Never Been Hurt.
7 Dangerous.
Notas iniciais
Espero que gostem.
"When I'm gone will you miss me?
We'll find out in time
I'm gonna go down in history
As the one who changed your mind
They said that I'm dangerous"
A primeira música que os dois ouviam juntos pela primeira vez era The Scientist, Coldplay. Annabeth usava uma saia preta, e uma blusa de tecido fino azul, os cabelos presos em um rabo de cavalo, debruçada sobre a mesa de vidro dele, mostrando os gráficos que havia recebido mais cedo do setor financeiro.
Apontava com o dedo, a unha bem feita pintada de rosa claro, a música mais parecia uma segunda camada incrustada na parede, de um jeito estranho, penetrando ambos os presentes, acalmando-os. Novamente, ela indicou com o dedo, elevando na escala vermelha, franziu os lábios, jogando a primeira folha no teclado dele e pegando outra.
– Quem pintou suas unhas? Sophia?
A loira levantou as sobrancelhas, surpresa, e encarou suas unhas. Não pareciam feias, e não tinha nenhum borrão, até sentiu orgulho de Sophia quando ela terminara.
Deu de ombros para o homem a sua frente, continuando seu trabalho.
Percy segurou a mão dela, deixando o papel inclinar-se.
– Hein?
– O que minha unha tem agora?
– Foi a Sophia, não é?
– Claro, e o que isso tem a ver?
– Nada, ela só pinta muito bem... Aliás, hoje é a festa que Soph vai, não é?
A loira assentiu, depositando um fio rebelde atrás da orelha, ajeitando habilidosamente o pequeno cartaz em frente à tela do computador.
Odiava saber que seu chefe sabia de tanta coisa da sua vida pessoal, odiava saber que ele se preocupava tanto com o que acontecia com sua filha quando ela estava fora de casa, o que elas costumavam fazer depois da aula... Parte de si, agradecia por ter alguém além de suas amigas ricas e sem filhos para conversar sobre sua vida pessoal, mesmo se ele estivesse fingindo, aparentava estar preocupado com tudo que acontecia com ela.
Um bom ator, na verdade.
– E amanhã será meu noivado. — cantarolou, pegando o cartaz de suas mãos e levantando acima da cabeça
– Infantil. — revirou as íris nubladas, bufou em seguida
– E ai, já comprou seu vestido? Seus acessórios, sapatos e essas coisas femininas?
– Não, agora, por favor, me dá esse cartaz.
– Quer dizer que você não vai?
– Eu não disse isso! Agora, me dá o cartaz, eu ainda tenho que falar com o Nico!
– Se quiser carona, pode falar...
– Eu não vou com você. — irrompeu no meio da fala dele — Não mesmo! Vocês tem que estar naquele clima de noivos e coisas do tipo. Então, Sr. Jackson, me dá esses malditos gráficos agora. — pediu com a voz rude e dura
– Vem pegar, Srta. Chase.
Annabeth respirou fundo algumas vezes, até se aproximar dele, deu um sorriso calmo e controlado, socou seu estômago vendo Percy dobrar-se sobre os joelhos, emitindo um ruído estranho.
– Obrigada, Sr. Jackson. — seu tom era de superioridade e orgulhoso
Deixou para trás um homem que gemia, sobre os joelhos, capaz de se jogar no chão.
Fechou a porta de madeira, calmamente com o mesmo sorriso controlado.
***
– E então... — Nico murmurava, sentado na sua cadeira presidencial, os pés em cima de sua mesa de madeira e os dois cartazes estendidos alto.
Seu escritório era rústico. Com o piso de madeira, e as paredes preenchidas por um carpete de cor clara, bem polido e limpo. Nico chamava aquilo de estilo clean up, em seguida, resmungava alguma coisa sobre Silena ser muito persuasiva. As cadeiras à frente de sua mesa eram de couro e bem acolchoadas, desconfortáveis o suficiente para a pessoa que sentasse, quisesse sair em menos de meia hora. Sentia muita pena das pessoas que eram despedidas. Diferente do escritório de Percy, não existia nenhum livro onde ele fingisse que lia, mas em cima de sua mesa, havia quatro livros grossos ao lado do computador, um globo médio que parecia ser bem trabalho e desenhado. A sala dele exalava um cheiro de lavanda que se espalhava, e às vezes, a loira sentia aquele cheiro impregnado em suas roupas. Ainda com as mãos pousadas no colo, levando as mãos de vez em quando à nuca, brincando com a barra da saia, Annabeth mexia-se desconfortavelmente na poltrona de visitas, percebendo que ficara mais de meia hora sentada ali enquanto Nico avaliava os gráficos e começava a falar.
– Você vai ao noivado do meu priminho, certo?
A loira bufou, levantando-se de uma vez da poltrona.
– Ele não te mandou um torpedo ou algo do tipo, certo?
– Olha aqui, se você acha que eu ajo sobre as ordens dele só porque ele é o presidente disso aqui, só quero... — sobre o olhar constante de Annabeth que forçava o batimento de seu salto na madeira — Sim. — sussurrou, sentando-se corretamente na poltrona presidencial
– Eu trabalho aqui, mas não sou obrigada a ir a noivados quando...
– Olha, eu sei que você não quer. Nem eu, nem o Ian, nem a Thalia queremos também, mas o Ian quer comer, e a Thalia não vai deixá-lo com Rachel, e eu não vou deixar meu filho ir sozinho com ela, então eu estou sendo obrigado a ir. Enfim, como somos bons e lindos amigos, sabe, muito lindo...
– Pode parar de se vangloriar, e chegar ao seu verdadeiro ponto: eu em Montauk. E não importa o quanto você tentar me manipular, eu não irei e você sabe disso.
– E é aí onde você erra, linda Annabeth. — Nico levantou-se, rodeou a mesa com os gráficos na mão, sentou-se na madeira em frente a uma Annabeth irritada que se apoiava nas costas da poltrona — Não sei se você sabe, ou se meu irritante primo mais velho não te avisou, mas eu sou um bom manipulador. Não é atoa que participo fervorosamente das reuniões para fechamento de contratos.
– Certo, eu sei que você é um bom manipulador. Mas isso não quer dizer que eu sou tão manipulável assim.
– É o que colocaremos à prova. – piscou
– E então, o que ele disse? — Percy perguntou assim que Annabeth abriu a porta, os olhos vidrados dele estavam vidrados em um papel enorme, a loira não conseguia ver de tão longe, mas presumia que era uma extensão de rabiscos que não conseguiria identificar de primeira
– Disse que você é um idiota por não ter visto nenhuma melhoria.
O moreno riu baixinho, deixando o lápis número oito, para alcançar o número dois com um dedilhar elegante. Junto com o mesmo, pegou a borracha, dançando pelo papel.
– Realmente, eu não consigo enxergar nenhum por cento acima do mês anterior. — bufou e levantou o olhar, sorridente — E então, o que ele disse a mais?
– Ah... Sobre você ficar mandando torpedos para ele tentar me convencer a ir ao seu noivado?
– Exatamente. — seu sorriso se prolongou enquanto ela sentava-se à sua mesa, teclando imensas coisas no computador
– Bem, devo admitir que ele talvez tenha falhado.
– Talvez? — sua careta era de um desapontamento incomum
– É. Enfim, eu vou voltar ao meu trabalho.
Percy assentiu, de certa maneira derrotado. Levantou-se de sua cadeira, enfiou as mãos no bolso e encarou Nova York de suas paredes de vidro, o ar parecia rarefeito, o céu era uma imensidão cinzenta, longe de riscos azuis ou de alguma proximidade do sol, apenas alguns raios eram sortudos o suficiente para chegarem aos arranha-céus.
– Vai ficar deprimido agora? — sua voz era risonha atrás de suas costas
– Ah, sabe, só estou pensando que daqui há algumas horas, eu vou estar noivo. Isso é tão assustador.
– Não como parece ser. — a loira falava calma — Sabe, quando fiquei noiva do Luke foi... Assustador. — ela riu do que disse
O moreno virou-se, examinando seu rosto risonho, o jeito como suas maçãs ficavam mais altas, e sua boca abria-se em um lindo sorriso exibindo os dentes alinhados.
– Sério? Por quê?
– Luke é um empresário de artistas famosos. Querendo ou não, ele também fica famoso, consequentemente todos ao redor dele ficam famosos.
– Você nunca me disse que ele era "famoso". — disse, erguendo os dedos em aspas invisíveis
– Bem, eu nunca achei interessante mencionar. De qualquer maneira, quando ficamos noivos, estávamos com meu pai... — mais um riso tímido — E ele odeia essa vida dupla que o Luke leva, sabe? Sempre odiou, então ele meio que ficou bêbado e fez o maior enxame! O Luke riu tanto que eu achei um tanto falso, mas ele realmente estava rindo... Foi bem legal no final, eu adorei.
– Aposto que estava cheio de paparazzi lá. — Percy tentou brincar, mas no fundo parecia rígido
– Não, só os nossos mesmos, e amigos íntimos, tinham poucos famosos, aliás.
– Tipo quem?
– Ian Somerhalder. Se ele não tivesse namorada, e eu não estivesse noivando naquele momento, provavelmente teria fugido com ele.
Percy fez uma careta, e deu de ombros. Voltando a sentar-se na sua poltrona.
– Eu acho que se você fosse, sei lá, me daria mais um pouco de confiança com seu jeito irritante e mandão de ser.
– Até porque no meio do noivado, eu mandaria você beijar ela pra tirarem uma foto.
– Seria engraçado. — balançou a cabeça e mordeu o lábio com uma ideia estranha na cabeça — Sabe de uma coisa? Eu acho que você foi uma líder de torcida no colegial.
– Verdade.
– Sério?
– Uhum.
– Não foi uma nerd ignorada que sofria bullying?
– Ahn... Não. — respondeu, como se fosse óbvio
– Rainha do Baile?
– Três anos seguidos.
– Ok, uau... Você superou minhas expectativas de beleza.
– Hm, é? — os olhos cinzentos se ergueram da tela brilhante — Quantas vezes sua noiva foi rainha do baile?
– Provavelmente, nunca. — ele riu
– Você deveria ser mais... Sei lá, apaixonado?
– Ei! Eu sou bastante apaixonado. Nossa primeira viagem de um ano de namoro foi para o Caribe, foi muito bom.
Annabeth riu e assentiu.
– Por quê? Foi realmente bom.
– O quê? Ficaram em um quarto presidencial por toda viagem fazendo sexo?
– Não dá pra ter uma conversa civilizada com você, Annie. Desisto. — bufou, sentou-se na sua cadeira de antes, encarando seu desenho, entediado
Os dois ficaram por um tempo em silêncio. Ambos fazendo o que consideravam o suficiente para que ignorassem o que estavam fazendo, levando a atenção para outro caminho. Um caminho em que nenhum dos dois pudesse atrapalhar levando seus pensamentos para lugares que nenhum deles pudesse encontrar ou realmente prestar atenção.
O que estava valendo agora era a paz temporária para trabalhar.
Isso continuou pelo resto da tarde.
Às cinco horas e meia, Annabeth arrumava as coisas em sua mesa, pegava sua bolsa e enfiava tudo que era importante que deixara em cima da mesa.
– Carona?
A loira negou com a cabeça e lhe lançou um sorriso.
– Boa noite, estou indo.
– Certo... Boa noite, posso te esperar em Montauk?
– Não esteja tão confiante. — mandou uma piscadela e fechou a porta atrás de si
Por sorte, um táxi estava à espreita, estacionado de modo perigoso ao lado do parapeito da calçada meio desgastada.
Enfiou-se no aquecedor do carro, percebendo que seus braços estavam livres, sem o sobretudo. Bufou, mas mesmo assim, pediu para o taxista prosseguir com sua viagem até sua cobertura.
Não havia nada demais. Checou a caixa dos correios, subiu pelo elevador, e com a chave no bolso de fora da bolsa, empurrou a porta com o quadril. Revirou os olhos.
– Nico, Senhor Manipulador. — resmungou assim que trancou a porta, jogando a chave no criado mudo com o desenho de uma cabine telefônica inglesa.
– Olá, Senhorita Não-Sou-Manipulável.
Ambos sorriram da pequena brincadeira enquanto Thalia aparecia trazendo duas xícaras da cozinha.
– Chá gelado. Quer?
– Não, obrigada.
– Como foi o trabalho? — a morena perguntava enquanto deixava a xícara nas mãos estendidas de Nico
– Relativamente bem. Onde está Ian? — argumentou, jogando a bolsa no sofá, e sentando-se ao lado de Nico.
– Banho. — Thalia bebericou seu chá, encarando Annabeth por cima da caneca — Então, chegou uma encomenda para você.
– Ah! Eu pedi umas coisas na Amazon! — retirou os saltos beges, jogando no tapete da mesma cor.
– Dá pra você parar de bagunçar a casa?! Eu arrumei a tarde toda.
– Sério? — Annabeth gritava já subindo as escadas — Que milagre.
– Realmente. — Nico concordou com um sorrisinho
A loira subiu as escadas saltitante, deparando-se com Ian no topo da escada, os cabelos negros totalmente molhados, pingando pelo rosto, segurava a toalha na cintura com uma mão enquanto mexia no cabelo incansavelmente.
– Tia Annie. — resmungou assim que a viu
– O que foi, anjo? — perguntou, ajoelhando-se
– Onde está Thalia? Eu não estou achando minhas roupas! — fez um beicinho assim que terminou de falar
Annabeth riu, segurou a toalha e enxugou o dorso dele, voltando a colocá-la no mesmo lugar.
– É melhor não sair correndo todo molhado, pode cair. Eu vou chamá-la, fique ex...
– Seu peste! — Nico gritou atrás dela — É melhor correr antes que eu comece a contar.
– Não, pai... — Annabeth já não ouvia mais seus gritos porque ele tinha desaparecido bem à sua frente
– Seu irresponsável! – a loira segurou Nico pela gravata já folgada, obrigando-o a ficar parado — Ele está todo molhado. Thalia! Seu filho está correndo pela casa todo bagunçado nesse chão escorregadio.
– Seu inútil, eu não posso deixar nem cinco segundos o Ian com você. Ian Di Ângelo, pare de correr agora mesmo. — a morena atravessava com passos pesados e precisos atrás das pegadas molhadas deixadas para trás
– Por que eu sou sempre o culpado?
– Você ainda tem coragem de perguntar, imbecil? — revirou os olhos e bateu em seu rosto, voltando seu caminho para seu quarto
Apenas ouvia gritos infantis, gritos de sua melhor amiga e Nico tentando se desculpar com sussurros. Fechou a porta de seu quarto, e pulou em cima da cama, alegre.
Não era a caixa da Amazon, definitivamente.
Era chique demais.
Forçou os olhos a lerem as letras em dourado em cima da caixa branca.
LOLA.
Não sabia o que era maior, a raiva crescente em seu peito ou a curiosidade que lhe matava por dentro.
Tocou os dedos levemente sobre as letras em alto relevo, pensando se abriria a caixa, ou apenas deixaria de lado, no entanto, sabia que a segunda opção estava fora de cogitação. Talvez nem fosse Silena ou Lizzie que teria mandando aquilo, talvez... Tivesse sido Luke, a suspeita mais provável. Deu um sorrisinho compreensivo, tocando as bordas da tampa da caixa, puxando-a de uma vez.
O papel barulhento azul escuro trazia uma fragrância da Lola, era uma mistura de doce quase enjoativo e um cheiro tão atrativo, romântico. Da última vez que Lizzie te mandara uma dessas encomendas, o papel fora rosa, mas pensou que elas estivessem mudando ou isso fosse uma coisa aleatória. Riu mais uma vez, imaginara as duas brigando para escolher quais seriam essas cores aleatórias.
Dedilhou o papel, tentando não fazer barulho suficiente e então, deparar-se com um tecido azul claro, fora dobrado cuidadosamente com o decote destacado, as mangas pequenas também poderiam ser vistas, e quando o puxou lentamente nas pontas, pode ver o quão longo era, o quão elegante e de um jeito estranho, combinava com sua pele dourada. Sem querer, mas já em pé, tocou o vestido contra seu corpo, exibindo-o da melhor maneira. Sem querer admitir, soube que aquele vestido, talvez, fora feito sobre medidas para você.
Grunhiu, e voltou a sentar-se na cama, amassando a obra de arte ao seu lado. Puxou o papel azul escuro com força, amassando-o pronto para jogar no lixo, entretanto duas coisas caíram.
Uma caixinha preta de veludo, e um cartão branco.
Maldita curiosidade, pensou enquanto agachava-se sobre os pés desnudos, caindo no carpete marfim. Tocou a caixinha com delicadeza, sem esperar muito, a abriu.
Perdeu o fôlego.
Perdeu qualquer fio de pensamento que estava tendo.
Perdeu tudo.
O tempo pareceu parar ao seu redor por poucos minutos até que nem tivesse coragem de tocar no ouro branco, nem na safira que brilhava intensamente no meio do anel bem elaborado. A caixinha caiu por entre seus dedos, porém o anel continuou cravado na pequena abertura, sem conseguir desviar os olhos, o ouro parecia brilhar na luz intensa que sua lâmpada produzia. Esticou os dedos, tocando a parte de veludo, pensando o quanto aquilo foi caro. O quanto aquilo era um absurdo demais.
Caro demais.
Ilusão demais para poder aceitar.
Enfiou na sua cabeça que aquilo era um sonho, mas quando relutantemente tocou no ouro gélido sobre seus dedos, percebeu que não existia nenhuma ilusão, que não era um sonho e que... Aquilo não era uma coincidência, e com toda certeza do mundo, aquilo não tinha sido mandado pelo seu ex-marido.
O vestido que vira no Lola, que dissera que não ia comprar para ir ao maldito noivado que, de fato, já havia sido convencida. Já havia acertado com Nico que iria ao carro dele com Thalia, Ian e Sophia. Era a melhor escolha de carona que poderia acontecer, mas pareceu que seu chefe levou à sério demais o fato de que não queria ir.
Mordeu o lábio, levantou-se e desceu as escadas com pulos rápidos.
– O que aconteceu? — Nico perguntou, recolhendo as xícaras
– Eu vou te matar. Guarde isso. — sua voz era mortífera, medonha enquanto ela enfiava as duas mãos à procura de alguma coisa.
– O que eu fiz dessa vez?
– É o que você não fez. — levantou o rosto, sentindo mechas douradas caindo sobre seus olhos quando tentou mandar seu pior olhar para Nico — Para ser mais exata, o que você não disse.
Sem esperar por uma resposta, ergueu seu celular em frente aos seus olhos como se fosse uma vitória vê-lo ali. Voltou a subir as escadas com agilidade, fechou a porta do quarto, delicadamente e jogou-se no carpete em frente à caixinha. Ainda avaliando-a.
– Silena? Eu realmente quero te matar! — sua voz era baixa, controlada, mas cheia de ignorância
– O que eu fiz agora? Só estou de boa, tentando fazer minhas unhas em paz.
– Quem mandou esse vestido para mim? E esse anel?
– Meu amor... — ela deu um risinho — Até esqueci-me das minhas unhas, isso é tão excitante!
– Não, não é. Em nenhum dos sentidos que você está pensando, então, por favor...
– Você sabe pra que serve um cartão?
– Sei e...
– Então, leia-o. Awn, eu preciso ligar pra Lizzie e dizer que você já abriu.
– Se você aparecer aqui, juro que não entra em casa. Eu te proíbo na portaria ou qualquer coisa, mas você não vai vir.
– Sua bruta, grossa! — gritou do outro lado da linha — Bom, então fique aí com seus presentinhos românticos, eu não ligo, só me prometa que vai me contar tudo que ele escreveu e como você se sentiu.
– Não vou te contar o que sinto para você colocar em seu livro idiota de autoajuda.
– Não é um livro de autoajuda. E argh! Leia logo essa droga.
– Você não me ajudou muito, Si. Mesmo assim, — a loira falhou o olhar para o cartão azulado, mordendo o lábio inferior com tanta força que sentia que seu nervosismo estava grudado em seu corpo — obrigada. — a ligação foi desligada em poucos segundos depois da última palavra
Inclinou-se mais uma vez sobre a caixinha, negando-se a tocá-la, ou avaliar mais o ouro e a safira do que já tinha visto e avaliado.
O papel era caro, percebeu assim que tocou, não era aquele papel brilhoso, muito menos aquele áspero, era macio e trazia um cheiro desconhecido, mas calmante. Com os dedos ansiosos, procurou o lugar onde poderia abrir e achou um adesivo redondo sem desenho algum, apenas um círculo prateado que segurava as duas partes, arrancou-o, sem pena, com as unhas.
As letras eram prateadas e parecia combinar com o anel. Sem querer, conseguiu perceber isso.
Eu não acredito que Nico não conseguiu te manipular.
Isso é tão impressionante!
Eu só quero dizer que, pode parecer broxante, mas mesmo assim,
com essas semanas que viemos trabalhando juntos, eu estou adorando
ficar ao seu lado e tudo mais. Sua confiança nas reuniões são adoráveis
e me ajuda mais do que possa imaginar.
Eu queria que você me passasse essa confiança em um momento
assustador e novo para mim.
Aliás, não é você mesmo que diz que nunca se pode deixar
uma chance como essa escapar de suas mãos?
Te espero lá! Use o vestido, como um pedido de agradecimento por tudo!
Obrigado de novo!
Xoxo, Percy.
As letras eram em itálico e em alto relevo, passou as pontas dos dedos novamente sobre as letras, tentando absorver aquilo do melhor jeito que conseguiria. Respirou fundo, olhou para o vestido que tentara amassar, no entanto parecia em perfeitas condições ao lado do travesseiro, encarou o anel e a safira brilhante. Ele não citou nada sobre o anel, provavelmente foi um engano.
Um engano.
Ele deveria ter mandado para a noiva dele, e isso lhe dava mais um motivo para ligar pra ele e gritar.
Mas tudo que fez, foi fechar a caixinha, dobrar o vestido, escolher uma rasteira confortável para o noivado de amanhã, com uma bolsa cinza de lado, enfiou a caixinha. Suspirou aliviada, como se soubesse que ia fazer uma coisa certa.
Fechou a caixa, escondeu abaixo de uma das prateleiras do vestíbulo. Ainda teve a decência de descer, ignorar Nico e suas piadinhas irônicas acompanhadas pelos risos de aprovação de Thalia, deu uma boa noite opaca e voltou a subir as escadas, enfiando-se nos edredons brancos de sua cama, bebendo sem parar o chocolate quente enquanto uma série que parecia legal passava diante de seus olhos sem receber nenhuma reação, sem alcançar seu real objetivo.
Notas finais
Enfim, valeuuu e espero que tenham gostado desse capítulo ♥
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