

- Não acha que está estressada demais? Meu convite para o jantar de amanhã ainda está de pé.

- Já disse que não vai dar.

- Por quê? – bufou, impaciente, cruzando as pernas ao seu lado – É meu aniversario. Eu tenho o direito de dizer como vai ser. E você trabalha na minha empresa, então...

- Se você se referir a sua empresa como um jeito de me manter sob suas ordens, tenha certeza que eu peço o divórcio imediato. E outra, não dá pra perceber que eu estou cansada demais para discutir sobre um mísero jantar? Cresça, Percy!

- Annabeth...

- Eu vou dormir. Jante com o Harry, por favor.

- Ei, Annie, desculpa...

- Não, estou sem fome. Me larga, droga...

Como sempre, ele conseguia terminar qualquer discussão com um beijo.

O mesmo beijo que Annabeth sempre se derretia em seus braços, seus peitos grudados, assim como seus tórax, um tipo de aproximação que nem um rastro de vento poderia passar entre eles.

Como de praxe, Annabeth tentou negar que o beijo se aprofundasse, não surtiu nenhum efeito, entretanto. Percy apertou sua cintura, afundando os dedos em sua pele coberta pelo tecido fino, sua língua estimulou o lábio inferior e não foi preciso que passasse pelo superior, ela já estava entregue. Seus dedos finos arranharam sua nuca com uma urgência sufocante, as mãos dele, antes, tentando mantê-la perto já não precisava fazer tão função. As costas da loira estavam arqueadas, em um tipo de quase fusão incapacitada.

Seus lábios chocavam-se com fúria, seus pés cambaleando pelo carpete recém-trocado da sala. Cinco passos contados foram o suficiente para que as costas de Annabeth estivessem grudadas a parede enquanto os lábios de Percy faziam o favor de fazê-la esquecer de qualquer coisa que tenha a deixado irritada.

Depois de dez anos, aquela batalha sôfrega entre suas línguas pareciam cada vez mais insana e intensa, não tinha entrado no típico cotidiano que ambos esperavam. Suas peles ainda explodiam em arrepios quando se encontravam e neste momento, cada mísero espaço descoberto estava eriçado com o toque próximo das palmas de Percy sobre sua perna nua.

- Sala. Sala... – ela continuou repetindo quando ele desceu os beijos para seu pescoço

- Certo, ahn... Tem que ir para o quarto, não é?

Annabeth assentiu, dando-se conta de que ia ceder mais uma vez.

A essa altura do campeonato, não se importava mais.

Deixou ser guiada pelas escadas, pulando dois degraus com destreza. Seus passos ecoavam pelos corredores vazios enquanto ambos tinham a mesma reza de não encontrar nenhuma das duas crianças.

A prece foi atendida.

A porta, por sorte, já estava aberta. Percy fechou-a com o pé e voltou a atacar os lábios vermelhos e inchados de sua esposa. Seus dedos subiram a regata de seda com uma facilidade excepcional.

Seus dedos, agora, já tinham um novo objetivo: proporcionar prazer aos seios cobertos. Percy apertava-os enquanto empurrava-a para o tão conhecido caminho para a cama. Percebeu que estava perto quando ela segurou seus ombros, empurrando o cardigã que usava, fazendo seus lábios pararem de fundirem.

Foi o suficiente para que o moreno já arrancasse os próprios shorts e tirasse os jeans dela com uma urgência irreconhecível. Annabeth sorriu, rastejando pela cama piscando os olhos acinzentados com malícia.

Percy caminhou com passos lentos, como um leão prestes a atacar sua presa com um olhar faminto. Antes que ela pudesse se dar conta, os lábios dele estavam grudados em seus seios, mordendo-os e seus dedos rápidos desciam sua calcinha.

E então, mais uma vez em dez anos, ambos visitam o Paraíso.

O paraíso que ele prometera leva-la em todos esses anos e ela nunca se arrependia de tê-lo escolhido. Nunca se arrependia de ter sido a outra por alguns momentos quando aquele clímax chegava, ela não se importava mais com nada. Nem ele. Apenas com as peles cobertas por uma camada de suor e os corpos se movendo uma sincronia não ensaiada, porém conhecida do mesmo jeito intenso que sempre viera.

Os lábios crispados e os gemidos longinquamente baixos, deixava tudo mais excitantemente perigoso.

E era disso que ambos adoravam.

Annabeth revirou os olhos em meio ao prazer dos espasmos que percorria cada minúsculo pedaço de seu corpo e a deixava mordendo os lábios enquanto ele ainda se movia com destreza em seu interior úmido e quente. Foram alguns segundos até que ele estivesse cobrindo seu corpo com o próprio. Ambos com as respirações entrecortadas e o corpo cansado.

- E então, você aceita jantar comigo, Sra. Jackson?

Ela bufou, sentindo o carinho na lateral de seu corpo desnudo e os dedos ásperos dele acariciarem suas bochechas em movimentos de vai e vem.

- Não. – respondeu simples – Não e não, Sr. Jackson.

Percy revirou os olhos e virou-se, encarando o teto enquanto aninhava-a para perto de seu corpo, voltando o carinho para a ponta de seu ombro.

- Por quê? – murmurou – Eu realmente não quero pensar o pior, mas... Você não está me deixando alternativas.

Annabeth franziu o cenho, apoiando a mão no peito dele e erguendo o rosto para encarar os olhos esverdeados límpidos.

- O que é pior para você?

Ele crispou os lábios inchados em uma linha fina e voltou a encarar o teto.

- Você sabe...

- Não, eu não sei.

Percy bufou e voltou a encarar aquela tempestade que lhe assustava.

- Pode esquecer, então, eu confio em você. – sorriu, colocando uma madeixa revoltada para trás de sua orelha

- Não acredito que teve coragem de pensar nisso.

- Annie, eu já pedi para você esquecer.

- Como pôde pensar que algum dia eu trairia você?

- Annie... – inclinou-se, calando os lábios frenéticos dela com um beijo calmo, deixando seus lábios quentes deslizarem pelos deles com suavidade – Eu te amo. E confio em você. Confio minha vida a você. Confio qualquer coisa a você. Você me deu o filho que eu sempre quis. Posso querer coisa melhor?

- Pode. – ela revirou os olhos, voltando a encarar o peito dele com um sorriso – Uma garota nova, magra... – enumerou

- Você é tudo isso e muito mais. Eu te amo. Já disse isso?

Ela assentiu com calma e suspirou. Os enjoos que sentira no dia anterior voltaram, porém ela tratou de ignorá-los como vinha fazendo.

Não se incomodaria com aquilo... Muito menos com o comentário que sua melhor amiga fizera sobre aquilo.

- Eu vou ver se o Harry já jantou... E se a Sophia... Bem, já se acalmou.

- Eu vou com você, vamos...

- Não, fica aí. Vai ser rápido. – piscou e sorriu

Em um movimento rápido, ele voltou a vestir as bermudas e saiu do quarto com um sorriso satisfeito.

Annabeth levantou-se, enrolando-se nos lençóis emaranhados no cheiro amadeirado misturado com aquele cheiro forte de praia que ele exalava. Sentiu-se embriagada por aquele cheiro tão conhecido que lhe deixava tonta e de fato, lhe deixou. Com passos cambaleantes, estava debruçada sobre a vaso, vomitando todo o lanche que comera no shopping.

***

Aquele maldito teste de farmácia estava piscando como luzes de neon em cima da bancada do seu maldito banheiro. Respirou fundo, tirando coragem de lugares submersos para, enfim, ver o resultado.

Não conseguiu, entretanto.

Respirou fundo e guardou o pequeno tubo no bolso falso de seu vestido. Tinha coisas mais importantes para fazer. Como por exemplo, o aniversário surpresa de seu marido.

Annabeth andava com os pés cobertos por um scarpin enorme na cor bege. Seus pés andavam sabiamente pela sala onde vários brutamontes carregavam toda a mobília para um quarto inativo. A respiração entrecortada fora abandonada por uma respiração calma e uma expressão calma, coberta de seriedade.

- Sim. Com cuidado, por favor, Sally odiará saber que seu sofá preferido foi danificado. – disse com aquele ar profissional que tinha quando estava na Jackson’s – Oh, querido, você chegou a boa hora. – sussurrou ao ver um Ian jogando a mochila ao lado da porta de entrada usando seus típicos moletons com capuz e jeans surrados.

O moletom, agora, tinha as siglas dos Yankees. Quase deu um grito de vitória ao ver que ele tinha seguido seu gosto.

- Ahn... O que está acontecendo aqui, Annie?

- É o aniversário de Percy. – resmungou com uma sendo óbvia – Trinta e sete anos. – cantarolou para o garoto de cabelos negros à sua frente

- Hm, certo. A Sophia está por aí? Eu preciso falar com ela.

- Infelizmente, você não vai falar com ela. – a loira disse, balançando a prancheta – Você vai pegar aquele vasos ali e vai levar lá pra cima, mas se eu sonhar que você foi se encontrar com ela... – balançou a cabeça em negação e sorriu – Confio em você, querido. E ah, temos que ter uma conversinha depois. — cantarolou

E então, deixou o moreno estático, voltando a bater os saltos enormes pelo piso branco da sala.

Quando finalmente toda a sala estava límpida de qualquer mobília e a babá chegava com Harry no colo. Sorriu para a senhora de cinquenta anos com uma paciência infinita, pegando o garotinho de cabelos loiros cacheados pela testa com olhos verdes claras e sardas espalhadas pelo nariz. Deixou de lado por alguns segundos, fingindo um gancho com seus dedos ao apertar o nariz do garotinho.

- Como foi a aula hoje, meu amor? – perguntou com um sorriso

Harry abraçou seu pescoço enquanto mexia em alguns cachos que insistiam em cair de seu rabo de cavalo.

- Tem uns valentões que são muitos malvados com os garotos de lá. – disse, a voz trêmula – Mas, o papai disse que eu não posso ter medo deles, se não eles podem me pegar também.

- Ai, meu Deus. Eles não te bateram, bateram?

Harry balançou a cabeça, negando e sorriu, animado.

- Porque eu não tive medo, mamãe!

- Você é meu super herói, meu amor. – beijou as bochechas coradas do garoto — Agora vai com a Rose tomar um banho para receber o papai.

- Certo! Ele não vai demorar, vai?

A mulher balançou a cabeça, depositando um beijo no topo da cabeça do menino enquanto ele corria pela casa.

Assim que deixou o menino escapar de seus braços, pegou a prancheta do chão apoiando-se sobre os tornozelos e ajeitando o vestido negro por cima do corpo com as palmas das mãos. Virou o rosto para a escada no canto da sala a tempo de ver Harry subindo e Ian descendo, já sem moletom cor de musgo, apenas com uma regata branca, revelando os músculos recém ganhados e malhados.

- Você está crescendo! Acredita que eu nem me dei conta que você já tinha dezesseis anos? – a loira apertou as bochechas dele com um sorriso

- E então, onde a Sophia está?

- Perto. – piscou – Acha que ainda tem uma roupa sua por aqui? Deveria tomar um banho até a decoração chegar.

- Tia, é só um aniversário.

- O aniversário, querido. Agora, vai, eu preciso estar pronta antes que seu tio chegue. Tome um banho. – mandou, empurrando-o pelo ombro

A campainha tocou assim que chegou à base da escada, com passos apressados, abandonando seu sobrinho de criação, deixou os saltos fazerem o som oco característico e abriu as portas, dando-se de cara com sua decoração: duas mulheres com sorrisos felizes, cheias de maquiagem e roupas de marca, atrás dela uma caminhoneta carregando de bolas de variados tamanhos e mesas jazia no jardim.

Silena e Lizzie gritaram dando pulinhos até abraçar a amiga.

- Ai, que saudades! Sabe, você deveria dar um basta nessa vida de esposa e secretária e ir para Paris conosco! – gritaram, felizes – Ia ser ótimo, sabia? – Lizzie encerrou

- Poderíamos fazer compras e um piquenique calmo no rio Siena. Um café cairia muito bem para você, amiga. E seu cabelo... – Silena fez uma careta, puxando um fio dourado, vendo-o cachear rapidamente – Podemos dar um jeito nisso!

- Não agora. – confirmou Annabeth e apontou para a caminhonete atrás delas – Ali, eu tenho alguns homens lá atrás no jardim, podem arrumar isso em quinze minutos enquanto meu pai não aparece com ele?

- E se ele aparecer?

- Façam-no ir pelas portas dos fundos e ir me encontrar. Depois descemos. – piscou e apontou para a sala a sua frente – Se o buffet chegar, deixe-o ali e...

- Annabeth, querida... – Silena a interrompeu, mexendo nas madeixas ruivas com um sorriso – Nós fizemos a festa de dezesseis anos da Sophia e foi a melhor festa do ano! E estávamos em janeiro, ok? Fizemos o um aninho do Harry e também foi a melhor festa do ano e outra, não sei porque não chamou a mídia.

- Chega de mídia por muito tempo, certo, Silena?

Lembrou-se rapidamente das revistas cheias de fofocas de uma suposta traição do seu marido e aquilo lhe deu ânsias de vômito. Muitas vezes, era alvo de piadinha de seu ex-marido que ainda tentava reatar e dizer a péssima escolha que ela havia feito.

Annabeth suspirou, assentiu para as garotas e a entregaram a prancheta, deixando-se levar até a escada da antiga (e atual) mansão dele.

Lizzie cantarolava com sua voz melodiosa, fazendo-a subir degrau por degrau enquanto Silena procurava os brutamontes no jardim com a esperança que tudo se resolvesse em menos de uma hora.

Por fim, foi deixada em frente ao seu quarto.

- Se quiser ajuda, é só chamar. – ela piscou, marota

Annabeth piscou, atônita e assentiu. Ela deveria estar sendo a mulher cheia de segredos ali.

Deixou-se, então, seus pés lhe arrastarem até o banheiro. O banho quente que alguma empregada havia lhe preparado chegara de bom grado. O aroma de lavanda estava impregnada em cada pedaço do banheiro e aquilo lhe deixava calma enquanto esfregava cada parte do corpo com o sabonete rosa. Saiu da banheira com um sorriso, enrolou-se na toalha felpuda e seu pé quase esmagou um plástico.

O teste de gravidez.

Tirou o plástico rosa, carregando-o até a cama. Sua roupa estava pronta: uma saia comportada e uma blusa azul pastel com mangas longas. Seu cabelo fora preso em uma trança rápida e bagunçada.

Encarou o plástico rosa e o enfiou no bolso da saia, sentindo-se mais aliviada pelo ato.

E como sempre, estava certa. Sentada de frente para a penteadeira, passava a maquiagem do jeito que seu marido mais gostava, de maneira mais neutra possível.

Atrás dela, Percy apareceu.

O terno amarrotado, como de praxe, a gravata folgada enquanto ele caminhava, tirando-a com destreza. Parecia aborrecido com algo. Sua maleta fora deixada em cima da cama, vindo com passos calmos até uma Annabeth que tinha as mãos grudentas e suadas.

- Finalmente, aceitou meu convite? Não acha que está tarde demais?

- Quer que eu desista?

Ele sorriu, inclinando-se sobre ela e beijando seu pescoço, mordendo com um sorriso maroto.

A irritação de antes parecia ter se esvaído como açúcar disperso em água.

- Não. Só vou tomar banho. Um minuto.

- Certo. – elevou o tom ao ver que ele já tinha entrado no banheiro, deixando a porta aberta – Te espero lá embaixo, amor!

- Ok.

Seus passos deixaram os convidados avisados. Ela deu um sorriso ao ver aquelas pessoas tão familiares, esperando pelo momento que seu marido descesse.

Estava orgulhosa por ter dado conta daquilo tudo sozinha.

Ao canto esquerdo, Sally estava abraçada ao peito de Poseidon com suas típicas bermudas neutras e blusas floridas que insistiam em lhe manter com um ar havaiano, ele nem parecia se dar conta que estava debaixo do ar congelante de Nova York.

Mais ao lado, seu pai, com uma bengala, jazia ao lado de uma Amy com seu típico vestido branco e formal de enfermeira, embora o sorriso que trouxesse fosse típico de uma avó que estivesse orgulhosa do casamento bem proveitoso da neta preferida.

Sua pequena filha, agora uma adolescente cheia de problemas, estava espetacular em seu vestido azul claro, um dos presentes caríssimos que ele lhe dera de aniversário, as mangas espalhafatosas não deixavam o vestido vulgar nem brega, porém no ponto certo de um vestido contemporâneo. Ao seu lado, e com uma expressão emburrada, Ian se mantinha com as mãos enfiadas nos bolsos dos jeans, a camisa azul escura parecia estourar a qualquer momento diante de seus olhos.

Harry estava rente a suas pernas, vez ou outra, puxando sua mão para perguntar alguma coisa.

Nico e Thalia estavam abraçados, como o casal que deveriam ser, o sorriso que rasgava o rosto de ambos deixava Annabeth mais feliz. Fazia-a perceber que tudo dera certo entre eles... Que mesmo daqueles problemas que descobrira que Nico sofrera, ele estava bem e feliz.

Lizzie e Silena pulavam, literalmente, em cima dos saltos ridiculamente enormes. Elas tinham trocado de roupas, ambas vestiam vestidos de tons diferentes de azuis.

Elas não conseguiam parar de pular.

E Annabeth sentia-se abençoada. Abençoada por ter uma família pequena e acolhedora, uma família que sempre estaria a sua espera que percorreu junto com ela cada passo que dera até que estivesse ali.

Só faltava o Esahc. Infelizmente, ele não poderia ser movido até o seu jardim, o que, de fato, era uma pena. Amava aquele barco, como se fosse um filho, e se amaldiçoava por ser tão materialista.

Pela primeira vez, deu-se conta do bolo de aniversário que encomendara em cima da mesa: um navio bem elaborado com um casal de mãos dadas em cima dele.

Casal? Annabeth balançou a cabeça, pronta para atravessar toda a sala com passos rápidos e raivosos, arrancar aquele casal intruso e jogá-lo pela janela.

Não encomendou um casal em cima do bolo. Encomendou um homem de braços abertos. Não, aquilo estava errado.

Engoliu em seco ao ouvir os passos dos tênis de seu marido.

- Amor... Você viu aquele paletó...

- Feliz aniversário, Percy! – um coro de vozes em vários tons fizeram o moreno se assustar ao ver câmeras fotográficas lhe deixarem cego por alguns segundos

Então, uma música alta e desconhecida lhe deixou desnorteado por alguns minutos, tentando se situar ao ver o sorriso enorme de sua esposa, observando o mar de pessoas que vinha em sua direção para lhe deixar felicidades.

- Eu te disse, Amy, eu te disse. Minha filha teria uma boa vida. Agora, eu posso ir em paz.

- Ir em paz? – Annabeth revirou os olhos – Você vem com essa mesma conversa há uns dez anos, então desista dessa ideia idiota de morrer, papai.

- Ideia idiota? Eu vou morrer. – resmungou

- É, eu sei, o que tem de novo? E ah, obrigada. – ela sussurrou, puxando os ombros dele contra seu corpo – Obrigada por fazer isso acontecer.

- Não foi um problema, querida. Seu marido não é tão inteligente quanto achei que fosse.

Amy revirou os olhos.

- Frederick, você não sabe o que achar, certo?

- Sei sim! Você está na minha mente? Não, né? Enfermeira encalhada.

- A mesma conversa, pai? – Annabeth sorriu

- Vovô! – Harry correu para as pernas do senhor com um sorriso – Vovô! Papai está chorando, você tem que ver isso, vem, vô!

- Annabeth, retiro o que eu disse sobre ter o genro dos meus sonhos. – o senhor resmungou, deixando-se ser levado pelas mãos gorduchas do neto

Amy sorriu e acompanhou-o, abraçando sua amiga antes de ir.

- E aí? – Thalia lhe ofereceu uma bebida colorida – Está ótimo. Eu disse que Silena e Lizzie fariam um ótimo trabalho.

- Você não disse.

- Disse, sim. E... Sobre aquilo, o que resolveu?

- Bem, eu fiz...

- E...?

- Eu não vi o resultado. – admitiu, corando, sentiu-se idiota por isso – Aliás, olha aquele bolo. Eu não encomendei com aquilo.

- Annabeth, você tem que ver.

- Ahn... – Percy sorriu para as duas mulheres, os olhos esverdeados focados na mulher de cabelos loiros

A música, antes agitada, havia sido trocada por uma música lenta, uma valsa clichê de Beauty and The Beast.

- Me mandaram vir te pegar para uma dança... E eu disse, quem pode dizer não?

Thalia revirou os olhos e pegou o copo intocado da mão da amiga.

- É, eu diria o mesmo. Não se comam. – avisou, acenando enquanto se retirava com um sorriso

Annabeth se deixou levar pelo sorriso carinhoso dele, seus pés lhe seguiram quando seus corpos foram grudados e uma roda formada pela sua família com sorrisos bobos era feita.

Deixou o rosto ser pousado no ombro dele enquanto era levada pela dança calma que lhe aninhava.

- Eu sei que você fez isso. Obrigado. Eu te amo.

Seu ar escapou de seus pulmões. Aquelas três palavrinhas tão comuns saídas pela boca dele pareceram mais intensas naquele momento. E depois de dez anos, sentindo-se insegura. Naquele momento, quando as pessoas já tinham se esquecido que existia um casal ali e foram atacar as variadas comidas, sentiu que era seu momento.

- Harry disse que você chorou.

Percy riu e acariciou sua cintura com a s pontas dos dedos.

- Ele adora me incriminar para seu pai.

Annabeth sorriu.

- Sabe... – ele franziu o cenho ao ouvi-la com a voz falha, respirou fundo e deixou as palavras fluírem – Eu te amo. Vai parecer clichê, mas... Você está aqui e... Você me trouxe de volta. Eu não sei onde estaria sem você. Eu achei que tinha perdido tudo... E você apareceu.

Percy sorriu. Não tinha mais o que fazer. Só tinha que sorrir, deixar toda aquela emoção guardada para aquele exato momento. Seus lábios foram automáticos em sua direção.

Estava deliciando-se com aquele momento. Precisava daquele beijo mais que qualquer coisa. Como sempre, seus lábios nunca se acostumariam com a maciez dos lábios cobertos por um batom rosado.

Separou-se, mas não por que quis, nem porque lhe faltou ar – na verdade, ar era o que menos lhe importava naquele momento.

- Obrigado por isso... Por esquecer toda aquele maldito casamento e estar comigo. Por se arriscar tanto...

Annabeth sorriu, balançando a cabeça.

- Não precisa dizer obrigado para todas as coisas boas que fiz para você. Eu sei que foram muitas. — piscou

- Partir o bolo! – Lizzie gritou, chamando a atenção de todos em cima de uma cadeira em frente ao bolo, deixando o momento clichê de segundo plano – Vamos, vamos!

Não demorou muito para que todos estivessem em volta ao bolo e Annabeth ao lado de seu marido com uma espátula, encarando o bolo em formato de navio, pensando onde deveria cortar primeiro. O deck ou o fundo do navio.

- Gente... – Annabeth chamou atenção, pegando Harry em seu colo, deixando a roupa amarrotada – Eu queria pedir desculpa porque alguém – tossiu – fez esse casal aqui em cima. Mas, vocês sabem, deveria ser apenas o Percy.

Dessa vez, seu marido tossiu.

- Posso dizer uma coisa? – ele pediu

- Não, pode cortar o bolo. – ela lhe sorriu e todos riram em uníssono

- Bem, se você não sabe... – ele sussurrou coma aquele sorriso grudado em seus lábios, acariciando a cintura dela enquanto encarava as câmeras dos fotógrafos convidados – Daqui a dois dias é nosso aniversário de casamento e se você não lembrou... É bom que a Lizzie ou Silena tenham lembrado, não é? – piscou e prolongou um selinho em seus lábios rosados

A loira encarou todos aqueles olhares confusos para a conversa baixa que estava ocorrendo e sorriu.

- É, eu não sabia. Mas, você sempre lembra, não é? – apertou o queixo dele com os dedos

- Papéis invertidos. – lembrou-lhe

Ela deu de ombros.

- Partir o bolo! – Percy cantarolou o suficiente para que todos dessem um sorriso de alívio por participarem da conversa, finalmente

Com um sorriso, Percy o partiu. E então, a festa continuou. O bolo foi dividido por um garçom contratado enquanto todos voltavam ao murmúrio crescente com risadas ecoando por toda a sala.

- A festa ficou linda, querida! – Sally aproximou-se com um sorriso, abraçando a nora –Ficou maravilhoso!

Não demorou muito para que depois de vários agradecimentos, o casal principal estivesse conversando em um canto mais reservado. Estavam felizes. E isso era o essencial. Era o que precisavam.

Devia ser uma hora da manhã quando a festa havia passado de familiares conhecidos e íntimos para amigos de trabalho e amigos dos amigos estivesse infestado sua casa. Portanto, ambos decidiram fugir para o único lugar vazio pelo barulho dos novos convidados

O jardim.

Lindo, limpo, arejado e sem nenhuma poluição sonora além de suas próprias vozes, risadas e respirações.

- Eu te amo. – Percy repetiu

As suas mãos estavam repousadas em sua barriga, fazendo um carinho inconsciente enquanto encaravam as flores coloridas ou as estrelas brilhantes.

Annabeth sentia falta do tempo em que se mudara pela primeira vez. Ainda passava pela sua mente o dia em que brigara com Percy, gritando em plenos pulmões que não deixaria sua casa para se mudar para uma mansão. Dois dias depois, ele arrastava suas malas enquanto uma Sophia de dez anos encarava a mansão boquiaberta com um Ian animado, tentando lhe apresentar toda a casa.

Poucas semanas depois, estava chorando debruçada sobre a cama ao descobrir que estava grávida pela segunda vez. Um sorriso perambulou pelo seu rosto.

- O que é engraçado? – ele perguntou, pousando o queixo em seu ombro

- Quando eu descobri da gravidez do Harry. – virou-se para ele, de modo que encarasse seu perfil com facilidade

Percy sorriu, voltando a encarar o céu enquanto as músicas agitadas formavam uma trilha sonora abafada.

- Você chorou. – ele lembrou, um sorriso de lado absorvia em seu rosto, os olhos esverdeados encarando-a rapidamente. – E você ficou brava comigo. Acho que já eram os hormônios de grávida, hm?

- Claro, o que você acha de uma mulher com trinta anos ficando grávida? É horrível. – resmungou, tentando controlar a respiração ao lembrar-se de um dos dias mais difíceis

- Não, não é. Porque você estava grávida de mim. Aliás, Sophia adorou.

- Ela sempre quis um irmão.

- E um padrasto gostoso. Sabia que as amigas dela curtem um cara de cabelos grisalhos? – ele sussurrou, coçando a barba – Estou pensando em deixar os cabelos brancos, você acha sexy?

Annabeth revirou os olhos, batendo em seu braço levemente e deixando seus olhos vagarem para a imagem de Ian risonho com um Harry emburrado a sua frente. Seu sobrinho parecia relaxado embora seus olhos aparentassem estarem desesperados.

Em poucos minutos, Annabeth se livrava dos braços de Percy, observando o caminhar lento de Harry sobre a grama bem aparada. Seu filho ergueu a mão, puxando os jeans de seu pai com uma expressão emburrada juntamente com o beicinho.

- Papai. – ele resmungou de braços cruzados

Percy encarou-o com um sorriso, agachando-se até ficar em sua altura e poder encarar a imensidão do mesmo tom que seus olhos.

- O que aconteceu, amigão?

Annabeth levantou os olhos para Ian que dava de ombros, erguendo as mãos, tentando mostrar sua inocência.

- Ian. – disse, os olhos se encheram em lágrimas, porém um olhar machista de Percy o fez engolir em seco e restaurar a voz infantil – Ele disse que eu não posso proteger a Sophia, só ele.

- Ian. – Annabeth resmungou, agachando-se ao lado de seu marido – É mentira, meu amor, a Sophia é sua irmã e você tem o direito de protege-la.

- Mas, ela disse que não precisa ser protegida! – resmungou, parecendo irritado com o fato – Ela disse para deixa-la em paz. Mamãe, eu sou chato?

Ian havia desaparecido quando Percy levantou-se, procurando um modo de chamar Sophia discretamente por ter estragado a festa dele. Sabia que ela estava chateada, mas não poderia fazer isso com o irmão.

- Claro que não, filho. – ela beijou sua testa e deu um sorriso fraterno

Percy ainda encarava a cena com o cenho franzido, procurando um plano sem falhas em sua mente.

- Mamãe... – ele chamou quando Annabeth se ergueu, ajeitando o tecido do vestido em seu corpo, Harry fungou e encarou os pais com uma expressão chorosa – Eu quero uma irmãzinha para proteger. – seus olhos verdes pareceram mudar de tons quando as lágrimas teimosas voltaram a encher seus olhos

O casal se entreolhou diante do pedido do filho. Os dedos trêmulos de Annabeth tocaram o pequeno dispositivo que diria se ela estava grávida ou não. Se suas suspeitas eram verdadeiras ou não. Engoliu em seco ao ver que seu estado de paralisia continuou e seu marido tomou a frente do acontecimento.

- Vamos tentar, amigão. Agora... Por que não vai se divertir? Tio Nico adoraria ver seus novos carrinhos. Vai lá. – ele piscou, acariciando a cabelereira bagunçada loira

Harry assentiu, abraçando o corpo e voltando a passos lentos e tristes para a festa.

- Temos que conversar com Sophia, ela não pode simplesmente dizer uma coisa para o Harry, ele é só uma crianO que é isso? – suas palavras foram atropeladas quando a loira tirou o pequeno teste de gravidez, batendo-o na mão com uma expressão confusa – Annie... O que é isso? – perguntou calmo, os passos lhe aproximando dela

- Um... Um teste de gravidez. – explicou

- Eu sei, mas... Por que... O quê?

- Eu acho...

- Deu positivo? – lhe interrompeu

Annabeth respirou fundo e balançou a cabeça.

Percy suspirou.

- Negativo?

- Não sei. – confessou, Percy franziu o cenho e esticou os dedos para pegar o teste

A loira nem teve tempo de pegar. Antes que se desse conta, Percy suspirava aliviado, encarando o teste rosa com um alívio estampado no rosto, então seus olhos – por algum motivo desconhecido – se encheram de lágrimas.

Não sabia o que era mais desesperador: ter ou não um filho.

Seu coração se apertou ao perceber que aquela expressão era a resposta de tudo: ela não estava grávida. Era apenas um enjoo provisório que se apossara de seu corpo, alguma comida muito ruim que decidira comer e era esse o motivo que vinha vomitando frequentemente.

Sabia que era mentira, entretanto. Era apenas um jeito de sua mente deixar de inventar coisas.

O moreno sorriu e franziu o cenho ao ver a esposa com lágrimas molhando suas bochechas.

- O que aconteceu?! – alguém gritou atrás deles

Ninguém ali pareceu se dar conta.

- O que aconteceu? – ele tocou suas bochechas, deixando o teste cair na grama e tirando as lágrimas com os polegares

- Eu não estou grávida, mas... Parecia tão real... E...

Percy abriu um sorriso, tocando seus lábios com os dela em um gesto singelo.

- Vamos torcer para que seja uma menina, meu amor. – sussurrou – Acha que Esahc seria um nome muito estranho para dar para uma garota?

O mundo de Annabeth pareceu paralisar, novamente.

- Sim, seria. – respondeu em meio a captação precária de ar para dentro de seus brônquios

Ele colocou alguns fios revoltos para trás.

- É, o que você acha de Blue?

Annabeth riu e deslizou as mãos sobre os ombros dele, apertando o corpo de seu marido contra o seu.

Atrás dele, todos encaravam o casal com um misto de emoção no ar, um camera-man capturando toda a cena com um sorriso, como se fosse a melhor coisa que havia feito em anos. Sally tinha lágrimas nos olhos enquanto Frederick segurava a bengala de madeira com mais força do que o recomendável. Silena e Lizzie choravam, uma aparando a outra com sorrisos nos rostos. Thalia e Nico estavam abraçados, dividindo o mesmo segredo que o casal adiante acabara de descobrir.

A câmera se afastava do casal abraçado, da criança de cachos dourados correndo até eles sob a luz escassa que o céu negro favorecia para eles. As lentes até chegaram a capturar o momento de mais um beijo calmo e suave, do garoto puxando o pai pela mão para que pudesse ver os fogos que faziam parte da surpresa, eles escreveram no céu “Parabéns, casal”. Ninguém saberia que teria um sentido tão amplo assim.

A lente reluziu para as pessoas gritando em coro um parabéns mais uma vez.

No futuro, aquilo só seria uma lembrança. Os olhares trocados por Ian e Sophia seriam debochados quando eles fossem um casal de verdade, Harry resmungaria que ele era infantil e ridículo naquela época, como qualquer adolescente. Thalia estaria carregando um menino de cabelos negros, tentando fazê-lo ficar quieto enquanto revirava a casa junto com a garotinha de cabelos negros e olhos azuis reluzentes. Na casa deles, teria um retrato de família, todos estariam: Sally, Poseidon, Silena, Lizzie, Thalia e Nico... Até Frederick, que morreria em três meses depois da festa de aniversário surpresa. Ele implorara para que ninguém ficasse de luto.

Naquele momento, entretanto, enquanto todos voltavam para a sala com sorrisos, aproveitando o restante da festa; nada era um problema.

O que importava era o sorriso daquelas pessoas... A felicidade que emanava de todos. Cada um abrira mão do conformismo, da comodidade de ficar em suas próprias bolhas e se arriscaram no amor, na vida... Voltaram a viver. Deram tudo que tinha para as pessoas que mereciam e que fizeram os mesmos.

Eles amaram, lutaram, deram tudo que tinha como se nada de ruim tivesse acontecido.

E era isso que era feito a vida, não? Feita de riscos. Riscos e erros que lhe levavam a tal sonhada felicidade.

A felicidade, contudo, não estava presente em nenhuma daqueles posses, em nenhuma daquelas joias caríssimas que acumulara durante o tempo, muito menos no caminho que perseguira até ali.

A felicidade não era a linha de chegada, era o caminho e ela estava na alma de cada um, aflorando na essência de toda a família que, sem perceber, havia chegado ao auge da tão buscada felicidade.

Notas finais
Essa vai ser a maior nota final ou não.
Eu só quero dizer que eu estou chorando. É sério, eu não sei o que falar, só que eu estou ouvindo Never Been Hurt e pensando: meu Deus, como estou viva? Eu sempre costumo chorar nos finais de minha fanfic, mas enfim.
Desde semana passada, eu sentei na frente de meu computador e pensei: Tá, Mylena, você vai escrever agora, sua idiota. Daí, eu não consegui e depois de duas semanas, escrevendo pedacinho por pedacinho e ouvindo longas playlists eu consegui fazer esse final. Hoje, na verdade. Há uns quinze minutos atrás.
Não sei para vocês, mas eu o amei. Eu o amei tanto que eu não to conseguindo parar de chorar e espero que tenham gostado tanto quanto eu amei. Eu só quero dizer obrigado a vocês que fizeram tudo isso, que me acompanharam desde the better for you (se vc não leu, não leia, por favor!!), de chasing the sun e agora aqui, depois nightingale que eu to rezando para que vocês me acompanhem porque ninguém tá comentando lá, mas eu to aqui para falar de Never Been Hurt.
É isso aí, gente, eu não to sentindo AINDA que é trabalho cumprido, só estou sentindo que uma parte de mim, como sempre, foi deixada aqui com vocês e espero que vocês cuidem dela como eu venho cuidando dessa história desde sempre.
São dez meses de Never Been Hurt, se eu não estou enganada. Peço desculpas pelas imensas demoras que eu tinha para postar e obrigada. Obrigada por estarem comigo.
Eu amo vocês, amo muito, amo forte.
E por favor, alguém faz um grupo no facebook e me coloca lá ou me façam perguntas no ask, eu não posso passar o resto da noite chorando.
LEIAM NIGHTINGALE, GALERA!!
E deixem reviews.
E eu amo vocês.
Adeus, Never Been Hurt.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!