Never Been Hurt.
15 I never hit so hard in love.
Notas iniciais
So, quero agradecer à ItalyRay pela recomendação, mas além dela, esse capítulo vai para TODOS meus leitores. Os presentes, os antigos, os novos e os fantasmas (aliás, eu espero que vocês apareçam com minhas notas finais).
Esse capítulo é muito emocionante, principalmente no finalzinho, ele é mega enorme e cansativo, então se você tem outra coisa para fazer, vai fazer qualquer outra coisa e depois vem ler.
Boa leitura!
"It slowly turned, you let me burn
And now, we're ashes on the ground
Don't you ever say, I just walked away
I will always want you [...]
All you ever did was break me."
O fato era que se via completamente desnorteado naquele sábado.
Nova York não poderia estar mais bela. Pela primeira vez no ano, no final do outono, o céu azul estampados em sua visão e as nuvens brancas solitárias em lugares distantes. Mesmo assim, um frio leve se instalava, provavelmente, fora devido a isso que escolhera um casaco preto e jeans para sair. Pegaria a loira desgraçada na casa dela em quinze minutos, porém fazia mais de uma hora que estava parado na esquina do apartamento.
Não sabia o que estava acontecendo com ele.
Sua cabeça doía a ponto de estourar. Apenas pensava o quanto era um idiota por estar de quatro por ela, parecia um cachorrinho que recebia e obedecia ordens. Não precisava de ordens.
Toda sua vida estava uma bagunça. Seu casamento seria em uma semana, sua noiva nem tinha tempo para ele embora estivesse agradecendo por isso. Seu primo e melhor amigo estava totalmente estranho, sua prima, Thalia, nem ao menos chegava perto dele, como se fosse acarretar problemas para ela também. Além de que nunca vira seu sobrinho tão abatido quando vira ontem. Já havia decidido que o pegaria para fazer um passeio qualquer.
Contudo, agora, estava decidido em matar aquela loira em seus sonhos... Embora tudo que passasse eram sonhos pervertidos que vinha tendo sobre ela. Respirou fundo e apertou os dedos no volante. Tinha que se controlar.
Depois de muitos minutos lá embaixo, viu Luke descer com uma Sophia alegre carregando uma mochila rosa. Acelerou o carro e deixou o mesmo parado logo atrás do carro do ex-marido de sua secretária.
Desceu do carro com um sorriso. Adorava vencer aquelas brigas de homens que sempre vencia com o babaca.
– Castellan. – assentiu com a cabeça e virou-se para Sophia – Pequena!
Pegou a garotinha, um pouco mais pesada devido a idade, e segurou-a no colo. Talvez, o problema fosse a idade dele. Não queria admitir para si mesmo, porém estava ficando velho a cada dia que se passava e nem reparava nisso.
– Tio Percy! – a pequena loira bagunçou seu cabelo negro, colocando-o todo para frente com uma mínima franja sobre a testa
Foi inevitável não reparar na beleza que a pequena garota assemelhava com a mãe.
– Senti saudades, Soph, temos que sair mais, hein? – fez cócegas em sua barriga com um sorriso
– Você que nunca aparece, tio. – disse, emburrada, apertando suas bochechas
– Eu ia chamar o Ian para sair amanhã, será que podemos sair também?
Sophia virou-se rapidamente para o pai que estava parado com uma carranca contra o carro.
– Pai! Posso sair com o Ian e o tio Percy amanhã?
Luke o encarou, era um desafio indireto para ambos. Ele revirou os olhos e puxou a filha dos braços dele.
– Tem muito tempo que não nos vemos, Soph. Vamos ao clube e depois a uma festa, você pode brincar com a filhinha da Beyoncé, você não quer? Você disse que queria muito conhece-la.
– Ah, papai, eu quero, mas a filhinha da Beyoncé não vai morrer, vai? – Luke balançou a cabeça, arqueando as sobrancelhas, confuso – E o Ian está muito triste! O tio Percy vai ajudá-lo, não é?
– Claro, pequena.
– Sophia, falamos com sua mãe depois, vamos, certo?
– Hm, Castellan, eu realmente precisarei da ajuda da Sophia amanhã.
Luke revirou os olhos e fez a filha entrar no carro de um modo gentil.
– Como se eu fosse facilitar as coisas para você, Jackson. – murmurou e sorriu
– Nos vemos depois, Soph. – Percy ignorou o comentário desprezível dele e acenou para a garotinha que sorriu de volta
Suspirou alto.
Iria ter que fazer mais, e realmente iria precisar da ajuda dela.
Virou-se para a entrada do prédio e viu Annabeth sair dos portões com uma bolsa grandes bege ou sei lá a cor que chamavam aquilo, o lábio de uma cor vermelha berrante e ao mesmo tempo sexy enquanto seu vestido era de uma cor mais clara que a bolsa, os saltos da mesma cor do batom. Ela parecia arrumada demais.
Percy encarou as próprias roupas e deu um sorriso de lado.
– Oi. – sussurrou
– Não íamos pro escritório?
O moreno levantou os braços e deu as costas para ela, começando a andar para o carro.
Percebeu que ela acompanhava com os típicos passos decididos, apostaria que ela estaria com o queixo erguido querendo parecer forte o suficiente e melhor que todo mundo.
Entrou no carro e esperou-a entrar para acelerá-lo mais uma vez.
– Para onde estamos indo? E por que está tão desarrumado? Não era uma reunião ou algo do tipo? E... O que está acontecendo aqui, Sr. Jackson?
– Poderia começar por parar de me chamar de senhor e de Jackson.
– Eu fui contratada para te ajudar, não para ser gentil. Então, por favor, responda minhas perguntas.
Ele arriscou uma olhada para ela e arrependeu-se, Annabeth estava linda como sempre. Os cabelos loiros caíam com cachos grandes pelos ombros, sua sobrancelha arqueada e o cenho levemente franzido fazia querê-la beijá-la ali mesmo. Há quanto tempo reprimia aquele desejo? Há quanto tempo a via espreguiçar-se em frente ao computador, ou desabotoar e abotoar os botões da própria camisa como se não estivesse fazendo nada demais?
Quanto tempo havia ficado tempo demais no banheiro depois do trabalho, sentindo-se frustrado por não ter aquela mulher consigo?
Reprimiu um resmungo e mordeu o lábio inferior, virando o carro na curva da 5th Avenue. Depois de dez minutos no tráfego chato de uma manhã de sábado, desceram do carro em frente a uma loja de ternos.
A loira estava parada, encarando a loja com receio e raiva.
– Não acredito que me trouxe a uma loja para renovar seu guarda-roupa.
Percy deu de ombros, colocando seu braço casualmente sobre os ombros dela.
– Bem, acho que não foi bem para isso.
Ela mexeu os braços, fazendo com o que o dele caísse sem vida ao lado do corpo. Percy deu um suspiro e segurou a cintura dela, fazendo-a andar até a loja.
Uma vendedora bastante simpática veio atendê-los. Tinha um sorriso bonito no rosto e em seu crachá prateado trazia o nome de Louise.
– Bom dia. Bem vindos à STies! Eu sou a Louise e se assim desejarem, posso atendê-los.
– Bom dia, Louise. – a garota pareceu envergonhar assim que seus olhos cor de mel se depararam com os olhos claros de Percy – Nós estamos procurando um terno para casamento. Sabe, um daqueles simples e ao mesmo tempo... Elegante.
– Ah, nós tivemos o estoque reforçado. Tenho ótimos...
Annabeth parou de ouvir assim que ele disse casamento. O quão ultrajante ele queria ser ao convidá-la para achar um terno para o casamento dele? O quão baixo aquilo era?
Sentia e sabia que deveria dar as costas para tudo aqui, pegar o primeiro táxi que visse e por uma coisa de instinto, deveria – não, tinha – que comer todo seu estoque de soverte e chorar até que não restasse uma gota de água em seu corpo.
E de novo, não admitia porque aquilo acontecia.
Foi arrastada por uma mão forte até a parte interior da loja com aquela Louise tagarelando sobre o tecido que revestia dentro e fora, sobre as abotoaduras molhadas à ouro e como era aquecido e blábláblá.
– O que acha desse, querida? – ele perguntou com um sorriso grande ao puxar outro terno
– Vocês são noivos? Fazem um belo casal.
– Nós não... – a loira tentou
– Obrigado, Louise. Tenho certeza que minha noiv...
– Sua noiva iria adorar saber que está saindo com sua secretária, não é, amor? – resmungou irônica, virando-se para ele com um sorriso nos lábios totalmente destacados e vermelhos
– Ahn... – Louise tentou falar
– Certamente, ela iria adorar saber que até tentou avisar para essa secretária sobre as tentativas de tentar seduzi-la. Sendo que a secretária nunca se jogou em cima dele.
– Eu... Seu canalha, filho de um puta! – ela gritou, jogando um tapa com tamanha força em seu peito coberto, tentando afastar-se enquanto se debatia
– Senhores, eu... Senhorita. – Louise tentou afastá-los
Percy segurou sua nuca com força, fazendo-a olhar em seus olhos.
– Aja como uma dama, Chase.
Annabeth respirou fundo, fechou os olhos e contou até dez. Sabia que tinha que obedecê-lo, mas faria algo bem pior.
Segurou o pulso dele, jogando para o lado e sorriu para a vendedora, sentindo-se tão menosprezada pelo mesmo cara que estava... Que não estava afim.
– Vou provar estes. Tem algum provador...?
– É, nos fundos, senhor. Temos um lugar especial para os noivos, e...
– Pode ser esse. – confirmou
A vendedora os encarou mais uma vez, insegura, e atravessou os provadores habituais até abrir uma porta branca e esperar que ambos entrassem.
– Estarei separando algumas roupas mais a frente, podem me chamar assim que precisarem.
Annabeth assentiu com um sorriso falso, segurando a maçaneta da porta com a mesma força que queria socar o rosto bonito de seu chefe. Fechou a porta com a educação que lhe restava e deixou todo seu rosto esquentar, virando-se para Percy e vê-lo seminu, puxando a barra do casaco pela cabeça, ficando apenas de boxer.
A loira sorriu e caminhou em sua direção, com um sorriso nos lábios totalmente vermelhos.
– Então... – passou o indicador pelo peito dele – Você me traz para um provador no centro de Nova York para... Ver se eu caía na tentação mais uma vez? – passou os braços pelo pescoço dele, aproximando seus corpos, deixando a boca rente ao seu ouvido – É isso, Percy? – finalizou com uma mordida no lóbulo da orelha
– Eu não consigo ficar longe de você e...
Afastou-se ainda com um sorriso grande nos lábios.
– E eu estou enlouquecendo com esse batom vermelho.
Não esperou por uma resposta da parte da mulher, apenas atacou seus lábios com toda a voracidade que guardara todos esses dias. Certa parte da loira, deixou-se levar pelos lábios molhados e o trabalho espetacular que a língua ágil dele sabia fazer. As mãos de Percy subiram pela sua cintura, segurando seu pescoço, acariciando seus ralos fios ali presentes. Estava adorando o jeito com que suas mãos trabalhavam em meio ao beijo, sabia que ficaria desnorteada assim que aquilo acabasse, por isso começou a pensar no que fazer.
Era meio difícil pensar quando lhe faltava ar e não tinha nenhuma intenção de afastar-se dele.
Contudo, sabia o que teria que fazer.
Afastou-se lentamente de seu beijo, dando um sorriso irônico.
– É assim que você se sente? – jogou a cabeça para trás, puxando-o para perto de si pelos ombros, sentindo a respiração acelerada dele em seu queixo e os beijos constantes perto de seu busto
– É, é assim que eu me sinto. Eu senti...
– Você não sentiu nada. – jogou-o para trás, encarando a imensidão verde totalmente confusa – Você é um tremendo de um canalha! Se você tivesse sentido parte do que você diz sentir, você teria ido atrás de mim! Tinha corrido atrás de mim. Mas, o que você é, Perseu Jackson? Um cara acomodado procurando uma putinha de esquina? É uma puta que você quer, não é? Eu não sou esse tipo de puta. – cuspiu, ajeitando o cabelo com as mãos
– Você não tem ideia do que está falando. – resmungou, passando as mãos pelos cabelos, com a intenção de arrancá-los
– Não tenho ideia?!
– Fala baixo. – ele vociferou e caminhou, segurando seus pulsos
– Eu acho melhor você provar seu terninho bonitinho e ser um bom cachorrinho...
– E o quê? A super poderosa Annabeth vai fazer o quê? Me ameaçar? Não seja hipócrita, você sabe que você me quer tanto quanto eu te quero. Por que não deixamos essa parte de lado e resolvemos aqui tudo isso?
– Defina resolver.
– Transar, sexo... Quer desenhos? Prefiro mostrar com ação.
– Ah, claro, porque para vocês, homens, tudo se resolve com sexo.
– Claro. – ele deu de ombros, colocando os pulsos dela para trás de seu corpo, voltando a beijar seu pescoço enquanto ela se debatia tentando sair daqueles braços
Com mais alguma força restante, conseguiu sair do abraço de Percy.
– Pare de ser assim! Pare de... – mordeu o lábio inferior, tentando afastar aquela sensação de choro
Percy bufou.
Mais uma vez, exasperado, passou as mãos pelos fios negros e avançou contra ela. Annabeth deu um passo hesitante para trás, esperando que ele fosse tentar beijá-la de novo, porém tudo que ele fez foi abraça-la com força, inspirando seu perfume com força.
Sentiu-o tocar sua mão morta ao lado de seu corpo, Percy afastou-se levemente, encarando os olhos cinza que se afastavam dela de um modo irritante. Com a mão livre, ele segurou seu queixo e com a outra, levou a mão dela até seu membro coberto pela boxer fina.
Ele o fez apertar seu membro, fechando os olhos logo em seguida.
– É isso que você me faz sentir. – deixou a mão dela lá, levando as próprias para fazer um rabo de cavalo improvisado no cabelo dela – Existe melhor prova que isso?
– Qualquer mulher pode fazer isso em você, Percy. – resmungou, ameaçando tirar a mão, porém ele a colocou lá novamente, subindo as mãos para os seios dela
– É, não posso negar. Mas nenhuma mulher, Annabeth, nenhuma mulher me deixaria assim com um beijo... Mesmo que estivesse me enganando, quer poder maior que esse? Quer provas maiores que essa?
– No final, eu vou acabar caindo em sua ladainha... E você vai voltar para sua noiva, não é melhor pararmos com essa ilusão rotineira?
– Você quer ser minha noiva? Se for isso, não será problema. Você pode ser o que você quiser.
Annabeth sentiu o ar faltou de seus pulmões. Não podia, não devia e não era certo, repetiu em sua cabeça. Mas adorava vê-lo submisso a ela, ter a certeza que ela tinha um poder sensual, um poder de mulher para com ele. Foi inevitável não continuar acariciando todo seu membro rígido e até sentiu pena de deixa-lo naquela situação.
– Última vez. Eu juro que...
Percy sorriu, segurando em cada lado de sua bochecha e aproximando seus rostos, deixando de ouvir sua voz melodiosa para tocar seus cabelos meio molhados e sentir sua língua quente contra sua, a pele que clamava por tocar em cada parte coberta.
– Senhores? – Louise bateu a porta com toques leves – Senhores?
– Não... – ele sussurrou voltando a beijar seu colo – Estou provando as roupas.
Annabeth nada respondeu ao sentir uma das mãos apertando seu seio com força, se abrisse a boca, sairia um gemido bem vergonhoso. Apenas mordia os lábios, implorando, dessa vez, que a vendedora fosse embora. Ela deveria ter vindo em um momento oportuno, talvez uns dez minutos atrás.
– Senhores?
Percy a ignorou.
Annabeth não viu motivos para não segui-lo. Sentiu as mangas curtas de seu vestido descerem pelos seus braços com leveza, e mal percebeu quando seus seios já estavam eriçados em direção aos seus lábios que faziam aquele trabalho que adorava. Apertou os fios negros em seus dedos, sentindo o ventre comprimir quando sentiu os dedos levemente em cima de sua calcinha. Amaldiçoou-se ao lembrar-se da calcinha larga que colocara... Esqueceu-se rapidamente ao sentir seu corpo ser empurrado para o divã pequeno e branco em frente à plataforma levemente alta. Ouvia a voz de Louise ao fundo... Tão longe que não conseguia distinguir se ela era um sonho ou se ela realmente estava do outro lado da porta.
Ao apoiar-se nos cotovelos, percebeu que ele já estava sem cueca e tão ereto quando o tocou. Percy começou a estimulá-la com o dedo enquanto a beijava do mesmo jeito erótico e selvagem que ela adorava.
O moreno penetrou-a, esperando um grito, talvez, que fora reprimido por um gemido tão baixo que mal ouvira. Segurou o quadril dela e penetrou-a com toda a força que tinha, com aquela força que evitava. Os gemidos dela continuavam baixos, apertou um dos seios entre seus dedos, sentindo a textura de sua pele arrepiada e macia... Na verdade, queria bater naquela mulher que estava do outro lado da porta que insistentemente, vez ou outra, voltava a bater na porta.
Percy saiu de dentro da loira. Virando-a rapidamente. Annabeth surpreendeu-se, apoiando-se nos quatro membros enquanto tentava ter forças nas pernas, deixando-se levar pelos movimentos que o moreno fazia atrás dela, segurando seus quadris com força e deixando que seu corpo correspondesse, embora fosse tudo errado.
Todos gemidos e quase gritos foram abafados, Percy mordia o próprio lábio e vez ou outra, descia os mesmo pelas costas erguidas de sua secretária, tão submissa. Ele segurou sua cintura, fazendo-a ficar sobre os joelhos, apertou as mãos em volta dos seios.
As investidas fortes fizeram com que a loira sentisse um cansaço rápido, todo seu corpo estava suado e levemente dolorido. Sentiu apenas o momento em que Percy segurou-se em sua cintura, fazendo-a deitar levemente, tamanha a intensidade de seu ápice. Ele beijou toda a extensão de coluna, ficando ao seu lado no pequeno divã.
Ambos encarando o teto.
– Senhores, se não saírem daí em cinco minutos, serei obrigada a chamar a segurança.
– Já vamos! – Percy forçou a voz rouca, falha e ofegante
Annabeth controlou a respiração rapidamente, suas pernas doíam bem pouco e não queria nem imaginar como seria no próximo dia. Arrastou-se pelo carpete até estar vestindo suas roupas com todo o tempo do mundo. Ao terminar de colocar seu vestido, pegou a bolsa e tentou visualizar o estrago de sua maquiagem no pequeno espelho.
Encarou o moreno por cima do ombro, vendo todo seu rosto sujo com batom vermelho. Ele arqueou a sobrancelha e passou a mão ao lado da boca, como se estivesse presumindo e bufou.
– Como faço para tirar isso?
– Problema seu. – resmungou e calçou os saltos, ouvindo Louise ameaçar mais uma vez
Ouviu-o reclamar e tirou alguns lenços de sua bolsa, jogando por trás do corpo.
– Eu estou indo. E, por favor... – não quis terminar a frase, sabia que seria outra promessa jogada no ar
Observou-o colocar o casaco, exasperado e pegar o terno intacto. Saiu com seus passos decididos, abrindo a porta rapidamente e passando por Louise, como se não se importasse com sua presença ali. Escutou Percy falando algo sobre comprar mais antes de chegar à verdadeira entrada da loja, agradecer por haver um táxi no fim da rua. Apressou o passo, ele demoraria o suficiente passando vários ternos no cartão. Agradeceu assim que virou o rosto e o viu correr em sua direção.
Correu a tempo de segurar seu braço e fazê-la virar para si.
– Isso é uma prova de que você quer... De que eu quero. Vamos fazer isso valer a pena.
– Valer a pena? Percy, você é noivo! Isso vai contra todo tipo de educação que eu tive, que tipo de mãe serei para minha filha? E aliás, somos tão diferentes. Eu sou... Annabeth Chase e você é o engenheiro naval mais poderoso dos Estados Unidos. Olhe para mim, eu sou tudo que eu queria ser. Você é só mais um homem querendo casar e ter um herdeiro. Minha vida está completa, totalmente completa. Sem você. – adicionou e sorriu, embora todo seu corpo quisesse chorar
– Annie, isso...
– Isso é a verdade. A realidade, Perseu. Vamos aceita-la, não vamos contradizê-la, tudo bem?
Ele não respondeu.
Ela abriu a porta do táxi rapidamente e jogou-se.
– Saia daqui. Agora.
O taxista não demorou em seguir suas ordens.
***
Tirar Ian da casa de Nico fora a parte mais difícil de seu plano.
Quer dizer, seu primo estava totalmente possessivo em relação ao filho adotivo, então tirar o garoto de lá era o primeiro passo para tentar fazer com que sua prima tentasse se reconciliar.
Sabia que assim que conseguiu fazer Nico dormir novamente, tirando Ian de lá, estava sofrendo riscos de vida, porém tinha mais certeza ainda que se Thalia fizesse a coisa correta, não precisaria se preocupar com nada mais.
A segunda parte do plano foi: tirar Sophia de casa. Até que percebera que... Ficar na casa dela seria bem mais proveitoso. E depois de muita birra da parte de ambos os lados, conseguiu sentar-se naquele sofá.
Os olhos cor de esmeralda começavam no topo dos fios loiros presos em um coque bagunçado que se desfazia aos poucos, descia pelo rosto esguio e carrancudo, os lábios curvados recebendo a colher de prata cheia de soverte de baunilha, avaliando o tom avermelhado das bochechas. Piscou os olhos ao deixa-los mais baixos, dando-se conta do decote enorme da blusa tamanho GG, observou as mangas rasgadas que lhe davam uma visão da barra do sutiã preto de renda que, de fato, não servia para nada além de um acessório. Então, voltou os olhos para as pernas longínquas exibidas de forma provocativas estendidas até a mesa de centro na sala elaborada, sem o dourado do bronzeamento, mas um tom opaco de branco que continuava a combinar com ela, ainda observava fios rompendo a barreira de sua pele, sem querer, sorriu, ao perceber que ela não se importava com coisas bobas.
Terminou a avaliação ao encarar os pés pequenos cobertos por uma meia rosa com estampa de coelhinhos com uma expressão neutra, tentou voltar a observar, no entanto, viu as pernas sendo recolhidas e cruzadas, o pote de um litro deixado inútil em cima da mesinha enquanto a mulher loura a sua frente estava na posição de Buda com uma expressão carrancuda e irritada.
- Eu não sou perfeita.
Assim começara o discurso que Percy esperara desde que ficara plantado vendo aquele táxi idiota partir. No escritório desde que havia pegado os convites, ela se limitava a assuntos financeiros e recadinhos enviados pelo seu primo, comentava vagamente sobre Thalia e Ian, e quando Percy tentava se aprofundar ao assunto de se apaixonar com palavras "suaves" e um sorriso constrangido, Annabeth lhe jogava papéis de contrato, tagarelando sobre como havia bastantes reuniões para providenciar, aumentava o som em formato de Titanic e saía, talvez vagando pelos corredores do Jackson's Buildings, comprando cafés — que Percy descobriu ser uma distração para loira, pensou que talvez fosse o pagamento pelos presentes -, ás vezes, o moreno agradecia essa atitude de fuga, a maioria delas, tinha vontade de puxa-la pelos cabelos e lhe dizer quem era a autoridade e que queria falar, precisava falar.
E em todas essas vezes, ele se contentava com desejos pisoteados.
Hoje, no entanto, foi um dia difícil. Brigou com sua noiva que só lhe mostrara tecidos para enfeites do casamento, roubara Ian de seu primo mais velho e colocara Thalia para resolver algumas coisas que propositalmente cairia na casa de Nico. Por fim, seu sobrinho ainda sonolento, nem se dera o trabalho de ir brincar com Sophia já que ambos caíram de cara na cama.
O trânsito estava lento com carros para todos os lados, ônibus e caminhões buzinavam incansavelmente, e nem se lembrava quantos "atalhos" que não serviram de nada foi preciso para chegar a casa dos Chase, depois da ida à casa do primo.
Mas agora, estava aqui.
Camisa de botões amassada, jeans surrados e um sorriso para o porteiro.
A primeira coisa que Annabeth fez ao abrir a porta com aquela roupa provocativa, ou uma blusa tamanho GG transparente foi fechar a porta imediatamente, por sorte, Percy segurou a maçaneta e entrou na mansão, prestando atenção aos detalhes que não tinha visto antes como o vaso de meio metro com várias flores diferentes, percebeu o tom prateado do corrimão da escada, a sacada pequena, tendo em conta a piscina particular mais acima, observou um corredor que talvez levava para a cozinha e por fim, mais um corredor no canto direito que não reparara. O sofá marfim era convidativo, e ficara ali vendo-a bufar sem emitir uma palavra, voltando ao que estava fazendo: comer soverte em um dia de quase-verão ameno dentro de sua sala bem arquitetada.
- Eu sei. — disse quando percebeu que ela não falaria mais nada, se ele não dissesse mais nada
- Eu não estou apaixonada por você. — sua voz era segura
Sabia daquilo assim como sabia que seu cabelo era preto e seu coração pulsava, sabia que era um amor não correspondido, sentia aquilo. E nem sabia que aquilo era realmente amor. Se dera conta que queria muito estar com ela, que precisava de mais noites com ela. Porém, como afirmaria que era amor... Se nem sabia o que aquilo era. Entretanto, pareceu mais doloroso quando saiu da boca avermelhada acompanhada pela voz doce e aveludada. Talvez uma faca de serra brincando com suas veias era um bom jeito de descrever o que estava sentindo.
- E eu não quero te iludir, Percy. Quer dizer... Não nos iludir. Mas você é um cara legal, e eu já acabei com meu casamento...
- Não foi voc...
- Eu sei que foi eu e você não sabe de nada. Enfim, você tem um futuro pela frente. Uma mulher que te ama, você pode ter os filhos que você tanto deseja, o desejo de seus pais vão se tornar realidade... Tem noção de quanto eles irão ficar felizes?
- Você está tentando me manipular. — verificou e estreitou os olhos — A vida é minha. Quem sente, sou eu. Meus pais irão concordar com qualquer coisa que eu decida. Foi assim até hoje. Eu sei dar conta do que eu tenho.
Não pode evitar um sorriso malicioso, ao ponto que Annabeth revirou os olhos, os mesmos brincalhões.
- Eu sei que você quer tentar, eu sei que você quer ver algo além de um divórcio que não parece ter acabado de uma vida de mãe solteira, você quer aventuras e eu te entendo.
- Eu estou muito bem com a minha vida de mãe solteira.
- Só me dê uma chance, e eu juro, juro mesmo, Annabeth, que você será a mulher mais feliz do mundo
- Eu te dei uma chance. Você chamou minha filha de perigo. — destacou com um nojo explícito nos olhos
- Ei, v...
- Prove-me que você não vai fazer isso de novo. Prove que você não quer apenas uma secretaria gostosa em cima de você, realizando seus desejos.
Percy suspirou, arrastando suas pernas ao se aproximar dela, envolver a mão em sua nuca onde fios ralos arranhavam sua mão, encostou seus lábios avaliando a clara hesitação dela em deixar seus lábios se aproximarem.
Mesmo assim, o fez. Ambos ficaram parados por algum tempo, Percy mexeu-se por cima dela, tentando ficar confortável, beijando-a de maneira leve e suave, apenas os lábios. Annabeth inclinou-se esperando mais, entretanto o moreno torturou-se apenas tocando lábios, deixando suas línguas se tocarem aos poucos. Continuou suave, como se estivessem comendo fondue com morango.
Era delicioso.
- Eu vou provar. — prometeu, acariciando os fios revoltos que emolduravam seu rosto — É só uma aranha, Annie. — deu um riso forçado
Annabeth gritou, empurrando seu braço e caindo no tapete felpudo, engatinhando-se no chão. Um grito infantil foi ouvido logo em seguida, Annabeth virou-se confusa encarando sua filha agarrada a um ursinho que nunca tinha visto, os cabelos bagunçados e o pijama amarrotado.
- Aqui, calma, donzelas. Ela já está indo perturbar outra casa. — garantiu, jogando a aranha imaginaria na varanda — Então, cadê o Ian, Soph? Ele já acordou?
A garotinha estava confusa, as bochechas coradas e os olhos azuis marinhos esbugalhados, encostada bruscamente na parede, tentou sorrir, embora ainda estivesse assustada.
- Não sei, tio Percy. Ele dormiu no andar de cima.
O moreno mandou um olhar misto de animação, desculpas e confusão abrindo um sorriso de canto.
- Ond...
Annabeth intercalou os olhos entre a filha assustada e tão confusa quanto ele imprensada na parede contra seu próprio medo, agarrada em urso marrom com focinho preto, olhos esbugalhados com os pelos aparentemente macios, voltou o olhar para seu chefe que não sabia o que fazer para encontrar seu sobrinho e suspirou, levantando-se da posição humilhante em que posicionara ao cair.
- É a segunda porta a esquerda.
Percy assentiu, subindo as escadas em pulos rápidos.
O andar de cima lhe pareceu mais deslumbrante do que o loft já era. O piso era de uma cor mais clara de madeira, a cada passo que dava um ruído confortável se instalava pelo local, alguns quadros de diferentes tamanhos e molduras coloridas, variando entre espelhos vintages e porta retratos estavam perdidos na pintura pastel da parede. Tinha um acabamento incrível e uma textura pastosa, dando a impressão que ela fora acabada de pintar.
O moreno demorou alguns segundos admirando os porta retratos. Um deles era Annabeth sorridente segurando um grande chapéu com um biquini azul, não pode evitar sorrir. Outro era Thalia, Annabeth e Sophia sentadas no sofá da sala com sorrisos de que estavam esperando cookies com gotas de chocolate saírem do forno.
Não tinha ideia de quanto tempo sua prima mais próxima conhecia Annabeth, percebeu que sabia muito pouco sobre a mesma. As únicas coisas que ele sabia é que a morena não trabalhava, vivia da pensão gorda do pai, sempre estava brigando com aquelas vestes carrancudas, morava com alguma amiga em um prédio muito chique (não sabia disso até conhecer essa tal amiga) e tinha um enorme coração. Ainda tinha dúvidas sobre a velha paixonite dela por Nico, mesmo assim decidiu não se meter com isso, principalmente depois do seu noivado. Eles pareciam um casal prestes a se divorciar cuidando de uma criança que não sabia nada disso e apenas curtia seus pais.
Percy abriu a porta, inclinando-se sobre a mesma, verificando se havia entrado no quarto correto. Como toda a casa, as paredes tinha uma cor clara, o piso era idêntico ao do corredor e ao meio, uma cama de casal estava bagunçada com uma cabeleira preta se erguendo em meio aos edredons e almofadas brancos.
O homem balançou o garoto, chamando-o para que acordasse.
- Tio... — choramingou — É domingo.
- Você pode dormir quando chegar a minha casa. Que tal corrida de carrinhos? Podemos comprar um brinquedo novo.
Ian sentou-se procurando algo com os olhos, bufando logo em seguida. Agarrou uma das almofadas apoiando o queixo no topo olhando tristonho para seu tio.
- Não quero ver o papai. Nem a tia Thalia. — o garoto disse, fechando os olhos
Percy acariciou seus cabelos, tentando seguir a lógica do menino, amaldiçoando a si mesmo por ter pensado naquele assunto minutos atrás.
- Por quê? Seu pai te ama, Ian.
- Eu sei. Mas ele só vive brigando com a Thalia e ela é como se fosse minha mãe!
O moreno deu um abraço desajeitado de lado no garoto, torcendo para que aquilo fosse um jeito que o incentivasse a falar.
- O papai fala sobre algo como irre... — fechou os olhos, forçando-se a pensar — Irrep...
- Irresponsabilidade? — chutou
- Sim, isso. — Ian concordou — Ele disse que enquanto minha mãe não criar resp... Você sabe, ela não poderá ficar comigo.
Ah. Era o que Percy queria dizer. Tinha quase certeza absoluta que Thalia nunca se abriria com ele, duvidava que fizesse a mesma coisa com sua melhor amiga. A morena preferia torturar-se ficando longe de seu suposto filho a implorar ajuda para as pessoas que a amavam. Ela não queria se humilhar.
Não queria deixar de parecer a adolescente durona.
- E o que mais aconteceu?
- Thalia bateu nele. — o menino se encolheu erguendo os olhos para o tio — Ela disse que nunca ia acontecer e disse algo... Ela disse sobre ter participado da minha adoção, mas...
A cabeça de Percy tentava digerir tudo aquilo tão rápido quando ele falara, mas depois de ouvir o nome de Thalia e adoção na mesma frase, sentiu que foi traído pela família que mais confiava. Tudo bem, não era da conta dele, mas ele também ajudou. Ele foi atrás dos papéis com Nico, dava carona para Thalia quando ela ia para os cursos de babá ou quando ia cuidar de um dos seus clientes. Jantava com eles na Ação de Graças, cuidava de Ian com eles.
Era uma responsabilidade que os três estavam dispostos a carregar.
Dispostos a fazer qualquer coisa por Ian.
E isso só o fez se sentir mais traído.
-...e eu não quero ir pra casa, tio. Eu sei que a tia Rach pode achar ruim...
- Ela te adora, Ian.
- Obrigado... Mas, eu posso passar essa semana lá? O senhor pode dizer que sou muito criança como a vó Sally diz, mas... Eu entendo de muita coisa, sério. E eu não quero descobrir coisas que eu não deveria saber, eu acho isso errado.
Percy suspirou. Não poderia achar um anjo melhor que Ian.
- Tudo bem, garotão. Tome um banho, troque de roupa e... Vamos ver o que podemos fazer, juntos. Sempre juntos, ok?
Ian assentiu com um sorriso trêmulo abraçando o tio em um ato surpreso. Percy repetiu o movimento com batidinhas leves em suas costas enquanto ele corria em direção a um banheiro.
Certo, pensou, precisava de um plano.
***
Depois de ir a um mercado de esquina próximo a casa de Annabeth — que ainda usava uma blusa transparente GG -, Percy voltava com uma bolsa cheia de coisas que a loira o obrigara a trazer depois que viu a carinha tristonha de Ian ao ser avisado que deveria ir embora.
Bem, de qualquer maneira, agora estavam na cozinha do loft. Em frente ao fogão, uma bancada de mármore se estendia amplo e bem limpo, Percy afastou os pratos que repousavam ali, sentando-se entre seu sobrinho e Sophia que o assistiam tentar inutilmente um truque com mágica.
Demorou algum tempo que desistisse e as crianças inventassem alguma brincadeira que envolvia plena exclusão do homem, o que, de fato, foi bem aproveitado.
Observava a mulher pegar o marshmallow azul, esquentá-lo por poucos segundos, mergulhá-lo em chocolate derretido meio amargo, e por fim, prensa-lo entre metades de biscoitos cream crack. Depois de fazer isso repetidas vezes, a loira se encaminhava com um prato cheio desses aperitivos, encostando-se ao lado de Sophia, deixando o prato no colo do moreno e então, todos atacavam a sobremesa na hora do café da manhã.
- Minha mãe sempre fazia isso para mim quando eu era criança. — brincou, mordiscando seu aperitivo.
- Ah, eu lembro! — Sophia exclamou com um sorriso — Eram deliciosos. Mary ainda faz quando eu e papai vamos acampar no quintal.
A loira sorriu para filha, como se o fato de ter tempo a sós com o pai fosse merecimento de um Oscar.
- Estão muito bons, tia!
- Obrigada, querido. — Annabeth brincou com os cabelos de Ian, acabando por acariciar o seu queixo.
- Mãe, nós poderíamos ir pra aquele parque que abriu!
- Ah, eu esqueci. — Ian coçou o queixo, pensando em algo muito importante — Obrigado por falar, Soph.
A garotinha corou, dando de ombros, voltando total atenção para os deliciosos mashmallows envoltos em chocolate.
- Certo, talvez possamos ir, não é, Percy?
O moreno levantou os olhos dos dois mashmallows que ele brincava entre os dedos e assentiu, inerte aquela situação.
- Olha, vocês dois — Annabeth colocou mais um prato no colo de Percy com mashmallow e chocolate ainda morno — Eu e Percy vamos arrumar o quarto do Ian, ok? Vocês podem comer isso ai.
A loira mandou um sorriso convincente, puxando o moreno pelo braço e subindo as escadas. Ambos, sérios. Assim que entraram no quarto, Annabeth fechou a porta atrás de si encostando-se na porta de mogno.
- Achei que você tivesse feito o discurso de "sou boa demais para você". — o propósito de Percy era vê-la sorrir, o, máximo que obteve foi a mesma expressão carrancuda que lhe recebera mais cedo.
- Onde está Thalia? — perguntou, a expressão recente se dissolvendo em pura preocupação — Eu estou tentando ligar, mas ela só diz que está bem e pergunta sobre o Ian.
Percy encolheu os ombros.
- Talvez ela esteja bem mesmo. — concordou, tentando esquecer o que seu sobrinho lhe dissera e o que planejara desde mais cedo
- Não, você sabe. — acusou em um tom baixo e assustador — Me diga, por favor, ela é minha irmã, Percy. — aproximou-se, o moreno pode ver os olhos atentos, procurando por uma resposta clara
- É uma coisa de família. — explicou, enfiando as mãos no bolso ao se levantar — Ela é minha prima, eu também estou preocupado, mas não é tão fácil quanto parece ser.
- Por favor.
Annabeth fez um beicinho e foi quase... Quase inevitável dizer não.
Por fim, Percy suspirou, e começou a contar a conversa que tivera com Ian, o maldito plano que inventara para que Thalia encontrasse com Nico na casa dele, o fato de que ela não pestanejou quando disse que se encontraria com Ian, nem implorou para que viesse com ele. Explicou suas suspeitas e de como tudo aquilo soava estranho e traíra.
- Ok. — Annabeth colocou os cabelos atrás da orelha e suspirou — Você está me dizendo que Thalia e Nico agiram juntos para adotar Ian, ou seja, eles enganaram do melhor jeito britânico os próprios britânicos! – terminou – Ou... Thalia tem algo a ver com isso, também?
- É, mais ou menos isso. Ou é isso que estou tentando pensar... Ou pode não ser nada disso. É muito confuso!
- Uau. Eu achava que eles se odiavam, no seu noivado e...
- É, talvez eles tivessem tido um caso e não sei. — deu de ombros, derrotado
- Estamos tão focados na gente, que droga! — resmungou, bagunçado os cabelos com raiva — Vamos descobrir, ok? — prometeu segurando a mão dele com força
- É, vamos. — seu tom de voz estava desanimado — Não íamos para o parque?
- É, mas você não vai levar o Ian para o Nico?
- Ele pediu pra ficar na minha casa.
- A Rachel não vai se importar?
Percy lhe deu um olhar irritado e acusatório, como se aquilo fosse acarretar a Terceira Guerra Mundial.
- O que foi? Talvez, ela não gostasse de uma criança que atrapalhe a infinita lua de mel.
- Minha noiva adora Ian, Annabeth. — Percy piscou os olhos tentando ignorar o breve incômodo que lhe passou — Depois do parque, se ainda formos, eu deixo o Ian em casa e vou procurar o Nico.
- Ainda vamos. — afirmou, levantando-se da cama confortável — Aliás, a respeito de sua declaração de uma prova, — os pelos do braço de Percy se arrepiaram brevemente — estou de acordo. Sabe, eu acho que vai ser meio difícil a Rachel te soltar.
- Então, você está preocupada com ela? — o tom de voz dele era incrédulo, carregado com um humor escondido ao observá-la dobrar o lençol
- Não estou preocupada. Você deveria estar preocupado. Como você disse "minha noiva". — destacou com um sorriso irônico
- Sim, mesmo que eu esteja envolvido em uma paixão louca por você, eu ainda estou noivo.
- É, sabemos. — assentiu, abrindo a porta com um sorriso de desculpas — Pode ir agora. — apontou para o corredor
Percy obedeceu piamente, fechando a porta quando alcançou o corredor. Admitiu que tinha começado sua prova de paixonite muito mal, porém não estava cabisbaixo com esse assunto. Tinha esperanças de conseguir isso, talvez fácil demais, não queria subestimar a teimosia da loira, no entanto precisava deixar sua vida amorosa de lado. Sabia e sentia que seus primos precisavam dele, não era só uma briguinha infantil entre adultos... Era a felicidade de seu sobrinho que estava em jogo.
E amava aquele garoto mais que a si mesmo.
***
A viagem foi curta já que era domingo, quase meia noite, as ruas praticamente sem trânsito exceto por carros barulhentos de adolescentes drogados e bêbados.
O prédio que subiu era quase conhecido, acenou para o porteiro que liberou a passagem, acreditando em uma festa surpresa.
O elevador era claro, com luzes fracas e as paredes com papel florido, um carpete bege, terminando em um espelho imenso na parede sul.
O corredor era extraordinário. Continuava com os papéis de parede floridos e calmos, o carpete bege se estendia maravilhosamente trazendo um ambiente gracioso que Percy precisava. Verificou se as chaves reservas ainda estavam em seu bolso traseiro, respirou fundo e abriu a porta, colocando seu plano em ação.
A sala não estava vazia.
Era preenchida por gritos ditos em plenos pulmões e culpava as paredes revestidas a prova de som.
- Eu não vou perde-lo, Di Angelo! Não vou!
- Aprenda a perder as coisas, porque é a única coisa que você faz bem, Grace. — aquilo não foi gritado em alto e bom som, foi pior no tom seco e árduo de seu primo
- Chega. — a voz de Percy era muito parecida com o do seu primo
Os olhares foram voltados para ele, fechando a porta.
- Thalia, se quiser sair, por favor.
- Esse assunto não é seu, então saia, por favor.
- Não vou sair e você sabe disso. Esse assunto não é só de vocês. Ian é tão envolvido comigo quanto com vocês. Agora, querida prima, sair é a melhor opção. Vai ser uma conversa de homens.
Thalia fingiu não ter ouvido, embora soubesse o quanto essas conversas eram assustadoras, sentou-se emburrada no sofá, percebendo que em nenhum momento seu primo do meio havia lhe encarado. Restou-lhe controlar as lágrimas e observar a briga.
- Eu queria falar com você, Percy. Eu e o Ian vamos para Inglaterra...
- Vocês não vão para lugar nenhum. Nenhum, Nicolas! Como assim você quer afastar a Thalia do Ian?
- Percy... Isso não tem nada a ver com você. — o mais novo massageou as têmporas, irritado
- Tem! Totalmente. Comece dizendo a verdade sobre a adoção do Ian.
A mulher virou os olhos azulados para o primo, assustada.
- Percy... — choramingou
Não adiantou de nada. Os verdes e negros ainda continuaram se cruzando pelo que pareceu uma infinidade
- Por favor, saia da minha casa.
- Todos concordamos e sabemos que eu não irei sair.
O casal se olhou, ambos soltando um suspiro.
- Não posso dizer, Percy. Infelizmente, aqui nos Estados Unidos, eu sou o pai de Ian e vou leva-lo para onde quiser.
Foi a gota d'água, o moreno bufou, exaltando raiva.
- O Ian trata a Thalia como mãe! A mãe que ele não teve e você vai tirar a mãe dele, seu imbecil? Você é um ser sem coração?
- Ele...
- Os dois! — Percy continuou, incapaz de escutar o que sua prima queria falar — Os dois estão fazendo do Ian uma criança confusa. Já não basta o que ele passou no orfanato? Perder os pais verdadeiros? Vai perder os pais que o acolheram?
- Ele não vai sofrer. — Nico tinha a voz trêmula e não tão confiante quanto a usava para sua manipulação
Percy revirou os olhos. Deixando a sala em um silêncio confuso.
Todos pareciam mais calmos agora. Menos a morena que já voltava a andar de um lado para o outro.
Nico encarava Percy, entediado agora.
- Vocês tem que mudar! Parem de ser tão infantis.
Nenhum dos dois ligou. O moreno se direcionou ao criado mundo que apoiava um uísque legítimo, enchendo seu copo. Precisava relaxar, precisava esquecer que aquela mulher estava ali, que seu primo — de novo — estava se metendo em sua vida.
- Você não está bebendo de novo, está? — Percy perguntou, franzindo o cenho
- Um copo. Um mísero copo. Não sou obrigado a ter essa louca querendo tirar meu filho de mim.
- Seu filho? Faz-me rir, Nico. Sabe o que você é? Um baita idiota! Você sabe muito bem que posso tirar o Ian de você a hora que eu quiser! Vamos resolver isso como adultos.
- Ahn? Como assim? — o homem que tinha acabado de chegar perguntou aproximando-se deles
- Ah, pode? Então, tenta. Vai lá, tenta. Corre pro papaizinho de novo. É sempre isso que você faz, não é?
- O Ian não é sua propriedade! — ela gritou, ameaçando um passo com o rosto vermelho
Percy encarava toda aquela briga com o cenho franzido, perguntando-se o que estava acontecendo com aquelas duas pessoas. Aquelas pessoas que amava, que sabia que tinha a obrigação de mantê-los junto mesmo depois de tudo que tinha atingindo-os. Sabia que eles só estavam em equilibro perfeito, se estivessem juntos. Mesmo depois do minidiscurso que fizera assim que chegou, não pareceu ter efeito nenhum além de palavras bonitas.
- É, você está certa! Ele não é, ele é minha salvação. A única coisa... A única pessoa que consegue me manter em órbita.
- Ele é mais meu que seu! Meu!
- Você nem sabia que ele existia! Seus malditos óvulos só foram doados e coincidentemente, eu o adotei. Foi um acidente.
- Não. Calma. — Percy ficou entre eles em um pulo — Repita, por favor, Nico.
Thalia o encarou, furiosa. Enfiou as mãos nos cabelos, hábitos que os três presentes na sala tinham. Puxar os cabelos quando o estado de nervoso estava em um ponto alto demais para ser expressado com um morder de lábios ou algo do tipo.
- Não... — Nico começou
- Eu sei. — Percy murmurou e virou-se para Thalia com o cenho franzido, tentando lembrar-se — Quando Zeus disse que ia cortar sua mesada para que você aprendesse a se virar em Londres... E você se virou. Foi naquele tempo, não foi? Tem uns nove ou dez anos, você era muito nova.
- Eu tinha que provar que podia me virar. — resmungou Thalia
- Vendendo seus óvulos? Bom começo. — Nico encheu seu terceiro copo de uísque sob o olhar incomodado de seu primo mais velho
- Como você descobriu? Como...?
- O Ian... Meu pai... Bem, ele disse que Ian tinha nossos olhos e o mesmo jeito de falar estranho que minha mãe, com a língua meio presa, sabe?
Percy assentiu, forçando sua mente a seguir a linha de raciocínio de sua prima.
- Eu só fiz por...
- Por nada! Aposto que você até falsificaria. Só acredito nessa história porque eu estava lá. E foi com o Solace.
- É, foi isso, Jackson.
- E assim? Do nada? Fim? — o moreno arqueou as sobrancelhas, confuso
- É! Agora, ele está com essa conversinha de que Ian é a salvação dele.
- Ele é!
- Ele é a minha também!
- Por que... Bem, vocês não dividem o Ian? Como casados?
Eles ignoraram Percy.
Ambos se encaravam depois da fala de Thalia. Como se aquilo de salvação realmente fosse algo sério.
E era. Para ambos.
- Nós não podemos te salvar de algo que você não quer ser salvo. — a morena disse, passeando a mão pela nuca
- Você podia. Você só... Desistiu e eu te entendo. Mas não posso desistir de Ian, desculpe.
- Pare de ser egoísta, Nicolas. Ian nos ama.
- Me diga do que você quer ser salva, Thalia? Você tem algum problema alcoólico? Sua mãe morreu e seu pai tem Alzheimer? — as lágrimas preencheram os olhos negros do homem — Qual é seu problema? Do que você quer ser salva?
Thalia suspirou. Ambos alheios a presença firme do primo que os encarava em um misto de surpresa e emoção.
- De você. — suspirou
Nico arqueou as sobrancelhas, pedindo por explicações em silêncio. Esperou poucos segundos até que ela desviasse os olhos azuis dos seus e encarasse as cortinas que davam passagem para a sacada e o céu azul escuro sem visão para estrelas de Nova York.
- Eu... Nós não nos merecemos. Não sou boa o suficiente para... Isso. Para cuidar de você.
- Você não aguentou. — ele riu sarcástico e terminou o uísque em um gole, voltando a enchê-lo novamente — Você desistiu. — acusou
- Porque você sempre voltava pro inicio! Você nunca lutava.
- Mas eu superei! Olhe pra mim, olhe...
- Você está pior que antes. — admitiu ela — Possesso, bebendo cada vez mais... Você quer que o Ian participe disso.
- Thalia, você e meu filho são os únicos que podem me salvar.
- Não vamos te salvar! Não vamos... — ela soluçou e virou as costas, apoiando os braços na parede mais próxima.
Percy entortou a boca, pensativo se deveria deixar seu lugar na plateia e ajudar Thalia ou continuar ali sentado, bebericando o vinho no gargalo que seu primo havia deixado exposto.
A morena limpou o rosto com força e andou com passos largos até Nico, retirando o copo quadrado e jogando-o para o outro lado da sala, um som oco do vidro se estilhaçando com a parede. Ela apoiou as mãos ao lado da poltrona que ele estava sentado. Seu rosto estava vermelho e diferente do de Nico, estava seco.
- Eu não quero... Não quero que meu filho passe pelo que eu passei.
Apenas com aquela frase, o turbilhão de imagens atravessou a mente do moreno. Imagens de seu primo com um sorriso estranho, o rosto ensanguentado chegando à casa dele, pedindo por um copo de cerveja.
Lembrava-se de Thalia chorando aos vinte anos, deixando a universidade para cuidar de Nico embora tivesse a desculpa que era durona o suficiente para lidar com a vida sem se preocupar com estudos. Percy nem tentava imaginar o que ela sentia a cada vez que Nico esnobava dela por não ter um emprego para se manter. Ela abdicou de uma vida feliz e próspera para cuidar dele. Para tira-lo de pubs de esquina, para leva-lo para casa e lhe dar banho e mesmo que tivesse nojo só de pensar, sabia que depois do banho, sua prima era "seduzida" a ceder aos desejos internos que um Nico bêbado lhe "obrigava" a fazer.
- Sua mãe morrer, ter seu pai com Alzheimer em uma clínica... Mesmo que ele nem se lembre de você não é motivo para beber. Para... Me usar.
Nico soluçou, sem desviar o olhar daquele azul cintilante que brilhava com as lágrimas que não caiam.
- Para usar Ian como arma para fugir do mundo. Nós não somos seu escudo. Nem suas armas.
- Vocês são tudo para mim.
- Nico...
- Eu só quero ser salvo. Eu preciso ser salvo.
- Não posso fazer isso de novo. Não posso...
- Me salve. — implorou, as lágrimas desabando pelas bochechas alvas dele que brilhavam diante da luz artificial — Eu te imploro, por favor, me salve, Thalia.
- Não posso te prometer.
- Eu te amo. Você sabe que eu te amo, sabe o quanto eu te amo e tudo que faria para ver você sorrir... Para ver você feliz. Me perdoe. Eu nunca quis te usar, nem ao meu filho. Eu sempre te amei, mesmo quando estava beirando a inconsciência e mesmo quando eu te menosprezei-a frente daquela maldita clínica. Eu realmente não queria...
- Mas você fez. E não podemos voltar no passado. — ela arqueou as costas e o encarou superior
- Me perdoe. Só me perdoe.
- Certo, agora parem de chorar, crianças. E como Ian vai dormir na minha casa, cala a boca, Nico, vocês podem utilizar a cama e eu não sou obrigado a ver vocês fazendo oral. — Percy fez uma careta e colocou o vinho embaixo do braço — Tô levando. Amanha, não vai ter uma bebida alcoólica nessa casa. Nico, vou mandar um psiquiatra e...
- Percy, tchau. — ele revirou os olhos
O moreno sorriu, indo em direção a eles e abraçando seus primos ao mesmo tempo.
- Perdão. Perdoem a vocês mesmo. Os dois merecem perdão. Isso vai soar bem gay, mas eu amo vocês. E vocês não merecem sofrer isso.
Thalia franziu o cenho analisando as palavras do primo.
– Percy...
A morena lembrou-se... Lembrou-se de quando deixava a faculdade de lado, quando corria para as consultas de Nico, o quanto estava doente e devota a apenas cuidar dele.
Ela só queria bater nele, deixa-lo roxo até que alguém a tirasse de cima, por fim, deixou as lágrimas caírem. Mais e mais, parecia uma cachoeira que não tinha fim. Seu corpo falhava, todas as terminações nervosas pareciam não saber qual era sua função, no mesmo momento.
– Saia! Os dois daqui! – Nico gritou, levantando-se da poltrona
Percy o fez sentar novamente, irritando-se.
– É melhor vocês se resolverem. — Percy avisou, apontando um dedo acusatório para seu primo, os olhos de ambos revoltos — Se não fizerem isso, eu juro... Ah, Di Angelo e Grace, eu juro por tudo que eu irei tirar o Ian de vocês. Eu vou tirar a guarda dele de você, Estados Unidos ou Inglaterra, não importa. Se derem conta do problema amoroso ou não de vocês... Aquela criança não fará parte dessa brincadeira de casinha.
Com esse último aviso, Percy saiu, deixando a raiva na mesma sala, correndo com seu carro pelas ruas desertas, na esperança de que aquela adrenalina saísse de seu sangue.
Por fim, o casal estava ali. Sozinhos, em meio a choros surdos e uma tensão impregnada no ar.
Nenhum dos dois queria sair dali. Nenhum dos dois queria abrir mão do Ian, ele era deles. Meio cambaleante devido à quantidade de álcool que tomara em poucas horas, Nico conseguiu chegar até Thalia, ajoelhando e segurando suas pernas.
– Eu te amo, eu te amo. – sussurrava freneticamente – Não me deixe.
– Nico, pare. – tentou se mexer com a voz embargada
– Eu sei o que eu fiz. Desculpa por ter te batido, te usado, te estuprado ou feito qualquer coisa de ruim. Me desculpa, por favor. Eu sacrifiquei tanta coisa para chegar onde eu estou... Eu te sacrifiquei e agora, só me resta o Ian. Não o tire de mim. Não me deixe sem você. Vocês são a coisa mais próxima que eu posso chamar de família.
– Nicolas, pare, você está fazendo papel de ridículo. – tentou soltar-se, batendo as pernas na intenção de fugir
Ainda segurando seu corpo em suas mãos, Nico levantou-se, apoiando as duas mãos, um do lado do outro em suas bochechas, apertando-as com uma força carinhosa. Os olhos azuis claros cintilavam pelas lágrimas que ainda gotejavam de seus olhos. Encostou seus lábios brevemente, sentindo o gosto salgado e a maciez que tanto sentia falta.
– Não me deixe. Não me deixe. – repetia em meio ao beijo que aprofundava cada vez mais
Thalia não conseguia parar. Irritava-a saber que amava aquele cheiro de uísque impregnado em seu corpo, aquele perfume másculo que ele sempre usava e o fato de saber que podia puxar as pontas de sua camisa social sempre aberta. Seus corpos foram grudados, cada vez mais necessitada daquele beijo, daqueles doces lábios. Mesmo que soubesse que era masoquismo ceder a esse beijo, ceder à ele, estava pronta para assumir o risco.
– Eu te amo. – ele continuou sussurrando, uma mão na nuca dela e outra, acariciando seus cabelos
– Eu te perdoo. Eu também te amo, te amo muito. – murmurou, empurrando o corpo dele contra o sofá, a tempo, ainda, de ver um sorriso brotar no rosto pálido dele
Ambos corpos foram jogados contra o sofá. Beijos foram apenas interrompidos para que as roupas fossem jogadas no chão com insignificância e então, os beijos foram mais selvagens, com direito a mordidas e apertões do tipo que deixariam ambas as peles marcadas. Nico espalhava chupões pelo seu corpo, apoiando-se no cotovelo dando um gemido alto ao vê-la sentar-se em seu membro.
Thalia jogou a cabeça para trás, massageando os seios, que logo foram substituídos pelas mãos calejadas dele. Seus gemidos se misturaram enquanto ela cavalgava em cima de seu membro, vez ou outra, ele segurava sua cintura, afundando os dedos na pele bem tratada e alva, aumentando a velocidade.
Ela era sua droga. A pior e a melhor, ao mesmo tempo.
Em um momento, gemia alto, esperando que seu ápice chegasse. Em outro, estava em cima dela, com cada mão ao lado de sua cabeça, com movimentos rápidos e duros. E então, lá estavam os dois, deitados.
Uma mistura de cabelos negros, pernas e braços alvos, como se fossem um só. Literalmente.
Ele agarrou o rosto dela em suas mãos, dando mais um beijo e desabando o corpo no pequeno espaço que ela deixara para ele.
– Você ainda continua espaçosa. – resmungou, puxando a cintura dela para si
– E você ainda continua... – beijou seu ombro, dando uma mordida de leve – Gostoso. Um pouco. Não muito.
– Eu sei. – gabou-se – Você não está nada mal, embora parecesse uma velha.
– Velha? – segurou seu membro nas mãos – Velha, Nicolas?
Ele riu, baixinho.
– É, velha. Quer provar o contrário?
Thalia balançou a cabeça, aconchegando o corpo em meio aos braços deles que lhe aconchegavam, fazendo um carinho em toda parte da coluna.
– Sabe, eu senti sua falta. – ele sussurrou rente ao seu ouvido – Senti falta de seu corpo... Por inteiro.
– Talvez, eu tenha sentido falta de você.
Nico riu, beijando seu pescoço e a curva do ombro, voltando a encarar seus olhos.
– Eu te amo.
Thalia sorriu, começando a acariciar toda a curva de seu rosto.
– Fico feliz que esteja pronto para mudar, quer dizer, você está, não está?
– Estou. – afirmou, parecendo contente – Por você, por nosso filho. Por nossa nova vida. Certo?
– Nossa nova vida.
O fim não quer dizer que tudo está acabado... O fim é o começo de uma nova etapa. É um começo de uma nova história. Talvez, uma história feliz.
E era isso que eles queriam provar. Não para o mundo. Para eles mesmo.
O amor é isso. Provações. Sem gritaria para o mundo inteiro, sem declarações de amor ou serenatas. Só precisa ser entre quatro paredes. Entre eles.
Notas finais
Gente, eu to chorando, sério, fim da minha vida now.
E cara, quase dez mil palavras. Que bosta, vou ficar um mês sem postar, porque olha.
Tá, duas coisinhas: POR QUE FUCK VCS NAO COMENTAM MINHA HISTÓRIA? Comentem, por favor, obg, dnd.
OUTRA COISA: EU VOU FAZER UM VIDEO YAY SÇALKSÇLAKSLÇA Sim, e eu vou fazer pq fuck love me, então me mandem perguntas por aqui mesmo ou pelo meu ask ask.fm/whatsmylena POR FAVOR ME MANDEM PERGUNTAS, BC I NEED
Até vocês, fantasmas, eu espero que vocês mandem muitas perguntas daí eu faço um mega video falando SOBRE TUDO, yep, T U D O que vcs quiserem saber.
Tá.
Love, xx.
PS: DEIXEM REVIEWS PLEASE.
Fale com o autor